Agora que terminei os anúncios de mais uma revista das Selecções do Reader's Digest, decidi trocar de publicação, e postar material mais antigo, proveniente de uma Crónica Feminina, de 1985, que encontrei em casa há umas semanas, e que conto publicar integralmente aqui no blog.
O primeiro anúncio desta nova fornada (trocadilho!) é aos fogões Philips, que em 1985 tinham 7 novos modelos: "Novos Fogões Philips. qualidade e harmonia em toda a linha!". No canto inferior direito da página destaca-se a oferta - na compra de um fogão - de uma panela de pressão esmaltada, em cor no valor de 3,5 contos .
Publicidade retirada da revista Crónica Feminina nº 1482, de 18 de Abril de 1985.
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Este número da Crónica Feminina trazia vários anúncios a chás "Bekunis", para diversos fins.
"Chá 0" para emagrecer:
Noutra página encontrávamos - a cores - o "Chá 4 Fígado e Vesícula":
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Anúncio ao analgésico "Aspro". O slogan: "Dores? ASPRO faz bem e depressa!".
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Pelo título é óbvio que o protagonista é filho do famoso marinheiro e aventureiro Sinbad. Além do papagaio Salty, Sinbad Jr. tinha um cinto mágico que lhe dava poderes, muito útil nas aventuras ao longo de 86 episódios de 5 minutos cada.
Quando o jovem Sinbad Jr. apertava o cinto, ganhava musculatura e a força de 50 homens. Logo nos primeiros segundos do genérico dá para identificar o estilo dos desenhos animados made in Hanna-Barbera, mas ironicamente, a série começou por ser intitulada “The Adventures of Sinbad, Jr”. e produzida pela American International Television, mas para melhorar a qualidade da animação, foi entregue à Hanna-Barbera. Esta série dos anos (1965) terá passado (pelo menos) em 1992, na RTP2, dobrada em português.
“As Aventuras de Pinóquio / Saban’s Adventures of Pinocchio”
Originalmente uma adaptação nipónica mais sombria (que o hábito em animações exibidas no ocidente) do livro clássico de Carlo Collodi, com o título Mokku of the Oak Tree/ Mokku Woody the Oak Tree (樫の木モック Kashi no Ki Mokku), sendo Mokku o nome japonês da trágica figura do Pinóquio, o boneco de madeira vivo. A série, com momentos muito sádicos e brutais, foi emitida em 1972 no Japão. Em 1989, alguns episódios foram editados juntos e dobrados em inglês para criar um filme The Adventures of Pinocchio, lançado no mercado de vídeo.
Mais tarde, a companhia americana Saban dobrou a série em inglês, emitindo-a nos Estados Unidos em 1992 com o nome Saban’s Adventures of Pinocchio.
Alguns anos depois, a versão EUA foi exibida na SIC, como parte do espaço infantil/juvenil Buéréré, com este genérico (o video inclui alguns minutos de um episódio, com a dobragem portuguesa):
Como curiosidade, o genérico inicial da versão japonesa:
O panorama artístico português é tão reduzido que, volta e meia, Portugal vê-se a importar alguns artistas do Brasil. Por exemplo, na música, os casos mais célebres são os de Mara Abrantes, Simara e Iran Costa. E no humor, não houve brasileiro mais português que Manlio Hedair Badaró, que nasceu em São Paulo em 1933 mas que chamou lar ao nosso país desde 1957, quando veio a Portugal com o grupo de comédia "Fogo no Pandeiro".
Badaró acabaria por se radicar em Portugal e durante mais de duas décadas, foi presença assídua na rádio, televisão e teatro, tendo inclusivamente actuado nas então colónias da Guiné Bissau e Moçambique.
A minha primeira memória de Badaró foi em "Badarosíssimo", programa de comédia que tinha a honra de abrilhantar as noites de sábado da RTP1 em 1985 (actualmente em exibição na RTP Memória). Tratava-se de um programa de sketches, onde o assunto mais recorrente era a situação do nosso país (que, surprise, surprise, estava em crise). O elenco incluía também nomes sonantes como Fernanda Borsatti, Henriqueta Maia, Luís Mascarenhas, Carlos Quintas e um ainda jovem (e com muitos quilos a menos) Fernando Mendes. Cada episódio começava e terminava com uma rábula que juntava todo o elenco a dançar em palco, interrompendo-se para um dos actores contar uma curta piada.
