quarta-feira, 15 de junho de 2016

Férias no Algarve - Onda-Choc (1987)



Como algarvio, não podia ignorar por mais tempo esta canção dos Onda-Choc (e depois de há uns dias recordar-mos alguns clássicos da banda incluidos no "Vitinho: 30 Grandes Êxitos"), apesar de a minha zona do Algarve ser um pouco distante das realidades conhecidas há décadas pelas hostes de turistas que rumam ao Sul do país, ao Reino dos Algarves, para as férias de descanso de um ano de trabalho e para ficarem na cor das lagostas.



"Férias no Algarve" - segundo o Blog Onda-Choc - é da autoria de Ana Faria, e interpretada por Tiago Pinto e Pedro Leitão; incluído no álbum "Onda Choc" (1987).





Também podem ver e  ouvir aqui: "Onda-Choc - Ferias no Algarve (1987)".


Com certeza reconhecem os acordes do tema,  versão do "Holyday Rap", o êxito internacional de MC Miker G e DJ Sven. E enquanto a versão original era bem pateta, e indicando a compra de drogas em Amesterdão, a versão tuga juvenil era bem mais complexa:
Os temas: os amores de Verão, traição, cinema de acção e provavelmente a única canção que inclui o termo "densidade populacional" como crítica social ao turismo de massas, ou então só por causa da chatice das praias sobre-lotadas. 


Vamos então ver a letra, publicada no Blog Onda-Choc, que retrata um diálogo entre dois rapazes que passaram - adivinhem - férias no Algarve em Agosto, fizeram amigos novos e arranjaram namorada. O twist adivinhava-se à distância, mas continua divertido ouvir os miúdos descreveram a lourinha que lhes conquistou o coração, enquanto cantam os prós e contras de passar o Verão no Sul do país.
- Fui passar as férias perto de Albufeira.

Era o mês de Agosto, uma segunda-feira.

Estava aquilo tudo cheio de turismo.

Acampei num belo parque de campismo.

- Que coincidência! Também pra lá fui.

Conheci um Vasco, um Becas e um Rui

e uma miúda cá com uma estaleca!

De cabelo louro. parecia sueca

-Também eu lá arranjei uma namorada.

loura, loura, loura e muito engraçada.

- E a que eu te disse, a de cabelo louro.

vê lá tu também me aceitou namoro!

- A minha miúda não era de lá, não.

- A minha também só estava lá no Verão.

- A minha namorada mora nas Picoas.

- E a minha também sei que é de Lisboa.



Refrão:

Faça férias no Algarve, passe lá um mês.

Tudo muito fino, só se fala inglês.

Férias no Algarve. É tudo bestial

fora a densidade populacional.

Faça férias no Algarve. Passe um bom bocado...

com o bitoque ao preço do salmão fumado.

Faça férias no Algarve, passe um bom bocado...

bichas de 100 metros no supermercado.



Estas férias eu sei, sei que mais ninguém

vai aproveitar como eu:

ficar bronzeado, castanho, torrado

p'ra depois fazer inveja no liceu. Ah!

Estas férias eu sei, sei que mais ninguém

vai aproveitar como eu:

ficar bronzeado, castanho, torrado

p'ra depois fazer inveja no liceu. Ah!



- Fomos ao cinema ver uns filmezitos

numa esplanada com meigas e mosquitos.

A minha miúda (imagina tu)

só queria ver filmes sobre kung-fu.

- Mas que giro! A minha também se decide

sempre pelo Rambo ou o Karate Kid.

Adora o Stallone (é mesmo fanatismo)

e até queria que eu fizesse culturismo.



Refrão:

Faça férias no Algarve, passe lá um mês.

Tudo muito fino, só se fala inglês.

Férias no Algarve. É tudo bestial

fora a densidade populacional.

Faça férias no Algarve. Passe um bom bocado...

com o bitoque ao preço do salmão fumado.

Faça férias no Algarve, passe um bom bocado...

bichas de 100 metros no supermercado.



-Combinei com ela no último dia

encontro em Lisboa, na geladaria.

Está quase na hora, não deve demorar.

Jà agora espera, vou-te apresentar.



- Está bem, eu fico. Sempre quero ver

se a tua miúda é bonita a valer.

Sempre ouvi dizer que quem o feio ama...

É verdade, como é que ela se chama?



- Chama-se Cristina o meu borrachinho.

Vais ver como é gira, espera um bocadinho.

- Que coincidência tão engraçada!

Também é Cristina a minha namorada!

- Já são horas. É ela que está a chegar.

Anda aqui ao pé para a cumprimentar.

- Não posso acreditar! Mas que desaforo!

Essa e a miúda com quem eu namoro!



Refrão:

Faça férias no Algarve, passe lá um mês.

Tudo muito fino, só se fala inglês.

Férias no Algarve. É tudo bestial

fora a densidade populacional.

Faça férias no Algarve. Passe um bom bocado...

com o bitoque ao preço do salmão fumado.

Faça férias no Algarve, passe um bom bocado...

bichas de 100 metros no supermercado.



