Atualização do artigo originalmente publicado em 2016
Aqui na Enciclopédia de Cromos, adoramos analisar blocos publicitários dos anos 80 e 90, graças aos vídeos dos mesmos disponibilizados no YouTube. É sobretudo interessante analisar os que são exibidos durante a quadra natalícia, habitualmente recheados de todo o tipo de potenciais presentes que miúdos e graúdos poderiam querer receber no Natal desse ano.
Neste artigo, analisaremos três blocos publicitários da SIC de 27 de Novembro de 1995, disponibilizados no YouTube, como não podia deixar de ser, pelo canal Lusitania TV, sem dúvida o maior especialista em desenterrar este tipo de artefactos audiovisuais. Como esse dia era uma segunda-feira, estes blocos foram exibidos durante os intervalos do espaço de cinema da segundas à noite na SIC, "Noite De Estreia", que nesse dia exibiu o filme "Royce" com James Belushi.
Embora embora só haja uma referência explícita ao Natal, pois ainda estávamos em Novembro, estes blocos já continham anúncios a vários produtos tipicamente vendidos como presentes de Natal, como brinquedos, perfumes, whiskys, relógios e discos. Ao mesmo, tempo vamos redescobrindo alguns programa exibidos na SIC na altura, dos mais lembrados como "Não Se Esqueça Da Escova De Dentes" a outros mais esquecidos.
0:00 Cena do filme "Royce" 0:13 Luís Nobre Guedes, uma das figuras mais notórias do CDS e então deputado do Parlamento Europeu, era o convidado da semana do programa "Crossfire", espaço de informação onde a cada semana uma figura da política nacional era entrevistada por Margarida Marante e Miguel Sousa Tavares. Nobre Guedes seria Ministro do Ambiente durante o governo de Durão Barroso.
0:40 "Crossfire" era patrocinado pelo whisky Chivas Regal. (E eis que surge a única referência natalícia com uma iluminada árvore de Natal).
0:45 Os anos 90 são tidos como tempos de prosperidade em Portugal, porém uma parte significativa da população nacional ainda vivia em extremas dificuldades. É o caso dos moradores de um pátio que vivem em casas sem água canalizada, numa situação que se arrastava há vários anos, uma situação a ser denunciada no programa "Praça Pública".
1:33 Um televisor Grundig Megatron 100mhz estava então na vanguarda da tecnologia. Mas duvido que, ao contrário do que se mostra no anúncio, seria possível que as coisas saíssem foram do ecrã, nomeadamente a bocarra de um crocodilo.
1:53 Imagens de um alegre jantar em família para ilustrar a qualidade da Carne Alentejana.
2:03 Um divertido anúncio aos telemóveis Nokia (do tempo em que ainda eram algo volumosos) onde um frade vê desvanecer a sua auréola de santidade diante da visão de uma bela mulher de branco.
2:24 Uma multiplicação de ecrãs ilustra este anúncio do whisky Cutty Sark. Não deixa de ser curioso a referência às alternativas audiovisuais de então (4 canais, parabólica, TV por cabo, clube de vídeo). Já agora, sabiam que o veleiro Cutty Sark, hoje um ex-libris da zona de Greenwich em Londres, pertenceu a uma empresa portuguesa entre 1895 e 1922? Durante esse período teve o nome de "Ferreira", e depois de uma recuperação dos estragos num acidente de marítimo em 1916, foi renomeado "Maria do Amparo", mas a sua tripulação chamava-lhe o "Pequena Camisola", que é a tradução literal do termo escocês cutty sark.
2:40 Imagens ternurentas de uma mulher, desde os seus tempos de criança até ela própria ser mãe, ilustram este anúncio às câmaras de vídeo Sony, ao som de "Days" de Kirsty McColl.
3:00 Ao contrário dos dias de hoje, a banca nacional parecia respirar saúde, como era o caso do agora defunto Banif. Neste anúncio, publicitava-se o seu crédito habitação, protagonizado pelo actor Philippe Leroux.
3:15 Um anúncio à cerveja Super Bock por entre várias das belas paisagens do nosso país. De referir que a voz do anúncio é a do recentemente falecido Jaime Fernandes.
4:00 Perante as aflições do pai com a canalização, três miúdos decidem construir uma arca de Noé com peças de Lego Duplo.
4:21 Os anúncios aos perfumes são um must desta época. Neste caso, um curto mas sensual anúncio em preto e branco a Eternity de Calvin Klein, com a top model Christy Turlington.
4:31 Também não podiam faltar as sugestões discográficas. E decerto que no Natal de 1995, a segunda colectânea N.º 1 do ano esteve no sapatinho de muitos portugueses, incluindo eu. Este volume não tinha a presença do Fido Dido na capa, mas estava recheado de vários sucessos da altura como "Over My Shoulder" dos Mike & The Mechanics, "Country House" dos Blur, "Dançam No Huambo" dos Kussondulola, "Scatman's World" de Scatman John e "Abreu" dos Black Company, além de que o rodapé indicava também a inclusão de temas de Céline Dion, Take That, Santos & Pecadores, Shaggy e Annie Lennox. (Playlist com todas as músicas da coletânea AQUI.)
4:50 Mais um anúncio a bancos, desta vez ao Crédit Lyonnais, com imagens do velocista americano Leroy Burrell que nesse ano de 1995 tinha batido o recorde do mundo dos 100m, correndo a distância em 9 segundos e 85 centésimos. No final, imagens de adeptos da selecção sueca de futebol, quiçá porque o azul e o amarelo também eram as cores deste banco.
5:06 Um divertidíssimo anúncio à campanha de brinquedos dos hipermercados Jumbo, em que os adultos portam-se como crianças diante de tanto brinquedo, para grande espanto das verdadeiras crianças ali presentes. Onde era possível adquirir uma Sega Mega Drive por apenas 19 990 escudos (menos de 100 euros).
5:41 O célebre Mimo, imagem de marca dos anúncios da TMN (actual MEO) nos anos 90.
5:48 Um artístico anúncio com espetaculares e precisos movimentos coreográficos, tal como a precisão dos relógios Raymond Weil.
6:18Videocontos, uma colecção da Planeta Agostini que reunia em VHS adaptações animadas de várias histórias infantis.
6:31 Promo à telenovela "A Próxima Vítima"...
7:14 …que era patrocinada pelo leite Mimosa Especial Cálcio.
7:20 Anúncio à Grande Gala do Dia Mundial contra a SIDA, a ter lugar no Centro Cultural Belém no dia 1 de Dezembro, com a presença de grandes nomes da música nacional como Sara Tavares, Rui Veloso, Luís Represas, Lena D'Água, Helena Vieira, Rita Guerra e Luís Portugal.
7:52 Início da segunda parte do filme "Royce" em "Noite de Estreia", espaço então patrocinado pela Samsung.
