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sábado, 3 de março de 2018

"Ana dos Cabelos Ruivos" (1979) e "As Aventuras de Ana" (1985)

por Paulo Neto

Publicado pela primeira vez em 1908, "Anne Of Green Gables", a obra da escritora canadiana Lucy Maud Montgomery é um dos maiores clássicos da literatura juvenil do Canadá. Foi o primeiro de uma série de oito livros dedicado à vida da sua protagonista Anne Shirley dos 11 anos até à meia-idade. No entanto, foi sempre uma obra pouco divulgada em Portugal. Segundo o site "Brinca Brincando" (ao qual uma vez mais é dirigido um agradecimento pelas informações e algumas imagens fornecidas para este texto), só existia uma tradução portuguesa de 1972 sob o título "Anne e A Sua Aldeia" e as outras traduções são bastante recentes de 2014 pela Civilização com o título "Anne dos Cabelos Ruivos" e em 2017 pela Relógio D'Água intitulada "Anne das Empenas Verdes".

Lucy Maud Montgomery


No entanto, entre finais dos anos 80 e princípios dos anos 90, a RTP deu a conhecer a obra aos portugueses através de duas adaptações. Em 1988, numa mini-série de quatro episódios com o título de "As Aventuras de Ana" e em 1990, na série animada japonesa "Ana dos Cabelos Ruivos". Ambas as séries compreendem a história do primeiro livro, que acompanha a protagonista dos 11 aos 16 anos. Eis a história com os nomes das personagens da adaptação portuguesa da série animada em parêntesis.




Marilla e Matthew Cuthbert (Marília e Matias Vicente) são dois irmãos solteiros e já de uma certa idade, donos de uma quinta na Ilha do Príncipe Eduardo chamada Green Gables (Frontão Verde), que decidem tomar a guarda de um rapaz de um orfanato que os possa ajudar no trabalho da quinta. Mas ao contrário do rapaz que esperavam por parte da Mrs. Spencer (Sra. Francisca), quem chega é Anne Shirley (Ana Silvestre), uma menina sonhadora e imaginativa que conquista logo o habitualmente tímido Matthew, que é particularmente avesso a lidar com mulheres à parte a irmã. E apesar do mal-entendido, a austera Marilla acaba também por se deixar afeiçoar pela rapariga, sobretudo quando esta lhe conta da sua vida dura devido à sua orfandade. Os irmãos acabam por ver em Anne a filha que nunca tiveram e Ana tem pela primeira vez na vida um lugar a quem pode chamar de lar.




Apesar de adorar viver em Frontão Verde, a adaptação de Anne à sua nova casa nem sempre é fácil e por vezes a jovem passa por situações complicadas. Por exemplo, quando se indigna com os comentários da senhora Rachel Lynde (Raquel Lima), a mexeriqueira da vila, as troças de outras crianças na escola, em especial o intratável Gilbert Blythe (Gilberto Brás), as descomposturas do mal-encarado professor Sr. Filipe (Mr. Phillips) e alguns desastres nas lidas da cozinha.



Mas também faz grandes amigos, sobretudo Diana Barry (Diana Barros). Porém, a amizade de ambas fica em risco quando sem querer, Anne serve vinho a Diana, julgando ser sumo de cereja, deixando Diana embriagada, o que leva a Mrs. Barry (Ana Barros) a impedir que as duas amigas se vejam, achando que Ana é uma má influência para a filha. Mas quando Anne ajuda a curar Minnie May (Minnie Maia), a irmã mais nova de Diana, tudo se resolve. 



Um dos meus episódios preferidos em ambas as séries é aquele em que Anne, farta de ser troçada pelos seus cabelos ruivos, decide pintá-los de preto mas o produto que usa acaba por tingi-los de verde e como tal, ela passa a usar cabelo curto.
Aos poucos, Anne vai crescendo apoiada pelo carinho dos Cuthbert e dando largas à sua imaginação, sonhando em ser escritora. Os seus sonhos são apoiados pela sua nova professora Muriel Stacy (Natália Ribeiro) e ela vai prosperando nos estudos, ingressando no Colégio Real, onde acaba por ganhar uma bolsa de estudos pelos excelentes resultados do seu exame. Mas quando acontecimentos trágicos se abatem sobre Green Gables, Anne vê mais uma vez o rumo da sua vida a mudar. Inesperadamente, será através de Gilbert que ela poderá construir novos planos...