Estas férias eu sei, sei que mais ninguém

vai aproveitar como eu:

ficar bronzeado, castanho, torrado

p'ra depois fazer inveja no liceu. Ah!

Estas férias eu sei, sei que mais ninguém

vai aproveitar como eu:

ficar bronzeado, castanho, torrado

p'ra depois fazer inveja no liceu.



Refrão:

Faça férias no Algarve, passe lá um mês.

Tudo muito fino, só se fala inglês.

Férias no Algarve. É tudo bestial

fora a densidade populacional.

Faça férias no Algarve. Passe um bom bocado...

com o bitoque ao preço do salmão fumado.

Faça férias no Algarve, passe um bom bocado...

bichas de 100 metros no supermercado.



Estas férias eu sei, sei que mais ninguém

ficar bronzeado, castanho, torrado

Estas férias eu sei, sei que mais ninguém

ficar bronzeado, castanho, torrado



Estas férias eu sei, sei que mais ninguém

vai aproveitar como eu:

ficar bronzeado, castanho, torrado

p'ra depois fazer inveja no liceu. Ah!

Estas férias eu sei, sei que mais ninguém

vai aproveitar como eu:

ficar bronzeado, castanho, torrado

p'ra depois fazer inveja no liceu. Ah!


Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos"Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr".




sábado, 11 de junho de 2016

Wacky Races (1968-70)

por Paulo Neto

Apesar desta série ser originalmente dos anos 60, faz parte do imaginário de todos aqueles que foram crianças nos anos 80 pois a partir de 1985, a RTP passava-a frequentemente, quer nos habituais espaços dedicados à animação, quer como tapa-buracos na programação. E era uma série tão divertida e com bonecos tão carismáticos que era o tipo de desenhos animados que conseguia atrair miúdos e graúdos e lembro-me que os meus pais gostavam tanto de ver como eu.




Criada pelos estúdios Hanna-Barbera, "Wacky Races" era inspirada pelo filme de 1965 "A Louca Corrida À Volta Do Mundo". Em Portugal, teve o título de "A Corrida Mais Louca Do Mundo" na versão legendada e "A Mais Louca Corrida Do Mundo" na versão dobrada. Na série, um grupo de personagens distribuídas por 11 carros competem pela América pelo título do "corredor mais louco do mundo" em corridas onde tudo é permitido. Por incrível que pareça, tal a quantidade de vezes que era exibida na televisão, a série teve apenas 17 episódios com duas corridas cada, num total de 34.




Estes eram os competidores:



Carro n.º 1: Boulder Mobile / Pedramóvil, um carro feito de pedra, conduzido pelos irmãos Slag/Rocha e Calhau Moca, dois homens da caverna, que fazem mover o veículo à custa de darem com mocas na cabeça um do outro. Se o carro fosse destruído, eles usavam as mocas para construir um novo carro com qualquer rocha que achassem. Foi o carro que ficou mais vezes no pódio: 3 vitórias, 8 segundos lugares e 3 terceiros lugares. O visual dos irmãos Moca foi depois aproveitado para a personagem-título da série "Capitan Caveman".



Carro n.º 2: Creepy Coupe/Coupé Assombrado, era conduzido pelo Gruesome Twosome/Duo Fantasma, composto por uma criatura tipo Frankenstein e um vampiro de cara púrpura. A viatura era uma espécie de mansão assombrada ambulante e nela surgiam de repente várias criaturas: bruxas, cobras e um dragão que era praticamente o terceiro elemento da equipa e era quem fazia o carro voar. O Creepy Coupe venceu 3 vezes, ficou outras três em segundo e seis vezes em terceiro.



Carro n.º 3:  Convert-A-Car/Transforma-Car, conduzido pelo Professor Pat Pending/Professor Patente, um cientista tresloucado mas cheio de humor. O carro transformava-se em avião, barco ou o quer quer fosse preciso em qualquer situação e por isso era o meu preferido. Normalmente era o Professor quem livrava todos os outros carros das armadilhas de Dick Dastardly. Venceu três vezes, ficou duas vezes em segundo e cinco em terceiro.



Carro n.º 4: Crimson Haybaler/ Lata Escarlate, um híbrido de carro e avião conduzido por Red Max/Max Vermelho, um ás da aviação. Porém, o carro tem apenas a capacidade de fazer pequenos voos, normalmente para ultrapassar os outros competidores ou saltar obstáculos. O carro também é munido de uma metralhadora que é usada ocasionalmente, geralmente para disparar pimenta. A Lata Escarlate venceu 3 vezes, ficou quatro vezes em segundo lugar e três em terceiro.



Carro n.º 5: Compact Pussycat/Gato Compacto, era a viatura da deslumbrante Penélope Pitstop, a única competidora feminina. O carro era basicamente um salão de beleza ambulante, cheio de máquinas que ajudavam a retocar a maquilhagem para que Penélope se mantivesse sempre no auge da sua beleza. Os outros corredores costumam ajudá-la por cavalheirismo. Penélope venceu 4 vezes, e ficou duas vezes em segundo e cinco em terceiro. O sucesso da personagem levou a que ela tivesse a sua própria série spin-off: "The Perils Of Penelope Pistop".



