quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Top 5 canções de Marco Paulo

por Paulo Neto




Nasceu no coração do Alentejo a 21 de Janeiro de 1945 com o nome de João Simão da Silva e setenta anos mais tarde, ele pode olhar para trás e rever uma carreira musical longa e próspera como poucos cantores em Portugal se podem gabar. Falo obviamente de Marco Paulo que acaba de apagar setenta velas. Quer se goste ou não do seu género, não há como negar que a sua carreira atravessa várias gerações e tem sido fértil em temas que para sempre ficam gravados no disco rígido do povo deste pequeno rectângulo à beira-mar.  
Em nome da "Enciclopédia de Cromos", pretendo prestar a devida homenagem a Marco Paulo, recordando os que são para mim os seus cinco hits mais marcantes.

Mas primeiro uma pequena retrospectiva: 
- Editou o primeiro disco em 1966.
- Participou nos Festivais da Canção de 1967 com "Sou Tão Feliz" e de 1982 com "É O Fim Do Mundo"
- Gravou com Simone de Oliveira uma versão em português de "Somethin' Stupid".
- Apresentou dois programas na RTP, misto de talk-show e variedades, "Eu Tenho Dois Amores" (1994-1995) e "Marco Paulo Com Música No Coração" (1996).
- Um cancro em 1997 fez com que perdesse a cascata de caracóis que era sua imagem de marca, mas provou que não era nenhum Sansão, vencendo a doença e retomando a carreira.
- Marco Paulo vendeu quatro milhões de disco e ganhou mais de 140 galardões entre discos de ouro, prata e platina.

São tantos os hits de Marco Paulo que reduzi-los para apenas uma lista de cinco foi complicado. Como tal, convém recordar duas menções honrosas que falharam por muito pouco esta lista: "Ninguém, Ninguém" (1978), onde mostrou que dominava a arte de cantar de prego a fundo, sendo percursor dos Toranja; e "Anita" (1982) e o famoso videoclip onde Marco Paulo mostra os seus dotes de nadador a uma Anita que gosta muito de morder em limões.   

#5 "Sempre Que Brilha O Sol" (1988)



Como é sabido, o repertório de Marco Paulo é maioritária e assumidamente composto de várias covers de canções estrangeiras, algumas bem conhecidas como por exemplo "Só Falei Para Dizer Que Te Amo" (aportuguesando o "I Just Called To Say I Love You" de Stevie Wonder), outras nem por isso. "Cuando Calienta El Sol" foi originalmente gravada em 1961 pelos Hermanos Rigual e, por entre covers e adaptações em outras línguas, já foi versionada por nomes como The Ray Charles Singers, Bing Crosby, Nancy Sinatra, Petula Clarka e Agnetha Faltskog dos Abba.
A versão que Marco Paulo gravou para o seu álbum homónimo de 1988 adaptava a versão actualizada ao estilo eighties de 1987 do mexicano Luis Miguel. Como não podia deixar de ser, o tema foi acompanhado por um videoclip bem veraneante com beldades à beira da piscina. A minha parte preferida é quando algumas moças tomam banho no chuveiro mas existem duas delas mais preguiçosas ou púdicas que preferem tomar banho de rega, todas vestidas.   

#4 "Joana" (1988)


Mas o grande hit do álbum "Marco Paulo" de 1988 foi mesmo "Joana", cujo original é em alemão. Outro padrão recorrente no repertório de Marco Paulo são canções com nomes de mulher. Inclusivamente, o álbum "Beijinhos Doces" de 1995 só tinha canções deste tipo. Entre os nomes granjeados em canções gravadas por Marco Paulo, além de Joana e da já referida Anita, constam Susana, Isabel, Dalila, Milena e Amália.
Tal como em "O Anel de Noivado" do Trio Odemira, também Marco Paulo encarna um antigo amado da tal Joana que de longe a vê casar com outro, restando-lhe apenas as recordações do idílio.
E claro está, quem é que nunca resistiu em trautear este refrão a uma Joana? "Ó Joana, pensar que estivemos tão perto, dos sonhos agora desperto, só não quero ouvir o sim que dirás, ah ah ah ah..."

