terça-feira, 11 de agosto de 2015

Calor Tropical (1991-93)

por Paulo Neto

E eis que estamos em mais um verão português com tudo o que de bom e de mau (sobretudo os malditos incêndios) acontece em cada Verão em neste país. Em tempos idos, a época estival também significava uma alteração nas grelhas das estações televisivos, exibindo séries que pareciam ser feitas para serem transmitidas naquela altura. Uma delas foi a série canadiana "Calor Tropical" que foi transmitida na RTP algures na primeira metade dos anos 90. Recordo-me que houve um ano que deu à noite à razão de um episódio por semana e outro em que deu de segunda a sexta-feira à tarde, sempre no Verão.



No original "Tropical Heat" (nos Estados Unidos teve o bizarro título de "Sweating Bullets"), a série era uma agradável mescla de acção, humor e alguma sensualidade num cenário paradisíaco. O protagonista da série era Nick Slaughter (Rob Stewart), um antigo agente da brigada de anti-narcotráfico que assenta arraiais na fictícia Key Mariah na Florida onde estabelece a sua agência de detectives. Com a ajuda do Tenente Carrillo (Pedro Armendariz jr.), da polícia local e da elegante Sylvie Girard (Carolyn Dunn), uma ex-agente turística que se torna o seu braço-direito nas investigações, Slaughter dedica-se a investigar os casos dos seus clientes e outros mistérios que se escondem sob tão idílica localidade, e pelo caminho vai fazendo os seus engates com o charme da sua lábia, das suas camisolas floridas e do seu rabo de cavalo. Nick e Sylvie mantêm a relação estritamente profissional e amistosa mas o espectador notava que não eram totalmente indiferentes aos encantos um do outro. Para os momentos de engate e de relax, Nick conta com a cumplicidade dos donos do bar da praia, Ian Stewart (John David Bland) e a partir de meio da segunda temporada, Spider Garvin (Ian Treacy). 



A série teve 66 episódios repartidos por três temporadas, curiosamente cada qual filmada em sítios diferentes: a primeira no México (onde Rob Stewart conheceu a sua esposa), a segunda em Israel e a terceira na África do Sul e nas Ilhas Maurícias. Recordo-me desta série até hoje essencialmente por dois motivos: o tema reggae que alegrava o genérico e uma certa vez em que estava muita gente da minha família reunida em minha casa quando na televisão começou um episódio da série que começava justamente com uma tórrida cena de sexo, algo que foi tratado com galhofa e descontracção por toda a gente  mas mesmo assim eu não pude deixar de sentir um certo embaraço.



Um dos países onde a série fez mais sucesso foi a actual Sérvia, na altura ainda sob a denominação de Jugoslávia. Num período conturbadíssimo, com a guerra na Bósnia-Herzegovina e o embargo das Nações Unidas, as aventuras numa atmosfera tropical proporcionadas pela série eram um dos poucos escapes para os sérvios se abstraírem do cenário deprimente em que viviam. Deste modo, Nick Slaughter tornou-se um herói televisivo tão venerado no país como MacGyver ou Michael Knight. Por exemplo, um grafitti em Zarkovo, um subúrbio de Belgrado, em honra da personagem tornou-se um ponto turístico, vários bares e esplanadas no país adoptaram nomes relacionados com a série e Nick Slaughter foi mesmo utilizado em frases de propaganda em 1996-97 quando a população se revoltou contra uma fraude eleitoral promovida pelo regime de Slobodan Milosevic. 
Quando Rob Stewart descobriu a sua popularidade na Sérvia, visitou o país em 2009 onde foi recebido com todas as honras. O périplo foi tema de um documentário estreado em 2013.

Stewart continua a fazer trabalhos ocasionais em televisão. O seu último trabalho mais notório foi na série "Nikita". 

Genérico (1.ª temporada):




             

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