segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Blocos Publicitários RTP1 (Agosto 2000)

por Paulo Neto





Já se sabe que aqui na Enciclopédia gostamos volta e meia de analisar a publicidade que passava na televisão no passado, através de vídeos dos blocos que surgem no YouTube. Desta vez, vamos passar pela primeira vez além dos anos 90 (uma vez que dizer "século XXI" não seria tecnicamente correcto já que o dito só começou de facto em 2001) e vamos analisar blocos emitidos pela RTP 1 no dia 27 de Agosto de 2000, por entre a emissão do "Domingo Desportivo", disponibilizados pelo canal de Vasco Ferreira. Por esta altura, a época 2000/01 da I Liga de Futebol - que viria a ser surpreendentemente vencida pelo Boavista - estava na segunda jornada e estávamos a poucas semanas do início dos Jogos Olímpicos de Sydney cuja abertura seria a 15 de Setembro.


0:00 Uma excelente promo à cobertura da RTP dos Jogos Olímpicos de 2000 cheia de imagens dos Jogos anteriores em Atlanta nos diversos desportos com um poderoso jingle (alguém sabe quem é o cantor dono daquele vozeirão que surge a meio da canção?) e onde claro não podiam faltar alguns dos nossos maiores atletas portugueses que iriam competir em terras australianas: Carla Sacramento, Manuela Machado, Rui Silva, António Pinto e claro a nossa campeã Fernanda Ribeiro. Como se sabe, em Sydney Portugal obteve duas medalhas de bronze: Fernanda Ribeiro nos 10000m (com um tempo mais rápido do que aquele que lhe valeu o ouro em Atlanta) e Nuno Delgado no judo, na categoria de -81 quilos.
1:00 O Domingo Desportivo era então patrocinado por Vasenol Deo For Men e Redex Bala.
1:10 Pedro Martins era o apresentador do Domingo Desportivo e entre os destaques desportivos do dia estavam a derrota do FC Porto contra o Belenenses por 2-0 e a goleada do Benfica ao Beira Mar por 4-1. Segue-se um resumo deste jogo em que os golos dos encarnados foram marcados por Sabri, Poborsky, Maniche e Van Hooijdonk e a baliza do Benfica era defendida pelo malogrado Robert Enke. Este seriam um dos poucos momentos auspiciosos do Benfica nessa época, já que as águias terminariam apenas no sexto lugar, a sua pior classificação de sempre.




0:00 Esta jornada também correu bem ao Sporting vencendo no reduto do Vitória de Guimarães, com o argentino Acosta em destaque.
0:10 Promo à estreia da telenovela "Ajuste de Contas", a última telenovela produzida pela NBP (actual Plural) para a RTP, antes de ajudar a tornar a TVI no bastião das telenovelas nacionais.
0:23 Como na altura ainda não havia a RTP Memória, a RTP1 passava então em reposição um dos seus programas mais míticos "Sabadabadú", dezanove anos após a sua estreia em televisão e treze anos após o falecimento de Ivone Silva, com as novas gerações a descobrirem os Agostinhos e outras personagens lendárias. O episódio a ser exibido na terça-feira seguinte era o nono (originalmente exibido a 13 de Fevereiro de 1982) e tinha as participações de Lara Li, Vítor de Sousa e Carlos Quintas.
1:04 O regresso do "Quem Quer Ser Milionário?" era uma das apostas da RTP para o rentrée de Setembro desse ano. Na imagem via-se Renata Morgado, a única concorrente que atingira o prémio máximo na primeira temporada, apresentada por Carlos Cruz.
1:11 Porque, tanto ou mais que as mulheres, os homens também lutam com problemas de transpiração e maus odores ao longo do dia, a Vasenol tinha então lançado um desodorizante a pensar nas peles masculinas. (E claro que se impunha a imagem de torso masculino bem torneado).
1:40 Para limpar as sujidades dos pára-brisas do popó, nada como usar Redex Limpa-Vidros...perfumado.
1:51 Os actores Marco Delgado e Pedro Górgia protagonizavam então uma série de anúncios à cerveja Carlsberg, cujas personagens chamavam-se precisamente Carls e Berg. Neste anúncio, os dois aderiam a uma forma digamos, diferente, de fazer exercício na praia.
2:26 Outro ícone do tele-esoterismo nacional: Miguel de Sousa mais conhecido como o senhor do Oráculo de Bellini, que estava disponível para consultas a uma chamada de 538 escudos (2,69 euros) por minuto. (Duração máxima de 20 minutos).
2:56 Rumo aos Jogos Olímpicos de Sydney, a RTP emitia alguns anúncios em parceria com o Comité Olímpico de Portugal e o iogurte Yop Energy onde se recordavam grandes feitos olímpicos do passado, com o título "Na Vida Como No Desporto". Neste caso, recordávamos a passagem do testemunho do japonês Sawao Kato para o soviético Nikolay Andrianov como o melhor ginasta do mundo nos Jogos Olímpicos de 1976 em Montreal.
3:58 Anúncio à cerveja Sagres onde alguns jovens efabulam futuras carreiras e conquistas (MTV Awards, Óscares, medalhas olímpicas, explorações no Ártico) num cenário de praia por entre goles da dita cerveja.
4:29 Sofia Cerveira apresentava então na RTP um programa de viagens apropriadamente intitulado "As Viagens de Sofia" e surgia aqui promovendo um concurso via chamada de valor acrescentado onde era preciso dizer uma frase sobre Itália para ganhar uma viagem...à Turquia?
4:50 (Falar com sotaque britânico) Um anúncio de uma campanha do Gin Bosford's capturando algumas características tipicamente british.
5:00 Não terá sido icónica quanto Maya ou Alcina Lameiras, mas Nelly Montserrat também era presença assídua nos anúncios de tele-esoterismo. Mas desta vez Montserrat não promovia uma linha de valor acrescentado para as suas consultas mas sim um sorteio onde era possível ganhor o seu curso de tarot.
5:30 Lembro-me que a RTP teve um sucedâneo do "Cantigas da Rua" chamado "Nasci Para A Música" apresentado pelos Anjos, mas antes disso teve outro chamado "Estrelas Do Mar", apresentado por Miguel Gameiro e Miguel Dias. O programa divulgado nesta promo teve lugar em Vila Real de Santo António e teve como convidados os D'Arrasar. (Patrocinado pela água de Carvalhelhos).
6:27 Hoje em dia não se pode com tanto programa de debate futebolístico onde os níveis de discussão nivelam pelo mais baixo possível e onde se discute mais o que se acontece fora do que dentro das quatro linhas. Mas nos idos de 2000, este tipo de programas já existia e na RTP tinha o título de "Jogo Falado" (que ainda hoje subsiste na RTP3) e tinha no seu painel Fernando Seara, Pedro Santana Lopes e o já falecido Pôncio Monteiro. 


