quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

20 Coisas que aconteceram há 20 anos (1998)

Por Paulo Neto

Nada como o começo de um novo ano para nos fazer recordar que o tempo passa a correr e quando damos por isso memórias que julgamos ter como recentes afinal já têm décadas. No ano passado, fizemos uma viagem até 1997 para recordar 20 coisas que aconteceram nesse ano e agora chegados a 2018, impõe-se novo recuo de 20 anos rumo ao ano de 1998. 1998 foi um dos anos mais marcantes na minha vida, visto que foi nesse ano que fiz 18 anos, atingido a maioridade, tal como aqueles nascidos no ano 2000 o farão este ano. Comecei o ano como aluno do 12.º ano na Escola Secundária Artur Gonçalves em Torres Novas e terminei como caloiro da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. A minha família também sofreu grandes transformações nesse ano com o nascimento de dois primos, o casamento do meu primo mais velho e infelizmente, o falecimento do meu avô materno.


 Mas vamos então recordar 20 coisas que aconteceram em 1998 (e sim, eu sei que o Diogo Batáguas se adiantou a mim):

1. A Ponte Vasco da Gama foi inaugurada com uma feijoada.
A 29 de Março de 1998, foi inaugurada a segunda ponte sobre o Tejo, que se estendia do Montijo a Sacavém, que recebeu o nome de Ponte Vasco da Gama. Mesmo antes de em 1992, Lisboa ter garantido a organização da Expo 98, a ideia de uma nova ponte sobre o Tejo já estava na forja mas sem dúvida que a Expo ajudou a impulsionar a realização do projecto daquela que era então a maior ponte da Europa.
A inauguração foi celebremente marcada por ter sido servido uma feijoada a quinze mil pessoas em várias mesas postas sucessivamente ao longo da ponte. A feijoada à alentejana tinha sido concebida pelo chef Michel e foi amplamente coberta pelas televisões. Não foram confirmadas fugas de gases tóxicos durante a degustação da feijoada.
Hoje em dia, a haver "feijoadas" na Ponte Vasco da Gama (assim denominada por nesse ano se assinalarem os 500 anos da chegada do navegador à Índia) serão aquelas feitas a altas horas da noite a mais de 300km por hora.

Ponte Vasco da Gama
Cobertura da SIC da Inauguração da Ponte Vasco da Gama:




2. Houve dois referendos em Portugal (mas ninguém quis saber)
Pela primeira vez na democracia portuguesa, o povo português foi chamado a votar em não um mas em dois referendos: o da interrupção voluntária da gravidez no dia 28 de Junho e o da criação de regiões administrativas a 8 de Novembro. Em ambas consultas, houve grande abstenção inviabilizando o seu valor vinculativo que só seria efectivo caso houvesse mais de 50% de votos.
O referendo sobre o aborto visava a despenalização da interrupção voluntária da gravidez por decisão da mulher até às 10 semanas da gestação em estabelecimentos de saúde, numa tentativa de acabar com os milhares de abortos clandestinos no país. O tema dividiu bastante a opinião pública mas na hora da chamada às urnas, os portugueses preferiram ficar em casa (ou ir à praia ou à Expo, pois foi um belo dia de Verão) com a abstenção a chegar aos 68%. O "Não" venceu tangencialmente (50,9%) e só nove anos mais tarde, num novo referendo é que a interrupção voluntária da gravidez até às 10 semanas da gestação foi despenalizada. Eu cheguei a ir com os meus pais ao local de voto mas apesar de já ter completado 18 anos e ter cartão de eleitor, eu ainda não constava dos cadernos eleitorais e não pude exercer o meu voto (que seria no "Sim").

O meu primeiro acto como cidadão eleitor foi então no referendo da regionalização, que visava a criação em Portugal Continental da criação de regiões administrativas, para uma maior descentralização dos órgãos do poder. A proposta que foi a referendo previa 8 regiões: Entre Douro e Minho, Beira Litoral, Beira Interior, Estremadura e Ribatejo, Região de Lisboa e Setúbal, Alentejo e Algarve. O referendo tinha duas perguntas: se o eleitor concordava com a regionalização e se estava de acordo em concreto com a região da sua área de recenseamento. (Votei "Não" em ambas as perguntas, mas já não me recordo bem porquê.)
Os 51% de abstenção voltaram a inviabilizar a vinculação do referendo, em que o "Não" ganhou de forma clara nas duas perguntas (60,67% e 60.62%). O Alentejo foi a única região em que ganhou o "Sim" (embora nas sondagens o Algarve fosse sempre tido como a única região favorável). Um dos grandes defensores do "Não" foi Marcelo Rebelo de Sousa, na altura líder do PSD.

O referendo sobre a regionalização realizou-se a 8 de Novembro de 1998


3. "A Voz" calou-se
Foi em 1998 que nos despedimos de Frank Sinatra, um dos maiores artistas musicais do século XX. Aquele a quem se chamou de "A Voz" faleceu a 14 de Maio em Los Angeles aos 82 anos.
Outros famosos falecidos em 1998 foram o cantor/compositor (e primeiro marido de Cher) Sonny Bono, o cantor austríaco Falco autor do clássico eighties "Rock Me Amadeus", Tim Maia, pioneiro da soul music brasileira que os portugueses recordam sobretudo por "Um Dia De Domingo" em dueto com Gal Costa, Rob Pilatus um dos membros do duo pop caído em desgraça Milli Vanilli, o sanguinário líder do Cambodja Pol Pot, a actriz Maureen O'Sullivan famosa por ter sido a Jane de vários filmes em que Johnny Weissmuller fez de Tarzan e a tricampeã olímpica de 1988 Florence Griffith-Joyner, também conhecida como Flo-Jo, ainda hoje a recordista mundial dos 100 e 200m.





R.I.P. 1998: Frank Sinatra, Maureen O'Sullivan, Sonny Bono, Flo-Jo


4. Nasceram várias estrelas que hoje dão cartas no showbiz
A 8 de Agosto de 1998 (precisamente no dia em que faleceu o meu avô Alfredo), nasceu Shawn Mendes, o cantor canadiano filho de pai algarvio que é uma das popstars do momento.
Nascidos também neste ano são as actrizes Elle Fanning ("Comprámos Um Zoo", "Maleficent") e Ariel Winter (a Alex de "Modern Family"), o rapper XXXTentación, o cantor americano Khalid, o cantor/actor/Youtuber espanhol Abraham Mateo, o futebolista francês Kylian Mbappe e o actor Jaden Smith, primeiro filho em comum dos actores Will Smith e Jada Pinkett-Smith (aliás a sua mãe surge grávida dele no videoclip do pai "Just The Two Of Us", lançado nesse ano).




Geração de 1998: Shawn Mendes, Elle Fanning, Mbappé, Ariel Winter


5. O snowboard estreou-se nos Jogos Olímpicos
Os 18.ºs Jogos Olímpicos de Inverno tiveram lugar em Nagano no Japão entre 7 e 22 de Fevereiro de 1998. 72 países (incluindo Portugal) competiram nos segundos Jogos Olímpicos de Inverno em continente asiático. Entre os principais feitos, destaque para a incrível proeza do esquiador austríaco Hermann Maier que sobreviveu a uma monumental queda no prova de descida para dias depois ganhar as provas de slalom gigante e de slalom super gigante e para a vitória da muito jovem americana (15 anos) Tara Lipinski na patinagem artística feminina.

