quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Campanha Telecel (1998)



Em 1998 ainda faltavam alguns anos para os telefones portáteis chegarem à minha casa de família, mas em finais dos anos 90 a nossa televisão já estava repleta de publicidade ás possíbilidades dessas pequenas engenhocas que pareciam ficção científica pouco mais de uma década antes mas que aos poucos entraram na vida dos portugueses.
O reclame televisivo mais famoso relacionado com telémoveis será sem dúvida o "Tou xim? É pra mim!", mas graças ao Facebook de Herman José pude rever as publicidades que o artista protagonizou (em dose dupla,  ou tripla, em cada anúncio, a Maria e o Manel) para a Campanha Telecel de 1998. Na época, Herman estava em grande, com a genial "Herman Enciclopédia" no ar.


Está disponível no Canal de Youtube do Herman a compilação desses reclames, que têm como cenário comum diversos quartos de casal pelo país fora:



Que viagem no tempo! 1998 não parece ter sido há muito, mas já passaram 20 anos! Com locução de Jaime Fernandes, estes anúncios - para o panorama nacional da época, e mesmo o actual - estão muito bem produzidos e executados.


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quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Chupa-chupas com espadas e espingardas


Não sei quem terá tido a ideia de lançar no mercado chupa-chupas (pirolito no Brasil) onde em vez do tradicional cabo simples, o rebuçado era colocado na extremidade de espadas ou espingardas em miniatura, feitas em plástico opaco ou semitransparente. Portanto, além de suportes para a petizada agarrar, tinham vida posterior como brindes. 

Fonte: "Tesouros da Infância".
Além das espingardas ou espadas, de vários estilos e modelos, creio recordar-me também de pás e guitarras, instrumentos ou o quer que se conseguisse representar num pausinho. Aposto que começou como forma de aproveitar palitos de cocktail. Ou vice versa? Um especialista em brindes que comente!
Falando por mim - e imagino que por muita petizada do século XX - além do mero acto de coleccionar os modelos diferentes, estes brindes eram muito úteis para armar as figuras de acção para as nossas brincadeiras. Quem diz que o He-Man não podia usar uma Metralhadora?!
Como não sobreviram nenhumas das que tive na minha posse, socorri-me de imagens online para ilustrar o post. E como tinha impressão, já existiam pelo menos na infância dos meus pais. Até acho que me recordo primeiro destes brindes do que os singelos pausinhos como os da Chupa-Chups por exemplo.

Fonte: "Tesouros da Infância".

O blog "Tesouros da Infância", de Francisco Palhinhas dos Santos, tem várias fotos de muitos exemplares dos anos 60: "Brindes dos Chupas, Anos 60, Portugal - Tesouros da Infância"
Hoje ainda vemos algo do género naqueles palitos para segurar os croquetes e rissóis nas festas:

Os nossos leitores também partilharam fotos das suas colecções, como esta imagem enviada para Página do Facebook pela leitora Ana Isabel Maia:

Ou estas, de Jose Quesado:



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domingo, 4 de fevereiro de 2018

Máscaras de Carnaval


As Máscaras de Carnaval, ainda actualmente existem em grande variedade, nomeadamente as de borracha, mas hoje quero recordar aquelas máscaras de plástico quase tão finas e frágeis como uma folha de papel, seguradas na cara do folião com um simples fio elástico, furinhos para os olhos e nariz, e ás vezes para a boca. 

A foto não é do Carnaval, e sim do Halloween americano, mas o efeito era o mesmo. No entanto, não me recordo de por cá as máscaras serem habitualmente vendidas junto com disfarce.

Tigres, macacos, Inspector Gadget ou Ulisses 31 (Estas imagens vieram de sites franceses, mas não me admira que algumas tenham sido comercializadas por cá)

Um pouco o upgrade daquelas que faziamos na escola em cartolina, igualmente presas com esses elásticos fininhos. Também se vendiam máscaras em cartão, mas acho que as de plástico em relevo eram mais interessantes, e tenho impressão que as vi ressurgir nas lojas do chineses.





Os temas incluiam figuras conhecidas dos desenhos animados ou banda desenhada, personagens e monstros de filmes de terror, figuras mais genéricas como palhaçõs, indios e cowboys dos westerns, etc.
No meio de piratas, diabos, bruxas, vemos por exemplo ALF, a Coisa do Outro Mundo.