0:00 Cena de "Royce" 0:07 O programa de documentário e investigação "Toda A Verdade" dessa semana era dedicado ao mais notório serial killer da União Soviética, com o título "A Alma da Besta". Andrei Chikatilo, um aparente cidadão exemplar, era o "carniceiro de Rostov" que terá assassinado, violado e até praticado canibalismo a mais de cinquenta mulheres e crianças entre 1978 e 1990. Condenado por 52 homicídios, Chikatilo foi executado em 1994. Nem seria preciso a advertência da voz off para se saber que esta reportagem continha imagens chocantes e que representava uma descida às profundezas da crueldade humana. 0:56 Promo a outro mítico programa da SIC da altura, o "Não Se Esqueça de Escova de Dentes". Como o Natal é quando a mulher quiser, Teresa Guilherme decidiu ter um programa especial de Natal em Novembro. Programa esse que conteve aquele que foi, tanto para mim como para Teresa Guilherme, um dos mais bizarros momentos do "Escova" quando um grupo de concorrentes vestido como figuras do presépio desataram à pancadaria no palco para ganhar uma viagem ao Brasil. (Ler sobre isto aqui). De referir ainda que Alexandra era a convidada musical e a aparição no fim de uma Lúcia Moniz pré-fama. 1:39 "Não Se Esqueça da Escova de Dentes" tinha patrocínio dos preservativos Control (o que de certa maneira fazia todo o sentido). 1:46 Baume & Mercier, uma das conceituadas marcas da relojoaria suíça. 1:51 Os atores Luís Aleluia e Margarida Marinho protagonizam este anúncio ao cartão de crédito BES Classic Duo, como um casal que não se entende sobre se o dito cartão é para economizar ou gastar. (Será que anos mais tarde, este casal seria um dos inúmeros lesados BES?) 2:22 As imagens ternurentas de um bebé dando os seus primeiros passos neste anúncio às câmaras de filmar da Samsung. 2:51"Não achas que o teu decote é muito…?", é o que perguntam à beldade protagonista deste anúncio à roupa interior da Dim que apenas levanta a camisola interior para revelar o soutien e sorri. 3:02 Neste anúncio ao jogo "Party & Co.", o chefe, os futuros sogros e a ex-psicóloga de um jovem homem chamado Eduardo dão a sua opinião sobre ele, sendo que decerto ficariam surpreendidos ao ver a personalidade de Eduardo quando joga o respetivo jogo. 3:22 Outro Eduardo protagoniza este anúncio, desta feita ao perfume Havana. O dono cego de um bar consegue reconhecer os clientes graças aos seus outros sentidos, mas comete sem querer um faux-pas ao anunciar que o marido de uma cliente, que supostamente teria ficado a trabalhar até tarde, acaba de chegar ao bar, sentindo o cheiro do perfume dele. Mas na verdade, quem acaba de entrar é uma bela jovem, que provavelmente ficou impregnada com o cheiro do tal marido da cliente em contactos muito próximos. 3:42 "O meu namorado não me liga!", queixa-se Francisca. "Os mais velhos não me ligam!", reclama Miguel. "Os meus pais não me ligam!", confidencia António. "A mim ninguém me liga!" suspira Filipa (na verdade uma Paula Neves pré-"Riscos"). Mas a Banca Jovem Sub-30 dos Bancos Borges & Irmão e Fomento & Exterior, entre outras vantagens, oferecia ligação à internet! E para quem não tinha computador, os ditos bancos davam um mega crédito 100%! 4:14 Na promoção de Natal da Telecel, a outra rede móvel em Portugal na altura, podia-se comprar um telemóvel Ericsson por 89 900 escudos. (Pouco menos de 450 euros.) 4:20 Outro anúncio aos relógio Baume & Mercier. 4:50 Imensas vantagens ao adquirir uma carrinha Porter Diesel da Piaggio. 5:05 Fernando Mendes na pele de um típico alentejano, confiante de que a sua vida vai mudari, porque vai jogar na Lotaria Popular(i), onde toda a gente pode ganhari! 5:13 A deslumbrante Elizabeth Hurley vestida de noiva num jardim, rodeada por um grupo de criancinhas, neste anúncio ao perfume "Beautiful" de Estée Laduer. 5:29 Uma garrafa do whisky Logan dissecada. 5:59 Colado às montras, a sonhar com o que gostaria de comprar? Pois bem, estávamos em plenos anos 90 onde reinava a ilusão de haver vários rios de dinheiro a correr em Portugal, por isso havia o crédito UBP (União de Bancos Portugueses) para entrar na loja e comprar tudo! 6:24 Um duplo CD com os grandes sucessos do cantor Neil Diamond, onde não podia faltar hits como "Sang Song Blue" e "Sweet Caroline". 6:45 Agora também havia uma versão do perfume XS de Paco Rabanne para elas! 6:55 No ano em que se comemoravam os 100 anos do cinema, a série documental "O Cinema Americano" produzida por Steven Spielberg com depoimentos de vários realizadores. 7:45 Na época em que havia linhas de valor acrescentado para tudo e mais alguma coisa, também não faltava uma para informações sobre a telenovela "A Próxima Vítima". 8:13 Voltando ao filme "Royce", com um avião a aterrar na Ucrânia.
0:00 "Nada que uma aspirina não cure", diz James Belushi em "Royce" antes de irmos para intervalo. 0:05 Promo à série "Camilo & Filho", a sitcom que marcou o regresso de Camilo de Oliveira aos ecrãs nacionais, sendo a primeira de várias séries protagonizadas por Camilo, sempre com o seu nome no título. Mas ainda assim esta foi a mais marcante, tendo sido inesquecíveis as desventuras do sucateiro Camilo e o seu filho Alberto, interpretado por Nuno Melo. Infelizmente, os dois já não se encontram entre nós. 0:44 Os brinquedos Chicco patrocinavam "Camilo & Filho"
0:50 Novamente a promo ao programa "Não Se Esqueça Da Escova De Dentes" dedicado ao Natal e o patrocínio da Control. 1:41 Um curtíssimo anúncio ao perfume Acenti da Gucci.
1:46 O então próximo ano de 1996 seria um ano para esquecer? Talvez comprando um Peugeot 106 ou 306, já que havia a possibilidade de se pagar a primeira prestação em 1997.
2:01 Outra vez o divertido anúncio à campanha de brinquedos do Jumbo.
2:36 Nova dissecação ao whisky Logan.
3:06 Os Rolling Stones editavam na altura o álbum "Stripped" que consistia em versões acústicas e ao vivo dos seus temas durante a digressão "Voodoo Lounge". Duas das faixas do álbum foram gravadas em Lisboa. Além de vários temas conhecidos dos Stones, havia também uma versão de "Like A Rolling Stone" (não podia ser mais apropriado!) de Bob Dylan.
3:28 Em vez de cavalgar até ao estábulo, um senhor de grandes posses decide no último momento conduzir um Opel Astra, para aflição do motorista.
3:58 Imagens de cenas cómicas do tempo do cinema mudo ilustram o anúncio ao Dicionário do Português Básico, que podia ser adquirido em fascículos às quartas feiras com o Correio da Manhã.
4:19 Já falámos noutro texto de análise sobre este anúncio ao whisky Jack Daniels, onde os funcionários da destilaria se entretêm a jogar com rolhas enquanto o whisky envelhece.
4:49 O mercado discográfico natalício é sempre a ocasião perfeitas para vários cantores e bandas lançarem um álbum de greatest hits. Foi o caso dos Roxette que nesse ano de 1995 o seu álbum best of com o título "Don't Bore Us, Get To The Chorus" que reunia catorze dos maiores sucessos do famoso duo sueco como "The Look", "Dressed For Sucess", "Sleeping In My Car" e "It Must Have Been Love", para além de quatro temas inéditos. Eu tive este disco em cassete meses mais tarde.
