Na semana final da Caderneta de Cromos este blog não podia ficar indiferente a tão importante acontecimento. Foi um choque inicial, confirmar o fim de uma rubrica tão querida de milhares de fãs, mas o show must go on!
Estou a planear ouvir a Caderneta de novo, por ordem, desde o Cromo nº1, emitido no longínquo dia 23 de Novembro de 2009, até ao Cromo nº 1162, datado de 21 de Setembro de 2012. Aposto que alguns leitores e fãs da Caderneta vão fazer o mesmo para matar saudades!
O novo projecto que vai ocupar o espaço da Caderneta já tem título "Grandiosa História Universal das Traquitanas" e Facebook: https://www.facebook.com/comunidadetraquitana Confio que nos esperam grandes coisas! Entretanto, há sempre cromos fresquinhos aqui na "Enciclopédia de Cromos"!
Durante esta semana final da Caderneta, Markl e Companhia refizeram os 10 cromos mais votados pelos fãs.
Vejamos o TOP, com links para os podcasts dos programas refeitos e dos originais:
Quando "O Guarda-Costas" ("The Bodyguard") estreou em 1992, não foi difícil prever que o sucesso estava mais que garantido. De um lado havia Kevin Costner, que estava no auge da sua carreira depois da glória alcançada nos Óscares com "Danças com Lobos" e continuada em "Robin Hood - Príncipe dos Ladrões". De outro lado, havia Whitney Houston, uma das maiores estrelas da música, no seu primeiro papel no cinema. Juntou-se a isto uma história de amor, aventura, mistério e brilho de Hollywood, mais uma banda sonora explosiva, e a receita não falhou. O que pouca gente sabe é que este era um projecto que vinha a ser concebido desde os anos 70 e que sofrera muitos avanços e recuos até a sua realização definitiva, sobre direcção de Mick Jackson.
Mas primeiro a história: Frank Farmer (Costner) é um antigo agente dos Serviços Secretos americanos que fez parte da escolta de antigos presidentes dos Estados Unidos e que agora é um reputado guarda-costas privado. A sua próxima missão é proteger Rachel Marron (Houston), uma super-estrela da música e do cinema que tem recebido ameaças de morte.
Ao início, Frank e Rachel não se entendem. Frank pensa que ela é uma diva fútil e convencida e Rachel, desconhecendo a gravidade das ameaças, acha-o paranóico e intrusivo nas suas técnicas de protecção. Porém, quando Frank salva Rachel de um motim num dos seus concertos, os dois descobrem uma atracção mútua e vivem momentos românticos até que Frank, receoso que o romance prejudique a protecção dela, decide terminar a relação. Magoada, Rachel faz tudo para irritar Frank e ignora as regras e recomendações dele, até perceber finalmente que a sua vida corre bastante perigo.
Durante um retiro no chalé da montanha do pai de Frank, Herb (Ralph Waite), o perigo torna-se mais real do que nunca quando Fletcher (DeVaughan Nixon), o filho de Rachel, quase morre devido a uma bomba num barco onde ele estava. Nikki (Michelle Lamar Richards), a irmã de Rachel, após tentar seduzir Frank, acaba por lhe confessar que foi ela que contratou o assassino que os perseguem (cuja identidade ela desconhece), devido à inveja que sempre teve da irmã. O atirador invade o chalé e acaba por matar Nikki.
Frank suspeita que o assassino voltará a atacar na cerimónia dos Óscares, onde Rachel está nomeada para Melhor Actriz. Quando todos já começam a acreditar que não passa de uma suspeita infundada, Frank descobre a identidade do atirador no último instante e salva Rachel. Na altercação que se sucede, Tony (Mike Starr) o presunçoso guarda-costas residente de Rachel acaba por se revelar bastante eficiente. No final, Frank e Rachel percebem que têm de seguir rumos diferentes, mas que nunca esquecerão o que sentiram um pelo outro.
Apesar das críticas negativas e de várias nomeações para os Razzies, "O Guarda-Costas" conquistou o público e foi um dos sucessos cinematográficos de 1992, prolongando o momento de glória de Kevin Costner e catapultando a carreira de Whitney Houston de estratosférica a sideral. Pessoalmente, é um filme que cumpre mas não deslumbra: não sendo mau, poderia ter sido muito melhor. Por exemplo, a química entre os protagonistas não é a que se esperaria num filme destes, apenas a suficiente..
