Portugal há 20 anos. Esse foi o objecto da Grande Reportagem SIC - "O Que Será, Será..." , emitido a 23/09/2012. Recordar as diferenças do Portugal de outrora, dos anos 90e compará-las com o país actual.
Veja a reportagem, com 38 minutos de duração:
No site da SIC, era assim definida a reportagem:
"O país dos emigrantes começava a transformar-se no país de imigrantes. Havia 38 mil barracas à volta de Lisboa e Porto. Falava-se do PER (Programa Especial de Realojamento) com a mesma naturalidade com que hoje se fala na Troika. O automóvel era acessível a 45% das famílias. Os telemóveis eram grandes e pesados. O cinto de segurança não era obrigatório. Os Porfírios ainda vestiam mais uma geração. A SIDA era uma sentença de morte intratável. Os homossexuais não casavam nem se mostravam. No país rural, o porco era morto em casa e, no prato, comiam-se "jaquinzinhos" sem infringir a lei. O lixo era todo no lixo: não havia pilhão, papelão ou aterros sanitários. Uma parte inquantificável de uma geração morreu agarrada a uma droga. O leite não era enriquecido e os tomates não eram cereja. Lembram-se deste país? Era Portugal há 20 anos.
Jornalista: Amélia Moura Ramos
Repórter de Imagem: Jorge Guerreiro
Editor de Imagem: Rui Rocha
Grafismo: Cláudia Ganhão"
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Publicidade retirada da revista Selecções do Reader's Digest Nº 207 (Tomo XXXV) de Agosto de 1988.
Hoje trago-vos mais uma compilação, desta vez alemã, com os êxitos e os artistas que estavam na berra na altura: "High Energy" com o subtítulo Top-Hits '80. Consistia em 20 temas em apenas 1 LP de vinil. Este vinil faz parte da colecção da família, vindo directamente da Alemanha, trazido por algum dos membros que lá esteve emigrado.
High Energy - Top-Hits '80 1979 K-Tell Records
A capa frontal é bem colorida e cheia de "energia", com os títulos sobre uma cidade em festa à noite. No canto o tradicional aviso "Anunciado na TV e na Rádio", obviamente em alemão: "Aus der TV - und Radio - Werbung". Destaca ainda artistas como os Boney M. (que têm duas faixas no disco), Suzi Quatro, Blondie, Sister Sledge e alguns nomes menos recordados nos dias de hoje.
O outro lado tem a lista das faixas para ambos os lados e fotos dos artistas em destaque:
A track list (clique no nome da faixa para ouvir os temas ou videoclips):
El Lute - Boney M. (lançado no mesmo single duplo com "Gotta Go Home", a canção conta a história de Eleuterio Sánchez, o homem mais procurado da Espanha, famoso por várias evasões, e que se declarava inocente das acusações de homicídio. Em 1981 foi solto e perdoado.)
Conforme foi noticiado, o Verão de 2012 terminou hoje às 15:46, se bem que continue o calor e de há vários anos para cá, os climas típicos de cada estação estarem cada vez mais baralhados.
Foram várias as canções que marcaram os Verões da nossa infância. No meu caso, uma delas é "Vamos a la Playa" do duo italiano Righeira. Isto porque era uma das canções de uma cassete que o meu pai punha a tocar no carro nos idos de 1986 e 1987 e que acabei por associar às idas da nossa família à praia: aos Domingos com a manhã na praia da Vieira de Leiria e tardes na praia do Pedrógão e nas férias no Algarve em Setembro na praia da Alagoa (Altura, Castro Marim). Afinal de contas, que melhor canção para ilustrar uma ida à praia do que uma que repete ad infinitum"Vamos a la playa, oh oh oh..."?
Graças ao título, refrão e a batida electro-pop solarenga, o tema de 1983 tornou-se rapidamente um hino de Verão e uma das faixas mais míticas do italo-disco (quiçá somente ultrapassado pelo "Comanchero" dos Moon Ray, esse épico sobre índios, cowboys e catarro do fumador que o David José Martins já abordou aqui no blogue). Apesar do duo ser italiano, o tema é integralmente cantado em espanhol. Uma vez apercebido o resto da letra, verifica-se que por detrás da superfície estival e despretensiosa, está uma mensagem sarcástica sobre bombas atómicas e poluições nas praias, ou não estivéssemos nós nos anos 80, com a Guerra Fria na ordem do dia e o despertar social para as questões ecológicas.
Na primeira estrofe, logo sem rodeios, fala-se de uma bomba que estalou no mar e que "as radiações torram" a pele. Na segunda estrofe, recomenda-se que quem quiser ir à praia terá de usar um sombrero porque "o vento radioactivo despenteia os cabelos". Na terceira e última estrofe, declara-se que por fim o mar está limpo, porque se acabaram os peixes "hediondos" (mutantes?) e agora no mar não há senão "água fluorescente". Fantasia apocalíptica pós-Guerra Fria ou hipotético cenário futurista pós-aquecimento global?