0:00 Para depois do intervalo, o Domingo Desportivo iria analisar a jornada na II Liga (que nessa época seria vencida pelo Santa Clara e que daria ao Vitória de Setúbal e ao Varzim o regresso ao escalão principal). 
0:09 Depois de Carlos Cruz, seria agora Maria Elisa a apresentar a segunda temporada do "Quem Quer Ser Milionário". Diogo Infante, Jorge Gabriel, José Carlos Malato e Manuela Moura Guedes também apresentariam o concurso em ocasiões vindouras. Entretanto nessa altura, Carlos Cruz tinha-se transferido para a SIC para apresentar outro concurso "A Febre do Dinheiro". 
0:23 No dia seguinte, estava prevista a exibição do thriller "Brincadeiras Perigosas" na "Lotação Esgotada". Este filme austríaco de 1997 foi um inesperado sucesso do cinema europeu, revelando o realizador Michael Haneke que viria depois assinar obras como "A Pianista", "O Laço Branco" e "Amor". O filme teve uma remake americana em 2007 também realizada por Haneke, com Tim Roth e Naomi Watts.
1:03 "Lotação Esgotada" era então patrocinada pela pomada Sperti H, pela Worten e Sumol Néctar.
1:17 Nova promo à telenovela "Ajuste de Contas" com os actores Pedro Lima e Anabela Teixeira.
1:21 Outra vez o anúncio do Oráculo de Bellini.
1:55 O IAPMEI promovia um concurso das melhores PME do país.
2:10 Anúncio à Revista TV Guia que na altura celebrava 20 anos de publicação. Na altura ainda era vista como a principal publicação sobre televisão mas actualmente, e à semelhança das outras revistas do género, vai subsistindo nos moldes da imprensa tablóide/cor-de-rosa. O que tendo em conta o seu legado, é profundamente lamentável.
2:19 De novo o passatempo promovido pelo programa "As Viagens de Sofia".
2:40 (Falar com sotaque britânico) Outro anúncio ao gin Bosford's. The British spirit.
2:49 O mítico "Hugo" continuava no ar, agora apresentado por Fernando Martins, famoso pela sua participação na série "Riscos". Este anúncio promovia o lançamento de "Huganiversário" que continha alguns dos mais famosos jogos do Hugo e oferecia grátis uma máquina fotográfica.
3:10 De novo o curso de tarot de Nelly Montserrat.
3:41 Mais um passatempo via linha de valor acrescentado onde era possível ganhar um estágio de um fim-de-semana a pilotar um verdadeiro carro de Fórmula 1, para além de computadores com ligação à internet.
4:10 De novo a promo ao Jogos Olímpicos de Sydney. Uma vez que já falámos dos atletas portugueses, que tal identificar os estrangeiros? Eis aqueles que notei: Fu Mingxia (China, saltos para a água), Javier Sottomayor (Cuba, salto em altura), Michael Johnson (EUA, 200 e 400m), Tomas Dvorak (República Checa, decatlo), Claudia Poll (Costa Rica, natação), Carl Lewis (EUA, salto em comprimento), Robert Korzeniowski (Polónia, marcha).



0:00 Após o "Domingo Desportivo" seria possível ver o resumo do Grande Prémio da Bélgica em Fórmula 1, disputado nesse dia com a vitória do finlandês Mika Hakkinen no mítico autódromo de Spa-Francochamps. O apresentador refere ainda que não foi possível transmitir imagens do jogo Paços de Ferreira - Desportivo das Aves. 
0:59 De novo a promo ao regresso do "Quem Quer Ser Milionário" com Maria Elisa. Se não estou em erro, houve dois vencedores do prémio final nessa temporada. E já agora, uma menção especial a um dos seguidores da "Enciclopédia de Cromos" no Facebook, Sérgio Ferreira Silva, que venceu o concurso em 2015.    
1:13 Uma jovem de frondoso cabelo castanho e olhos azuis confidencia: "Sinto que o estou a perder". Cabelo, diga-se. Felizmente a Pantene desenvolveu um champô que ajuda reduzir a queda de cabelo até 81%. Se repararam a voz-off era de José Carlos Malato, na altura ainda mais conhecido das lides radiofónicas do que das televisivas. 
1:44 De novo o gin Bosford's. 
1:54 E o concurso das PME.
2:12 Já sabem como são os anúncios do desodorizante AXE. Um homem ou rapaz comum aplica o dito cujo na sovaqueira e no peitoril e quando de dá por si, tem uma ou mais jeitosonas à perna. Neste anúncio em específico, um rapaz assiste a um combate de wrestling e a bela morena ao seu lado fica logo interessada. Os dois vão partilhando umas pipocas até que a morena é esmagada por um dos lutadores que fora lançado do ringue pelo seu rival. O que vale é que do outro lado estava uma loura... 
2:40 No ano 2000, o que é que ainda se podia fazer por um escudo (meio cêntimo)? Cozinhar um esparguete ou os bigodes de um camarão...Mas graças ao poder concentrado de Fairy (quatro vezes mais do que um detergente normal segundo constava), podia-se lavar uma forte pratada de louça gastando a quantidade de detergente equivalente a um escudo!      
3:15 Reconheceram a heroína deste anúncio à pasta de dentes Aquafresh Action, que entre outras coisas, combatia 99% das bactérias? É Soraia Chaves, então com apenas 18 anos. 
3:31 A vinheta "vintage" dos filmes Castello Lopes anunciam a transmissão de um filme. (Mas não sei dizer qual). 



Para terminar, devo confessar que apesar destes serem os blocos mais recentes todos aqueles já analisados neste blogue, não me lembrava da maioria dos anúncios aqui analisados. Acho que os únicas que eu me lembrava minimamente foram os das cervejas Carlsberg e Sagres e o do Comité Olímpico de Portugal. E sobretudo, não consigo perceber como é que eu, que sou vidrado em tudo o que diz respeito aos Jogos Olímpicos, não me recordava daquela grandiosa promo. 



sábado, 25 de agosto de 2018

Incêndio do Chiado (1988)

Incêndio do Chiado - 25 Agosto 1988




Em finais de Agosto de 1988, os portugueses colavam-se aos ecrãs dos televisores, não para assistir aos Jogos Olímpicos ou algo do género, mas para testemunhar atónitos à destruição do Chiado, celebre zona comercial da Baixa da capital do país. Na época estava de férias na ilha, e a minha família acompanhou o drama do fogo a avançar pela televisão a bateria dos nossos vizinhos do lado. Além dos edifícios de comércio e serviços, também foram perdidos bastantes edifícios seculares. Infelizmente também são de lamentar duas vítimas mortais, e mais de 50 feridos causados por num incêndio que lavrou quase sem controlo durante vários dias e que mesmo depois de extinto deu ainda trabalho aos bombeiros durante dois meses na remoção de escombros. Apesar de todas as perdas materiais, a zona foi lentamente reconstruída e reanimada.