Estes Jogos marcaram o regresso do curling, a estreia do hóquei em gelo feminino e a permissão para os hoquistas do gelo das ligas profissionais americanas competirem nos Jogos Olímpicos. O Canadá foi liderado pela lenda do desporto Wayne Gretzky mas nem sequer chegou ao pódio, com o torneio a ser surpreendentemente vencido pela República Checa.
Mas um dos pontos altos dos Jogos de Nagano foi a estreia olímpica do snowboard, que há muito o COI desejava poder integrar no programa olímpico. No entanto, essa estreia foi marcada pela polémica do vencedor do slalom em snowboard, o canadiano Ross Rebigliati, que acusou marijuana no organismo. Rebigliati chegou a ser desqualificado mas depois foi reintegrado como medalhado de ouro, sob alegação que a marijuana não estava na lista de substâncias proibidas e que a presença da substância no seu organismo devia-se a fumo passivo e não fumada por ele próprio.
Curiosamente desde a sua retirada desportiva, Ross Rebigliati tem sido um defensor do consumo de marijuana para fins medicinais e em 2013, abriu o seu negócio de venda legal de cannabis.

Ross Rebagliati com a medalha que perdeu e voltou a ganhar


6. Vimos nos cinema a Terra à beira de ser destruída por um asteróide...duas vezes!
No cinema, o filme do ano 1998, ainda que estreado em 1997, foi "Titanic" que bateu recordes atrás de recordes e gerou uma histeria como raramente se viu à volta de um filme. Mas entre os vários blockbusters desse ano, observou-se a curiosidade de ter havido dois filmes sobre uma ameaça de um asteróide em rota de colisão com a Terra e de um grupo de astronautas que têm como missão destruir o dito cujo antes do impacto.

"Impacto Profundo" contava não só a história desses astronautas mas também a de pessoas comuns a lidar com o perigo iminente, como um casal de adolescentes ou uma jornalista. O elenco contava com nomes como Elijah Wood, Téa Leoni, Vanessa Redgrave, Robert Duvall, James Cromwell, Leelee Sobieski e Morgan Freeman (como o presidente dos EUA). Realizado por Mimi Leder, é ainda hoje um dos 20 filmes realizados por mulheres mais rentáveis de sempre (e o segundo do século XX).
Ben Affleck e Liv Tyler em "Armageddon"

Mas meses mais tarde, "Armageddon", dirigido por Michael Bay, obteve ainda mais sucesso. Bruce Willis, Ben Affleck, Liv Tyler e Billy Bob Thornton lideravam o elenco sobre um asteróide do tamanho do Texas que ameaça colidir com a Terra, com os serviços secretos americanos a contratar um grupo de experientes estivadores de petróleo para colaborar com astronautas para a destruição do asteróide. "Armageddon" foi o filme mais rentável de 1998 (excluindo "Titanic" por ter estreado no ano anterior) e o tema principal "I Don't Want To Miss A Thing" dos Aerosmith foi também um dos grandes hits do ano.
Outros filmes de 1998: "Doidos Por Mary", "O Grande Lebowski", "Truman Show - A Vida Em Directo", "A Paixão De Shakespeare", "O Resgate Do Soldado Ryan", "The Wedding Singer", "Mulan", "Vida De Insecto", "Godzilla", "A Cidade Dos Anjos", "Hora De Ponta", "A Barreira Invisível" e "O Príncipe Do Egipto". 

7. Tornou-se definitivamente aceitável as bandas portuguesas cantarem em inglês.
Até 1998, salvo alguns casos pontuais, a música feita em Portugal na língua inglesa estava sobretudo remetida ao universo do heavy metal, e perdurava o estigma de que cantores e bandas cantarem em inglês era como que uma afronta à nossa língua. Sempre que uma banda que cantava em inglês, como por exemplo os Blind Zero e os Joker, era entrevistada na televisão, lá vinha a sacramental pergunta: "Mas porque é que vocês não cantam em português?".
Mas em 1998, três bandas oriundas da Beira Litoral editaram os seus primeiros álbuns, cuja qualidade era tão indiscutível e apelativa, que se tornou impossível torcer o nariz ao facto dos seus repertórios serem sobretudo em inglês: os Belle Chase Hotel de Coimbra com o álbum "Fossanova", os The Gift de Alcobaça com "Vinyl" (em 1996, já tinham editado o mini-álbum "Digital Atmosphere") e os Silence 4 de Leiria com "Silence Becomes It", este último obtendo um sucesso particularmente avassalador, como já referi aqui.




"Fossanova", "Vinyl" e "Silence Becomes It" - três álbuns que marcaram a música nacional em 1998


8. Uma selecção multicultural da França foi campeã mundial de futebol
Sessenta anos depois, a França voltava a organizar um Campeonato Mundial de Futebol, o primeiro com 32 equipas. Portugal não se apurou, ao contrário de países como África do Sul, Croácia, Japão e Jamaica que se apuraram pela primeira vez.


Na final, uma França com um plantel a reflectir a sua multiculturalidade em nomes como Zidane, Lizarazu, Desailly, Thuram, Djorkaeff e o luso-descendente Robert Pires apequenou na final um Brasil detentor do título e principal favorito (com Ronaldo a jogar debilitado) vencendo por 3-0. A estreante Croácia surpreendeu ao conquistar o terceiro lugar.

Zinedine Zidane levantando o troféu da França campeã mundial


9. Nobel de José Saramago
A 10 de Dezembro, José Saramago tornou-se o primeiro escritor de língua portuguesa a receber o Prémio Nobel da Literatura, 49 anos depois do primeiro Nobel português de Egas Moniz. Consagrava-se assim o autor de obras como "Memorial do Convento", "A Jangada de Pedra", "O Evangelho Segundo Jesus Cristo" e "O Ano Da Morte de Ricardo Reis". Confesso que até agora, ainda só li um livro de Saramago, "Todos Os Nomes", curiosamente aquele que era o seu mais recente por altura do Nobel.

O rei da Suécia entrega o Prémio Nobel da Literatura a José Saramago


10. A Sport TV iniciou as suas emissões
A 16 de Setembro de 1998, estreava a Sport TV, o primeiro canal premium português dedicado à temática desportiva. Na altura, o seu principal atractivo era o seu exclusivo dos jogos das principais ligas europeias de futebol (Espanha, Inglaterra, Itália, Alemanha, Holanda e França), dando também atenção a várias outras modalidades. O sucesso do canal cresceria sobretudo a partir da época 2004/05, quando garantiu o exclusivo dos jogos da Primeira Liga nacional.
Actualmente, a Sport TV contra com 7 canais (um deles em sinal aberto), mais os seus equivalentes em HD.

A Sport TV foi o primeiro canal pay-per-view português

Na televisão nacional estrearam as séries "Médico De Família", "Ballet Rose", "Major Alvega", "Camilo Na Prisão", "O Diário De Maria" e "Uma Casa Em Fanicos", as telenovelas "Terra Mãe" e "Os Lobos", o programa homónimo de Fátima Lopes e a "Roda Dos Milhões". 
Lá fora estreavam séries como "Will & Grace", "O Sexo E A Cidade", "Dawson's Creek", "That 70's Show", "Charmed - As Feiticeiras", "The King Of Queens" e "The Powerpuff Girls".  