Carro n.º 6: Army Surplus Special/Carro de Assalto Alto, um híbrido de jipe e tanque militar, conduzido pelo Soldado Meekly e o Sargento Bombarda. O canhão do tanque é usado para dar mais propulsão ao veículo. Ganhou três vezes e ficou uma vez segundo.



Carro n.º 7: Bulletproof Bomb/Bomba À Prova de Bala, uma limusina conduzida pela Ant Hill Mob/ Quadrilha Maravilha, uma simpática quadrilha de sete anões gangsters, liderados por Clyde. Quando era preciso acelerar, a técnica principal da quadrilha era porem todos os pés no chão e correrem dentro do carro, como nos Flintstones. A Quadrilha Maravilha também apareceu em "The Peril of Penelope Pitstop" e venceu quatro vezes, ficando 5 vezes em segundo e duas em terceiro.



Carro n.º 8: Arkansas Chugbugg/Carroça Alentejana, uma geringonça de madeira conduzida pelo campónio Lazy Luke/Lucas e o seu companheiro urso Blubber Bear/Urso Piúrso. Lucas é tão preguiçoso que consegue conduzir apenas com um pé no volante. Este carro venceu quatro vezes, ficou em segundo lugar um vez e quatro vezes em terceiro.    



Carro n.º 9: Turbo Terrific/Turbo Terrível, conduzido por Pete Perfect/Pedro Perfeito. Apesar de parecer uma grande máquina, na verdade era uma viatura bastante frágil que se desmantelava por muito pouco. Mesmo assim, ganhou 4 corridas, ficou duas vezes em segunda e outras duas em terceiro. Pete Perfect também é notório por ter uma paixoneta por Penélope Pitstop.



Carro n.º 10: Buzzwagon/Põe-Ta-Pau, conduzido pelo portentoso Rufus Ruffcut/Rufus Lenhador, acompanhado pelo seu companheiro, o castor Sawtooth/Serra Dentuças. O carro é todo feito de lenha e tem serras como rodas que cortam tudo o que encontram pelo caminho. Ganhou três vezes, ficou seis vezes em segundo lugar e quatro em terceiro.




Carro n.º 00: The Mean Machine/Máquina Malvada, conduzida por aqueles que são os vilões, mas também as estrelas da série: o pérfido Dick Dastardly/Dick Detestável e o cão Muttley (com o seu inesquecível riso). A cada corrida Dastardly recorre sempre a meios sujos para ganhar e/ou livrar-se dos outros competidores, mas os seus planos saem sempre furados e muitas vezes nem terminava as corridas. Só cruzou a linha de meta cinco vezes e nunca conseguiu melhor que um quarto lugar. Embora obedeça fielmente a todas as ordens do seu dono, Muttley muitas vezes também regozija-se dos azares de Dastardly.

A popularidade das duas personagens levou a uma série spin-off: "Dastardly & Muttley and The Flying Machines" ou "Os Malucos das Máquinas Voadoras". A personagem Mumbly, um cão detective, que teve uma série com o seu nome, tem bastantes semelhanças com o Muttley.

Em Portugal, a série foi inicialmente exibida na versão legendada, mas uma versão dobrada surgiu nos anos 90, com as vozes de Carlos Freixo, Paulo B., António Montez, Rui Paulo e Paula Fonseca. E foi essa versão que foi editada em DVD. A série também já foi adaptada para diversos jogos de vídeo. Existe também um festival em Inglaterra onde são apresentadas réplicas em tamanho real dos carros da série.




terça-feira, 7 de junho de 2016

As Noivas de Copacabana (1992)

por Paulo Neto

Além das inevitáveis telenovelas, de vez em quando outras obras de ficção televisiva brasileira eram exibidas em Portugal. Foi o caso da série policial "As Noivas de Copacabana", estreada no Brasil em 1992 e exibida pela RTP em 1993, creio eu que às terças-feiras à noite na grelha de Verão. O seriado de 16 episódios era da autoria de Dias Gomes com realização de Roberto Farias e era inspirado num caso real.  



Aparentemente, Donato Menezes (Miguel Fallabella) parece um cidadão exemplar do bairro de Copacabana. É um conceituado restaurador de obras de arte, carinhoso para com a sua tia Eulália (Yara Lins) com quem vive e foi sempre uma figura materna para ele, tem uma grande amizade com Paulão (Ricardo Petraglia) e um sólido namoro com a bonita e simpática psicóloga Cinara (Patrícia Pilar). Aparentemente o seu único segredo será a sua impotência, que o impede de ter relações com a namorada. 