Vários animais junto á bruxa, palaço, caveiras, etc.
O único tipo de máscara que recordo usar no Carnaval foi a mascarilha do Zorro, mas lembro-me que nunca gostei daquelas estilo Carnaval de Veneza, mas ficava fascinado com algumas dessas simples máscaras em plástico que via á venda. 





Na retrosaria da minha tia ela teve por exemplo do Snoopy, ou uma do Ultraman, que só passado muitos anos reconheci a figura quando a RTP deu alguns episodios da clássica série japonesa. Na altura devo ter pensado que era da Guerra das Estrelas!

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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

O Milagre da Rua 8 (1987)

por Paulo Neto

Filmes que eu vi na "Sessão da Noite", o espaço de cinema da RTP às sexta-feiras à noite no início dos anos 90 - Capítulo 728:
Lembro-me que quando este filme estreou em Portugal em Julho de 1988, eu ter achado muito piada aos pequenos robôs extraterrestres que se viam nos trailers e cartazes do filme e ter ficado com curiosidade para ver o filme. Contudo, tal só se concretizou uns anos mais tarde quando o filme passou na RTP no espaço acima referido.



"O Milagre da Rua 8", no original "Batteries Not Included", foi realizado por Matthew Robbins, tendo estreado na América na quadra natalícia de 1987. Trata-se de uma comédia de ficção científica sobre um grupo de pequenos robôs vindo do espaço que travam amizade com os habitantes de um prédio no East Village nova-iorquino. A história foi inicialmente pensada para um episódio da série "Contos Assombrosos" mas Steven Spielberg gostou tanto da ideia que a sua produtora decidiu antes avançar para um filme. Um dos argumentistas e produtores foi Brad Bird, actualmente conhecido como realizador de filmes de animação como "Os Incríveis" e "Ratatouille". 



Entre as pessoas que vivem num prédio antigo da Rua 8 em Nova Iorque, contam-se: o casal idoso Frank (Hume Cronyn) e Faye Riley (Jessica Tandy) que são os administradores do prédio e donos do café ; Marisa Esteval (Elizabeth Peña), uma jovem grávida de um músico em digressão; Mason Baylor (Dennis Boutsikaris) um artista frustrado; e Harry Noble (Frank McRae) um pugilista retirado que ganha a vida a fazer todo o tipo de consertos e reparações.



Lacey (Michael Greene), um empreiteiro sem escrúpulos, pretende demolir o prédio para levar a cabo o seu novo projecto de construção de um bloco de arranha-céus e tenta subornar os residentes para se irem embora. Alguns como Sid Hogenson (Tom Aldredge) e a sua esposa Muriel (Jane Hoffman), amigos de longa data dos Riley, aceitam o dinheiro e vão-se embora. Mas como os Rileys, Marisa, Mason e Harry recusam-se a sair, Lacey contrata Carlos (Michael Carmine) líder de um gang para intimidá-los, ameaçando-os e causando todo o tipo de estragos. Essa é a gota de água para Pamela (Wendy Schaal), a namorada de Mason, que vai-se embora farta de viver num prédio antigo e da carreira dele não ir a lado nenhum. Perante os vandalismos no café e a crescente debilidade mental de Faye (que confunde Carlos com o seu falecido filho Bobby), Frank considera também ir-se embora.




Mas certa noite, dois pequenos extraterrestres em forma de robô chegam ao prédio e consertam o café dos Riley. O casal de robôs rapidamente trava amizade com os residentes do prédio que lhes chamam de Fix-Its. Não só os Fix-Its reparam todos os estragos e ajudam na cozinha do café dos Riley como também afugentam Carlos quando ele vem para novas ameaças.
A Fix-it fêmea está grávida e dá à luz três crias, mas uma delas nasce já morta. Porém Harry consegue consertá-la e trazê-la à vida. Enquanto isso, nasce um romance entre Marisa e Mason.



Tudo parece perdido quando não só os Fix-Its decidem partir quando Carlos ataca o Fix-It pai e a segurança dos Fix-It filhos fica em risco como um cada vez mais impaciente Lacey contrata um incendiário, Kovacs (John Pankow), para dar cabo do prédio de uma vez por todas. Surpreendentemente, é Carlos quem salva Faye do incêndio e quando o prédio fica em escombros, o milagre acontece com milhares de Fix-Its a restaurá-lo de novo, acabando para sempre com os planos de Lacey.