Os Righeira eram formados por Stefano Rota e Stefano Righi, naturais de Turim. "Vamos a la Playa" foi o primeiro single do duo sob esta designação e foi composto pelos irmãos Carmine e Michelangelo La Bionda, dois dos mais afamados produtores do movimento italo-disco. O tema foi um sucesso um pouco por toda a Europa, tendo mesmo chegado ao n.º 1 do top de singles na Suíça e é desde então (por razões óbvias) um tema de alta rotação nas rádios espanholas. Não existe nenhum vídeo oficial do tema, mas existem no YouTube várias vídeos de actuações do duo, que surge munido nos pulsos de uns espectaculares híbridos de relógio, microfone e rádio com antenas e dançando com uns movimentos que só visto.
O duo continuou o sucesso internacional com o tema de 1984 "No Tengo Dinero" (uma crítica ao capitalismo), mas desde então tem-se concentrado mais a nível interno. Foram n.º 1 em Itália em 1985 com "L'estate sta finiendo" e participaram no Festival de San Remo de 1986 com "Innamorantissimo", ficando em 15.º lugar. Continuaram editar singles até 1990. Em 2001, um álbum best of proporcionou o reformar do projecto e uma re-edição de "Vamos a la Playa". O último álbum dos Righeira data de 2007.
Os Righera na actualidade
Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos"
Na semana final da Caderneta de Cromos este blog não podia ficar indiferente a tão importante acontecimento. Foi um choque inicial, confirmar o fim de uma rubrica tão querida de milhares de fãs, mas o show must go on!
Estou a planear ouvir a Caderneta de novo, por ordem, desde o Cromo nº1, emitido no longínquo dia 23 de Novembro de 2009, até ao Cromo nº 1162, datado de 21 de Setembro de 2012. Aposto que alguns leitores e fãs da Caderneta vão fazer o mesmo para matar saudades!
O novo projecto que vai ocupar o espaço da Caderneta já tem título "Grandiosa História Universal das Traquitanas" e Facebook: https://www.facebook.com/comunidadetraquitana Confio que nos esperam grandes coisas! Entretanto, há sempre cromos fresquinhos aqui na "Enciclopédia de Cromos"!
Durante esta semana final da Caderneta, Markl e Companhia refizeram os 10 cromos mais votados pelos fãs.
Vejamos o TOP, com links para os podcasts dos programas refeitos e dos originais:
Quando "O Guarda-Costas" ("The Bodyguard") estreou em 1992, não foi difícil prever que o sucesso estava mais que garantido. De um lado havia Kevin Costner, que estava no auge da sua carreira depois da glória alcançada nos Óscares com "Danças com Lobos" e continuada em "Robin Hood - Príncipe dos Ladrões". De outro lado, havia Whitney Houston, uma das maiores estrelas da música, no seu primeiro papel no cinema. Juntou-se a isto uma história de amor, aventura, mistério e brilho de Hollywood, mais uma banda sonora explosiva, e a receita não falhou. O que pouca gente sabe é que este era um projecto que vinha a ser concebido desde os anos 70 e que sofrera muitos avanços e recuos até a sua realização definitiva, sobre direcção de Mick Jackson.
Mas primeiro a história: Frank Farmer (Costner) é um antigo agente dos Serviços Secretos americanos que fez parte da escolta de antigos presidentes dos Estados Unidos e que agora é um reputado guarda-costas privado. A sua próxima missão é proteger Rachel Marron (Houston), uma super-estrela da música e do cinema que tem recebido ameaças de morte.
Ao início, Frank e Rachel não se entendem. Frank pensa que ela é uma diva fútil e convencida e Rachel, desconhecendo a gravidade das ameaças, acha-o paranóico e intrusivo nas suas técnicas de protecção. Porém, quando Frank salva Rachel de um motim num dos seus concertos, os dois descobrem uma atracção mútua e vivem momentos românticos até que Frank, receoso que o romance prejudique a protecção dela, decide terminar a relação. Magoada, Rachel faz tudo para irritar Frank e ignora as regras e recomendações dele, até perceber finalmente que a sua vida corre bastante perigo.
Durante um retiro no chalé da montanha do pai de Frank, Herb (Ralph Waite), o perigo torna-se mais real do que nunca quando Fletcher (DeVaughan Nixon), o filho de Rachel, quase morre devido a uma bomba num barco onde ele estava. Nikki (Michelle Lamar Richards), a irmã de Rachel, após tentar seduzir Frank, acaba por lhe confessar que foi ela que contratou o assassino que os perseguem (cuja identidade ela desconhece), devido à inveja que sempre teve da irmã. O atirador invade o chalé e acaba por matar Nikki.
