terça-feira, 14 de março de 2017

"Time To Say Goodbye" Andrea Bocelli & Sarah Brightman (1996)

por Paulo Neto




O pugilista alemão Henry Maske foi uma das maiores figuras desportivas do seu país nos anos 90. Campeão olímpico de pesos médios em 1988 pela RDA, Maske tornou-se profissional após a reunificação da Alemanha em 1990 e nos seis anos seguintes venceu trinta combates consecutivos. 
E agora perguntam vocês: "O que é que um pugilista alemão tem a ver com este famosíssimo dueto de Andrea Bocelli e Sarah Brightman?". A resposta bem que podia ser "tudo", mas já lá vamos.



Andrea Bocelli nasceu a 22 de Setembro de 1958 em Lajatico, na província de Pisa. Nascido com problemas de visão devido a um glaucoma congénito, viria a perder totalmente a visão aos 12 anos durante um jogo de futebol em que estava à baliza e foi atingido com uma bola no olho. Mas esse duro revés só o levou a dedicar-se ainda mais à música, que estudava desde os seis anos. 

Em 1992, Bocelli gravou uma demo para uma canção que seria um dueto entre Zucchero e Luciano Pavarotti. Diz-se que este ficou tão impressionado que até disse a Zucchero para gravar a canção com Bocelli. Pavarotti e Zucchero acabariam por gravar de facto a canção "Miserere", mas Zucchero passou a requisitar Andrea Bocelli para alguns dos seus espectáculos e foi ao cantar na festa de aniversário de Zucchero que ele conseguiu um contrato discográfico.
Em 1994, Andrea Bocelli venceu a secção de novos talentos do Festival de San Remo com "Il Mare Calmo De La Serra", que viria também a ser o título do seu primeiro álbum. Ainda nesse ano, estreou-se numa ópera e cantou para o Papa João Paulo II. 
Em 1995, Bocelli voltou a San Remo, desta vez na competição principal, tendo ficado em quarto lugar com um certo tema chamada "Con Te Partiró", que viria a ser parte do seu segundo álbum. O tema não teve particularmente sucesso em Itália mas acabou por ser um estrondoso sucesso na Bélgica e na França em 1996.



E eis-nos chegado a Henry Maske. Aparentemente entre a sua entourage estava gente ligada à indústria musical, que soube como aproveitar a popularidade de Maske para promover certas músicas. Foi por exemplo devido ao uso de "The Conquest Of Paradise" durante a entrada de Maske em alguns dos seus combates, que o tema de Vangelis originalmente composto para a banda sonora do tema "1492 - Cristóvão Colombo" tornou-se um hit na Alemanha em 1995 (três anos após a sua edição) com o sucesso a espalhar-se a outros países europeus, incluindo Portugal (onde foi famosamente usado para campanhas políticas). A 23 de Novembro de 1996, para o combate final de Henry Maske contra o americano Virgil Hill, responsáveis da editora East West decidiram promover uma nova versão de "Con Te Partiró" com Andrea Bocelli em dueto com Sarah Brightman, reintitulada "Time To Say Goodbye", o único verso em inglês da nova versão. Brightman já tinha actuado anteriormente num dos combates do Maske e sem dúvida que os responsáveis da editora tinham em mente o sucesso popularíssimo dueto da ex-mulher de Andrew Lloyd Webber com José Carreras, "Amigos Para Siempre", o tema dos Jogos Olímpicos de 1992 e acalentavam o desejo de que este novo dueto pudesse repetir ou superar o sucesso daquele.
Bocelli e Brightman actuaram durante a abertura do combate entre Maske e Hill em Munique, que foi visto por 21 milhões de pessoas na televisão e a música foi tocada novamente no fim do combate, enquanto um emocionado Henry Maske (que perdeu o combate por decisão técnica, mas viria a ganhar no combate de desforra contra Hill em 2007) despediu-se de uma multidão que o ovacionava de pé.






E se a versão a solo de Andrea Bocelli já era extremamente poderosa, em dueto com Sarah Brightman, o tema era absolutamente esmagador e o impacto da sua exibição durante o combate não se fez esperar. "Time To Say Goodbye" subiu ao primeiro lugar do top alemão ainda em Dezembro de 1996, onde ficou durante 13 semanas, vendendo mais de 2 milhões e meio de cópias, sendo um dos singles mais vendidos de sempre na Alemanha. No ano seguinte, o sucesso do tema estendeu-se a outros países, tendo sido n.º 1 na Áustria, na Suíça e na Irlanda e n.º 2 no Reino Unido. Na senda do sucesso do tema, Andrea Bocelli editou nesse ano o álbum "Romanza" que além de "Con Te Partiró" e "Time To Say Goodbye", incluía faixas dos seus dois primeiros álbuns de originais. "Romanza" foi n.º 1 em vários países (incluindo Portugal) e vendeu mais de 20 milhões de discos, pelo que é o álbum mais vendido de sempre de um artista italiano. "Time To Say Goodbye" foi também incluído no álbum "Timeless" de Sarah Brightman.





O êxito do dueto catapultou Andrea Bocelli para um inesperado estatuto de popstar e até de sex-symbol (em 1998 foi eleito pela revista People como uma das 50 pessoas mais bonitas do mundo). Desde então já cantou no mundo inteiro, já fez dueto com este mundo e o outro (Céline Dion, Christina Aguilera, Eros Ramazzotti, Jennifer Lopez, Nelly Furtado, Dulce Pontes...), tem uma estrela no Passeio da Fama de Hollywood e já perdeu a conta aos discos de platina vendidos, alternando entre registos pop e incursões na ópera e no bel-canto.