Mas na verdade, Donato Menezes é um serial killer que se dedica a matar mulheres vestidas de noiva para depois largar os cadáveres à porta de uma igreja. O ritual é sempre o mesmo: contacta as vítimas através de anúncios para venda de um vestido de noiva, ganha a confiança delas para seduzi-las e acaba por estrangulá-las em pleno acto sexual quando estão a usar o vestido. (É só assim que ele não tem impotência.) No entanto as vítimas são de vários quadrantes sociais, como por exemplo Maryrose (Patrícia Novaes), cantora de um clube nocturno, Marilene (Tássia Camargo), professora suburbana que ainda sofre pelo marido Amaury (João Camargo) tê-la trocado por outro homem, Fátima (Ana Beatriz Nogueira), filha de um pastor evangélico, e Kátia de Sá Montese (Christiane Thorloni), uma conhecida socialite carioca. 






O detective Jorge França (Reginaldo Faria) é encarregado do caso e aos poucos, vai juntando indícios que o conduzem até Donato. Entretanto, com o seu casamento com Mariana (Zézé Polessa) em crise, o detective envolve-se com Leiloca (Branca de Camargo), uma vendedora de artesanato na praia e amiga de Maryrose. Leiloca aceita colaborar na investigação servindo de isco para capturar Donato. 
No entanto, no seu julgamento, a família e amigos declaram a sua inocência, sobretudo Cinara que chega a cometer perjúrio, e Donato é ilibado por falta de provas.



A origem da psicopatia de Donato provém de há uns anos antes, quando a sua então noiva Helena (Lala Deheinzelin) lhe revelou que se apaixonara por outro e ele tentou matá-la quando estava a experimentar o vestido de noiva, tendo ela conseguido fugir. Ao saber do julgamento pelos jornais, Helena decide colaborar com a polícia para capturar Donato em flagrante, quando este está prestes a casar com Cinara. Helena surge diante do ex-noivo vestida de noiva e ele é capturado ao tentar matá-la outra vez. Donato é condenado em tribunal e enviado para uma instituição psiquiátrica. Porém a série acaba com Donato evadido do manicómio e de novo a contactar alguém sobre um anúncio de venda de um vestido de noiva. 

Do elenco da série também fizeram parte nomes como Hugo Caravana, Maria Gladys, Nelson Dantas, Chica Xavier, Marcelo Faria, Marieta Severo, Raúl Cortez, Milton Gonçalves, Lady Francisco e Ruy Resende.





Lembro-me de ter acompanhado a série e ficar na expectativa para saber quando é que apanhariam o assassino. Apesar de já o ter visto no papel do divertido homossexual Zé Maria em "Mico Preto", durante algum tempo achei Miguel Fallabella algo assustador devido ao seu papel nesta série e o da telenovela "Cara & Coroa". Mesmo quando mais tarde ele foi o impagável Caco Antibes em "Sai De Baixo", eu ainda me lembrava das cenas dele a estrangular a Christiane Torloni e as outras vítimas.



A série foi inspirada por um caso real: nos anos 80, o mecânico Heraldo Madureira assassinou várias mulheres vestidas de noiva que contactava através de anúncios de jornal e tal como o protagonista, foi condenado a cumprir pena num manicómio prisional do qual fugiu várias vezes.

Genérico:





Promo de estreia:




sábado, 4 de junho de 2016

"Heaven Is A Place On Earth" Belinda Carlisle (1988)

por Paulo Neto

Nos anos 80, no que dizia respeito a cantoras, Madonna era de longe a minha número 1, com apenas Tina Turner a aproximar-se razoavelmente. Mas em 1988, houve uma ruiva que ameaçou como nunca antes alguém conseguira o trono da loura material girl. E o seu nome era Belinda Carlisle e tudo graças a uma canção tão esmagadora que depressa se tornou um dos hinos do final da década.
Curiosamente, entre Madonna e Belinda existem alguns elos de ligação, a começar pelo facto que vieram a este mundo num espaço de menos de 48 horas: Belinda Carlisle nasceu a 17 de Agosto de 1958, precisamente um dia de depois de Madonna.



Belinda iniciou-se na música na cena punk de Hollywood e em 1978 formou as Go-Go's, uma das primeiras bandas rock femininas, que no início dos anos 80 alcançaram sucesso com hits como "Our Lips Are Sealed", "We Got The Beat" e "Vacation". Mas se aparentemente elas tinham imagem de meninas alegres e marotas, nos bastidores as Go-Go's tinham fama de grandes malucas, vivendo a máxima de sexo, drogas e rock & roll tão intensamente como as bandas de homens. (Existe mesmo um vídeo filmado num hotel em Atlanta onde se vê  Belinda Carlisle a forçar um fã embriagado a masturbar-se e a baixista Kathy Valentine a seviciar um roadie desmaiado.)



Após o fim das Go-Go's em 1985, um encontro com o futuro marido Morgan Mason, filho do actor James Mason, fez com que Belinda Carlisle deixasse as drogas e desse os primeiros passos numa bem sucedida carreira a solo. O primeiro disco a solo, "Belinda" teve algum sucesso na América do Norte, mas foi com o álbum seguinte "Heaven On Earth" que alcançou sucesso mundial, muito por culpa da épica faixa com título semelhante "Heaven Is A Place On Earth".



