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terça-feira, 22 de julho de 2025

A Princesa Insensível (1983)

Eis uma série animada dos anos 80 que nunca esqueci. "A Princesa Insensível" é uma série animada francesa de treze episódios de quatro minutos cada, criada por Michel Ocelot, tendo estreado na televisão francesa em 1983. 




Em Portugal, foi exibida duas vezes: em Fevereiro de 1987 diariamente no "Brinca Brincando" e depois em 1990, no espaço "A Hora Do Lecas" às segundas-feiras.




A história é bastante simples: a titular princesa insensível parece ser totalmente indiferente a tudo, apresentando sempre a mesma cara impávida. Como tal, foi lançado o repto de que o príncipe que lhe conseguir impressionar de alguma forma casará com ela. Treze pretendentes aceitam o desafio, mostrando os seus talentos, esperando assim alcançar a admiração e a mão da princesa. 




Nos doze primeiros episódios, a narrativa era sempre a mesma: a princesa chegava ao teatro para assistir à apresentação do episódio, um arauto (voz de Eládio Clímaco) anuncia: "O príncipe X, que tentará agradar à nossa amada princesa!". Cada príncipe fazia o seu número, que invariavelmente falhava em obter qualquer reação da princesa. E um após um, cada príncipe saía de palco frustrado. Por fim, o arauto advertia: "Mas outro príncipe se seguirá, para agradar à nossa amada princesa!" (No final do penúltimo episódio, ouve-se o arauto a acrescentar: "Talvez...") Essas falas do arauto eram as únicas falas dos doze primeiros episódios, que não tinham mais nenhum diálogo.  




Por ordem de episódios, os príncipes que se apresentaram foram: o Príncipe Domador, o Príncipe Jardineiro, o Príncipe Metamorfoseador, o Príncipe Vedor, o Príncipe Mimo, o Príncipe Meteorologista, o Príncipe Submarino, o Príncipe Voador, o Príncipe Decorador, o Príncipe Mágico, o Príncipe Pinto e o Príncipe Pirotécnico. 

Lembro-me que no episódio do Príncipe Pintor, este desenhou um retrato gigante da Princesa. Mas perante a apatia deste, ele, furioso, desmanchou o retrato, começando por lhe pintar um bigode na cara. 

Por fim, no último episódio, o Príncipe Estudante resolve o mistério: aproximando-se da Princesa, verifica que afinal ela via mal (provavelmente sofria de astigmatismo) e por isso não podia admirar as maravilhas à sua volta. Ele oferece-lhe então um par de óculos e a Princesa pode por fim se maravilhar com as atuações dos outros príncipes. A Princesa outrora Insensível e o Príncipe Estudante ficam então noivos. 




Segundo o site "Brinca Brincando" (mais um agradecimento), o aspeto bem particular da animação devia-se ao facto do autor Michel Ocelet ter usado um misto de celuloide e papel recortado. Em 2008, a série foi incluída num DVD que reunia os melhores trabalhos de Ocelet. 

A série está disponível na íntegra no YouTube, mas creio que com uma nova dobragem de Eládio Clímaco.

1.º episódio


6.º episódio


 Último episódio



sexta-feira, 28 de março de 2025

Puzzle Parque (1994-98)

Hoje em dia fala-se muito nos termos "diversidade" e "inclusão" e a sua aplicação em diversas estruturas organizacionais. Porém, já nos anos 90, mesmo longe da dimensão que o debate alcançaria das décadas seguintes, se verificava a importância de tentar educar, sobretudo os mais pequenos, para uma navegação mais saudável da convivência nas sociedades multiculturais. 




Foi sobre esse espírito que surgiu uma série infantil que pretendia de uma forma divertida e didática, mas sem recuar perante alguns problemas mais sérios, explorar diversas questões sociais.
"Puzzle Parque" (no original "Puzzle Place") é uma série americana de marionetas, que teve 75 episódios distribuídos por três temporadas, exibidos nos Estados Unidos entre 1994 e 1998, em várias cadeias televisivas secundárias sobre a alçada da PBS, a única rede de televisão dos EUA financiada com fundos públicos e renomada pela sua programação infantil e educativa. (Foi lá que, por exemplo, passou a "Rua Sésamo" original.) Em Portugal, a série passou na RTP entre 1996 e 1998, e foi uma das raras séries da altura que passou tanto na RTP 1 como na RTP 2.



"Puzzle Parque" passa-se num espaço recreativo titular onde convivem seis crianças de etnias diferentes e oriundas de várias partes dos Estados Unidos. Em comum, têm o seu orgulho pelas respetivas culturas. 
- Julie Woo é de São Francisco e tem ascendência chinesa. Julie é sensível, simpática e adora cantar, embora não seja muito afinada.
- Kiki Flores é do Texas e tem ascendência mexicana. Kiki é sociável, temperamental e gosta de cozinhar.
- Ben Olafson é da Dakota do Sul, tem raízes norueguesas e alemãs e é órfão de pai. Ben é inteligente e ágil. O seu principal defeito é a impaciência.
- Leon MacNeal é afro-americano de Nova Iorque. Leon usa rastas, adora basquetebol e hip hop, e é um pouco irrefletido nos seus actos. 
- Skye Nakaiye é um apache do Arizona. Skye usa com orgulho vários adereços da sua cultura e é curioso e aventureiro. 
- Jody Silver é de Cincinatti e é judia. Filha de pais divorciados, Jody é alegre e ingénua, mas um pouco frágil. 



No "Puzzle Parque" há também a gata Pintas e o cão Frosques, que junto das crianças portam-se como os bichos que são, mas que conversam como humanos quando estão sozinhos, e os Pintamantas, os zeladores do parque, cada um da sua cor, que falam num idioma imperceptível mas que percebem o que as crianças lhes dizem. Em alguns episódios, surge uma sétima criança, Kyle O'Connor, um rapazinho de raízes irlandesas que se desloca em cadeira de rodas. 

Outra presença importante é a do Weebus, um supercomputador com o qual as crianças consultam para comunicar com pessoas no exterior do parque e colocam perguntas que querem ver respondidas, geralmente sobre clips com depoimentos de crianças reais sobre o tema em questão no respetivo episódio. 

A série abordou vários temas pertinentes para a convivência dos mais novos, como a resolução de conflitos, saber lidar com a inveja e a tristeza, aprender a usar a criatividade e a importância de partilhar e aceitar as diferenças.
Mas também foram abordados alguns temas mais sérios: a forma como as diferentes culturas lidam com a morte, o racismo e o bullying. (Num episódio, Jody sofre bullying por parte de um rapaz mais velho e, ao contrário do que já se ouviu noutras histórias e daquilo que muitas raparigas já ouviram muitas vezes sobre miúdos que as atormentaram, felizmente não se caiu na ladainha fácil do "ele implica contigo porque no fundo gosta de ti!".) E claro, em cada episódio, havia sempre uma canção! 