Desde então "Time To Say Goodbye" já foi utilizado em vários filmes, séries e anúncios publicitários e versionado por inúmeros cantores, em várias línguas e de várias formas, como na versão dance-pop de 1999 "I Will Go With You" interpretada por Donna Summer
Recordo-me que quando a SIC transmitiu a edição da "Moda Roma 1997", o tema foi tocado durante a homenagem a Gianni Versace, assassinado nesse ano, enquanto algumas top models desciam as escadarias da Piazza de Spagna com lágrimas nos olhos. "Con Te Partiró" foi também tocado durante as cerimónia fúnebres de Eusébio em 2014 quando a urna contendo o seu corpo circulou no Estádio da Luz.

Para terminar, um divertido apontamento. Há uma parte na canção em que Andrea Bocelli repete várias vezes "con me, con me, con me", e eu na altura efabulava que o pobre do Andrea devia estar cheio de fome quando gravou a canção e por isso repetia que queria "comer, comer, comer".


Videoclip:


“Time to Say Goodbye” by Andrea Bocelli & Sarah Brightman from h2ofish on Vimeo.

Actuação em 2007:



"Con Te Partiró" no Festival de San Remo 1995:




sexta-feira, 10 de março de 2017

Buffy - A Caçadora de Vampiros (1997-2003)


Além do elenco carismático, um dos elementos que sempre vi louvado em reportagens e artigos sobre "Buffy The Vampire Slayer" ("Buffy - A Caçadora de Vampiros" em Portugal, "Buffy, a Caça-Vampiros" no Brasil) foi a escrita de Joss Whedon ("Firefly","Serenity"), o criador, produtor executivo, realizador de alguns episódios e argumentista principal para a série. Aliás, a sua ideia de subverter o cliché da loura indefesa que é atacada e morta nos filmes de terror; de dar poder a uma heroína aparentemente comum foi a sua base para o guião do filme de 1992 "Buffy The Vampire Slayer" [trailer].



Mas, segundo o próprio Whedon, o seu guião de um filme de terror sobre uma mulher poderosa foi transformado numa paródia de vampiros. A crítica também não apreciou muito o resultado final, mas recordo-me bem de ver o filme no final dos anos 90, se não estou enganado na SIC ( algum tempo antes do começo da exibição da série nesse canal).
Whedon teve mais tarde a oportunidade de levar o seu conceito de Buffy para a televisão, pretendendo utilizar a escola como metáfora monstruosa para os problemas e ansiedades do crescimentos de adolescentes para adultos.


Todos os genéricos iniciais de "Buffy - A Caçadora de Vampiros":




A série "Buffy The Vampire Slayer", com a sua cheerleader fútil Buffy Summers (Sarah Michelle Gellar, "Scream 2") transformada na poderosa caçadora de vampiros estreou no dia 10 de Março de 1997 e foi um êxito e ainda hoje continua a ser objecto de culto entre os fãs, e um marco na cultura popular, apesar de ter terminado em 2003, ao fim de 7 temporadas, num total de 144 episódios.


A série teve continuação oficial em quatro "temporadas" de banda desenhada entre 2007 e 2011; e claro, em 1999 deu origem à série derivada "Angel" (5 temporadas entre 1999 e 2004) protagonizada pelo vampiro homónimo (desempenhado por David Boreanaz) que teve uma relação romântica com a caçadora de vampiros, e outros actores de "Buffy" (na altura na quarta temporada) e com um tom geral mais negro que a série "mãe".


Quando "Buffy" passou na SIC a partir de Janeiro de 1999 vi as duas primeiras temporadas, mas depois mudaram o horário até à sua passagem para a SIC Radical, visto que eu não tinha TV Cabo só via alguns episódios muito esporadicamente em casa de familiares.


Curiosamente, o meu "crush" na série não era a loira protagonista mas Charisma Carpenter no papel da fútil e vaidosa antagonista (pelo menos no inicio) de Buffy: a cheerleader Cordelia.

O elenco principal de suporte a Buffy incluia o seu mentor Giles (Anthony Head), a colega estudiosa Willow (que ao longo da série evolui de estudante brilhante sem aptidões sociais e uma mulher mais poderosa, e até literalmente, como uma bruxa. A personagem é ainda hoje um dos ícones lésbicos mais mencionados na cultura pop. Este papel ficou associado à actriz Alyson Hannigan, que também devem reconhecer da saga "American Pie") e o comic relief Xander (Nicholas Brendon). Outro favoritos dos fãs é o vampiro Spike (James Marsters) que começa como vilão mas passa ao estatuto de anti-herói e até amante de Buffy.

A acção da série passa-se em Sunnydale, uma fictícia cidadezinha da California situada em cima da "Boca do Inferno" (não a de Cascais) um portal de onde surgem todo o tipo de ameaças sobrenaturais que Buffy e os seus aliados vão combater, incluindo obviamente vampiros, mas também, demónios, fantasmas, zombies, lobisomens e também vilões humanos "normais".





Vídeo da reunião do elenco em 2017 por ocasião do 20º Aniversário da série:



Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos"Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr".

terça-feira, 7 de março de 2017

Jackass (2000-2002)

Hello, I'm Paulo Neto. Welcome to Enciclopédia de Cromos!

