sexta-feira, 18 de março de 2016

Olha Que Dois!! (1992-93)

por Paulo Neto

O termo "showmance", usado nos media para definir uma pretensa relação amorosa como chamariz para um filme ou um programa de televisão (sobretudo nos reality shows), é relativamente recente, mas o conceito já era bastante antigo. Por exemplo, o filme "Serenata À Chuva" girava em torno de uma dupla de actores da era do cinema mudo cujo sucesso devia em grande parte a um especulado romance na vida real entre os dois, quando na verdade os dois não se davam lá muito bem.




Em Portugal, um dos mais badalados "showmances" do audiovisual nacional foi aquele que envolveu Teresa Guilherme e Manuel Luís Goucha, que ganhou proporções de lenda urbana. 
No livro "Isso Agora Não Interessa Nada", Teresa Guilherme explica como tudo começou:
"Este casamento começou no Eterno Feminino. O Manuel Luís cozinhava no programa, semanalmente num rubrica de culinária, onde fazia tudo para me adoçar a boca. E também foi de boca em boca que começou a correr que, para além daqueles encontros televisivos, a nossa história era outra.
Ambos solteiros, em idade casadoira, tínhamos os nossos empregozitos e muita gente começou a achar que éramos feitos um para o outro e quiseram dar-nos o nó. Também mandavam dinheirinho, peças para o enxoval e até propostas de nomes para os futuros rebentos. 
Quanto mais negávamos qualquer envolvimento, mais as pessoas nos envolviam nas teias do casamento.
O Manuel Luís começou a achar graça à brincadeira e a incentivar os defensores do casório. (...) e a ideia de que éramos mesmo casados mergulhou definitivamente no espírito de muitos portugueses. Logo a seguir, partilhámos um programa chamado Olha Que Dois. E aí é que as pessoas deixaram de ter dúvidas. Aqueles dois, que éramos nós, eram mesmo um só."



Genérico: "Olha Que Dois!!"



De facto foi o programa "Olha Que Dois!!" (sim, com dois pontos de exclamação) que perpetuou o pseudo-casamento entre Teresa e Goucha, já que era notória a química entre os dois. Promovido como uma das apostas para a nova grelha da RTP para rentrée 1992/93, o programa era um talk-show emitido para o ar nas tardes de domingo. No total, foram 41 programas, exibidos entre Setembro de 1992 e Junho de 1993. Todos os programas (à excepção de dois), giravam em torno de um convidado especial e na plateia estavam presentes várias figuras, públicas e anónimas, relacionadas com esse convidado. No primeiro programa a convidada central foi Maria Cavaco Silva, quando o seu marido era primeiro-ministro, naquela que foi a sua primeira participação num programa de entretenimento. Entre outros convidados especiais do programa estiveram José Hermano Saraiva, Marco Paulo, Amália Rodrigues, Nívea Maria (que na altura era vista na telenovela "Pedra Sobre Pedra"), Eusébio, António Sala, Simone de Oliveira, Ana Salazar, José Maria Tallon, Luís Represas, Fafá de Belém, Tônia Carreiro (que veio a Portugal para promover a estreia da produção luso-brasileira "Cupido Electrónico"), Fernando Tordo, Maluda, Carlos do Carmo, Ruy de Carvalho, Ramalho Eanes e Herman José.



O terceiro programa foi dedicado ao casamento, que contou com a presença de alguns casais de longa data como Armando Cortez e Manuela Maria e o 25.º teve como tema o 36.º aniversário da RTP. 
Inicialmente o programa continha uma rubrica fixa onde os espectadores eram convidados a exibir algum talento em particular, mas essa rubrica foi descontinuada.    

Foi no primeiro programa que apareceu a agente da PSP Isabel Silva, que anos mais tarde, viria a ser a protagonista de um dos mais famosos "Tesourinhos Deprimentos" dos Gato Fedorento. Com ajuda de dois colegas seus, a agente fez uma demonstração de técnicas de defesa pessoal em caso de ataques contra mulheres, mas o resultado acabou por roçar o surreal. Além de que popularizou a expressão "Toma, bandido!".



Outra curiosidade do programa foi a premonição de Manuel Luís Goucha de que um jovem Pedro Passos Coelho, então líder da JSD e presente no programa que tinha convidado Paulo de Carvalho, que disse que ele haveria de ser primeiro-ministro. Quando essa premonição ressurgiu na internet em 2013 devido à reposição de "Olha Que Dois!!" na RTP Memória, Manuel Luís Goucha declarou nas redes sociais: "Mais valia eu estar calado".



O site Brinca, Brincando notou ainda a presença de um igualmente jovem José Sócrates no programa centrado na sua co-partidária Edite Estrela.



O programa do qual eu tenho mais memórias foi o que teve como convidado central o general Ramalho Eanes, que aí revelou um lado mais emotivo, já que enquanto Presidente da República sempre fez por cultivar uma imagem de homem sério e estóico, ao expressar o seu amor pela esposa e pelos filhos. Também me recordo de ficar espantado com o look de um dos filhos, que tinha todo o ar de um rapaz que poderia aparecer no "Portugal Radical".