Entre os sketches mais recorrentes, destaque para a coscuvilheira amiga da pinga, interpretada por Henriqueta Maia, que a cada golinho de tintol proferia a frase: "Não sei como há homens que gostam disto!", para o tema musical "Ó Abreu, dá cá o meu", que tinha uma variação diferente em cada episódio e que se tornou um bordão incontornável do nosso léxico popular e outro tema, o "Maestro da Charanga" onde encarnava um chefe de uma banda de bombeiros. Eis alguns excertos do programa neste vídeo (seguido de uma entrevista de 2006, onde Badaró fala abertamente dos seus diversos problemas de saúde com que debatia).
Em 1988, Badaró tornou-se de novo um herói da pequenada ao apresentar o programa "O Grande Pagode" no mítico espaço infantil da RTP dos fins-de-semana, co-apresentado por uma novíssima Ana Malhoa. Em "O Grande Pagode", Badaró recuperou a sua personagem mais mítica, o chinesinho Limpópó e ao famoso bordão "Eu ispirico e você só comprica!", juntou-se o "Tem tautau ou tem festinha?" que era como Limpópó perguntava à assistência num segmento de perguntas e respostas se os participantes tinham respondido certo ou errado à pergunta. Infelizmente não há registos deste programa na net, mas eu lembro-me bem dele, inclusivamente de algumas canções do programa como "Ei, ei, ei, a Criança é um Rei!"
No entanto, depois de "O Grande Pagode", só muito esporadicamente Badaró apareceu na televisão, tendo feito o resto da carreira em espectáculos ao vivo um pouco por todo o país. Curiosamente, os seus dois momentos mais notórios nos anos 90 foram ambos como recording artist. Em 1994, fez uma versão dance-pop do tema de pagode "A Barata", originalmente gravado pelos Só Pra Contrariar.
E mais bizarro ainda, em 1997 gravou uma versão do tema do "Dragon Ball Z"!
Badaró faleceu a 1 de Novembro de 2008, aos 75 anos de idade, vítima de cancro de estômago.
Quem nunca fingiu ser um cantor famoso, no quarto, cantando ao som da rádio e/ou dos discos, com microfones improvisados (escovas de cabelo, canetas, colheres de pau, etc)? Esta típica brincadeira infantil foi sem dúvida a inspiração para o "Mini Chuva de Estrelas", programa que passou na SIC em duas temporadas durante os Verões de 1994 e 1995, durante o hiato da "Chuva de Estrelas" dos graúdos, nas noites de sexta-feira.
Apresentado por Margarida Reis, pelo programa passavam crianças entre os cinco e os dez anos, que tal como a sua versão sénior, eram entrevistadas num cenário a imitar um camarim e depois actuavam em palco, vestidas e caracterizadas conforme a estrela escolhida. A principal diferença é que não cantavam mas sim faziam playback da versão original, ainda que alguns petizes demonstrassem os seus talentos de canto na entrevista (como é o caso, neste vídeo, do pequeno Ruben Oliveira, que foi imitar o Rui Veloso).
Depois da actuação, seguia-se a apreciação do júri, composto por Fernando Martins, Maria Vieira (que substituiu Teresa Ricou após umas sessões) e o convidado semanal, que decidiam qual era o vencedor em cada semana. (Na primeira temporada, era também atribuído um segundo lugar, algo que foi descontinuado na temporada seguinte). Também ao contrário do Chuva dos adultos, não havia apuramentos para a fase seguinte, pelo que não havia um vencedor absoluto.
A título de exemplo, neste vídeo vê-se o júri (cujo elemento convidado era Alexandra Lencastre) a opinar sobre a prestação da pequena Samanta Ambrósio que imitou a cantora alemã Sandra, que viria a vencer esta sessão. Nesse episódio foram atribuídos dois segundos lugares ex-aqueo.
