quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Sorveteira Philips (1988)

Anúncio à "Sorveteira Philips" que anunciava: "acabaram os gelados sem gosto. Nova Sorveteira Philips. Gelados naturais ao sabor da sua imaginação"."...é fácil e divertido ter durante todo o ano sobremesas sempre sempre diferentes e tão económicas!"
O slogan da Philips nessa altura era "Quem tem Philips, tem tudo."

Encontrei no Youtube um anúncio, de 1992, sob o nome "Sorveteira Walita" (Philips Walita) de um modelo quase idêntico:



Publicidade retirada da revista Selecções do Reader's Digest Nº 207 (Tomo XXXV) de Agosto de 1988.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Sailor Moon - A Navegante da Lua (1992-1997)

por Paulo Neto

Se bem que já há muito tempo que muitas das nossas séries animadas preferidas eram feitas no Japão, foi nos anos 90 que o culto dos anime japoneses se estabeleceu em Portugal. Além de séries televisivas, o culto também estendia-se aos filmes que eram distribuídos no mercado do vídeo, dos quais se destacavam títulos como "Akira" e "Ghost in the Shell". Em termos televisivos, bastaria referir o fenómeno que foi saga "Dragon Ball", mas outra série quase tão mítica quanto foi "A Navegante da Lua" ("Sailor Moon" como título internacional e "Bishoji Shensi Sera Mun" no original).


A saga foi criada em 1992 por Naoko Takeuchi, a partir de um manga da sua autoria iniciada um ano antes, tendo sido criadas cinco séries que duraram até 1997. A autora tinha uma manga anterior, "Codename: Sailor V" que foi como um esboço da série, recuperando mesmo a protagonista que dá nome ao título para a personagem da Navegante de Vénus.

Embora o estilo e a premissa fizessem da série um produto destinado sobretudo ao público feminino, a verdade é que, tal como havia raparigas a seguirem avidamente o "Dragon Ball", não eram muitos os rapazes com vergonha de admitir que acompanhavam esta série. Por exemplo, eu e o meu irmão gostávamos de seguir a série, apreciando sobretudo os momentos de humor quando as personagens faziam alguma asneira e ficavam com umas caras exageradamente cómicas. Eis uns exemplos:



Aliás, além do equilíbrio entre momentos de humor burlesco e partes mais dramáticas, "Sailor Moon" e "Dragon Ball" tinham em comum o facto de terem um protagonista imperfeito. Enquanto a maioria da animação criada ou inspirada pelo mundo Ocidental apresentava-nos heróis perfeitos e imaculados, os protagonistas de séries intrinsecamente japonesas, apesar das qualidades de herói, têm as suas falhas de carácter. Por exemplo, heróis preguiçosos, indisciplinados, comilões e com uma dose considerável de imbecilidade, mas cuja bondade e coragem acabam por compensar largamente esses defeitos.

Era essa também o caso da protagonista de "Sailor Moon", Bunny (Usagi na versão original) Tsukino, uma rapariga de 14 anos sem aparentemente nada de extraordinário. Aliás é preguiçosa, má aluna, comilona e desastrada. Um dia, Bunny encontra um gato chamado Luna que revela que ela é a Navegante da Lua, a reencarnação de uma guerreira do Reino da Lua e que tem de combater os inimigos que ameaçam a Terra como outrora subjugaram a Lua. 
Os diversos inimigos que ela encontra ao longo de toda a saga têm por hábito sugar as energias dos humanos para conseguirem progredir no seu objectivo final (o típico "destruir e/ou dominar a Terra") e de invocarem os demónios de aspectos mais bizarros. 
Quando enfrentava um desses demónios, a Navegante da Lua dizia a lendária frase: "Em nome da Lua, vou castigar-te!". A sua arma inicial era uma tiara (que também levava à famosa frase: "Tiara, acção!"), mas ao longo da série, ela vai adquirindo novas armas. Paralelamente, Bunny vai descobrindo mais sobre a sua verdadeira identidade como reencarnação da Princesa da Lua e ganhando auto-confiança e maturidade (se bem que ainda vá fazendo alguns hilariantes desastres aqui e ali).
Na primeira série, surgem outras guerreiras navegantes para combaterem ao lado da Sailor Moon: Ami, a Navegante de Mercúrio, a mais madura e inteligente do grupo ("Espuma de sabão, espalha-te!"); Rita (Rei na versão original), a Navegante de Marte, desbocada e mandona, e quase sempre às turras com Bunny ("Alma de fogo, arde!"); Maria (Makoto na v.o.), a Navegante de Júpiter, excelente cozinheira e a pinga-amor do grupo ("Supremo trovão!"); e Joana (Minako na v.o.), a Navegante de Vénus, aspirante a estrela do voleibol e que tem uma gata mentora, Artemisa ("Raio crescente!"). Há também o Guerreiro Mascarado que ajuda sempre as Navegantes nos momentos de maior aperto, e que vem-se a saber que é Gonçalo (Mamoru na v.o.), o misterioso rapaz por quem Bunny se apaixona.