5:09 Teresa Guilherme apresenta este anúncio ao Seat Cordoba onde a dita viatura é recebida em apoteose por uma multidão.
5:39 Nessa semana estreava em Portugal o filme "O Beijo" ("French Kiss"), comédia romântica com a então rainha das comédias românticas Meg Ryan e Kevin Kline.
5:53 Mais um anúncio ao Cutty Sark, desta vez parodiando os anúncios às chamadas de valor acrescentado.
6:14 Promo ao programa de apanhados "Minas E Armadilhas", apresentado por Júlio César e na altura com a presença da francesa Marlène Mourreau, uma actriz, pin-up e apresentadora que nesse ano foi candidata presidencial em França pelo Partido do Amor(!). Apesar de francesa e deste breve périplo em Portugal, Marlène fez a maior parte da sua carreira em Espanha. A promo termina em beleza com um trocadilho de trazer por casa.
6:38 Início da 4.ª parte do filme "Royce"
0:00 Após o final do filme, a meteorologia apresentada por Cristina Möhler, de chapska na cabeça. Ao contrário do resto da Europa, a Península Ibérica vivia um final de Novembro ameno e ensolarado, se bem que estava prevista chuva para o dia seguinte. 3:07 Um relembrar do que restava da programação para esse dia: o "Último Jornal", a série animada "Comportamento Animal" (da qual se verá um episódio mais adiante) e o espaço de debate político "Flashback" (um antepassado da "Quadratura do Círculo").
4:01 Outra vez o anúncio dos televisores Grundig com o crocodilo.
4:22 Uma criativa dobragem a uma dramática cena com Jacqueline Bisset para publicitar as condições especiais para os clientes da Renault.
4:46 Outra vez o anúncio do Crédit Lyonnais com Leroy Burrell.
5:02 Anúncio ao segundo volume da colectânea do programa "All You Need Is Love", outro disco recheado de temas românticos como "Tell It Like It Is" de Don Johnson (sim, o Sonny Crockett também cantava!), "Toy Soldiers" de Martika, "I Want You To Want Me" dos Cheap Trick e "We're All Alone" de Rita Coolidge.
5:23 Mais um anúncio a whisky, desta vez à marca escocesa Grant's.
5:53 Vilamoura receberia entre 7 e 9 de Dezembro desse ano o 8.º Torneio de Golfe Grande Troféu Vilamoura.
6:01 Outra sugestão discográfica, desta vez vinda de Itália: "Paradiso" de Luciano Bruno, um cantor italiano radicado no Brasil, onde este interpretava vários temas conhecidos da "canzone italiana". Gosto do facto da voz-off dizer "Garanto que é bom".
6:22 Mais um anúncio do Crédit Lyonnais, desta vez com o atleta ucraniano Sergey Bubka, a grande lenda do salto à vara, que nesse ano de 1995 tinha sido campeão mundial pela sétima vez e batido o último dos seus 14 recordes mundiais.
6:37 E mais um anúncio ao Cutty Sark, desta vez subvertendo os créditos finais dos filmes. Se repararem com atenção, notarão muitas trocas e baldrocas nos nomes escritos como por exemplo, Martin Lucas e George Scorcese ou Geena Ryder e Winona Davis.
6:52"Vamos Curtir", o novo disco dos Starkids, uma espécie de herdeiros dos Ministars, onde estes versionaram temas como "Think Twice" ou "O Bicho".
7:13 De novo anúncio ao Opel Astra.
Último Jornal (27-11-1995) com Alberta Marques Fernandes:
Programa "Flashback" com transmissão simultânea na SIC e na TSF, conduzido por Carlos Andrade e a participação de Pacheco Pereira, Jaime Magalhães e Nogueira de Brito.
Não encontrei muita informação na internet sobre Fátima Ferreira, a cantora portuguesa radicada no Canadá que algures na cúspide entre os anos 70 e 80, teve um hit no seu país de origem com "Adeus À Vida". Pelo que pude deduzir, Fátima Ferreira terá começado o seu percurso musical no fado ainda em Portugal e após emigrar para Toronto, tornou-se um nome importante no círculo musical da comunidade portuguesa, secundada pela banda The Brothers, e cuja carreira dura até hoje. Carreira essa que começou no fado mas que se estendeu a outros estilos.
Segundo o Discogs, uma primeira edição de "Adeus À Vida" surgiu em 1978 com "Cesto De Rosas" no lado B, mas terá sido uma edição posterior com aquela capa em cima cujo lado B é "Maio Em Toronto" que terá chegado às rádios portuguesas e que foi galardoada com disco de ouro.
O tema que alguns conhecem como "Adeus Mãezinha Vou Partir" (embora o primeiro verso seja na verdade "Adeus mãezinha vou deixar") tinha letra e música de Jaime Aparício e era o triste relato do último sopro de vida de uma jovem moribunda prestes a perecer de uma doença incurável que se despede da mãe, do pai, do irmão mais novo chamado Miguel e de tudo o mais que deixava deste mundo (os brinquedos, o altar, as flores…), tocando os corações de muitos portugueses e sendo recorrente nos programas de discos pedidos por nas rádios de todo o país. No YouTube, existe uma actuação de Fátima Ferreira num estúdio em Toronto.
A inspiração por detrás de "Adeus À Vida" era sem dúvida o tema "Seasons In The Sun" de Terry Jacks, que em 1974 foi um sucesso internacional, tendo sido n.º 1 em vários países e foi na altura o single mais vendido de sempre de um artista canadiano. "Seasons In The Sun" era uma versão em inglês de "Le Moribund" de Jacques Brel (1961). Jacks readaptou a letra da versão inglesa originalmente escrita por Rod McKuen (e segundo consta tentou convencer os Beach Boys a gravarem a essa versão, antes de ele próprio decidir gravá-la). A letra também fala de alguém às portas da morte despedindo-se dos seus ente queridos, incluindo uma "Michelle, my little one" do qual "Adeus À Vida" ecoou no verso "Adeus, Miguel, meu pequenino". Em 1999, a versão dos irlandeses Westlife chegou ao n.º 1 do top britânico. E para sempre "Adeus À Vida" ficaria o "Seasons In The Sun" português.
Fátima Ferreira na capa da revista "Crónica Feminina" (27 Outubro 1983)
Entretanto "Adeus À Vida" foi gravada por outros cantores como Roberto Leal, Ágata, Fátima Caldeira e Linda Mónica. Existe até uma versão em brasileiro interpretada por Dilene.
No episódio da Caderneta De Cromos dedicado a "Adeus À Vida", Nuno Markl recordou ainda que o tema teve uma alusão num episódio de "O Tal Canal" em que no gag recorrente da ficha técnica de "Informação 3", apareceu assim no ecrã:
Edição: Adeus Mãezinha
Coordenação: Vou Partir
Realização: Adeus Miguel Meu Pequenino
Mas que não se pense que o repertório de Fátima Ferreira era apenas fado e pesaroso nacional-cançonetismo. Há uns anos, ouvindo o podcast Brandos Costumes, qual não foi o meu espanto quando descobri que Fátima Ferreira tinha cedido a sua voz a um tema synth-pop bem anos 80, "Pondera", que recentemente descobri por fim no YouTube.