Tecnicamente, jackass é um termo em inglês para designar um burro macho mas que também pode ser usado para definir um indivíduo que se comporta como um parvalhão. E em 2000 surgiu na MTV um programa com um número de indivíduos basicamente a comportarem-se como parvalhões. Como tal, o programa não podia ter outro nome que não "Jackass" e rapidamente tornou-se um exemplo primordial de um programa tão mau que dá à volta e fica com piada.



A ideia para o programa começou em 1998 através de vídeos produzidos pela revista Big Brother, direccionada a adeptos da subcultura do skateboarding. A revista tinha vários colaboradores que viriam a fazer parte do elenco do programa. Um deles era Johnny Knoxville (nascido Philipp John Clapp Jr. na cidade do estado do Tennessee que adoptou como apelido artístico), então um actor e guionista da segunda divisão distrital, que teve a ideia de um vídeo em que ele serviria de cobaia para testar vários mecanismos de segurança como tasers, gás pimenta ou levar um tiro vestindo um colete anti-balas vestido. Esses stunts foram incluídos num dos filmes produzidos pela Big Brother. O director da revista, Jeff Tremaine, começou então a trabalhar com Knoxville numa ideia para um programa de televisão que misturava desportos radicais, partidas tipo apanhados, acções autoflagelantes e outros actos tresloucados. O realizador Spike Jonze, amigo de Tremaine, aderiu à produção do projecto e no dia 1 de Outubro de 2000, o primeiro episódio de "Jackass" estreava na MTV americana, tendo estreado na MTV Europe (que era a que chegava a Portugal antes de termos a nossa MTV nacional) no ano seguinte.

Wee Man, Ehren McGhehy, Steve-O, David England, Preston Lacy,
Brandon Di Camillo, Ryan Dunn, Bam Margera, Johnny Knoxville, Chris Pontius

Além de Johnny Knoxville, que cedo se afirmou como o líder carismático da pandilha de jackasses, o elenco do programa era constituído por Chris Pontius aka "The Party Boy", para quem qualquer desculpa era boa para tirar as roupas e ficar apenas de tanga; o skater Brandon "Bam" Margera e seus amigos Ryan Dunn (falecido em 2011 num acidente de viação), Brandon DiCamillo, Chris Raab ou "Raab Himself" e Rake Yohn; outros colaboradores da Big Brother como Dave England, Rick Kosick e Ehren McGhehy; Steve Glover ou "Steve-O", o mais disposto a subir a fasquia da loucura; e a dupla de extremos opostos, o pequenino Jason "Wee Man" Acuña e o grande e gordo Preston Lacy. Jeff Tremaine e o operador de câmara de origem bielorrussa Dmitry Elyashkevich também apareciam regularmente.



Eis algumas coisas que eu recordo do programa
- Cada episódio começava com a frase "Hello I'm Johnny Knoxville. Welcome to Jackass." embora nem sempre fosse o próprio a dizê-la.
- A música do genérico é "Corona" da banda punk-rock Minutemen, originalmente editada em 1984.
- Alguns dos segmentos eram tipo programa de apanhados onde os membros do elenco apanhavam pessoas na rua. Recordo-me por exemplo de Steve-O com andas a cair no meio das ruas de Los Angeles, Johnny Knoxville caracterizado como idoso a cair na rua (mas quando as pessoas vinham ao seu auxílio ficavam surpreendidas ao ver aquele velhote tinha afinal a agilidade de alguém mais novo), Ehren McGhehy vestido de fada dos parquímetros a meter moedas nos ditos cujos ou o Wee Man a fugir de um carrinho de bebé a que foi pedido a um transeunte para tomar conta.
- Outro segmento recorrente era aquele em que Bam Margera pregava partidas à sua família: o pai Phil, a mãe April, o tio Don Vito e o irmão Jess, como por exemplo acordar os pais das formas mais barulhentas e passíveis de lhes causar um enfarte. Era bem visível que nas caras do casal Margera se podia ler: "Andámos nós a criar um filho para isto!"  
- Um dos segmentos mais famosos é aquele em que Johnny Knoxville leva com vários ataques às suas partes baixas (ainda que protegidas por uma conquilha) na forma de balas, frutas, martelos e pontapés de crianças.
- Algumas celebridades apareceram no programa como Gene Simmons dos Kiss, o "deus" do skate Tony Hawk e Brad Pitt.
- Além de April Margera, a única presença feminina regular na série foi a da modelo e actriz Stephanie Hodge, geralmente a fazer de cheerleader.
- Mesmo no meio de gente tão maluca, Steve-O era aquele que levava os actos de loucura a outros níveis, sobretudo os mais autoflageladores como agrafar as nádegas.
- No entanto, o acto que mais me ficou na memória foi executado por Dave England que fez uma omelete de vomitado, cozinhada com os ovos e outros ingredientes previamente ingeridos e regurgitados por ele. Mesmo surgindo em rodapé uma nota de que a omelete foi cozinhada a uma temperatura que eliminava os elementos tóxicos do vómito, fez-me impressão ver depois England a comer a sua própria confecção estomacal.  



Apesar de no início de cada episódio surgir uma mensagem que se pedia aos telespectadores que não repetissem as acções executadas nesse programa e afirmando que a produção não veria nem abriria filmes enviados de pessoas a serem jackasses - e de surgir ocasionalmente uma mensagem em rodapé para não reproduzir uma actividade especialmente perigosa - o programa foi acusado e culpabilizado pelas mortes e ferimentos de jovens que tentavam recrear os stunts do programa. Chegou a haver um episódio do CSI em que um grupo de adolescentes era morto durante a filmagem de um vídeo tipo "Jackass". 