Lawrence Kasdan escrevera a primeira versão do filme em 1976, destinado a ser protagonizado por Steve McQueen e Diana Ross, mas foi abandonado quando as negociações falharam, aparentemente porque McQueen não queria que o seu nome aparecesse depois do de Ross. Kevin Costner referiu que pretendia homenagear McQueen no seu desempenho, ao ponto de usar um corte de cabelo semelhante.
Já nos anos 80, houve uma segunda tentativa, com Ryan O'Neil e de novo Diana Ross como protagonistas, já que os dois namoravam na altura, mas a relação terminou e o projecto foi novamente abortado. Ao longo de toda a saga, nomes como Emilio Estevez, Val Kilmer, Alec Baldwin, Robert Downey Jr. e Charlie Sheen foram considerados para o papel de Frank e nomes como Cher, Madonna, Kim Carnes, Olivia Newton-John, Janet Jackson e Deborah Harry para o papel de Rachel. Como curiosidade, a mansão de Rachel no filme é a mesma que foi usada no filme "O Padrinho" para a famosa cena da cabeça de cavalo.
O sucesso de "O Guarda Costas" porém acabou por causar um revés aos dois protagonistas. Desde então que a carreira de Kevin Costner tem pautado mais por flops ("Waterworld", "O Mensageiro", "Por Amor ao Jogo", "Dragonfly") do que por sucessos ("As Palavras que Nunca te Direi", "O Guardião") e Whitney Houston admitiu que o prolongado êxito do filme e da banda sonora intensificou o seu consumo de drogas, até então apenas esporádico.
Mas falar de "O Guarda-Costas" é também falar da sua banda sonora, que com 45 milhões de cópias vendidas, é a mais vendida álbum de um banda sonora de um filme e ainda um dos discos mais vendidos de sempre em formato CD. O disco contém temas de Kenny G, Joe Cocker, Aaron Neville, Lisa Stansfield, Soul System, Curtis Stigers e claro está, seis temas interpretados por Whitney Houston.
O tema mais célebre foi, obviamente, a versão de "I Will Always Love You", escrito e originalmente gravado por Dolly Parton. Segundo consta, os directores musicais do filme queriam uma cover de uma canção antiga para a cena final e Kevin Costner sugeriu esse tema, trazendo um disco da versão de Linda Rondstadt. O tema viria a ser o maior sucesso da carreira de Houston (então já repleta de êxitos), tendo sido n.º1 em tudo o que era top. E ainda hoje, a parte climática do refrão final continua a arrepiar.
As outras canções de Whitney Houston são uma versão de "I'm Every Woman" (curiosamente Houston cantou nos coros do original de Chaka Khan), "Run To You", "I Have Nothing" (estas duas nomeadas para o Óscar de Melhor Canção), "Queen of the Night" e o tema gospel "Jesus Loves Me". Se a Whitney-actriz cumpriu somente os serviços mínimos, a Whitney-cantora arrasou!
Tal como várias vezes o projecto do filme foi abortado ou recusado (67 ao todo!), também os vários planos para uma sequela ou remake de "O Guarda-Costas" têm vindo a cair em saco roto. Ainda nos anos 90, chegou-se a falar de Kevin Costner retomar o seu papel e desta vez contracenar com a top model Elle McPherson. No rescaldo da morte da Princesa Diana, correu o rumor de que ela teria aceitado fazer dela própria numa sequela também com Costner. Mais recentemente, falou-se de uma remake com Channing Tatum e Rihanna, mas esta afastou qualquer hipótese de participar.
