quinta-feira, 28 de julho de 2016

Euronico (1990)

por Paulo Neto

Hoje não é bem assim, mas em 1990 a então Comunidade Económica Europeia inspirava bastante optimismo juntos dos seus países membros, nomeadamente Portugal que entrara para a CEE quatro anos antes, com a ideia de uma grande família europeia com um mercado comum e a livre circulação de pessoas e mercadorias dentro do seu espaço.
No entanto, tal não impedia de que, sobretudo através do humor, fossem apontadas as taras e manias de cada um dos países da CEE e os aspectos menos eufóricos dessa união.



Depois de "Nicolau No País das Maravilhas" e duas encarnação do "Eu Show Nico" (1981 e 1987) e depois do sucesso da apresentação do concurso "Jogo de Cartas", Nicolau Breyner voltava aos programas de humor com "Euronico", onde o tema principal era precisamente a CEE e os seus então doze países membros. Do elenco principal faziam parte  também Fernando Mendes (quando ainda era somente um tamanho L no máximo), Rosa do Canto, Morais e Castro, Estrela Novais, Luís Aleluia e Mafalda Drummond. Alguns skteches fixos contavam também com a presença de nomes como Cristina Homem de Mello, Aristides Teixeira, o cantor Paulo Alexandre e as duas assistentes do "Jogo de Cartas", Maria João Lopes e Felipa Garnel (que com o seu aspecto nórdico, era ideal para fazer de Dinamarca), isto além de participações especiais de gente como Francisco Nicholson, Florbela Queiroz, José Raposo, Luís Esparteiro e Cristina Areia. Além do próprio Nicolau Breyner, os textos eram da autoria de Rosa Lobato Faria, Thilo Krassman e Nuno Nazareth Fernandes.

Estreado a 20 de Setembro de 1990 e exibido nas noites de quinta-feira da RTP1, cada programa de "Euronico" era dedicado a um dos países da CEE, sendo que o 13.º e último foi um compacto dos melhores momentos do programa. Aqui em baixo, está a lista da data de exibição de cada programa, com a referência ao país que servia de tema ao respectivo episódio e os convidados musicais.



1.º programa 20/9/1990 - Grécia - Paco Bandeira
2.º programa 27/9/1990 - França - Carlos Mendes
3.º programa 4/10/1990 - Luxemburgo - Elvira Ferreira
4.º programa 11/10/1990 - Dinamarca - João Braga
5.º programa 18/10/1990 - Reino Unido (erroneamente referido como Inglaterra) - Adelaide Ferreira
6.º programa 25/10/1990 - Itália - Paulo de Carvalho
7.º programa 1/11/1990 - Espanha - Luís Represas
8.º programa 8/11/1990 - Holanda - Simone de Oliveira
9.º programa 15/11/1990 - Bélgica - Eugénia Melo e Castro
10.º programa 22/11/1990 - Irlanda - Jorge Palma
11.º programa 29/11/1990 - Alemanha - Mara Abrantes
12.º programa 5/12/1990 - Portugal - Marco Paulo
13.º programa 12/12/1990 - best of

Eis alguns do sketches recorrentes:

Bate o Pau e Sobe o Pano: Simeão (Breyner), líder carismático da sociedade recreativa "Bate o Pau e Sobe o Pano" pretende levar a cabo uma encenação teatral de fazer encher o olho às altas autoridades europeias. O pior é que o resto da companhia não está pelos ajustes: Salgado (Castro) insiste que em vez das ideias estrangeiras de Simeão (que mudam consoante o país-tema de cada episódio), deveriam representar a peça da "Micas Coxa Rainha da Madragoa" (o que por fim acontece no último episódio); o Catita (Mendes) não ata nem desata, a não ser que o assunto seja futebol e pelo meio vai recomendando a todos um chazinho da sua ervanária; as três mulheres da companhia, a empertigada Carolina (Novais), a brejeira Dadá (Drummond) e a ingénua Alicita (do Canto), disputam o protagonismo; e o dono do bar (Aleluia) vai mandando as suas bocas. No final, suspira Simeão: "Ai, Europa, Europa, andamos a mangar com a tropa".