A série contou com participações de algumas celebridades como os actores Nia Peeples, Sinbad e Marlee Matlin, a cantora Patti Labelle e o basquetebolista Cedric Ceballos

A dobragem portuguesa contou com nomes bem cotados da área como Ana Madureira, Carmen Santos, Helena Montez, Joel Constantino, Jorge Sequerra, Paulo Oom, Rui de Sá e Teresa Madruga. Apesar de eu já ser grandinho demais para o público alvo, lembro-me de ver ocasionalmente a série com o meu irmão e de que o meu boneco preferido era o Skye. 

Ao fazer a pesquisa para este artigo descobri um facto curioso: parte do financiamento da série (que foi produzida em Los Angeles) veio da "Rebuild LA", uma organização tipo parceria público-privada, implementada pela autarquia de Los Angeles para a remodelação do património urbano destruído durante os tumultos de 1992 na cidade, causados pelas tensões raciais após o julgamento do caso Rodney King, e para a promoção de ferramentas educativas para essas questões. 

Genérico


O princípio deste vídeo contém no princípio um pequeno excerto de um episódio.




segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

Luno, O Cavalo Branco (1963-65)

Para os petizes dos anos 80, além dos espaços infanto-juvenis da RTP, também era possível ver desenhos animados quando a RTP precisava de encher chouriços na programação. O exemplo mais célebre de uma série animada usada para esse fim era "Wacky Races", mas outras séries foram utilizadas para esse efeito, como "Luno, O Cavalo Branco".



No original "Luno, The White Stallion", a série era dos estúdios Terrytoons, dos quais a criação mais famosa era o "Mighty Mouse" (ou o "Super Rato", como se chegou a ser denominado por cá), e que tiveram outras desenhos animados que serviram para tapar um outro buraco na programação da RTP, como "The Astronut", "Dinky Duck", "Deputy Dawg" ou "Heckle & Jeckle"



"Luno, O Cavalo Branco" contava as aventuras de um rapazinho chamado Tim que tinha o poder de transformar o seu cavalo de brinquedo, o titular Luno, num cavalo alado real e falante que o leva para lugares distantes onde ambos vivem várias aventuras, por vezes inspiradas em clássicos da literatura como "Moby Dick" e "O Ladrão de Bagdade". Para a transformação de Luno, Tim dizia a frase: "Oh winged horse of marble white, take me on a magic flight!" ("Ó cavalo alado de marfim branco, leva-me num voo mágico!") Eu achava piada à reação meia assustada do Tim durante a transformação, como se ele tivesse sempre medo de que algo corresse mal e em vez de um cavalo alado, aparecesse, sei lá, uma mula sem cabeça!


Ao todo foram feitos dezassete episódios de cerca de seis minutos de "Luno, O Cavalo Branco" entre 1963 e 1965: seis deles originalmente concebidos para passar nos cinemas e as outras onze para serem incluídas nas séries antológicas da Terrytoons na televisão americana da altura. Bob McFadden era a voz de Luno, enquanto a voz do Tim era inicialmente de Norma MacMillan (que também era a voz original do Gasparzinho) e depois de Dayton Allen.

A maioria dos episódios está disponível no YouTube. Eis aqui quatro deles: 

"Trouble In Baghdad"


"Adventure On High Sea"


"The Missing Genie"


"King Rounder"



sábado, 21 de dezembro de 2024

Noeli (1984)

Com o Natal mesmo à porta, recordamos hoje uma série animada bem adequada a esta época. No seu original "Mori no Tonto-Tachi", "Noeli" foi uma série animada japonesa de 1984 de 23 episódios. A série passou duas vezes na RTP1, a primeira entre Novembro de 1987 e Abril de 1988 aos Sábados de manhã no espaço "Juventude & Família" e a segunda diariamente durante as férias de Natal entre 15 de Dezembro de 1990 e 6 de Janeiro de 1991. 


A série passa-se na Lapónia, numa pequena comunidade liderada pelo titular Noeli, um simpático velhinho de barbas brancas que todos os anos por altura do Natal sai pelo mundo para distribuir presentes para todas as crianças. (Sim, trata-se do Pai Natal!). Nessa povoação, vivem também os Tontos, que trabalham nas mais diversas funções para preparar a saída anual de Noeli: existem os fabricantes de brinquedos, os guardadores de renas, os lenhadores, os moleiros… A série acompanhava a vida nesse povoado desde o início do Inverno até à chegada da Primavera. 



Mas embora Noeli seja a personagem-título, a protagonista da série é a jovem Elisa, uma menina bondosa e sonhadora. Elisa vive na mansão de Noeli e da esposa Maria, uma vez que o seu pai Emílio é o zelador-mor da mansão, bem como a sua mãe Helga e o seu avô Elias. 



Elisa também tem um grupo de amigos com quem vive grandes aventuras em pleno convívio com a natureza e os animais. O seu melhor amigo é Mário, um rapaz curioso e intrépido que por vezes sente-se um bocado ignorado no meio da sua extensa família, também composto pelos seus pais, a sua avó, a irmã mais velha Mafalda e dois irmãos gémeos mais novos. Do grupo também fazem parte Hugo e Ana, filhos do chefe da fábrica de vidro, e João e Carina, dois órfãos que foram criados pelo avô. De vez em quando também são acompanhados por Paulo, o filho do ferreiro e órfão de mãe. 

Em cima: Elisa, João, Carina, Ana
Em baixo: Hugo, Mário, Mafalda, Paulo



Elisa também é próxima de Álvaro, o Tonto tratador das renas que escolhe as oito que acompanharão Noeli na sua viagem. Outro Tonto com quem Elisa e os amigos simpatizam muito é Matias, que traz as cartas das crianças de todo o mundo para Noeli. Lembro-me que num dos episódios, Elisa e os seus amigos reparam que Álvaro, Matias e os outros Tontos nunca receberam nenhuma carta, e eles decidem escrever cartas para agradecer todo o seu esforço e dedicação.    