   

Estava previsto que o casal Teresa-Goucha regressasse à RTP na rentrée seguinte, mas em separado, com programas diferentes, mas o "divórcio televisivo" também se aplicou à RTP. Manuel Luís Goucha fez a sua primeira incursão na TVI para apresentar "Momentos de Glória" e Teresa Guilherme rumou à SIC para o talk-show vespertino "E O Resto É Conversa" e o concurso "Labirinto".

Mas mesmo assim, o mito do casal Teresa-Goucha não se desvaneceu. Escreve Teresa Guilherme:

"Pensávamos que, com o tempo, este casamento imaginário se ia desvanecendo. Mas não. Quanto mais o tempo passava, mais as pessoas acreditavam neste matrimónio. Até as nossas próprias mães acabaram por desistir de tanto negar a relação e assumiram os respectivos «genro» e «nora». 
Com a ida do meu pseudomarido para o Porto, os comentários passaram ainda mais calorosos. «Coitadinhos, agora estão separados. Ele teve de emigrar para o Porto para ganhar a vida e deixou a pobrezinha em Lisboa.»"
Ela conta ainda o comentário acalorado que um produtor da "Praça Da Alegria" ouviu um café perto dos estúdios da RTP Porto no Monte da Virgem.
"Uma quarta-feira de manhã, a seguir a um directo do Big Brother, estava o Manuel na televisão e um cliente, de cimbalino na mão, comentava as imagens com um ar ofendido: «Olhem-me para aquele infeliz. Ali a trabalhar feito corno e a mulher lá em Lisboa no Big Brother. Ainda ontem à noite confessou que ela, como todas as mulheres, também já fingiu um orgasmo. Uma maluca, Esta gente da televisão é tudo uma corja.»"

Mais tarde, Teresa Guilherme casou-se com Henrique Dias e Manuel Luís Goucha assumiu a sua relação com Rui Oliveira, enterrando por vez a ideia de que eram ou alguma vez tivessem sido um casal. Mas para sempre ficaram como os protagonistas de um dos mais míticos showmances nacionais. E como diz Teresa Guilherme: "O Manuel Luís Goucha não é o amor da minha vida, mas é um amigo para toda a vida."            

terça-feira, 15 de março de 2016

10 Momentos Curiosos do Festival da Canção (1980-1996)

por Paulo Neto



Serão poucos aqueles que não incluirão nas suas memórias televisivas de outrora recordações da família reunida em frente à televisão para ver o Festival da Canção, um dos pontos altos da saison televisiva da RTP durante anos a fio. Este ano, uma vez que Portugal não participa no Festival da Eurovisão não houve Festival da Canção e ainda assim, já há muito que o evento não tem a importância e o glamour de outrora quando a competição reunia sempre compositores e intérpretes conhecidos e a produção tinha toda a pompa e circunstância.   
Embora o foco central do Festival da Canção ao longo dos tempos tenham sido as canções, nomeadamente a eleição da canção que representaria o país no certame europeu, também houve vários momentos extra-concurso que marcaram o evento.

Neste texto pretendo abordar dez momentos curiosos e/ou marcantes do Festival da Canção nos anos 80 e 90, por ordem cronológica. Será que se recordam deles?

1980: Cores Frenéticas
A máxima "tarda mas não falta" aplica-se a Portugal em vários aspectos. Quando praticamente todos os outros países da Europa já tinham transmissões a cores, esta só chegou aos ecrãs nacionais a 7 de Março de 1980, dia em que a RTP completava 23 anos de emissões. Para assinalar tal efeméride, impunha-se a transmissão ao vivo e a cores de uma das suas jóias da coroa, o Festival da Canção pois claro. Como não podia deixar de ser, como o vencedor José Cid, muitos dos intérpretes presentes apresentaram-se com roupa bem colorida.
Porém quem tirou maior partido da chegada da cor a RTP nesse dia foram sem dúvida As Frenéticas, o grupo brasileiro que actuou como convidado. O grupo feminino fazia então sucesso em Portugal com o tema principal da telenovela "Dancin' Days", exibida na altura na RTP, e cantou alguns dos seus êxitos, envergando trajes reduzidos e supercoloridos.



1982: Isto é que vai uma festa!
No Festival da Canção de 1982, Alice Cruz e Fialho Gouveia conduziram a parte das votações. Porém a parte da apresentação das canções contou com uma dupla de "apresentadores" muito especial: o Agostinho e a Agostinha, o par ébrio e desbocado que Camilo de Oliveira e Ivone Silva lendariamente interpretaram em "Sabadabadu" e que recuperaram para o Festival. Antes da actuação de cada canção, os dois recuperavam uma adaptação da sua famosa cantilena do programa em que, a cada ocasião, conseguiam incluir na letra, o título, o intérprete, o autor e o compositor da respectiva canção. Eis como Agostinho e Agostinha apresentaram a canção vencedora, nada menos que o "Bem Bom" das Doce.