Parte de cobertura da RTP:



Reportagem da SIC de 2008:



As 2 edições do Diário de Lisboa de 25 de Agosto de 1988 davam destaque à "maior catástrofe  ocorrida na capital desde 1775":




Publicado originalmente no Tumblr da Enciclopédia em 2013 (Incêndio do Chiado - 25 Agosto 1988).

sábado, 18 de agosto de 2018

A Cidade dos Anjos (1998)

por Paulo Neto

Quando se recorda o ano de 1998 no cinema, as primeiras lembranças serão provavelmente de blockbusters de acção e afins: "Titanic", "Armageddon", "Impacto Profundo", "Hora de Ponta", "Inimigo do Estado", "Perdidos No Espaço", "Godzilla", "A Máscara de Zorro"... Mas é óbvio que filmes de outros géneros também fizeram sucesso nesse ano. Foi por exemplo o caso de "A Cidade dos Anjos", um melodrama sobrenatural realizado por Brad Sieberling e protagonizado por Nicolas Cage e Meg Ryan. O filme era uma adaptação livre do filme alemão de 1987 "As Asas do Desejo" de Wim Wenders. Ambos os filmes são sobre um anjo fascinado com a vida dos humanos e com uma mulher em particular, mas as histórias tomam rumos diferentes.



Em Los Angeles, vários anjos velam sobre os habitantes da cidade. Dois deles, Seth (Cage) e Cassiel (Andre Braugher) têm como função acolher os humanos que estão perto da morte e a ajudá-los a passar para o Além, tornando-se visíveis para os moribundos, a quem costumam perguntar qual foi a melhor coisa de terem vivido. Como os anjos não têm sensações nem emoções, Seth é particularmente fascinado pelos relatos dos humanos que acolhe e por aquilo que experimentam.





Quando se prepara para aparecer a um homem que morreu de ataque cardíaco, Seth fica impressionado com o esforço da cirurgiã Maggie Rice (Ryan) para salvar a vida do homem e decide tornar-se visível para ela para a ajudar a separar a angústia de ter perdido o paciente. Os dois rapidamente estabelecem uma ligação que depressa se transforma em atracção mútua.
Entretanto Seth descobre que Nathaniel Messinger (Dennis Franz), um dos pacientes de Maggie, foi outrora um anjo que se tornou humano para ficar com Teresa (Joanna Merlin), com quem casou, e que por livre-arbítrio, os anjos podem tornar-se humanos através de um processo designado como "queda". Seth decide então tentar a "queda" por amor a Maggie, mas será que valerá a pena?




Apesar de não ter convencido a crítica e das inevitáveis comparações com a obra-prima de Wenders, "A Cidade dos Anjos" foi um êxito junto do público e recebeu alguns elogios nomeadamente quanto à interpretação de Meg Ryan e à fotografia, com belíssimos planos da cidade dos Los Angeles. Outro ponto forte do filme foi a banda sonora que aliava a partitura de Gabriel Yared com canções de vários artistas como U2, Jimi Hendrix, Paula Cole, Eric Clpaton e Peter Gabriel. Três canções tornar-se-iam clássicos radiofónicos: "Angel" de Sarah McLachlan, "Uninvited" de Alanis Morissette (nomeada para o Globo de Ouro de Melhor Canção) e sobretudo "Iris" dos Goo Goo Dolls

Trailer


"Iris" Goo Goo Dolls


    

 

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

ABBA "Gold:Greatest Hits" (1992)

por Paulo Neto

Com a estreia da sequela de "Mamma Mia" dez anos depois do primeiro filme e o anúncio surpresa de que os quatro membros do grupo se reuniram ao fim destes anos todos para gravar duas canções inéditas a serem lançadas no final deste ano, porque não recordar aqui na Enciclopédia de Cromos a música dos ABBA, que sem dúvida redefiniram a música pop nos anos 70 e inícios dos anos 80?


Em 1983, Agnetha Faltskog, Bjorn Ulvaeus, Benny Andersson e Anni-Frid Lynstaad anunciavam que o grupo iria fazer uma pausa na actividade para se dedicarem a outros projectos. Agnetha e Frida recuperaram as carreiras a solo, Benny e Bjorn direccionaram os seus talentos de songwriting para outras paragens (como o musical "Chess") e paulatinamente ia ficando claro que a pausa temporária dos ABBA era na verdade permanente.
Entretanto o seu repertório continuava a ser ocasionalmente tocado nas rádios e começava a ser objecto de tributos como o musical "Abbacadabra", a banda de tributo Bjorn Again ou, já nos anos 90, o EP "ABBA-esque" dos Erasure. Mas em 1992, quando a Polygram adquiriu a editora dos ABBA (Polar Music) e com ela os direitos ao catálogo do grupo, editou uma compilação reunindo dezanove dos maiores sucessos do quarteto sueco intitulada "Gold: The Greatest Hits".


Editada já a pensar no mercado natalício desse ano, "Gold" tornou-se um campeão de vendas e apresentou a música dos ABBA a uma nova geração enquanto permitiu às anteriores recordarem as canções daquele tempo. Nas suas mais diversas edições e reedições, "Gold" vendeu mais de 30 milhões de cópias em todo o mundo. (A edição que eu tenho é a de 1999, comemorativa dos 25 anos da vitória no Festival da Eurovisão com "Waterloo", que contém as assinaturas dos quatro membros impressas na caixa do CD.) A edição desta compilação foi também importante pois nessa altura as anteriores compilações do grupo tinham sido descontinuadas e apenas os álbuns de originais continuavam à venda, pelo que era então a oportunidade única para novos e velhos fãs terem reunidos num só disco os principais êxitos dos ABBA.
Claro está que sendo os ABBA uma banda tão prolífica, reduzir para dezanove as canções a serem incluídas em "Gold" foi tarefa complicada e implicou deixar de fora alguns hits e/ou canções favoritas dos fãs como por exemplo "Summer Night City", "When I Kissed The Teacher", "I Do, I Do, I Do, I Do, I Do" ou "Angeleyes", que seriam incluídas na compilação subsequente "More Gold". Mas sem dúvida que as 19 canções de "Gold" são sem dúvida uma boa amostra das canções mais emblemáticas dos ABBA e da sua mestria para a composição de música pop em vários registos.
Vamos então analisá-las uma a uma, pela ordem de alinhamento do disco:



1. Dancing Queen (1976, "Arrival"): Começamos em beleza com aquela que é sem dúvida uma das canções mais emblemáticas dos ABBA. "Dancing Queen" é uma daquelas canções que é uma alegria ouvir da primeira à última nota, com a harmonia das vozes de Agnetha e Frida a soar divinal por entre as camadas de arranjos instrumentais e de sintetizadores, bebendo influências ao "Wall Of Sound" de Phil Spector e aos ritmos do disco-sound americano. Os quatro membros afirmaram que se havia canção da qual tinham certeza de que seria um grande hit enquanto a gravavam era "Dancing Queen". E não se enganaram, já que o tema foi n.º1 em mais de uma dúzia de países, notavelmente sendo o seu único single n.º 1 nos Estados Unidos. Em alguns países como o Reino Unido, "Dancing Queen" foi reeditado em single para promover "Gold". E claro está, teve imensas versões de Kylie Minogue aos U2 e foi um dos singles dos A Teens no seu álbum de versões dos ABBA. A revista Rolling Stone colocou-o em n.º 174 das 500 melhores canções de sempre.
Apropriadamente, os ABBA interpretaram pela primeira vez "Dancing Queen" na gala que antecedeu o casamento do Rei Carlos Gustavo da Suécia com a futura rainha Sílvia. A primeira vez que me recordo ter ouvido "Dancing Queen" foi no especial "ABBAcadabra", na canção da Rainha Má interpretada por Lenita Gentil.     
2. Knowing Me, Knowing You (1977, "Arrival"): Eu ouvi pela primeira vez "Knowing Me, Knowing You" pela primeira vez no 7.º ano porque uma colega de turma tinha "Gold" em cassete e ela costumava fazer coreografias com as canções do ABBA com outras raparigas da turma, algumas delas para serem apresentadas durante as festas da 100.ª lição das disciplinas.
Na altura, os dois casais dos ABBA ainda estavam juntos mas já sabiam como cantar o fim de uma relação e todos os dramas inerentes. Mais uma vez, as harmonias de Agnetha e Frida são um ponto alto (completadas no refrão pelos "hã hã" de Bjorn e Benny) mas a minha parte preferida são os solos de guitarra. Foi o sexto n.º 1 consecutivo dos ABBA na Alemanha Ocidental, tendo chegado ao lugar cimeiro no Reino Unido, Irlanda, México e África do Sul. Entre os nomes que já o cantaram ao vivo ou em disco, estão Elvis Costello, Evan Dando e Right Said Fred. 


3. Take A Chance On Me (1978, "ABBA-The Album"): Famoso pelo seu início em acapella, "Take A Chance On Me" foi o principal sucesso do álbum que acompanhou "ABBA - O Filme", a longa-metragem semi-documentário, semi-ficção realizado pelo conhecido realizador Lasse Halstrom, que realizou vários dos videoclips do grupo. Fazendo jus à letra da canção que fala de uma mulher que decide mostrar ao objecto da sua afeição que ela é aquela que ele procura numa parceira, o videoclip mostrava Agnetha e Frida mais sedutoras que nunca, dançando para os respectivos parceiros sentados numa cadeira e piscando os olhos sensualmente para a câmara.
Graças à sua actuação num especial de Olivia Newton-John para a televisão americana, "Take A Chance On Me" foi o segundo maior sucesso dos ABBA nos Estados Unidos, chegando ao n.º 3 do top americano, tendo sido n.º 1 no Reino Unido, Áustria, Bélgica, Irlanda e México. Foi ainda a mais popular das quatro canções do EP "Abba-Esque" dos Erasure que foi n.º 1 do top britânico. 


4. Mamma Mia (1975, "ABBA"): Se este já era uma das canções mais emblemáticas dos ABBA, após a edição "Gold", "Mamma Mia" tornou-se ainda mais mítica, dando o nome ao famoso musical que viria a ser convertido em filme e foi o primeiro single dos A Teens (que chegaram a editar o single na Suécia sob o nome de ABBA Teens ao que rapidamente os ABBA originais objectaram) em 1999. O famoso hino às relações "nem contigo nem sem ti" não estava previsto ser editado em single mas a exibição do videoclip na Austrália gerou tanto interesse que a edição não se fez esperar e o sucesso nos Antípodas alastrou-se ao resto do mundo, tendo chegado ao n.º 1 no Reino Unido, Irlanda, Suíça e Alemanha.
Tal como "Knowing Me, Knowing You", eu ouvi pela primeira vez "Mamma Mia" durante os ensaios de uma coreografia de umas colegas da minha turma do 7.º ano.
5. Lay All Your Love On Me (1980, "Super Trouper"): Um dos temas mais dançáveis dos ABBA, com uma letra que fala sobre como ninguém está imune de ser assolado por ciúmes, "Lay All Your Love On Me" foi editado apenas como um single de 12 polegadas, o que não impediu de chegar ao n.º 7 do top britânico, onde tornou-se até então o single mais vendido neste formato. De entre as versões existentes, duas em particular firmaram o tema com um clássico do ABBA: a dos Erasure em 1992, incluída no EP "Abba-Esque" e a de Amanda Seyfried e Dominic Cooper no filme "Mamma Mia".

6. Super Trouper (1980, "Super Trouper"): Isto da fama e da fortuna não são só rosas, e foi também o lado mais solitário da fama que os ABBA evocaram na faixa-título do álbum de 1980. Embora Frida fosse a vocalista principal no tema, sem dúvida que os sentimentos da letra diziam sobretudo mais a Agnetha, que nunca escondeu que preferia o processo criativo das gravações à azáfama das digressões. "Super Trouper" foi o último dos nove n.º 1s dos ABBA no Reino Unido.
A primeira vez que ouvi o "Super Trouper" foi num clube de vídeo em finais de 1992 onde tinha ido com o meu pai, uma vez que o dono tinha posto o CD de "Gold" a tocar. Meses mais tarde, no final do meu 8.º ano, houve na minha escola um desfile de moda em que vários alunos do 9.º ano desfilaram com roupas das diferentes décadas e apesar de já ser de 1980, "Super Trouper" foi a música utilizada para o desfile dos anos 70.
Confesso também ter um fraco pela versão dos A Teens, que foi o seu segundo single.
7. I Have A Dream (1979, "Voulez-Vous"): Uma das mais amadas canções do ABBA, a balada "I Have A Dream" destaca-se também por ser o único tema a incluir vozes que não as dos quatro membros do grupo, já que o ponto alto da canção é o coro de crianças da Escola Internacional de Estocolmo que se ouve a partir do segundo refrão. (O verso "I beliiiiiiiiiiieve...in angels!" é mítico).
O tema foi n.º 1 na Bélgica, Áustria, Holanda e Suíça e n.º 2 do Reino Unido onde outra canção com um famoso coro infantil ("Another Brick In The Wall") impediu-o de ser o último n.º 1 dos anos 70 em terras britânicas. Mas em 1999, a boyband irlandesa Westlife gravou uma versão que foi n.º 1 no Natal desse ano, tornando-se o último n.º 1 dos anos 90 (e do século XX, se se ignorar que de facto o século XXI começou em 2001 e não em 2000) no Reino Unido. 




