sexta-feira, 22 de abril de 2016

"Freed From Desire" Gala (1996)

por Paulo Neto

O euro-dance reinou em força nos anos 90 e a Itália era uma das potências desse género. E foi precisamente de terras transalpinas que em 1996 surgiu mais um grande hit que reinou nas pistas de dança por essa Europa fora, interpretado por uma cantora milanesa cujo nome parecia indiciar uma carreira artística.



Gala Rizzatto nasceu em Milão a 6 de Setembro de 1972. Os seus pais deram-lhe esse nome em homenagem a Gala Dalí, (de seu verdadeiro nome Elena Diakonova) que fora esposa e musa do poeta Paul Éluard e do pintor Salvador Dalí. Por isso, não é de estranhar que Gala tenha tido inclinação para as artes, tendo deixado a Itália aos 17 anos para estudar numa escola de artes em Boston. Mais tarde, mudou-se para Nova Iorque onde trabalhou como fotógrafa e começou a interessar-se pela cultura  underground e das discotecas da Big Apple, onde começou por fazer uma perninha como cantora.

O seu primeiro single foi "Everyone Has Inside" que obteve algum sucesso em Itália e Espanha, mas foi o single seguinte que se tornou um êxito global. Reza a lenda que Gala gravou uma cassete demo para um DJ europeu em troca de uma fotografia e que uma das músicas dessa demo era "Freed From Desire".

Graças à poderosa batida house e ao "na na na na" irresistível de trautear, "Freed From Desire" não tardou a conquistar as pistas de dança e as tabelas de música por essa europa fora desde o seu lançamento em Outubro de 1996. No baile de Carnaval da minha escola no 11.º ano, foi a música mais tocada. O tema foi n.º 1 em França (onde vendeu mais de um milhão de exemplares) e Bélgica, e top 5 em diversos países. Apesar de ter sido tardiamente editado no Reino Unido em Julho de 1997, chegou ao n.º 2 do top e vendeu mais de 600 mil cópias em terras britânicas.


Mas apesar do sucesso do tema, a letra causou alguma confusão juntos dos ouvintes, já que a pronúncia inglesa de Gala deu azo a imensos mondegreens. Por exemplo, no repetido verso "He's got his strong beliefs", havia quem ouvisse "His God is Taiwanese", "He's got his trampoline" ou "He's got a strong police". E no refrão, quando Gala diz "mind and senses purified", eu pensava que era "my incense is purified" e há registos de quem achava que era "minus tension purifying", "minor senses Uruguay" ou "minor sex securified".



O single seguinte de Gala foi "Let A Boy Cry". Embora não tão potente na parte instrumental, o tema ganhava ao predecessor em termos de interpretação e melodia, já que não só a pronúncia de Gala era bem mais perceptível como a letra tinha uma mensagem importante. "Let A Boy Cry" falava sobre a heteronormatividade da sociedade e como muitos adolescentes sentem receio em expressar a sua atracção por pessoas do mesmo sexo e/ou ter comportamentos e interesses fora daqueles convencionados para o seu género, sob medo das represálias dos outros. Uma situação pela qual Gala, assumidamente bissexual, passou na sua juventude. O videoclip também veiculava essa mensagem. "Let A Boy Cry" foi mais um hit internacional para Gala, tendo sido n.º 1 em Itália, França e Bélgica.





Seguiu-se o single que acompanhou o lançamento do seu álbum, ambos intitulados "Come Into My Life". O single foi n.º 1 em Espanha e Itália. Uma das canções do álbum tinha a participação de Tonino Ballardo dos Gipsy Kings. Embora não tenha tido tanto sucesso como os anteriores, recordo-me também ouvir nas rádios nacionais o single final, "Suddenly". O disco valeu a Gala vários prémios como o de Melhor Artista Internacional no Midem de Cannes e de Cantora do Ano para a revista italiana "Musica e Dischi".




Gala nunca mais igualaria o sucesso alcançado nessa altura, mas continua ainda hoje a editar música como artista independente e a actuar um pouco por todo o mundo, além de também continuar a fazer alguns trabalhos de fotografia. Em 2009, lançou o segundo álbum "Tough Love" e em 2014, actuou durante os Jogos Olímpicos de Inverno em Sochi, onde à luz das leis anti-LGBT da Rússia, fez questão de abrir o seu concerto com "Let A Boy Cry". Além disso, o seu maior hit "Freed From Desire", já teve algumas reedições com novas remisturas ao longo dos anos em 2003, 2008 e 2011. Gala também regravou uma versão acústica para o filme "Up For Love", com Jean Dujardin, a estrear este ano.  