1983: O baton de Herman José
O 20.º Festival da Canção não podia ter sido mais histórico. Pela primeira vez, o evento saiu da capital, tendo lugar no Coliseu do Porto. Foi lá que nasceu o insta-love entre Armando Gama e Valentina Torres, e como já falámos aqui, aconteceu a fugaz mas inesquecível aparição de uma das heroínas da Enciclopédia de Cromos, Maria Teresa de Saint-Maurice, mais conhecida por Tessa e a sua interpretação de "Ave do Paraíso". 
Por entre os outros participantes, também esteve Herman José que com "A Cor Do Teu Batôn", alcançou um honroso segundo lugar e torno-se um dos seus mais populares temas do seu repertório como cantor. Pelo facto de Herman José possuir oficialmente apenas nacionalidade alemã, falou-se que poderia ser desclassificado em caso de vitória por não ter nacionalidade portuguesa, algo que alegadamente estaria nas regras da competição. Curiosamente, o Festival da Eurovisão desse ano realizou-se precisamente na Alemanha.



1984: Avé Suza
Devido a uma greve de músicos, as actuações do Festival da Canção de 1984 foram feitas com recurso a música gravada, à excepção da eventual vencedora Maria Guinot que tocou piano ao vivo enquanto cantava. Ainda assim, o Festival desse ano foi talvez aquele que foi mais recheado de estrelas pois não só na competição estavam artistas conhecidos como António Sala, Paco Bandeira, as Doce, Adelaide Ferreira, Paulo de Carvalho, Rita Ribeiro, Fernando Tordo e Samuel (em dose tripla), como o juri era composto por nomes como Ana Bola, António Macedo, Beatriz Costa, Carlos Cruz, Herman José, Maluda, Tonicha, Teresa Silva Carvalho, Henrique Mendes, Tomás Taveira e Virgílio Teixeira. 
Mas a estrela principal da noite foi Linda de Suza, então no auge da sua carreira, que na função de presidente honorária do júri, entregou o prémio da vitória a Maria Guinot, e ela própria foi alvo de sentida homenagem. Além disso, também actuou no certame cantando o seu famoso hit "Um Português" e ainda se atirou a uma versão semi-improvisada da "Tia Anica de Loulé".


1986: Vozes à solta
Sob o título "Uma Canção Para A Noruega", o Festival de 1986 foi algo sui-generis. Em vez de actuações ao vivo, as doze canções (apresentadas em grupos de três nos estúdios da RTP nos Açores, Madeira, Porto e Lisboa) foram apresentadas em actuações pré-gravadas. Após uma selecção interna a cargo de 43 funcionários da RTP, a vitória recaiu sobre Dora com o seu "Não Sejas Mau Para Mim". No entanto, um dos momentos mais marcantes foi uma excelente versão do tema "Cavalo À Solta", canção concorrente do Festival da Canção de 1971 na voz de Fernando Tordo, interpretada pelo Coro de Santo Amaro de Oeiras e quase todos os vencedores do Festival da Canção até então (Madalena Iglesias, José Cid e as Doce foram as únicas ausências).



1988: Parecia o Festival, mas não era bem o Festival
Mais uma vez, a RTP optou por um peculiar processo para escolher a canção representante na Eurovisão. Seis canções foram apresentadas em actuações pré-gravadas numa emissão especial do programa "Deixem Passar A Música" quando já se sabia que a escolha recaíra sobre o tema "Voltarei", interpretado por Dora. Outra das canções a concurso também era interpretada por Dora, de seu título "Déjà Vu" que entrou na competição por ter vencido o Prémio Nacional de Música.


Esse certame realizou-se umas semanas antes na Figueira da Foz, com transmissão na RTP, e para muitos parecia mesmo o Festival da Canção, com actuações ao vivo, apresentação de Ana do Carmo e até a actuação do convidado especial Johnny Logan, que tinha vencido o Festival da Eurovisão (pela segunda vez!) no ano transacto. Foi, creio eu, a única que um vencedor da Eurovisão visitou Portugal enquanto detentor do título.


Eu, na altura com oito anos, pensei que este é que tinha sido o Festival, já que o outro programa passou-me ao lado, e achava que tinham decidido trocar de canção para Dora e só bem mais tarde é que percebi deste bizarro processo de selecção. De referir ainda que um dos cantores presentes era António Antunes, que viria ser depois conhecido como Tony Carreira.



1991: Bye, Ruth Rita, Bye
A edição de 1991 teve lugar na FIL, mais uma vez em dia de aniversário da RTP, e consagrou Dulce Pontes e o imortal "Lusitana Paixão". Este Festival da Canção também prestou homenagem ao cinema português, com a apresentação de cada canção a ser precedida por uma famosa cena de míticos filmes portugueses dos anos 30 e 40 e com uma apresentação de uma medley de canções desses filmes.
Além de Dulce Pontes, na competição estiveram presentes por exemplo, Toy, Emanuel antes da sua fama,  o grupo Blocco que integrava Ricardo Carriço (não é de agora que este é dado às cantigas) e... a inesquecível Ruth Rita de "A Roda da Sorte" que surgiu a tocar(?) teclado e a fazer coro na canção "Bye, Lili, Bye", cantada por Tó Leal e Gustavo Sequeira. A certa altura, Tó Leal até teve direito a um beijo repenicado de Ruth Rita!