Como se pode ver, para a adaptação portuguesa da série animada, optou-se por aportuguesar os nomes das personagens, uma opção que acabou por perder um traço recorrente na obra, o de Anne insistir que o seu nome seja pronunciado e escrito com um E no fim. 



A série animada japonesa é de 1979, de título original "Akage no An" produzido pelos estúdios Nippon Animation. A RTP adquiriu a versão alemã, e os genéricos da adaptação portuguesa são dessa versão (inclusivamente aparece o título alemão "Anne mit den rotten Haaren". Os 50 episódios foram exibidos na RTP 2 no espaço "Recreio do 2" entre 2 de Abril de 1990 e 11 de Março de 1991. Mais tarde, a série foi reexibida durante o "Agora Escolha". Em 2007, a planeta Agostini editou a série em DVD.
A dobragem portuguesa contou com as vozes de Emília Silvestre (Ana), Rosa Quiroga (Marília), Jorge Mota (Matias e Gilberto), Isabel Alves (Raquel), Paula Seabra (Diana) e, entre outros, Jorge Paupério como o narrador. O tema do genérico foi interpretado por Maria Luís França. Lembram-se da letra?

Ana (Ana), Ana (Ana)
Cresce devagarinho, constrói o teu caminho
Com sonhos sem idade
Enche o teu coração de amor e fantasia
Vais ter no dia-a-dia
Horas felizes e medos
Ana, Ana
Vamos ser amigas
Ana, Ana
Amigas mas de verdade
Cresce devagarinho, constrói o teu caminho
Com sonhos sem idade
Ana, Ana
Vamos ser amigas



A propriedade de Green Gables na vida real


Antes da série animada, a RTP tinha exibido em 1988, às quintas-feiras à noite na RTP1, a mini-série de imagem real, "Anne Of Green Gables", com o título "As Aventuras de Ana" (apesar da legendagem manter o nome original Anne). Exibida em Portugal num formato de mini-série de quatro episódios, esta produção canadiana de 1985 escrita e realizada por Kevin Sullivan era originalmente um telefilme de duas partes. Megan Follows desempenhou o papel principal num elenco com Colleen Dewhurst (Marilla), Richard Farnsworth (Matthew), Patricia Hamilton (Rachel), Schuyler Grant (Diana) e Jonathan Cromble (Gilbert). Esse telefilme bateu recordes de audiência no Canadá e levou a um boom turístico na Ilha do Príncipe Eduardo, para visitar os locais onde decorreram as filmagens e a verdadeira propriedade de Green Gables (que foi sempre propriedade de familiares da autora Lucy Maud Montgomery). Recordo-me que em (acho eu) 1993, a RTP exibiu a mini-série de continuação, "Anne Of Avonlea" de 1987, novamente protagonizada por Megan Follows.



Em 2009, por comemoração do 30.º aniversário da série animada e do centenário da obra original, a Nippon Annimation adaptou a prequela autorizada "Before Green Gables", escrita por Budge Wilson e editada em 2008.

Em 2016, a Netflix produziu uma nova adaptação do livro numa mini-série simplesmente intitulada "Anne". 

"Ana dos Cabelos Ruivos" 1.º episódio


Cenas de "As Aventuras de Ana"








sábado, 24 de fevereiro de 2018

Pedro e Ana (1991)

por Paulo Neto

Continuando com o tema dos Jogos Olímpicos de Inverno, desta vez não para falar sobre um cromo olímpico mas sim sobre uma série de animação sobre um evento que podia ser os Jogos Olímpicos de Inverno (mas por questões de copyright dos símbolos olímpicos e tudo o mais, na série o evento nunca era abertamente mencionado como sendo os Jogos Olímpicos).

Em 1992, a França recebia pela terceira vez os Jogos Olímpicos, desta vez na pequena cidade Albertville, na região da Savóia, junto às famosas pistas de esqui de Val D'Isére.
A ocasião levou o canal Antenne 2 à criação e produção de uma série de desenhos animados sobre os diferentes desportos de Inverno que fazem parte de programa olímpico dirigida ao público infantil.
O título francês era "La Compéte" mas ficou mais conhecida como "Pierre & Isa", os nomes dos protagonistas. A série de 26 episódios estreou em terras gaulesas em Dezembro de 1991.
Em Portugal, a série passou em 1997 no espaço infantil "Um Dó Li Tá" da RTP2 sobre o título "Pedro e Ana" (pelos vistos o nome Isa não era suficientemente tuga para os responsáveis da adaptação portuguesa).



A premissa da série é simples: um evento muito semelhante aos Jogos Olímpicos de Inverno reúne os melhores desportistas de um mundo muito semelhante ao nosso para competirem nas mais diferentes modalidades disputadas na neve e no gelo. Dois países têm uma rivalidade particularmente forte: a república de Ankor, cujos atletas querem vencer de forma justa e limpa, e o principado de Nézir, que não olha a meios ilícitos para conseguirem a vitória.




As estrelas da equipa de Ankor são Pedro e Ana, dois amigos de infância com um talento natural para o desporto. Da comitiva também fazem parte Maria, outra atleta, o treinador Alberto, Ernesto um génio da tecnologia e mascote Floppy. A equipa de Nézir é composta pela pérfida princesa Ingrid, o desonesto Humberto, o treinador trapaceiro Carlos e os financiadores mafiosos empresários  Baden e Baden. 




No primeiro episódio, a chama pseudo-olímpica chega à cidade anfitriã destes Jogos pseudo-Olímpicos vinda do espaço e quatro atletas, escolhidos pelas crianças de todo o mundo, participarão numa corrida onde o vencedor acenderá a pira pseudo-olímpica. Sedentos de protagonismo, Ingrid e Humberto sabotam a eleição para serem escolhidos mas tramam-se porque os outros escolhidos são Pedro e Ana. E apesar de mais tentativas de sabotagem e batota, são os atletas de Ankor que têm a honra de acender a pira.



Em cada um dos episódios seguintes, existe uma prova semelhante à uma daquelas do programa olímpico dos Jogos de Inverno, os de Nézir inventam alguma tramóia para ganharem a todo o custo mas os de Ankor acabam por sempre levar a melhor, jogando limpo. Aparentemente nesse universo paralelo, era possível que atletas como Pedro e Ana podiam ganhar em todos os desportos de Inverno, do esqui à patinagem artística, e continuarem sempre frescos que nem alfaces mal grado o esforço.



A série foi uma das primeiras séries animadas francesas com algumas sequências em animação 3D. Isabelle Mir, vice-campeã olímpica de esqui alpino (descida) nos Jogos Olímpicos de Inverno de 1968 em Grenoble, serviu como consultora desportiva - e terá sido a inspiração para o nome original da protagonista feminina. (A sério, também não podia ser Isa na versão portuguesa, ou então Isabel?)

Alguns episódios em dobragem alemã estão disponíveis no YouTube:


















segunda-feira, 26 de junho de 2017

A Carrinha Mágica (1994-97)

por Paulo Neto

Eis mais uma série que me traz a memórias do "Um Dó Li Tá", o espaço infanto-juvenil da RTP 2 nos anos 90, que eu amiúde via com o meu irmão após a escola. Esta série tinha uma premissa absolutamente vencedora: qual era o petiz que não preferiria estudar ciências vendo as coisas acontecendo de perto em vez de dentro das quatro paredes de uma sala de aula?



"A Carrinha Mágica" (no original "The Magical Schoolbus") começou como uma série de livros infantis iniciada em 1986 da autoria de Joanna Cole com ilustrações de Bruce Degen, contando a história de uma excêntrica mas simpática professora que graças a uma carrinha escolar muito especial levava os seus alunos a aprenderem divertidas lições sobre ciência nas mais diversas situações, como por exemplo, no espaço, no fundo do mar e até dentro do corpo humano. Ao todo foram produzidos quatro temporadas de treze episódios entre 1994 e 1997, exibidos em Portugal na RTP 2 entre 1995 e 1999 (mais tarde a série também foi transmitida no Canal Panda). Durante as primeiras três temporadas da versão portuguesa, os nomes das personagens foram aportuguesados mas na quarta temporada, optou-se por usar os nomes originais.



A protagonista é a Sra. Frisadinha (ou Miss Frizzle), a quem os alunos chamam-lhe pelo diminutivo de Friz. Apesar de todas as suas excentricidades, como as entradas exuberantes na sala de aula, os vestidos e os brincos que usa que estão sempre relacionados com o tema do episódio ou a tendência para citar os seus parentes (imitando-lhes a voz e tudo), a Friz é uma pessoa muito inteligente, divertida, corajosa e quase maternal para com os seus alunos. É ela que guia a carrinha em cada episódio, transformando-a consoante as necessidades do tema do episódio, seja por artes mágicas, seja graças a um misterioso software. Na versão original, a sua voz foi dobrada pela famosa comediante Lily Tomlyn.

1- Arnaldo, 2- Filó, 3-Carlos, 4-Ana Isabel, 5-Joana, 6-Kika, 7-Frisadinha
8-Carrinha, 9-Rafa, 10-Tó, 11-Vanda, 12-Liz


A turma de Frisadinha é composta por oito alunos, de várias etnias. Arnaldo (Arnold) é o típico nerd caixa-de-óculos, e apesar de ser o que menos gosta das viagens da carrinha e parecer algo medricas, consegue demonstrar a sua coragem quando é necessário. Carlos é o latino-americano, que gosta mais de aprender na prática do que nos livros e está sempre a fazer piadas, embora os seus colegas não achem muita graça (é comum eles dizerem-lhe em coro de forma reprovadora: "Carlos!"). Ana Isabel (Dorothy Anne), a loura dos totós, é o cérebro da turma, que traz sempre uma saca a tiracolo com livros e durante as viagens da carrinha, costuma começar muitas frases com "Segundo o que eu investiguei...". Kika (Keesha), a aluna afro-americana, é a mais sensata e realista da turma, chegando a ser sarcástica, embora também tenha um espírito aventureiro. A meiga e sensível Filó (Phoebe) é a mais recente aluna da turma e por isso, costuma frequentemente dizer frases começadas por "Na minha antiga escola...". Rafa (Ralphie) é o desportista da turma e costuma assumir o lugar de líder, embora por vezes seja cabeça-no-ar ou precipitado. Tó (Tim) é o outro aluno afro-americano, dotado de sensibilidade artística. Vanda (Wanda), a aluna asiática, é uma maria-rapaz aventureira e a maior adepta das viagens da Carrinha Mágica. Falta ainda falar de Liz, o camaleão-de-jackson que é mascote da turma, que se costuma meter em sarilhos. Em alguns episódios, Joana (Janet), a prima sabichona e presunçosa de Arnaldo, surgia como antagonista.

No final de cada episódio, existia um segmento em supostamente telespectadores da série ligavam para os produtores para apontar qualquer omissão no episódio sobre o respectivo tema ou para pedir informações mais específicas sobre algo relacionado com esse tema.

Apesar de ser uma constante, nunca é demais referir que a dobragem portuguesa da série era excelente, embora o elenco tenha sofrido várias alterações ao longo da temporadas. Tó foi a única personagem que teve sempre o mesmo actor a dobrar a sua voz, Luís Lucas. Nomes como Teresa Sobral, Helena Isabel, Miguel Guilherme, Peter Michael, Alexandra Sedas, Maria João Abreu, Fernando Luís, Paulo Oom, Teresa Madruga, Carmen Santos e Cláudia Cadima (que assumiu a função da direcção) fizeram parte do elenco de dobragem nos diversos alinhamentos. O tema da série era cantada na versão original por Little Richard e na dobragem portuguesa por Fernando Luís.



Além da série animada e da colecção de livros, "A Carrinha Mágica" também teve uma série de jogos de vídeo. Em 2014, foram anunciados planos para uma nova série em animação 3D.  

Genérico:



Alguns episódios disponíveis no DailyMotion



quinta-feira, 4 de maio de 2017

Hey Bumboo (1985-86)

por Paulo Neto

Apesar de só ter sido exibida em Portugal apenas uma vez, há ainda quem recorde bem da série de animação japonesa "Hey Bumboo" e que decerto sonhou um dia possuir um carro falante tão adorável como o Bumboo. A série foi produzida pela Nippon Animation em 1985 e foi exibida em Portugal entre 1988 e 1989, de segunda a sexta-feira à tarde no "Brinca Brincando". Ao todo foram 130 episódios de curta duração (dez minutos), sendo que em Portugal a série teve a particularidade de ter sido exibida sem genérico. Segundo o site Brinca Brincando, cada episódio começava logo com a exibição do seu título. 



A série narrava o périplo de Bumboo, um carro amarelo falante que nasceu de um ovo (?) numa fábrica de automóveis. Com a ajuda de um rapaz chamado Quim e do seu cachorrinho Buzina, Bumboo lança-se numa senda para encontrar a sua mãe. (Ou seja, o automóvel-fêmea que pôs o ovo de onde ele nasceu...certo...) 

Pelo caminho, Bumboo vai descobrindo o mundo que o rodeia, encontrando mesmo outros carros falantes, e tentar escapar às várias armadilhas do malvado Professor, que o quer capturar para ganhar um dinheiro com a exploração deste automóvel-falante. Bumboo descobre ainda que sempre que cheira flores, torna-se mais rápido e ágil em corridas.
No final, como é óbvio, tudo acaba em bem com o reencontro entre viatura-mãe e carro-filho.



Apesar da bizarria da história, é fácil perceber porque é que "Hey Bumboo" deixou tantas memórias naqueles que tiveram a oportunidade de ver a série quando foi exibida. Qual era o miúdo que não desejaria estar na pele do Quim e dar umas voltas em cima daquele bólide amarelo-falante-descapotável?
Como é hábito, o trabalho de dobragem da versão portuguesa foi excelente, sobre a direcção de António Montez, que dava a voz ao Professor. Luísa Salgueiro era a voz do Boumbo enquanto Natália Luiza foi a voz de Quim, tendo mais tarde sendo substituída por Margarida Rosa Rodrigues. A dobragem contou ainda com as vozes de Cláudia Cadima, Fernanda Figueiredo e José Raposo. 



Infelizmente, não consegui encontrar excertos da versão portuguesa no YouTube, mas existem disponíveis episódios noutras línguas, como em francês e alemão.

Episódio 59 em francês:



Episódio 4 em alemão:



Episódio de Natal em castelhano:









sexta-feira, 7 de abril de 2017

O Bocas (1987-88)



Apesar de "O Bocas" ou "As Aventuras do Bocas" (no Brasil "Olé, Ollie") ser um anime - animação japonesa - "Geragera Bus Monogatari" de final dos anos 80 - exibida originalmente entre 7 de Abril de 1987 e 29 de Março de 1988 - que se espalhou pelo mundo através da Saban ("Power Rangers") "Ox Tales", começou como uma co-produção holandesa e japonesa. Alias, o material de origem é holandês, a banda desenhada - ou melhor, as tiras "Boes", criadas por  Wil Raymakers e Thijs Wilms em 1980 e ainda em publicação, segundo consta.



A Wikipedia menciona que apesar de estas tiras sem diálogos serem "para toda a família", incluíam alguns gags escatológicos e sexuais. Não me lembro disso na versão televisiva!

O genérico inicial:
Cá por Portugal fomos brindados com uma bela dobragem em português, com o elenco encabeçado por Canto e Castro ("Abelha Maia", "Heidi", "A Esfera Ki", "Duarte e Companhia", etc) como Bocas, o boi protagonista que anda em duas patas e calça socas de madeira, e Irene Cruz ("As Aventuras de Tom Sawyer", "A Volta ao Mundo de Willy Fog", etc) na voz de Ted, a tartaruga amiga de Bocas. Curiosamente, nas versões holandesa e italiana Ted é uma tartaruga fémea. Apesar da dobragem para a nossa língua, o genérico manteve a canção em holandês (que até ao dia de hoje julgava ser em alemão...).
O título em inglês - "Ox Tales" - aparenta ser um trocadilho com a famosa receita "Ox Tails" - o Rabo de Boi. Humor negro, imaginem chamar "Arroz de Pato" aos "Duck Tales (1987-90)". A única explicação que me vem à cabeça para escolherem chamar "Bocas" ao boi é que na canção de abertura "Boes" soa a "Bouche", que é "boca" em francês... Mas isso é a minha teoria...


A Wikipédia em português indica que antes de passar com grande sucesso no intervalo das votações no "Agora Escolha" (1986-94) tinha sido exibido nas tardes infantis da RTP-2, no Brinca Brincando, indica o blog "Série de Animação"
Basicamente a acção do desenho animado decorria na quinta do Bocas, um local que mais parecia um jardim zoológico dada a variedade de bicharada que Bocas acolhia, de tartarugas a polvos, leões, gorilas, golfinhos, zebras e muitos mais. Na quinta aconteciam todo o tipo de situações bizarras e cómicas que Bocas e Ted tentavam resolver - mas que sempre se complicavam - ao longo dos episódios de 12 (ou 15)  minutos de duração, num total de 102. Creio que em Portugal se terá seguido a tendência de exibir dois episódios de cada vez. Como foi parcialmente editada em VHS e mais tarde em DVD entre nós, é por enquanto fácil de encontrar videos dos episódios em português do "Bocas" no Youtube.

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quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

A Senhora Pimentinha (1983-84)

por Paulo Neto

Eis mais uma das séries de animação que todos aqueles que cresceram nos anos 80 recordam com saudades. No entanto, e ao contrário de várias outras séries, inexplicavelmente esta nunca foi reposta pela RTP nem teve edição em VHS e/ou DVD pelo menos cá em Portugal.



"A Senhora Pimentinha" ("Spoon Obasan" no original) foi uma série japonesa de animação produzida pelos estúdios Pierrot entre 1983 e 1984, tendo sido exibida na RTP entre 1986 e 1987, no célebre espaço infanto-juvenil "Juventude e Família". A série continha 130 episódios de cerca de sete minutos que por cá foram exibidos em blocos de três episódios. 

A série era baseadas nas histórias escritas nos anos 50 pelo autor norueguês Alf Proysen, com o título original "Teskjekjerringa" ("a senhora da colher de chá"), mas mais conhecidas internacionalmente pelo título inglês "Mrs. Pepperpot". A Senhora Pimentinha é uma simpática senhora já entradota que vive numa aldeia algures na Escandinávia rural que traz sempre ao pescoço uma colher de chá como pendente, com uma paciência infinita para os azeites do marido, o temperamental Senhor Pimenta, que é pintor de paredes.

Por motivos insondáveis, a Senhora Pimentinha de vez em quando diminui de tamanho, ficando do tamanho da colher durante um determinado período de tempo. Se por vezes essa situação é bastante inconveniente para Pimentinha, sobretudo quando está a fazer algo como lavar a roupa ou pintar uma cerca, tarefas fáceis no seu tamanho normal mas quase impossíveis quando está pequenina. No entanto, Pimentinha acaba por descobrir vantagens em ficar pequena, como a possibilidade de falar com os animais e viver aventuras no reino animal além de resolver situações problemáticas com a coragem e o bom humor que a caracterizam.


Enquanto está pequena, a Senhora Pimentinha consegue falar não só com os seus animais de estimação como o Pantufa, um cão muito preguiçoso, Hipólito, um gato matreiro e Cristina, uma galinha sempre insatisfeita, mas também com os Haiken, uma família de ratos que mora debaixo do soalho da sua casa, ou ainda outros animais que se tornam seus amigos como a Senhora Corvelo, uma fêmea de corvo que a transporta para a floresta quando está pequena, Zum-Zum, uma moscardo que lhe fornece várias informações, Ranina, uma rã que a ajuda quando a situação mete água (literalmente) e o morcego Nicolau, que a ajuda nas aventuras nocturnas.





Ao princípio, ninguém sabe desta particularidade da Senhora Pimentinha, nem sequer o próprio marido. A primeira é descobrir é Lili, uma misteriosa menina que vive no bosque e que traz sempre o seu vison Tico à volta do pescoço como se fosse uma estola, que a partir daí torna-se a grande amiga de Pimentinha. Esta também acaba sempre por se envolver nas diabruras de três meninos da vizinhança: Zezé, o aventureiro, Neca, o engenhocas e Chico, o típico cabeça no ar. 

Como é habitual, a série teve uma excelente dobragem portuguesa, dirigida por António Montez e que incluiu nomes como Luísa Salgueiro (que fez a voz da protagonista), António Feio, Argentina Rocha, Leonor Poeira (não confundir com a Leonor que tem o apelido no plural) e Margarida Rosa Rodrigues.





Como também não podia deixar de ser, "A Senhora Pimentinha" também teve honras de edição de uma caderneta de cromos e de bonecos em PVC fabricados pela Maia & Borges. Também foram editados livros de histórias e de colorir. Eu lembro-me de me oferecerem dois livros de colorir de "A Senhora Pimentinha" nos anos.

No canal de YouTube de Mónica Albuquerque, uma seguidora da "Enciclopédia de Cromos", existe uma playlist com 25 episódios da série:


quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

ALF A Série Animada (1987-89)


“ALF: The Animated Series” (1987)

No dia 26 de Setembro de 1987 o Mundo (os EUA) ficou a conhecer as aventuras do extraterrestre ALF (em forma animada e sem restrições de orçamentos e logísticas) no seu planeta natal, Melmac, portanto antes da sua nave se despenhar na terra, no começo da sitcom original em imagem real ("ALF, Uma coisa do outro mundo" em Portugal, e no Brasil "ALF, o ETeimoso", título que ainda tornava mais óbvia a paródia ao E.T. de Steven Spielberg) que começou a exibição cerca de um ano antes, com o sucesso que se conhece. 


A animação durou duas temporadas, contabilizando 26 episódios em que o espectador conhece a vida e costumes de Melmac (obviamente antes da explosão nuclear que o destruiu), e os amigos e família de ALF, obviamente tratado pelo nome de baptismo: Gordon Shumway. No inicio e  final de quase todos os episódios o ALF - na versão real, em pelo e osso - surgia no ecrã para falar com os espectadores.

Na sua segunda temporada, ALF: The Animated Series era exibida junto a outra animação: "ALF Tales"  (1988-89, 21 episódios) com os personagens a encarnar contos clássicos como a Cinderela ou o Capuchinho Vermelho, mas sempre com a vertente na comédia.

O genérico inicial:




Texto original publicado no Tumblr da Enciclopédia: "ALF: The Animated Series".

Relacionado: ALF - Colecção de Calendários e Autocolantes

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quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Voltron (1984-85)


“Voltron, Defender of the Universe
A migthy robot, loved by Good, feared by Evil”

Era com essas palavras que Optimus Prime, isto é, Peter Cullen, iniciava o espectador na mitologia da série.

"De dias de há muito, de regiões inexploradas do universo, vem uma lenda. A lenda de Voltron: Defensor do Universo. 
Um poderoso robot, amado pelo Bem, temido pelo Mal. 
À medida que a lenda de Voltron crescia, a paz se instalava em toda a galáxia. No Planeta Terra, uma Aliança Galáctica foi formada, e juntamente com os bons planetas do Sistema Solar eles mantiveram a paz em todo o universo. 
Até que uma nova horrível ameaça colocou a galáxia em perigo. Voltron era necessitado mais uma vez. 
Esta é a história da super-força dos exploradores espaciais, confiada pela Aliança com o antigo segredo de como reunir Voltron: Defensor do Universo "

O poderoso Voltron era um robot gigante, formado por robots-leão menores e pilotado por cinco exploradores espaciais que protegiam o planeta. 
A primeira equipa Voltron:
Acima (da esquerda para a direita): a Princesa Allura, o líder Keith Kogane e o homem-forte do grupo HunkAbaixo (da esquerda para a direita): o membro mirim Pidge e Lance, o segundo em comando.

Pelo menos no inicio, porque “Voltron” foi remendado a partir de vários animes (como "Gatchaman" deu origem a várias séries ocidentais, ou os "Power Rangers" a partir dos supersentai japoneses). A primeira temporada foi  editada e adaptada de “Beast King GoLion” (1981-82); na segunda temporada a partir da série não relacionada “Armored Fleet Dairugger XV” (1982-83)por consequência um robot diferenteA terceira e última temporada ("Voltron: The Third Dimension" de 1998) foi constituída apenas por episódios inéditos, vendo regressar o robot e a equipa “original”, tudo em animação por computador [num estilo muito semelhante ao de "ReBoot" (1994-2001) e "Beast Wars: Transformers" (1996-99)]. São estes episódios que recordo ver na nossa TV no inicio dos anos 2000. Mais tarde deu origem a duas novas animações: "Voltron Force" (2011) uma continuação, e "Voltron: Legendary Defender" um remake. Desta última, a primeira temporada é muito boa. O projecto para fazer o filme em imagem real continua em standby devido a uma novela legal sobre os direitos de autor...






Além da série, os brinquedos e outro merchandising foram um sucesso. Pelo menos lá fora, porque no nosso burgo não recordo de ver.



O vídeo do genérico:









Nesta fase clássica, ainda existe o telefilme “Voltron: Fleet Of Doom” (foto acima), que apesar de cronologicamente se passar antes da segunda temporada, e explicar essa transição; apenas foi exibido em 1986, depois do cancelamento da série.


Texto publicado originalmente no Tumblr da Enciclopédia de Cromos: "Voltron" [1984-85]. 



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terça-feira, 13 de dezembro de 2016

O Urso Teddy (1975-87)

por Paulo Neto

Decerto que os criadores de animação dos países pertencentes ao então Bloco de Leste nunca imaginaram que algumas das suas séries também fariam parte do imaginário infantil de muitos cidadãos de um país, bem do outro lado da Cortina de Ferro, chamado Portugal. Mas o certo é que nos anos 70 e 80, a RTP exibiu diversas série animadas produzidas em países mais a leste da Europa. Já falámos aqui da série polaca "O Pequeno Inventor" e  hoje recordamos outra série vinda do mesmo país.



"Mis Uszatek" começou em 1957 como uma colecção de livros infantis, escritos por Czeslaw Janczarski e ilustrados por Zbigniew Rychlicki. Em 1975, os estúdios da Se-Ma-For criaram uma série de animação stop motion com as personagens dos livros. Tanto os livros como a série eram protagonizados por um simpático ursinho com uma das suas orelhas caídas (aliás o nome da série quer dizer literalmente "o urso da orelha caída"), que em Portugal teve o título de "O Urso Teddy". Até 1987, foram produzidos um total de 104 episódios.



A série era composta por episódios de cerca de cinco minutos, que começavam sempre com o protagonista, Teddy, no seu quarto a contar o que lhe tinha acontecido nesse dia, aventuras vividas com os seus amigos: o Coelho, o Porquinho, os Coelhinhos, o cão Blacky (que tanto surgiu como um cão normal apoiado em quatro patas, como num cão antropomórfico apoiado verticalmente em duas) e as Bonecas. Também ocasionalmente presentes estavam a Mãe dos Coelhinhos, a Tia Crum-Crum com que vivia o Porquinho e a gata Professora. Os episódios acabavam sempre com Teddy deitado na cama a dizer "Boa noite!".

A série estreou em Portugal em 1986, sendo exibida de segunda a sexta no "Brinca. Brincando" e eu recordo-me muito bem não perder nenhum episódio. A narração era do actor António Montez, que fazia também as vozes de todas as personagens. No entanto, as músicas de abertura e dos créditos finais do episódio foram mantidas no original polaco com a voz era de Mieczyslaw Chiecowicz, música de Piotr Hertel e letra Janusz Galewicz. (Se é difícil escrever estes nomes, nem imagino como será pronunciá-los!) Mas ao fim de algum tempo, os episódios passaram a ser exibidos com António Montez a cantar a música da abertura e a música final em versão instrumental. Mesmo assim, muita gente não se esqueceu do original polaco, como por exemplo Ana Markl.

Eis a letra da música final e a tradução:

Pora na dobranoc, 
bo już księżyc świeci. 
Dzieci lubią misie, 
misie lubią dzieci.

(É hora de ir para a cama
Enquanto a lua brilha
Crianças gostam de ursinhos
Ursinhos gostam de crianças) 

Segundo o site Brinca Brincando, após a primeira exibição na RTP entre 1986 e 1987, a série foi reposta mais três vezes: entre 1988 e 1989 de novo no "Brinca, Brincando", em 1994 na RTP 2 antes do Vitinho e em 1995 de manhã. Durante estas duas últimas reposições, passaram episódios inéditos desta vez com a voz de Jorge Sequerra.

Além de Portugal, "O Urso Teddy" foi exibido em mais de vinte países em todo o mundo, sendo um dos programas polacos mais exportados de sempre. Por exemplo, a série também passou no Canadá, no Irão e no Japão. Segundo a Wikipedia, na Finlândia, onde a série tinha o título de "Nalle Luppakorva", os bonecos das personagens foram roubados de uma exposição.







Em 2007, por altura do seu 50.º aniversário, uma estátua do Urso Teddy foi erguida numa das principais ruas da cidade polaca de Lodz. Em 2010, a personagem apareceu numa colecção de moedas dedicadas a clássicos de animação cunhadas por uma empresa polaca para a Ilha de Niue.

Episódio em polaco:



Episódio em português:



Episódio em eslovaco:


Episódio em húngaro:


Episódios em finlandês:



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