11. Bill Clinton safou-se do caso Monica Lewinsky
A faceta de womanizer do então Presidente dos Estados Unidos Bill Clinton era por demais conhecida. Enquanto candidato à Casa Branca, Gennifer Flowers afirmou ter tido uma relação com Clinton e já Presidente, Paula Jones acusou-o de assédio sexual durante o seu cargo como governador do Arkansas. Mas quando vieram à luz as ligações de Clinton já eleito Presidente a uma estagiária da Casa Branca, Monica Lewinsky, o mundo ficou em choque. Entre as confissões de Lewinsky secretamente gravadas por Linda Tripp, uma funcionária da Casa Branca, estavam relatos de sexo oral na Sala Oval e um vestido azul que guardava ainda vestígios de sémen presidencial.
Clinton a princípio negou o envolvimento com Lewinsky, com a famosa frase "I did not have sex with that woman!" mas mais tarde, admitiu ter tido uma relação "imprópria" com ela. Ao longo do ano, decorreu o processo de impeachment (o terceiro da história americana), tendo Clinton sido ilibado em Novembro.
Em 2015, Monica Lewinsky deu uma conferência TED em que definiu a sua experiência em todo este processo como sendo ela "o paciente zero" de perder a reputação devida a humilhação na internet, uma causa que tem abraçado nos últimos anos.



12. O Google foi criado numa garagem
Foi a 4 de Setembro de 1998 que Larry Page e Sergey Brin, dois estudantes de doutoramento da Universidade de Stanford na Califórnia, lançaram o Google como empresa, com a garagem de uma amiga de ambos a funcionar como sede.
Quando a internet ainda era um enorme baldio por explorar, Page e Brin desenvolveram um motor de busca online com a tecnologia PageRank que analisava as relações entre os diversos sites e determinava aqueles que eram mais relevantes para cada pesquisa. O nome Google vem de "googol", o termo para o número formado pelo algarismo 1 e cem zeros. Um dos financiadores iniciais do projecto foi Jeff Bezos, o dono da Amazon.
O resto foi a história até ao império que o Google é hoje.


13. Madonna e Cher voltaram de novo ao topo
1998 teve música para vários gostos. Só para nomear uma dúzia, tivemos hits como: "I Think I'm Paranoid" Garbage, "C'est La Vie" B*Witched, "Ghetto Supastar" Pras feat. Mya & Ol' Dirty Bastard, "Intergalactic" Beastie Boys, "Music Sounds Better With You" Stardust, "Truly Madly Deeply" Savage Garden, "Deixa-me Olhar" Além Mar, "Eu Sei, Tu És" Santamaria, "Life" Des'Ree, "High" Lighthouse Family, "Doo Wop (That Thing)" Lauryn Hill e claro, "My Heart Will Go On" de Céline Dion. Foi também neste ano que as futuras princesas da pop, Christina Aguilera e Britney Spears, lançaram os seus primeiros singles.
Mas 1998 foi o ano em que duas divas veteranas mostraram que ainda estavam aí para as curvas.
Depois de toda a controvérsia à volta do álbum "Erotica" e do livro "Sex" em 1992 que apesar do relativo sucesso, deixaram a sua imagem junto da opinião pública bastante afectada, Madonna passou os anos seguintes a tentar suavizar a sua imagem. E depois de ter sido Evita e de ter dado à luz a sua filha Lourdes, 1998 viu Madonna voltar a mostrar porque era a rainha da pop aos 40 anos com o álbum "Ray Of Light". Produzido por William Orbit e inspirado pelas incursões de Madonna no ioga e na Cabala, o álbum testemunhava a transformação da "Material Girl" em mãe espiritual. "Ray Of Light" foi um grande êxito entre o público e a crítica e temas como a faixa-título e sobretudo "Frozen" foram hits globais.

Ainda neste ano, vimos Cher, aos 52 anos e com quase quatro décadas de vida artística, a escalar ao cimo de tudo o que era top com "Believe", que rapidamente tornou-se um dos seus temas mais emblemáticos. Reza a lenda que foram precisos seis anos, cinco compositores e três produtores para criar "Believe", mas ninguém perdeu pela demora. Aliás, dois dos seus compositores, Mark Taylor e Brian Rawling foram altamente requisitados posteriormente, compondo temas dançáveis para outras divas veteranas como Diana Ross e Tina Turner. "Believe" também é creditado como sendo o tema que popularizou a utilização do "auto-tune". 


14. Geri sai das Spice Girls e George Michael foi apanhado numa casa de banho
Em 1998, duas notícias que marcaram o mundo da música:
A 9 de Abril de 1998, George Michael foi preso em Beverly Hills por ter-se insinuado numa casa de banho pública a um polícia à paisana. O escândalo levou o cantor a ser condenado a uma multa e a 80 horas de trabalho comunitário, bem como a assumir publicamente a sua homossexualidade. Meses mais tarde, aquando da edição do seu álbum best of, George Michael parodiaria o incidente no videoclip de "Outside", um dos temas inéditos do disco, onde se via uma Los Angeles distópica onde pessoas que praticavam actos afectuosos ou sexuais em público eram apanhadas em helicópteros e detidas pela polícia.


As Spice Girls ainda dominavam em 1998 mas a 31 de Maio, a Ginger Spice Geri Halliwell anunciava a sua saída do grupo. Os motivos para a sua saída nunca foram bem explicados, além da habitual "exaustão e desgaste psicológico" - especulando-se desde altercações físicas com algumas das outras raparigas do grupo e até a uma alegada conversão à Cientologia (rapidamente negada). As outras Spice Girls prosseguiram como quarteto, tendo dedicado o seu single de Natal "Goodbye" à sua ex-parceira. Além de preparar o material para o seu álbum a solo, Geri Halliwell passou o resto de 1998 nas suas funções como embaixadora da Boa Vontade da ONU, participando em várias campanhas de planeamento familiar e prevenção de saúde feminina.   

As Spice Girls ficaram menos picantes com a saída da Ginger Spice


15. O homem mais bonito do mundo foi eleito em Portugal
Actualmente parece que a indústria dos concursos de beleza masculina está em crescimento, mas nos anos 90 estes eventos ainda eram raros. Ainda assim, Portugal teve a honra de receber a segunda edição do Mister World, que pertence à mesma organização da Miss Mundo, que se realiza bienalmente desde 1996.
Troia foi o cenário recebido para acolher 43 dos mais garbosos espécimenes de todo o mundo e a cerimónia foi transmitida na SIC, com Júlia Pinheiro como uma das apresentadoras e actuações musicais dos Silence 4, de Fafá de Belém e do duo sueco Graaf.
O venezuelano Sandro Finoglio foi eleito o vencedor com German Cardoso de Porto Rico em segundo lugar e o francês Grégory Rossi em terceiro. Portugal foi representado por Rubim Fonseca (hoje em dia conhecido por fazer parte desse rol de "famosos por não-se-sabe-bem-porquê" que aparecem muito na imprensa cor-de-rosa nacional) e apesar de não ter ficado entre os 12 semifinalistas, não saiu de mãos a abanar pois recebeu o prémio de Mister Fotogenia.