Gala Rizzatto em 2012

Gala "The Beautiful" (2014)



          
  

terça-feira, 19 de abril de 2016

Roque E Role (1988-89)

por Paulo Neto

Nos anos 80, havia bastantes programas na RTP onde os cantores e bandas musicais da nossa praça apareciam para apresentar o seu repertório. Em 1988, no mítico espaço infanto-juvenil "Juventude e Família" conduzido pelo mítico Lecas, estreou o programa "Roque e Role" onde vários grupos e intérpretes nacionais não só actuavam diante de uma jovem plateia como respondiam às questões colocadas pelos jovens espectadores. 
Os dezoito programas foram todos gravados em 1987 mas o programa só estreou em Outubro de 1988. Os primeiros quinze programas foram exibidos em sábados consecutivos até Janeiro de 1989, os três últimos só foram para o ar alguns meses depois e de forma mais espaçada entre Julho e Setembro de 1989. O que explica que por exemplo, que nos programas dos Ministars e dos Onda Choc estes cantassem músicas de álbuns mais antigos quando já tinham editados discos mais recentes.

A maioria dos programas de "Roque e Role" estão disponíveis no YouTube, para as quais este artigo fornece um link.

1. Tó Sequeira: (link) No primeiro programa, o convidado era Tó Sequeira, um simpático senhor com um ainda mais simpático bigode que nos anos 80, era presença habitual em vários programas da RTP, incluindo infantis, como "Ora Agora Conto Eu". E é da sua autoria a definitiva versão nacional da clássica cantilena country "Singing Round The Mountain": o "Fui De Visita À Minha Marrocos", que aliás também deu título a uma famosa mini-série infantil da RTP de 1985, ainda hoje bastante recordada. Eu próprio já vi actuar Tó Sequeira ao vivo uma vez em 1992, mas desde então nunca mais soube dele. O que é feito de Tó Sequeira?     



2. Xutos & Pontapés: (link) o ano de 1987 tinha sido o ano de consagração dos Xutos que com o clássico álbum "Circo de Feras" agarraram o ceptro de maior banda rock nacional. Claro que neste programa não podiam faltar hits como "Contentores", "N'América", "Sou Bom" e sobretudo "A Minha Casinha".  



3. Ministars: (link) Os Ministars era um grupo infantil composto por membros do Coro Infantil de Santo Amaro de Oeiras que fazia versões de conhecidos temas internacionais. O projecto foi uma ideia de José Niza, adaptando para Portugal este conceito de grupo infantil originalmente criado na Holanda, também sob o nome de Ministars. O sucesso dos Ministars nacionais foi imediato junto de miúdos e graúdos. Quando o "Roque e Role" deles foi para o ar, já tinham editado o segundo álbum e estavam prestes a lançar o terceiro, mas no programa interpretaram canções do primeiro álbum, que incluíam versões de "Wake Me Up Before You Go-Go", "Life Is Live" ou "Rock Me Amadeus" que acabaram por ser tão míticas para a sua geração como os originais. Desse primeiro álbum também fazia parte "Cantar Em Português", uma espécie de canção-assinatura do grupo que era uma versão de "Love Is All", tema de 1976 da autoria de Roger Glover, cantado por Ronnie James Dio.  



4. Badaró: (link) Já falámos aqui sobre a vida de Manlio Hedair Badaró, o brasileiro que veio a Portugal para um espectáculo de uma companhia brasileiro e que por cá acabou por ficar até à sua morte em 2008, deixando muitos sucessos no teatro e televisão nacional. Na altura, Badaró teve muito sucesso com o programa "O Grande Pagode" onde recuperou a sua mítica personagem do Chinesinho Limpopó, que era co-apresentado por uma muito jovem mas já artisticamente activa Ana Malhoa. Chegou a ser editado depois um disco com as músicas desse programa, mas não sei se terão sido apresentadas nesta emissão do "Roque e Role".  


5. José Barata Moura: (link) este conhecido professor catedrático e futuro reitor da Universidade de Lisboa continuava a ser um ídolo da pequenada e por isso, foi mais uma oportunidade para ouvir temas bem conhecidos de José Barata Moura.


6. Raúl Indwipo: já então a única metade viva dos Duo Ouro Negro, Raúl Indwipo interpretou canções tanto dos tempos da parceria com Milo McMahon como do seu repertório a solo.



7. Carlos Paião: (link) este programa foi exibido a 26 de Novembro de 1988, precisamente três meses depois do trágico e cruelmente prematuro falecimento de Carlos Paião. Foi com grande emoção que muitos telespectadores puderam assistir a esta emissão (recordo-me da minha mãe até ter chorado) onde Carlos Paião interpretou temas tão célebres como "Cinderela" e "Marcha do Pião da Nicas" e até fez algumas brincadeiras envolvendo efeitos sonoros com dois dos pequenos membros da assistência.  

8. José Jorge Letria: Figura de proa do jornalismo e da poesia nacional, José Jorge Letria revisitou alguma da sua obra dedicada ao público infantil.


9. Carlos Alberto Vidal /Avô Cantigas: (link) Nesta emissão, Carlos Alberto Vidal respondeu às perguntas dos mini-espectadores como ele próprio mas interpretou as canções na pele do seu eterno avatar Avô Cantigas, onde não faltaram músicas do seu famoso álbum "Histórias do Corpo Humano" como "O Esqueleto Anacleto" e "O Cigarro e O Formigo".