A segunda série (a série R) introduz Chibiusa, a miúda precoce e pespineta que se faz passar por irmã mais nova de Bunny, mas que na verdade é a reencarnação da filha da Princesa da Lua, e marca a breve aparição da Navegante de Plutão, Susana (Setsuna na v.o., "Grito da morte").
A Navegante de Plutão terá mais destaque na terceira série (Série S) onde também aparecem as restantes navegantes. Duas delas formam um casal lésbico: a arrapazada Haruka, a Navegante de Urano ("Abalo do Mundo!") e a feminina Mariana, a Navegante de Neptuno ("Mergulho profundo!"). E por fim, a Navegante de Saturno, Octávia ("Hotaru na v.o."), que, à mercê das mãos erradas, poderá ser uma ameaça letal para as outras Navegantes.



Houve ainda mais duas séries (Super S e Stars). Na última delas, as Navegantes têm três aliados andróginos, os Navegantes das Estrelas, rapazes na forma civil e raparigas na forma guerreira (com seios incluídos!), usando roupas de combate que mais pareciam lingeries de dominatrixes. Um deles (ou delas?), Seiya, terá uma ligação próxima com Bunny.


Com vários ingredientes predestinados a cativar ao público jovem (fantasia, mistério, humor, romance, e apenas uma leve pitada de violência) "Sailor Moon - A Navegante da Lua" tornou-se uma das míticas séries anime dos anos 90 em todo o mundo. Estreou na SIC em 1994, no espaço de animação das tardes de segunda a sexta-feira, espaço esse que mais tarde seria ocupado pelo "Dragon Ball". Outra característica comum a estas duas séries é o facto de a dobragem portuguesa ter sido feita pela empresa Novaga e alguns dos seus actores, em especial António Semedo, Fernanda Figueiredo e Cristina Cavalinhos, terem feito vozes em ambas as séries.
Quem também emprestou a voz a esta série foi a antiga apresentadora televisiva Isabel Wolmar, que além do papel regular da Navegante de Mercúrio, também fazia a voz da maioria das vilãs. Para quem recordava Isabel Wolmar dos seus tempos de apresentadora, era com graça que se imaginava aquela senhora que o país conhecia pela sua postura respeitável a dizer coisas: "Aparece, Demónio!" ou "Entrega-me a tua energia!". E foi somente em Portugal que, por qualquer motivo obscuro, optou-se por trocar o sexo dos gatos. Sim, no resto do mundo o Luna era fêmea e a Artemisa era macho!

    
A série foi também exibida na TVI em 2000 e actualmente no Canal Panda. O tema do genérico em Português era cantado por Mafalda Sacchetti. (Sei de mais de um caso de quem tivesse sido afectado por um mondegreen que fazia parecer ouvir  "por essas calças esquecidas"!)



Além da manga e da série anime, a franchise Sailor Moon também já gerou três filmes, um musical e uma série com actores de carne e osso. Mais informação sobre a série no blogue "Desenhos Animados". E não resisto a recomendar o canal do YouTube "Sailor Pitas" com adaptações marotas (e supercómicas) da série. Eis um exemplo, referente ao primeiro episódio:







Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos"

Sprite (1988)

Um anúncio simples, mas apelativo, com um casal jovem a curtir o Sol na piscina, mas refrescados pelo refrigerante Sprite . O Sprite foi criado em 1961 pela Coca Cola Company como resposta ao sucesso do 7Up, e está à venda em Portugal desde 1981.

Há bastantes anúncios desta época ao Sprite  no Youtube, mas gostava de destacar este, com a música em português:


Publicidade retirada da revista Selecções do Reader's Digest Nº 207 (Tomo XXXV) de Agosto de 1988.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Portugal há 20 Anos - Grande Reportagem SIC


Portugal há 20 anos. Esse foi o objecto da Grande Reportagem SIC - "O Que Será, Será..." , emitido a 23/09/2012. Recordar as diferenças do Portugal de outrora, dos anos 90e compará-las com o país actual.