Sandro Finoglio, da Venezuela, foi eleito Mister World 1998 em Tróia


16. A Miss Mundo foi vítima de violação semanas antes de ganhar o título
A israelita Linor Abargil foi coroada Miss Mundo 1998 e pouco depois, veio-se a saber da sua impressionante história. Apenas sete semanas antes da sua eleição, durante uma viagem a Milão, Abargil tinha sido violada e ameaçada com uma faca pelo seu agente de viagens. Inicialmente libertado pelas autoridades italianas por falta de provas, o violador, um cidadão israelo-egípcio, acabaria por ser capturado pelas autoridade israelitas que detectaram provas de ADN no seu carro e foi condenado a 16 anos de prisão.
Linor Abargil tornou-se uma porta-voz da luta contra a violência sexual e é actualmente advogada. Em 2013, a sua história foi alvo de um filme documentário, "Brave Miss World".




17. Uma cantora transgénero ganhou o Festival da Eurovisão
O Festival da Eurovisão de 1998 realizou-se na cidade inglesa de Birmingham e desde logo foi marcado pela participação da representante israelita Sharon Cohen, mais conhecida como Dana International, que tinha efectuado uma operação de mudança de sexo cinco anos antes.
Com o tema "Diva", Dana International obteve a terceira vitória para Israel no certame e trouxe o debate das questões da transgénero para a ordem do dia, como nunca antes se vira na Europa.
Portugal foi representado pelo colectivo Alma Lusa, que incluía José Cid e a vencedora da segunda edição dos "Chuva de Estrelas" Inês Santos com a canção "Se Eu Te Pudesse Abraçar", ficando em 12.º lugar.
No ano em Portugal recebe finalmente o Festival da Eurovisão, a Enciclopédia vai ter textos sobre três edições passadas, e a de 1998 vai ser uma delas, por isso fiquem atentos. 

Viva la Diva: Dana International celebra a vitória na Eurovisão


18. Portugal ganhou a final europeia do "Chuva de Estrelas"
Portugal ainda estava a dezanove anos de vencer o Festival da Eurovisão, mas em 1998, o país teve outra vitória num concurso musical europeu. A terceira final europeia do "Chuva de Estrelas" realizou-se a 25 de Abril de 1998 em Amesterdão, com a participação de oito países: Alemanha, Espanha, Holanda, Hungria, Noruega, Polónia, Portugal e Suécia.
O representante português foi Carlos Bruno, o vencedor nacional do "Chuva de Estrelas" desse ano, imitando Michael Stipe dos R.E.M. em "Everybody Hurts, que acabaria por vencer. (Curiosamente em segundo lugar ficou a representante da Polónia imitando Sinead O'Connor em "Nothing Compares 2 U", tal como uma antiga vencedora portuguesa do "Chuva de Estrelas"). Tal como no programa em Portugal, durante a actuação de Carlos Bruno, as câmaras focaram-se na sua mãe que chorava inconsolavelmente a ouvir o filho
Carlos Bruno editou em 2001 o seu primeiro disco "Entre Palavras" e chegou a namorar a actriz Núria Madruga (que neste ano de 1998 foi revelada no filme "Zona J"), mas desde então que tem andado fora dos espectros da fama, embora continue a cantar.



19. Foi comercializado o Viagra
A 27 de Março de 1998, a agência farmacêutica americana a aprovava a venda e prescrição do sildenafil, mais conhecido pelo seu nome comercial Viagra, produzido pelos laboratórios Pfizer. Inicialmente pensado como um fármaco para problemas cardíacos, descobriu-se mais tarde que era eficaz no tratamento da disfunção eréctil. 
A União Europeia aprovaria o Viagra no mesmo ano e no final de 1998, o então já famoso comprimido de losango azul já estava disponível para venda nos países membros, incluindo obviamente Portugal.   
Mesmo com várias contraindicações e a possibilidade de alguns efeitos adversos, o Viagra tornou-se rapidamente um dos fármacos mais vendidos. Apenas nos seus três primeiros anos de comercialização, as suas receitas rendaram à Pfizer mil milhões de dólares. Só em 2020, houve mais de 2 milhões de receitas nos Estados Unidos.



    
20. A Expo 98 foi o grande acontecimento nacional do ano (senão mesmo da década!)
Last but not least. A não ser que alguém tenha passado o ano de 1998 debaixo de um rochedo, neste pequeno rectângulo à beira-mar plantado foi impossível escapar à Expo 98. Quem não foi lá, pelo menos viu as imagens na televisão e terá ouvido pelo menos 200 vezes por dia a palavra "Expo", tal foi a magnitude do maior acontecimento nacional de 1998.


Entre 22 de Maio e 30 de Setembro, onze milhões de pessoas visitaram a Exposição Universal dedicada aos oceanos, recuperando uma zona degradada na parte oriental de Lisboa que viria a tornar-se o Parque das Nações, agora uma das zonas mais emblemáticas da capital. 143 países participaram no evento e além das exposições, decorreram bastantes actividades culturais de concertos na Praça Sony com bandas em voga na altura como Garbage ou Savage Garden a exibições de teatro, dança e poesia. Um dos ex-libris era o Oceanário, o maior aquário interior da Europa e ainda hoje um dos mais visitados pontos turísticos de Lisboa. E claro está, o merchandising - oficial ou contrafeito - com a mascote Gil vendeu-se que nem ginjas. Para quem não foi, a RTP levou a cabo uma "Expo TV" com várias horas de emissão dedicadas a todos os acontecimentos da Exposição. 


Eu fui à Expo nos últimos dois sábados (19 e 26 de Setembro) e dei preferência a visitar pavilhões dos diversos países. Como era habitual estas últimas semanas foram o período de mais afluência, já que muitos portugueses deixaram tudo para a última hora e daí que havia pavilhões que tinham filas de espera de várias horas, como por exemplo o da Alemanha. Cheguei a ouvir relatos de quem chegava a meter crianças de dez anos em carrinhos de bebé só para ter prioridade nessas filas. O pavilhão em que tive mais tempo à espera foi o do Mónaco (uma hora) porque só podiam entrar cinquenta pessoas de cada vez e a cada leva, era exibido um filme em 3D. Lembro-me que os meus preferidos foram o da Croácia, da Eslovénia, do Chile, da Turquia, do Reino Unido e da Islândia. Mas o que mais me impressionou foi toda a arquitetura envolvente desde a Gare do Oriente aos diversos pavilhões, passando pela entrada na Porta do Sol (onde agora está o Centro Comercial Vasco da Gama), tão à frente de tudo o que tinha visto em termos arquitetónicos que me fez questionar se estava mesmo em Portugal e no ano 1998, e não no estrangeiro algures no século XXI.




A Expo 98 teve mais de 11 milhões de visitantes de todo o mundo

Reportagem da RTP sobre o primeiro dia da Expo 98 (23-05-1998)







E quais são as vossas memórias do ano 1998? Contem aqui nos comentários ou na página do Facebook da Enciclopédia de Cromos.


quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Tentação (1997)

por Paulo Neto

Após o sucesso do filme "Adão e Eva", creditado por iniciar o interesse do grande público pelo cinema português nos anos 90, era inevitável repetir a fórmula e a 26 de Dezembro de 1997 estreava o filme "Tentação", que tal como "Adão e Eva", era realizado por Joaquim Leitão, produzido por Tino Navarro, protagonizado por Joaquim de Almeida e apoiado e amplamente promovido pela SIC. Além disso a história cruzava dois tópicos aliciantes: a religião e a toxicodependência, e era baseada em factos verídicos.