Mas apesar do ritmo dançável, "Pondera" abordava outro tema sério, o alcoolismo, com Fátima Ferreira a lamentar como a sua cara-metade foi apanhada "pelo vício da boémia requintada", guardando porém a esperança que ele "encontre uma saída da sua encruzilhada" pois "não há desgraça sem cura".
Quem souber mais informação sobre a biografia e a carreira de Fátima Ferreira, por favor indique nos comentários ou na página do Facebook. No Discogs, o único LP de Fátima Ferreira que consta é "Vai Viendo A Vida" de 1984.
Desconheço quais são os actuais níveis de propagação de Phtiraptera, vulgo piolhos, junto da população infantil e os avanços científicos no seu combate. Mas como alguém que cresceu nos anos 80 e 90, era um flagelo bastante frequente entre o meu círculo de colegas e amigos de infância e acho que foram poucos os anos de entre os meus primeiros sete de escolaridade em que eu não fui afectado por um ataque dessas malditas criaturas. Era todo um suplício, e como se não bastasse a infernal comichão no couro cabeludo, devido às picadas dos bichinhos e suas respectivas incubações de lêndeas, havia a abordagem tipo Mortal Kombat da minha mãe ao tratar disso, não dando tréguas tanto aos piolhos como à minha cabeça. Assim que eu sabia que havia piolhos a habitar na minha cabeça, era certo e sabido que, durante pelo menos uma semana, ia levar todos os dias com a minha mãe lavar-me a cabeça com o champô da farmácia como quem lava roupa num tanque e depois a passar-me com um pente fino para apanhar os piolhos, pente esse que parecia uma garra super afiada a golpear-me a cabeça. Mas apesar do tormento, eu não me queixava por aí além pois antes isso do que continuar a ter uma civilização de piolhos na cabeça.
Mas que não se pense que eu era um garoto com falta de higiene. Apesar de só no final da adolescência é que passei a tomar banho todos os dias (assim obrigava o meu odor corporal), eu até era um miúdo relativamente asseado. E embora a falta de higiene capilar contribua para complicar infecções causada por piolhos, estes na verdade até preferem cabelos limpos.
Além disso, eu estava longe de ser o único atingido por esse flagelo. Frequentemente, se um dos meus colegas apanhasse piolhos, era uma questão de tempo até que uma boa parte de turma também os pegasse. Aliás, lembro-me que no quinto ano, tive uma colega de turma que sofria algum bullying por ter fama de piolhosa. E eu não me orgulho nada disto, até porque eu era dos que mais se davam com ela, mas quando apanhei piolhos nesse ano lectivo, tomei logo essa minha colega como a principal suspeita, já que era minha colega de carteira nas aulas de Ciências Naturais.
A última vez que me lembro de ter piolhos foi para aí com doze ou treze anos e desde então, tanto quanto sei, esses bichinhos nunca mais me atormentaram.
E como é óbvio, falar de combate aos piolhos nos anos 80 e 90 é falar da marca líder desse ramo, o Quitoso. Acho que no máximo só usei champô Quitoso uma ou duas vezes, com a minha mãe preferir outra marca que entendia ser mais eficiente, mas sem dúvida que em termos de marketing Quitoso, com as suas duas variantes loção e champô, era imbatível. (Uma vez perguntei à minha mãe porque é que não punha apenas a loção em vez de lavar-me a cabeça e ela respondeu que a loção não resultava e tinha-se de andar todo o dia com o cheiro.)
E depois havia o famoso anúncio televisivo que foi emitido durante largos anos e é de uma concisão e secura admiráveis. A câmara percorre uma sala de aula com muitas crianças de bibe entretidas a escrever nos cadernos quando de repente se detém sobre um rapazinho que coça a cabeça com um ar perturbado, enquanto uma voz-off vai declamando: "Piolhos? Lêndeas? Quitoso elimina-os totalmente! Quitoso, loção e champô. Quitoso!"
Mas se em Portugal, o Quitoso não dourava pílulas quanto ao calvário dos piolhos, na América Latina, a abordagem do Quitoso era mais fofucha e, há que dizê-lo, deveras irrealista. Veja-se este anúncio do Uruguai com uma mãe toda sorridente a encarar os piolhos do filho como se fosse uma inconveniência menor e o rebento a dizer no fim "Te quiero mucho, mamá!".
Imagino o terror de muitas crianças uruguaias ao descobrir a dura realidade de apanhar piolhos e a desilusão ao verem as mães delas a transformarem-se em impiedosos Rambos capilares, ao contrário da mãe do anúncio. Ou como está escrito num dos comentários deste vídeo no YouTube:
Ninguna mamá dice esa frase....más bien dicen algo como:
"¡Vení para acá que te voy a sacaar esos piojossssssssssssss!¡Que vengas!Quedate quieeeeeeeeto!!!"
Também há este anúncio em espanhol, de cujo exacto país de origem não pude apurar, de uma mãe a aconselhar-se com um simpático farmacêutico. Aqui existe uma preocupação materna mais credível, mas a musiquinha alegre e o sorriso da mãe a pentear o cabelo da filha ainda está num nível irreal.
Mas aparentemente com o tempo, as coisas ficaram um bocado mais realistas quanto ao drama dos piolhos na América do Sul, a julgar por este anúncio chileno de 2019, com quatro petizes a coçar a cabeça energicamente como que apanhados no meio de um surto piolhoso.
Publicado pela primeira vez em 1868, "Mulherzinhas" de Louisa May Alcott tornou-se um clássico da literatura juvenil e já há várias gerações que leitores em todo o mundo se encantaram com a história de quatro irmãs adolescentes que vão passando pelas diversas dores de crescimento enquanto o pai de ambas está ausente na Guerra Civil Americana (a história é baseada em experiências reais da autora). Este livro tem um lugar especial na minha vida como leitor pois foi o primeiro livro não-lá-muito infantil que eu li, tinha para aí uns oito ou nove anos, numa edição da Série Azul do Círculo Leitores, famosa por editar os livros da Condessa de Ségur mas também outros clássicos da literatura juvenil, da autores como Júlio Verne, Anne Bronte ou Charles Dickens.
"Mulherzinhas" também já foi adaptada várias vezes em cinema e televisão. Ao todo existem seis adaptações cinematográficas: duas no período do cinema mudo em 1917 e 1918, uma de 1933 protagonizada por Katharine Hepburn, uma de 1949 com umas bem jovens Elizabeth Taylor e Janet Leigh, a de 1994, da qual eu vou falar neste texto, e uma a estrear ainda este ano de 2019, realizada por Greta Gerwig e com Saoirse Ronan, Emma Watson, Timothée Chalamet e Meryl Streep. (Existe também uma versão de 2018 recontada na actualidade.) Tenho ainda de referir a adaptação em série anime de 1987 que passou na TVI nos anos 90.
Cartaz da adaptação de 1933
Elizabeth Taylor como Amy na versão de 1949
Uma cena da versão de 1949, que inspirou a capa
de uma edição do Círculo de Leitores.