Escrita por Rick Nowels e Ellen Shipley, o tema arrancava com o refrão cantado quase em acapella: "Oooh baby, do you know what that's worth?/ Ooh heaven is a place on earth. /They say in heaven, love comes first,/ we'll make heaven a place on earth./ Ooh heaven is a place on earth." e terminava com o dito cujo numa obrigatória e apoteótica key change, com Belinda pelo meio a cantar os níveis celestiais provocados por uma nova paixão. Entre as vozes do coro estão Michelle Phillips dos The Mamas & The Papas e a célebre compositora Diane Warren.



E se a canção por si só já fazia tremendo impacto, o videoclip também era marcante. Realizado pela actriz Diane Keaton, a obra tinha tanto de romântica e fofinha como de dark e bizarra, alternando imagens de Belinda em demonstrações de afecto com o marido Morgan Mason e as de miúdos com máscaras e estranhas batinas segurando globos terrestres insufláveis.

"Heaven Is A Place On Earth" foi um sucesso mundial, atingindo o n.º 1 nos Estados Unidos, Reino Unido, Irlanda, Noruega, Nova Zelândia, Suécia, Suíça e África do Sul e foi nomeada para um Grammy.


O single seguinte "I Get Weak" era igualmente poderoso, cimentando a minha condição de fã de Belinda Carlisle. O videoclip também foi realizado por Diane Keaton e o bonitão pelo qual todo o mulherio do vídeo literalmente cai para o lado é o modelo Tony Ward, que também se fez notar em "Justify My Love" de Madonna. (Infelizmente o mais parecido que existe no Youtube é esta montagem com imagens do videoclip ao som de uma gravação ao vivo do tema.)







O terceiro single, "Circle In The Sand", seguia por outra linha, a da balada midtempo, mas rapidamente tornou-se uma das canções mais amadas do repertório de Belinda (ao ponto de por exemplo foi incluída no jogo "Grand Theft Auto V"). Tirando alguns detalhes, o respectivo videoclip ainda hoje parece algo que podia ser feito hoje. 




Depois de "Heaven On Earth", seguiram-se mais quatro álbuns de originais entre 1989 e 1996 e dois álbuns "best of". Mas desde então tem sido raro o material editado por Belinda Carlisle: além de uma breve reunião das Go-Go's em 2001, apenas editou em 2007 o álbum "Voilá" com standards da canção francesa, a que não é estranho o facto de ela e a sua família viverem entre os Estados Unidos e o sul de França desde 1994. No entanto, Belinda nunca deixou de dar concertos. Por exemplo em 2009 foi um dos cabeças de cartaz, juntamente com Kim Wilde e Rick Astley, de um festival de velhas glórias dos anos 80 que teve lugar no Pavilhão Atlântico. 
Belinda também é conhecida pelo seu activismo em favor do direito dos animais. 

Para terminar deixo mais três das minhas canções preferidas de Belinda Carlisle.

"Leave A Light On" (1989) do álbum "Runaway Horses"



"Live Your Life Be Free" (1991) do álbum do mesmo nome



"In Too Deep" (1996) do álbum "A Woman And A Man"


quarta-feira, 1 de junho de 2016

Miss Universo (2000-2004)

por Paulo Neto

Volta e meia, os textos da Enciclopédia sobre as beldades que foram Miss Universo nos anos 80 e anos 90 geram algum interesse por parte dos leitores. Por isso, e como o blogue já tem abordado temas do início do século XXI, porque não falar sobre as Miss Universo da primeira metade da década passada?
Esta foi a época onde os concursos de beleza deixaram de interessar em Portugal. Primeiro, a Miss Universo e outros certames deixaram de ser emitidos em canal aberto e a eleição da Miss Portugal tal como foi durante anos organizada terminou em 2002. Em 2004, a SIC organizou uma eleição de Miss Portugal em formato reality show, de título "Um Sonho De Mulher", onde por exemplo concorreram a apresentadora Andreia Rodrigues e a actriz Inês Simões, mas a eventual vencedora, a madeirense Marina Rodrigues (que viria a vencer em 2006 outro reality show, "A Bela E O Mestre") nunca chegou a participar na Miss Universo.

O top 5 da edição de 2000

Miss Rússia no desfile de fato de banho (2002)

O top 5 de 2003 à espera dos resultados finais
Estados Unidos ou Austrália? Quem ganharia em 2004?

No entanto no resto do mundo, os concursos de beleza nacionais e internacionais continuavam em força e com mais ou menos polémica (ou não fosse na altura propriedade de Donald Trump), a Miss Universo continuava a ser o beauty pageant mais importante do mundo.