Eu lembro-me de ver o programa às sextas-feiras à noite com o meu irmão (numa altura em que raramente gostávamos das mesmas coisas). O nosso pai viu uma vez um episódio e riu-se ainda mais que nós, ao passo que sempre que calhava a nossa mãe estar na sala quando víamos "Jackass", ela ficava com um ar de que não percebia que raio de graça havia naquilo. 

Ao todo houve 25 episódios exibidos em três temporadas. A franchise gerou ainda três filmes: "Jackass: The Movie" (2002), "Jackass: Number Two" (2006) e "Jackass 3D" (2010) e várias spin-offs: "Viva La Bam", "Wildboyz" e "Nitrocircus". Outros países também tiveram a sua versão nacional de "Jackass" como o "Dirty Sanchez" (Reino Unido), "Dudesons" (Finlândia), "Tokyo Shock Boys" (Japão) e "Ogags" (Filipinas). Os vídeos do francês Remi Gaillard também foram influenciados pelo programa. 

O sucesso de "Jackass" acabou por trazer fama ao elenco e deu-lhes várias oportunidades no cinema e na televisão. Hollywood acolheu Johnny Knoxville para papéis em "Men In Black 2" e "Os Três Duques" e foi a voz do Leonardo na infame adaptação de Michael Bay das Tartarugas Ninja. Chris Pontius entrou no filme "Somewhere" de Sofia Coppola e Steve-O apresentou "Killer Karaoke", que por cá teve uma adaptação na SIC sob o título "Canta Se Puderes". 
Vários membros do elenco de "Jackass" têm dado pistas que um quarto filme está para breve, em jeito de homenagem a Ryan Dunn. 





     

quinta-feira, 2 de março de 2017

Sucessos multilingues de Sash! (1997-2002)

por Paulo Neto

Os anos 90 foram a década do euro-dance. Foram incontáveis os hits deste género que fizeram furor nas pistas de dança europeias (e não só), que trepavam pelas tabelas de vendas acima e que eram condensados em colectâneas campeãs de vendas. (Como era o caso das compilações da Vidisco em Portugal). 

Sascha Lappesen


Em 1997, um trio alemão de DJs e produtores marcou a diferença ao produzir três enormes sucessos de euro-dance nesse ano em três línguas diferentes. Depois de terem colaborado juntos no tema "Indian Rave" que editaram sob o nome de Careca, Ralf Kappmeier, Thomas Ludke e Sascha Lappesen formaram em 1995 o projecto Sash!. Não se sabe se foi por ter o nome mais parecido com o do colectivo, mas Sascha Lappesen foi aquele que foi a cara do grupo desde o início nas fotos oficiais, nas capas dos discos e nos videoclips, enquanto os outros dois preferiam ficar no bastidores. O primeiro single do grupo "It's My Life" foi um sucesso moderado em 1996 na Alemanha.





Mas no início de 1997, o lançamento do single "Encore Une Fois" lançaria definitivamente os Sash! para a ribalta internacional já que o tema alcançou o top 5 em vários países (foi n.º 1 na Irlanda) e tornou-se um dos sucessos das pistas de dança desse ano. Além da fortíssima batida, o grande atractivo do tema era sem dúvida a voz de Sabine Ohmes, que dizia num francês irrepreensível "Mes dames, messieurs, le disc-jockey Sash! est de retour" antes de gritar o título no refrão. Apesar da sua pronúncia impecável da língua de Voltaire, Sabine Ohmes é alemã e não de um país francófono. Ainda assim, Sabine lançou em 1998 dois singles a solo em francês sob o nome de Encore na label dos Sash!: "Le Disc-Jockey" e "Le Paradis". Ela ainda actua ocasionalmente ao vivo com os Sash!. 





Para o segundo single, os Sash! optaram pela língua de Cervantes, o castelhano. "Ecuador" contava com a participação do DJ hispano-alemão Adrian Rodriguez ,que numa pronúncia similar à de um político latino-americano no meio de um discurso de campanha declamava: "Vamonos a la viaje para buscarmos los sonidos magicos... DE ECUADOR!". "Ecuador" foi outro sucesso internacional, atingindo n.º 1 do top da Bélgica flamenga e n.º 2 do Reino Unido. Não sei o tema foi um sucesso no país sul-americano do título, mas quero acreditar que. pelo menos num universo paralelo, este é o hino nacional do Equador e é tocado nos jogos da selecção equatoriana. O que é certo é que o videoclip não foi filmado no Equador mas sim nas Ilhas Canárias, em Tenerife e Lanzarote. 





Para o seu terceiro e último hit do ano de 1997, a par da edição do álbum "It's My Life", os Sash! recorreram desta vez ao inglês para o single "Stay", interpretado pela cantora americana radicada na Alemanha Francine McCoy que usava o nome artístico de La Trec. (Nem quero pensar nas piadas, se tivesse optado por responder ao nome de La Trac!). Ao contrário dos outros dois temas, em que as batidas dance tinham destaque principal e as partes vocais eram declamadas e algo acessórias, "Stay" tinha uma estrutura mais usual de uma canção. Ainda assim, a minha parte preferida é o início declamado de LaTrec, sobretudo o verso "Do you remember when we used to have so much fun?". No videoclip, Sascha Lappesen é perseguido por vários agentes misteriosos (um dos perseguidores, a mulher de cabelo vermelho ficou-me particularmente na retina). Tal como os outros dois singles, "Stay" chegou ao n.º 2 do top britânico. Aliás, os Sash! detêm a dúbia honra do grupo com mais singles que atingiram o 2.º lugar do top britânico (num total de cinco) sem nunca terem nenhum que tivesse chegado ao n.º 1. Ao que parece, La Trec vive actualmente na Holanda. 





