domingo, 11 de novembro de 2012

As Crianças da Montanha de Fogo (1979)


Esta série será a principal responsável pelos meus frequentes pesadelos com vulcões em erupção, que tive ao longo da infância. Isso e talvez o facto que perto da minha terra existir um monte com um formato de vulcão (pelo menos para a minha mente juvenil). Durante anos de pesquisa pela Internet, pouco consegui saber, também, a minha única lembrança é que envolvia um vulcão na Nova Zelândia e jovens! 
Mais concretamente, foi assim que em 2006 pedi ajuda no "Fórum do Mistério Juvenil":
"Alguém se lembra de uma série que - julgo - passou na RTP 1 ou RTP 2 (acho foi anterior às TVs privadas) passada numa aldeia perto de um vulcão na Nova Zelândia, numa área altamente florestada e creio k até havia um lago. Uns quantos miúdos andavam sempre em aventuras. Ando há anos pela Net a tentar descobrir o nome desta série ou mini-série (talvez seja Australiana...)"

Desde essa altura, não tinha descoberto nada, até que por acaso encontrei este artigo no excelente site espanhol: "Somos Ochenteros" - "Los Niños de La Montaña de Fuego". Que me conduziu a este artigo "Clubpoopmobile" e ao nome original da série: "Children of Fire Mountain", literalmente "As Crianças da Montanha de Fogo". Apesar de não encontrar informação em português sobre a série, creio que foi exibida na RTP, porque passou na TVE em 1980, e nessa altura tinha apenas 1 ano de idade,e  não me iria lembrar dela. Ou talvez tivessem usado um título diferente da tradução do original. Algum dos nossos leitores tem uma memória mais clara que a minha?

Os créditos iniciais e excerto de um episódio:




Esta mini-série de época (inicio do séc. XX), made in Nova Zelândia, teve uma temporada, constituída por 13 episódios, realizados por Peter Sharp. No começo da série, Sir Charles Pemberton (Terence Cooper, que por este papel venceu o Feltex Television Awards para Melhor Actor), um aristocrata inglês, viaja para a Nova Zelândia por motivos de saúde. Consigo viaja também a sua neta  Sarah Jane (Rachel Weston). Sir Pemberton decide aproveitar as águas medicinais e construir um hotel/spa em terra indígena, contra o desejo dos Maori, que têm uma cultura muito ligada à natureza e um ancião maori, Te Pourini (Tamahina Tinirau) adverte que o vulcão irá explodir em retaliação. Para aumentar os conflitos entre os colonos brancos e os Maori, Doomey Dwyer (Martyn Sanderson), o vilão da série, que tem uma destilaria ilegal, vende bebida aos Maori. O grupo de "heróis" era constituído pelos jovens Tom (Paul Airey), Davie (Ian Narev), Hema (Ross Duzevich) e Kir (Melissa-Aroha Baker), que tentam trazer Dwyer à justiça. Depois da hesitação inicial, Sarah Jane pode juntar-se ao grupo e torna-se amiga de Tom. O vulcão, a "montanha de fogo" do título, só entra em actividade perto do final. Encontrei os episódios no Youtube, mas não sei se vou rever, não me apetece voltar a ter pesadelos com vulcões... talvez seja melhor ficar no passado!

Actualização: Entretanto, as minhas investigações levaram-me a uma série com o título "As crianças da montanha", exibida aos Domingos de manhã, entre 6 de Janeiro e  7 de Abril de 1992, totalizando no entanto 16 episódios, contrariando todas as fontes em inglês da série, que referem apenas 13 partes. Repetição de episódios, engano da programação? Foi substituida por uma série australiana, "Adventures on Kythera".

Alguns screenshots de episódios da série [Fonte: The Wild Boys]:





No Youtube é possível ver os episódios: Youtube: Children of Fire Mountain.

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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Aguia (1985)

Este pequeno anúncio no rodapé de uma página da Crónica Feminina fez-me recordar o meu tempo entre linhas, lãs e botões na retrosaria da minha tia. Lembro-me melhor de outros produtos da "Coats & Clark" (parte da multinacional Coats), mas estas linhas "Águia" eram obrigatórias para croché!



Publicidade retirada da revista Crónica Feminina nº 1482, de 18 de Abril de 1985.