Noeli, Maria, Emílio, Helga, Elias


O site "Brinca Brincando" (um enésimo agradecimento!) refere que no Natal de 1989 (e creio que voltou a repetir algures nos anos 90, após a segunda exibição), passou um compacto de uma hora da série produzido nos Estados Unidos, chamado "Aventura de Natal, que não só tinha uma equipa de dobragem diferente da série, como alterou os nomes das personagens: por exemplo, o próprio Noeli que passou a ser abertamente referido como Pai Natal e o Mário passou a chamar-se Paulo. 

A versão que passou na RTP era a espanhola, com o mesmo genérico e os créditos em espanhol, mas obviamente com dobragem em português. Dobragem essa que contou com nomes como Argentina Rocha, Carmen Santos, Isabel Alarcão, João Perry, José Gomes, José Jorge Duarte, José Pedro Gomes, José Wallenstein, Manuela de Freitas e Teresa Madruga

Genérico:


Excerto:







segunda-feira, 10 de junho de 2024

Os Ursinhos Gummi (1985-1991)

 "As Aventuras dos Ursinhos Gummi" ("The Adventures of the Gummi Bears") é uma série animada produzida pela Walt Disney que 65 episódios (a maioria deles com duas histórias independentes), repartidos por seis temporadas, originalmente exibidos entre 1985 e 1991. Aliás foi uma das primeiras produções da Disney destinadas ao pequeno ecrã. 
Em Portugal, lembro-me de a série ter sido exibida na versão legendada dentro do espaço do "Clubes Amigos Disney" e tenho uma vaga ideia de que depois também passou em outros espaços infanto-juvenis da RTP, mas não tenho a certeza. 


A série passa-se no imaginário reino medieval de Dunwyn, governado pelo Rei Gregor, um monarca justo e benevolente, que prepara a sua filha, a Princesa Calla, para ser sua sucessora. O reino vive em paz e prosperidade mas uma ameaça começa a surgir na pessoa do Duque Igthorn, um cavaleiro exilado por traição a Rei. Igthorn planeia usurpar o torno e governar tiranicamente o reino, com a ajuda do seu exército de ogres. 


Cubbi, Sunni, Gruffi, Zummi, Tummi e Grammi


Na floresta do reino vivem em segredo um grupo de seis ursinhos Gummi, uma espécie de ursos inteligentes com conhecimentos de magia. Em tempos passados, os Gummi tinham uma sociedade poderosa e desenvolvida mas com a perseguição dos humanos, a maioria deles partiram para outras terras e com o tempo os humanos passaram a acreditar que eram apenas um mito antigo. 

Os seis Gummi que ainda vivem em Dunwyn são: Zummi, o Gummi mais velho e sábio; Grammi, a matriarca do grupo e hábil cozinheira; Gruffi, o mais habilidoso e astuto, porém de temperamento irritável; Tummi, simpático e comilão; Sunni, particularmente fascinada pelos humanos; e Cubbi, o mais novo do grupo que adora uma boa aventura. Um dos maiores segredos dos Gummi é um sumo mágico de bagas Gummi, preparado por Grammi conforme uma receita secreta que lhe foi transmitida pela sua família. Quem beber esse sumo mágico fica com a rapidez e a elasticidade de uma bola de borracha. 

Cavin e Calla

Existem dois jovens humanos que descobrem a existência dos Gummi e rapidamente se tornam amigos deles: Cavin, um rapaz que vive no palácio onde trabalha como escudeiro de um dos cavaleiros de maior confiança do Rei, e a própria Princesa Calla, cuja descoberta lhe dá asas para escapar à monotonia dos seus deveres reais e viver o seu desejo de aventuras. Cavin e Calla travam uma amizade especial com Cubbi e Sunni respectivamente.

Toadie e Igthorn

Por outro lado, o malvado Igthorn também descobre que ainda existem Gummi a viver na floresta e além de tomar o poder de Dunwyn, passa a ter como principal objetivo capturar os Gummi para que eles lhe revelem a fórmula da sua poção mágica, visto que ela também faz efeito nos humanos (embora de forma mais limitada). Felizmente, não só os Gummi e seus aliados se fazem sempre valer da sua inteligência e destreza, como os ogres ao serviço do Duque não primam nada pela esperteza. O ogre mais próximo de Igthorn e o vice-líder não oficial do exército é Toadwart. Toadie, como o Duque lhe chama, é o mais pequeno dos ogres mas é também o mais inteligente porque é o único que sabe ler e escrever. Toadie está sempre a bajular o Duque, mesmo se este compraz em maltratá-lo, e secretamente também anseia por ganhar mais poder. Lembro-me que num dos episódios, Toadie lidera os ogres numa revolta interna com Igthorn mas como depois ele ainda se torna mais autoritário que o Duque, os outros revoltam-se contra ele e trazem Igthorn de volta. Outra vilã que surge ocasionalmente em busca de obter a magia dos Gummi é Lady Bane, uma feiticeira malvada (com uma aparência semelhante à Rainha Má da Branca de Neve). 

A série teve edições em VHS e DVD e está actualmente disponível no catálogo do Disney+. 






terça-feira, 6 de junho de 2023

As Aventuras do Pequeno Koala (1984)

 "As Aventuras do Pequeno Koala" foi uma série japonesa de animação produzida em 1984 pelo estúdio Tohokushinsha Films e exibida em Portugal na RTP1 em 1991 às segundas-feiras no espaço "Brinca, Brincando" em 26 episódios, cada um com duas histórias. 


A série foi produzida no mesmo ano em que a Austrália doou alguns koalas ao Japão, o que levou a um interesse do público japonês por estes animais. Por coincidência, em 1991, o ano em que a série foi exibida na RTP, o Jardim Zoológico de Lisboa recebeu uma família de koalas vinda da Austrália. (Foi também nesse ano de 1991 que eu visitei o Jardim Zoológico pela primeira vez.)

Mas se no mundo real, os koalas são notórios por passarem grande parte do seu tempo a dormir, o protagonista da série, Roberto (Kokki no original japonês, Roobear na versão americana), é um koala bem activo que gosta de desporto e de inventar brincadeiras com os amigos. 
Roberto vive numa aldeia algures na Austrália com os seus pais e a sua irmã  mais nova Laura. Os seus amigos são dois coelhos, Mimi e Orelhas (este sempre com headphones na cabeça) e dois pinguins, Zeca a e Guida, (que faça o tempo que fizer, estão sempre de cachecol), bem como a sua namorada, uma linda koala chamada Betty. 

Mas por vezes, Roberto e os amigos têm desavenças com os irmãos canguru, Walter, Joca e Luger. Walter é o líder, exímio lançador de boomerang, e a sua animosidade para com Roberto tem um motivo secreto: é apaixonado por Betty e num dos episódios é revelado que ele lhe escreveu mais de setenta cartas de amor. Mas claro, tudo isso é algo que Walter tem vergonha em revelar (até porque seria um amor impossível por serem de espécies diferentes).Também Guida tem um paixoneta não-correspondida por Roberto e num dos episódios, tenta interferir num momento romântico entre Betty e Roberto.