Cancelada ao fim de apenas oito episódios, a série norte-americana de aventura e fantasia "Manimal" era protagonizada pelo actor britânico Simon MacCorkindale (como o doutor Jonathan Chase) e Melody Anderson (que encarnou Dale Arden no filme "Flash Gordon" de 1980, aqui como a detective Brooke Mackenzie). Jonathan Chase é um professor de "Ciências do comportamento animal", que auxilia as autoridades como consultor para ajudar a resolver crimes, e que tem a habilidade de se transformar em diferentes animais. Durante a curta duração da série, foram exibidas apenas três transformações de humano em: falcão, pantera-negra e serpente. Offscreen transformou-se noutras ocasiões em periquito, gato, tubarão, golfinho, cavalo, urso pardo e até em vaca. Os óbvios pontos altos dos episódios eram essas transformações, através dos efeitos especiais concebidos pelo premiado Stan Winston. Além de Brooke, só o seu amigo Ty Earl (Michael D. Roberts, e Glynn Turman no episódio piloto ) sabia dos poderes de Chase.
A transformação em pantera negra:
A série foi criada por Glen A. Larson e Donald R. Boyle. Glen A. Larson - que também produziu - já tinha dado ao mundo da televisão séries como "Galactica", "Buck Rogers" e "O Justiceiro", entre muitas mais. A banda sonora esteve a cargo de Alan Silvestri, que pouco depois iria compor os temas da trilogia "Regresso ao Futuro", "Predador", etc.
O video seguinte, além do genérico inicial, explica a origem dos poderes do protagonista, narrado por William Conrad:
Pouco mais me recordo da série que do genérico e as transformações, mas o cancelamento prematuro deveu-se às baixas audiências, visto que foi exibida no mesmo horário que o colosso "Dallas" da CBS. Curiosamente, na altura teve mais sucesso fora dos EUA, mas tornou-se uma série de culto e ainda é bastante recordada.
Em 1998, o professor Chase teve uma aparição especial na série "Night Man" ( também de Glen A. Larson, que creio que foi exibida na TVI), aliando-se ao herói Night Man para parar o Jack O Estripador. Um curiosidade bastante famosa foi o facto de uma cena ter sido filmada simultaneamente de dois ângulos diferentes, uma para o "Manimal" e a outra para o "Automan", outra criação de Glen A. Larson, filmada na mesma altura, e que também teve um breve tempo de vida útil...
A transformação em serpente:
A transformação em falcão:
Soube-se em Setembro de 2012 que Sony Pictures Animation adquiriu os direitos para cinema, tencionando adaptar a série a um filme que mistura imagem real e efeitos por computador. [Fonte]
Publicidade ao brinquedo "T-Ball Acrobatic Team", da Concentra. Este "T-Ball - o saltitão que bate bem da bola" lembra uma bizarra fusão entre um pogo stick e uma pogo ball, e basicamente servia para... saltar:
Duas versões actuais deste género de brinquedo, uma grande bola de borracha, com uma base para os pés e um poste com manípulos:
Na Internet consegui encontrar pouca informação sobre estas T-Ball, mas em sites de patentes, há indicações que a marca "T-Ball Acrobatic Team" terá sido registada em 1996 (pedido ainda em 1994) pela MONDO S.P.A.. Em Portugal foi distribuída pela Concentra.
Um reclame francês da T-Ball Acrobatic Team, de 1995:
O anúncio foi publicado nas páginas de uma revista de banda desenhada e faz parte da grande colecção croma que a Ana Trindade tem em exposição no Facebook.
Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos". Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr".
Novidade em 1988, o iogurte magro para beber "Pandy", da empresa de lacticínio Ancora ("a paixão da Qualidade").
A catchfrase: "é uma Pandyga!" (perceberam o trocadilho? a reunião de criativos para o anúncio deve ter sido uma "pandyga")
Os três aromas disponíveis, da esquerda para a direita: Frutos Silvestres, Frutos Tropicais e Morango:
Eu tenho um trauma com este género de iogurtes líquidos, que eram vendidos em copinhos. Tive a "sorte" de no primeiro dia de aulas no 5º ano (em 1989) ter a minha mochila encharcada em iogurte líquido, cortesia de um colega de me esborrachou a mochila com o iogurte lá dentro. Bons tempos!
Publicidade retirada da revista Selecções do Reader's Digest Nº 207 (Tomo XXXV) de Agosto de 1988.
Em 1992, a ideia de que as pessoas poderiam filmar coisas a partir dos telemóveis era para além de futurista. (Aliás a mera ideia de que qualquer um podia ter um telemóvel e comprá-lo como quem compra, sei lá, um relógio já seria estratosférica para essa altura).