10. Carlos Alberto Moniz:  (link) É conhecido o vasto repertório de Carlos Alberto Moniz para o público infantil. Esta emissão pode-se ouvir temas como "Jardim Zoológico da Pernas Para o Ar", "Olha o Céu Dentro do Chapéu" e "Uma História Ao Fim Do Dia".


11. Onda Choc: (link) Surgidos no mesmo ano dos Ministars, os Onda Choc formaram com aqueles durante anos a fio uma mítica dicotomia de grupos infantis que cantavam versões de êxitos internacionais. À data da exibição do programa já estavam a editar o quarto álbum "Na Minha Idade" mas aqui interpretaram faixas do segundo álbum "Namoro" com famosas versões de "Nothing's Gonna Stop Us Now", "Take My Breath Away", "Walk Like An Egyptian" e a famigerada versão de "La Bamba" que menciona a Ria de Aveiro.


12. Ana Faria: (link) Seguiu-se a mentora dos Onda Choc, Ana Faria que interpretou temas do seu célebre álbum "Brincando Aos Clássicos", com a colaboração do seu queijinho, perdão, filho mais novo Pedro. Uma emissão onde não faltou a famosa cantiga do Luís que queria ir a Paris.


13. Delfins: (link) Longe de imaginar o nível de sucesso que teriam na década seguinte, a banda de Miguel Ângelo apresentou alguns dos mais famosos hits dos seus primeiros anos como "A Baía de Cascais", a sua versão de "Canção do Engate" que se tornou tão mítica quanto o original de António Variações e "O Caminho da Felicidade", também conhecida como "forte como um leão", que viria a ser o título do multi-platinado álbum best of da banda.


14. Lena Coelho & Banda Sucesso / Afonsinhos do Condado: (link) Este foi o único programa com duas bandas diferentes. A Banda Sucesso foi o primeiro projecto pós-Doce de Lena Coelho, com uma imagem e presença em palco ainda mais arrojadas do que nas Doce, claramente influenciados pelos Transvision Vamp. Como a banda só editaria duas canções: "Fintas de Amor" e "Sucesso", o resto do programa foi ocupado pelos Afonsinhos Do Condado, onde não faltou o hit "A Salsa das Amoreiras". A página de Facebook do clube de fãs de Lena Coelho tem várias imagens da sua actuação neste programa.


15. Carlos Mendes: (link) o intérprete de "A Festa Da Vida" e "Amélia dos Olhos Doces" apresentou neste programa temas do seu famoso álbum infantil "Jardim Jaleco" de 1978.


16. Herman José: (link) Com o Herman, a diversão estava garantida nesta emissão onde revisitou alguns dos seus célebres hits como "A Cor do Teu Baton", "Serafim Saudade" e "Vamos Lá Cambada".


17. Radar Kadafi: (link) foi em 1987 que a banda lisboeta liderada por Luís Gravato fez-se notar no panorama musical nacional quando editou o seu único álbum "Prima Donna" que incluía o hit "40 graus à sombra"

18. Paulo de Carvalho: (link) O cantor de "E Depois Do Adeus" continuava a ter muito sucesso nos anos 80, graças aos álbuns "Desculpem Qualquer Coisinha" e "Um Homem Português", tendo sido interpretados neste programa músicas desses discos. No entanto, a emissão pecou pela ausência do grande hit "Os Meninos de Huambo". 


Vídeo de actuação dos Xutos & Pontapés "N'América"


Fotografias do site "Brinca Brincando"


sexta-feira, 15 de abril de 2016

Concurso TV Guia (1981)


Já há muito que não tínhamos um post sobre a famosa "TV Guia". Hoje um anúncio de uma página ao concursi "TV Guia" de 1981. Os prémios, sendo os anos 80 só podiam ser em grande. Não tão grande como um apartamento em Massamá, mas uma meia dúzia de viagens ao "Walt Disney World", perto de  Orlando nos EUA! Portanto o concurso contou com "o apoio da revista Mickey e Viagens Nascimento"

Publicidade retirada da revista Pato Donald Nº 3, de 1981. 
Uploader original desconhecido. Imagem Editada e Recuperada por Enciclopédia de Cromos.


Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos"Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr".

terça-feira, 12 de abril de 2016

Logótipo humano do Euro 2004 (1999)

por Paulo Neto

Dá para acreditar que daqui a dois meses vai começar o terceiro Europeu de futebol depois do Euro 2004? Ainda tenho bem presente toda a enorme antecipação vivida em Portugal nos anos anteriores ao início do "nosso" Euro (apenas comparável à da inauguração da Expo 98 e da passagem do milénio em tempos mais recentes) bem como o ambiente de euforia vivido ao longo do torneio. Claro que a festa acabou em tragédia grega e que depois vieram as passas do Algarve (e de Leiria, de Aveiro e tudo o mais), mas isso são outros quinhentos.