Vila D'Aires é uma pacata vila algures no Norte de Portugal. O padre António (Joaquim de Almeida) é uma das figuras mais amadas da terra, conhecido pela sua bondade e generosidade. No entanto, e como acontecia então um pouco por todo o país, Vila D'Aires também é atingida pelo flagelo da droga, com uma célula de tráfico instalada nos arredores e vários habitantes caídos nas suas malhas. Um deles é Lena (Cristina Câmara), uma jovem mulher recém-saída da prisão, a quem o vício impede de endireitar a sua vida e ser uma mãe para a sua filha Rita (Ana Hortelão). A presença de Ana (Sofia Leite), outra toxicodependente com quem Lena tem uma relação casual, também não ajuda.
António tenta ajudar Lena mas esta acaba por lhe provocar sensações que ele julgava esquecidas, mostrando que para além do hábito de padre está um homem. E quando dá por si, envolve-se numa espiral de tentações, não só quebrando os seus votos de castidade como também a consumir droga.
Até que um confronto fatal com Hélder (Diogo Infante), o violento ex de Lena e pai de Rita, deixa o padre a braços com a lei. É então que Lena lhe dá uma prova de amor…




Além dos nomes citados, do elenco fizeram ainda parte Ana Bustorff, Francisco Nicholson, João Lagarto, António Capelo e Carmen Santos. Esta foi a estreia como actriz da manequim Cristina Câmara que depois entrou nos filmes "Inferno" e "Portugal S.A." e na telenovela "Dei-te Quase Tudo".

"Tentação" foi mais um sucesso comercial, superando mesmo as receitas de "Adão e Eva". Se não estou em erro, foi o filme português mais visto nos cinemas até "O Crime do Padre Amaro" em 2006. Eu lembro-me de ter ido ver o filme ao cinema com uns colegas no início de 1998 no dia em que estreou em Torres Novas e de já só haver lugares nas duas filas da frente. A certa altura, durante a cena do nu integral de Cristina Câmara, alguém atrás de nós gritou: "Deviam pôr uma bolinha nisto!". Aliás terá sido por causa dessa cena que Catarina Furtado, que foi a primeira escolha para fazer de Lena, recusou o papel.

Como não podia deixar de ser, Herman José parodiou "Tentação" no sketch "Tentação 2.0", um jogo  interactivo de computador onde o utilizador podia criar a sua versão do filme. Por exemplo, uma hóstia viciada em padres que se apaixona por uma rapariga que pinta com uma trincha...




A banda sonora esteve a cargo dos Xutos & Pontapés e dela foi extraído o tema "Para Sempre", mais um hit e mais um refrão orelhudo para a infindável lista dos Xutos.

Trailer:



Xutos & Pontapés "Para Sempre"




quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Sabias que vem aí o Pai Natal? (1986)


"Sabias que vem aí o Pai Natal?" foi emitido no dia 22 Dezembro de 1986, no mítico espaço "Brinca, Brincando", ás 18:07:


O site da RTP tem uma curta sinopse deste "programa infantil de Natal com muita alegria e diversão": "Um programa infantil de Natal, com bonitas músicas. Aprender a fazer decorações de Natal e a companhia simpática dos palhaços são uma motivação forte para o interesse da pequenada." Para quem gostar de palhaços, é claro.

Consegui encontrar um excerto no Youtube com um número de palhaços, protagonizado pela dupla Batatinha e Soneca (sim, aquele que está a dormir, como adivinharam?):


A realização este a cargo de Manuel Varella, a produção de Manuel Pires, com autoria de Fernanda Carvalho, Nunes ForteNatália Miranda. A duração indicada pelo site da RTP é de 57 minutos.

Fonte: Brinca Brincando.
O site "Brinca Brincando" tem um excelente artigo - como hábito - sobre este especial de Natal: "Sabias que vem aí o Pai Natal? - Brinca Brincando", incluindo um resumo do programa, que além dos palhaços mencionados acima, inclui a artes de fazer postais, cartões e decorações de Natal, flautas de bambú, fritas de abóbora, intercalados com momentos de dança e música. Claro que ainda há tempo para o Pai Natal fazer a distribuição de prendas pela criançada presente. Podem ver tudo em detalhe no "Brinca Brincando - Sabias que vem aí o Pai Natal?".

A Grande Viagem do Pai Natal (1986)


"A Grande Viagem do Pai Natal". Esta peça de teatro infantil foi exibida no primeiro canal no dia 24 de Dezembro de 1986, ás 14:30.
"Diário de Lisboa" [24-12-1986]

Aliás, a peça fez parte de uma tarde totalmente dedicada á quadra natalícia, com programas como "O Inverno Mágico de Roland", "Um Sonho de Natal", "Ilusionismo Especial de Natal", "A Flor" (uma história de Natal de Maria Natália Miranda), "Estrelas da Terra", "Viva o Gordo - Especial Natal", "Natal Sem Neve" e "Espirituais Negros na Terra Santa".

O site da RTP tem uma curta sinopse da peça:
"A história de uma criança e de um velho palhaço, que todos os anos no Natal se veste de Pai Natal e distribui presentes pela pequenada."
Acrescenta ainda: 
"Esta peça de teatro musical infantil conta com a participação dos atores Pedro Pinheiro, Rui Filipe, Ana de Sá, Cristina Barra e muitos outros. Participam na banda sonora, a banda Ferro e Fogo."

Segundo o site da RTP "A Grande Viagem do Pai Natal" contou com realização de Maria de Lourdes Carvalho ("O Jardim do Celestino", "Feira dos Bonecos"), produção de Couceiro Netto ("Histórias Fantásticas", "Palavras Ditas"), autoria de Pedro Pinheiro e música de Pedro Pinheiro com acompanhamento da banda rock "Ferro e Fogo". Está listada ainda com uma duração de 47 minutos.

A foto que ilustra o topo do artigo é de Pedro Pinheiro [1939-2008], caracterizado como um palhaço, e que nesta produção foi o actor principal, além do autor e músico de serviço. Com um vasto trabalho em teatro, Pedro Pinheiro era uma cara conhecida do grande público, entre novelas, participações em séries e sucessos como "Os Malucos do Riso", bem como uma voz reconhecida através dos muitos desenhos animados que dobrou. Como curiosidade, a Wikipedia atribui a Pedro Pinheiro a autoria de milhares das anedotas filmadas n'"Os Malucos do Riso" [1995-2008].
A criança da sinopse deve ter sido o papel de "Rui Filipe" que tem apenas mais três créditos como actor no IMBD entre 1986 e 1988: "Estrela Dourada", "Topaze" e "Histórias de Outros Tempos", sendo que nesta última surge cotado como "neto". Nessa mesma série, a actriz Cristina Barra também surge creditada como "menina", portanto n'"A Grande Viagem do Pai Natal" era uma criança ainda mais nova. A actriz Ana de Sá já tem uma carreira mais longa, com actividade registada no IMDB entre 1967 e 1989.
A banda rock "Ferro e Fogo" está em actividade desde 1978, e desde o inicio que são uma banda de covers, apesar de nos anos 80 lançarem originais e criarem a banda sonora de "várias peça de teatro infantil" segundo a Wikipédia.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Uma Noite de Natal (1988)



Na noite da véspera de Natal de 1988, encaixado entre a "Mensagem de Sua Eminência o Cardeal Patriarca de Lisboa D. António Ribeiro" e a "Missa do Galo", o primeiro canal da RTP emitiu um programa de variedades com a duração de cerca de 3 horas: "Uma Noite De Natal". Na página de programação do dia 24 de Dezembro de 1988, o jornal "Diário de Lisboa" incluiu uma foto de arquivo do Circo Chen, um dos grupos participantes,e  precisamente uma listagem dos nomes sonantes que abrilhantaram esse show de variedades:
A Companhia de Dança de Lisboa, Circo Chen, Coro BahDat, o lendário Paulo de Carvalho, Pedro Osório, Teresa Pinto Coelho, Rancho Folclórico da Camacha, o cantor romântico Luís Filipe, Paco Bandeira, Lena d'Água, o pianista Mário Laginha, José Ferreira, Carlos Alberto Moniz, Xutos e Pontapés, Lara Li, o fadista José da Câmara, o compositor e executante de guitarra portuguesa Pedro Caldeira Cabral, a soprano Elsa Saque, António Sala, José Fanha e Carlos Mendes."