Em 2000, a eleição da Miss Universo teve lugar na ilha de Chipre, onde Afrodite terá nascido, naquela que foi a apenas a segunda vez que o evento se realizou na Europa (a primeira foi em 1973 em Atenas). E a coroa foi parar pela segunda vez à cabeça de uma indiana, Lara Dutta
E como é apanágio das indianas, Lara fez-se valer tanto da sua beleza como do seu cérebro, não brilhando apenas em fato de banho e vestido de noite, mas sobretudo na parte da entrevista, onde teve a maior pontuação de sempre, e na pergunta final. 
Curiosamente, o seu caminho rumo à vitória foi semelhante ao da outra Miss Universo indiana, Sushmita Sen, que vencera seis anos antes. Ambas terminaram empatadas com outra candidata na respectiva eleição de Miss Índia, ambas venceram graças a uma pergunta de desempate e a adversária que bateram acabaria por vencer a Miss Mundo no mesmo ano e tornar-se muito conhecida internacionalmente. No caso da Lara Dutta, essa adversária foi Priyanka Chopra, a protagonista da série "Quântico". 
Lara também tornou-se actriz de sucesso, pois os pedidos vindos de Bollywood não tardaram a chegar, e desde 2014 é coordenadora da eleição da representante da Índia para a Miss Universo.



Em 2001, a porto-riquenha Denise Quiñones estava a jogar em casa e tornou-se a quarta Miss Universo da ilha de Porto Rico. Porém muitos acharam que ela foi demasiado favorecida pelo factor casa e que a vitória devia ter ido para a 1.ª Dama de Honor, a grega Evelina Papantoniou. A concorrente mais controversa foi a Miss França, Élodie Gossuin, sobre quem correram rumores de ser trans-sexual! Claro que era mentira, mas à custa da polémica, Élodie entrou no top 10 e mais tarde viria vencer a Miss Europa. Quem também entrou no top 10 foi a nigeriana Agbani Darego que seria Miss Mundo nesse ano. 
Denise Quiñones tornou-se actriz, tendo entrados em filmes, peças de teatro e série como "Smallville".



Porto Rico voltou a ser o cenário para a edição de 2002. Porém desta vez a candidata de casa ficou de fora. E o mesmo se passou com a Miss Estados Unidos, apenas a terceira vez que os States ficaram de fora! Mas pela primeira vez, uma candidata da China chegou ao top 10 e foi 2.ª Dama de Honor. A vencedora essa foi indiscutível, com a bela Oxana Fedorova da Rússia, uma polícia de São Petersburgo,  a dominar facilmente a competição. 
Porém após apenas quatro meses de reinado, Oxana tornou-se a primeira Miss Universo a abdicar do título por "incapacidade de cumprir os seus deveres". Oficialmente, ela explicou que queria concentrar-se nos seus estudos de Direito. Consta que essa decisão também foi provocada pela má experiência ao ser entrevistada por Howard Stern.  
Oxana viria a tornar-se uma figura importante do showbiz russo, como apresentadora de televisão e ocasionais incursões como actriz e cantora. Mesmo destronada, é considerada por muitos como a mais bonita Miss Universo de sempre.



Como tal, pela primeira vez na história do certame, a 1.ª Dama de Honor substituiu as funções da vencedora durante o resto do reinado. Justine Pasek tornou-se portanto não só a primeira Miss Universo do Panamá como a primeira Miss Universo a não ser coroada na cerimónia televisiva. 
Curiosamente, tal como Oxana, Justine tinha nascido na União Soviética, na cidade ucraniana de Kharkiv, filha de pai polaco e mãe panamiana. 
De referir ainda que a 3.ª Dama de Honor de 2002 foi a sul-africana luso-descendente Vanessa Carreira que dois anos antes foi uma das concorrentes a Miss Portugal. A representante portuguesa foi Iva Lamarão, que seria a última participante de Portugal na Miss Universo até 2011. 



Foi precisamente no Panamá, o país de Justine Pasek, que teve lugar a edição de 2003. Pela primeira vez em vários anos, o número de semifinalistas foi alargado de dez para quinze. Portugal esteve ausente mas a lusofonia ficou muito bem representada com as candidatas de Angola e Brasil a entrarem no top 15. A japonesa Miyako Miyazaki fez furor com o seu ousadíssimo "vestido" de noite mas a vitória foi para Amelia Vega, que assim trouxe a primeira coroa para a República Dominicana, que aos 18 anos foi uma das mais jovens Miss Universo de sempre.
Após o reinado, Amelia prosseguiu a sua carreira de modelo e também enveredou pela música, ou não fosse ela sobrinha de Juan Luis Guerra, o famoso cantor de "Burbujas De Amor". É casada desde 2011 com o jogador da NBA Al Horford de quem tem um filho. 



Quito, a capital do Equador, acolheu a edição de 2004. Uma grande surpresa foi o facto da Miss Venezuela não ter sido semifinalista pela primeira vez desde 1982, quando esta grande potência de misses nem sequer falhava o top 5 desde 1991! Quem também ficou de fora do top 15 foi a Miss Ucrânia, Oleksandra Nikolayenko, que era a preferida de Donald Trump. Este ficou tão irritado pela exclusão de Oleksandra que a partir daí, chamou a si o poder de decisão da escolha de algumas candidatas para o top 15. Também de fora ficou a Miss Israel que era nada menos que Gal Gadot, actualmente conhecida pelo seu papel de Wonder Woman em "Batman vs. Superman". 
Porém cedo ficou claro que a vitória seria decidida entre duas louras: a americana Shandi Finnessay, do estado do Missouri, que parecia ter tudo para ser a oitava Miss Universo dos Estados Unidos e a australiana Jennifer Hawkins, que não era das favoritas mas que acabou por conquistar tudo e todos com a sua beleza e simpatia. E no final foi mesmo Jennifer que conquistou a coroa, a segunda para a Austrália, após a vitória de Kerry Ann Wells em 1972. 
Jennifer Hawkins tornou-se rapidamente uma estrela no seu país, tendo uma muito bem sucedida carreira como modelo, empresário e apresentadora de televisão. E provando que ninguém é perfeito e que até uma Miss Universo não está livre de algumas situações embaraçosas, um vídeo onde Jennifer Hawkins vê a sua saia a cair em plena passerelle (revelando a tanga fio dental que tinha por baixo) durante um desfile de moda tornou-se viral. 


