sábado, 18 de outubro de 2014

Portugal Radical (1992-2002)


Decerto não sou a pessoa mais indicada para falar deste tema, visto que os meus momentos "radicais" envolvem uma prancha de skate e uma BMX. Esta segunda experiência, digamos que não funcionou como previsto....Felizmente, experiência não é requisito para escrever, senão apenas 12 homens (8 vivos, actualmente) podiam escrever sobre caminhar na Lua. Voltando ao tema, o programa da SIC, exibido entre 1992 (1) e 2002 tinha um título auto-explicativo: "Portugal Radical".

A caderneta de cromos - que podem ver mais abaixo - descreve o programa dos sábados de manhã assim: "O Portugal Radical levou os desportos de acção para a televisão. Deu-lhes vida e um espaço para que toda a gente os pudesse conhecer". O novo canal SIC estava a cultivar esta imagem de radical, inovador e atrevido por oposição ao novo canal mais "púdico" e tradicional da Igreja, a  TVI; e aos velhinhos canais RTP.

Genérico de Abertura:


Portanto apesar de não ser grande apreciador de desportos radicais em terra, no mar e no ar, era espectador ocasional, talvez enquanto esperava por outro programa do canal começar, e também não me importava de ver as apresentadoras: Rita Mendes ("O Templo dos Jogos", "Curto Circuito") que o IMDB indica como tendo ocupado o cargo entre 2001 e 2002. Tinha impressão que ela tinha começado mais cedo, mas o IMDB é que sabe... Durante boa parte das emissões que me recordo a apresentadora principal foi a Raquel Prates ("Dá-lhe Gás"), e as reportagens eram asseguradas (eh!) pela Rita Seguro ("Top+"). Esta última estreou-se logo no inicio do programa, junto à apresentadora Maria Borges (que segundo o "Perdidos e Achados" permaneceu 3 anos nesse cargo).

Alguns excertos de 1996, incluindo o "Portugal Radical Diário":

A SIC fez uma emissão do "Perdidos e Achados" dedicada aos 22 anos da estreia do canal, e dizia no site o seguinte sobre o "Portugal Radical":
"Um programa inovador, pioneiro na divulgação de desportos radicais com uma linguagem irreverente e ousada. O programa conseguiu mudar a imagem que a sociedade portuguesa tinha dos surfistas, skaters e outros desportistas. Pela primeira vez, o surf aparecia em grande destaque na televisão, bem como o bodyboard, skate, bmx e muitos outros desportos."
Mais detalhes aqui.
Actualização: O dito programa "Perdidos e Achados" na íntegra:



No "Perdidos e Achados", um dos autores do PR,  Henrique Balsemão, recordou as origens, ainda antes da SIC, na revista Surf Portugal, com a rubrica "Portugal Radical". Na altura sentiu a necessidade de um programa do género no panorama televisivo. Assim sendo - ainda na RTP - foi apresentada uma maquete que "foi aprovada e começou a passar no Caderno Diário, que era um Telejornal para jovens, e depois mais tarde apareceu a SIC, nós apresentámos uma maquete,(..), que foi bem aceite, já estava com uns efeitos melhores, já tinhamos rodado prai uns seis meses também na estrada e nos campeonatos e já tinhamos uns arquivos melhores, e decidiram por na grelha de arranque da emissão, que foi em 92".

O sucesso do programa deu origem ao obrigatório merchandising, como CDs de música, revistas e até caderneta de cromos.

A caderneta de cromos, com 216 cromos autocolantes "super radicais". É possivel encontrar na Internet imagens da caderneta publicadas pelo cameraman do programa, Paulo Soccol: "Eu fui Cromo no álbum do PR". e claro em sites de venda online.

A capa da caderneta:
Fonte:"Eu fui Cromo no álbum do PR".

No recheio da caderneta, imagens seleccionadas das 23 modalidades apresentadas ao longo das emissões: surf, bodyboard, windsurf, skimming, hovercraft, jet ski, ski aquático, canoagem, cannyoning, hidrospeed, snowboard, skate, BMX, BTT Mountain Bike, Bike Trial, Patins, carrinhos de rolamentos, escalada, bunjee jump, pêndulo, queda livre, asa delta e parapente.


O verso de um dos cromos autocolantes:



Para promover a colecção de cromos, foram lançados alguns calendários alusivos. Estes fazem parte da minha colecção pessoal:
"Bué Radical!..." - Enciclopédia de Cromos - Calendário 1995.
"Este pessoal é muita louco!..."

Capa do CD:
As músicas ideais para acompanhar as manobras radicais, temas de grupos como os Oasis, The Cult, Radiohead, Smashing Pumpkins, Body Count, etc. Mais informação: "Discogs - Portugal Radical".

Outro CD musical, mais recente, do ano 2000:

 Esta compilação inclui nomes como Muse, Fu Manchu, Goo Goo Dolls, Fastball e Suicide Machines.