Casados desde 1942, Hume Cronyn e Jessica Tandy voltaram a fazer de casal num filme dois anos após "Cocoon - A Aventura dos Corais Perdidos". Tandy ganhou o prémio Saturn para Melhor Actriz neste filme. 

Trailer:


quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Estude-o (1988-89)

por Paulo Neto

Vários anos antes de Jesus Cristo ter reparado em Alexandra Solnado e ter pensado: "É precisamente esta pessoa que eu quero para canalizar a minha veia literária!", a filha de Raúl e mãe de Joana Solnado tinha-se notabilizado por apresentar dois programas infanto-juvenis da RTP nos anos 80: "Jaquitá" e "Estude-O".



Este último da autoria da própria Alexandra Solnado e do seu então marido Rui Madeira, era dirigido aos jovens que frequentavam o actual ensino secundário (10.º a 12.º ano). E era sem dúvida um programa que estimulava os conhecimentos e a criatividade dos jovens estudantes (algo raro ou nunca visto na televisão actual). Segundo o site "Brinca, Brincando", o Ministério de Educação enviou boletins de inscrições para o programa a todas as escolas secundárias do Continente e das Regiões Autónomas, tendo as 24 equipas que concorreram ao programa sido escolhidas por sorteio. 
"Estude-O" teve 14 emissões, transmitidas aos domingos ao início da tarde entre 6 de Novembro de 1988 e 26 de Fevereiro de 1989, gravadas nos estúdios da RTP Porto nas quintas-feiras antes do respectivo domingo onde eram exibidas. A primeira foi uma sessão experimental para explicar a dinâmica do concurso, as doze seguintes punham duas equipas de diferentes escolas num head to head e a última foi uma final entre as duas equipas que tiveram a maior pontuação ao longo dessas doze sessões. (Se não me falha a memória, a vitória final foi para a Escola Secundária de Pombal). Cada sessão tinha também um convidado musical. O genérico com a mascote do programa - um mocho - bem como os diferentes segmentos antes de cada prova estavam a cargo do lendário Álvaro Patrício

O David Martins deu-me a conhecer através do Anuário da RTP de 1988 quais foram as escolas que participaram nas primeiras cinco emissões e os respectivos convidados musicais: 

1.ª Sessão (experimental) 6/11/1988: Escola Fontes Pereira de Melo (Porto) vs Escola Soares dos Reis (Vila Nova de Gaia) - Café Lusitano e Rádio Macau
2.ª Sessão 20/11/1988: Monção vs. Santiago do Cacém - Johnny Johnny
3.ª Sessão 27/11/1988: N.º 1 de Loures vs. Valongo - Mafalda Veiga
4.ª Sessão 4/12/1988: Santa) vs. Pontinha - Ban
5.ª Sessão 11/12/1988: Escola D. Duarte (Coimbra) vs. Santa Maria do Olival (Tomar)

O júri residente do programa que avaliava todas as provas (excepto Qual A Pergunta e Troféu) atribuindo cada elemento uma pontuação de 1 a 10 era composto por Paulo Fernando, Clara D'Ovar e Fernando Costa. Não consegui informação sobre os elementos masculinos mas descobri que Clara D'Ovar (de seu verdadeiro nome Leolina Simões e tendo adoptado como nome artístico o seu segundo nome e a cidade onde nasceu) foi uma actriz e cantora que fez carreira entre Portugal e França, tendo falecido em 2002. 

Paulo Fernando, Clara D'Ovar, Fernando Costa


No YouTube está disponível na íntegra a 4.ª transmissão do programa, exibida a 4 de Dezembro de 1988, que opunha uma equipa da Escola Secundária de Santa Maria da Feira (Fátima Manta, Armando Gomes e Elsa Maria Sousa) contra a Escola Secundária da Pontinha (Alcides Semedo, Ana Ferreira e Sandra Leal) e é através dela que vamos analisar as várias provas do programa. Os convidados musicais desta sessão eram os Ban, liderados pelo actual presidente do Boavista.