Além de alguns nomes que não me são imediatamente familiares, foi realmente um programa com variedades variadas: dança, circo, rock, pop, fado, piano, rancho folclórico! Na época desta emissão eu tinha quase 10 anos, nunca apreciei ver dança, ouvir fado ou pianadas também não era para mim. Deste conjunto o que me terá interessado mais foram provavelmente os equilibristas do circo, o Carlos Alberto Moniz e a Lena D'Água. 

É possível ver bastantes fotos e ver uma descrição detalhada do show no site "Brinca Brincando - Uma Noite de Natal".

Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos"Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr".

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Natal dos Hospitais (parte 5)


Uma das imagens da época natalícia é o evento televisivo "Natal dos Hospitais". Já muito foi escrito, também aqui na Enciclopédia pelo Paulo Neto: "Natal dos Hospitais - Enciclopédia de Cromos". Actualmente, não tem o impacto de outros tempos, mas continua a ser uma tradição da televisão pública.

Consegui deitar a mão - literalmente - a umas gravações de uma emissão do final dos anos 80, mais concretamente o "Natal dos Hospitais 1987", uma gravação infelizmente incompleta e com vários problemas sonoros. Os apresentadores desta edição foram Alice Cruz e Eládio Clímaco, emitida numa  Terça-Feira, 22 de Dezembro de 1987, entre as 14:30 e 19:20, no "1º Programa", a RTP-1:
"Diário de Lisboa" Programação da Semana [18-12-1987]
Lembro-me bem de nesta época ter a TV ligada toda a tarde, na sala da casa de uma tia, com presépio, árvore de Natal e guloseimas em redor e aquela sensação de que já faltavam poucos dias para a abertura das prendas!

Este excertos da recta final da edição de 1987 do "Natal dos Hospitais" começam com a actuação de Paulo de Carvalho e o seu êxito "Mãe Negra".


Prelúdio (Mãe Negra) - Paulo de Carvalho - Natal dos Hospitais 1987:

Falo por mim e por muitos quando digo que o momento mais aguardado - para os mais novos também, além dos Onda Choc e Ministars - da maratona televisiva do Natal dos Hospitais era a actuação de Herman José. Neste ano Herman fez a sua entrada a cavalo, na boa tradição dos Monty Python, e depois da vénia à "realeza" da altura, na primeira fila, incluindo Amália Rodrigues e Maria Cavaco Silva; dispara as piadas, incluindo palavras pouco ouvidas na TV para referir o anús e encerra de forma dinâmica a cantar o super êxito "Bamos lá, cambada!", de 1986. Quando abordou essa canção na Enciclopédia, o artigo do Paulo Neto incluia um video da actuação no Natal dos Hospitais de 1990.



Herman José - Anedotas e Bamos Lá, Cambada - Natal dos Hospitais 1987:






"E finalmente" - anúncia Irene Cruz, pelo Coro de Santo Amaro de Oeiras, o hino "Gloria in excelsis Deo" (Glória a Deus nas alturas), dirigido pela maestro César Batalha. No Youtube também está a versão do ano anterior.





Mas depois da tradicional actuação do coro mais famoso de Portugal, chega Fernando Pereira e sua imitação de "We Are The World", o hit global de 1985 do colectivo USA For Africa, criado por Michael Jackson e Lionel Ritchie e gravado com 45 artistas da cena musical norte-americana para angariar dinheiro para ajudar a combater a fome no continente africano. O Coro de Santo Amaro de Oeiras acompanha o ritmo. O som desta gravação está péssimo, foi o melhor que consegui gravar a partir de uma velha cassete VHS. 


Recorde todos os artigos do blog sobre este tema: "Natal dos Hospitais - Enciclopédia de Cromos".

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Fido Apresenta Número Um (1991)

por Paulo Neto



Ora voltamos a analisar mais um volume da série "Número 1" também mais conhecido como "Fido Dido", uma vez que vários dos volumes dessa série tinham na capa a simpática mascote da "7Up". Herdeira de outras séries de colectâneas de êxitos internacionais dos anos 80, como o "Jackpot" e o "Polystar", a série "Número 1" resultava numa colaboração entre três editoras - Sony Music, BMG e EMI-Valentim de Carvalho - reunindo os principais hits nacionais e internacionais de artistas destas editoras. Neste texto vamos analisar o alinhamento do primeiro volume da série, editado por ocasião da quadra natalícia de 1991 pela Sony Music, com direito a um spot publicitário.

Nesse ano, eu passei o Natal em casa de uns tios meus no Carregado, porque a minha mãe tinha na altura sido operada às varizes no Hospital de Santa Marta em Lisboa e não podendo fazer ainda uma deslocação para Torres Novas, foi autorizada pelos médicos a passar o Natal no Carregado. E quando cheguei ao Carregado, lembro-me de ver em evidência na sala um exemplar em vinil desta colectânea que os meus primos tinham comprado dias antes.
Mas quais eram então as 24 canções, distribuídas por 2 CD/LP/cassetes, que compunham esta compilação?
 