Veja a reportagem, com 38 minutos de duração:



No site da SIC, era assim definida a reportagem:

"O país dos emigrantes começava a transformar-se no país de imigrantes. Havia 38 mil barracas à volta de Lisboa e Porto. Falava-se do PER (Programa Especial de Realojamento) com a mesma naturalidade com que hoje se fala na Troika. O automóvel era acessível a 45% das famílias. Os telemóveis eram grandes e pesados. O cinto de segurança não era obrigatório. Os Porfírios ainda vestiam mais uma geração. A SIDA era uma sentença de morte intratável. Os homossexuais não casavam nem se mostravam. No país rural, o porco era morto em casa e, no prato, comiam-se "jaquinzinhos" sem infringir a lei. O lixo era todo no lixo: não havia pilhão, papelão ou aterros sanitários. Uma parte inquantificável de uma geração morreu agarrada a uma droga. O leite não era enriquecido e os tomates não eram cereja. Lembram-se deste país? Era Portugal há 20 anos.

Jornalista: Amélia Moura Ramos
Repórter de Imagem: Jorge Guerreiro
Editor de Imagem: Rui Rocha
Grafismo: Cláudia Ganhão"

Socigrupo (1988)

Publicidade ao "Socigrupo, Venda de Bens em Consórcio, Lda", que vende automóveis, motos, barcos  caravanas, casa pré-fabricadas, vídeos, etc, sem entradas e sem juros.

Publicidade retirada da revista Selecções do Reader's Digest Nº 207 (Tomo XXXV) de Agosto de 1988.

domingo, 23 de setembro de 2012

High Energy - Top-Hits '80 (1979)

Hoje trago-vos mais uma compilação, desta vez alemã, com os êxitos e  os artistas que estavam na berra na altura: "High Energy" com o subtítulo Top-Hits '80. Consistia em 20 temas em apenas 1 LP de vinil. Este vinil faz parte da colecção da família, vindo directamente da Alemanha, trazido por algum dos membros que lá esteve emigrado.


High Energy - Top-Hits '80 
1979
K-Tell Records


A capa frontal é bem colorida e cheia de "energia", com os títulos sobre uma cidade em festa à noite. No canto o tradicional aviso "Anunciado na TV e na Rádio", obviamente em alemão: "Aus der TV - und Radio - Werbung". Destaca ainda artistas como os Boney M. (que têm duas faixas no disco), Suzi Quatro, Blondie, Sister Sledge e alguns nomes menos recordados nos dias de hoje.


O outro lado tem a lista das faixas para ambos os lados e fotos dos artistas em destaque:


A track list (clique no nome da faixa para ouvir os temas ou videoclips):

Lado A:

  1. Gotta Go Home - Boney M. (Soa familiar? Duck Sauce - Barbra Streisand)
  2. Gloria - Humberto Tozzi (Ouvi mais vezes o cover de 1982: Gloria - Laura Branigan)
  3. She's In Love With You - Suzi Quatro (primeiro single do álbum 'Suzi...and Other Four Letter Words')
  4. Boy Oh Boy - Racey ( o quarto single do grupo britânico)
  5. Remember Then - Showaddywaddy (adoro o nome deste grupo britânico que se especializava em versões de êxitos dos anos 50 e 60, neste caso o Remember Then - The Earls)
  6. Rocking Son Of Dschinghis Khan - Dschinghis Khan (quarto single da banda alemã famosa pela sua participação no Festival da Eurovisão 1979 onde obteve o 4º lugar)
  7. Kingston, Kingston - Lou & The Hollywood Bananas (sucesso a solo do músico e produtor musical belga Lou Deprijck)
  8. Buy Mi Bananas - Eyes On Fire ( ver foto do terceiro single do grupo também conhecido por Eyes)
  9. The Part Of Me Thar Needs You The Most - Exile (retirado do segundo álbum da banda americana Exile, antes conhecidos por The Exiles)
  10. If I Said You Had A Beautiful Body Would You Hold It Against Me - Bellamy Brothers (o primeiro grande sucesso do grupo pop e country The Bellamy Brothers: David Bellamy e Howard Bellamy
    ainda em actividade)


Lado B:

  1. Dreaming - Blondie (o primeiro single do quarto álbum dos americanos Blondia: 'Eat to the Beat')
  2. Cars - Gary Numan ( o tema é considerado um marco do género sub-género new wave, e Numan um pioneiro da música electrónica comercial)
  3. Bird Song - Lene Lovich (um tema invulgar com um videoclip bizarro, que vale a pena ver)
  4. Fabulous Lover, Love Me - Amanda Lear (a canção aborda os rumores de que a cantora seria um  transsexual!)
  5. Codebreaker - Spitfire [não encontrei video, fotos ou informação sobre a banda ou o tema]
  6. Going Through The Motions - Hot Chocolate (tema extraído do 5º álbum de estúdio,  'Going Through The Motions', do popular grupo britânico)
  7. Lost In Music - Sister Sledge (o single que se segui ao enorme êxito "We Are Family", o maior desta banda feminina)
  8. You Cand Do It - Al Hudson & The Partners (pouco depois a banda, de R&B/funk, mudou o nome para "One Way featuring Al Hudson" e depois "One Way")
  9. We Gotta Get Out Of This Place - Gilla (Gilla era o nome artístico da austríaca Gisela Wuchinger, que aqui cantou uma cover do tema dos ingleses The Animals : "We Gotta Get Out Of This Place".)
  10. El Lute - Boney M. (lançado no mesmo single duplo com "Gotta Go Home", a canção conta a história de Eleuterio Sánchez, o homem mais procurado da Espanha, famoso por várias evasões, e que se declarava inocente das acusações de homicídio. Em 1981 foi solto e perdoado.)