Frank suspeita que o assassino voltará a atacar na cerimónia dos Óscares, onde Rachel está nomeada para Melhor Actriz. Quando todos já começam a acreditar que não passa de uma suspeita infundada, Frank descobre a identidade do atirador no último instante e salva Rachel. Na altercação que se sucede, Tony (Mike Starr) o presunçoso guarda-costas residente de Rachel acaba por se revelar bastante eficiente. No final, Frank e Rachel percebem que têm de seguir rumos diferentes, mas que nunca esquecerão o que sentiram um pelo outro.
Apesar das críticas negativas e de várias nomeações para os Razzies, "O Guarda-Costas" conquistou o público e foi um dos sucessos cinematográficos de 1992, prolongando o momento de glória de Kevin Costner e catapultando a carreira de Whitney Houston de estratosférica a sideral. Pessoalmente, é um filme que cumpre mas não deslumbra: não sendo mau, poderia ter sido muito melhor. Por exemplo, a química entre os protagonistas não é a que se esperaria num filme destes, apenas a suficiente..
Lawrence Kasdan escrevera a primeira versão do filme em 1976, destinado a ser protagonizado por Steve McQueen e Diana Ross, mas foi abandonado quando as negociações falharam, aparentemente porque McQueen não queria que o seu nome aparecesse depois do de Ross. Kevin Costner referiu que pretendia homenagear McQueen no seu desempenho, ao ponto de usar um corte de cabelo semelhante.
Já nos anos 80, houve uma segunda tentativa, com Ryan O'Neil e de novo Diana Ross como protagonistas, já que os dois namoravam na altura, mas a relação terminou e o projecto foi novamente abortado. Ao longo de toda a saga, nomes como Emilio Estevez, Val Kilmer, Alec Baldwin, Robert Downey Jr. e Charlie Sheen foram considerados para o papel de Frank e nomes como Cher, Madonna, Kim Carnes, Olivia Newton-John, Janet Jackson e Deborah Harry para o papel de Rachel. Como curiosidade, a mansão de Rachel no filme é a mesma que foi usada no filme "O Padrinho" para a famosa cena da cabeça de cavalo.
O sucesso de "O Guarda Costas" porém acabou por causar um revés aos dois protagonistas. Desde então que a carreira de Kevin Costner tem pautado mais por flops ("Waterworld", "O Mensageiro", "Por Amor ao Jogo", "Dragonfly") do que por sucessos ("As Palavras que Nunca te Direi", "O Guardião") e Whitney Houston admitiu que o prolongado êxito do filme e da banda sonora intensificou o seu consumo de drogas, até então apenas esporádico.
Mas falar de "O Guarda-Costas" é também falar da sua banda sonora, que com 45 milhões de cópias vendidas, é a mais vendida álbum de um banda sonora de um filme e ainda um dos discos mais vendidos de sempre em formato CD. O disco contém temas de Kenny G, Joe Cocker, Aaron Neville, Lisa Stansfield, Soul System, Curtis Stigers e claro está, seis temas interpretados por Whitney Houston.
O tema mais célebre foi, obviamente, a versão de "I Will Always Love You", escrito e originalmente gravado por Dolly Parton. Segundo consta, os directores musicais do filme queriam uma cover de uma canção antiga para a cena final e Kevin Costner sugeriu esse tema, trazendo um disco da versão de Linda Rondstadt. O tema viria a ser o maior sucesso da carreira de Houston (então já repleta de êxitos), tendo sido n.º1 em tudo o que era top. E ainda hoje, a parte climática do refrão final continua a arrepiar.
As outras canções de Whitney Houston são uma versão de "I'm Every Woman" (curiosamente Houston cantou nos coros do original de Chaka Khan), "Run To You", "I Have Nothing" (estas duas nomeadas para o Óscar de Melhor Canção), "Queen of the Night" e o tema gospel "Jesus Loves Me". Se a Whitney-actriz cumpriu somente os serviços mínimos, a Whitney-cantora arrasou!
Tal como várias vezes o projecto do filme foi abortado ou recusado (67 ao todo!), também os vários planos para uma sequela ou remake de "O Guarda-Costas" têm vindo a cair em saco roto. Ainda nos anos 90, chegou-se a falar de Kevin Costner retomar o seu papel e desta vez contracenar com a top model Elle McPherson. No rescaldo da morte da Princesa Diana, correu o rumor de que ela teria aceitado fazer dela própria numa sequela também com Costner. Mais recentemente, falou-se de uma remake com Channing Tatum e Rihanna, mas esta afastou qualquer hipótese de participar.