CD 1
1. "Burbujas de Amor" Juan Luis Guerra & 4:40: Já falámos aqui deste sucesso vindo da República Dominicana que fez parte da banda sonora do Verão português de 1991, na voz do rei do merengue Juan Luis Guerra. Mas só de há uns anos para cá é que me apercebi de todas as metáforas marotas contidas na letra.
2. "Night Calls" Joe Cocker: No próximo dia 22, faz três anos que Joe Cocker, dono de uma das mais inconfundíveis vozes, deixou este mundo. Nos idos de 1991, a sua carreira continuava com alguma prosperidade, tendo editado nesse ano o álbum "Night Calls", cuja faixa-título foi escrita por Jeff Lynne dos E.L.O.
3. "Learning To Fly" Tom Petty & The Heartbreakers: Falecido no passado mês de Outubro, Tom Petty é outro senhor que já não está entre nós. Em 1991, Petty e a sua banda The Heartbreakers lançou o álbum "Into The Great Wide Open", do qual se destacou o single "Learning To Fly", co-escrito por Jeff Lynne (outra vez ele).
4. "Foram Cardos, Foram Prosas" Ritual Tejo: Depois de terem ganho o concurso do Rock Rendez Vous em 1987 sob o nome de Easy Gents, os Ritual Tejo lançavam em 1991 o seu primeiro álbum "Perto de Deus", do qual se destacava esta versão de "Foram Cardos, Foram Prosas", originalmente gravado em 1981 por Manuela Moura Guedes (sim, ela já teve uma carreira musical!) e que apresentou o tema com letra de Miguel Esteves Cardoso a uma nova geração. Os Ritual Tejo viriam a conquistar mais algum sucesso nos anos seguintes, nomeadamente em 1996 com o hit "Nascer Outra Vez".
5. "Falling" Julee Cruise: Este é daqueles temas que toda a gente sabe reconhecer mas que poucos conseguem dizer qual o título ou o nome da intérprete. A hipnótica versão instrumental do tema, composto por Angelo Badalamenti, é indissociável da mítica série "Twin Peaks". (Sabiam que Portugal foi o segundo país europeu a transmitir a série, apenas depois do Reino Unido?) A série criada por David Lynch rapidamente ganhou estatuto de culto e por isso, impôs-se a edição do tema, incluindo uma versão cantada do tema, à qual foi dada o título de "Falling" e interpretada por Julee Cruise. (Sim, o nome dela é Julee e não Julie, como por vezes aparece escrito - e não, não é parente do Tom). Natural do estado de Iowa, Cruise era já uma regular colaboradora de Badalamenti e Lynch quando gravou aquele que viria ser o seu trabalho mais conhecido, embora a sua carreira seja bem activa há mais de três décadas (o seu álbum mais recente é de 2011). Em 2002, Julee Cruise regravou "Falling" que surgiu como faixa escondida do seu terceiro álbum.
6. "Step By Step" New Kids On The Block: Formados em Boston em 1984, sob a ideia do produtor Maurice Starr de formar uma versão caucasiana dos New Edition, os New Kids On The Block são considerados a primeira boyband nos moldes que se conhecem. O grupo formado por Jordan Knight, Jonathan Knight, Donnie Whalberg, Joey McIntyre e Danny Wood viveu o seu período áureo na transição dos anos 80 para a década de 90, com um punhado de hits globais, dos quais este "Step By Step" é um dos mais conhecidos. Após uma dissolução em 1994, os NKOTB têm actuado regularmente desde 2008.
7. "Innuendo" Queen: Foi a 24 de Novembro de 1991 que o inigualável Freddie Mercury deixou este mundo, vítima da SIDA, algo que tentou esconder até praticamente às vésperas do seu falecimento, embora já se notassem sinais de debilidade. Mas Mercury não foi embora sem deixar mais um marcante álbum dos Queen, "Innuendo" que incluía uma épica faixa-título de 6 minutos e meio, a fazer lembrar a mítica "Bohemian Rapsody". Para mim, pessoalmente, recordo sobretudo esta canção por anos mais tarde ser usada num anúncio ao whisky Ballantines.
8. "Fading Like A Flower (Everytime You Leave)" Roxette: Com o álbum "Joyride", o duo sueco continuava a sua fórmula de sucesso, alternando malhas de pop-rock como a faixa-título com grandes baladas como é o caso deste "Fading Like A Flower". Em 2005, uma versão dançável deste tema da autoria de Dancing DJs teve algum sucesso em vários países europeus. Não só os Roxette deram o seu aval a esta versão, como Marie Frederiksson marcou presença no respectivo videoclip.
9. "Wicked Game" Chris Isaak: Originalmente incluído no álbum de 1989 "Heart Shaped World", "Wicked Game" foi incluído na banda sonora do filme "Coração Selvagem", realizado por David Lynch. Consta que um director de uma rádio de Atlanta que era mega-fã de Lynch e passou regularmente o tema e o sucesso foi aumentando, até que o actor e cantor (e ex-pugilista) Chris Isaak viu-se finalmente nas luzes da ribalta. Claro está, houve outro grande motivo para o sucesso de "Wicked Game": o lendário videoclip rodado no Hawaii com Isaak em cenas tórridas com a modelo dinamarquesa Helena Christiansen (que foi logo promovida a top model). Na minha opinião, este continua a ser o videoclip mais sexy de sempre. Mesmo sem nunca mais repetir o sucesso de "Wicked Game" (a sua outra canção mais notória é "Baby Did A Bad Thing", da banda sonora do filme "Eyes Wide Shut" e de novo com outra top model no videoclip, Laetitia Casta), Chris Isaak continua bem activo tanto na sua carreira musical como na representação ("O Silêncio dos Inocentes", "O Pequeno Buda", "Tudo Por Um Sonho")
10. "Sadeness part 1" Enigma: Uma das principais memórias que eu tenho do Verão de 1991 é ir às antigas piscinas municipais de Torres Novas, onde inevitavelmente se ouvia tocar Enigma, ao ponto de eu achar que os funcionários das piscinas deixavam a tocar em loop o álbum "MCMX A.D." O projecto Enigma era liderado pelo alemão de origem romena Michael Cretu e a fórmula de juntar cantos gregorianos a uma batida dançável fez furor por todo o mundo, chegando ao n.º 1 dos tops de 24 países. Como se sabe, Cretu era então casada com a conhecida cantora pop Sandra e é ela que providenciava as sensuais frases em francês que se ouve em "Sadeness". Sim, o tema chama-se "Sadeness" e não "sadness", a palavra inglesa para tristeza, pois a letra questiona os desejos libidinosos do Marquês de Sade. 
11. "Move That Body" Technotronic: Primeiro single do segundo álbum do colectivo belga de dance-music Technotronic famoso por clássicos como "Pump Up The Jam" e "Get Up (Before The Night Is Over)". Este tema contava com a participação da cantora congolesa Reggie.
12. "All My Loving" Los Manolos: Numa altura que se fala da questão da Catalunha, eis um grupo catalão especializado na rumba catalã, os Los Manolos. Esta versão de um original dos Beatles é um dos seus maiores hits em Espanha, mas são sobretudo conhecidos pela sua versão de "Amigos Para Siempre".