Aliás o meu primeiro contacto com a história foi com a versão de 1949, que passou na RTP uns tempos antes de eu ter o livro, que aliás tinham a ilustração de uma cena desse filme na capa. No entanto ao ler constatei que essa versão fez uma alteração importante à trama ao reverter a ordem de nascimento das duas irmãs mais novas: no livro Amy é a mais nova e nesse filme, a irmã caçula é Beth, uma alteração que se deveu ao casting de Elizabeth Taylor como Amy (numa das raras vezes em que fez de loura) e a estrela infantil, Margaret O'Brien como Beth. (Meg e Jo foram respectivamente interpretadas pelas não menos célebres Janet Leigh e June Allyson.)
Foi preciso esperar quase mais cinquenta anos para que Hollywood revisitasse a história até chegar a versão de 1994, realizada por Gillian Armstrong com Winona Ryder, Susan Sarandon, Claire Daines, Kirsten Dunst, Christian Bale, Eric Stolz, Trini Alvarado, Samantha Mathis e Gabriel Byrne. Tal como noutras adaptações, o filme condensa a história de "Mulherzinhas" e da sua sequela "Boas Esposas". (Existem ainda mais dois livros da série: "Homenzinhos", que eu também li, e "Os Rapazes de Jo".)
No estado de Massachusetts, as quatro irmãs March tentam viver com os seus parcos recursos e o pai a combater na Guerra Civil. Margaret ou Meg (Alvarado) é a mais velha, e considerada a mais bonita, esforça-se para ser uma moça prendada mas de vez em quando deixa-se tentar pela vaidade; Josephine ou Jo (Ryder) é a maria-rapaz, de temperamento forte e decidido, que sonha em ser escritora e que desespera nas suas funções de dama de companhia à sua rabugenta tia-avó (Mary Wickes), a única pessoa endinheirada da família; Elizabeth ou Beth (Daines) é doce, tímida e frágil contentando-se em ficar em casa e em tocar piano; Amy (Dunst e mais tarde Mathis) é mimada, empertigada e apaixonada pelas artes. Por entre os altos e baixos das quatro irmãs, está o apoio firme e terno da mãe delas, Abigail (Sarandon) que as filhas tratam por Marmee bem como a da dedicada empregada Hanna (Florence Patterson).
Por altura do Natal, Jo trava amizade com o jovem Theodore Laurence ou Laurie (Bale), o vizinho do lado, e os dois depressa se tornam grandes amigos, uma amizade que rapidamente se estende ao resto da família March. James Laurence (John Neville), o avô de Laurie, também acolhe as irmãs March como se fossem suas netas, em especial Beth, cujo talento para tocar piano lhe faz recordar uma filha falecida. Enquanto isso, Meg apaixona-se por John Brooke (Stolz), o tutor de Laurie.
Meses mais tarde, uma série de acontecimentos infelizes se sucedem: o Sr. March (Matthew Walker) é ferido na guerra e Jo vende o seu cabelo para que Marmee possa viajar até Washington e tratar do marido. Enquanto Marmee está ausente, Beth contrai escarlatina durante uma visita a uma família pobre que era ajudada pela sua mãe e fica gravemente doente, e Amy é levada para casa da Tia March para evitar risco de contágio. O fim desses dias penosos só chega no Natal com Beth recuperada e o pai March de regresso a casa.
Quatro anos depois, Meg e John casam-se (é aqui começa a história do livro seguinte "Boas Esposas") e pouco depois têm um casal de gémeos, Demi e Daisy. Laurie declara-se a Jo mas esta recusa, sentindo que só gosta dele como amigo, para grande frustração do rapaz. Jo fica ainda mais destroçada quando descobre que a Tia March decidiu levar Amy numa viagem pela Europa, que era o grande sonho de Jo. Esta então muda-se para Nova Iorque para tentar ganhar a vida como escritora e lá encontra Friedrich Bhaer (Byrne), um professor alemão que a introduz à ópera e à filosofia e a encoraja a melhorar a sua escrita.
Entretanto, Beth, cuja saúde ficou irremediavelmente deteriorada, sente que tem pouco tempo de vida e aguarda serenamente pela morte. Jo regressa a casa para velar Beth nos seus últimos dias e decide escrever sobre a vida dela e das irmãs. Na Europa, Laurie e Amy encontram-se e acabam por se apaixonar, regressando à América já casados.
Após a morte da Tia March, Jo herda a sua propriedade que ela decide transformar numa escola, vê o seu livro publicado, e após alguns mal-entendidos, ela e Bhaer descobrem que estão apaixonados e ela aceita casar-se com ele.
Esta adaptação de "Mulherzinhas" foi extremamente competente, apresentando a obra a toda uma nova geração e recebendo elogios do público e da crítica. Todavia, quem tenha lido o livro como eu não pôde deixar de achar que ficaram de fora várias cenas marcantes da obra (como a cena do piquenique ou aquela em que Meg enfrenta a Tia que se opõe ao seu noivado com John). Todo o elenco está muito bem mas sem dúvida que Winona Ryder é quem brilha mais como Jo, ao ponto de ter sido nomeada para o Óscar de Melhor Actriz (curiosamente, Susan Sarandon foi nomeada nesse ano por outro filme, "O Cliente"). O filme foi também nomeado para Melhor Guarda-Roupa e Melhor Banda Sonora Original da autoria de Thomas Newman.
E não é que já estamos em 2019? Dois. Mil. E. Dezanove. Sim, estamos no final da segunda década do século XXI. E apesar da tecnologia ter mais do que nunca um papel preponderante nas nossas vidas, ainda não andamos todos de nave espacial ou afins, e muitos dos cenários futuristas com que mentes do século XX imaginavam 2019 (como por exemplo no filme "Blade Runner") ainda não se confirmaram.
Por outro lado, julgo estar longe de ser o único a sentir que, apesar de já lá irem vinte anos, as memórias do ano 1999 ainda estão relativamente fortes na memória colectiva. 1999 foi o último ano da década de 90 e apesar de ser bastante discutível afirmar que foi também o último ano do século XX e do segundo milénio depois de Cristo (matematicamente será mais correcto dizer que o dito século/milénio só terminou de facto em 2000), foi sem dúvida um ano de retrospectivas e balanços um pouco por todo o mundo, onde se reflectiu em todos os avanços e passos em falso da Humanidade até então e fizeram-se todo o tipo de listas de melhores do século ou do milénio.
Por tudo isso e muito mais, impões que pelo terceiro ano consecutivo eu elabore mais um texto "20 coisas que aconteceram há 20 anos". Sem dúvida que 1999 foi um ano que esteve à altura do misticismo atribuído (talvez mais até que o ano 2000) e por isso vale a pena revisitar.
1. Calou-se a voz de Portugal
Amália Rodrigues (1920-1999)
A 6 de Outubro, o país acordou com a notícia da morte de Amália Rodrigues, um dos nossos maiores ícones portugueses do século XX (quiçá de sempre), encontrada já sem vida em sua casa. Despedia-se assim deste mundo aos 79 anos a grande voz do fado que cantou como ninguém a alma portuguesa em todos os seus matizes. (Ser português é de facto uma estranha forma de vida!) Como se seria de esperar, a morte de Amália causou grande pesar junto da população e os seus ritos funerários foram feitos com as maiores honras. O Governo decretou três dias de luto nacional.