1993: As ligas são de mais
Antes da grande final do 30.º Festival da Canção no Teatro São Luís, vinte canções foram apresentadas no programa "Sons do Sol" de Júlio Isidro com o intuito de apurar oito temas para a grande final que consagraria Anabela e "A Cidade (Até Ser Dia)". Essa pré-selecção estava a cargo de um júri composto por Fernando Tordo, Carlos Mendes, Rita Guerra, Dulce Pontes e João Filipe Barbosa. A polémica surgiu a propósito de uma das canções não apuradas, "As Palavras São De Mais" interpretada por Ana Paulino. Primeiro porque gerou uma enorme discórdia entre os júris com Mendes e Tordo a darem-lhe 12 e 10 pontos respectivamente e Rita Guerra a dar apenas 1 ponto. Também um dos júris, creio que Carlos Mendes, não se fez rogado em criticar a roupa com que Ana Paulino se apresentou durante a sua actuação, um vestido cuja racha deixava à vista uma liga que a cantora trazia na perna.



1994: Chamar a pontuação máxima
Após duas semifinais, uma no Porto e uma em Lisboa, uma das canções favoritas à vitória final era o "Chamar A Música" de Sara Tavares, a qual já se sabia ser a vencedora da primeira edição do "Chuva de Estrelas", cuja final já tinha sido gravada mas que ainda não tinha sido transmitida na SIC. E para espanto de todos, a vitória da canção acabou por ser, de forma inesperada porém justíssima, absolutamente esmagadora com os júris dos 22 distritos nacionais a darem todos unanimemente a pontuação máxima (10), alcançando assim a maior pontuação possível de 220 pontos. Sinal de que Sara Tavares era -e continua a ser- uma estrela de raro brilho no nosso panorama musical.



1996: Lúcia, a grande aposta
1996 terá sido porventura a última grande edição do Festival da Canção, julgo que foi depois desse ano que começou o declínio de interesse do grande público. Numa edição realizada no Teatro Politeama, o cinema português foi mais uma vez o tema de homenagem num espectáculo intermédio dirigido por Filipe La Feria. Até esse momento, Lúcia Moniz era apenas conhecida sobretudo por ser filha de Carlos Alberto Moniz e Maria Do Amparo e alguns mais atentos já a tinham visto ao lado do malogrado Beto a cantar na banda do programa "Não Se Esqueça Da Escova De Dentes", mas nesse ano 1996, Lúcia demonstrou ser uma grande revelação tanto enquanto cantora como actriz.
Lúcia Moniz não só venceu o Festival da Canção com "O Meu Coração Não Tem Cor", cujo tema viria a alcançar o melhor resultado de sempre para Portugal no Festival da Eurovisão, como também brilhou na sua estreia em representação na telenovela "A Grande Aposta", exibida na RTP, logo no papel de duas irmãs gémeas, uma delas cega! Foram os primeiros passos para uma frutuosa carreira de Lúcia Moniz tanto na música como na representação.


sábado, 12 de março de 2016

Viagem ao Passado - Rádio Zero



É sempre de saudar quando surge um novo projecto de temática nostálgica no panorama nacional. 
Chegou ao nosso conhecimento há poucos dias e a "Enciclopédia de Cromos" gostaria de indicar aos leitores um recente programa radiofónico dedicado aos acontecimentos dos anos 80, 90 e 00: "Viagem Ao Passado".



Segundo Rute Fidalgo - a autora e voz de "Viagem Ao Passado" - a "premissa deste programa é trazer os protagonistas desses momentos, de forma a recordar as memórias dos mesmos na primeira pessoa".
O site do programa na Rádio Zero descreve a "Viagem Ao Passado" da seguinte forma:
"Dizem que ‘recordar é viver’. E podia ser muito bem o slogan deste programa. Um programa de memórias, mas que não pretende ser saudosista. (...) Por aqui passam as músicas, os acontecimentos, os programas, mas sobretudo as lembranças, as recordações e as efemérides, que são contadas na primeira pessoa em 57 minutos de tertúlia. Dos músicos aos apresentadores, dos actores aos meros fãs, todos entram nesta viagem até aos anos 80, 90 e 00. Todos os domingos, ao final da tarde, embarquem connosco nesta ‘Viagem ao Passado’, feita com as recordações que fazem parte das vidas de todos nós."


Ouçam em Directo, Domingos às 19 horas - Rádio Zero [https://www.radiozero.pt]

Visitem o Facebook: [https://www.facebook.com/viagemaopassado.radiozero]
 

E ouçam os programas já emitidos na MixCloud: [https://www.mixcloud.com/viagemaopassado].
Entre as emissões podem encontrar recordações de publicidade do anos 80 - com Ana Moreira; do programa da SIC "Êxtase" - com Joana Cruz; ou a girlsband NonStop com Liliana Almeida e Andrea Soares.

Marquem nas agendas: Domingos às 19 horas - Rádio Zero!

Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos"Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr".

sexta-feira, 11 de março de 2016

Big (1988)

por Paulo Neto

Decerto que todos nós, pelo menos uma vez enquanto petizes, já desejámos ser adultos, ou pelo menos um pouco mais velhos, por acharmos que só os crescidos é que têm toda a diversão. Deve ser por isso que volta e meia Hollywood gosta de fazer filmes sobre crianças ou adolescentes no corpo de adultos, ou vice-versa. No final dos anos 80, houve uma onde de filmes com essa temática como "Tal Pai, Tal Filho" (1987) e "Vice-Versa" (1988), mas o mais famoso foi "Big", protagonizado por Tom Hanks, baseado no filme italiano "Da Grande".



O filme de 1988, realizado por Penny Marshall, conta a história de Josh Baskin (David Moscow) um rapaz de 12 anos, complexado pela sua baixa estatura. Depois de sofrer uma humilhação diante de Cynthia Benson (Kimberlee M. Davis), a rapariga por quem ele sente um fraquinho, ao ser-lhe negada a entrada numa montanha-russa por causa da sua altura, Josh pede a uma máquina de vidente o desejo de ser "grande".



Na manhã seguinte, Josh vê-se no corpo de um homem de 30 anos (Hanks). Afugentado pela sua mãe (Mercedes Ruehl), que o toma como o raptor do seu filho, ele foge para Nova Iorque com o seu melhor amigo Billy Kopecki (Jared Rushton). 
Josh arranja trabalho numa empresa de brinquedos e é promovido depois de travar amizade com o dono, Mr. McMillan (Robert Loggia), que fica impressionado com o seu entusiasmo face aos brinquedos. A promoção não lhe só dá o dinheiro para viver com Billy num belo loft com máquinas de flippers e de venda de bebidas e muitos brinquedos, como suscita as atenções da sua colega, Susan Lawrence (Elizabeth Perkins), com quem inicia um romance. Porém essa súbita promoção também suscita invejas e suspeitas entre os outros executivos da empresa, sobretudo Paul Davenport (John Heard), o ambicioso e ressabiado ex-namorado de Susan.
Mas com o tempo, Josh percebe que ser adulto também tem uma grande dose de responsabilidades e pressões para as quais ele não está preparado e que está a esquecer-se do que é ser uma criança.




Com uma equilibrada dose de humor e seriedade, "Big" foi um inesperado êxito de bilheteira (foi o primeiro filme realizado por uma mulher a facturar mais de 100 milhões de dólares) e de crítica. Tom Hanks recebeu a sua primeira nomeação para um Óscar, bem como o argumento original de Gary Ross e Anne Spielberg (irmã de Steven). O American Film Institute incluiu "Big" nas suas listas das 100 melhores comédias e dos 10 melhores filmes de fantasia. O filme foi adaptado para um musical da Broadway em 1996 e há planos para uma adaptação para série televisão na FOX.





A cena mais famosa do filme é sem dúvida aquela em que as personagens de Tom Hanks e Robert Loggia divertem-se em cima de um piano gigante, onde tocam "Heart And Soul" e "Chopsticks". Essa cena foi coreografada por Paula Abdul.    

Trailer:




quarta-feira, 9 de março de 2016

Madalena (1988-2001)

por Paulo Neto


"Numa casa antiga de Paris, coberta de trepadeira,
Viviam doze meninas alinhadas à boa maneira.
Saíam de casa sempre às nove e meia
Mesmo se o tempo fizesse cara feia.
E a mais pequena chamava-se Madalena."



Era assim, com a narração de Ruy de Carvalho na dobragem portuguesa, que começava cada episódio da série animada "Madalena", exibida nos espaços infantis da RTP 2 ao longo dos anos 90.

A série de animação era baseada numa série de livros infantis da autoria de Ludwig Bemelemans (1898-1962) sobre um grupo de meninas que vivem num colégio privado de Paris, em especial a mais pequena, Madeline, sempre a meter-se em aventuras.

Capa do primeiro livro da série

Antes da série exibida em Portugal, produzida pela DIC Entertainment, os livros já tinham sido objecto de algumas adaptações em desenho animado. Uma curta-metragem de 1952 chegou mesmo a ser nomeada para um Óscar.



A série produzida pela DIC começou em 1988 com o primeiro de cinco especiais de uma hora que adaptavam outros tantos livros da colecção, produzidos entre 1988 e 1991. A partir de 1993, passou a série regular com histórias inéditas. Três conjuntos de episódios foram produzidos e exibidos nos Estados Unidos em 1993, 1995 e 2000-01. Esta terceira série de episódios foi premiada com um Emmy.

Em Portugal, os cinco especiais foram exibidos em 1993 e a primeira série em 1995. Como já foi referido, a narração era de Ruy de Carvalho (a versão original era narrada por Christopher Plummer) e contava com as vozes de Ermelinda Duarte, Manuela Couto, João de Carvalho, Luísa Cruz, Ana Madureira e Margarida Rosa Rodrigues. Segundo o site Desenhos Animados, a SIC reexibiu a série em 2001 com outra dobragem.

