Ele há horas felizes. Como aquela em inícios de 1994 que liguei para um daqueles números 0670, presentes em vários anúncios que fervilhavam nos intervalos televisivos prometendo muitos e variados prémios (estávamos em tempos de vacas gordas). Foi aí que ganhei algo que há muito ambicionava, uma consola de 16 bits, a saber um Super Nintendo. Teria preferido uma Sega Mega Drive mas a cavalo dado não se olha o dente e fiquei extasiado. Viria a ser sol de pouca dura porque o transferidor que ligava à corrente foi à vida nesse Verão e a consola não tardou em ir morrer para a arrecadação. Mas até lá, ainda vivenciei muitas horas de jogatana, primeiro com o Super Mario World que vinha na consola, e depois com o Street Fighter II na então recentíssima versão Turbo que recebi nos anos.
Para mim, não havia outro jogo que quereria adquirir em primeiro lugar senão o Street Fighter II, aquele que é amplamente reconhecido como o mais lendário dos jogos de luta e um dos jogos mais influentes de todos os géneros. O primeiro volume da franchise criada pela Capcom surgiu em 1987 mas foi o segundo tomo que assegurou um lugar na história dos videojogos. Dois factores essenciais contribuíram por um sucesso: a possibilidade de encarnar um vasto lote de personagens de diversos aspectos e origens, cada uma com os seus movimentos próprios, e a sua extrema jogabilidade que garantia uma dose de pura emoção em cada combate. Foi o primeiro jogo a aplicar as combinações de movimentos de luta, designada vulgarmente como combo.
O jogo consistia em travar combates à melhor de três até chegar ao segundo patamar com quatro bosses finais. Antes de cada combate, via-se um mapa mundo onde surgiu um aviãozinho que pousava no país de origem do próximo adversário, seguindo-se uma voz cavernosa que anunciava o nome do país em inglês: (Japan! Brazil! Thailand! China!)
Recordemos as personagens:
- Ryu , a personagem principal no primeiro Street Fighter, identificado pelo seu famoso fato de luta branco e fita vermelha. Lembro-me que era um dos mais difíceis de bater quando era controlado pelo CPU, pois estava quase sempre a atirar bolas de fogo (gritando Haduken!). Outro famoso movimento seu era o murro em salto (Shoryuken!)
- Ken, a personagem do segundo jogador no primeiro Street Fighter, tinha movimentos semelhantes pois era o colega de treino e rival de Ryu. Usava longo cabelo loiro e um fato vermelho.
- My personal favourite, Chun Li, uma chinesa mestra de kung fu que trabalha pela Interpol, sedenta de vingança pela morte do seu pai. Foi a primeira personagem feminina controlável num jogo de luta e o primeiro sex-symbol do mundo dos videojogos, com a sua túnica azul e totós na cabeça. Para não falar do seu famoso movimento em que fazia um redemoinho com as pernas. Igualmente célebres eram as suas reacções quando ganhava os combates: ou dando um pulos de alegria ou fazendo um V de vitória e a dizer algo que me soava a "Já 'tá!"
- Outra personagem minha preferida, era o Guile, o soldado americano de físico imponente e de espectacular cabelo loiro em pé, autor do sonic boom!
- Dhalsim, mestre indiano de yoga, cuja aparência bizarra e franzina escondia uma impressionante capacidade de esticar os braços e as pernas, cuspir fogo e teleportar-se.
- Blanka, uma criatura radioactiva das florestas da Amazónia que lançava choques e que se apanhasse alguém a jeito, ferrava-lhe bem as suas dentuças afiadas.
- E. Honda, o mestre de sumo, com um movimento que dava um murro que valia por muitos que até parecia que o seu braço se multiplicava.
- Zangief, o lutador soviético que combatia por amor à pátria e ao prazer de dar porrada.
Na versão Turbo que eu tive, era possível controlar os quatro bosses finais, algo que não acontecia nas versões anteriores.
- Balrog, lutador de boxe afro-americano, que por esse motivo, a única personagem que não dava pontapés.
- Vega, o matador espanhol com uma garra na mão e uma máscara que protegia a sua beleza facial. Quando jogava na sua arena, era possível fazer movimentos em que ele subia pelas redes do ringue para atacar o adversário.
- Sagat, o mestre de muay thai que era o boss final do primeiro jogo. A pala no olho e as cicatrizes eram vestígios da sua derrota com Ryu nesse jogo. Também tinha um murro saltado como Ryu, onde gritava Tiger Uppercut!
- M. Bison, o boss principal, líder da associação criminosa Shadaloo e o organizador do torneio do jogo. Notabilizava-se pela capacidade de levitar.
Na versão japonesa, Balrog era M. Bison (numa alusão a Mike Tyson), Vega era Balrog e M. Bison era Vega (como a estrela do mesmo nome). Trocaram-se os nomes a estas três personagens nas versões internacionais para evitar acusações de difamação no caso do primeiro, porque Vega servia melhor como um nome espanhol do que Balrog no caso do segundo e porque o público americano achava que Vega era um nome pouco ameaçador para o principal vilão, no caso do terceiro.
Além de mais de uma dúzia de jogos para as mais diversas consolas, computador e arcadas, a franchise também gerou uma série manga e anime, e dois filmes live action, incluindo um em 1995 com Jean Claude Van Damme, Kylie Minogue e Raul Julia. (Mas quanto menos se falar dele, melhor.)
Percurso do jogo (versão Turbo) com Blanka:
Paródia do Family Guy (Peter faz de Ryu, Mr. Washee Washee de E. Honda):




