Também foi em 1999 que o mundo se despediu da cantora britânica Dusty Springfield, do cineasta Stanley Kubrick, da estrela de basebol - e um dos três homens a quem Marilyn Monroe chamou de marido - Joe DiMaggio, de John F. Kennedy jr., filho do presidente americano do mesmo nome, do Rei Hussein da Jordânia e de Scatman John, poucos anos depois de ter feito sucesso com hits como "I'm A Scatman" e "Scatman's World".
2. A organização do Euro 2004 foi atribuída a Portugal.
O peso de dois dos nossos três Fs - fado e futebol - fizeram-se sentir em força em Outubro de 1999 pois quatro dias após a morte de Amália, Portugal qualificava-se para o Euro 2000 e apenas dois dias depois, a UEFA atribuía a Portugal a organização do Euro 2004.
Competindo com as candidaturas de Espanha e da conjunta Áustria/Hungria, a candidatura portuguesa foi anunciada pela UEFA como vencedora a 12 de Outubro na cidade alemã de Aachen.
Os cinco principais rostos da candidatura portuguesa foram Gilberto Madaíl, Eusébio, Miranda Calha, José Sócrates (então Ministro Adjunto) e Carlos Cruz. (Sim, aos olhos de 2019, isso é cá um cringe!) e um dos pontos altos da campanha foi a formação a 24 de Julho de um logótipo humano da nossa candidatura, formado no Estádio Nacional por mais de 30 mil pessoas (e como já falei aqui, eu fui uma delas!).
Em 1999, Portugal demonstrou a sua capacidade de organizar competições desportivas com o campeonato mundial júnior de basquetebol no então Pavilhão Atlântico e os campeonato europeu de natação em piscina curta no complexo aquático do Jamor.
3. Mobilização por Timor
Mas não foi só o fado e futebol que galvanizaram a nossa nação em 1999.
Após a resignação do presidente da Indonésia Suharto, um referendo para a independência de Timor Leste foi marcado para 30 de Agosto de 1999 sob supervisão da ONU. 78,5% dos timorenses votaram a favor da independência mas pouco depois, milícias pró-integração protegidas pelo exército indonésio levaram a cabo uma onda de extrema violência e de devastação em Dili que se alastrou por outras partes do país, destruindo grande parte das suas infra-estruturas.
Manifestação em Lisboa (Avenida Fontes Pereira de Melo)
Essa brutal repressão e a resposta tardia da comunidade internacional gerou uma onda de contestação e solidariedade em Portugal com um grau de mobilização raramente visto desde o 25 de Abril. Primeiro com manifestações espontâneas, depois com iniciativas mais elaboradas como cordões humanos, minutos de silêncio, campanhas de donativos e concentrações com todos os presentes vestidos de branco, essas iniciativas aconteceram um pouco por todo o país ao longo do mês de Setembro desse ano. O governo de Portugal também agiu, pressionando as Nações Unidos para a criação de uma força internacional para restabelecer a ordem, o que veio acontecer quando uma força multinacional liderada pela Austrália, a UNAMET, neutralizou os conflitos. Timor Leste passou a ser administrado por uma unidade da ONU até ao seu estabelecimento definitivo como estado independente em 2002.
4. Nasceu o Euro
No início de 1999, uma moeda única europeia tornou-se uma realidade. É certo que ainda faltavam mais três anos até os europeus poderem ter moedas e notas dessa unidade monetária, o Euro, no bolso mas a 1 de Janeiro foi dado o primeiro passo, com Portugal e mais dez países (Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Irlanda, Itália e Luxemburgo) a poderem fazer transferências bancárias e pagamentos em cheque em Euros. Para Portugal, foi definido que um euro equivaleria a 200 escudos e 48,2 centavos, um valor quase redondo que sem dúvida facilitou as nossas contas de cabeça. (Nuestros hermanos tiveram que puxar mais pela cabeça com um euro convertido em cerca de 166 pesetas).
5. Houve um empate absoluto na Assembleia e nasceu o Bloco de Esquerda
No plano político nacional, 1999 foi marcado pelas eleições legislativas, realizadas a 10 de Outubro. O PS de António Guterres pretendia alcançar uma segunda legislatura, desta vez com maioria absoluta, mas acabou por ter um empate absoluto, pois os socialistas elegeram 115 deputados, precisamente tantos quantos o das outras forças políticas juntas, incluindo dois deputados do recém-criado Bloco de Esquerda.
Formado em Março de 1999 como resultado da fusão de três partidos, o PSR, a UDP e a Política XXI, o Bloco de Esquerda teve uma rápida ascensão na cena política, afirmando-se como uma nova força que conglomerava vários quadrantes políticos afectos aos ideais esquerdistas e da sociedade civil (como movimentos feministas e pró-LGBT). Liderados pelo ex-líder do PSR Francisco Louçã, o Bloco de Esquerda elegeria dois deputados pelo círculo de Lisboa nas legislativas de 1999, pouco mais de seis meses após a sua fundação e desde então tem feito parte da Assembleia.
6. Macau deixou de ser território nacional
A 20 de Dezembro, após mais de quatrocentos anos de administração portuguesa, a soberania de Macau transitou para a República Popular da China, onde adquiriu o estatuto de "Região Administrativa Especial", com a sua autonomia assegurada pelo menos até 2049, conforme estabelecido nas negociações levadas a cabo entre Portugal e China entre 1986 e 1987.
Portugal ficava assim sem o último resquício do seu antigo império colonial e com o seu território restrito ao Continente, Açores e Madeira.
7. O Beira-Mar ganhou a Taça de Portugal (e os três grandes nem sequer chegaram aos oitavos de final)
Além do apuramento para o Euro 2000 e a atribuição do Euro 2004, o futebol nacional ficou marcado pelo quinto título consecutivo do FC Porto, o "penta", uma sequência que permanece irrepetível.
Mais surpreendente foi o resultado da Taça de Portugal que ficou marcada pela eliminação prematura dos três grandes, com nenhum deles a chegar aos oitavos de final. O Sporting perdeu logo no seu primeiro jogo com o Gil Vicente (3-2) e o Benfica e o FC Porto cairiam na ronda seguinte respectivamente contra o Vitória de Setúbal (2-0) e o Torreense (1-0).
Como tal, a final da Taça foi totalmente inédita opondo o Beira Mar e o Campomaiorense. No jogo decisivo no Jamor, os aveirenses, mesmo só com nove em campo venceriam os alentejanos por 1-0.
8. João Garcia subiu ao Evereste
A 18 de Maio, João Garcia tornava-se o primeiro português a chegar ao topo do Monte Evereste, fazendo-o sem recorrer a oxigénio suplementar nem ao apoio de sherpas. A façanha deixou-lhe forte marcas de úlceras de frio na cara e nos dedos (alguns deles tiveram de ser parcialmente amputados) e o seu parceiro de expedição, o belga Pascal Debrouwer faleceu de uma queda na descida.
Todos estes tormentos não desencorajaram Garcia que nos anos seguintes viria a subir a outras grandes montanhas por esse mundo fora até em 2010, com a subida ao Annapurna, se tornar a décima pessoa no mundo a subir aos catorze picos com mais de oito mil metros que existem no mundo.