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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Atrix (1985)

Já há tempo que não via a familiar garrafinha de Atrix loção, no canto inferior direito do anúncio (creio que em casa nunca tivemos, mas lembro-me de ver à venda). E claro, a latinha com creme, que ainda temos em casa (versão mais recente, obviamente). "Atrix para que te sintas mais perto dos outros". "Atrix creme e loção cuida e protege as tuas mãos" (quase rima!). O blog "Santa Nostalgia" tem mais informação sobre os produtos da marca: "Atrix Creme".

Vale a pena recordar este anúncio de 1983:




Publicidade retirada da revista Crónica Feminina nº 1482, de 18 de Abril de 1985.

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Cabaz do Natal (1985)


Clique sobre a imagem acima para ler os componentes do Cabaz de Natal 1985, em duas variedades, a 8 e a 9 contos. Podia ser pago em várias prestações, e por mais 80 escudos, recebia a revista "Ela". Por 6 contos havia também o cabaz direccionado aos mais pequenos: "Natal dos Meus Filhos", um cabaz de  brinquedos, chocolates, jogos, banda desenhada, etc. O Cabaz de Natal incluia desde bebidas, a bolos, lata de ervilhas, champô, brinquedos a latas de Tody. Algum dos nossos leitores recebeu este cabaz em casa?


Publicidade retirada da revista Crónica Feminina nº 1482, de 18 de Abril de 1985.

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quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Igor Rampa - Mago Africano (1985)


Mais um anúncio a uma das charlatanice que infestavam ( e infestam!) as revistas. Desta vez, um suposto "mago africano": Igor Rampa, que tem no currículo as habilidades de cartomante, quirólogo e astrólogo (quase que aposto que também desentope retretes). Para cúmulo, com "garantia de resultados"!


Publicidade retirada da revista Crónica Feminina nº 1482, de 18 de Abril de 1985.

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terça-feira, 6 de novembro de 2012

Broas de Todos Os Santos

por Paulo Neto

dedicado a Ana José da Cunha (1920-2002)

Graças a uma das várias ideias peregrinas do actual governo, o passado dia de Todos Os Santos será o último como feriado nacional, pelo menos até 2018. Isso levou-me a uma reflexão sobre os meus anos de petiz em que o dia 1 de Novembro era um dos dias mais ansiados por mim em cada ano. O simples facto de ser feriado e não haver escola já seria motivo suficiente para júbilo, mas no meu caso, havia uma maior aliciante. Para mim, a quadra de Todos Os Santos significava encher o bandulho com deliciosas Broas de Todos Os Santos.



Este ilustre manjar da doçaria nacional fabrica-se um pouco por todo o país nas mais diversas variações. Mas na minha região, ainda que se fabriquem e se vendam em várias variedades, quando se chega as alturas dos Todos Os Santos, a preferência vai para estes broas feitas com canela, café, erva doce, miolo de noz, açúcar amarelo e tudo o mais, por vezes com uma amêndoa no topo e obscenamente polvilhadas de açúcar. (Há aqui uma receita neste site, se bem que é a diferente da que é usada na nossa família). Também há quem chame esta variedade de brindeiras. 

Ora, os meus Todos Os Santos eram particularmente afortunados pois a minha Avó Ana era o Stradivarius das broas de Todos Os Santos. Por esta altura, quando chegava a casa da minha avó, geralmente encontrava-a na cozinha de volta de um panelão cheio de massa de broas e com a mesa com várias pirâmides de broas em travessas. Claro está, era uma questão de segundos até eu começar a comer pelo menos uma. E não se pense que era só a petizada da família que se empanturrava com este manjar divino, pois os adultos da família raramente conseguiam a resistir a comer só uma.  



Como a minha avó confeccionava broas essencialmente para a nossa extensa família e só as fazia para fora em casos pontuais e restritos, não há provas certificadas que evidenciem que as broas da minha Avó Ana eram as melhores de Torres Novas, quiçá do mundo. Mas digo sem dúvidas, que tal como nunca mais ninguém conseguiu reproduzir a arte de Antonio Stradivari em fazer violinos, mais ninguém conseguiu igualar a arte da minha avó em fazer broas de Todos Os Santos. Embora haja quem se aproxime razoavelmente, como a minha mãe.