      

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Publicidade SIC (Maio 1993)

por Paulo Neto

Hoje regressamos a uma das nossas actividades preferidas aqui na Enciclopédia: analisar blocos publicitários de outros tempos e descobrir que tipo de anúncios (ou "reclames" como outrora era também comum dizer-se) e produtos passavam nas nossas televisões em determinada altura.


Desta feita, iremos esmiuçar blocos publicitários do dia 7 de Maio de 1993 na SIC, uma sexta-feira, nos intervalos da transmissão do filme "O Exterminador Implacável" (ou como eu dizia em petiz, o "exterminador impecável"). A SIC estava então apenas no oitavo mês de emissões e ainda a voar baixinho, mas já fazia por mostrar a Portugal que isto da televisão privada era todo um admirável mundo novo. Uma vez mais, foi o canal do YouTube Lusitania TV que desenterrou estes artefactos audiovisuais.





0:00 Excerto do filme
0:18 Anúncio ao telefilme "Chernobyl: O Aviso Final" (1991) baseado na tragédia da explosão da central nuclear de Chernobyl na Ucrânia soviética em 1986. Jon Voight é o protagonista no papel do Dr. Robert Gale, o médico americano que liderou um equipa internacional de assistência médica aos sobreviventes da catástrofe.
0:48 Um muito estiloso anúncio aos electrodomésticos Whirlpool, onde cada electrodoméstico é representado por uma modelo elaboradamente vestida e maquilhada. Acho sobretudo piada à modelo que representa a máquina de lavar a loiça a praticar esgrima imaginária.
1:18 O testemunho de Fátima Pereira, empregada numa perfumaria, quando à sua utilização do sabonete Dove, então uma marca ainda relativamente recente por cá. E agora todas as suas colegas também querem experimentar!
1:48 Um spot teaser com a inscrição "Terras Do Cante". Não, o senhor que se ouve no anúncio não está com dores.
1:57 Uma tímida laranja entra em palco e pouco depois surge também um rebuçado Halls Vitamina C com sabor a laranja, com a famosa marca de rebuçados peitorais a expandir-se para outros paladares.
2:16 Um anúncio onde se repete as frases "Feliz por dentro, feliz por fora" com imagens alternadas de grandes planos de bocas a ingerirem uma colherada de iogurte e de mulheres sorridentes e que aparentemente estão em topless. Tudo isto para promover o Bio Danone, o primeiro iogurte em Portugal com os famosos bifidus activos.
2:37 Nos primórdios das suas emissões, havia estes pequenos spots onde se indicavam as rádios locais que divulgavam a promoção da SIC. Neste caso, a Radioeste Torres Vedras
2:42 A voz inconfundível de Ana Zanatti neste anúncio ao creme anti-envelhecimento Sinergie Bio Contour.
3:12 Se já há vários anos a BBC é a fornecedora da SIC no que diz respeito a documentários, no início das emissões da estação, essa faixa da programação estava a cargo da National Geographic...
3:22 ... que tinha o patrocínio do célebre dentífrico Dentagard, seguindo-se depois um dos anúncios com o castor animado mascote da marca que neste anúncio conversa com um campista em boxers. Esta marca de pasta de dentes (que era uma entre as várias com que me "mimavam" na escola quando pretendiam gozar com a minha dentuça) tinha como imagem de marca ter na sua fórmula extractos de plantas (camomila, hortelã, salva e mirra). Agora que penso nisso, e apesar de ainda se verem pastas da marca nas lojas, já há muito que não se vêem anúncios ao Dentagard, pois não? 
3:51 Um engraçado e bem pensado anúncio do Volkswagen Golf: uma senhora elegantemente vestida sai de um edifício e é saudada por muita gente que espera por ela no exterior, como se ela fosse uma noiva recém-casada. Mas quando ela entra no carro e deita fora a aliança, percebe-se que afinal trata-se de uma recém-divorciada, confirmado pelo cartaz de "Just Divorced" que surge na traseira do veículo. A música do anúncio é "Young At Heart" da banda escocesa The Bluebells. Por causa do anúncio, esta canção de 1984 foi reeditada e chegou ao primeiro lugar do top britânico nesse ano de 1993.  
4:23 Mais um bocadinho do filme.