8. The Winner Takes It All (1980, "Super Trouper"): Agnetha e Bjorn separaram-se em 1979 ao fim de oito anos de casamento e por isso era irresistível querer associar a temática desta canção ao fim da união de ambos. Claro que os dois sempre negaram que "The Winner Takes It All" seria algum reflexo do que se passara entre eles e fizeram sempre por afirmar que, para bem dos filhos, o divórcio de ambos foi pacífico e civilizado, sem vencedores nem vencidos.
Mas não só a letra fala de uma mulher que por muito afirme ao ex-amado que já superou o fim do amor comum, acaba por admitir que não é bem assim, a voz de Agnetha soa profundamente emotiva e melancólica, e a mudança para um ritmo mais rápido ao longo da canção só acentua mais essas emoções. Assim como o videoclip, que mostrava Agnetha a cantar para a câmara com ar taciturno e com várias cenas em que ela aparece com ar triste enquanto os outros três estão todos risonhos. Foi aliás através do videoclip (no espaço da MTV com Catarina Furtado nos primórdios na SIC) que eu ouvi "The Winner Takes It All" pela primeira vez e desde então que é uma das minhas canções preferidas dos ABBA. Também é o meu momento preferido do filme "Mamma Mia" quando uma Meryl Streep à beira das lágrimas canta a canção a Pierce Brosnan.   
9. Money Money Money (1976, "Arrival"): É certo e sabido que o dinheiro não traz felicidade, mas que ajuda bastante, ajuda. É sobre essa arreigada premissa que os ABBA compuseram "Money Money Money", sobre uma mulher que sonha que um dia há de encontrar um homem rico ou ganhar uma fortuna no jogo e deixar para trás os seus tormentos financeiros. O tema proporcionou uma das mais poderosas interpretações de Frida, com a sua voz a imprimir todo o dramatismo que se impõe.


10. S.O.S. (1975, "ABBA"): "S.O.S." é tido como o primeiro grande hit mundial dos ABBA após "Waterloo". Os singles que se seguiram tiveram sucesso relativo em alguns países (por exemplo, gerando já algum culto na Austrália e na Nova Zelândia) mas foi com "S.O.S." que voltaram a conhecer o sucesso global, atingindo o n.º 1 no Reino Unido, Austrália, Irlanda, Alemanha, Bélgica, França e Nova Zelândia e ao top 20 dos Estados Unidos. O tema tem alguns fãs inesperados: por exemplo, Björn Ulvaeus referiu que Pete Townsend dos The Who lhe disse certa vez que era sua canção pop preferida. Agnetha Faltskog gravou também uma versão a solo em sueco e das muitas covers e recriações de "S.O.S." que existem (por nomes que vão desde Peter Cetera aos Portishead), destaco "Bring Me Edelweiss" de 1989, do grupo austríaco Edelweiss, uma mistura ultra-louca de house, hip hop e canto tirolês.   
11. Chiquitita (1979, "Voulez-Vous"): O primeiro single do álbum "Voulez-Vous", "Chiquitita" é uma das baladas mais famosas dos ABBA, em que Agnetha canta para alegrar a amiga que sofre de um desgosto amoroso. Quer na versão em inglês, quer em espanhol, "Chiquitita" tornou-se um dos seus singles mais vendidos do grupo. Foi esta canção que o quarteto cantou na gala da UNICEF para o Ano Internacional da Criança e ainda hoje, 50% dos lucros da canção são revertidos a favor da UNICEF. A primeira vez que ouvi esta canção foi na versão dos Onda Choc, "A Mais Bonita".


12. Fernando (1976, "Greatest Hits"): Inicialmente "Fernando" estava apenas pensado para ser uma faixa em sueco para o álbum a solo de Frida, mas o sucesso local encorajou-os a gravar uma versão em inglês para o primeiro álbum "Greatest Hits" da banda. Se na versão em sueco, a temática da letra é semelhante à de "Chiquitita", na versão em inglês, invoca-se as memórias de dois combatentes na Revolução Mexicana. (Na sua rubrica "As Baladas do Doutor Paixão, Nuno Markl sugeriu que estes dois antigos combatentes poderão ter tido um momento "Brokeback Mountain"). Seja como for "Fernando" vendeu mais de seis milhões de cópias só no ano de 1976. No segundo filme de "Mamma Mia", Cher canta uma versão acompanhada por Andy Garcia.     
13. Voulez-Vous (1979, "Voulez-Vous"): Um dos mais populares temas disco dos ABBA, "Voulez-Vous" é única canção do grupo que foi gravada fora da Suécia: foi composto durante uma viagem às Bahamas e gravada em Miami, o que sem dúvida se reflecte na atmosfera quente do tema. Em alguns países, "Voulez-Vous" também foi reeditado como single durante o lançamento de "Gold" e eu lembro-me de ser o vídeo mais escolhido para representar a compilação no "Top +".


14. Gimme! Gimme! Gimme! (A Man After Midnight) (1979, "Greatest Hits vol. 2"): Hoje em dia é conhecida como a canção que foi utilizada como sample em "Hung Up" de Madonna, mas "Gimme Gimme Gimme..." (muito gostavam os ABBA de títulos repetitivos!) já era uma das suas mais populares faixas dançáveis. Um dos temas inéditos do seu segundo álbum de "Greatest Hits" o tema foi mais um hit global para o grupo e o seu single mais bem-sucedido no Japão. A versão dos A Teens foi o terceiro single do seu álbum de covers dos ABBA e a actriz Amanda Seyfried gravou uma versão para promover a banda sonora de "Mamma Mia", embora não seja essa a versão incluída no filme. E serei o único a pensar em música de câmara quando ouço o famoso solo de sintetizador?


15. Does Your Mother Know (1979, "Voulez-Vous"): O mais famoso single dos ABBA em que o vocalista principal é Björn, com Frida e Agnetha a limitarem-se aos coros, "Does Your Mother Know" é capaz de ter sido uma das primeiras canções dos ABBA que eu ouvi, já que estava incluído numa compilação que os meus pais tinham em casa, que também tinha por exemplo canções de Elton John, Gemini e Sidney Magal. A letra fala sobre um homem hesitante entre ceder aos avanços de uma rapariga bem mais jovem ou de pôr um termo à situação. No filme "Mamma Mia", esses papéis são famosamente invertidos evidenciando o caso da personagem de Christine Baranski com um jovem.


16. One Of Us (1981, "The Visitors"): O derradeiro álbum de originais do grupo, "The Visitors" é o único álbum dos ABBA que me recordo de ver em minha casa. (A minha mãe disse-me certa vez que ela e o meu pai tinham outros, mas que estes foram emprestados e nunca mais devolvidos.) O único tema deste álbum a ser incluído em "Gold" é a balada "One Of Us". Nesta altura, os dois casais estavam separados, com o divórcio de Benny e Frida a ser oficializado nesse ano e é um dos temas do álbum que reflectem o tema da separação amorosa. Tal como o outro casal, também Benny e Frida asseguraram que a separação em nada afectava a amizade e a parceria musical entre ambos. No entanto, embora seja Agnetha a voz principal em "One Of Us" e a protagonista do videoclip, a imagem mais impactante deste é a de uma Frida invulgarmente tristonha, mostrando que a sua vida passava por um mau bocado. "One Of Us" foi o último single dos ABBA a chegar ao n.º1 algures (Alemanha, Bélgica, Holanda e Irlanda). Nas suas actuações ao vivo, era costume os Silence 4 iniciarem o seu hit "Borrow" com David Fonseca a cantar o refrão de "One Of Us". Recomendo também a versão orquestral do grupo alemão Dune.   
17. The Name Of The Game (1977, ABBA - The Album"): "The Name Of A Game" foi a primeira canção dos ABBA a ter autorização para ser usada como sample, a saber em "Rumble In The Jungle" dos Fugees. É uma das suas composições mais elaboradas, com Agnetha e Frida a terem cada uma parte cantada a solo além do refrão com as harmonias de ambas.
18. Thank You For The Music (1977, ABBA - The Album"): Originalmente incluída em "ABBA - The Album", "Thank You For The Music" era uma das quatro canções que compunham o mini-musical "The Girl With Golden Hair" que os ABBA interpretavam durante a digressão deste álbum. Em 1983, quando já sentia que a pausa dos ABBA era na verdade o seu cair do pano, alguns países resolveram editar o tema como single à laia da despedida e para promover uma compilação da Epic Records. E de facto, "Thank You For The Music" já cumpriu por diversas vezes a função de fecho com chave de ouro: no filme "ABBA-The Movie", era tocado nas cenas finais, era a canção final do musical "ABBAcadabra" (que em português teve o curioso título de "Não Basta Ralhar"), mas aqui em Portugal recordamos sobretudo a imagem do final de cada sessão do "Chuva de Estrelas" em que cada um dos concorrentes cantava à vez: "Vivo para a música, canções que canto, com a alegria e o encanto...
 