Na aldeia vivem outros animais de espécies típicas da Austrálásia: o Kiwi, um kiwi de óculos sempre à procura duma profissão que o realize (num dos episódios, Kiwi descobre uma máquina fotográfica antiga que demora dez minutos a tirar uma foto mas as suas tentativas de a usar não correm muito bem porque ninguém aguenta estar assim tempo na mesma pose), Tempo, um misterioso dingo que consegue prever o estado do tempo, Martinho, um petauro-do-açúcar inseparável de Tempo, Migos, um lagarto coscuvilheiro e Bico Peninha, um ornitorrinco que gosta de criar coisas com desperdícios. Outros koalas da aldeia são a Menina Luísa, a editora do jornal da aldeia, para o qual o pai de Roberto trabalha como fotógrafo, e o Dr. Voo, o médico da aldeia que se desloca num bizarro avião, a Caranguejola.   

A dobragem portuguesa foi dirigida por Jorge Melo e o tema do genérico foi interpretado por Rosa Quiroga (que também era a voz da Menina Luísa):



Um e dois, dois e três,
Era um vez
Um koala esperto
De seu nome Roberto

Pelo o ar, sob o mar,
Em qualquer lugar
Não há nada melhor do que brincar

Venham ver para crer
Que grande emoção
Um koala num balão

Muitos amigos ter
Para dar e vender
Enche o coração

Um e dois, dois e três
Esta é de vez
A história vai começar

Eu até quero ver
Quem não vai querer ser
Koala e brincar

Apesar do alto dos onze anos que tinha na altura, eu já achar a série um bocado infantil demais para mim, os bonecos era tão engraçados, sobretudo os pinguins, que eu costumava ficar a ver.

       

quarta-feira, 3 de maio de 2023

Paulo, O Duende (1974-75)

Um dos primeiros cromos aqui da Enciclopédia foi o da série animada "David, O Gnomo", obviamente devido ao nome comum à personagem titular e ao criador do blogue, David José Martins. Mas só recentemente abriu-se uma porta na minha mente que me fez recordar que existiu uma série infantil que passou na RTP nos anos 80 em que o nome da personagem titular é o mesmo daquele que vos escreve estas linhas. E não, não é "O Carteiro Paulo", da qual só me lembro de passar na televisão já no século XXI (embora aparentemente também tenha dado em 1990). 


Falo sim de "Paulo, o Duende". (Já agora, qual é a diferença entre um duende e um gnomo?). Tratava-se de uma série de marionetes holandesa que passou na RTP em 1988. Na verdade, houve duas séries com essa personagem produzidas nos Países Baixos, a primeira nos anos 60 (1967-1968) com bonecos feitos pelo criador da personagem, Jean Dulieu, que também fez todas as vozes. Mas suponho que a série que passou em Portugal foi a que foi produzida nos anos 70 (1974-75), com bonecos feitos pelos irmãos Slabbers, e que lembro de já achar datada para 1988. 

Jean Dulieu

Como foi referido, a personagem titular, no original "Paulus, de boskabouter", foi criada por Jean Dulieu, pseudónimo de Jan van Oort (1921-2006). Começou em 1946 como tira de banda desenhada num jornal e depois em revistas de BD, e também teve uma série radiofónica entre 1955 e 1964, com Dulieu a fazer as vozes de todas as personagens, excepto a de uma princesa, que era a da sua filha Dorinde. Nos anos 70, as histórias do duende também foram publicadas em livros infantis, algo que foi recuperado a partir de 2003. A última tira de BD saiu em 1984. 

A personagem titular é um duende que zela pela tranquilidade num bosque onde é amigo de todos os animais que lá habitam e que é sempre chamado quando existe alguma siatuação para resolver, geralmente causada pela sua némesis, a bruxa Eucalipta. Entre os seus amigos animais contam-se o texugo Gregório e o corvo Santana, mas a personagem que eu lembro de mais gostar era a do mocho Ubu, que falava sempre num tom dramático. Quando um episódio terminava num cliffhanger, era costume Ubu aparecer a dizer solenemente "Continua no próximo episódio!"

A dobragem para a RTP esteve a cargo a quatro actores sediados no Porto, habitués nesta função: Jorge Paupério, Rosa Quiroga, Jorge Mota e Rui Oliveira.   



E eis a canção do genérico:

Já conheces Paulo, o duende
Que vive num lindo bosque
Onde as horas já são tantas 
Que até tem as barbas brancas
E livros todos diferentes

Cada dia vai contar
Histórias para sonhar 
E atenção que lá vem ele...

Na hora certa (Na hora certa)
Para te embalar (Para te embalar)
Uma nova aventura (Anda já!)
Paulo, poh lá lá 


segunda-feira, 21 de novembro de 2022

O Mundo Dos Fraggles (1983-87)

 Como se não bastasse os Marretas e a Rua Sésamo, Jim Henson criou mais um universo extraordinário de bonecada que alegrou miúdos e graúdos. Falo é claro de Fraggle Rock, que em Portugal passou na RTP com o título "O Mundo Dos Fraggles".
A série teve 97 episódios distribuídos por cinco temporadas exibidas nos Estados Unidos entre 1983 e 1987. Não sei exactamente quando a primeira temporada estreou em Portugal, (presumo que em 1984) mas sei que era exibida nas tardes do fim de semana. Porém, consegui descobrir através do arquivo do Diário de Lisboa que a segunda temporada estreou a 13 de Abril de 1985 e os quatro primeiros episódio passaram ao sábado mas após um interregno de duas semanas, os restantes episódios passaram aos domingos. (Este vídeo de locução de continuidade de 14 de Julho de 1985 indica a exibição da série para essa tarde.) Calculo que as restantes temporadas foram posteriormente exibidas nos espaços infanto-juvenis da RTP. 

A série narrava as aventuras de um mundo onde coabitam três diferentes espécies de criaturas: os Fraggles, os Doozers e os Gorgs.

