quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Bontempi System 5 (1991) Orgãos Electrónicos



No inicio dos 90 os órgãos electrónicos musicais estavam na moda e numa enxurrada passaram dos palcos para o conforto do lar. Quantos ouvidos não foram torturados enquanto a irmã mais nova aprendia a tocar no teclado do órgão novinho em folha? Confesso que também me rendi à curiosidade e tentei executar o hit "Dó-ré-mi-fá-sol-lá-si-dó-si-lá-sol-fá-mi-ré-dó", sem grande sucesso...
Mas esta publicidade de 1991, apresenta dois modelos Bontempi com o "novíssimo método" System 5: o KS 4600 e KS 5600 ("teclado profissional"), distribuídos por AUFERMA.
O site Weltenschule classifica o Bontempi KS 4600 como um dos piores órgãos do mundo, com um som péssimo. Queremos saber a opinião dos nossos leitores: era assim tão mau? Quais os vossos favoritos, desta ou outras marcas?

Publicidade retirada da revista Pato Donald Nº 279, de 1991. 

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terça-feira, 13 de outubro de 2015

All You Need Is Love (1994-1997?)

por Paulo Neto

O amor é fogo que arde sem se ver, mas em 1994, a SIC estreou um programa que pretendia deixar esse fogo bem visível no pequeno ecrã. "All You Need Is Love" foi uma das principais novidades da SIC para a nova grelha de 1994. Produzido pela Endemol a partir de um formato original holandês (dah!), o programa já fazia sucesso em diversos países europeus até chegar a Portugal. Segundo a Wikipedia, o programa teve três temporadas exibidas entre 1994 e 1997, mas eu tenho ideia que chegou a haver mais pelo menos mais uma em anos seguintes. A primeira temporada foi apresentada por Lídia Franco e as restantes por Fátima Lopes.







"All You Need Is Love" convidava os portugueses a expressarem os seus sentimentos amorosos das mais diversas formas. As comparações com "Perdoa-me", outro produto made in Endemol estreado cá uns meses anos, eram inevitáveis mas ao contrário deste, "All You Need Is Love" distinguia-se sobretudo por ter conteúdos muito diversificados. Eis alguns deles:

- Alguém desimpedido e disponível para conhecer uma pessoa para uma possível relação, gravava um vídeo, a ser exibido no programa. Os interessados em conhecer essa pessoa contactariam a produção. No programa seguinte à exibição do vídeo, a pessoa que gravou o vídeo (e foram pessoas de ambos os sexos e de várias idades a fazê-lo) conversava os possíveis candidatos a namorado ou namorada no bar do "All You Need Is Love", revelando a sua escolha no final do programa. Geralmente o número de candidatos não ia além da dezena, mas lembro-me de um caso na primeira temporada, onde uma jovem chamada Dina impressionou tanta rapaziada que surgiram para aí uns trinta rapazes no programa para a conhecerem!



- Com a ajuda do programa, vários portugueses e portuguesas faziam uma surpresa para confessarem o seu amor àquele ou àquela por quem estavam apaixonados. Por exemplo, no primeiro programa, um rapaz confessou o seu amor por uma amiga chamada Sofia através de um avião que sobrevoou a praia onde estava a dita Sofia com a mensagem: "Sofia, estou apaixonado por ti".

- Havia igualmente alguns segmentos a fazer lembrar o "Perdoa-Me", onde alguém tentava pedir perdão à pessoa amada, através de uma mensagem em vídeo. 

- E também havia segmentos tipo "Ponto De Encontro", onde se reuniam casais separados pela distância. No primeiro programa, uma senhora presente na assistência teve a oportunidade de falar por telefone com o marido, que supostamente estava na Austrália a trabalhar num navio de cruzeiro. Mas a meio da conversa, surgiu o marido em estúdio inesperadamente, dando-se um emotivo reencontro. Recordo-me também de um episódio em  que, durante uma suposta ligação ao estúdio do programa na Holanda, um holandês de olhos azuis chamado Guus declarava-se ainda apaixonado por uma portuguesa de olhos castanhos chamada Fernanda, com quem vivera um intenso romance em Amesterdão, ao longo do qual os dois se tratavam carinhosamente por "brown eyes" e "blue eyes". E nem por acaso, a Fernanda "brown eyes" estava presente na assistência do programa e enquanto esta gravava uma mensagem de resposta ao Guus "blue eyes", surgiu o holandês no estúdio em Portugal, pronto a restabelecer o romance em solo português.      