19. Waterloo (1974, "Waterloo"): E o disco termina com o princípio. Em 1973, os ABBA tentaram a sua sorte em representar a Suécia no Festival da Eurovisão com "Ring Ring" (então ainda sobre o nome de Bjorn & Benny, Agnetha & Anni-Frid). Mas foi em 1974 que então já com o nome que se lhes conhecem que foram à Eurovisão, dando à Suécia o seu primeiro triunfo no certame (que nesse ano se disputou na cidade inglesa de Brighton) com "Waterloo". Os figurinos da banda, inspirados no glam-rock, não deixaram ninguém indiferente e nem sequer faltou o chefe da orquestra Sven-Olof Waldoff vestido como Napoleão. No seu livro "Eurovisão: de ABBA a Salvador Sobral", Nuno Galopim refere um facto curioso: embora a vitória dos ABBA tivesse sido concludente, liderando desde o princípio e terminando a seis pontos da Itália que ficou em segundo lugar, não foi propriamente esmagadora, pois "Waterloo" não recebeu nenhuns pontos da Bélgica (o país onde actualmente fica Waterloo) nem do Reino Unido (o país vencedor da dita batalha). Seja como for, "Waterloo" tornar-se-ia a canção mais icónica do Festival da Eurovisão (em 2005, venceu uma eleição da melhor canção de sempre do certame) e tornou-se um êxito global, chegando mesmo ao top 10 americano. Eu não tenho a certeza se ouvi primeiro o original dos ABBA ou a versão de 1986 dos Doctor & The Medics, cujo videoclip parodiava a actuação dos ABBA na Eurovisão e que passou várias vezes no "Countdown" do Adam Curry. 

Depois da primeira edição de 1992, "Gold" teve quatro reedições: a edição remasterizada de 1999 (que é a que eu tenho), a do 10.º aniversário em 2002, a de 2008 por ocasião da estreia do primeiro filme de "Mamma Mia", a de 2010 com um DVD com os videoclips e a edição especial de 2014 que inclui os dois discos "Gold" e "More Gold", além de um terceiro disco com vinte lados B.



Em Abril deste ano, foi anunciado que os ABBA gravaram duas canções novas a serem apresentadas num especial televisivo no final deste ano. Sabe-se que os títulos são "I Still Have Faith In You" e "Don't Shut Me Down". Serão elas dignas de figurar no panteão das canções que os ABBA no deram no passado?


Anúncio original de "ABBA Gold" 



Bónus: ABBA "The Last Video" (2004)


domingo, 5 de agosto de 2018

KITT do Jardim Zoológico (1990)




Hoje ao ver uma reposição dos pequenos documentários "Bairros Populares de Lisboa", de 1990, reparei que no episódio "Sete Rios", no obrigatório excerto sobre o Jardim Zoológico de Lisboa, uma das diversões para os mais pequenos que foram mostradas, além das pistas de automóveis, carrosséis, foram estas pequenas diversões que trabalham com uma moeda e enquanto a criança se senta no interior se abanam ao som de uma música que invariavelmente se desgastava com o passar do tempo. Aqui na minha terra tínhamos direito a uma Abelha Maia pronta a ser montada por trocos à porta de um quiosque. Mas no Zoo os visitantes eram brindados com pelo menos um Batmobile do filme de 1989 e aquele que me chamou a atenção: uma réplica relativamente realista do famoso K.I.T.T. o fantástico bólide de Michael Knight, da série "O Justiceiro / Knight Rider" (1982-86).



Quando publiquei no Facebook da Enciclopédia o excerto com o vídeo do carro, o leitor David Lamy partilhou uma foto que encontrou na Net, com o interior da viatura, e acrescentou que: "Tinha pedais fazia sons quando acelerávamos era uma maravilha!"
Nota: Entretanto fui investigar e a foto é do interior de um carro na Finlândia, fabricado por Falgas.
Foto do Exterior:
Parece ser o mesmo modelo do "lisboeta".


Este documentário deve ter sido filmado mais ou menos na época que eu e a família fomos visitá-lo. Infelizmente já não devia ter idade e tamanho para entrar no KITT e imaginar que ia aplicar um Turbo-Boost á viatura dos bandidos.

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Fantasmas Luminosos da Matutano



Estes "Fantasmas Luminosos", os fantasmas que brilham no escuro são um clássico brinde da Matutano que muitos recordam com saudade, além das raspadinhas, Pega-Monstros, os Dinossauros, as Caveiras Luminosas. E a fase de "coisas que brilham no escuro" foi tão grande, basta recordar o esqueleto de dinossauro do Planeta Agostini que brilha no escuro e obviamente outra colecção da Matutano, de mais autocolantes luminosos, mas com animais: "Feras Luminosas". Via-se disto colado em todo o lado, cadernos e livros escolares, janelas, etc. Acho os meus poucos sobreviventes desta colecção estão agarrados ás capas de livros, a assombrá-los há mais de duas décadas... Lembro-me de ficar fascinado a apreciar o brilho começar a desvanecer na escuridão...
Obrigado ao Hugo Fernandes que confirmou o nome de ambas colecções, "Fantasmas Luminosos" e "Feras Luminosas". Os fantasmas eram 30 diferentes para coleccionar e eram representações de fantasmas nas mais diversas actividades ou profissões: músico, garçom, cavaleiro, bombeiro, marrão, etc...
Foto: Catarina Baptista.

Foto: Catarina Baptista.

Foto: Catarina Baptista.

Foto: Hugo Fernandes.
Foto: Enciclopédia de Cromos.


Instruções no verso do cartão com o autocolante recortado:
"Chega o fantasma à luz por uns instantes e logo verás como brilha no escuro! Repete quantas vezes quiseres.

Colecciona os terríveis fantasmas da Matutano! Há 30 diferentes!"