Em 1998, para o primeiro single do álbum "Life Goes On", os Sash! recorreram a mais outro idioma, o italiano, para "La Primavera" com as partes vocais a cargo de Patrizia Salvatore. O videoclip, filmado no Hawaii, era de encher o olho.

A partir daí, a maioria dos hits de Sash! foram cantados em inglês, à excepção de novamente o castelhano em "Adelante" (2000) e do japonês em "Ganbareh" (2002), destacando-se colaborações com credenciados intérpretes como a britânica Tina Cousins ("Mysterious Times", 1998 e "Just Around The Hill", 2000), a americana Shannon, ("Move Mania", 1998), o célebre Dr. Alban ("Colour The World", 1999) e Boy George ("Run", 2002). 

Mesmo sem o enorme sucesso que alcançaram entre 1997 e 2000, o trio continua no activo, a editar material novo e a actuar ao vivo em todo o mundo. O êxito significativo mais recente dos Sash! foi em 2008 através de um mash-up que misturava "Encore Une Fois" com o tema "Raindrops" dos Stunt. A intérprete de "Raindrops" era a britânica Molly Smitten-Downs que viria a representar o Reino Unido no Festival da Eurovisão de 2014.  



Sascha Lappesen em 2016

Extras:

"Mysterious Times" (feat. Tina Cousins)
(recordo-me que Lappesen e Cousins actuaram com esta música em Portugal na "Roda Dos Milhões")


"Move Mania" (feat. Shannon)


"Colour The World" (feat. Dr. Alban)


"Adelante"


"Ganbareh"







sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Steven Bradbury, o campeão olímpico mais sortudo (2002)

por Paulo Neto



Salt Lake City, capital do estado americano do Utah, acolheu os 19.ºs Jogos Olímpicos de Inverno entre 8 e 24 de Fevereiro de 2002. Apesar do escândalo do processo da candidatura da cidade, quando em 1998 veio a público que alguns membros do Comité Olímpico Internacional receberam subornos por parte de pessoas pertencentes à comissão de candidatura de Salt Lake City, e dos ataques de 11 de Setembro de 2001 apenas uns meses antes, os Jogos Olímpicos de Inverno de 2002 acabaram mesmo por acontecer. Durante a cerimónia de abertura, foi erguida uma bandeira dos Estados Unidos encontrada nos destroços Ground Zero no 11 de Setembro. No entanto, os Jogos de Salt Lake City decorreram sem problemas de organização e o destaque foi todo para os brilhantes feitos dos atletas. 
Uma ideia que se estreou nestes Jogos que continuou nas outras edições subsequentes foi a introdução de uma praça onde se realizaria as cerimónias de entregas de medalhas diante dos fãs, servindo também para concertos e outras actividades culturais.

Atletas americanos transportam uma bandeira americana do Ground Zero
na cerimónia de abertura

2399 atletas de 78 países (Portugal não participou) competiram em quinze modalidades. O skeleton regressou ao programa olímpico após 54 anos. O norueguês Ole Einar Bjorndalen e a croata Janica Kostelic foram as principais estrelas dos jogos: Bjorndalen ganhou todas as quatro provas da competição masculina de biatlo, afirmando-se como o maior atleta de sempre deste desporto; Kostelic, acabada de completar 20 anos, ganhou três medalhas de ouro e uma de prata no esqui alpino. A americana Vonetta Flowers tornou-se a primeira atleta negra a ganhar uma medalha de ouro em Jogos Olímpicos de Inverno, em parceria com Jill Bakken no boblsed feminino. Ao fim de 50 anos, o Canadá alcançou novamente o ouro no hóquei no gelo, por excelência o desporto nacional canadiano, tanto em masculinos como em femininos. A maior controvérsia surgiu na patinagem artística, sobre alegadas pressões e subornos a alguns juízes, que resultou no afastamento de uma juíza francesa e com a medalha de ouro a ser atribuída na prova de pares em ex-aqueo a um par russo e ao par canadiano que originalmente terminara em segundo e que alegadamente teria sido prejudicado pelos juízes.

Apollo Anton Ohno (EUA)


Um dos desportos mais emocionantes nos Jogos Olímpicos de Inverno de 2002 foi a patinagem de velocidade em pista curta, também conhecida como short track. Ao contrário da patinagem velocidade em pista longa em que só competem dois atletas de cada vez e contra o relógio em vez de um contra o outro, em short track um número de quatro a seis atletas dão voltas a uma pista com pouco mais de cem metros de perímetro ao longo de distância que vão dos 500 aos 1500 metros e é tudo ao molho e fé em Deus. Quedas e despistes são bastante frequentes e qualquer obstrução, empurrão ou colisão resulta na desclassificação dos atletas. Coreia do Sul, China, Canadá e Estados Unidos são as principais potências deste desporto e confirmaram o seu domínio em Salt Lake City.

