Não é usual um anúncio começar logo por acusar o potencial cliente de preguiçoso. Mas é assim que este anúncio do livro de teste e questionários "Conheça-se a si próprio: Mais de 40 autotestes que o ajudarão a descobrir a sua personalidade" responde à pergunta "Que fez ultimamente por si mesmo?". Leia a descrição no próprio anuncio:
Segundo a PORBASE Base Nacional de Dados Bibliográficos, o título original é "Understanding yourself", e faz parte da colecção Arte de Viver, e foi traduzido por Maria da Graça Tovar de Lemos para as publicações Europa-América. A capa indica que este é o volume 1, mas não consegui encontrar a capa do volume 2.
Publicidade retirada da revista Crónica Feminina nº 1411, de 8 de Dezembro de 1983.
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No final do ano passado publiquei aqui os anúncios dos "Armazéns de Móveis do Norte em Lisboa" sobre as Promoções de Páscoa de 1985 (ver). Os trago hoje, são muito semelhantes, mas relativos à temporada de Natal de 1983:
Publicidade retirada da revista Crónica Feminina nº 1411, de 8 de Dezembro de 1983.
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Depois de algumas semanas sem novidades da publicidade de outros tempos, regresso com alguns anúncios retirados de uma Crónica Feminina do final de 1983. O primeiro é aos doces "Nordeste".
Uma foto de uma típica avozinha apanhada na cozinha a preparar os doces de fruta, com a frase sobreposta: "sabor a fruta, saber caseiro.". O anúncio é completado com um close up de uma cesta recheada dos frascos dos "doces de fruta do Nordeste, o sabor da natureza" e a descrição dos variado sabores dos doces e geleias.
Publicidade retirada da revista Crónica Feminina nº 1411, de 8 de Dezembro de 1983. Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos"
A manifestação que ficou para a história com o nome "Secos e Molhados", realizou-se a 21 de Abril de 1989 em Lisboa, na Praça do Comércio. Nesse dia o pais assistiu pela TV ao confronto de policias contra policias, resumido pelo jornal Expresso:
"...uma manifestação de polícias fardados em defesa da liberdade sindical que acabou dispersa por colegas à bastonada, com cães e canhões de água." in Expresso (2008)
"....os polícias exigiam liberdade sindical, uma folga semanal, transparência na justiça disciplinar com direito de defesa, melhores vencimentos e condições laborais. A manifestação acabou em confrontos, com o Corpo de Intervenção da PSP a lançar jactos de água e a usar bastões para dispersar o protesto dos polícias na Praça do Comércio, enquanto a delegação de seis agentes que estava dentro do MAI para entregar um caderno reivindicativo acabou detida." in Expresso (2009)
Um excerto do programa "Perdidos e Achados" sobre o assunto:
Um artigo no blog "Por Maioria de Razão" narra os acontecimentos, segundo quem os experimentou na pele:
"Foi efectivamente uma tarde muito difícil para ambos os lados. O confronto por si só, entre polícias é já de si algo impensável e inquestionavelmente muito violento visto de fora, como largamente foi desenvolvido pelos media. as visto por dentro, por alguém que estava dos dois lados, que se sentiu molhado e seco, é naturalmente mais violento." in "Por Maioria de Razão" (2012)
Como leitor compulsivo, era uma alegria receber de prenda - de natal, aniversário, etc - livros. Já mencionei várias vezes que não sou nenhum fanboy da Disney, mas este álbum foi dos meus favoritos. Como não? Castelo assombrado+tesouro+passagens secretas! Este álbum, editado pela Verbo em 1988, "Donald - O Fantasma do Castelo MacPato" foi dos que li e reli vezes sem conta. Reencontrei-o há uns meses e não resisti a tirar umas fotos para postar aqui. Talvez noutra altura - com mais tempo - me divirta a passá-lo na integra pelo scanner.
Parte da colecção "Grandes Aventuras", além da história principal, "O Fantasma do Castelo MacPato", que deu título ao álbum, inclui ainda a divertida "O Sofá Expresso".
"O Fantasma do Castelo MacPato" foi publicada em 1947 pela primeira vez, escrita e desenhada pelo mítico Carl Barks, com o título "The Old Castle's Secret", e marcou a primeira caça ao tesouro de Donald, os sobrinhos e o Tio Patinhas (que fazia aqui a sua segunda aparição nos livros da Disney), a antecederem as futuras aventuras dos Duck Tales. Esta historia tem ainda a distinção de ser considerada pelos fãs uma das melhores entre as clássicas da Disney.
Primeira página de "O Fantasma do Castelo MacPato".
"O Sofá Expresso"
O verso do álbum.
No capa do verso, está a indicação dos álbuns já publicados na colecção "Grandes Aventuras":
"Donald e as Invenções Malucas", "Mickey, Mistérios no Mar", e a publicar: "Mickey, O Triângulo das Bermudas".