Mais alguns exemplos:
Foto: Célia Nunes (Facebook).

Foto: Filipe Ramalho (Facebook).

Foto: O Sótão do Chico.

Os nossos agradecimentos a Catarina Baptista e Hugo Fernandes pelas fotos e informações.

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Com A Verdade M'Enganas (1994-95)

por Paulo Neto

Após o (literalmente) explosivo final de "Roda da Sorte", transmitido no último dia de 1993, Herman José estreou pouco depois, no início de 1994, o seu novo concurso, "Com A Verdade M'Enganas" (sim, com o pronome apostrofado), onde fez-se acompanhar com os seus comparsas da "Roda da Sorte", Cândido Mota e Ruth Rita no mesmo horário de fim de tarde da RTP1 onde nos três anos anteriores girou a Roda.




Ao contrário da "Roda" que era adaptado de um original americano, este concurso era um conceito original, num cenário cheio de referências à banda desenhada e à pop-art de Roy Lichtenstein e afins. 
Cada programa tinha duas equipas de dois concorrentes formadas por sorteio prévio, pois cada um dos quatro concorrentes inscrevia-se individualmente e era constituído por cinco jogos e um puzzle final. Existem vários episódios do concurso no YouTube mas para servir de exemplo, vamos recorrer à prata da casa e utilizar o programa disponibilizado na Enciclopédia TV (subscrevam no YouTube, SFF!), que foi precisamente a primeira sessão do concurso a ser exibido na RTP. Trata-se da primeira de cinco sessões experimentais exibidas na semana de estreia, onde dois convidados famosos formava equipas com pessoas anónimas, neste caso Ana Bola e um rapaz chamado Miguel formaram a equipa A e Vítor de Sousa e uma rapariga chamada Cristina compunham a equipa B.



Jogo 1: Com A Verdade M'Enganas




No primeiro jogo, os membros de uma equipa tinham de adivinhar se duas afirmações sobre cada um dos concorrentes da equipa adversária eram verdade ou mentira. Cada resposta acertada valia 20 pontos.
Neste jogo, ficámos a saber que Ana Bola odeia feijão verde, que Miguel trazia boxers às riscas cor-de-rosas (que obviamente mostrou), que Vítor de Sousa tem mais de 200 miniaturas de cavalos e que Cristina odeia a cor lilás e arroz de polvo.

Jogo 2: Perguntas de cultura geral




O segundo jogo eram perguntas de cultura geral com três hipóteses de resposta. Para serem os primeiros a responder, as equipas usavam um botão que simulava um manípulo detonador de bombas. Cada resposta certa valia 20 pontos.

Leilões de letras


Depois de cada jogo, tinham lugar os leilões de letras. Ruth Rita surgia trazendo letras ora dentro de um carrinho de gelados ora de um carrinho de cabides e Herman escolhia um ou duas letras que fariam (ou talvez não) parte do puzzle final. As equipas licitavam os pontos que tinham até então sendo as letras arrematadas pela equipa que oferecesse mais pontos.

Jogo 3: Erros do Texto

No terceiro jogo, Cândido Mota lia um texto no original (neste caso um poema) e depois uma versão com erros, que as equipas tinham de detectar e corrigir e cada correcção acertada valia 20 pontos.
Neste programa por exemplo, em vez de "viu-se num outeiro com casas e árvores espalhadas", a nova versão dizia "sentou-se num outeiro com vacas e árvores empalhadas". 

Jogo 4: Sala das torturas
Um dos elementos de cada equipa seguia para outro parte do cenário onde se sentavam numas cadeiras a fazer lembrar as cadeiras eléctricas para jogar o quarto jogo em que à vez, um concorrente tinha 30 segundos para fazer rir o outro.
Nesta sessão experimental, Vítor de Sousa conseguiu resistir às tentativas de Ana Bola mas esta desmanchou-se a rir mal o seu colega proferiu o seu mítico bordão "Sobral do Monte Agraço já tem um parque infantil!", vindo de um anúncio do detergente Tide.
Neste jogo o concorrente que fizesse o adversário rir em menos tempo ganhava 40 pontos para a sua equipa. Caso nenhum dos concorrentes se risse ao fim dos 30 segundos, seria a assistência do programa a desempatar.
Nas sessões iniciais, os concorrentes geralmente não iam além de contarem anedotas ou dizer insistentemente "ri-te lá!" mas com o tempo, e sob apelo do Herman, os concorrentes começaram a preparar melhor este jogo, alguns trazendo alguns adereços. Recordo-me de uma concorrente que tentou recriar um anúncio de champô (o "Cabeça e Ombros", em alusão à marca "Head & Shoulders" - actual "H&S"- então recentemente chegada ao mercado português) pegando num frasco enorme e deitando partículas de esferovite sobre o cabelo.

Jogo 5: Letras aldrabadas




O quinto jogo era de longe o meu preferido e uma das principais razões porque mantive memórias deste concurso. Em cada sessão, um convidado musical, acompanhado ao piano por Pedro Duarte (que dava os apontamentos musicais ao vivo ao longo do programa), cantava uma canção do seu repertório e depois uma versão com erros na letra que os concorrentes tinham de detectar e corrigir, ganhando 20 pontos por cada correcção. Escusado será dizer que estas letras aldrabadas eram extremamente hilariantes e quase sempre os cantores ficavam perdidos de riso (e de algum embaraço) a tentar cantar as novas palavras. Para completar a farra, os membros da assistência que se viam ao fundo neste jogo costumavam fazer umas coreografias para acompanhar a canção.
Nesta sessão experimental, o convidado foi Clemente que cantou um dos seus temas mais emblemáticos, "Vais Partir" e viu-se depois a cantar "vais dormir (partir) naquela estrada" e "nuvens de alegria e mil gaitas (ventos) a cantar".     

Eis algumas das mais famosas letras aldrabadas que me recordo
Paulo Gonzo "Jardins Proibidos": "Rasga-se o Abreu (o céu) e lá vou eu"
Anabela "A Cidade (Até Ser Dia)": "De madrugada saio para a rusga (rua)", "entre um tiro (gin) e um beijo", "parto (sinto) tudo o que vejo, há um sarilho (brilho) no ar."
Dulce Pontes "Os Índios da Meia-Praia": "Vou fazer uma chinesa (casinha)", "com sete palmos de whisky (terra) se constrói uma bezana (cabana)"
Armando Gama "Esta Balada Que Te Dou": "Um sonho, uma curte (um livro)" (Aliás, foi neste programa que descobri que afinal ele não dizia "um sonho lindo".)
Manuela Bravo "Sobe Sobe Balão Sobe": "Nem uso preservativo (passaporte)"
Ágata "Perfume de Mulher": "Que eu morro de urticária (ciúme)", "Leva o soutien (perfume) da outra mulher."