Esta fotografia é uma das minhas preferidas da minha infância, pois é da doce matéria de que são feitas as memórias de infância. Tenho aqui para aí uns cinco anos e estou a ajudar a minha avó a dar forma às broas antes de irem ao forno. E atrás de nós: um quadro preto para escrever a giz com o Rato Mickey.  Um verdadeiro tesourinho em todos os aspectos! 




segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Scream-Gritos (1996)

por Paulo Neto

Uma confissão embaraçosa. Como facilmente fico impressionado com imagens mais violentas, eu não consigo ver filmes de terror. Sim, eu sei que sou um menino, tenrinho, medricas, mas é assim que eu sou. E como tal, foram muito poucos os filmes de terror que vi (e isso se se considerar os dois filmes dos "Gremlins" como legítimos filmes de terror). Apesar disso, concordo que o cinema de terror seja um género tão necessário como qualquer outro e sei reconhecer os seus méritos. Por isso, não há como negar a importância de "Scream-Gritos", um dos poucos filmes do género que me atrevi a ver, e foi porque deu na televisão uma vez (e fiz zapping em algumas das cenas mais puxadas).



Em meados dos anos 90, era seguro dizer que o cinema de terror estava moribundo. Perdido entre fórmulas gastas (que geralmente seguiam directamente para o mercado de vídeo) e enésimas e estafadas sequelas de clássicos como "Halloween", "Sexta-Feira 13" e "Pesadelo em Elm Street", o género precisava de sangue novo (salvo seja!). Por isso, quando um argumento com o título "Scary Movie", escrito por Kevin Williamson, até então um actor da terceira divisão distrital, que conjugava o necessário suspense e carnificina com uma boa dose de humor, auto-crítica e subversão começou a ser disputado pelos diversos estúdios de Hollywood, ficou logo a ideia de que se estava diante de algo inovador.


Depois de várias atribulações, como a relutância do lendário Wes Craven para realizar o projecto, a recusa de uma comunidade, ainda abalada por um caso de assassinatos em série, em filmar na escola local e várias alterações na montagem para alterar a classificação etária e até a incerteza da estreia na semana do Natal de 1996, o filme acabaria por fazer história, prosperando nas bilheteiras, ganhando prémios como o de Melhor Filme nos prémios MTV e revitalizando o cinema de terror.     

E afinal o que tinha o filme que viria a ter o título de definitivo de "Scream"?
- Uma terrífica sequência inicial onde, ao estilo de "Psico", aniquila-se logo o nome mais famoso do elenco, Drew Barrymore, não sem antes fazer-se referência a clássicos do cinema de terror. (Foi a própria Drew que teve a ideia de ser a primeira vítima, quando inicialmente estava destacada para protagonista.)

- Uma heroína vulnerável mas corajosa, Sydney Prescott, interpretada por Neve Campbell, que já conhecíamos da série "Adultos à Força". 
- Um pateta adorável na personagem de Dewey, o polícia aparentemente desparafusado, encarnado por David Arquette. (Que viria a encontrar o amor na vida real com Courteney Cox, que aqui desempenha a típica jornalista metediça).


- Henry Winkler, o eterno Fonz, como o enfastiado director do liceu, que também acaba eliminado.
- Várias e sangrentas mortes, como aquela em que Rose MacGowan acaba trucidada numa porta automática de garagem. (Rose teve que ser presa à portinhola, pois ela conseguia passar por ela).
- Uma máscara inspirada pelo famoso quadro "O Grito" de Edward Munch, que se tornou um must para disfarces de Halloween.


- Muitas referências à cultura pop e ao cinema, de terror e não só, nomeadamente a enumeração das várias regras de ouro dos filmes de terror. E uma delas é quebrada quando Sydney tem sexo e sobrevive.
- Um final que é ao mesmo tempo cliché e surpreendente.


- Um cameo de Wes Craven como o contínuo Fred, com um chapéu e camisola bastante parecidos com os de Freddy Kruger.      



O resto é história. A saga já vai no quarto tomo, Kevin Williamson passou de actor terceira divisão distrital a argumentista de primeira liga, Wes Craven reestabeleceu-se como o mestre do terror e a maioria do elenco tem construído sólidas carreiras. E claro está, a partir de então o cinema de terror voltou a ser um género de topo. Afinal de contas, toda a gente precisa de soltar um bom grito de vez em quando.

Trailer:




Gold (1985)


Não foi só agora que apareceram os negócios duvidosos, que anunciam publicamente o muito dinheiro que se poderá ganhar com pouco esforço. Este misterioso anúncio não revela o esquema com o qual os interessados poderiam ganhar entre 15 a 35 contos. O preço do "Gold" - o quer que isso fosse - era 1000$ além dos 200$ enviados para portes de correio e embalagem. Algum dos nossos leitores sabe mais sobre este negócio?

Publicidade retirada da revista Crónica Feminina nº 1482, de 18 de Abril de 1985.

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