Entre os cantores mais frequentemente imitados estavam Madonna, Michael Jackson, Dulce Pontes, Roberto Leal, Guns 'n' Roses, Bryan Adams e Mariah Carey. Mas o leque de imitações mirim que passaram pelo programa foi muito diversificado, indo dos cantores e grupos que faziam sucesso na época a glórias do passado (como por exemplo Elvis Presley, Liza Minelli e até Mirita "Maria Papoila" Casimiro), ou até mesmo desenhos animados como Jessica Rabbitt e a Pequena Sereia. Houve até mesmo casos de travestismo, pois recordo-me de duas meninas que encarnaram Jon Bon Jovi e Elton John (e de um rapaz que não se acanhou em fazer-se passar pela metade feminina do Duo Ele & Ela!). E num caso de full circle, houve duas concorrentes (uma delas minha conterrânea) a imitar Sara Tavares, a primeira vencedora do "Chuva de Estrelas".
No YouTube, descobri mais quatro actuações.
Sílvia Viana como Adelaide Ferreira
Uma pequena imitadora da Linda Perry dos 4 Non Blondes
Bruno Lucas (que aparentemente é agora conhecido como "Fraldas") como Axl Rose
Sara Hilário numa algo tétrica interpretação de Dulce Pontes
O final era, como se impunha, em tons de apoteose e festa ao som do tema "Todos Juntos" (que continua gravado nos nossos discos rígidos) interpretado pela própria Margarida Reis e os Popeline (que eram uma espécie de equipa B dos Onda Choc).
Todos juntos, todos juntos Todos juntos, parabéns, nós vamos cantar Todos juntos, todos juntos Abre a laranjada e vem brindar E todos juntos, todos juntos Nesta festa de imitar vedetas da canção Sim, hoje és tu o rei da festa e nós Vamos aplaudir e também pedir Que fiques connosco nesta festa, sim É brincar, mimar, dançar, tocar, actuar, É cantar, é cantar, é cantar…
Eu já conhecia o programa antes de chegar a Portugal, pois durante um breve período em que houve antena parabólica na nossa casa, eu e a minha família víamos ocasionalmente a versão alemã (intitulada "Mini Playback Show"). Porém, este supostamente pueril e inofensivo programa gerou imensa controvérsia na época. A principal crítica era o facto dos petizes fazerem playback em vez de cantar mas também muitas vozes de vários quadrantes acusaram o programa de ser um produto exploratório - ou até mesmo sexualizante - para as crianças e que estas podiam ficar traumatizadas. Até surgiram vários boatos de que alguns dos pequenos participantes tinham ficado com problemas psicológicos e que tinham dado entrada em hospitais por causa disso. No entanto, o tempo demonstrou que este era mais um caso de muito barulho por nada, ocorrência tão típica no nosso país.
Hoje em dia, todos os concorrentes do "Mini Chuva de Estrelas" já são adultos (os mais velhos terão 28 anos), muitos deles provavelmente já são pais e a esmagadora maioria regressou alegremente ao anonimato após esses minutos de fama televisiva.
Mas pelo menos uma das pequenas concorrentes veio-se a tornar uma conhecida actriz. Quem foi? Foi ninguém menos que Vera Kolodzig, que aos nove anos, ganhou a sessão em que participou imitando Marilyn Monroe com o célebre "I wanna be loved by you". Alguns anos mais tarde, seria escolhida para o papel principal da telenovela "Jardins Proibidos", dando aí início uma frutuosa carreira nas telenovelas da TVI. Também vim a descobrir que o cantor Tiago Teixeira, mais conhecido por T.T., também por lá passou mas não sei quem ele imitou. Assim como a apresentadora, modelo e ex-concorrente do "Ídolos" Carolina Torres que fez de Rita Lee.
E o que é feito de Margarida Reis, há muito afastada dos nossos ecrãs? Segundo um artigo que li há tempos num suplemento de televisão do Correio da Manhã, casou-se com um empresário americano e vive há vários anos nos Estados Unidos.
Actualização: Dia 17 novembro 2012, na rúbrica "Perdidos e Achados" (no Jornal da Noite da SIC), o "Mini-Chuva de Estrelas" foi recordado, com destaque para os participantes Tiago Retré, Milene Candeias e Márcio Costa. Veja um excerto do programa:
Anúncios em páginas intercaladas aos automóveis Lancia Delta, Lancia Prisma e Lancia Thema, obviamente modelos do fabricante italiano Lancia.
No Youtube, um reclame ao Lancia Delta de 1988:
Publicidade retirada da revista Selecções do Reader's Digest Nº 202 (Tomo XXXIV) de Fevereiro de 1988. Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos"