sexta-feira, 18 de abril de 2014

Black Company "Nadar" (1994)

por Paulo Neto



Em 1994, o rap já há muito passara de género musical marginal para algo se ouvia na rádio com frequência em todo o mundo e até já se tinha tornado uma indústria milionária nos Estados Unidos. Outros países como França, Reino Unido e Alemanha também já tinham uma cultura rap e hip hop proeminente. Já em Portugal, existiam alguns artistas e colectivos, sobretudo oriundos das comunidades africanas da Grande Lisboa e da Margem Sul, que começavam a ganhar força, mas ainda não tinham passado para o grande público. Até que nesse ano foi editada a colectânea "Rapública" que reunia temas de alguns dos nomes mais promissores do rap português (como por exemplo, um muito jovem Boss AC) e o tema que serviu para apresentar o disco tornar-se-ia um dos maiores êxitos nacionais no ano seguinte.


Formados em 1992 no resquício de um colectivo inicial chamado Machine Gun Poetry, os Black Company já eram o nome mais sonante da cena rap da Margem Sul. E com um refrão pegadiço, que mencionava os nomes dos quatro membros conquistaram o país e tornaram-se estrelas nacionais. Pode-se de dizer que "Nadar" dos Black Company esteve para o rap em Portugal como o lendário "Rapper's Delight" do Sugar Hill Gang esteve para o rap americano. Por todo o Portugal, gente de todas as idades trauteava alegremente no verão de 1995:

Bantú não sabe nadar, yo!
KJB, não sabe nadar, yo!
Madnigga, não sabe nadar, yo!
Makxx, não sabe nadar, hey!



E de repente, para nosso choque, víamos os nossos pais e avós a dizer "yo!" e "tá-se bem". No final, o tema também fazia referência a outros nomes do rap nacional como General D, Boss AC, Kussondulola e Da Weasel, que também viriam a conhecer grande sucesso a partir dessa altura.

Os Black Company capitalizaram o sucesso, editando o seu álbum de estreia "Geração Rasca" do qual também foram extraídos mais dois hits, "Abreu" e "Pura Ressaca", e apareceram em todos os programas de televisão (chegando mesmo a apresentar um programa de apanhados). O hype já tinha desvanecido por altura do segundo álbum, "Filhos da Rua" (1998) mas ainda tiveram mais um hit com "Chico Dread", uma abordagem ao "Chico Fininho" de Rui Veloso.  

Nos anos seguintes, o grupo manteve-se separado cada membro envolvido nos seus projectos. O mais visível foi Augusto Armada (Bantú) que se reinventou como cantor de r&b sob o nome de Gutto e teve alguns hits na primeira década deste século como "Só Quero Dançar" e "Deixa Ferver" e produziu temas para outros artistas e a música para o polémico programa "Masterplan". Os Black Company reuniriam-se em 2008 para o álbum "Fora de Série", onde o single de apresentação, "Só Malucos" contou com a inesperada colaboração de Adelaide Ferreira.

    
Videoclip "Nadar":







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