sexta-feira, 4 de março de 2016

A Roda da Sorte (1990-1994)



Muito se escreveu - e escreve - sobre as emissões televisivas que em mais de meio século marcaram os telespectadores da "caixinha mágica que mudou o Mundo": os Jogos Olímpicos de Berlim, a chegada à Lua, a tragédia do Challenger, os Festivais da Eurovisão, etc.  Mas se existiu uma emissão nacional que nos anos 90 marcou a minha jovem mente de teenager inconsciente - e aposto que toda uma legião de jovens e menos jovens: a histórica  última sessão da "A Roda da Sorte".
O concurso substituiu outro concurso, apresentado pelo Sr. Contente (Nicolau Breyner): "Jogo de Cartas (1989-92)". Começando as emissões no dia 17 de Setembro de 1990, "A Roda da Sorte" foi apresentado pelo inimitável Herman José, e era a adaptação do clássico formato norte-americano "Wheel of Fortune". Nunca vi um episódio do original, mas a nossa "Roda" era muito melhor, por motivos óbvios. O que podia ter sido apenas mais um concurso de adivinhas e cultura geral, graças a Herman José e sua equipa era um divertido espaço de humor diário. Além do "man itself", eram parte integrante deste programa de  sucesso a ajudante Ruth Rita, a cara simpática, "vítima" das brincadeiras do apresentador e  a voz off mais famosa do país: Cândido Mota. O público sempre reagia histericamente, melhor que as gargalhadas "enlatadas" de outros programas.

O jogo de tabuleiro da MB "Roda da Sorte".
Joguei muitas vezes ao jogo em tabuleiro, e prometo que porei fotos dele aqui na Enciclopédia. Sucedeu-lhe outro concurso com o mesmo gang, "Com a verdade m'enganas", mas essa, é outra história...


A mecânica do concurso era simples (os concorrentes giram a roda, pedem consoantes e adquirem vogais  para tentar revelar e adivinhar a palavra escondida), mas divertido de seguir porque com um host como Herman José era impossível ficar aborrecido! Era quase sagrado, mudar a televisão para ver, antes do Telejornal, e tentar adivinhar as palavras e divertir-se com Herman, a envergonhada Ruth Rita e o Rei da voz off Cândido Mota.

Os prémios da ultima edição.
O programa mais recordado é precisamente o fantástico final, algo nunca visto, nem antes nem depois, em que Herman José, munido de casaco de cabedal, óculos de sol e uma caçadeira - sim, criançada, uma caçadeira - chacinou sem piedade os prémios que os concorrentes podiam ganhar. Fiquei fascinado!







Recentemente consegui uma cópia da mítica ultima emissão de "A Roda da Sorte", que partilho convosco, no canal de Youtube da Enciclopédia TV:
Também disponível no Vímeo - "Roda da Sorte - Última Sessão".





Um artigo do jornal Observador destacou várias expressões que Herman José e companhia inscreveram no vocabulário dos espectadores. Sobre a fase d' "A Roda da Sorte":
"Veio depois a fase dos concursos, que o próprio Herman considerou o seu auge de popularidade. No início dos anos 90, Herman ocupou os finais de tarde de semana com “A Roda da Sorte” (1990-93) (...) foi pródigo em expressões repetidas pelo público em estúdio, o coro das porcazinhas (onde se destacava o Gimba d’Os Irmãos Catita). A farfalota pimpinela, o engrelope ou ah! que bem escolhido! são apenas alguns exemplos desses chavões. Duas músicas do inaudito cantor Victor Peter ficaram então famosas: Paula, eu sofro por você e Ó Ivone, goodbye my love – ainda hoje há quem se despeça com um Goodbye Maria Ivone!" in Observador - "Dez expressões que devemos a Herman José".

Curiosamente, o programa voltou em 2008, noutro canal [SIC] mas com o mesmo apresentador, agora ajudado por Vanessa Palma. Mas esta versão não conquistou o público e desapareceu da grelha sem deixar saudades...

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