Red, Wembley, Mokey, Gobo, Boober e um Doozer


Os Fraggles são criaturas coloridas e divertidas que habitam numa comunidade a que chamam Fraggle Rock e que privilegiam a diversão e a boa-disposição ao trabalho e à seriedade. No entanto, embora por vezes as coisas fiquem algo caóticas, existe um mínimo de ordem social entre os Fraggles que os impede de viver de forma totalmente irresponsável. A série segue sobretudo um grupo de cinco amigos Fraggles: Gobo, o líder não-oficial, é aventureiro, corajoso e sensato (tanto quanto um Fraggle pode ser) e admira o seu tio Travelling Matt que se aventurou para o mundo exterior ao rochedo e adora receber os postais dele; Mokey tem um certo espírito hippie, é artística e sensível embora por vezes seja alvo de troça por causa disso; Wembley é o mais jovem e o mais amável do grupo, mas também é super indeciso e nervoso; Boober é o mais melancólico e ao contrário dos outros Fraggles, prefere dedicar-se ao seu trabalho de lavar as roupas dos Fraggles, sobretudo meias (embora eles nunca as usem) do que alinhar em aventuras, mas também é bastante inteligente e é aquele a quem os outros recorrem quando precisam de algum tipo de curativo; e Red, energética, aventureira e muito amiga dos seus amigos, embora também goste por vezes de fazer troça deles. (A minha mãe dizia sempre que os totós da Red pareciam duas esfregonas.)

Os Doozers



Os Gorgs

Ao contrários do Fraggles, os Doozers dedicam-se quase inteiramente aos seus trabalhos, sobretudo construções um pouco por todo o Fraggle Rock. Os Doozers são criaturas pequeninas e usam todos um capacete de construção. O material com que os Doozers constroem os andaimes é uma das principais fontes de alimento dos Fraggles, o que forçosamente leva-os a constantes reconstruções.

Marjory

Uma das saídas de Fraggle Rock é o jardim dos Gorgs, uma família de três seres gigantescos: o Pa Gorg, a Ma Gorg e o filho de ambos Junior Gorg. Pa e Ma autointitulam-se os "Reis do Universo", mas este título certamente deve-se sobretudo ao facto dos três não conhecerem praticamente mais ninguém além dos Fraggles. É no jardim dos Gorgs que os Fraggles vão buscar o seu outro alimento preferido, rabanetes, e onde se aconselham Marjory, uma espécie de lixeira falante que é como um oráculo para os Fraggles. Enquanto o Pa e a Ma Gorg veem os Fraggles como uma praga (ela até costuma gritar assim que vê um), o Junior Gorg gosta de os tentar caçar (palavra-chave "tentar"). 

Doc e Sprocket

A outra saída de Fraggle Rock é um túnel que dá para a casa de um ser humano, o inventor Doc (interpretado pelo actor Gerry Parkes) que vive com o seu cão (muppet) Sprocket. É nesta casa que Gobo se aventura para recolher os postais enviados pelo seu tio Travelling Matt. O Sprocket tenta em vão avisar o dono da existência dos Fraggles chegando mesmo até ir parar algumas vezes ao rochedo dos Fraggles e a aprender a dizer Gobo. Só nos últimos episódios é que o Doc descobre que os Fraggles são reais e fica amigo deles. Em Portugal, a série foi exibida com o núcleo original do Doc e Sprocket, mas em países como Reino Unido, França e Alemanha, esse núcleo foi adaptado com um actor local a fazer de Doc (em alguns casos com outras profissões como faroleiro ou padeiro) e o seu próprio Sprocket (que na versão francesa chamava-se Croquette). 

Eu costumava ver a série e achava os bonecos divertidíssimos mas eu era demasiado novo para entender algumas das mensagens da série. Por exemplo, o facto de Fraggles, Doozers e Gorgs precisarem uns dos outros para sobreviver mas, devido a falta de comunicação e diferenças de costumes, os desentendimentos entre as três espécies são frequentes - uma metáfora à coabitação dos diferentes povos humanos e espécies animais neste nosso planeta. Num dos episódios, Mokey convence os outros Fraggles a não comerem as construções dos Doozers por achar que se trata de um enorme transtorno para estes, mas o resultado é que os Doozers acabam por ficar sem espaço para construir mais nada e todos chegam à conclusão que é precisamente pelos Fraggles comerem as suas construções e as consequentes reconstruções é que os Doozers têm um sentido à sua vida. Recordo-me também de um episódio em que Boober, farto das inquietudes dos outros Fraggles, sonha em viver sozinho no Fraggle Rock a lavar meias pacificamente mas rapidamente fica entediado e com saudades dos seus amigos  
Outros temas tratados na série são a busca de autoconhecimento (os Fraggles têm supostamente a mentalidade de jovens adolescentes) e a protecção do meio ambiente.   



Além da série com fantoches, em 1987 houve uma série animada de uma temporada (que foi exibida na RTP2 nos anos 90 sob o títulos "Os Fraggles"). Em 2007, a série original foi editada em DVD com dobragem em português. Existe também uma série spin-off com os Doozers e no início deste ano, foi lançada na Apple TV um reboot chamado "Fraggle Rock: Back To The Rock", em que desta vez existe uma mulher Doc, interpretada por Lilli Cooper e com muitas das vozes da série original. 

Posto isto, vamos lá cantar: "Dance your cares away, worry is for another day, let the music play, down in Fraggle Rock!"

Genérico de abertura:


Genérico em português (edição DVD):




terça-feira, 2 de agosto de 2022

Ovide e os Amigos (1987-88)


"Ovide E Os Amigos" é uma série animada de coprodução belga e canadiana (título original francês "La Bande À Ovide"), com 67 episódios de cerca de 13 minutos, originalmente exibidos no Canadá entre 1987 e 1988. Se não estou em erro, a série estreou em Portugal em 1990 no "Brinca, Brincando" na versão francesa com legendas em português, sendo mais tarde reexibida na RTP2 com uma dobragem em português, sob o título "Ovide E Companhia". (Para este texto vou utilizar os nomes da personagens na versão em francês.)



A série conta as aventuras de um grupo de animas de uma pequena ilha-atol algures no Oceano Pacífico, não muito longe da Austrália. O titular Ovide é um ornitorrinco azul e o líder não-oficial da ilha. Geralmente é ele que tem a solução para os problemas que surgem em cada episódio e costuma trazer consigo uma mala com uma televisão incorporada onde ele e o grupo de amigos assistem à programação. Os amigos mais próximos de Ovide são Ventribous, um ornitorrinco amarelo e hábil cozinheiro, Polo, um lagarto vermelho responsável pela limpeza da ilha e sempre em conflito com um bicho-da-madeira que faz buracos em tudo o que é sítio, e Wouaoua, um tucano branco sempre pronto pregar alguma partida. A única habitante feminina na ilha é Mira, uma canguru fêmea, que chegou à ilha e demorou a simpatizar com os outros animais, mas que depressa foi integrada. Mira é especialista em medicina herbal e em lançar o boomerang e, pelo que se vê no episódio sobre o Dia dos Namorados, todo os outros habitantes da ilha tem um crush secreto por ela.

