terça-feira, 14 de outubro de 2014

O Templo dos Jogos (1995-1999)

por Paulo Neto

Nos anos 90, os históricos ZX Spectrum e Commodore Amiga cediam o seu lugar às consolas de videojogos, primeiramente com a dupla rival Sega/Nintendo. E para muitos nós, essas consolas e os respectivos jogos passavam a ser o presente mais desejado a cada Natal e aniversário, se bem que havia o inconveniente de a cada par de anos surgir uma consola com o dobro de bits e melhores jogos que depressa tornavam as outras obsoletas. Por isso, várias consolas de jogos foram objecto da nossa cobiça: Sega Megadrive, Master System, Super Nintendo, Sony Playstation, Sega Saturn, Nintendo 64 sem esquecer os portáteis Game Boy e Game Gear.


Pelos mesmos motivos, a partir de 1995 por entre a programação infanto-juvenil da SIC dos anos 90, havia um programa absolutamente imperdível sobre a temática dos videojogos. Esse programa era evidentemente "O Templo dos Jogos" e para o mais aficionados, era mesmo um templo de veneração.
A cada semana, eram apresentadas as críticas aos mais recentes jogos, as novidades que estavam para chegar e dicas para "aldrabar" nos jogos (tipo "carrega em quadrado-cruz-triângulo-quadrado no comando da Playstation e vais directo para o último nível deste jogo" ou algo assim). A apresentação estava a cargo de David Bernardo e do futuro pivot de informação da TVI João Maia Abreu, além de uma anfitriã feminina, posição que foi ocupada por várias beldades. Aquela que ficou mais associada ao programa foi Rita Mendes, mas por lá passaram outras meninas como Cristina Mohler, Filomena Nascimento e Catarina Pereira (não a cantora, mas uma moça que na altura também apresentava o concurso "Dá-lhe Gás" com Jorge Gabriel). 

Rita Mendes e João Maia Abreu

David Bernardo

Catarina Pereira

Além de toda a temática do programa e o à-vontade dos apresentadores, o programa pautava-se pelos textos divertidos e cheios de hipérboles ("existem jogos que mereciam ser amarrados à proa do Titanic, afundarem-se nas profundezas do oceano e nunca mais verem a luz do dia")  escritos por Luís Barros e Francisco Salgueiro (que hoje em dia é um conhecido romancista). Um dos pontos altos foi a primeira vez que se atribuiu a pontuação máxima de 100% ao "Mario 64", para a então recém-chegada Nintendo 64. Segundo as minhas pesquisas, o outro jogo com nota máxima foi "Doom 3".
Na altura surgiram outros programas também dedicados aos videojogos, por exemplo a RTP teve o "Cybermaster" onde concorrentes jogavam jogos para derrotar a entidade maligna que dava nome ao título interpretada pelo actor João D'Ávila e "Último Nível" daquele espaço de tempo em que Pedro Miguel Ramos usava cabelo azul, mas o "Templo" foi sempre o líder incontestado. Depois de ter saído do ar em 1999, chegou a ter uma breve ressurreição nos primórdios da SIC Radical em 2001. Apesar da proliferação da internet, que permitiu o acesso mais rápido a todo o tipo de informações sobre este tema, creio que ainda hoje um programa ao estilo de "O Templo dos Jogos" seria bem acolhido.

Para terminar, nada como citar Rita Mendes no final de cada programa: "Fiquem bem e joguem muito!"

Excertos do programa:








  

     

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