#3 "Taras e Manias" (1991)



Tal como se adivinha logo ao primeiro verso: "Quando você vem com essa cara de menina levada para a brincadeira", a versão original foi gravada por um brasileiro, mais concretamente Elymar Santos. A faixa, um dos temas inéditos do álbum best of de 1990, imortalizou por cá a expressão "uma lady na mesa, uma louca na cama". Deste modo, cantando as taras e manias da amásia, Marco Paulo vivia, pelo menos musicalmente, o sonho de muitos homens. E venha de lá o refrão sado-maso: "E mexe, remexe, se encosta, se enrosca, se abre, se mostra p'ra mim. Me agarra, me morde, me arranha, não mude que eu quero você sempre assim."


#2 "Maravilhoso Coração" (1991)


Em 1991, Marco Paulo celebrou 25 anos de carreira com o álbum best of que reunia os seus maiores êxitos até então bem como alguns inéditos como o já referido "Taras e Manias" e a faixa que deu título ao disco. "Maravilhoso Coração" tornou-se igualmente um dos temas incontornáveis do repertório de Marco Paulo, sendo de tal forma épico e retrospectivo que até pode considerar-se o seu "My Way", se bem que ao contrário deste último, a letra também deixa claro que ainda havia muito para se viver.
Até à mega-ascensão de Tony Carreira, e juntamente com a de Herman José, a actuação de Marco Paulo costumava ser a mais aguardada do "Natal dos Hospitais" de cada ano, e durante largos anos, "Maravilhoso Coração" era o tema de eleição para o evento. (Actualmente é "Nossa Senhora")  

#1 "Eu Tenho Dois Amores" (1980)


Mas claro está, mesmo de entre um repertório tão rico em sucessos, não há como colocar em 1.º lugar esse lendário hino ao poliamor que é "Eu Tenho Dois Amores", editado em 1980. Segundo o seguidor do blogue Rui Craveiro, ao qual agradecemos a informação, a versão original chama-se "I Love, I Love, I Love You" e foi gravada em 1977 pelo quarteto Pascalis, Marianna, Robert & Bessy, que foram os representantes da Grécia no Festival da Eurovisão desse ano com o tema "Mathema Solfege".
"Eu Tenho Dois Amores" é toda uma pérola, a começar na batida mastigada de disco-sound e a culminar na interpretação de Marco Paulo, exprimindo a sua indecisão entre uma loura e uma morena. Porém não há como achar que a letra é demasiado optimista, com Marco Paulo a concluir que a solução para a sua indecisão é "amar das duas, sem uma da outra saber". Os mais certo era a loura e a morena descobrirem tudo e mandarem-no à fava. E daí talvez não, talvez Marco Paulo conseguisse convencê-las a alinharem numa de "sister-wives".

Com tudo o isto, resta desejar ao recém-septuagenário muitas felicidades. E oxalá eu chegue aos 70 com vitalidade de Marco Paulo.

  
  

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3 comentários:

  1. Um belo top das mais conceituadas canções deste grande cançonetista nacional, que foi o Marco Paulo.
    E foi descoberto por Cidália Meireles, uma das antigas "Irmãs Meireles" dos anos 40, que se tornou célebre a solo com canções maravilhosas como "A Sete Chaves", "Macau", "Círio da Atalaia" ou "Barcelos", no programa "Tu Cá Tu Lá" da RTP,
    A minha mãe é fã do Marco Paulo, e raras são as canções que ela não conhece dele, como é o caso de "São Francisco", "Não Sei" ou "Sou Tão Feliz", do Festival RTP da Canção de 1967.
    Quase que ele se tornou rei da rádio com o disco "Fala Amorosamente", gravado para a "Parlophone", da "Valentim de Carvalho", versão portuguesa da canção do épico filme "O Padrinho" de Francisco Ford Copolla, com Marlon Brando, com a canção "Tu És Mulher, Não És Uma Santa", mas ficou em 3º lugar, à frente do António Mourão, e atrás de Artur Garcia, em 2º lugar, e o rei da rádio eleito foi Paco Bandeira, que abdicou do título, e com isso viu para sempre dificultada a transmissão das suas canções na rádio portuguesa do Estado Novo.
    De resto, canções como "Cá se Faz, Cá se Paga", "Nina", a tal que já citei, "Canção Proibida" e outras tantas, como as apontadas nesta lista, a minha mãe conhece-as todas.
    Um dos melhores cançonetistas de sempre, ainda hoje em actividade franca, e com concerto agendado no Coliseu dos Recreios, para efeitos de consagração da sua carreira na história da música popular portuguesa.

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    Respostas
    1. Obrigado pela informações Miguel!
      Desconhecia totalmente essa versão nacional do Padrinho. Fica o link para os leitores: https://www.youtube.com/watch?v=WIWz39bd1Tc

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