O antagonista é Py, uma cobra piton, que como não podia deixar de ser, é mau como as cobras e que tem bastante inveja de Ovide, pelo que passa a vida a elaborar planos para tomar o poder da ilha, que inevitavelmente saem sempre furados. Até porque o seu cúmplice Zozo, um tucano cinzento, não prima pela inteligência. Mas apesar disso, Zozo até nem é mau tipo, alinhando com Py mais por amizade a este do que por maldade, e por isso não costuma sofrer grandes consequências. Lembro-me de um episódio em que Py aparentemente consegue que Ovide e os outros saiam da ilha e uma ornitorrinco-fêmea jornalista vem fazer-lhe entrevista à qual ele conta versões muito adulteradas e auto-enaltecidas de acontecimentos em episódios anteriores, mas no final tudo não passou de um sonho dele.

Outros habitantes da ilha são três coalas, Ko (com headphones), Ah (com óculos de sol) e La (muito atreito a soluços) quase sempre vistos sentados lado a lado num ramo de um árvore e Aie, uma preguiça que não faz mais do que ficar pendurada numa árvore e exclamar "Ai, ai, ai!". 



Não exactamente uma residente da ilha mas uma presença constante é a ornitorrinco fêmea de cabelo cor-de-rosa, uma espécie de locutora de continuidade de uma televisão que anda pela ilha e que surge em determinados pontos em frente a uma personagem (sobretudo Ovide, mas também às vezes Py), geralmente dando-lhe informações úteis para a situação em que se encontram. Num dos episódios, ela avisa o ilhéus que aquele dia é sexta-feira dia 13, o que causa alguns percalços, mas no fim surge a advertir que se enganou ao ver o calendário do ano anterior e afinal era sexta-feira 14. 

"Ovide E Os Amigos" era uma série despretensiosa e agradável de ver. Uma das minhas coisas favoritas era o tema do genérico com sonoridades tropicais e ao qual a adaptação da dobragem portuguesa conseguiu ser fiel.

  Genérico em francês


Genérico em português




terça-feira, 11 de maio de 2021

Os Marretinhas (1984-1991)

 por Paulo Neto


Eu ainda não era nascido quando Os Marretas chegaram à televisão nacional no final dos anos 70, embora tenha vista uma reposição aos fins da tarde do Verão de 1989 na RTP1 (quando também foi exibida a mininovela brasileira "O Vento Do Mar Aberto", a única produção da TV Cultura exibida em Portugal), pelo que a minha introdução às deliciosas personagens criadas por Jim Henson foi com esta série animada spin-off. 
"Os Marretinhas" (no original "Muppet Babies") retratava aventuras de versões infantis dos nossos Marretas preferidos. Ao todo teve oito temporadas exibidas nos Estados Unidos entre 1984 e 1991. Em Portugal, a RTP exibiu as duas primeiras temporadas aos sábados à tarde na RTP1 a partir de 12 de Abril de 1986, e nos anos seguintes foi exibindo temporadas subsequentes nos seus vários espaços infantis. 

Em "Os Marretinhas", nós víamos o Cocas, a Miss Piggy, o Gonzo, o Fozzie, o Rowlf, o Animal e o Scooter em versão infantil, bem como Skeeter, uma personagem inédita que era a irmã gémea do Scooter. Aqui eles são crianças numa creche, ao cuidado de uma humana a quem eles se referem apenas como Nanny e da qual nunca vemos a cara (na maior parte dos episódios só se viam os sapatos e as meias às riscas). 



Mas mesmo criancinhas, estes Marretinhas tinham as mesmas características dos seus equivalentes adultos: o Cocas é o líder introspectivo, a Piggy é a diva temperamental enamorada do Cocas, o Gonzo mete-se em esquemas mirabolantes, o Fozzie continua a ser um comediante incompreendido, o Rowlf é inseparável do seu piano, o Scooter gosta de engenhocas e o Animal comporta-se de forma… animalesca. Já a Skeeter, ao contrário do irmão, gosta mais de actividade física. Em alguns episódios, também apareciam versões infantis do Dr. Bunsen Honeydew e do Beaker. Outros Marretas também surgiram nas últimas temporadas como Janice e os Statler & Waldorf.  


Em cada episódio, os Marretinhas deixavam-se levar pela imaginação e viviam várias aventuras sem nunca sair da série, geralmente só voltando à realidade quando a Nanny aparecia para ver como estavam as coisas. Também era comum eles recriarem filmes e histórias conhecidos como "A Guerra Das Estrelas" e o "O Feiticeiro De Oz" e a série frequentemente incluía excertos de filmes e séries e um momento musical em cada episódio.

Alguns episódios de que me recordo:
- Ao tentarem fazer uma canção para dedicar à Nanny, os Marretinhas organizam uma espécie de Festival da Canção, mas no final devido a um acidente com a fita da gravação, o resultado final é uma mistura de todas as canções.
- Os Marretinhas decidem recriar a história da Branca de Neve e a Piggy fica furiosa quando os outros decidem que, em vez de Branca de Neve, ela deve fazer de Rainha Má e porque isso implica que o Cocas, no papel de Prinícipe, terá de beijar Skeeter. Mas no fim, a Piggy admite que foi mais divertido fazer de Rainha Má. 
- Uma estranha criatura chega na creche e os Marretinhas acham que é um extraterrestre vindo de Neptuno (porque foi para esse planeta que ele apontou quando lhe mostraram um desenho do sistema solar), mas na verdade era um koala bebé. 
- Os Marretinhas ficam em pânico quando ouvem a Nanny dizer que se quer livrar de um deles, sobretudo quando acham que vai ser o Fozzie. Mas afinal, a Nanny referia-se a um dos sofás da creche que queria doar para uma instituição. 

A série teve um total de 107 episódios e em 2018 teve uma reboot com animação em CGI.  


Genérico de abertura:


Excerto:






sexta-feira, 16 de abril de 2021

Os Smoggies (1991)

por Paulo Neto

Há dias lembrei-me desta série que não parece ser muito recordada hoje em dia, mas que eu me lembro de achar piada. "Os Smoggies" era uma série animada de 52 episódios de produção franco-canadiana e o seu tema principal era a protecção do ambiente. Em Portugal, passou na RTP entre 1991 e 1992 no espaço "A Hora Do Lecas".



Apesar de darem título à série, os Smoggies eram os vilões, um grupo de gananciosos caçadores de tesouros em confronto com os Suntots, os pequenos e simpáticos habitantes da Ilha do Coral, que utilizam energias não poluentes no seu dia-a-dia e que defendem a ilha dos constantes ataques poluidores dos Smoggies. (Talvez para se evidenciar o facto que, apesar do título, os Smoggies serem os vilões e que não se devia torcer por eles, nos Estados Unidos, a série foi exibida com o título "Stop The Smoggies!")

Emma, Clarence e Polluto


Os Smoggies, que vivem no altamente poluidor barco movido a carvão, o SS Stinky Poo são três: Emma, a vaidosa e malvada líder obcecada com o seu aspecto e com medo de envelhecer; Clarence, o capitão do barco e marido pau-mandado de Emma por quem é totalmente embeiçado; e Polluto, que apesar de pouco inteligente (e de sabe-se lá como, comer carvão e petróleo) bem lá no fundo até nem é mau tipo. Polluto tem um pássaro de estimação, Ralph Robin, que anda sempre em cima da cabeça dele e cujos piares só ele entende. 



De entre os Suntots, dois têm principal destaque: a Princesa Lila que costuma liderar os seus súbditos nas acções para neutralizar os ataques poluidores dos Smoggies, e Speed (na legendagem portuguesa  teve o nome de Rápido), um corajoso Suntot de cabelo azul, com a capacidade de nadar com rapidez, que é o principal aliado da Princesa. Outros Suntots incluem Chip, o engenhocas da ilha, Little, o mais pequeno dos Suntots, Miss Doctor, a médica/veterinária da ilha e Uncle Boom, o mais velho dos Suntots e autoproclamado presidente da Câmara de Suntot Town, que adora fazer discursos formais.

Speed e a Princesa Lila


Um dos principais motivos do confronto entre os Suntots e os Smoggies é devido ao Coral Mágico, que Emma acredita ter o poder de a tornar eternamente jovem e que quer encontrar a todo o custo, embora a Princesa Lila tente em vão convencer-lhe que tal não existe e não passa de uma lenda.

Como já referi, em Portugal a série passou na versão em inglês com legendas em português. O tema da série na versão anglófona era da autoria de Joe Raposo (1937-1989), compositor americano lusodescendente, sobretudo conhecido por ter composto o tema da "Rua Sésamo". 


Alguns episódios:





segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Daria (1997-2002)

por Paulo Neto

Tenho de confessar que nunca fui fã da série "Beavis & Butt-Head". Houve sempre algo nela que nunca me cativou e achava o humor demasiado rasteiro e os traços da animação muito toscos para o meu gosto. Mas nessa série havia uma personagem que viria a ter a sua spin-off, que na minha opinião era muito mais interessante: Daria Morgendorffer


Daria em (e com) "Beavis & Butt-Head"

Em "Beavis & Butt-Head", Daria era uma espécie de contraponto inteligente à acefalia dos protagonistas, sempre com um comentário mordaz na ponta da língua. Mas embora não os tivesse em grande consideração e retirasse prazer de os ver cair nos mais diversos sarilhos, Daria (a quem eles lhes chamavam "diarrhea") era das poucas personagens que se importava minimamente com eles e se dava ao trabalho de lhes explicar coisas aparentemente elementares como pôr sementes no chão para plantar. Inicialmente a personagem era mais expressiva, mas com o tempo foi-se tornando mais inexpressiva, mais sarcástica e com um tom de voz de monocórdico que seria a sua imagem de marca na spin-off.


 

Sob aprovação de Mike Judge, o criador de "Beavis & Butt-Head" e da personagem, Glenn Eichler e Susie Lewis Lynn trabalharam numa série spin-off tendo a personagem de farta cabeleira castanha, óculos, casaco verde, botas da tropa e língua afiada como protagonista, mantendo-se Tracy Wagstaff como a voz de Daria.
"Daria", a série teve cinco temporadas de treze episódios de 22 minutos cada exibidas originalmente entre 1997 e 2002, bem como duas longas metragens: "Is It Fall Yet?" (que ligava os acontecimentos do fim da quarta temporada com os do início da quinta) e "Is It College Yet?", que serviu como episódio final, após os autores da série terem optado por fazer um filme em vez da sugestão da MTV para uma minitemporada final de seis episódios. Além disso, houve também dois episódios especiais, um mostrando os bastidores da série apresentado pela actriz Janeane Garofalo (que muitos acreditavam ser a voz de Daria) e outro de retrospectiva antes do episódio/filme final e um episódio piloto a preto e branco nunca exibido em televisão, mas disponibilizado na internet. A canção do genérico é "You're Standing On My Neck" do grupo rock feminino Splendora
Eu lembro-me de ver a série nos finais dos anos 90, ainda quando Portugal não tinha MTV própria e estava sobre a alçada da MTV Europe, e recentemente a MTV Portugal tem reposto a série, à razão de dois episódios por dia nas noite de segunda a quinta-feira.    

Tirando as características da protagonista e as origens texanas da família, a série não reteve nenhuma referência a "Beavis & Butt-Head". Como tal, vemos Daria a viver em Lawndale, uma comunidade de classe média-alta algures no Nordeste americano, com a sua família. Os seus pais Helen e Jake foram outrora hippies mas agora são obcecados pela sua carreira (ela é advogada, ele é consultor de empresas) e pelo estatuto social e a sua irmã mais nova Quinn (quando vi pela primeira vez a série, o nome dela soava-me a Gwen) mais obcecada com roupas, popularidade e namoros do que com responsabilidades e acha que a sua cara laroca é suficiente para conseguir o que quer. Embora Helen e Jake fiquem frequentemente exasperados com o sarcasmo e pessimismo da primogénita ("eu não tenho baixa auto-estima, tenho baixa estima por toda a gente"), a falta de aplicação aos estudos e às responsabilidades da mais nova deixa-os ainda mais em palpos de aranha. 

Jake, Quinn, Daria, Helen

Jane e Trent

No liceu de Lawndale, enquanto Gwen rapidamente torna-se popular, Daria destoa completamente daquele meio escolar banhado em superficialidades e contradições que ela nunca se faz rogada em apontar. E embora tenha boas notas, não cai nas boas graças dos professores, quer por não gostarem de ela ser respondona, quer por não saberem lidar com alguém assim. Porém, Daria trava logo amizade com uma colega, Jane Lane, que partilha o humor sardónico e o espírito crítico, se bem que Jane seja um pouco mais positiva e sociável. As duas também gostam de comer pizza e ver o programa de televisão "Sick, Sad World"

 Filha de pais ligados ao mundo das artes, dos quais ela herdou o talento, Jane vive numa grande casa onde o único outro residente habitual é o seu irmão Trent, que passa os seus dias entre dormir, tocar na sua banda Mystik Spiral ou praticar na guitarra (dormir agarrado à guitarra contra como praticar!) e que fala com que num sussurro arrastado. Contra os seus próprios esforços, Daria mantém um crush por Trent ao longo das três primeiras temporadas.  