- Outra forma de alguém fazer uma surpresa à pessoa amada, era cantando-lhe uma canção conhecida com uma nova letra que espelhava a história de ambos. Recordo-me de um caso em que um homem cantou à sua esposa uma versão de "Hello" de Lionel Ritchie, que terminou com a esposa lavada em lágrimas e o homem lavado em suor que escorria em bica na sua cara não só com o calor do estúdio mas também do fato smoking que envergava.



- Nas temporadas mais adiantadas, havia um segmento onde se homenageavam as histórias de amor de alguns casais através de curta-metragens onde actores recriavam a respectiva história. Alguns desses mini-filmes eram mesmo muito elaborados, como por exemplo um que recriava a história entre um soldado português e uma angolana em plena Guerra Colonial, que parecia que tinha algumas cenas filmadas em Angola. 

- Também havia um momento musical onde as pessoas presentes na assistência formavam pares para dançar enquanto o cantor convidado cantava uma famosa balada.

Chegaram mesmo a marcar presença no programa alguns convidados internacionais como a italiana Laura Pausini, cantando o seu grande hit "La Solitudine".



Ao longo da sua emissão, deve ter havido portanto imenso casalinhos formados pelo programa. Apesar das críticas à exploração do desejo dos portugueses aparecerem na televisão, à exposição dos sentimentos da vida privada das pessoas e à veracidade dos casos apresentados, "All You Need Is Love" foi outro programa marcante da televisão portuguesa nos anos 90. 

Foram ainda editados dois CD oficiais do programa que continha várias baladas conhecidas, sendo que o primeiro continha a versão interpretada por Pedro Miguéis do tema dos Beatles que dava nome ao programa, versão essa que era usada no genérico.


Excerto do 2.º programa (18-09-1994)
(aos 12:13, o vídeo da Dina que teve mais 30 pretendentes no programa seguinte)








sábado, 10 de outubro de 2015

Futebol 84 (1983) Caderneta de Cromos


Mais uma das omnipresentes cadernetas de cromos da nossa infância, com talvez o tema mais popular nesse meio: os cromos do futebol. Este "Futebol 84", editado pela Disvenda, era dedicada aos plantéis do campeonato da época 83/84, "já com a última transferência". A colecção consistia em 192 cromos, que nesta altura ainda teriam que ser colados com ... cola.
A capa que protagoniza este anúncio é quase uma réplica a 100% da capa da própria caderneta:
Foto: Colagem de imagens recolhidas na Internet.


Publicidade retirada da revista Pato Donald Nº 65, de 1983. 

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sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Saúl Ricardo "O Bacalhau Quer Alho" (1996)

por Paulo Neto

Agora que é presença regular na televisão devido à sua participação em "A Quinta", nada como recordar os tempos em que o pequeno Saúl Ricardo era a estrela infantil mais badalada em Portugal depois da Maria Armanda.



Saúl Ricardo dos Santos Noronha nasceu a 18 de Agosto de 1987 na Figueira de Foz. Em 1995, quando ainda não completara oito anos, participou no "Big Show SIC", surgindo como um mini Quim Barreiros a cantar "O Mestre da Culinária", deixando toda a gente em estúdio espantada com a actuação. Inês Santos, a vencedora do Chuva de Estrelas que nesse programa era a júri convidada, definiu na perfeição o que todos acharam: "O Quim Barreiros encolheu, foi à máquina de lavar."





Tal foi impacto causado por aquele micro-talento que rapidamente surgiram propostas para um contrato discográfico. E em 1996, surgia o seu primeiro álbum cuja faixa-título seria o seu grande hit, "O Bacalhau Quer Alho".





O sucesso do disco não se fez esperar e pouco depois já não havia quem neste país não tivesse trauteado o refrão: "O bacalhau quer alho / É o melhor tempo / Quem comer alho / Fica rijo como um pêro". E sabem quem é que escreveu este magnífico opus? Os irmãos António e Filipa Lemos que mais tarde ganhariam notoriedade como parte dos Santamaria. Antes dos Santamaria, os irmãos Lemos ganhavam a vida actuando como o duo Tony Lemos & Marlene, mas sobretudo compondo canções para os artistas da facção pimba da editora Vidisco (algo que após o sucesso dos Santamaria, eles compreensivelmente quiseram manter em discrição). Eu sei disso porque certa vez, acho que na festa de anos de alguém, vi a cassete do primeiro álbum do Saúl e a maioria dos temas eram da autoria dos dois manos. E, como se impunha, dois temas eram da autoria do Quim Barreiros himself.