Qual a Pergunta?
Nesta prova, Alexandra Solnado lia uma resposta e, conforme indica o nome, cada equipa tinha que adivinhar qual era a pergunta correspondente a essa resposta. Na primeira ronda, as respostas/perguntas eram de cultura geral ao passo na ronda seguinte eram sobre matérias dadas nas diferentes disciplinas lectivas do ensino secundário.


Prova Livre
Como o nome indica, é a prova em que os membros de cada equipa podiam dar largas à sua imaginação utilizando os recursos disponibilizados pela RTP para um segmento filmado de três minutos.
Nesta emissão, a equipa da Pontinha decidiu fazer uma transmissão especial do TV Rural dedicada a esse milagre da horticultura de rosas em Janeiro nos tempos de D. Dinis enquanto Santa Maria da Feira optou por uma entrevista no programa "Estúdio da Perdição" a uma bem atrevida Inês de Castro (onde não faltou uma alusão à censura ao programa "Humor de Perdição" por causa de um sketch de uma entrevista histórica). 
Lembro-me que numa sessão posterior do programa, chegou a haver uma equipa que fez como Prova Livre uma paródia ao próprio programa ("Estude-Um"), com as provas "Qual A Resposta" e "Segunda Página"

Teledisco
Nesta prova, cada equipa grava um teledisco a ser filmado na respectiva escola ou nas imediações por uma equipa de televisão, estando também encarregues de orientar a montagem.
Uma vez que Alcides, concorrente da equipa da Pontinha, era de raça negra, o teledisco da sua equipa passava uma mensagem contra o racismo e o bullying. Já a equipa de Santa Maria da Feira procurou capturar aquela sensação tão pungente a todos aqueles que são e foram estudantes que são aqueles momentos de seca durante as aulas.

Interrompemos esta emissão para uma pausa publicitária. Primeiro com anúncio informativo do Ministério das Finanças sobre o IRS (adoro o plano do homem ao computador com cachimbo na mão) e uma promoção da RTP à transmissão do Festival de Rock de Montreux com uma actuação das Bananarama.

Culinária
Cada equipa explica e executa uma receita culinária num decor de cozinha.
A equipa da Pontinha apresentou um "peixe do rio à moda das lavadeiras de Caneças" e a de Santa Maria da Feira um "arroz com natas".   

Primeira Página
Em alusão ao programa do mesmo nome então exibido na RTP conduzido por Margarida Marante, a prova recriava um programa de informação e entrevista em que um elemento de cada equipa encarnava uma personagem histórica. Ana, da equipa da Pontinha, fez de Luís de Camões e Armando, da equipa de Santa Maria da Feira, de Fernando Pessoa.


Troféu
A prova mais física do programa, onde num recinto com lama, os membros de cada equipa terão de apanhar um leitão e levantá-lo ao ar. A prova termina quando o leitão tiver as quatro patas fora do chão. A equipa que demorava menos tempo a levantar o leitão ganhava 10 pontos (neste caso, Santa Maria da Feira). 

Telenovela
Cada equipa tem de recriar um episódio de uma telenovela ("Doce Lar" sobre a família Pessoa dona de uma mercearia: a mãe Perpétua, o pai Provisória e o filho Fernando), de preferência pegando na continuidade deixada pelas equipas da emissão anterior. Além dos três membros de equipa mais três colegas de escola podem fazer parte do episódio. A equipa da Pontinha lançou suspeitas sobre a paternidade do Fernando quando um casal grã-fino entra na mercearia enquanto Santa Maria da Feira aprofunda o mistério de um fiscal desaparecido.

No final, a vitória nesta sessão com larga margem foi para a Escola Secundária de Santa Maria da Feira.

Algumas observações ao rever este programa:
- O júri era muito exigente! Como podem ter comprovado, eles não douravam pílulas, não se coibiam de apontar o que tinha corrido mal nas provas e apenas Clara D'Ovar deu uma pontuação acima dos cinco pontos (em dez).  
- Alexandra Solnado era boa apresentadora! Sim, também ela ostentava o look de funcionária de repartição de finanças que era comum às apresentadoras da RTP nos anos 80, mas conduzia o programa de forma segura e eficaz e tinha uma óptima interacção com os jurados, conseguindo que eles abandonassem um pouco a formalidade da sua função.  