9. O pai de Bárbara Bandeira venceu o Festival da Canção
O 36.º Festival da Canção realizou-se a 8 de Março de 1999 na Sala Tejo do Pavilhão Atlântico (actual Altice Arena) com apresentação de Alexandra Lencastre e Manuel Luís Goucha onde além da apresentação das dez canções concorrentes, houve um tributo musical a Zeca Afonso.
No fim das votações, a vitória foi para o tema "Como Tudo Começou" interpretado por Rui Bandeira, que assim seria a canção a representar Portugal no Festival da Eurovisão desse ano.
O 44.º Festival da Eurovisão teve lugar a 29 de Maio de 1999 em Jerusalém, Israel, numa edição que ditou o fim de uma orquestra em palco (com todas as canções a recorrerem a música pré-gravada) e da obrigatoriedade de cada país ter de cantar numa das suas línguas nacionais, o que levou a que vários países optassem por cantar em inglês. No final, a Suécia venceu pela quarta vez com "Take Me To Your Heaven" interpretado por Charlotte Nilsson, ao passo que Portugal ficou em 21.º lugar com 12 pontos, todos eles vindos da França. Os momentos finais do certame ficaram marcados pela queda em palco de Dana International, a célebre vencedora do ano anterior, quando estava para entregar o troféu a Charlotte Nilsson e pela reunião de apresentadores, bailarinos e de todos os cantores concorrentes para cantar "Hallelujah", a canção vencedora de 1979, num apelo à paz, já que na altura decorria a guerra no Kosovo.
Rui Bandeira continua até hoje com a sua carreira musical mas actualmente é mais conhecido por ser pai da cantora e ídolo adolescente Bárbara Bandeira que viria a nascer dois anos após a sua participação no Festival.
10. Os Blondie e os Eurythmics reuniram-se.
Blur ("13"), Eminem ("Slim Shady LP"), Macy Gray ("On How Life Is"), Stereophonics ("Performances & Cocktails"), Muse ("Showbiz"), Chemical Brothers ("Surrender"), Limp Bizkit ("Significant Other"), Santana ("Supernatural), Skunk Anansie ("Post Orgasmic Chill), Red Hot Chilli Peppers ("Californication") e Moby ("Play") editaram álbuns marcantes este ano.
Mas em 1999 o mundo da música foi surpreendido pela reunião de duas bandas. Primeiro os Blondie que voltaram às lides dezassete anos após o último disco juntos e obtendo um grande hit mundial com o single "Maria" (n.º 1 no Reino Unido, Espanha e Grécia) do novo álbum "No Exit". E aos 54 anos, Debbie Harry ainda estava para as curvas com uma energia de fazer inveja a muita moçoila. O sucesso deste regresso solidificou a banda que desde então editou mais quatro álbuns e tem feito digressões quase todos os anos.
Mais tarde, dez anos após o seu último álbum conjunto, Annie Lennox e Dave Stewart sanaram os diferendos que tinham levado à dissolução dos Eurythmics, para um novo disco do duo, apropriadamente intitulado "Peace" do qual foram extraídos os singles "I Saved The World Today" e "17 Again" (que continha uma interpolação de um dos seus maiores hits, "Sweet Dreams (Are Made Of This)" ). Apesar de não terem desde então editado mais nenhum álbum conjunto, priorizando as respectivas carreiras a solo, Lennox e Stewart têm ocasionalmente actuado juntos a partir daí.
11. Foi um ano de ouro para a pop
Mas falar da música é falar do triunfo da música pop. Ou não fosse este o ano em que Britney Spears e Christina Aguilera foram elevadas às novas princesas da pop adolescente, os Backstreet Boys editaram um dos seus hits mais emblemáticos "I Want It That Way", as Spice Girls Geri Halliwell e Melanie C. editaram os seus primeiros álbuns a solo, os britânicos S Club 7 recuperaram a fórmula "grupo pop com série de televisão" e o compositor/produtor sueco Max Martin afirmou-se como o grande guru da composição pop.
A banda sonora do Verão de 1999 foi cheia de ritmos latinos, pois foi nesse ano que a música latino-americana transpôs o seu mercado habitual e foi à conquista do resto do mundo, com Ricky Martin e Enrique Iglesias a liderarem a onda. Em Portugal, já há vários anos que conhecíamos os dois e que por cá eles tinham o seu séquito de fãs, mas em 1999, com Martin e Iglesias passaram a cantar em inglês, e graças a hits como "Livin' La Vida Loca" e "Bailamos", também o resto do mundo se rendeu. Além disso, foi neste ano que Jennifer Lopez editou o seu álbum de estreia, provando que podia facilmente dar uma no cravo da representação e outra na ferradura das cantigas.
13. A Força voltou ao cinema
1999 foi também um ano marcante no cinema, com vários filmes para todos os gostos e géneros, dos blockbusters ao cinema de autor. Basta falar em títulos como "Matrix", "American Pie", "Notting Hill", "O Sexto Sentido", "Beleza Americana", "Tudo Sobre A Minha Mãe", "Eyes Wide Shut", "Magnolia", "Fight Club", "Tarzan", "Toy Story 2", "Queres Ser John Malkovich", "007 - O Mundo Não Chega", "Austin Powers 2 - O Espião Irresistível", "10 Coisas Que Odeio Em Ti", "As Virgens Suicidas" e "Os Rapazes Não Choram".
Mas a estreia mais aguardada do ano foi o primeiro tomo de uma nova trilogia de "A Guerra de Estrelas" que contava acontecimentos anteriores à da trilogia anterior (que passariam a ser tidos como os Episódios IV, V e VI). O Episódio I, intitulado "A Ameaça Fantasma", realizado pelo próprio George Lucas, tinha Natalie Portman como a Rainha Amidala, a futura mãe de Luke Skywalker e Leia Organa, Ewan McGregor como um jovem Obi-Wan Kenobi, Liam Neeson como o seu mestre Qui Gon Jinh e Jake Lloyd como um muito jovem Anakin "futuro Darth Vader" Skywalker. Mas apesar de ser o filme que maior êxito nas bilheteiras em 1999, "A Ameaça Fantasma" foi alvo de críticas nomeadamente quanto às fragilidades do argumento e à personagem Jar-Jar Binks que para além de ser mais irritante do que simpática, aludia a certos estereótipos raciais.
14. "O Project Blair Witch" fez milhões com tostões
Mas a grande sensação cinematográfica de 1999 terá sido "O Projecto Blair Witch". Realizado por Daniel Myrick e Eduardo Sanchez, o filme seria um aglomerado das filmagens que três estudantes de cinema captaram enquanto faziam um documentário em 1994 num bosque do estado do Maryland sobre uma lenda local de bruxaria e que nunca mais foram vistos desde então. Com o sucesso no Festival de Sundance e uma manobra de marketing que deixava na dúvida se os três actores estavam mesmo desaparecidos/mortos (na verdade, os actores Heather Donahue, Joshua Leonard e Michael C. Williams desempenharam versões ficcionadas deles próprios), o público acorreu a ver e o filme feito com uns modestos 60 mil dólares acabou por render 250 milhões de dólares na bilheteira, ainda hoje o filme mais lucrativo de sempre em termos de gastos/receitas. A franchise Blair Witch continuou com mais duas sequelas, curtas-metragens, livros e banda desenhada.