Madalena (voz de Manuela Couto)

Miss Clavel (voz de Ermelinda Duarte)

Embora a série centrava-se sobretudo em Madalena, havia outras personagens populares como a Miss Clavel, a mestra do colégio (que ao contrário do que a sua indumentária pode indiciar, não era uma freira), o Lord Cotovia, o dono do colégio, a espertíssima cadela Genoveva adoptada pelas meninas e Pepito, um rapazinho filho do embaixador de Espanha, que vive na casa ao lado do colégio e que, embora inicialmente se comporte como uma grande peste, acaba por ser um grande amigo de Madalena e ocasional parceiro das suas aventuras. De entre as colegas de Madalena, três costumam ter um pouco mais de destaque: Carla, de longos cabelos ruivos, Nicole, de cabelo curto, e Daniela, de cabelo castanho encaracolado.

Nicole (voz de Ana Madureira)
Carla (vozes de Luísa Cruz e Margarida Rosa Rodrigues)
Daniela (voz de Margarida Rosa Rodrigues)
Lorde Cotovia (voz de João de Carvalho)
Pepito (voz de Ana Madureira)


Embora à primeira vista pudesse parecer uma série demasiado infantil e ameninada, a verdade é que os bonecos eram tão giros e as histórias tão engraçadas que eu e o meu irmão costumávamos ver.

E ainda hoje recordo-me da canção do genérico, interpretada por Manuela Couto:

Se alguém me diz
Tu és petiz
Precisas de crescer
Eu digo que não tens razão
E vem-me conhecer

Sou Madalena, Madalena,
Miúda mais valente
Sou Madalena, Madalena,
Por dentro, sou gente

E mesmo assim pequena
como parecer ser
Por dentro a Madalena
Sabe bem o que quer

Madalena, Madalena!

A Madalena é pequena
Mas muito destemida
Pequena sou por fora
Mas por dentro, crescida





Em 1998, houve uma adaptação cinematográfica da franchise com Frances McDormand no papel de Miss Clavel. Existem também um filme da série produzido directamente para video, colecções de DVD e de jogos de vídeo educacionais.    

Cena do filme "Madeline" de 1998


Capa de um dos DVD




segunda-feira, 7 de março de 2016

RTP - Início das Emissões Regulares (7 Março 1957)


Apesar de as emissões experimentais terem tido inicio a 4 de Setembro de 1956, a televisão portuguesa só "nasceu" realmente no dia 7 de Março de 1957 - uma quinta-feira - às 21:30 horas.
Sobre o período anterior, a Wikipédia resume-o desta forma:

"Entre 1954 e 1955, o Gabinete de Estudos da então Emissora Nacional estuda o projecto para o início de uma rede de televisão nacional, sendo um dos principais impulsionadores Marcelo Caetano, que aconselhou Salazar nesse sentido. Por iniciativa do Governo, foi constituída a RTP - Radiotelevisão Portuguesa, S.A.R.L., a 15 de Dezembro de 1955, sociedade anónima com o capital social de 60 milhões de escudos, tripartido entre o Estado, emissoras de radiodifusão privadas e particulares."
Estranhamente, a primeira emissão regular não foi assunto de primeira capa no dia seguinte - pelo menos no "Diário de Lisboa" - mas no próprio dia foi diferente:



O artigo: "Uma visita ao mundo da Radiotelevisão Portuguesa que hoje, às 21 e 30, inicia as emissões directas dos seus estúdios na Alameda das Linhas de Torres"
"Diário de Lisboa" 07 Março 1957.
 Um texto descaradamente institucional:

"(...) o trabalho é intenso, naquele conjunto que vai ser a base do êxito da Televisão no nosso País; e, ao mesmo tempo que se preparam as emissões directas (pois, durante as realizadas na Feira Popular de Lisboa, as outras têm sido de filmes), pôem-se á prova candidatos e candidatas a futuros locutores."
"Diário de Lisboa" 07 Março 1957.
"A partir de hoje, vão realizar-se emissões de ensaio, com programas regulares, diferentes em cada dia, das 21 e 30 ás 23 horas, prolongando-se, ás quartas-feiras, até ás 23 e 30, e com uma suplementar, aos domingos, das 18 ás 19."
Além de descrever a prova de uma candidata a locutora, e o funcionamento do estúdio, o artigo refere ainda os realizadores Rui Ferrão, Artur Ramos e Álvaro Benamor; e o locutor Nuno Fradique e arquitecto Peiroteo que estavam em estágio na BBC.