CD2
1. "Losing My Religion" R.E.M.: Depois de terem atravessado os anos 80 como uma das bandas mais emblemáticas da cena alternativa americana, os R.E.M. atingiam em 1991 o sucesso global no mainstream com o álbum "Out Of Time" graças a dois singles fortíssimos: o saltitante "Shiny Happy People" e sobretudo "Losing My Religion", que me lembro de ouvir em todo o lado na altura: desde a rádio a colegas a cantarem lá na escola e até na rubrica "Fora de Casa" da RTP que indicava os filmes em cartazes nas salas de cinema de Lisboa e Porto. O título é uma expressão do Sul dos Estados Unidos que quer dizer "perder a paciência". Segundo a banda, o sucesso do tema surpreendeu-lhes porque a canção nem sequer tinha refrão! Igualmente célebre é o videoclip realizado por Tarsem Singh, cheio de recriações vivas de arte sacra, que ganhou o prémio MTV de Melhor Vídeo nesse ano.
2. "Something Got Me Started" Simply Red: Dono de uma das mais famosas melenas ruivas do mundo da música, Mick Hucknall e a sua banda Simply Red editavam em 1991 aquele que seria o seu álbum de maior sucesso"Stars" (ainda hoje está entre os 15 álbuns mais vendidos de sempre do Reino Unido). Este foi o primeiro single desse álbum, sem duvida uma das faixas mais dançáveis, e onde além de Hucknall, se pode ouvir proeminentemente a voz do teclista Fritz McIntyre. ("Yes I would!")
3. "Unbelievable" EMF: Acabaram por uma one-hit-wonder (ou pelo menos uma banda recordada por uma só canção) mas na altura os britânicos EMF (Epsom Mad Funkers) estavam em alta na altura com a sua vibrante mistura de rock alternativo com batidas electrónicas, que recusaram no mega-hit "Unbelievable", que chegou ao n.º 1 nos Estados Unidos. Os "Oh!" que se ouvem foram retirados de um número do comediante Andrew Dice Clay. À parte uma cover de "I'm A Believer" de 1995, os EMF nunca mais conseguiram repetir o sucesso inicial e terminaram em 1997. Reformaram-se em 2001 para um álbum de best of e uma nova digressão que passou pela Queima das Fitas de Coimbra (eu estava lá quando eles actuaram) mas que foi bruscamente interrompida devido à morte do baixista Zac Foley em Janeiro de 2002. A banda reuniu-se novamente entre 2007 e 2009 e tem actividade retomada desde 2012. Enquanto isso lá vão recebendo regularmente  alguns royalties pela utilização de "Unbelievable" em tudo desde filmes (como "Coyote Bar") a versões de outros artistas (como Tom Jones!) e até anúncios de hamburgers!
4. "Getting Away With It" Electronic: Electronic era o projecto em part-time de Bernard Sumner dos New Order e Johnny Marr, dos Smiths. E como se tal não bastasse, o seu primeiro álbum também teve a colaborações dos Pet Shop Boys e o resultado foi uma interessante combinação das sonoridades provenientes das três bandas. O álbum vendeu um milhão de cópias em todo o mundo e produziu alguns singles de sucesso como este "Getting Away With It". Sumner e Marr continuaram o projecto Eletronic por mais oito anos e dois álbuns. 
5. "Mundo de Aventuras" Ban: Uma das mais famosas bandas portuenses dos anos 80, os Ban eram liderados por João Loureiro. Sim, o presidente do Boavista e filho do Major Valentim Loureiro. (Aliás, o seu boneco do Contra-Informação chamava-se "O Ex-Vocalista dos Ban"). Mas a outra vocalista Ana Deus, que mais tarde integraria os Três Tristes Tigres, não o deixava brilhar sozinho.
Formados em 1983, o grupo editou três álbuns entre 1986 e 1991 e somou êxitos como "Irreal Social", "Dias Atlânticos" e este "Mundo de Aventuras", a faixa-título do terceiro álbum. No ano seguinte, João Loureiro e outros membros formariam uma nova banda, os Zero. Após uma breve reunião para promover o álbum best of "Num Filme Sempre Pop", os Ban dissolveram-se tendo regressado inesperadamente em 2010 com o álbum "Dansity". (Atenção à visão de João Loureiro em boxers no início do videoclip!)
6. "Hello Afrika" Dr. Alban: Quando em 1980, Alban Nwapa viajou da Nigéria para estudar medicina dentária na Suécia (daí que seja de facto um doutor), decerto que não imaginaria que anos mais tarde se tornaria uma estrela do eurodance. Mas foi isso que aconteceu com Dr. Alban que nesse ano lançava o seu primeiro álbum "Hello Afrika". Claro está, no ano seguinte obteve ainda mais sucesso com o álbum "One Love" graças a hits como "Sing Hallelujah" e aquela que viria a ser a sua canção-assinatura, "It's My Life". Dr. Alban continua a actuar e a editar material. Em 2014, participou na pré-selecção sueca para o Festival da Eurovisão. 
7. "Baila Me" Gipsy Kings: Sabiam que os Gipsy Kings são franceses (embora a grande maioria hispano-descendentes)? Depois de fazerem sucesso um pouco por todo o mundo com hits como "Bamboleo", "Djobi Djoba", "Bem Bem Maria" e sobretudo "Volare", eles estavam de volta com um novo álbum do qual se destacou este "Baila Me".
8. "Rush Rush" Paula Abdul: As gerações mais jovens conhecem-na como a jurada original do "American Idol", mas Paula Abdul foi uma estrela pop de grande sucesso entre finais dos anos 80 e princípios dos anos 90, onde somou hits como "Straight Up" ou "Opposites Attract" (famoso pelo videoclip do gato animado). Este "Rush Rush", o principal single do álbum "Spellbound", é o seu tema mais conhecido no território das baladas e continha um videoclip que recriava cenas do filme "Fúria de Viver" com Keanu Reeves a dar uma de James Dean. Recordo-me também de na altura os Ministars terem feito uma versão chamada "Bicho Bicho". 
9. "3 a.m. Eternal" KLF: Os KLF são considerados os grandes impulsionadores da cena electro-dance britânica que singraria nos anos seguintes graças a grupos como Prodigy e Chemical Brothers. Os dois mentores do projecto, Bill Drummond e Jimmy Cauty já tinham criado outros projectos, nomeadamente os Timelords que em 1988 chegaram ao n.º 1 do top britânico com uma faixa baseada no tema da série "Doctor Who". Entre 1990 e 1992, os KLF editaram seis singles de sucesso, dos quais se destacam este "3 a.m. Eternal" (n.º 1 no Reino Unido) e "Justified & Ancient", uma surpreendente mas bem agradável colaboração com a lenda da música country, Tammy Wynette. Os KLF terminaram abruptamente em 1992, durante os Brit Awards, com uma bizarra actuação de "3 a.m. Eternal" onde dispararam pólvora seca de uma metralhadora e mais tarde deixaram uma ovelha morta no local do afterparty. Porém, Drummond e Cauty prosseguiram desde então com outros projectos, não só musicais, mas também de artes plásticas e audiovisuais.     
10. "Promise Me" Beverly Craven: O mais famoso tema da cantora e compositora britânica Beverley Craven que se tornou rapidamente um clássico da baladaria dos anos 90. Em Portugal, o tema obteve sucesso renovado em 1995 quando Patrícia Antunes, uma concorrente da segunda edição do Chuva de Estrelas, interpretou esta canção, tendo chegado à final e nos anos seguintes, tornou-se um clássico do karaoke nacional e de programas de cantorias, como "Cantigas da Rua". 
11. "Se Eu Pudesse Um Dia..." Delfins: Confesso que não conhecia este tema dos Delfins, extraído do álbum de 1990 "Desalinhados" - até porque não está incluído no seu álbum best of, "O Caminho da Felicidade", um dos discos nacionais mais vendidos de sempre. O álbum "Desalinhados" continha a versão original de "Nasce Selvagem" que teria ainda mais sucesso em 1992 na versão dos Resistência. Em 1991, os Delfins já tinham a sua dose de grande sucesso na sua carreira mas decerto que não imaginavam que nos anos seguintes chegariam a um elevadíssimo patamar de fama, não só com o já referido álbum best of, mas também com os discos "Ser Maior - Uma História Natural" e "Saber A Mar". A banda de Miguel Ângelo continuaria até 2009, quando celebrou 25 anos de existência.   
12. "Have You Seen Her" MC Hammer: Os rappers também precisam de amor. Originalmente gravado em 1971 pelos Chi-Lites, "Have You Seen Her" foi versionada por MC Hammer, imortalizado pelo lendário "U Can't Touch This", mostrando o seu lado mais romântico. (E tal como João Loureiro, MC Hammer aparece em cuecas no início do videoclip!)

Playlist com as 24 canções:







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