Algumas das revistas: 

Portugal Radical Nº 1 - Março 1996

Portugal Radical Nº 3 - Maio 1996
O Lusitania TV tem também online uma emissão completa, de 29 de Dezembro de 1996:
Portugal Radical 29/12/1996 - Parte 1 e Parte 2. Uma página de fãs no Facebook refere que o "Portugal Radical" foi vencedor de dois prémios Nova Gente para melhor programa infanto-juvenil do ano.

Como outros programas do inicio da SIC não me recordo bem quando o vi pela primeira vez, visto que ainda deve ter demorado uns meses a chegar o sinal do canal à minha zona; e creio que aqui em casa houve um pouco de resistência a adoptar os canais novos.
Confesso que tinha inveja do pessoal que pratica asa delta. Se eu não sofresse de vertigens....quem sabe? Podia ser campeão da modalidade!

Até ao próximo cromo, ou como diriam as meninas no fim da emissão "até lá, muach!".

(1) - Durante a pesquisa, encontrei várias contradições das datas de estreia, por isso primeiro optei pela mais consensual, 1996, como está no IMDB.
No entanto, os cromos têm copyright de 1994, os calendários indicam 1995,  e sites da própria SIC apontam para 1992.  Vários dos nossos caros leitores também recordam vêr o programa no inicio do canal. Até ao momento não consegui confirmar nenhuma a 100%, mas vou continuar a investigar. E depois do visionamento do "Perdidos e Achados" dedicado ao PR, não restam dúvidas que o "Portugal Radical" arrancou em 1992.


Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos". Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr".

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3 comentários:

  1. Olá.

    Muito obrigado por esta recompilação de material do PR, programa do qual fiz parte como editor do PR Diário, desde fins de verão de 1996.

    Fomos dos primeiros a usar um sistema de edição não lineal de vídeo num computador pessoal, PC. A empresa chamava-se Quevídeo e estivemos abertos até finais de 2002, principios de 2003. Programas como o já mencionado PR, Templo dos Jogos, Dá-lhe Gás, Teletubbies, o primeiro ano da Disney em Portugal ou o SIC no País do Natal entre tantas outras cosas.

    Os socios da empresa eram o João Marvão (productor), o José João (realizador), o Arístides Paiva (aka. Arri, camera man) e o Antonio Ferreira (o brilhante editor), o Henrique Balsemão fazia parte asociativa com respeito só ao Portugal Radical, se não estou em erro e a memória não me falha.

    A parte gráfica era maiormente da responsabilidade de uma empresa asociada, Criações Digitais, e que trabalhava, na época, nas mesmas instalações em Famões, Odivelas. Esta empresa que era gerida pelo Anibal Silva (3D man) e pelo Miguel, não me lembro do apelido. Desta empresa fez parte também o Sérgio Seabra, amigo pessoal, e que era o responsável pela maquetação da revista PR.

    Tenho um enorme orgulho de ter feito parte desta maravilhosa equipa de pessoas que trabalhávamos para levar algo novo e diferente aos ecrans dos portugueses.

    Pessoas como os já mencionados e o Nuno Jonet (jornalista), o Joaquim Herrera e a Paula Margarida (audio), o Paulo Soccol e o Abilio (cameras), a Vanda e a Manuela (produção), o Filipe Coelho, André e o Nigel (web), os apresentadores/as como o João Abreu, a Rita Seguro, a Raquel Prates, a Raquel Mendes são só algumas de tantas outras pessoas que passaram por aí e que, pedindo desculpa, não me lembro dos seus nomes.

    Eu sou Paulo Oliveira e era o editor não lineal e mais tarde fui sendo responsável por muitos dos elementos gráficos que se incorporavam nos programas como rótulos, entradas, separadores, cabeceiras de principio e fim, etc.

    A passagem pela Quevídeo marcou-me de por vida e quando encontro alguém que se sentiu tocado de alguma maneira pelo que faziamos, que viveu um pouco dessa experiencia tão positiva que vivi não posso deixar de emocinarme.

    Deixo-te aqui o ultimo genérico que estávamos a preparar para o Templo dos Jogos e que afinal não saiu. Não tem nem o packshot final mas é uma curiosidade que pensei que podería interesarte.

    http://youtu.be/sq-90sKcqMM

    Um abraço.
    Paulo Oliveira

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    Respostas
    1. Olá Paulo,
      Muito obrigado pelo comentário. Raramente temos feedback tão interessante e informativo, ainda para mais de um insider de um programa que marcou tanto o panorama nacional, muito obrigado pela partilha emocionada!
      Abraço,

      David Martins

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  2. Peço desculpa por dizer Raquel Mendes quando é Rita Mendes. Ao contrario do que diz no IMDB a productora não era a Duvideo mas sim a Quevideo. Abrço.

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