Só na semana seguinte encontrei alguma referência no "Diário de Lisboa"



"Diário de Lisboa" 12 Março 1957.
 "Convém aqui assinalar que este bailado foi o  único numero do programa que correspondeu a expectativa criada em volta daquela emissão."
Olhemos à programação seleccionada para o primeiro dia:



"Diário de Lisboa" 07 Março 1957.
Uma lista da programação da primeira semana das emissões da RTP:



07 de Março de 1957 - Quinta-Feira
  • 21:30 - Inauguração das emissões de ensaio: Presente e Futuro da R.T.V.;
  • 21:40 - Canções a granel, com Maria de Lourdes Resende, Rui de Mascarenhas, Conjunto de Domingos Vilaça e Raul Solnado (Produção de Francisco Mata, Realização de Rui Ferrão);
  • 22:00 - Noticiário e actualidades nacionais e internacionais;
  • 22:25 - Futebol militar (os jogos de Paris e Lisboa comentados por Lança Moreira);
  • 22:40 - A T.A.P. por dentro;
  • 23:00 - Os Enganos do Amor (Bailado com Agueda Sena e Fernando Lima, Produção de Tomás Ribas, Realização de Artur Ramos);
  • 23:25 - Ultimas noticias;
  • 23:30 - Fecho da emissão.

08 de Março de 1957 - Sexta-Feira
  • 21:30 - Abertura da emissão;
  • 21:33 - A juventude no Mundo;
  • 21:45 - Vida feminina;
  • 22:00 - Noticiário e actualidades nacionais e internacionais;
  • 22:45 - Viagens sem rumo certo;
  • 22:50 - Ultimas noticias;
  • 23:00 - Fecho.

09 de Março de 1957 - Sábado
  • 21:30 - Abertura da emissão;
  • 21:33 - O Jardim Zoológico de Lisboa;
  • 21:48 - Desportos - o domingo visto de véspera;
  • 22:00 - Noticiário e actualidades nacionais e internacionais;
  • 22:25 - Orquestra feminina cubana "Nereida y su Ensueño Tropical" (apresentado por Raul Solnado);
  • 22:45 - Revista da Semana;
  • 22:55 - Ultimas noticias;
  • 23:00 - Fecho da emissão.

10 de Março de 1957 - Domingo
  • 18:00 - Abertura da emissão;
  • 18:03 - Vida desportiva;
  • 18:20 - Passatempo infantil;
  • 18:35 - Viagem ao parque Kruger;
  • 18:55 - Noticiário;
  • 19:00 - Interrupção da emissão;
  • 21:30 - Reabertura da emissão;
  • 21:33 - O Mundo através dos selos;
  • 21:46 - Cinema 57;
  • 22:00 - Noticiário e actualidades;
  • 22:25 - Música para todos - Patrícia Mungel (coro e orquestra sob a regência do maestro Howard Barlow);
  • 22:45 - Imagens do domingo desportivo;
  • 22:55 - Ultimas noticias;
  • 23:00 - Fecho da emissão.

11 de Março de 1957 - Segunda-Feira
  • 21:30 - Abertura da emissão; 
  • 21:33 - desenhos animados;
  • 21:43 - Tribuna desportiva (Debate conduzido por Lança Moreira);
  • 21:52 - Conímbriga;
  • 22:00 - Noticiário e actualidades nacionais e internacionais;
  • 22:25 - Inauguração das emissões teatrais da R.T.P. - o "Monólogo do Vaqueiro" (de Gil Vicente, Realização de Álvaro Benamor)
  • 22:45 - Música e Artistas - pianista Maria Leonor Fernandes;
  • 22:55 - Ultimas noticias;
  • 23:00 - Fecho da emissão.

12 de Março de 1957 - Terça-Feira
  • 21:30 - Abertura da emissão;
  • 21:33 - A juventude no Mundo (serviço internacional de actualidades para crianças);
  • 21:45 - Miradoiro:
  • 22:00 - Noticiário e actualidades nacionais e internacionais;
  • 22:25 - Vida Feminina;
  • 22:40 - A Ciência ao alcance de todos; "Átomos para a Saúde";
  • 22:55 - Ultimas noticias;
  • 23:00 - Fecho da emissão.

13 de Março de 1957 - Quarta-Feira
  • 21:30 - Abertura da emissão;
  • 21:33 - "Fado, história de uma cantadeira" (filme de Perdigão Queiroga, com Amália Rodrigues e Virgílio Teixeira);
  • 22:00 - Noticiário e actualidades nacionais e internacionais;
  • 22:25 - Continuação do filme "Fado, história de uma cantadeira";
  • 23:25 - Ultimas noticias;
  • 23:30 - Fecho da emissão.
 14 de Março de 1957 - Quinta-Feira 
  • 21:30 - Abertura da emissão;
  • 21:33 - Cavalos selvagens;
  • 21:43 - "História de um 'ás': Manuel Faria";
  • 22:00 - Noticiário e actualidades nacionais e internacionais;
  • 22:25 - Lisboa á noite: fados por Celeste Rodrigues e Arminda Vidal (acompanhadas pelo guitarrista Adelino dos Santos e o violista Nicolau Neves);
  • 22:40 - Cidades da Europa: Veneza;
  • 23:25 - Ultimas noticias;
  • 23:30 - Fecho da emissão.
O Blog "Restos de Colecção" tem um interessante artigo, fartamente ilustrado sobre os primórdios da televisão pública: "RTP - Rádio Televisão Portuguesa".