Outros alunos de Lawndale da turma de Daria e Jane são: Brittany Taylor, a típica cheerleader loura burra, que namora com Kevin Thompson, o quarterback da equipa de futebol americano que é ainda mais burro que ela; Charles "Upchuck" Ruttheimer, o chato insuportável que se mete com todas as raparigas; o casal Jodie Landon e Michael Jordan "Mack" MacKenzie, dois dos poucos alunos negros no liceu, ela aluna do quadro de honra, ele capitão da equipa de futebol americano; e Andrea, a rapariga gótica. Jodie era uma das minhas personagens preferidas porque embora estivesse integrada no sistema escolar e da comunidade, ela não se fazia rogada em apontar as injustiças à sua volta, ou sobretudo o facto de ela ser tratada como uma quota de minoria numa comunidade maioritariamente caucasiana. Por vezes, Jodie chegava mesmo a lembrar Daria que esta podia-se dar ao luxo de confrontar o establishment à sua volta sem sofrer grandes represálias porque ela era branca e economicamente privilegiada. (Foi anunciado recentemente que Jodie terá a sua própria série, com Tracee Ellis-Ross a dar-lhe voz.)

Enquanto isso Quinn integra o Clube da Moda com três das raparigas mais populares da escola, priorizando as tendências da moda a tudo o resto: Sandy Griffin, a presidente do clube que nutre uma inveja velada por Quinn, Stacy Rowe, a mais simpática e próxima de Quinn, e Tiffany Blum-Deckler, a asiática meio apática que fala num tom de voz baixa. Entre os  vários pretendentes de Quinn, existem três rapazes sempre atrás dela e a quem ela só liga quando lhe convém: Joey, Jeffy e Jamie, este último alvo de um gag recorrente das outras personagens confundirem sempre o nome dele. Na escola, Quinn faz tudo para que ninguém saiba que Daria é sua irmã e como tal as outras raparigas do Clube Da Moda costumam referir-se a Daria como "a prima da Quinn".

Da esquerda para a direita: Ms. Li, Brittany, Kevin, Jodie, Daria,
Jane, Mack, Upchuck, Andrea e Mr. DeMartino


Entre os professores há a directora Angela Li, obcecada em angariar dinheiro para a escola (e às vezes para ela), nem que seja por esquemas pouco lícitos; Janet Barch, a professora de Economia, que nutre um ódio geral pelo sexo masculino desde que o seu ex-marido fugiu com a amante; Timothy O'Neill, o professor de Inglês, hipersensível, inseguro e com dificuldade em fixar os nomes dos alunos; Claire DeFoe, a professora de Artes, que encoraja o talento de Jane; e Anthony DeMartino, o professor de História, atreito a vários ataques de fúria (nomeadamente devido à burrice dos alunos) que faz o seu olho sair da órbita. 

Daria e Tom


A partir da quarta temporada, surge uma nova personagem importante, Tom Sloane que se torna o namorado de Daria. O início da relação é algo atribulado porque Tom tinha antes namorado brevemente com Jane, o que causou tensão entre as duas amigas. Embora pertença a uma das famílias mais ricas e poderosas de Lawndale e por vezes seja algo presunçoso por causa desses privilégios, Tom partilha a mesma mentalidade sagaz e sarcástica de Daria, embora seja mais sociável. O namoro com Tom vai fazer com que Daria repense as suas atitudes e se confronte com as suas inseguranças e traumas passados (que moldaram a sua personalidade). No final de "Is It College Yet?", Tom e Daria decidem terminar amigavelmente a relação para se focarem no novo capítulo das suas vidas na universidade.

No geral, gosto bastante de tudo em "Daria": os traços da animação (sobretudo no desenho das personagens), do humor mordaz, de como a maioria das personagens foi passando de meros estereótipos a caracteres bem delineados e desenvolvidos e do trabalho dos voice actors. Outro pormenor muito engraçado era durante os créditos finais aparecerem desenhos das personagens da série assumindo outro tipo de personalidade. (Por exemplo, Daria como a rainha Isabel I, Jane como Cleópatra, Quinn como uma freira, Jake como Keith Flint dos Prodigy, Trent como um gangster...)   

Algumas curiosidades:

- Para o nome de Daria, Mike Judge, criador de "Beavis & Butt-Head", inspirou-se numa antiga colega de liceu que tinha o mesmo nome (e a mesma alcunha escatológica). 
- Wendy Hoopes fez as vozes de Quinn, Helen e Jane. Fiquei muito surpreendido quando soube isto porque a voz da Quinn era tão aguda e a da Jane tão grave que quase parece inacreditável que as duas vozes saíssem da mesma pessoa. 
- A inspiração para o design da personagem de Brittany foi a actriz e apresentadora Jenny McCarthy (actualmente mais conhecida por ser militante anti-vacinas). 
- Quatro actores fizeram a voz de Mack: Delon Ferdinand, Paul Williams, Kevin Daniels e Amir Williams. Talvez por isso, a personagem não foi tão desenvolvida como as outras.
- Os outros voice actors da série foram Sarah Drew (Stacy), Geoffrey Arend (Upchuck), Marc Thompson (Kevin, Mr. O'Neill, Mr. DeMartino, Jamie), Janie Mertz (Brittany, Sandy), Ashley Albert (Ms. Barch, Tiffany), Alvaro Gonzalez (Trent), Jessica Cydnee Jackson (Jodie) e Russel Hankin (Tom).

Além da série, que teve edições em VHS e DVD, "Daria" também gerou dois livros e dois programas de software para computador. Alguns serviços de GPS disponibilizam a voz de Daria como guia. 

Para terminar deixo-vos os conselhos de Daria no seu discurso da formatura:
"Lutem por aquilo que acreditem até que, ou a não ser que a lógica e a experiência vos prove o contrário; lembrem-se quando o rei parece ir nu, o rei vai nu; a verdade e uma mentira não são "mais ou menos a mesma coisa"; e não há nenhum aspecto, faceta ou momento da vida que não possa ser melhorado com pizza."

Quinze das melhores frases de Daria Morgendorffer



Genérico

 



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