Outras memórias:
- Quando Simara foi ao programa, Herman não resistiu em aproveitar o facto de ela ser brasileira para na versão aldrabada de uma canção que ela cantou substituir "saudades" por uma célebre palavra utilizada para definir um estado de excitação sexual que é semi-palavrão em Portugal mas que não tem essa conotação no Brasil (e que aliás os portugueses tinham ouvido regularmente na música do genérico da telenovela "Tieta"). E numa outra sessão com Dina, esta viu-se a cantar uma palavra semelhante mas que não é asneira e aliás faz parte da mitologia grega.
- Da mesma forma, quando Io Apolloni foi ao programa, Herman aproveitou as origens dela para introduzir palavras em italiano na versão aldrabada que ele retirou de uma revista de automóveis, como "sospensioni" e "servo freno".


Puzzle final

A equipa com mais pontos ao fim dos cinco jogos jogava o puzzle final onde tinha de adivinhar uma palavra-chave formada a partir de outras sete palavras que um dos concorrentes tinha de explicar por mímica, tendo como ajuda as letras que adquiriu durante os leilões, em 120 segundos.
Nesta sessão, Ana Bola fez a mímica das palavras (eram permitidos sons, como o que ela usou para a palavra "surdo" mas não podia dizer quaisquer palavras) que Miguel adivinhou correctamente, sendo que a palavra-chave do puzzle era corifeu.
Caso a equipa acertasse na chave-final, cada um dos elementos ganhava 600 contos (cerca de 3000 euros), caso contrário ganhavam os pontos que tinham acumulado em contos. A outra equipa recebia como prémio de consolação pequenos electrodomésticos (ou não fosse o concurso patrocinado pelas então inevitáveis Lojas Singer) como walkmans ou máquinas de pregar botões.



"Com A Verdade M'Enganas" foi transmitido entre 3 de Janeiro de 1994 e 5 de Julho de 1995. Mesmo sem o misticismo da "Roda da Sorte", era um concurso agradável de se ver e ao qual Herman José imprimia todo o seu génio.
E já agora, o que será feito de Ruth Rita? Em 2008, quando a SIC recuperou brevemente a "Roda da Sorte", Herman José referiu que ela estava a tirar um curso de enfermagem e um artigo de 2011 do site do Correio da Manhã refere que ela tinha uma loja de roupa em Telheiras.

Ruth Rita em 2008 no programa Episódio Especial da SIC: Link
Além do Youtube, as sessões do programa estão disponíveis na RTP Play.


domingo, 15 de julho de 2018

Whitney Houston na final do Mundial de Futebol 1994


por Paulo Neto

Depois de um artigo sobre a cerimónia de abertura do Mundial de Futebol de 1994 nos Estados Unidos, porque não outro sobre a cerimónia de encerramento do mesmo certame? Especialmente se a protagonista dessas festividades era nada menos que Whitney Houston.

O Estádio Rose Bowl em Pasadena recebeu a final do Mundial de Futebol de 1994


No dia 17 de Julho de 1994, após 51 jogos disputados, Brasil e Itália disputavam a final do Mundial de Futebol no Estádio Rose Bowl na cidade californiana de Pasadena, um dos municípios do condado de Los Angeles. Quem quer que ganhasse seria o primeiro país a alcançar o tetra já que tanto os canarinhos como os azzuri contavam com três vitórias no palmarés. Pelo lado do Brasil, estavam jogadores como Romário, Bebeto, Dunga, Cafu e Tafarel enquanto a Itália tinha no seu plantel nomes como Baresi, Maldini, Donadoni e Roberto Baggio (que não tinha qualquer parentesco com o colega de selecção Dino Baggio).

Mas antes do jogo, e tal como aconteceu na cerimónia de abertura, o ambiente do estádio foi preenchido com música e dança. Na altura, Whitney Houston ainda colhia os frutos do sucesso do filme "O Guarda-Costas", estava prestes a rodar o seu segundo filme, "Quatro Mulheres Apaixonadas" e tinha dado à luz a sua filha no ano anterior. Decerto que ninguém imaginaria que ela estaria apenas mais dezoito anos neste mundo.

Whitney Houston entrou no estádio de mão dada com Pelé


Whitney Houston entrou no Rose Bowl de mão dada com Pelé himself e subiu ao palco para interpretar uma medley de algumas das suas canções mais conhecidas. Eis o vídeo da sua actuação na transmissão da televisão italiana:



- Houston começou com aquele que foi talvez o seu maior hit dos anos 80, "I Wanna Dance With Somebody". Tal como no espectáculo de abertura, o relvado estava cheio de bailarinos e de figurantes. Estes seguravam bandeiras coloridas que continham o código FIFA de cada um dos vinte e quatro países participantes no Mundial. A certa altura entram mais figurantes cada um trazendo uma bandeira de cada um dos 147 países que disputaram a qualificação para este Mundial (aos 3:38 é visível a bandeira de Portugal).

- A actuação e a coreografia continuou ao som "How Will I Know".
- E claro que não podia faltar um dos temas mais emblemáticos, "I Will Always Love You". (Atenção ao rapaz de boné e T-shirt atrás de Houston que no clímax da canção, desata a fazer lipsynching).



- Ao som de "I'm Every Woman", o relvado enche-se agora de bolas insufláveis. Os bailarinos no círculo central do campo formaram também uma bola com painéis pretos e brancos.
- O espectáculo continuava com "So Emotional" e aos 11:52 vê-se novamente a bandeira de Portugal.


- Segue-se um momento UNICEF com Houston a cantar "The Greatest Love Of All" rodeada de crianças com equipamento de futebol (nem sequer faltou um petiz com uma camisola mega-fluorescente semelhante àquelas envergadas por Jorge Campos, o guarda-redes da selecção mexicana).
- A terminar em beleza, seiscentas crianças correm pelo relvado fora, são formadas duas bandeiras do Brasil e de Itália e milhares de balões coloridos são largados no estádio ao som de foguetes



Quanto ao jogo em si, esteve longe de ter a emoção deste início de festa, uma vez que não se registaram golos ao fim dos 90 minutos regulamentares e dos 30 de prolongamento, sendo por isso a primeira final de um campeonato do Mundo a ser decidida nas grandes penalidades.
Franco Baresi e Márcio Santos falharam os primeiros penaltis mas os cinco que se seguiram foram convertidos por brasileiros e italianos até que o remate de Daniele Massaro foi defendido por Taffarel ao passo que Dunga facilmente marcou na baliza de Gianluca Pagliuca. As esperanças italianas estavam agora na sua maior estrela, Roberto Baggio, que na altura ostentava o seu icónico look do rabo de cavalo com trancinhas (naqueles tempos, só mesmo um italiano para usar um penteado desses e mesmo assim exalar virilidade por todos os poros). Mas Baggio remataria ao alto e o tetra foi para o Brasil.
Enquanto um Baggio destroçado permanecia imóvel diante da baliza, os canarinhos comemoravam no relvado não faltando sequer uma homenagem a Ayrton Senna, falecido a 1 de Maio desse ano.   

Roberto Baggio foi o resto da tristeza italiana pela derrota
A homenagem da selecção brasileira ao então recém-falecido Ayrton Senna







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