O pódio dos 1000m femininos:
a muito jovem Ko Gi-Hyun e as duas Yang Yang

O pódio dos 1000m femininos teve a particularidade duas chinesas chamadas Yang Yang: a mais velha, designada por Yang Yang (A) ganhou o ouro e a mais nova, referida como Yang Yang (S), ganhou o bronze. Os media vieram a descobrir que os nomes delas eram iguais em letras romanas mas diferentes em caracteres chineses, embora se pronunciassem exactamente da mesma maneira. A (A) chamava-se "bandeira esvoaçante" e a (S) "sol nascente". Yang Yang (A) também venceu os 500m e foi a primeira atleta da China a ganhar uma medalha de ouro em Jogos Olímpicos de Inverno.
A sul-coreana Ko Gi-Hyun tornou-se aos 15 anos uma das mais jovens campeãs olímpicas de sempre ao vencer os 1500m femininos. Foi Ko quem esteve no pódio das duas Yang Yang nos 1000m.

O público americano teve o seu herói local num atleta que tinha o espectacular nome de Apollo Anton Ohno que venceu os 1500m masculinos, num triunfo controverso. O coreano Kim Dong-Sung tinha sido o primeiro a cortar a meta mas quando ele ia a dar a volta de honra com uma bandeira na mão, descobriu que tinha sido desclassificado pelos juízes por ter obstruído uma passagem de Ohno, a quem foi atribuída a vitória. Furiosos, os adeptos coreanos entupiram as caixas de correio de e-mail do COI e do Comité Olímpicos dos Estados Unidos (mais de 16 mil e-mails!) e angariaram dinheiro para criar um réplica de uma medalha de ouro que foi entregue a Kim quando regressou ao seu país.

Mas a mais extraordinária história da patinagem de short track, senão mesmo de todos os Jogos Olímpicos de Inverno de 2002 foi a dos 1000 metros masculinos, uma história semelhante à da lebre e da tartaruga, que recordou mais uma vez que em solo olímpico como em tudo na vida, não há vencedores antecipados. Aos 28 anos, o australiano Steven Bradbury estava nos seus quartos Jogos Olímpicos, ou seja desde que o short track tinha sido introduzido no programa olímpico em 1992, e em 1994 fizera parte da equipa australiana que ganhou a medalha de bronze na prova de estafeta masculina, a primeira medalha da Austrália em Jogos Olímpicos de Inverno. Como atleta individual porém nunca ganhara uma medalha em Jogos Olímpicos e Campeonatos do Mundo. Além disso desde 1994 que a sua carreira tinha sido minada por lesões. Numa prova em Montreal em 1995, durante uma queda, a lâmina do patim de outro atleta fez-lhe um corte na coxa que foi suturada com 111 pontos. Em 2000, durante uma corrida de treino, Bradbury partiu duas vértebras do pescoço durante uma queda e não só ficou fora de toda a época de 2000-01 como teve de usar uma pescoceira aparafusada ao crânio durante seis semanas.



Steven Bradbury encarava os Jogos de Salt Lake City como o ocaso da sua carreira, longe da velocidade de outros tempos. Tinha financiado a sua preparação a vender patins que ele próprio fabricava na garagem dos seus pais. Mas quando se apresentou para a sua prova de 1000m, uma série de acontecimentos desenrolou-se a seu favor. Nos quartos de final, foi terceiro na sua corrida mas seguiu em frente devido à desclassificação do primeiro classificado por obstrução. Nas semifinais, na esperança que os seus adversários mais credenciados sofressem uma queda ou uma desclassificação, manteve-se na retaguarda da corrida, apurando-se para a final quando dois atletas caíram. Na final, competindo contra Apollo Anton Ohno, o canadiano Mathieu Turcotte, o coreano Ahn Hyun-Soo e o chinês Jiajun Li, Bradbury manteve a mesma estratégia seguindo na cauda da corrida e esperando de novo que o infortúnio dos seus adversários mais rápidos fosse a sua sorte.




E assim aconteceu: na entrada para a última volta, Ohno seguia na frente quando Li tentou ultrapassar-lhe por fora, tocando-lhe no braço. Esse gesto fez Ohno desequilibrar-se, arrastando Li (que seria desclassificado), Ahn e Turcotte na queda. Com todos os outros no chão, um incrédulo Steven Bradbury cruzou a meta em primeiro lugar. Ohno e Turcotte só tiveram tempo de se levantar e conseguir a prata e o bronze. Era a primeira medalha de ouro em Jogos Olímpicos de Inverno para um atleta do Hemisfério Sul. Curiosamente na noite anterior à final, Bradbury tinha oferecido um par de patins feitos por ele a Ohno e pedido para que ele mencionasse a sua marca caso ganhasse o ouro.




Após o seu inesperado triunfo olímpico e subsequente fim de carreira desportiva. Steven Bradbury trabalhou como comentador desportivo para a televisão australiana e orador motivacional, envolveu-se no desporto motorizado e em 2005 publicou a sua autobiografia apropriadamente intitulada "Last Man Standing". A designação de uma vitória inesperada e improvável como "fazer um Bradbury" entrou na gíria australiana.