"Dona Tila" no Big Show SIC (1997):



Seguiram-se três anos de grande sucesso e uma carregadíssima agenda de espectáculos por todo o Portugal e também no estrangeiro. E foram-se somando hits como "Cozinhar É Comigo" (mais conhecido como "cozinho eu p'ra mim"), "Os Pitos", "Dona Tila", "Espeto Um Prego" ou "As Bolas De Snooker". Em 2000, tentou-se uma ligeira mudança de repertório com "Gosto De Ti À Brava" mas o disco não teve tanto sucesso. Foi a partir daí que começou a circular o boato de que Saúl teria morrido num acidente de viação, ou algo assim. Mas não só continuava vivinho da Silva como continuou a lançar um álbum por ano entre 2002 e 2005. 

Foi então que quando completou 18 anos, Saúl descobriu que os seus pais desbarataram todo o dinheiro que havia ganho desde criança. Foram tempos conturbados em que fez de tudo para sobreviver e onde o próprio admitiu ter tido pensamentos suicidas. Mas quando tudo parecia perdido, surgiram dois apoios que o fizeram persistir na adversidade: a namorada Marisa (actualmente sua esposa) e o público que afinal nunca o esquecera e que gradualmente foi acorrendo de novo aos seus concertos. Talvez porque se há coisa que o povo gosta mais do que cantigas sobre bacalhau, são histórias de ídolos caídos que voltam erguer-se.





Actualmente com 28 anos, Saúl Ricardo vive actualmente um renascimento da sua carreira, reconstruída pelo seu próprio pulso. Mesmo sem o fulgor dos outros tempos tal como sucede com outros artistas (a perfect storm da música pimba dos anos 90 é irrepetível), continua a actuar por todo o país, cantando os temas brejeiros com trocadilhos que são a sua marca (cada um é para o que nasce) como o hit-single de 2011 "A Fábrica Da Chouriça" e a marcar presença na televisão, não só nos típicos programas 760 de fim-de-semana das estações generalistas, mas também em "Som de Cristal" e agora em "A Quinta". Saúl pode continuar pequeno mas fez-se um homem.

Excerto do Perdidos & Achados sobre Saúl Ricardo (2011):

     

terça-feira, 6 de outubro de 2015

O DOT (2000)

por Paulo Neto

Um dos principais acontecimentos televisivos do ano 2000 não se deveu a nenhum programa mas sim a uma engenhosa estratégia na guerra das audiências, envolvendo um objecto autocolante, uma personagem fofinha e aldrabice q.b. Falo, é claro do DOT, com o qual a SIC tentava impor-se na guerra das audiências nesse ano. Não me recordo em que altura do ano 2000 é que a DOTmania teve lugar, pela informação que consegui apurar terá havido uma primeira fase durante o primeiro semestre do ano, e depois uma segunda fase lá mais para o final do ano para tentar contrariar o boom do primeiro Big Brother português que ditaria o princípio do fim do domínio da estação de Carnaxide.





Mas o que era afinal o DOT? Era uma rodela de cartão com uma película no centro com uma superfície autocolante que podia ser obtido na compra de um Menu no McDonald's, no abastecimento nos postos da BP, em compras no Modelo e na Worten e na aquisição da revista TVMais e que se destinava a ser-se colado no canto direito do televisor no início de alguns programas da SIC, surgindo no ecrã uma silhueta a indicar o sítio certo, e que assim deveria permanecer até ao final do programa, mesmo nos intervalos, pelo que durante esse tempo não se podia mudar de canal ou desligar o televisor, sob pena de quebrar o quer que fosse o trabalho que a coisa fazia. Depois era juntar o cupão em anexo, enviar pelo correio ou deixar em algum dos recipientes nos McDonald's, na BP, no Continente ou na Worten que lá haviam para o efeito para se habilitar a ganhar um de entre um variado conjunto de prémios.



Segundo este artigo do "Público", esta iniciativa foi patenteada por uma empresa holandesa e começou, alegadamente com enorme sucesso, na Hungria, e Portugal era o segundo país a implementá-la. Supostamente o DOT gravava um "código a cores" durante a emissão do programa e só aqueles correctamente activados é que seriam elegíveis para ganhar os prémios (automóveis, televisores, aparelhagens, scooters, consolas de jogos, viagens à Disneyland Paris, vales de 50 contos/250 euros em combustível grátis...). A apresentação da extracção dos prémios principais esteve a cargo de Ana Marques no segmento "A Família DOT".

