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sexta-feira, 6 de outubro de 2017

O Homem Que Mordeu O Cão (1997-...)

Parece que foi ontem que começámos a ouvir na rádio esta rubrica criada por Nuno Markl ("Caderneta de Cromos") mas "O Homem Que Mordeu o Cão" lançou a sua primeira edição no éter no dia 6 de Outubro de 1997

Na segunda metade dos anos 90 eu passava muito tempo a ouvir a Rádio Cidade para gravar os êxitos musicais do momento, mas muitas vezes mudava para a Rádio Comercial para ouvir este programa de insólitos (e mais tarde tornei-me mesmo fã ferrenho do "Há Vida Em Markl"). O site da Rádio Comercial tem uma boa definição do programa: "Casos da vida real, bizarrias do mundo e observações aleatórias sobre tudo e sobre nada.", um "...noticiário bizarro,composto pelas notícias que os noticiários a sério deitam fora." tudo narrado pelo próprio Nuno Markl, que também recolhia essas bizarrices de uma Internet a que a maioria dos portugueses não tinha acesso regular.
E através dessa mesma Internet, o programa "levaria a interactividade com os ouvintes a novos patamares; em poucos meses havia grupos de fãs e, daí a poucos anos, uma digressão nacional de espectáculos ao vivo, vários livros, um programa de televisão e, 20 anos depois, choque dos choques, indivíduos adultos de barba rija que vêm hoje ter com o autor da rubrica a dizer que costumavam ouvir O Homem Que Mordeu o Cão a caminho da escola primária." lê-se no artigo sobre as comemoração do 20º aniversário da rubrica que inclui um espectaculo ao vivo no Coliseu de  Lisboa para "para celebrar 20 anos de notícias bizarras, Desbloqueadores de Conversa, enormes seios, cabras que gritam como pessoas e outros insanos pedaços da História da Rádio em Portugal". Confesso aqui que não sou particularmente fã dos segmentos "cabras que gritam como pessoas" da iteração mais recente do programa, que regressou à antena da Comercial em 2013. Mas ouvir falar em "Desbloqueadores de Conversa" e "enormes seios" realmente revive muitas memórias!


O primeiro livro da trilogia, "O Homem Que Mordeu O Cão" foi colocado à venda em 2002 e foi um êxito de vendas, com mais de 150000 exemplares vendidos nesse ano. Só consegui o meu exemplar mais tarde, nalguma feira de velharias.
Em 2003, por altura do lançamento do segundo livro "O Regresso D'O Homem Que Mordeu O Cão: A Irmandade do Canídeo" a rúbrica com Nuno Markl, Pedro Ribeiro e Maria de Vasconcelos estava a ser emitida na malograda rádio "Best Rock FM".

Na capa deste segundo volume, podia ler-se:
"novas toneladas de notícias bizarras envolvendo enguias domesticadas, sexo, pensionistas, frascos de pickles e ainda teorias complexas sobre coisas da vida como ser VIP, flagelos da humanidade como bandas que cantam canções pop em canto gregoriano ou transmissões de patinagem artística na televisão e ainda a última palavra em conversas com taxistas sobre futebol...". Realmente as conversas com taxistas são um tema recorrente na obra de Markl.
"Nuno e Anabela Markl mostram-nos a sua última infiltração de humidade na casa de banho" ou "Nuno Markl passeia-se em cuecas e camisola interior de alças pelo seu apartamento de Benfica" são duas das manchetes que Nuno Markl antecipava se tivesse cedido aos pedidos de uma revista de famosos para fotografá-lo em casa. [in "O Regresso D'O Homem Que Mordeu O Cão"]
No livro o autor ainda recorda com carinho a digressão "O Homem Que Mordeu O Cão Ao Vivo" com os colegas Pedro Ribeiro e Maria de Vasconcelos no Villaret e por boa parte do país, totalizando "vinte e tal mil pessoas" que foram expostas ao vivo e a cores á agora famosa teoria que a cantora Dina e o actor Orlando Costa ("Zé Gato") são "uma e a mesma pessoa". O espectacúlo "HQMOC ao Vivo" incluiu adicionar um frondoso bigode numa foto de Dina. Coisas que não se podem fazer na rádio...
Escolho agora um exemplar aleatório de um "Desbloqueador de Conversa", ideal para longas viagens de elevador:
"Você: Pois é, pois é...
O Vizinho: Cá estamos...
Você: Cansado...
O Vizinho: Pois...
Você: Pois é, pois é, pois é...
O Vizinho: Ou não...

Você: Ah, é verdade: sabia que a primeira bicicleta foi fabricada em 1817?