 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

O Império Contra-Ataca - Edição Especial (1997)



Há muito tempo, numa galáxia muito muito distante... Quer dizer, em 21 Fevereiro de 1997 o segundo (ou quinto) capítulo da saga Star Wars ("A Guerra das Estrelas") - "O Império Contra-Ataca" ("The Empire Strikes Back") de 1980 renascia para as novas gerações e horror dos fanboys hardcore que tremeram com cada pequena alteração que George Lucas infligiu na Sagrada Trindade. A ocasião para esta Edição Especial era comemorar o 20º aniversário do lançamento do primeiro "A Guerra das Estrelas" (1977) e alegadamente conseguir uma versão mais fiel à imaginada pelo criador George Lucas e que a tecnologia dos anos 70 ainda não permitia.

O trailer d'"O Império Contra-Ataca Edição Especial":



Da trilogia original este foi o filme que menos alterações sofreu. Na época que consegui a cassete (comprada na FNAC, numa excursão ao Colombo em 1998, se não me engano) - porque infelizmente não revi nenhum deles no cinema - fiquei contente principalmente por terem corrigido os efeitos especiais na Batalha de Hoth, quando os snowspeeders das forças rebeldes surgiam transparentes, por problemas relacionados com o green-screen utilizado nas filmagens das miniaturas. Para saber mais detalhes das mudanças das Edição especial do "Império Contra-Ataca" consultem esta lista da Wikipédia: ""List of changes in Star Wars re-releases"".

O seguinte vídeo faz uma listagem exaustiva dessas mesmas mudanças, apesar de recorrer na maioria a imagens de outros relançamentos posteriores e com efeitos melhorados:




Depois da destruição da Estrela da Morte, o Império dobra esforços para erradicar os Rebeldes. Luke Skywalker continua o treino para se tornar um Jedi, e perto do final do filme um dos grandes plot twist de sempre: SPOILERS (!) o maléfico Darth Vader é o pai de Luke!











Este recorte da época alude ás modificações da Edição Especial, no entanto as fotos pertencem ao filme anterior, "Uma Nova Esperança", que continua a ser o meu preferido da saga.

Wizard Nº 9 - Abril 1997.
A capa da edição nacional em VHS:


Recorde algumas fotos destes tesourinhos da minha colecção pessoal:  "StarWars" em VHS. Aliás, todas as fotos deste artigo foram digitalizadas por mim, tanto a capa da cassete VHS como os screenshots do filme.


Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos"Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr".




Festival RTP da Canção de 1982

por Paulo Neto

Numa altura em que decorre o Festival da Canção deste ano, tempo para recuar 35 anos atrás e recordar o 19.º Festival RTP da Canção que teve lugar a 6 de Março de 1982 no Teatro Maria Matos, precisamente na véspera do dia em que a RTP completava 25 anos de emissões.
Eu não me recordo deste Festival na altura em que foi exibido, até porque na altura eu nem sequer tinha ainda completado dois anos de vida, mas vi há uns anos atrás quando foi transmitido da RTP Memória e achei uma edição bastante interessante pois teve a sua boa dose de cromice típica dos anos 80 e por onde passaram vários nomes ainda hoje conhecidos.


Alice Cruz e Fialho Gouveia


Foram doze as canções que foram apresentadas no Maria Matos para a selecção de qual seria aquela que iria representar Portugal no Festival da Eurovisão de 1982, que nesse teria lugar na pequena cidade inglesa de Harrogate  e talvez por isso, houve a actuação especial de um grupo britânico de bailado moderno de nome Wall Street Crash. A condução do momento das votações esteve a cargo de Alice Cruz e Fialho Gouveia, mas como já falei aqui antes, a apresentação das canções esteve a cargo de uma dupla absolutamente mítica: o Agostinho e a Agostinha, os companheiros da pinga lendariamente interpretados por Camilo de Oliveira e Ivone Silva no "Sabadabadu".

Ivone Silva e Camilo de Oliveira...
ou melhor Agostinha e Agostinho

Antes de cada canção, a parelha ébria cantava uma versão do seu famoso tema onde conseguiam encaixar o título da canção, o intérprete, o autor e o compositor, para além do refrão do tema ter sido adaptado para o evento que agora ficava assim:

Ai Agostinho, ai minha amiga
Ai o gostinho de uma cantiga
Olha a audiência do Festival
Uns dizem bem, outros mal
Olha a audiência que a gente tem
Uns dizem mal e outros bem
Isto é que vai uma festa
Isto é que vai uma festa

Dada a histórica popularidade da canção vencedora, eu estava convencido que tinha sido uma vitória incontestada, mas na verdade foi um dos Festivais mais disputados de sempre com a liderança a mudar algumas vezes de mãos e destacando-se três canções nessa disputa. Mas primeiro vamos falar das outras nove.

Isa
Joana

Nos anos 80, pelos palcos do Festival da Canção passaram diversas cantoras de apenas um nome das quais pouco ou nada se soube desde então. (Por exemplo, Sofia e Tessa em 1983, Marisa em 1984, Eduarda em 1985, Glória e Nené em 1987.) Em 1982, duas dessas cantoras de um nome só foram Isa e Joana. A primeira cantou um "Sonho A Dois" mas ficou em último lugar, a segunda deu voz a um "Amor Português" que ficou em sétimo lugar. (Actualização: Joana participou também no Festival do ano anterior como parte do duo Joana e Pedro interpretando "Amor Em Agosto")




Houve uma terceira jovem cantora de um nome só, mas essa viria a ser bem mais conhecida por outro nome. Pois a Fernanda que interpretou o tema "Vai Mas Vem" é aquela que agora conhecemos como Ágata. Na altura, ela já não era uma desconhecida uma vez que tinha integrado as Cocktail no fim da década de 70. Mais tarde, substituiu Lena Coelho nas Doce durante a gravidez desta antes de, ainda nos anos 80, dar os primeiros passos na carreira sob o nome de Ágata, alcançando o sucesso que se conhece na década seguinte. A audição da canção que cantou no Festival de 1982, que ficou em 10.º lugar, poderá surpreender aqueles que só conhecem o repertório de Ágata pós-"Perfume de Mulher".