Em Portugal, o DOT teve uma inesquecível campanha na SIC protagonizada por um boneco animado com a forma do aparelho e voz de José Carlos Malato e que tinha o slogan "Adopte um DOT".







Eu admito: colei um DOT duas vezes na nossa televisão da cozinha durante a emissão de "Negócio Fechado", um concurso efémero apresentado por Henrique Mendes, que creio ter depois depositado num recipiente no McDonald's da Praça da República em Coimbra, onde eu estudava na altura. E não, não pensei muito em por que raio aquilo saberia se eu tinha visto o programa até ao fim sem nunca ter mudado de canal. Era mais novo e ingénuo. Don't judge me! E o certo é que ainda houve muitos portugueses a concorrer. 

No entanto, com o passar do tempo, começaram a surgir as suspeitas de que a alegada tecnologia do DOT era uma fraude. Na internet, descobri alguns relatos de quem decidiu abrir os DOTs após o fim da campanha e descobriu que eram apenas feitos de cartão e não tinham nenhum dispositivo lá dentro. Encontrei também no YouTube um testemunho que afirma ter mudado de canal com o DOT colado e mesmo assim acabou por ganhar uma aparelhagem. 

Actualmente a opinião geral é que o DOT não passou de uma manobra de fidelização de audiências televisivas e das marcas envolvidas, cuja eficácia foi possível num tempo onde a televisão generalista ainda era o principal meio de comunicação e a internet ainda não estava muito disseminada em Portugal. 

Além da inesquecível campanha, o DOT também proporcionou vários e divertidos sketches em "O Programa Da Maria", sendo que o mais famoso era aquele em que Nuno Lopes encarnava o Marco do Big Brother a dar pontapés no DOT que estava ao seu lado. (Aos 11:18)






Eis aqui outro sktech, com a participação de Fernanda Serrano.



Entretanto o leitor do blogue Guilherme Fontes publicou na página do Facebook da Enciclopédia de Cromos um anúncio australiano da campanha do DOT naquele país também no ano 2000, utilizada por um canal para fazer frente à estação que transmitia os Jogos Olímpicos de Sydney. 





sábado, 3 de outubro de 2015

José Vilhena [1927-2015]


Faleceu a 3 de Outubro de 2015 - com 88 anos (7 de Julho de 1927 - José Vilhena (José Alfredo Vilhena Rodrigues) o cartoonista , escritor e pintor português que conseguiu incomodar muita gente, satirizando as figuras da  sociedade, antes e depois da revolução de Abril, sendo preso 3 vezes pela PIDE e alvo de vários processos em tribunal já em democracia. Tantas décadas depois, o seu estilo característico permite que um breve olhar do mais leigo identifique qualquer peça da sua vasta obra de livros, revistas e cartoons.

Um site com mais informação sobre o artista: “O Incorrigível e Manhoso Vilhena”.

Uma entrevista de 1996 no programa "Acontece" de Carlos Pinto Coelho, uma conversa de José Vilhena com Rui Zink: Entrevista a José Vilhena .

 
Notícias sobre o falecimento:

Caderneta de Cromos Nº 1038 - Dedicado a José Vilhena e sua obra [Download/Ouvir Mp3]



Publicado originalmente: Enciclopédia de Cromos - Tumblr "José Vilhena [1927-2015]".

Sonho Meu (1993-94)

por Paulo Neto


É uma espécie de tradição aqui no blogue falar de programas da SIC em cada mês de Outubro e este ano não vai ser excepção.



Em 1994, já dominando o primetime onde pontificavam as novelas da rede Globo, como "Mulheres De Areia" e "A Viagem", a estação de Carnaxide virava agora as agulhas para o horário do fim da tarde e a primeira telenovela exibida na SIC nesse horário foi "Sonho Meu", estreada em 1993 no Brasil. A telenovela, da autoria de Marcílio Moraes, tinha a particularidade de ser das raras telenovelas urbanas cuja acção se passava numa cidade que não Rio de Janeiro ou São Paulo, mas sim em Curitiba. Mas o seu maior apelo é que era protagonizada por uma criança, Carolina Pavanelli, que com seis anos comoveu brasilseiros e portugueses no papel de Maria Carolina.


