quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Pretty Woman (1990)

por Paulo Neto

Adoro comédias românticas (talvez porque a minha vida é tudo menos uma). E em 1990, surgiu aquela que será a maior comédia romântica de todos os tempos: "Pretty Woman" (ninguém se refere ao filme pelo título português "Um Sonho de Mulher", pois não?). É o filme (que não de desenhos animados) que devo ter visto mais vezes, para cima de trinta vezes e sempre que passa na televisão, eu fico a ver. Apesar de saber quase todo o filme de cor, a verdade é que nunca me fartei dele, o que prova que "Pretty Woman" tem resistido ao teste do tempo.



A história é sobejamente conhecida: Vivian Ward (Julia Roberts) é uma jovem à deriva que após muitos azares, vê-se a trabalhar como prostituta em Los Angeles. Edward Lewis (Richard Gere) é um empresário nova-iorquino implacável e aparentemente insensível que se encontra em L.A. para fechar o seu novo grande negócio, com a ajuda do seu advogado fuinha Phil Stuckley (Jason Alexander).
Perdido na cidade, Edward acaba por pedir indicações a Vivian. Intrigado com a astúcia e lábia dela, Edward convida-a para o seu hotel e mais tarde, como um meio de selar o negócio, contrata-a para o acompanhar durante a sua estadia em Los Angeles. E ao longo desses dias, a cumplicidade de ambos cresce e os dois apaixonam-se, além de que ela encontra um novo rumo para a sua vida e ele descobre que afinal tem coração.


O que pouca gente sabe é que o guião inicial, de título "$3000", tinha pouco de romântico e de comédia. Inicialmente escrito como um drama negro sobre a prostituição (com Vivian viciada em cocaína e Edward a expulsá-la do carro no final), o guião suscitou interesse de vários estúdios, ainda que estivessem hesitantes quanto ao tema da prostituição. Foi só quando o argumentista J.F. Lawton reescreveu o guião como uma comédia romântica, com elementos  do conto da Cinderela e do "Pigmaleão" de Bernard Shaw, que o projecto foi adquirido pela Touchstone, subsidiária da Disney, sob a realização de Garry Marshall.

Ainda assim, havia bastantes incertezas. Muitas actrizes abordadas para o papel principal (como Molly Ringwald, Daryl Hannah, Michelle Pfeiffer, Jennifer Jason Leigh) recusaram-no pela relutância em interpretar uma prostituta e/ou por acharem o guião sexista. Winona Ryder e Jennifer Connelly foram consideradas demasiado jovens. Apesar de a Disney não a querer inicialmente, Julia Roberts acabou por ficar com o papel. Al Pacino chegou a fazer uma audição com Roberts, mas acabou por recusar e Richard Gere ficou como protagonista masculino.


Porém, todas as incertezas deram lugar a sucesso, assim que o filme foi estreado. Várias cenas ficaram para a história: Vivian a cantar "Kiss" do Prince na banheira; Vivian desprezada numa loja de roupa pelas vendedoras, vingando-se depois voltando lá mais tarde toda aperaltada; o jantar onde Vivian se atrapalha com a comida e faz saltar um caracol do prato; Edward a mostrar-lhe uma bela jóia para ela levar à ópera e a fechar o estojo quando ela vai meter a mão, causando-lhe uma sonora gargalhada (cena unscripted); a cena de sedução em cima do piano; Edward e Stuckley à porrada depois deste ter tentado violar Vivian e o final apoteótico quando Edward sobe pela escada de incêndio em busca de Vivian para jurar-lhe o seu amor.



Julia Roberts venceu um Globo de Ouro e uma nomeação para o Óscar e tornou-se uma superestrela, embora já se tivesse feito notar em "Pizza, Amor e Fantasia" (no papel de uma luso-descendente) e "Flores de Aço" e Richard Gere, apesar de já ter uma boa carreira anteriormente (e de ser um sex-symbol desde "American Gigolo") viu o seu estatuto de estrela multiplicar. Jason Alexander teve aqui o seu momento mais notório pré George Constanza e Laura San Giacomo também é inesquecível no papel de Kit, a volúvel mas divertida amiga e colega de Vivian. 


A banda sonora também foi bem-sucedida, nomeadamente o clássico "Oh Pretty Woman" de Roy Orbinson assim introduzido a uma nova geração e a balada "It Must Have Been Love", talvez o ponto alto da carreira dos Roxette.  Até Shelley Michelle, a bodydouble de Roberts, sobretudo em close-ups de pernas e no cartaz do filme, chegou a ter um minutinho de fama, pousando para várias revistas e aspirando também a uma carreira como actriz, que acabaria por ser limitada a filmes de quarta ou quinta linha.



Para terminar, mais algumas curiosidades:
- Entre as várias gaffes do filme, destaca-se a cena do pequeno almoço, onde Roberts é vista a princípio com um croissant na mão, para depois ser vista a dar uma dentada numa panqueca.
- As gargalhadas que Julia Roberts dá enquanto vê televisão sentada no chão foram causadas pelo realizador a fazer-lhe cócegas no pés.
- A música que Richard Gere toca no piano do hotel foi composta por ele mesmo. 
- A ópera que os protagonistas vão ver é "La Traviatta", que é sobre uma prostituta que se apaixona por um homem rico.
- A versão disponível na edição em DVD de 2005, comemorativa do 15.º aniversário, tem várias cenas que não surgem na versão original. Vi esta versão uma vez no canal Hollywood.

Trailer:


"It Must Have Been Love" Roxette:






   

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1 comentário:

  1. Nunca vi de uma ponta à outra, mas entre reclames e alguns minutos das 500 vezes que passou na TV já devo ter visto todo :D

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