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sexta-feira, 4 de março de 2016

A Roda da Sorte (1990-1993)



Muito se escreveu - e escreve - sobre as emissões televisivas que em mais de meio século marcaram os telespectadores da "caixinha mágica que mudou o Mundo": os Jogos Olímpicos de Berlim, a chegada à Lua, a tragédia do Challenger, os Festivais da Eurovisão, etc.  Mas se existiu uma emissão nacional que nos anos 90 marcou a minha jovem mente de teenager inconsciente - e aposto que toda uma legião de jovens e menos jovens: a histórica  última sessão da "A Roda da Sorte".
O concurso substituiu outro concurso, apresentado pelo Sr. Contente (Nicolau Breyner): "Jogo de Cartas (1989-92)". Começando as emissões no dia 17 de Setembro de 1990, "A Roda da Sorte" foi apresentado pelo inimitável Herman José, e era a adaptação do clássico formato norte-americano "Wheel of Fortune". Nunca vi um episódio do original, mas a nossa "Roda" era muito melhor, por motivos óbvios. O que podia ter sido apenas mais um concurso de adivinhas e cultura geral, graças a Herman José e sua equipa era um divertido espaço de humor diário. Além do "man itself", eram parte integrante deste programa de  sucesso a ajudante Ruth Rita, a cara simpática, "vítima" das brincadeiras do apresentador e  a voz off mais famosa do país: Cândido Mota. O público sempre reagia histericamente, melhor que as gargalhadas "enlatadas" de outros programas.

O jogo de tabuleiro da MB "Roda da Sorte".
Joguei muitas vezes ao jogo em tabuleiro, e prometo que porei fotos dele aqui na Enciclopédia. Sucedeu-lhe outro concurso com o mesmo gang, "Com a verdade m'enganas", mas essa, é outra história...


A mecânica do concurso era simples (os concorrentes giram a roda, pedem consoantes e adquirem vogais  para tentar revelar e adivinhar a palavra escondida), mas divertido de seguir porque com um host como Herman José era impossível ficar aborrecido! Era quase sagrado, mudar a televisão para ver, antes do Telejornal, e tentar adivinhar as palavras e divertir-se com Herman, a envergonhada Ruth Rita e o Rei da voz off Cândido Mota.

Os prémios da ultima edição.
O programa mais recordado é precisamente o fantástico final, algo nunca visto, nem antes nem depois, em que Herman José, munido de casaco de cabedal, óculos de sol e uma caçadeira - sim, criançada, uma caçadeira - chacinou sem piedade os prémios que os concorrentes podiam ganhar. Fiquei fascinado!







Recentemente consegui uma cópia da mítica ultima emissão de "A Roda da Sorte", que partilho convosco, no canal de Youtube da Enciclopédia TV:
Também disponível no Vímeo - "Roda da Sorte - Última Sessão".





Um artigo do jornal Observador destacou várias expressões que Herman José e companhia inscreveram no vocabulário dos espectadores. Sobre a fase d' "A Roda da Sorte":
"Veio depois a fase dos concursos, que o próprio Herman considerou o seu auge de popularidade. No início dos anos 90, Herman ocupou os finais de tarde de semana com “A Roda da Sorte” (1990-93) (...) foi pródigo em expressões repetidas pelo público em estúdio, o coro das porcazinhas (onde se destacava o Gimba d’Os Irmãos Catita). A farfalota pimpinela, o engrelope ou ah! que bem escolhido! são apenas alguns exemplos desses chavões. Duas músicas do inaudito cantor Victor Peter ficaram então famosas: Paula, eu sofro por você e Ó Ivone, goodbye my love – ainda hoje há quem se despeça com um Goodbye Maria Ivone!" in Observador - "Dez expressões que devemos a Herman José".
A épica ultima emissão foi ao ar a 31 de Dezembro de 1993. Foi um belo final de sexta-feira e final de ano!

Exemplar de um boletim para concorrer á "Roda Da Sorte":


Curiosamente, o programa voltou em 2008, noutro canal [SIC] mas com o mesmo apresentador, agora ajudado por Vanessa Palma. Mas esta versão não conquistou o público e desapareceu da grelha sem deixar saudades...

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Refrigerantes BB (1969)


Os refrigerantes BB "são Bem Bons" segundo a publicidade à "gasosa e a super-laranjada familiares BB". Uma pesquisa no Google não rendeu nenhuns resultados sobre a empresa indicada no fundo do anúncio: "Coporel, Lda" de Linda-A-Velha. Como já devo ter mencionado noutros cromos, até há umas poucas décadas existia uma miríade de pequenas fabricantes de refrigerantes espalhados pelo país. E se pensavam que "BB" seriam as iniciais de "Brigitte Bardot" o mais provável é que fosse "Bem Boa", como gravado nas garrafas. Mas, acrescento eu, poderia ser as duas, visto que Bardot nesta época não era nada de jogar fora!


Publicidade retirada da revista Tintin Semanal Ano 2Nº 08, de 1969. 
Uploader original desconhecido. Imagem Editada e Recuperada por Enciclopédia de Cromos.

Actualização: O blog "MADE IN PORTUGAL" tem a mesma publicidade em melhor estado:
Entretanto, também vi algumas garrafas dos mesmo refrigerantes com a indicação "Madibel, S.A.R.L." e Funchal.


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