15. Fernanda Montenegro foi nomeada para um Óscar
A actriz brasileira Fernanda Montenegro, que por cá conhecíamos sobretudo de telenovelas como "A Guerra dos Sexos", "Baila Comigo", "Cambalacho" e "O Dono Do Mundo", tornou-se a 27 de Fevereiro de 1999, a primeira actriz lusófona a ser nomeada para um Óscar pelo filme "Central do Brasil". Alguns filmes brasileiros já tinham sido nomeados para Melhor Filme Estrangeiro mas era a primeira vez que um actor lusófono, homem ou mulher, era nomeado para uma categoria de representação.
Fernanda Montenegro na cerimónia dos Óscares
Porém o desempenho de Montenegro no papel de Dora, uma professora reformada que se dedica a escrever cartas para pessoas analfabetas na estação central rodoviária do Rio de Janeiro e que decide ajudar um rapazinho órfão de mãe a encontrar o seu pai no Nordeste, já vinha recebendo várias distinções em festivais de cinema como o Urso de Prata no Festival de Berlim e acabou por convencer também a Academia de Hollywood a incluí-la entre as cinco nomeadas. O Óscar acabaria por ser atribuído a Gwyneth Paltrow por "A Paixão de Shakespeare". "Central do Brasil" foi também nomeado para Melhor Filme Estrangeiro e ganhou o Globo de Ouro e o BAFTA nessa categoria.
16. Foi inventada a pen drive
Foi em 1999 que a empresa israelita M-Systems patenteou a invenção da pen drive (a IBM registou também uma patente nesse ano). As primeiras pens USB seriam comercializadas em 2000 com a estonteante capacidade de 8 megabytes. Mas rapidamente estas unidades periféricas foram multiplicando a sua capacidade de armazenamento, substituindo as disquetes como meio de armazenamento de dados e agora existem em todos os tamanhos e feitios.
Foi também em 1999 que foram lançados os primeiros Bluetooth, Blackberry e iBook.
17. O Massacre de Columbine chocou a América
A 20 de Abril de 1999, Eric Harris e Dylan Klebold, dois estudantes do liceu Columbine no estado americano do Colorado, entraram na escola e mataram 13 pessoas antes de se suicidarem. Outras 24 pessoas ficaram feridas pelos tiros e pelas explosões que os dois detonaram em vários pontos da escola. Na altura, foi o maior tiroteio numa escola americana.
Eric Harris (de branco) e Dylan Klebold (de preto)
Nas investigações policiais subsequentes, veio-se a descobrir que Harris e Klebold tinham planeado detalhadamente o massacre, documentando os seus planos através de vídeos, escritos em diários e publicações na internet. O acto teria sido ainda mais trágico se a bomba que colocaram no bar da escola tivesse sido detonada.
Muito se especulou sobre as motivações que levaram os dois adolescentes a tal violência, como o bullying de que os dois foram vítimas, os filme, músicas e jogos de vídeo que eles gostavam (os tablóides chegaram a culpar Marilyn Manson, embora mais tarde veio-se a saber que eles nem sequer eram fãs da banda) e os grupos neonazis (o massacre aconteceu no dia de aniversário de Hitler). Também foi debatida a morosidade da resposta policial ao tiroteio e claro, a eterna questão da posse de armas nos Estados Unidos e como foi fácil para dois adolescentes adquirirem armas de fogo e explosivos. Columbine ainda é hoje tido como a principal de referência para este tipo de tiroteios e Harris e Klebold têm sido citados como "inspirações" de vários autores de subsequentes tiroteios. Vinte anos depois, infelizmente, continuam a haver tragédias semelhantes na América como o de Sandy Hook em 2012 e o de Parkland em 2018 mas a discussão sobre o controlo de armas continua sem progressos efectivos.
18. Nascimentos de novas estrelas
Foi em 1999 que vieram ao mundo estrelas que este ano completam duas dois décadas de vida: a mexicana Karol Sevilla, estrela da série "Soy Luna", a nossa jovem popstar April Ivy, Kiernan Shipka, a Sally Draper de "Mad Men" e a nova bruxinha Sabrina, a patinadora russa vice-campeã olímpica Evgenya Medvedeva, a princesa Alexandra de Hannover, filha da princesa Carolina do Mónaco (e também ela com jeito para a patinagem artística) e os futebolistas Justin Kluivert, João Félix e Diogo Dalot.
Geração 1999: Karol Sevilla, Kiernan Shipka, João Félix, Diogo Dalot
19. Paco Rabanne previu uma catástrofe de um eclipse de 11 de Agosto. (Só que não.)
Confessem lá: mesmo sabendo que era uma treta sem cabimento, quem lá bem no fundo não teve na cabeça ao longo de 1999 o célebre chavão "A 1000 chegarás, de 2000 não passarás"? Pois é, em 1999 não faltou quem invocasse o Apocalipse à medida que se aproximava o ano 2000. A mais célebre profecia veio por parte do estilista Paco Rabanne que vaticinou que no dia 11 de Agosto, através de um eclipse total do Sol (o mais visível na Europa desde 1990), a Terra iria ser assolada por vários meteoros e que a estação espacial MIR iria cair na Terra e destruir Paris. Claro que isso não aconteceu e a imprensa francesa especulou que tudo não seria uma manobra de publicidade por parte do estilista que passava por alguns problemas financeiros.
A maior preocupação em Portugal e noutros países foi que o eclipse provocasse danos na visão daqueles que olhassem directamente para o eclipse sem devida protecção. Alguns óculos especiais para ver o eclipse foram vendidos nas farmácias, mas o trânsito eclipse acabou por ser pouco visível no nosso país.
20. O Y2K não parou o mundo
À medida que o mundo se redobrava em preparativos para a chegada de 2000, pairava ainda uma ameaça de caos à escala global menos esotérica. Desde meados dos anos 80 que foi descoberto que vários computadores não estavam programados para reconhecer o ano 2000, sendo que após o final de 1999, reverteriam automaticamente para o ano 1900. À medida que o ano 2000 se aproximava várias empresas privadas e do sector público lançaram medidas de reprogramação para que a transição para esse ano não afectasse as máquinas e todos os serviços dependente de computorização.
A essa falácia foi atribuída o nome Y2K (expressão atribuída ao informático David Eddy em 1995) também popularizada como "o bug do milénio". Apesar dos milhares de milhões de dólares usados para todas as manobras de reprogramação, ainda não era garantido que a transição corresse bem e a hipótese de cenários caóticos não estava totalmente refutada. E claro está, o Y2K alimentou mais a teorias apocalípticas de certas pessoas...O videoclip "Waiting For Tonight" de Jennifer Lopez até ficcionava uma breve falha de energia com a chegada do ano 2000. No entanto, a passagem de 1999 para 2000 fez-se sem grandes incidentes a nível informático.
E vocês? Que memórias têm do ano de 1999? Que acontecimentos desse ano vocês se lembram e não foram falados neste texto? Deixem os vossos comentários no blogue ou na página do Facebook.