O Sertório: Em jeito de cantiga, o Sertório (Breyner) promove alterações no mapa da Europa diante de 12 representes dos países da CEE. E no final, cantam todos: "Todos, todos, a cantar de pé/ Viva, viva, viva a CEE/ A Grécia, a França, a Holanda, a Alemanha, a Bélgica e o Luxemburgo/ A Europa avança e o Sertório acerta tudo./ Todos, todos, a cantar de pé/ Viva, viva, viva a CEE/ A Inglaterra, a Irlanda, a Dinamarca e Portugal/ A Espanha e a Itália, união sensacional"

Zizi Porcalheira e Dona Carlota: os sketches destas duas matrafonas encarnadas por Nicolau alternavam entre si: numa semana era a crónica social de Zizi Porcalheira directamente da sua chiquérrima barraca para relatar os eventos mais "in" do seu bairro de lata, noutra eram as lamúrias da Dona Carlota, telefonista do Parlamento Europeu, saudosa dos encantos de Portugal.

Senhor Doutor: um sketch recorrente musical numa sala de aula com Breyner no papel de professor e Rosa do Canto e Mafalda Drummond como as alunas. Em cada episódio e consoante o país-tema, os três cantavam a variação de uma canção que tinha como refrão: "Senhor Doutor, por favor/ Não acha tudo um horror?/Pois para mim, está em enfim, tudo assim-assim/Está nem não nem sim".

Figuras históricas: consoante o país-tema, Nicolau parodiava conhecidas figuras históricas: por exemplo um Hans Christian Andersen com pouca paciência para aturar criancinhas, um Henrique VIII que conhece a próxima dama a quem vai cortar a cabeça desposar mas está de olho fisgado na intérprete e um imperador Nero que em vez de harpa toca guitarra eléctrica durante os seus delírios incendiários.

Carlos Grosso: numa paródia ao célebre repórter da RTP Carlos Fino, o repórter Carlos Grosso (Breyner) informa as últimas sobre os acontecimentos europeus. O que seria tudo muito bem, não fosse ele fazer jus ao nome e andar sempre grosso.

Dia Mundial: a cada episódio é anunciado que aquele era o dia mundial de alguma coisa, geralmente relacionada com o país-tema do respectivo programa. Houve por exemplo o Dia Mundial do I Grego, da Casca de Cebola, da Roda Dentada, da Candonga, do Queijo Flamengo e da Couve de Bruxelas. Seguia-se um inquérito de rua onde se perguntavam a pessoas reais sobre esse respectivo dia mundial (com a resposta mais habitual a ser "Inventam Dias Mundiais para tudo!") e um interlúdio musical onde alguém do elenco fixo ou o convidado musical cantava um curto trecho sobre o objecto desse Dia Mundial. Seguramente que Eugénia de Melo e Castro nunca se imaginara a cantar sobre couves de Bruxelas ou Simone de Oliveira sobre queijo flamengo (ainda que ela já tivesse cantado um fado sobre iscas.)  

Dueto Musical: em cada semana Nicolau Breyner cantava um dueto com o convidado musical, geralmente um tema do repertório deste último. Neste vídeo vemo-lo a cantar "Dava Tudo" com Adelaide Ferreira.



Mercado Comum: um sketch onde os 12 países da CEE eram representados por doze vendedores de um típico mercado, cada um vestido com um fato tradicional do respectivo país e também sempre em jeito de cantiga. 




Os Piratas: recuperando o sketch da segunda vaga do "Eu Show Nico", tínhamos de novo Nico a chefiar um bando de piratas numa ilha perdida algures no Atlântico. A cada semana, chegava à ilha um cidadão do país-tema de cada programa, mas quando este revelava as piratarias mais sofisticadas que andou a fazer pela Europa, todos exclamam "Ah, e os piratas somos nós" e expulsam o forasteiro da ilha, seguindo-se mais uma variação da cantilena do célebre refrão: "Somos piratas, somos piratas/ Só não trazemos as gravatas/ Não sabemos fazer nós/ Há mais piratas e com gravatas/ Que usam luvas mas os piratas somos nós."



http://videos.sapo.pt/mfFrDrGVUNYmuvgn5ZsU

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