Em 1998, em plena Expo-euforia e vivendo um período de rara prosperidade onde era fácil de acreditar que estava a poucos passos de entrar no "clube dos ricos" e que o dinheiro surgia por geração espontânea, sem pensar se haveria alguma pesada factura a pagar algures no futuro, Portugal virava-se para a sua próxima oportunidade de afirmação internacional. E foi então que se decidiu apostar numa candidatura ao Campeonato Europeu de Futebol de 2004. Inicialmente até se tinha pensado numa candidatura conjunta com Espanha, mas com os nuestros hermanos a preferirem uma candidatura isolada, a Federação Portuguesa de Futebol decidiu avançar também com a sua própria candidatura. Além das duas candidaturas ibéricas, havia também uma candidatura conjunta de Áustria e Hungria. Mas cedo se percebeu que a verdadeira disputa iria ser ibérica, quase como uma batalha de Aljubarrota ou de um David luso contra um Golias espanhol.

As quatro caras principais da nossa candidatura ao Euro 2004 (pois...)

A candidatura de Portugal, - cujas principais figuras eram Gilberto Madaíl, o então presidente da FPF, Miranda Calha, o então Secretário de Estado do Desporto, José Sócrates (pois...), então Ministro Adjunto detendo a tutela do desporto e Carlos Cruz (pois...) - não se poupou a esforços, conseguindo por exemplo o apoio de figuras do futebol como Ronaldo, Pelé e Zidane. Mas aquele que foi tido um dos maiores trunfos da candidatura portuguesa foi o anúncio publicitário que foi filmado no dia 24 de Julho de 1999 no Estádio Nacional no Jamor, onde foi formado um enorme logótipo humano formado por mais de 34 mil pessoas de todo o país. E eu fui uma delas.



Infelizmente não tenho fotografias desse dia, pelo que tudo o que tenho são as memórias a serem escritas neste texto.




No Verão de 1999, eu tinha dezanove anos e estava nas férias após o meu primeiro ano universitário. Já sabia da iniciativa do logótipo humano através da comunicação social e estava interessado em participar. Soube que em Torres Novas, as inscrições eram na antiga biblioteca municipal e fui lá inscrever-me. Passados dias recebi a acreditação para entrar no estádio com alguns vales para trocar por produtos dos patrocinadores do evento (por exemplo gelados Olá, pastilhas Max Air, latas de Coca-Cola) e a informação com os horários da viagem. Também vinha um texto, "O Diário do Tiago", com um relato ficcionado do que aconteceria nesse dia. Vinha ainda indicado que eu ficaria na fila 7 do logótipo, ou seja, seria dos que ficaria mais à esquerda.
Nesse sábado, éramos cerca de cinquenta em Torres Novas para irmos até ao Jamor. Fomos de camioneta até ao Entroncamento para apanharmos o comboio até à Gare do Oriente, apanhando aí um dos autocarros da Carris disponibilizados para o efeito até ao Jamor. Dos torrejanos que foram comigo, eu só conhecia uma rapariga chamada Virgínia, que conhecia do secundário e por isso, fiquei junto ao grupo dela durante quase todo o dia.




Ao longo da tarde, enquanto todos os participantes se juntavam nas bancadas do Estádio Nacional antes de serem chamados ao relvado para formar ao logótipo, várias bandas nacionais actuaram num palco montado para o efeito. Recordo-me de que, quando estava a entrar no Estádio (onde por acaso nunca tinha estado antes), os Entre Aspas estavam em palco a cantar o seu hit da altura, "Esqueci o Nome das Coisas". Sei que estavam muitas das bandas nacionais mais populares da altura (por exemplo André Sardet, Black Company e os D'Arrasar), mas além dos Entre Aspas, só me recordo dos Pólo Norte, dos Hands On Approach que actuaram já depois do logótipo ter sido formado, e dos Excesso que durante a sua actuação o Estádio inteiro rompeu numa berraria, metade (maioritariamente feminina) a gritar de júbilo, metade (maioritariamente masculina) a vaiar e a gritar mimos que me abstenho de reproduzir.
Embora ocasionalmente eu prestasse atenção às actuações musicais, esse período dentro do estádio estava a ser um bocado secante. Como se sabe, as bancadas do Estádio Nacional não são nada confortáveis, além de que o recinto oferecia pouco abrigo ao enorme calor daquela tarde. E ainda bem que vim bem servido de sandes e bebidas, pois se fosse só a contar com aquilo que podia ir trocar no estádio com os vales da acreditação, tinha passado fome. Por exemplo, eu pensava que a Olá tinha disponibilizado vários tipos de gelados, mas afinal o único que estavam a dar era o Magnum de menta.

Até que chegou a hora de ir para o relvado formar o logótipo, que como se sabe tinha o desenho de um jogador. Consoante a sua posição, cada um recebia uma espécie de poncho com capuz, do mesmo material de uma T-shirt, de cor branca, preta, vermelha ou verde que tinham à frente impresso uma miniatura do logótipo. Eu fiquei com um branco. No entanto, primeiro que tudo ficasse composto foi mais uma seca. Pelo ecrã gigante, via-se que havia alguns buracos por preencher, bem como uma mão cheia de gente que continuava nas bancadas recusando-se a descer ao relvado (afinal tinham ido lá para quê?). Os membros da organização convenceram quem estava no  relvado a vaiar essas pessoas. 
O calor continuava tão abrasador que os bombeiros lançavam mangueiras de água sobre nós.





Finalmente, com alguns membros da organização e voluntários (e até Eusébio e o primeiro-ministro António Guterres) também a juntarem-se à moldura humana, o logótipo lá se compôs, ainda meio manhoso, mas nada que não se corrigisse em pós-produção. E o grande momento chegou: Ana Matias, a conhecida expert de marketing desportivo, lançou a deixa para que todos gritassem a uma só voz: "Portugal, we love football!". Após três gritos em uníssono, uns ginastas estrategicamente colocados por entre a multidão executaram a manobra previamente ensaiada de fazer mover a perna do jogador, tipo desenho animado, para fazer chutar na bola. E aí, a bola gigante colocada no canto inferior esquerdo do relvado abriu-se, soltando muitos balões vermelhos e verdes. Por fim, tocou o hino nacional que todos cantámos a uma só voz e esse foi para mim o momento mais emotivo. Para terminar, o célebre rocketman da cerimónia dos Jogos Olímpicos de 1984 sobrevoou o campo. 

Quando por fim houve ordem para dispersar, resolvi ficar no relvado para assistir à actuação dos Hands On Approach, que na altura faziam sucesso com os seus hits "My Wonder Moon" e "Silent Speech". Ao som deste último, vi-me a fazer parte de um comboio humano que se movimentou ao longo do relvado. A alegria de ter feito parte daquele acontecimento era geral.  
Como ao sair do estádio, perdi-me da Virgínia e dos outros, acabei por entrar no primeiro autocarro da Carris que encontrei de volta à Gare do Oriente. E vi-me no meio de um grupo de malta do Norte que passou todo o percurso em cânticos de louvor ao FCP e a Pinto de Costa e de, digamos, escárnio a Lisboa e ao Benfica e eu só pensava que estaria em apuros se algo em mim revelasse o meu benfiquismo. Até me preparei mentalmente para dizer que era da Académica de Coimbra, caso algum deles me questionasse. Felizmente que nenhum deles reparou em mim. 

A viagem de volta à casa foi feita nas calmas, com muitos de nós, incluindo eu, ainda a ostentar o respectivo poncho que usado na formação do logótipo. (Sei que a minha mãe guardou-o não sei onde e que eu planeava usá-la para assistir a um dos jogos do Euro, mas não só não vi nenhum jogo do Euro 2004 ao vivo como nunca mais soube do poncho).

Só no dia seguinte, com os media em peso a falarem sobre o assunto, é que reparei na verdadeira dimensão daquilo tudo. Segundo dados oficiais, 34 309 pessoas estiveram no relvado a formar o logótipo, que bateu dois recordes do Guinness: o maior logótipo humano em termos de dimensão e número de participantes e o anúncio publicitário com maior número de figurantes, batendo o célebre anúncio da British Airways.             
Com a candidatura austro-húngara a braços com problemas, sobretudo devido a uma crise na federação de futebol magiar (a Áustria viria a ter bem mais sucesso ao aliar-se a outro vizinho, a Suíça, para organizarem o Euro 2008), e a candidatura espanhola em interregno de campanha, quiçá a cheirar umas hipotéticas favas contadas da vitória, a iniciativa acabou por ter grande impacto, não só em Portugal mas além-fronteiras. Ali estava a prova de que os portugueses, com mais ou menos desenrascanço, com mais ou menos desorganização, eram capazes de muita coisa, havendo vontade e paixão. Será que este remate colectivo iria dar em golo, que é como diz, em Euro 2004?

A resposta soube-se no dia 12 de Outubro de 1999, na cidade alemã de Aachen. A expectativa estava no ar e o apuramento da selecção nacional para o Euro 2000 nesse fim de semana anterior parecia ser um bom presságio. Eu estava na Faculdade numa fila para tratar das minhas inscrições nas cadeiras do 2.º ano do curso, quando alguém que estava ao telemóvel revelou o veredicto que momentos antes se tinha ouvido da boca do então presidente da UEFA, o sueco Lennart Johansson: Portugal iria receber o Euro 2004! E eu não deixei de sentir um pouco de orgulho ao pensar que dei o meu contributo.

O que aconteceu depois é uma outra história. Outra história também será aquela em que, segundo agora conta Carlos Cruz, tal conquista também se fez através de manobras menos lícitas. Mas para sempre ficam as memórias de um verão de 1999, que foi particularmente marcante para mim pelos seus vários altos e baixos, e de vários "firsts" da minha vida. Que também são as memórias do tempo de um Portugal cheio de auto-estima e que não tinha medo em sonhar alto, um tempo que, como escreve Pedro Marques Silveira neste excelente artigo do site ZeroZero, agora não só parece distante como quase irreal.  

No Facebook, existe uma página de nome "Participei no Logótipo Humano Euro2004". Se tal como eu, também participaram façam like e deixem o vosso testemunho. E já agora, deixem os vossos testemunhos aqui também.





             

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Sim Ou Sopas (1991)

por Paulo Neto


Confesso que por vezes é um bocado difícil para mim rever no Manuel Luís Goucha actual o Manuel Luís Goucha de bigode dos anos 80 e 90 que cresci a ver na televisão, mais focado em programas culinários e muito mais comedido na condução dos programas que apresentava (culinários ou não) e a quem era possível efabular um romance com Teresa Guilherme. Mas claro que os tempos eram outros...  
Além de diversos espaços de culinária na RTP, antes de se estrear na rentrée 1991/92 nos programas matinais, quem cresceu na mesma altura que eu recorda-se também de ver Manuel Luís Goucha em programas de culinária para os mais novos como "Sebastião Come Tudo", "Sebastião na CEE" (onde cada episódio era dedicado à cozinha de um dos então 12 países da então CEE) e "Mais Olhos Que Barriga". No Verão de 1991, Goucha apresentou também o concurso "Sim Ou Sopas", também dedicado à culinária e destinado ao público infantil.





"Sim Ou Sopas" foi exibido na RTP entre Maio e Outubro de 1991, num total de 20 sessões, aos sábados à tarde. Além de Manuel Luís Goucha, o programa tinha dois jovens co-apresentadores, Sónia Aniceto e Tiago Antunes, ambos de 14 anos. (E sim, a produção era de Teresa Guilherme.)



Em cada sessão competiam três equipas de dois elementos: um concorrente entre 8 e 12 anos que é o chefe da equipa e o acompanhante, geralmente um familiar, com mais de 18 anos. As bancadas de cada equipa tinham a particularidade de ter a forma de um fogão. 

Em cada programa havia seis jogos:
- "Prato Favorito": o concorrente e o acompanhante fazem deslizar um prato ao longo de uma pista que contém no fundo um grelha com nove quadrados cada um com um tema. O chefe da equipa terá de responder a duas perguntas: uma sobre um dos dois temas dos quadrados onde os pratos aterraram e outra sobre o azeite, já que um dos patrocinadores do programa era uma campanha da CEE para incentivar o consumo do azeite nos seus países membros.



- "Ajudante de Cozinheiro": o concorrente terá de explicar ao acompanhante através de mímica um uma frase ou expressão relacionada com comida.


- "Tarefas": a única fase em que havia um jogo diferente em cada semana. Por exemplo, apanhar bolachas com a boca num prato com farinha, apanhar Smarties com pauzinhos ou pesar saquinhos de feijão e grão a olho.



- "Salada Russa": o concorrente terá de adivinhar quatro palavras que têm as letras trocadas e indicar a palavra que não tem nada a ver com as outras três.




- "Salada de Frutas": o acompanhante atira frutas de plástico com uma catapulta para que o concorrente, calçado com um sapatos gigantes, as apanhe com um grande copo de iogurte (a Danone era outro patrocinador).



- "Adivinha Quem Está Lá Fora": Neste último jogo, jogavam apenas as duas equipas com melhor pontuação. O acompanhante ouvia um conjunto de sons através de uns auscultadores e tinha que os explicar por mímica para o concorrente adivinhar.



No final, a equipa vencedora recebia um computador e um conjunto de disquetes com livros digitais (sim, estávamos no período áureo da bela da disquete!). As restantes equipas recebiam uma bicicleta e todos recebiam um livro de culinária para os mais novos da autoria de Manuel Luís Goucha (que na altura tinha vários livros de receitas publicados, como a famosa série "Doces Sem Açúcar"). Além disso, cada um dos cinco jogos tinha um prémio para o respectivo vencedor: estiradores e canetas de feltro Molin, walkmans, jogos electrónicos, máquinas fotográficas e discmans.




Fazendo jus ao título, quando havia um empate em cada um dos jogos, os concorrentes escolhiam um de dois cartões, um onde estava escrito "Sim" e outro que tinha escrito "Sopas", ganhando aquele que tirava o cartão com o "Sim".



Tal como muitos programas da época, "Sim Ou Sopas" era um daqueles programas que hoje podem parecer muito rudimentares mas que o meu de 11 anos recorda de o ver com muito agrado. 
Por curiosidade, Sónia Aniceto, um dos jovens co-apresentadores do programa, é hoje uma artista plástica e reside em Bruxelas.