Marco Paulo regressou ao Festival nesse ano, quinze anos após a sua primeira participação, com o tema "É O Fim Do Mundo". Infelizmente não foi dos melhores momentos do consagrado repertório de Marco Paulo e foi para o fim da tabela, para o 11.º e penúltimo lugar.

Bric A Brac

Os Bric A Brac eram presença regular no Festival da Canção desde 1977. 1982 foi o ano da quarta e derradeira participação do grupo formado então por Manuel José Soares, Isabel Soares, Cristina Águas e Jorge Barroso com o tema "Tudo Tim Tim Por Tim Tim", com uma animada sonoridade disco-sound que ganhou o prémio de melhor orquestração, que esteve a cargo de Armindo Neves. E destaque, embora não pelos melhores motivos, estiveram as vestimentas dos membros femininos do quarteto, que pareciam estar vestidas com papel de embrulho em cima e em papel de alumínio em baixo.

SARL

Os SARL, grupo formado por Carlos Aberto Moniz, Samuel e Pedro Osório, tinha trazido um toque de irreverência ao Festival da Canção em 1979 e 1980 com os temas "Uma Canção Comercial" e "Self Made Man", mas a última participação do grupo foi com uma canção mais convencional "Quero Ser Feliz Agora", que ainda assim obteve um honroso quarto lugar.

Dina

Depois de ter sido uma das revelações do Festival de 1980, Dina estava de volta ao certame e desta vez em dose dupla pois interpretou duas canções: a balada "Em Segredo", escrita por Tozé Brito, que ficou em oitavo lugar e o mais animado "Gosto Do Teu Gosto", letra de António Pinho e música da própria Dina, que chegou a liderar no início das votações mas que acabaria por cair para o sexto lugar. Ambas as canções foram incluídas no seu álbum de estreia "Dinamite". Claro que dez anos mais tarde, Dina regressaria ao Festival de forma triunfante.

Broa De Mel

Um tom mais divertido marcou a participação dos Broa De Mel com o tema "Banha De Cobra (Estica E Não Dobra)". Também com um título destes, só podia. A canção interpretada pelo casal José Carlos e Maria José Gorgal, que ainda hoje continua junto na música e no amor, obedecia à estrutura de canções como "Sobe Sobe Balão Sobe", onde quando se chega ao refrão já não mais se sai dele até ao fim. O resultado acabou por não ser tão banha de cobra quanto isso, com um respeitável quinto lugar. Os Broa De Mel participariam novamente no Festival do ano seguinte com uma canção bastante diferente.

Alexandra

Quanto às três canções que disputaram a liderança e que terminaram no pódio. O terceiro lugar foi para "Até Amanhecer" interpretado por Alexandra. A cantora de "Zé Brasileiro Português De Braga" defendeu magistralmente a balada com o talento que lhe é reconhecido, mas infelizmente o look com que ela se apresentou em palco era tipicamente anos 80 no seu pior: do penteado juba de leão ao vestido de boneca espanhola passando pela maquilhagem carregada.

Cândida Branca-Flor

Cândida Branca Flor falhou a vitória por muito pouco, somente seis pontos, mas deixou uma canção que ficou para a história. Mais um exemplo do génio criativo de Carlos Paião, as "Trocas E Baldrocas" permanecem ainda na boca de muita gente e um marco na carreira da artista, infelizmente falecida em 2001. "São trocas e baldrocas, altas engenhocas, que eles sabem inventar. São palavras loucas, faz orelhas moucas, não de te deixes enganar". Os elementos masculinos do coro estiveram em destaque, quer na parte quase em rap que eles rosnavam "são só trocas e baldrocas que sabemos inventar, são só trocas e baldrocas, não te deixes enganar" quer quando levavam estaladas dos elementos femininos.

Doce

Mas a vitória acabou por sorrir às Doce, com outra canção que ficou prontamente gravado no disco rígido de todos aqueles deste rectângulo à beira-mar plantado. A nossa mítica girlband dos anos 80 concorria pelo terceiro ano consecutivo e depois dos fatos de super-heroínas em 1980 com que interpretaram o tema homónimo e os de odaliscas em 1981 para o igualmente clássico "Ali Babá", foram vestidas de mosqueteiras que Fá, Laura, Lena e Teresa ganharam o Festival cantando o "Bem Bom" que era um amor que dura pela uma da manhã, duas da manhã e por toda a madrugada fora.


Carlos Paião, que vencera no ano anterior com o não menos mítico "Playback", entregou às Doce o troféu da vitória. Semanas mais tarde, seriam elas a abrir o desfile de canções no Festival da Eurovisão em Harrogate.




Por fim, queria agradecer ao site Festivais da Canção por toda a informação e algumas das imagens aqui utilizadas. Para quem se interessa pela história do Festival da Canção, é um site absolutamente imperdível. 

Actuação "Bem Bom" Doce:




Actuação no Festival da Eurovisão 1982:



Videoclip:





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