Na Enciclopédia costumamos abordar assuntos divertidos, que nos trazem boas recordações da juventude. Mas há certos acontecimentos que marcaram pela negativa uma época e que também temos a obrigação de recordar. Ao longo da nossa vida, somos confrontados, principalmente através da comunicação social, com catástrofes, naturais ou humanas, acidentais ou intencionais, na nosso canto próximo ou recôndito do planeta. E este foi um dos tais acontecimentos, que apesar de decorrer no outro lado do Atlântico, deixou o Mundo em estado de choque: falo do final violento a 19 Abril 1993 do cerco em Waco que começou em Fevereiro. Ao fim de 50 dias, o cerco terminou por causa de um incêndio, que quando foi extinto revelou 56 vitimas mortais - entre homens, mulheres e crianças - incluindo o líder da seita, o infame Vernon Wayne Howell, que ficou conhecido para a história pelo nomeDavid Koresh.
Foi uma tentativa de o US Bureau of Alcohol, Tobacco and Firearmsde tentar executar um mandato de busca, pela suspeita de posse de armas ilegais (além de denúncias anteriores de abusos sexuais com menores) na casa da seita em Mount Carmel Center. No tiroteio que se segui, morreram 4 agentes e 6 seguidores do grupo religioso Branch Davidians. Em seguida, o FBI iniciou o cerco à propriedade, e a 19 de Abril, durante o assalto das autoridades, que começou com libertação de gás lacrimogéneo, iniciou-se o incêndio em três partes diferentes da propriedade.
Apenas 9 seguidores abandonaram o edifico onde resistiam num bunker com bastante armamento e máscaras de gás. Os restantes foram vitimas do desmoronamento, sufocados, esfaqueados ou abatidos a tiro. Tudo enquanto as televisões emitiam imagens em directo para todo o Mundo. Segui-se os julgamentos, processos e controvérsias. Controvérsias essas, que duram até hoje. Timothy McVeigh, executado em 2001 pelo atentado terrorista de Oklahoma [19 de Abril de 1995] que vitimou 168 pessoas, declarou que o fez como vingança pelo cerco a Waco.
Na Wikipédia há uma página que detalha bem os acontecimentos do dia (em inglês): "Waco_siege"
Hoje os tempos são outros mas eu, e creio que muitos portugueses, tenho memórias muito vívidas do Festival da Canção nos anos 80 e 90, quando era um ponto alto da saison televisiva. O país parava ver o certame, no dia seguinte havia tantas discussões sobre os resultados como os dos jogos de futebol e pelo menos duas ou três canções tornavam-se hits nacionais. E claro está, muitas das canções vencedoras continuam bem presente no disco rígido mental de qualquer português e são ainda trauteadas por gente de todas as idades.
O Festival RTP da Canção de 1983 é o primeiro de que me lembro ter visto na televisão, se bem que só me recordo da imagem do Armando Gama ao piano. Para a sua 20.ª edição, o Festival deixou pela primeira vez a capital e deslocou-se à Cidade Invicta, tendo tido lugar a 5 de Março desse ano no Coliseu do Porto. Eládio Clímaco e Valentina Torres (com um vestido bem eighties, com uma manga e um mega laçarote) foram os apresentadores de serviço.
Como é bem sabido, Armando Gama venceu o certame com "Esta Balada Que Te Dou" e não só ganhou o bilhete para Munique, onde iria representar Portugal na Eurovisão, como conquistou Valentina Torres com quem viria a casar esse ano, uma união que durou mais de vinte anos e gerou dois filhos. (Actualmente, Armando Gama espera um filho da actual relação). Durante anos a fio, na parte onde Gama canta "Um sonho, um livro", eu e muita gente julgava que ele dizia "Um sonho lindo".
Mas foram muitos os nomes conhecidos que passaram pelo palco do Festival, a começar com Herman José, que ficou em segundo lugar com "A Cor Do Teu Baton"; Helena Isabel que cantou "Afinal Quem És Tu" e que teria em 1983 um ano em cheio (brilhou em "O Tal Canal", protagonizou a telenovela "Origens" e despiu-se em "Os Abismos da Meia-Noite"); Jorge Fernando, dois anos antes do "Umbadá", trazia "Rosas Brancas Para o Meu Amor"; Ana repetindo muitos "Parabéns a Você"; Alexandra com "Rosa Flor Mulher"; os Broa de Mel com "No Calor da Noite", uma canção que não podia ser mais diferente daquela que levaram no ano anterior; o cantor pimba avant-la-lettreXico Jorge queixava-se de "Mal de Amores" e os malogrados Carlos Paião e Cândida Branca-Flor com "Vinho do Porto, Vinho de Portugal".