Sónia Aniceto com uma das suas obras


Uma emissão completa do 3.º programa (9 de Junho de 1991):




Uma vez mais, um agradecimento ao site "Brinca, Brincando" pelas fotos do programa


      

terça-feira, 5 de abril de 2016

Derek Redmond (Jogos Olímpicos de 1992)

por Paulo Neto 

Como é sabido, por vezes não são só aqueles que sobem aos pódios dos Jogos Olímpicos que fazem história. Por vezes são aqueles que ficaram aquém do esperado que acabam por escrever uma grande história e relembrar que muitas vezes, o simples facto de competir nos Jogos Olímpicos já é uma vitória. E como o britânico Derek Redmond acabaria por descobrir, para tal bastou apenas cruzar a linha da meta.






Em 1992, Barcelona engalanou-se para receber os Jogos Olímpicos. Numa altura de profundas transformações no mapa político-geográfico, os atletas antigos países da recém-colapsada União Soviética (à excepção das repúblicas bálticas que voltaram a ter equipa própria) competiram numa equipa unificada sob a bandeira olímpica, a África do Sul regressou aos Jogos Olímpicos com o fim do apartheid, a Alemanha voltou a competir como um só país após a reunificação da RFA e da RDA, Cuba, Coreia do Norte e Etiópia regressaram após dois boicotes consecutivos, Croácia, Eslovénia e Bósnia Herzegovina competiram pela primeira vez como países independentes ao passo que os atletas das restantes repúblicas jugoslavas competiram sob a bandeira olímpica.
O basebol e o badminton passaram a fazer parte do programa olímpico oficial bem como o judo feminino. Hóquei em patins, taekwondo e pelota basca foram as modalidades de demonstração. Os Jogos de Barcelona decorreram sob ambiente de festa, da esplendorosa cerimónia de abertura com o arqueiro Antonio Rebollo acendeu a pira olímpica disparando uma flecha até ao encerramento. Cobi, a mascote oficial, tornou-se uma das mais populares mascotes olímpicas de sempre.  
No entanto para Portugal, os santos da Península não fizeram milagres e embora o nosso país levasse a sua maior delegação de sempre com uma centena de atletas, não conseguiu qualquer medalha. Nem sequer no hóquei em patins onde Portugal quedou-se pelo quarto lugar. Os melhores resultados lusos foram o sexto lugar do canoísta José Garcia (que será o chefe de Missão para os Jogos Olímpicos de 2016) e o sétimo de Manuela Machado na maratona.

Os Jogos Olímpicos de 1992 foram o palco de fabulosos triunfos como os do ginasta bielorrusso Vitaly Scherbo que conquistou seis medalhas de ouro e o da equipa americana de basquetebol, a lendária Dream Team composta por estrelas da NBA. Mas uma das mais famosas histórias desses Jogos ocorreu durante uma semifinal dos 400m.

Aos 26 anos, Derek Redmond era um talentoso atleta da corrida de uma volta à pista, tendo sido recordista nacional e ganho a medalha de ouro na estafeta dos 4x400m nos Campeonatos Europeus de 1986 e nos Mundiais de 1991. Porém a sua carreira foi sempre minada por lesões. Por exemplo, uma lesão no tendão de Aquiles impediu-o de competir nos Jogos Olímpicos de 1988 minutos antes da sua primeira prova. Chegado a 1992, Redmond tinha passado por oito cirurgias.



No entanto, em Barcelona as coisas pareciam estar a correr-lhe bem. Redmond venceu as suas corridas na primeira ronda e nos quartos de final, pelo que quando se apresentou na sua corrida da semifinal era um dos candidatos a apurar-se para a final. Só que a meio da corrida, Redmond sofreu uma rotura num tendão que deitou as suas aspirações por terra. Ainda assim e apesar da extrema dor, o britânico decidiu terminar a sua prova, nem que fosse ao pé-coxinho. Entretanto, um homem tinha conseguido esquivar-se a toda a vigilância e corria na pista. Tratava-se de Jim Redmond, pai de Derek, que se dirigiu para junto do filho. Amparado pelo pai e sob uma enorme ovação do público presente no estádio, Derek Redmond cruzou por fim a linha de meta. Embora oficialmente desqualificado por causa da ajuda do seu pai, não havia como não vê-lo como um vencedor.




Alguns recordaram outro episódio protagonizado por um pai de um atleta olímpico, quarenta anos antes, quando em 1952 nos Jogos de Helsínquia, um homem todo vestido e com uma boina na cabeça lançou-se para a piscina após os 400m livres masculinos. Veio-se então a saber que era o pai do vencedor, o francês Jean Boiteux, que quis comemorar a alegria da vitória junto do filho.

   

Derek Redmond terminou a sua carreira no atletismo em 1994. Desde então dedicou ao basquetebol, foi comentador desportivo e também envolveu-se no desporto motorizado. Foi casado entre 1994 e 2000 com a nadadora Sharron Davies (medalhada nos Jogos Olímpicos de 1980) de quem teve dois filhos. Jim Redmond foi um dos que transportaram a tocha olímpica dos Jogos Olímpicos de 2012 em Londres.