A novela também era uma espécie de remake mash-up de duas telenovelas da década de 60 e 70: "A Pequena Orfã" sobre a amizade entre uma menina orfã e um bondoso velhote e "Ídolo de Pano" onde dois irmãos disputavam a mesma mulher, prestando homenagem ao autor de ambas, Teixeira Filho.

Carolina e Tiozé

Maria Carolina é uma menina que se vê no meio de um terrível drama familiar: a sua mãe Cláudia (Patrícia França) foge do Rio de Janeiro para Curitiba para fugir ao violento marido Geraldo (José de Abreu) que reaparece depois de algum tempo desaparecido. Entretanto Carolina fica à guarda da sua tia Elisa (Nívea Maria), uma mulher pérfida e interesseira, que a deixa num orfanato. Mas à primeira oportunidade, Carolina foge e acaba por ir parar à vila Jardim De Flores onde é acolhida pelo Sr. Mazgursky, conhecido como Tiozé (Elias Gleiser) um bondoso velhote, imigrante polaco, que lhe dá a alcunha de Lalesca. E é com esse nome que Carolina passa a ser conhecida no bairro, onde acaba por conquistar os corações de toda a gente. Mas apesar deste novo lar, Carolina guarda sempre o sonho de um dia se reencontrar com a mãe.

Lucas, Cláudia e Jorge


Paula e Jorge


Entretanto, Cláudia vê-se no meio de um centro de um conflito familiar quando é disputada por irmãos, Lucas (Leonardo Vieira) e Jorge (Fábio Assunção). Os dois são netos de Paula Candeias de Sá (Beatriz Segall), uma senhora autoritária mas generosa, dona de uma empresa produtora de brinquedos que vê em Lucas o seu herdeiro do negócio e que se orgulha da carreira de Jorge como médico. A disputa dos irmãos por Cláudia que desestabiliza a aparente harmonia familiar faz com que Paula sinta animosidade por Cláudia. Com o tempo e por causa da jovem, os irmãos revelam as suas verdadeiras faces: o irresponsável e imaturo Lucas torna-se um homem justo e corajoso e o aparentemente sensato Jorge revela-se um malvado da pior espécie. E como se não se bastassem as perseguições de Jorge e Geraldo, numa fuga para a frente Cláudia casa-se com Lucas, incorrendo em bigamia. Porém, e como não podia deixar de ser, no fim o amor triunfa com Cláudia feliz com Carolina, Lucas e o filho que ela espera dele.

Além daqueles já citados "Sonho Meu" contava ainda no elenco com nomes como Eri Johnson, Isabela Garcia, Daniela Camargo, Françoise Forton, Yoná Magalhães, Valmor Chagas, Miriam Pires e Ângelo Paes Leme. A actriz Cláudia Magno, que fazia o papel de Josefina, uma enfermeira e ocasional cúmplice de Jorge, faleceu durante as gravações da telenovela devido a paragem cardíaca relacionada com SIDA. 

Cláudia Magno (1958-1994)


Com a sua história comovente, "Sonho Meu" cativou os portugueses e alicerçou o espaço na SIC para uma telenovela antes do Jornal da Noite. Patrícia França e Leonardo Vieira recuperaram a química que já traziam da primeira fase da telenovela "Renascer", também exibida na SIC, Fábio Assunção surpreendeu no seu primeiro papel de vilão e Carolina Pavanelli foi todo um talento infantil como a pequena Lalesca. Vimo-la em outras novelas como "Quem É Você" e "Meu Bem Querer". Hoje aos 28 anos, embora ainda fazendo algum trabalho ocasional na representação, Carolina Pavanelli dedica-se sobretudo ao ensino e à escrita.

Carolina Pavanelli em 2011 com um dos seus livros



Reencontro de "mãe" Patrícia França e
da "filha" Carolina Pavanelli em 2015


Por entre a banda sonora, que como era hábito, continha vários temas brasileiros e hits internacionais, destacou-se o tema do genérico, "Querer É Poder", interpretado por José Augusto e Xuxa, também conhecido -obviamente- por "Sonho Meu".