Mas já em 1992, à boleia da massificação dos videogravadores nos lares portugueses, as câmaras de filmar também começavam a tornar-se também um objecto comum para as famílias portuguesas. No seu advento, eram bastante grandes e pesadas e uma pessoa filmava como quem carrega um tijolo ao ombro. Era o caso da câmara de filmar lá em minha casa, que o meu pai adquiriu no início dos anos 90 por motivos de trabalho, mas que depressa também serviu para documentar os acontecimentos familiares: o baptizado do meu irmão, os passeios em família e por aí fora.
E tal como nós, várias famílias portuguesas rendiam-se às delícias dos home videos para registar numa cassete de vídeo tudo e mais alguma coisa. Outros terão mesmo aderido secreta e entusiasticamente a um outro certo subgénero de vídeos caseiros de foro sexual.
Enquanto as câmaras filmavam, era frequente que as mesmas captassem algum momento inesperado: a avó que cai da cadeira durante um serão de sardinhada, a noiva que tropeça à saída da igreja, a criança que puxa o rabo ao gato, o jovem que se espalha ao comprido ao fazer um cavalinho de bicicleta, o bolo de aniversário que aterra na cara do aniversariante, a bailarina do espectáculo da colectividade local que resvala para fora do palco, o cão que anda às voltas tentando apanhar a cauda...Enfim momentos que garantiam risota colectiva no momento do visionamento.
Foi então que em 1992, surgiu um programa que fez com que os portugueses tivessem sempre vontade de pôr a câmara a funcionar, na esperança de conseguir apanhar um desses momentos divertidos. Falo obviamente do "Isto Só Vídeo", apresentado por Virgílio Castelo e que dava na RTP nas noites de terça-feira. O formato do programa já existia há algum tempo no estrangeiro, começando no Japão em 1986, depois nos Estados Unidos com o "America's Funniest Home Videos" em 1989, alastrando-se rapidamente a vários outros países. Aqueles que apanhavam a TVE já conheciam o equivalente espanhol "Videos de Primera". Portugal não perdeu pela demora e o sucesso foi imediato também aqui.
O programa era gravado no extinto Teatro Vasco Santana, perante uma audiência (normalmente composta por comitivas de escola e de colectividades locais) que visionava os vídeos sob os comentários cómicos de Virgílio Castelo e efeitos sonoros bem ilustrativos. Entre as exibições dos vídeos, havia vários planos de membros da assistência a rirem-se a bandeiras despregadas. Além dos vídeos estrangeiros de um pouco por todo o mundo, sobretudo oriundo dos Estados Unidos, Alemanha e Japão, havia naturalmente blocos com vídeos portugueses. E a cada semana era eleito o melhor vídeo pela produção, que dava direito a um prémio. Entre os prémios que recordo serem atribuídos estavam câmaras de vídeo, vales das lojas Singer e um leitor de CD interactivo, uma espécie de esboço dos leitores de DVD. Outra das rubricas mais populares era um bloco de vídeos ao som de uma canção portuguesa. (Eis aqui um exemplo ao som de "O Postal dos Correios" dos Rio Grande)
E a partir de então, era ver os portugueses de câmara ao ombro (felizmente que estas iam tornando-se cada vez mais pequenas e leves), em busca de captar um momento digno de enviar para o "Isto Só Vídeo" e quiçá ganhar o prémio semanal.
Virgílio Castelo apresentou o programa até 1996. Depois chegou a haver uma temporada do programa, exibida entre 1997 e 1998, apresentada por Rute Marques, sem assistência e com vozes-off a ilustrarem os vídeos.
Já neste século, têm sido vários os programas do mesmo género que passaram na SIC e na TVI ("Olhó Vídeo", "Tá a Gravar", "K7 Pirata", "Gosto Disto", "Vídeo Pop") mas nenhum recuperou a mística do "Isto Só Vídeo". Até porque hoje, graças ao YouTube e quejandos, o mundo inteiro pode agora visionar aquele jantar de família em que a dentadura do avô caiu para dentro da terrina do cozido à portuguesa...