ISTO É UM...DESBLOQUEADOR DE CONVERSA!"

O volume que fechou a trilogia HQMOC foi "O Homem Que Mordeu O Cão: A Revolução" inspirado pelo volume que fechou a trilogia Matrix. Tenho algures numa caixa, não encontrei a tempo de tirar fotos.
E o livro mais recente, depois do regresso à comercial, lançado em 2014 com o sucinto título "O Novo, Incrível, Definitivo, Arrebatador, Estrondoso, Monumental e Titânico Livro d'O Homem Que Mordeu o Cão".


Não acompanhei regularmente as aventuras do HQMOC na TVI, mas deixo aqui um episódio:




E claro, o vídeo de "Um Dia na Vida do Homem Que Mordeu O Cão":

Tenho impressão que tenho isto gravado nalguma cassete VHS....

No dia que se assinalou o 20º aniversário da estreia de HQMOC, Nuno Markl redigiu um longo texto em que recorda o arranque do projecto, o sucesso, o intervalo e o regresso:
"Mas havia aquela ideia de que isto poderia ser diferente.
E, em poucos meses, e em parte graças a essas inovações bombásticas chamadas Internet e e-mail, o diálogo com os ouvintes tornou-se mais intenso que nunca.
A WWW era também a ferramenta ideal para sacar material para a rubrica - O Homem Que Mordeu o Cão não era possível anos antes, só com os telexes da Lusa... Até porque a Lusa não ligava lá muito às notícias bizarras.
Foi a tempestade perfeita. Primeiro foi o reconhecimento na rua por via da voz (“Você tem a voz parecida com aquele gajo do Homem Que Mordeu o Cão...”). De repente havia material suficiente (e interesse suficiente) para juntar as melhores notícias num livro. De repente, o livro vende 150 mil exemplares. E há espectáculos marcados pelo país. E a TVI acha boa ideia transformar os espectáculos num programa de TV.
Entretanto houve hiatos, uma passagem cheia de boas memórias pela Antena 3, profissionais e pessoais; um regresso à Comercial com a Caderneta de Cromos... 
... e depois, o inevitável regresso - O Homem Que Mordeu o Cão é sobre contar histórias, e contar histórias (e ouvi-las) é coisa que talvez não tenha prazo de validade."

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segunda-feira, 31 de outubro de 2016

A Guerra dos Mundos em Portugal (1958)

Aqui na Enciclopédia de Cromos raramente trazemos a máquina do tempo antes dos anos 70, mas há alguns assuntos que merecem a viagem longínqua:
Recupero então um artigo de 2010 para o blog Prometheus31: "Os Marcianos chegaram a Portugal, em 1958".


Ao ler um artigo no blog Vintage69 apercebi-me de que, se é sobejamente conhecida a nível internacional a versão radiofónica de "A Guerra dos Mundos" ("War Of The Worlds" livro de H.G. Wells de 1898) narrada por Orson Welles em 30 de Outubro de 1938, actualmente poucos fora de Portugal se recordarão da versão portuguesa de 1958 da invasão dos marcianos (que não passou despercebida a nível mundial pela imprensa da época). A nível nacional, ocasionalmente ainda é recordada a enorme polémica causada pelo pânico e sugestão colectiva que a emissão interpretada por Álvaro de Lemos - na Rádio Renascença ( a Emissora Católica Portuguesa) e que até tinha sido aprovada pela censura e demais autoridades - causou cá na terrinha. Depois de imensas chamadas telefónicas na rádio, jornais, Polícia e Bombeiros, a Policia interrompeu a emissão, o responsável foi preso por 3 horas e mais tarde interrogado pela PIDE (a famigerada policia política do regime Salazarista). Só horas depois do fim da emissão, a calma retornou, mas entretanto populares e Bombeiros foram até alguns dos locais onde supostamente os extraterrestres estariam a atacar, e milhares de portugueses ficaram desassossegados, enganados pelo realismo das descrições dos repórteres que narravam a "invasão dos marcianos" ao vivo.
Nada melhor que ler um artigo narrado pelo criador da emissão portuguesa de 25 de Maio de 1958,  Matos Maia: Como nasceu "A invasão dos marcianos"


Alguns excertos:

"Em meados da década de 50 li (...) um artigo sobre a "Guerra dos mundos", de Herbert Wells e algumas linhas do guião escrito por Howard Koch, o argumentista do filme "Casablanca".
Achei curioso tentar fazer uma emissão similiar em Portugal, em locais conhecidos, com nomes portugueses.
Reli "A guerra dos mundos" e elaborei uma sinopse do que seria do programa.(...)
(...)A escolha caiu sobre um colega e amigo dos Emissores Associados de Lisboa, Álvaro de Lemos.
Seguiu-se o trabalho de pedir a colegas e a amigos se tinham parentes ou colegas de trabalho que pudessem colaborar. Vozes fortes para comandantes de exército; voz pausada, mas firme para membros do Governo, etc.
Seguiu-se um trabalho de imaginação: inventar ruídos para determinadas situações (...)
Criámos os nossos próprios sons e um dos mais curiosos é o do ruído de multidão assustada e aos gritos. Esse som assim parece no contexto em que foi inserido. No entanto trata-se de uma gravação que fizemos num baile de fim-de-ano na Casa do Algarve que era vizinha dos estúdios da R.R (...)
Desde que escrevi a sinopse até o programa ficar pronto para transmitir, o trabalho durou 11 meses e algumas semanas.
Durante a transmissão começaram a "chover" os telefonemas dos mais variados: angustiantes, curiosos, insultuosos, etc"(...)
(...)um senhor super irritado, dizendo ser o comandante de piquete da PSP no Governo Civil, me ordenava que parasse a transmissão, caso contrário... me mandaria prender (...)
(...)mandou um sub-chefe e três guardas devidamente armados prender-me aos estúdios. Aí a emissão foi interrompida e passaram a transmitir discos.
No Governo Civil compreendi a histeria do graduado: um PBX com 20 linhas estava totalmente bloqueado por pessoas a saber
o que se passava, porque tinham visto incêndios em-Carcavelos (?); qual era a guerra que havia em Vila Nova de Gaia (?), etc.(...)
(...)Para "saber que não se brinca com coisas sérias!" prendeu-me numa cela, durante cerca de 3 horas, como um vulgar meliante.
No dia seguinte todos os jornais tinham manchetes sobre o assunto, uns criticando, pouquíssimos aplaudindo.(...)
Pouco mais de uma semana após a emissão fui levado à PIDE por um agente, para interrogatório.(...)Tinha dois dias para entregar uma lista completa de todos os participantes na "parvoíce" (sic) com nomes, moradas, números de telefonemas, moradas de empregos, números dos B.I., idades, etc., etc.(...)" 
Leia o artigo completo: Como nasceu "A invasão dos marcianos"

Ouça ou faça download da emissão, em 3 ficheiros de MP3:

Reacções na Imprensa da época (Clique sobre as fotos para as ver maiores):















Mais informação:


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sábado, 12 de março de 2016

Viagem ao Passado - Rádio Zero



É sempre de saudar quando surge um novo projecto de temática nostálgica no panorama nacional. 
Chegou ao nosso conhecimento há poucos dias e a "Enciclopédia de Cromos" gostaria de indicar aos leitores um recente programa radiofónico dedicado aos acontecimentos dos anos 80, 90 e 00: "Viagem Ao Passado".



Segundo Rute Fidalgo - a autora e voz de "Viagem Ao Passado" - a "premissa deste programa é trazer os protagonistas desses momentos, de forma a recordar as memórias dos mesmos na primeira pessoa".
O site do programa na Rádio Zero descreve a "Viagem Ao Passado" da seguinte forma:
"Dizem que ‘recordar é viver’. E podia ser muito bem o slogan deste programa. Um programa de memórias, mas que não pretende ser saudosista. (...) Por aqui passam as músicas, os acontecimentos, os programas, mas sobretudo as lembranças, as recordações e as efemérides, que são contadas na primeira pessoa em 57 minutos de tertúlia. Dos músicos aos apresentadores, dos actores aos meros fãs, todos entram nesta viagem até aos anos 80, 90 e 00. Todos os domingos, ao final da tarde, embarquem connosco nesta ‘Viagem ao Passado’, feita com as recordações que fazem parte das vidas de todos nós."


Ouçam em Directo, Domingos às 19 horas - Rádio Zero [https://www.radiozero.pt]

Visitem o Facebook: [https://www.facebook.com/viagemaopassado.radiozero]
 

E ouçam os programas já emitidos na MixCloud: [https://www.mixcloud.com/viagemaopassado].
Entre as emissões podem encontrar recordações de publicidade do anos 80 - com Ana Moreira; do programa da SIC "Êxtase" - com Joana Cruz; ou a girlsband NonStop com Liliana Almeida e Andrea Soares.

Marquem nas agendas: Domingos às 19 horas - Rádio Zero!