Derek Redmond em 2013

Jim Redmond em 2012


E afinal quem acabou por ganhar os 400m nos Jogos Olímpicos de 1992? Foi o americano Quincy Watts, que no ano seguinte protagonizou um divertido anúncio da Nike, onde durante uma ópera um viking propõe-lhe uma troca dos seus ténis super-almofadados pela sua esposa "super-almofadada". Watts recusa a proposta e foge do palco, enquanto a tal viking almofadada grita "QUIIIIIIIIIINCY!".



   


sábado, 2 de abril de 2016

"It's All Coming Back To Me Now" Céline Dion (1996)

por Paulo Neto

No passado dia 30 de Março, Céline Dion fez 48 anos. Certamente que este aniversário não foi dos mais alegres da sua vida uma vez que no início deste ano, a cantora perdeu no espaço de dias o seu marido René Angelil e um dos seus irmãos. Hoje em dia, Dion parece contentar-se com os seus espectáculos residentes em Las Vegas e em gravar o disco ocasional, mas nos anos 90 fez parte da santíssima trindade de divas baladeiras campeãs de vendas, juntamente com Mariah Carey e Whitney Houston. E sim, admito que fui um grande fã de Céline Dion nessa altura.



Entre os vários hits que a canadiana colheu ao longo dessa década, um dos meus preferidos é a faixa que abre o álbum de 1996 "Falling Into You", do qual eu tinha um exemplar, e que nessa versão estende-se por uns sete minutos e trinta e sete segundos (menos dois minutos na versão do single): "It's All Coming Back To Me Now", escrita por Jim Steinman, o Wagner do rock, autor de grandes épicos como "Total Eclipse Of The Heart" de Bonnie Tyler, "Nowhere Fast" do filme "Estrada de Fogo" e todo o lendário álbum "Bat Out Of Hell" de Meat Loaf.  
Segundo Steinman o tema foi inspirado pela obra "O Monte Dos Vendavais" de Emily Bronte e aborda temas como o amor obsessivo e a ténue linha entre o amor e o ódio. Nas estrofes, o sujeito poético afirma que já ultrapassou esse amor mas no refrão confessa que basta um certo gesto para que todos esses sentimentos regressem em força. 

A voz de Céline Dion corresponde à grandeza da composição e a sua versão foi um êxito comercial, chegando ao n.º 1 do top da Bélgica-Flandres, n.º 2 nos Estados Unidos, Canadá e Irlanda e n.º 3 no Reino Unido. Em alguns países, o lado B do single foi "The Power Of A Dream", o tema que Céline Dion cantou na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos de 1996. Recentemente Ariana Grande interpretou este tema por entre as várias imitações que fez durante um sketch do "Saturday Night Live".



O videoclip foi filmado num castelo na República Checa e mostra Dion confrontada com imagens dos momentos passados com o seu amado, que ao início morre num acidente de moto. O vídeo foi comparado ao de "Un-break My Heart" de Toni Braxton, que saiu na mesma altura e também começava com o amásio da protagonista a perecer num desastre de moto.



O que muita gente não saberá é que a versão de Céline Dion de "It's All Coming Back To Me Now" era a segunda das três vidas desse tema. A primeira remonta a 1989, para o projecto Pandora's Box e o álbum conceptual "Original Sin". Querendo explorar o lado feminino das suas composições, Jim Steinman criou o projecto reunindo algumas das suas session singers preferidas para dar voz às faixas de "Original Sin". Para além de temas originais, o álbum continha algumas covers, como a de "Twentieth Century Fox" dos The Doors. Embora o disco tenha sido um fracasso comercial (excepto, Wikipedia dixit, na África do Sul), a maioria das canções seriam regravadas com maior ou menor notoriedade por outros artistas. A versão original de "It's All Coming Back To Me Now" foi interpretada por Elaine Caswell e foi o primeiro single do álbum, acompanhado de um vídeo soft-core realizado por Ken Russell. O outro single do álbum foi "Good Girls Go To Heaven (Bad Girls Go Everywhere)".





Um dos grandes fãs da canção era o habitual comparsa de Jim Steinman, Meat Loaf que sempre demonstrou vontade de gravar a canção. Porém Steinman estava hesitante por achar que a canção só ficava bem com uma voz feminina e por isso, não foi incluída no álbum de 1993 "Bat Out Of Hell 2", o tal que continha o igualmente épico "I'd Do Anything For Love (But I Won't Do That)". 
Mas em 2006, para a gravação do terceiro volume da saga "Bat Out Of Hell", Meat Loaf levou a sua avante e gravou o dueto com a cantora norueguesa Marion Raven (que fez parte do duo M2M, cujo tema mais conhecido foi "Don't Say You Love Me", de 2000, da banda sonora do filme "Pokémon").
Qualquer estranheza que se possa ter ao ouvir um Meat de 59 anos e uma Marion de 22 a cantarem juntos de forma tão romântica é explicada no videoclip onde Marion faz do fantasma de um amor perdido da juventude do sr. Loaf.      


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