Genérico:





José Augusto e Xuxa "Querer É Poder":




   



terça-feira, 29 de setembro de 2015

Bia, A Pequena Feiticeira (1974-75)

por Paulo Neto

"b-a b-e ba be, b-i ba be bi, b-o ba be bi bo, b-u ba be bi bo bu". Não, não estava a escrever em código. É assim que soava o tema da série animada japonesa "Bia, A Pequena Feitceira", que foi exibida pela primeira vez em Portugal em 1990, na RTP 2 no famoso espaço infantil da altura "Recreio do 2". De título original "Majokko Megu-Chan", era uma série anime dos conhecidos estúdios Toei de 1974, sendo por isso uma das séries animes mais antigas exibidas em Portugal.




Reza assim a história da série: Bia e Nádia são duas jovens feiticeiras que disputam o título de Rainha dos Feitiços. Como parte do seu treino e do processo de competição, as duas terão de passar algum tempo na Terra antes da disputa final.



Bia é alegre e bem-disposta e integra-se facilmente no mundo dos humanos. É acolhida por Ana, uma antiga feiticeira que renunciou à hipótese de ser Rainha dos Feitiços por amor a Paulo, com quem casou e teve dois filhos Zeca e Lena. Ana enfeitiça a sua família para que eles encarem Bia como parte da família e apesar de algumas tropelias, Bia fica perfeitamente integrada no seio da família Cardoso e comporta-se como uma típica humana adolescente de 15 anos (com tudo de positivo e negativo que isso significa). Bia também integra-se na sua escola onde faz duas grandes amigas, a caixa-de-óculos Rita e Ema, com dois novelos na cabeça e que no primeiro episódio onde aparece, sofre de uma maldição que leva inexplicavelmente as pessoas a agredirem-na, isto apesar dos maus bocados que Mário, o bully local, lhe faz passar.





Por seu turno, Nádia é uma rapariga fria e distante que despreza os humanos. É acolhida na Terra por Olga, que tal como Ana, também renunciou a ser feiticeira para se casar. No entanto, Olga arrepende-se do casamento com o pacato artista Gil e vê em Nádia uma hipótese de conseguir através dela a sua oportunidade perdida de ser a Rainha dos Feitiços.



Para complicar ainda mais a situação, existe Choné, um feiticeiro encarregado de monitorizar o treino das jovens feiticeiras. Só que Choné não esconde a sua preferência por Nádia e faz tudo para prejudicar Bia com a ajuda dos suas mascotes, o corvo Crácrá e a gata Frufru. Mas apesar da sua ambição, Nádia quer vencer a rival de forma justa, pelo que recusa os incentivos de Olga e os estratagemas de Choné para fazer jogo sujo. Inclusivamente por vezes, Bia e Nádia unem esforços para enfrentar certas ameaças mais poderosas.

Com o tempo, Bia vai se tornando mais madura e tomando consciências dos seus poderes e da responsabilidade que eles acarretam, e Nádia vai se sentindo cada vez mais à vontade entre os humanos e percebendo que parte do seu dever como feiticeira é protegê-los. Também são reveladas as intenções secretas de Choné: ele encontra-se ao serviço de Satúrnia, uma feiticeira malvada que pretende ser Rainha dos Feitiços e que vê as duas jovens, sobretudo Bia, como os principais obstáculos aos seus intentos. 


Com doses equilibradas de humor, drama e fantasia e uma pitada de sensualidade - havia muitas cenas em que Bia surgia de roupa interior ou de roupão transparente - "Bia, A Pequena Feiticeira" tornou-se uma série marcante que ainda hoje muitos recordam. Outro factor para o sucesso da série foi o excelente trabalho de dobragem que contou com nomes como Cláudia Cadima (Bia), Helena Isabel (Nádia), Fernanda Montemor (Ana), Ermelinda Duarte (Zeca e Olga), Adriano Luz (Choné e Gil), António Semedo (Paulo), Henriqueta Maia (Rita e Ema), Joel Constantino (Mário e Crácrá) e Margarida Rosa Rodrigues (Lena e Frufru). A RTP adquiriu a versão italiana com 65 episódios dos 72 originais. Os sete episódios em falta foram censurados em Itália por abordarem temáticas demasiado sensíveis como o suicídio ou algum conteúdo mais tétrico. O site Brinca Brincando faz uma análise mais detalhada sobre esses episódios censurados. 

Em certos países, além da respectiva colecção de manga, foi editada em certos países uma revista de banda desenhada ao estilo ocidental com novas histórias e uma colecção de cromos. "Bia, A Pequena Feiticeira" é aponta como tendo influenciado outras séries anime como "A Navegante Da Lua".

Genérico:



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