Houve também espaço para revelar duas vozes desconhecidas que tiveram neste Festival o seu único momento de notoriedade. Uma delas foi Sofia, que ainda por cima, não cantou uma mas duas canções, curiosamente as duas primeiras canções do certame: "Erva Ruim" e "Terra Desmedida". O que terá acontecido a Sofia de tão doce voz?
A outra ilustre desconhecida da qual nada se ouviu falar antes nem depois foi Maria Teresa de Saint-Maurice, ou simplesmente Tessa, que porém deixou para a posterioridade um dos momentos mais cromos da história do Festival da Canção.
Tessa subiu ao palco para cantar "Ave do Paraíso", com letra e música de Américo Machado de Faria. Na letra estavam versos como "Gosto do teu pijama antes de deitar", "Voltamos ao avesso o nosso quinto andar" e "Ao sentir-te amor na vertical". Pois este foi o resultado (preparem os ouvidos!):
Como seria de prever, "Ave do Paraíso" ficou no 12.º e último lugar, com 6 pontos (4 dados pelo júri de Coimbra). E assim aconteceu o momento de glória croma para Tessa. Ainda assim, o tema foi editado em single pela editora Orfeu.
Nos seus espetáculos, Herman José tem por vezes imitado Tessa, mantendo assim viva a sua memória. Eis aqui um exemplo:
Não é qualquer um que consegue em apenas três minutos de fama manter um cromo tão divertidamente perene trinta anos depois, por isso um aplauso para Tessa!
Brevemente, haverá um cromo dedicado ao Festival da Eurovisão desse mesmo ano de 1983 em Munique, amplamente considerado o mais cromo de sempre!
Adoro quando algo faz-me abrir uma janela na minha mente e relembro-me de uma memória há muito esquecida. Foi o que aconteceu quando Ruby Kruss, uma seguidora da "Enciclopédia de Cromos", colocou um post na nossa página oficial do Facebook, perguntando se alguém se recordava de uma série "supé ecológica" sobre um pai viúvo com dois filhos que trabalhava num aquário, arriscando o nome "Robinsons" para o título e/ou nome da família. De facto, a descrição da Ruby fazia ressoar algo na mente de vários amigos da Enciclopédia, incluindo eu próprio, mas ninguém conseguia avançar mais pormenores. Eventualmente lembrei-me que a personagem da filha chamava-se Nicole e que a actriz tinha um nome hippie tipo Oceana. Munindo-me apenas desses dados pesquisei na parte de TV do site imdb.com e não é que descobri?
Tratava-se de "Danger Bay", uma série canadiana co-produzida pela Disney, que teve seis temporadas exibidas na América do Norte entre 1984 e 1990. Em Portugal, a série foi exibida sob o título "Os Roberts" e chegou a dar no "Clube Amigos Disney" mas também acho que chegou a dar no espaço infanto-juvenil da RTP das manhãs de fim de semana. Também foi exibida em países tão diferentes como Islândia, Cuba, Bulgária, Gibraltar e Iraque.
A série narrava as aventuras da dita família Roberts, composta pelo pai Grant "Doc" Roberts (Donelly Rhodes) um biólogo marinho que trabalha num oceanário em Vancouver e os seus dois filhos Jonah (Christopher Crabb) e Nicole (Ocean Hellmann). A Ruby Kruss recordava-se sobretudo de que Jonah era um futuro às do ténis e que num episódio, o rapaz descurava das suas obrigações como ajudante no oceanário devido à sua obsessão com um jogo de ténis. Já eu lembrava-me da filha Nicole que apesar que apesar de adolescente, era uma espécie de ajudante da polícia marinha e que chegava a pilotar helicópteros.
Como é inevitável numa série protagonizada por um pai viúvo, havia uma personagem feminina que se tornava uma figura maternal para os filhos e um futuro interesse amoroso para o pai. Aqui era J.L. Duval (Susan Walden) uma intrépida piloto da Polícia Marítima e mentora de Nicole, que acabaria por casar com Doc na quinta temporada. Outra personagem recorrente era Donna Chen (Michelle B. Chan), a assistente de Doc.
Em cada episódio, a família Roberts e os seus aliados tinham de enfrentar vários perigos, como contrabando de peles e tráfico de animais, sendo uma das primeiras séries a ter causas ecológicas como tema fulcral. Mas claro que pelo meio, havia situações onde Jonah e Nicole aprendiam lições de vida e lidavam com os problemas típicos da adolescência e os avanços e recuos da química entre Doc e J.L.
Os actores da série continuam activos na representação. Donelly Rhodes é um dos actores mais respeitados no Canadá e continua a marcar presença em várias séries e telefilmes estadunidenses e canadianos e em filmes como "Tron: O Legado". Todo o elenco principal teve nomeações para os prémios Gemini (os Emmy canadianos), tendo Christopher Crabb ganho o prémio de Melhor Jovem Actor em 1989.