Pure Care (1988)


Anúncio à gama de produtos "Pure Care", da Avon, para "o tratamento completo da pele", "Sem perfume. Sem álcool. Sem Corantes. Hipoalérgicos." 

Publicidade retirada da revista Selecções do Reader's Digest Nº 207 (Tomo XXXV) de Agosto de 1988.

sábado, 22 de setembro de 2012

Righeira "Vamos a la Playa" (1983)

por Paulo Neto

Conforme foi noticiado, o Verão de 2012 terminou hoje às 15:46, se bem que continue o calor e de há vários anos para cá, os climas típicos de cada estação estarem cada vez mais baralhados.

Foram várias as canções que marcaram os Verões da nossa infância. No meu caso, uma delas é "Vamos a la Playa" do duo italiano Righeira. Isto porque era uma das canções de uma cassete que o meu pai punha a tocar no carro nos idos de 1986 e 1987 e que acabei por associar às idas da nossa família à praia: aos Domingos com a manhã na praia da Vieira de Leiria e tardes na praia do Pedrógão e nas férias no Algarve em Setembro na praia da Alagoa (Altura, Castro Marim). Afinal de contas, que melhor canção para ilustrar uma ida à praia do que uma que repete ad infinitum "Vamos a la playa, oh oh oh..."?


Graças ao título, refrão e a batida electro-pop solarenga, o tema de 1983 tornou-se rapidamente um hino de Verão e uma das faixas mais míticas do italo-disco (quiçá somente ultrapassado pelo "Comanchero" dos Moon Ray, esse épico sobre índios, cowboys e catarro do fumador que o David José Martins já abordou aqui no blogue). Apesar do duo ser italiano, o tema é integralmente cantado em espanhol. Uma vez apercebido o resto da letra, verifica-se que por detrás da superfície estival e despretensiosa, está uma mensagem sarcástica sobre bombas atómicas e poluições nas praias, ou não estivéssemos nós nos anos 80, com a Guerra Fria na ordem do dia e o despertar social para as questões ecológicas. 

Na primeira estrofe, logo sem rodeios, fala-se de uma bomba que estalou no mar e que "as radiações torram" a pele. Na segunda estrofe, recomenda-se que quem quiser ir à praia terá de usar um sombrero porque "o vento radioactivo despenteia os cabelos". Na terceira e última estrofe, declara-se que por fim o mar está limpo, porque se acabaram os peixes "hediondos" (mutantes?) e agora no mar não há senão "água fluorescente". Fantasia apocalíptica pós-Guerra Fria ou hipotético cenário futurista pós-aquecimento global?


Os Righeira eram formados por Stefano Rota e Stefano Righi, naturais de Turim. "Vamos a la Playa" foi o primeiro single do duo sob esta designação e foi composto pelos irmãos Carmine e Michelangelo La Bionda, dois dos mais afamados produtores do movimento italo-disco. O tema foi um sucesso um pouco por toda a Europa, tendo mesmo chegado ao n.º 1 do top de singles na Suíça e é desde então (por razões óbvias) um tema de alta rotação nas rádios espanholas. Não existe nenhum vídeo oficial do tema, mas existem no YouTube várias vídeos de actuações do duo, que surge munido nos pulsos de uns espectaculares híbridos de relógio, microfone e rádio com antenas e dançando com uns movimentos que só visto.


O duo continuou o sucesso internacional com o tema de 1984 "No Tengo Dinero" (uma crítica ao capitalismo), mas desde então tem-se concentrado mais a nível interno. Foram n.º 1 em Itália em 1985 com "L'estate sta finiendo" e participaram no Festival de San Remo de 1986 com "Innamorantissimo", ficando em 15.º lugar. Continuaram editar singles até 1990. Em 2001, um álbum best of proporcionou o reformar do projecto e uma re-edição de "Vamos a la Playa". O último álbum dos Righeira data de 2007. 

Os Righera na actualidade 



  Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos"

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