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quarta-feira, 23 de julho de 2014

Rebéubéu Pardais ao Ninho (1986-1988)


A maioria dos portugueses recorda facilmente a carreira de Herman José com os seus numerosos sucessos na televisão ("Herman Enciclopédia", "Humor de Perdição", "O Tal Canal", etc). Mas o artista não se limitou ao pequeno ecrã. Um dos seus projectos que eu só conhecia de nome - provavelmente mencionado nalguma entrevista - é este "Rebéubéu Pardais ao Ninho", estreado na rádio Comercial - em 1982 ou 1986 conforme as fontes, mas a maioria delas opta pelo ano de 1986, o mesmo do êxito "Bamos Lá cambada".
A foto acima, foi apanhada no Facebook do "Herman José Blog", com a legenda:
"Em exclusivo, uma fotografia de bastidores de um dos maiores sucessos da Rádio Comercial: "Rebéubéu Pardais ao Ninho".
Escrito por Herman José e interpretador por Ana Bola, Herman José, Lídia Franco e Vitor de Sousa."
Da pouca informação relevante que consegui colectar, muitos fãs recordam o programa com saudades. Em comentários em blogs, é apontado o horário das manhã de Sábado. Tentei confirmar, mas os jornais que encontrei com a programação de rádio, só mostravam os programas a partir da hora de almoço.
Actualização: Entretanto, continuei a investigar e consegui confirmar que era emitido aos Sábados, no horário das 10 ás 13 horas, portanto com uma duração de três horas. Apesar das lacunas nos jornais que consultei, terá sido substituido em 1988 (Março?) pelo regresso do "Pão Com Manteiga" com Carlos Cruz para esse horário.
Alguns dos comentários aos programas da secção Rádio, escrita por Rui Cartaxo no suplemento semanal "Cartaz", do jornal "Diário de Lisboa":
"Com anedotas picantes. roçando amíude a brejeirice e o mau gosto, salva-se o inigualável talento como humorista de Herman José"
"(...) há que reconhecer que ele está a <<perder>> a sua capacidade crítica."
"É um espanto que sempre que Herman José foge á tentação do abuso da brejeirice e decide <<escavacar>> convenções, tiques e gostos; e isso faz a diferença entre o riso óbvio e o riso mais subtil." 
"Um autêntico <<one man show>>."
Curiosamente,a  causa deste post foi o  leitor "egli", que gentilmente forneceu à Enciclopédia os links para dois episódios da radionovela "O Regresso de Fedora", parte integrante do programa que os fãs mais recordam. Na dita novela, ou folhetim, passa-se uma sátira aos clichés do género melodramático, com direito a crítica social e política (da época) e com os obrigatórios trocadilhos com duplo sentido. Pelo que percebi dos episódios que ouvi, a Fedora do título é actriz, filha de António de Vinhais Capucho, e casada com o idiota (e corno) fascinado por palavras Iliodor. Vivem todos ás custas da velha e rica Condessa da Carapinhata, alojada em casa da familia e que sucumbe à sedução do Sr. António, que a troco de dinheiro a acompanha em escaldantes sessões de.. "footing".


Podem ouvir os episódios aqui:

O Regresso de Fedora - Episódio 2:



O Regresso de Fedora - Episódio 3:


A lista com todos os vídeos: "O Regresso de Fedora".

Segundo o site Memorivm, Herman José desempenhava na novela "O Regresso de Fedora" os papéis de Narrador, António de Vinhais Capucho e a Cadela Lady. Lídia Franco interpretava Maria Fedora Fedoreva; Vítor de Sousa era Iliodor Kakerkas, e Margarida Carpinteiro a Condessa da Carapinhata, Sever do Vouga e de Duas Oliveiras.

Curiosamente, hoje em dia existe outro programa radiofónico homónimo, na rádio "mais oeste". A expressão "Rebéubéu, pardais ao ninho" é definida na Wikipédia e outros sites de língua portuguesa apenas  como "grande alvoroço", mas pela minha investigação,  também é usado como o famoso "blá, blá, blá".
Caro "egli", obrigado pela dica, omissão corrigida!

Nota: Para assinalar o Dia Mundial da Rádio em 2017, o programa da SIC "Perdidos e Achados", emitiu "Os Dias da Rádio" em que entre outros nomes da rádio nacional, conversam com Herman José sobre o "Rebéubéu Pardais ao Ninho" e outros trabalhos do artista no éter. A foto utilizada para ilustrar a peça foi a que temos perto do topo deste artigo, visto que é o única exemplar sobrevivente online. Podem ver o Perdidos e Achados aqui: "Os Dias da Rádio"
Também disponível no Youtube:


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