Agradeço ao site Brinca Brincando pela informação e pelas imagens utilizadas neste texto e a Pedro Severino por ter colocado o vídeo da sessão descrita no YouTube. 



segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Bzuu





O primeiro cromo da "Caderneta de Cromos" de Nuno Markl foi dedicado a este brinquedo do qual encontrei zero referências online. Até ao dia que por puro acaso encontrei no Pinterest uma foto de uma minhoca peluda com uns grandes olhos e que se mexia sozinha. Sozinha, com a ajuda de um cordel "invisível" que possibilitava que a minhoca realizasse os truques e movimentos realistas, como saltar de um copo para outro, enrolar-se no braço, etc.



O produto que encontrei não tinha o nome com que terá sido comercializado em Portugal - Bzuu ou alguma variação - mas estava marcado como "Squirmles". A partir dai foi fácil encontrar bastantes imagens destas minhocas, tanto as vintage como as modernas que ainda se vendem, e são comercializados - ou conhecidos - com nomes como Squirmles (aparentemente o original que todas as marcas copiaram desde os anos 70 até hoje), Magic Worm, Twirly Worm, Squigler, Wiggle Worm, Mr. Fuzzy, Magic Twisty, Slideyz, Wormee, Frizzlies, etc.


E claro que o Youtube tinha que ter vídeos:

Com o nome "Twirly Worm":


"Squirmles":

"Magic Worm":


"Squigler"






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domingo, 21 de janeiro de 2018

Mikado


Cada vez que alguém me recorda este jogo ou vejo as embalagens com look retro à venda, as imagens que me vêem à cabeça é jogar sentado ou deitado no chão com areia da casa da ilha em torno dos delicados mas afiados pauzinhos chineses, que servem não para comer mas para um jogo cheio de tensão, quase como vemos nos filmes os heróis a desarmarem uma bomba. Um toque errado e BOOM!


No Mikado um gesto em falso era menos explosivo, mas a tensão não era menos palpável por isso. E a tensão era substituida por alegria de ver o nosso adversario derrubar desastrosamente um monte de pausinhos.


Jogo de habilidade clássico, o Mikado foi criado no Séc. V Antes de Cristo, é conhecido por vários nomes pelo mundo (por exemplo no Brasil é “Pega Varetas”, que sintetiza bem a mecânica do jogo). Como disse acima, ver estas varetas coloridas - com marcas que na época desconhecia o significado - trazem sempre memórias da infância e adolescência. Sempre joguei ao Mikado em família, sentados no chão e debruçados sobre a confusão de varetas de madeira aguçadas, tentar retirar as mais valiosas sem fazer mexer as outras peças. Com o ‘bónus’ de que na casa da ilha havia sempre alguma areia pelo chão a dificultar mais a tarefa.


Se não estou em erro, o Mikado que usávamos já pertencia à geração anterior e tinha vindo de França. Creio que o tenho algures, à espera de um dia ser fotografado decentemente. Tenho a distinta impressão que já lhe faltam algumas varetas. Entretanto, encontrei um que me parece igual, também dos anos 60:


Imagens do Mikado da Majora, com as varetas todas da mesma cor:


E da Carto:


Apesar das variações existentes, o  nome Mikado era apenas uma das marcas à venda mas com o tempo passou a significar o tipo de jogo, como é habitual em certas marcas muito fortes que passam a designar o tipo de produto. A designação Mikado veio da peça mais valiosa, o “Mikado”, um antigo termo para o Imperador do Japão. As marcas das outras peças indicam as diferentes patentes militares ou estatuto social.
A pontuação das 41 varetas está distribuida da seguinte forma:
  • 1 vareta - Cor: Preto - 20 Pontos.
  • 5 varetas - Cor: amarelo - 10 Pontos.
  • 5 varetas - Cor: Azul - 5 Pontos.
  • 15 varetas - Cor: Verde - 3 Pontos.
  • 15 varetas - Cor: Vermelho - 1 Ponto.
Em 1975 a Suiça concorreu ao Festival da Eurovisão com a canção “Mikado” sobre o jogo. Como não percebo a letra, acredito na Wikipédia:



Claro que no Youtube tinha que existir um vídeo de demonstração:






Texto original: "Mikado" - Tumblr Enciclopédia de Cromos / Nostalgia Encyclopedia".

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