0:00 Mais um excerto do "Terminator" com a aparição de Linda Hamilton.
0:09 Promoção ao filme "Curto Circuito" a ser transmitido na SIC no dia seguinte. Trata-se de uma comédia de acção e ficção científica de 1986, realizado por John Badham com dois actores ícones dos anos 80, Steve Guttenberg e Ally Sheddy, sobre um simpático robot que ganha características humanas após ser atingido por um raio. O filme teve uma sequela em 1988. Como referi no texto sobre o filme "Dirty Dancing", este foi um dos dois filmes que eu e a minha turma do 7.º ano no autocarro durante uma visita de estudo. 
0:32 Provavelmente o primeiro anúncio televisivo português a linhas eróticas, que primava pela simplicidade e subtileza (acho que só o do bordão "Me liga, vai!" terá sido mais celebrizado). Com o Telefone Vermelho, os seus indicativos para Lisboa e Porto ou para o resto do país e o seu número facílimo de decorar, era possível ouvir "histórias eróticas para adultos" pela módica quantia de 167 escudos (84 cêntimos) por minuto. 
0:59 Um anúncio às colorações Expression da Garnier, com todos os ingredientes dos anúncios típicos dos produtos capilares do início dos anos 90: música animada, roupas coloridas, cenários estilosos e três bonitas manequins, cada uma com uma diferente cor de cabelo, como não podia deixar de ser. De referir que este também é um dos anúncios da playlist oficial da Enciclopédia TV acervada pelo David Martins. Para ver mais, é clicar aqui.    
1:30 Alguns anos antes da lendária "Conversa da Treta", o saudoso António Feio e José Pedro Gomes uniam forças para um espectáculo: INOX-Take 5, no auditório da Junta de Freguesia de Benfica.
1:41 Uma apetecível maçã ilustra o anúncio ao Grande Jogo de de "A Capital", em que havia prémios de semanais de 1000 contos (5000 euros), prémios diários de 20 mil escudos (100 euros) e - como não podia deixar de ser - havia um automóvel como prémio final. Naqueles tempos, não havia empresa que não sorteasse automóveis. Fundado em 1969, "A Capital" foi durante anos a fio o principal jornal vespertino do país, até à descontinuação da sua publicação em 2005. 
2:01 Está resolvido o mistério do spot teaser do primeiro bloco: trata-se de uma promoção ao evento Maio Florido, que se realizou entre 15 e 23 de Maio de 1993 na Cuba alentejana e que terá sido uma mostra cultural onde o cante alentejano, mais de vinte anos anos antes de se tornar património imaterial da humanidade, teve lugar de destaque.
2:10 Em 1993, o Cascais Shopping comemorava o seu 2.º aniversário e este célebre o centro comercial, onde era possível ganhar 2000 contos (10 mil euros) em prémios por cada 2000 escudos (10 euros) de compras
2:24 Com Portugal a descobrir os desportos radicais (aos quais a SIC celebremente promoveu no "Portugal Radical"), multiplicavam-se os eventos desta natureza um pouco por todo o país, como é o caso deste Challengers Trophy, que nesse ano teria lugar na região de Idanha-A-Nova. 
2:47 Como se não bastasse o impacto causado pelo "Água Na Boca" logo na grelha inicial, a SIC avançou desde Fevereiro de 1993 com o espaço "Playboy" nas noites de sexta-feira, do qual vemos esta vistosa promo, onde eram exibidos vários conteúdos televisivos produzidos pela revista fundada por Hugh Heffner. Decididamente, era um admirável mundo novo que surgia na televisão nacional.  
3:17 "Playboy" tinha o patrocínio do whisky Ballantines, seguindo-se um anúncio onde no mesmo cenário de um bar diversas pessoas de várias nacionalidades surgiam via morphing. A parte mais engraçada é aquela em que um inglês está prestes a beijar uma francesa e esta transforma-se num mexicano com ar de poucos amigos. 
3:53 Mais um breve excerto do filme. 





0:00 Depois de Dentagard, eis um anúncio a mais uma alcunha que me chamavam na escola marca de pasta de dentes, a incontornável Pepsodent. Volta e meia, esta marca surgia com mais uma variante no mercado e outro anúncio protagonizado por um homem com uma bata de laboratório. (Porque se há alguém em que os consumidores acreditam é em pessoas com uma bata de laboratório, certo?) Neste caso, era o Pepsodent Ultra com a sua tripla acção de combate à cárie, redução do tártaro e protecção das gengivas. 
0:22 Na altura, a Fundação Calouste Gulbenkian organizava um ciclo de espectáculos denominado Grandes Orquestras Mundiais. Desta feita, com a Orquestra Filarmónica de Monte Carlo, dirigida pelo maestro Manuel Cravinho na Aula Magna. 
0:31 Novamente um anúncio com locução de Ana Zanatti, desta vez aos gelados Carte D'Or, um produto já há muito tempo presente no nosso mercado mas ainda uma marca relativamente recente na altura. O anúncio mostra uma festa onde a anfitriã faz sucesso ao apresentar taças de gelados servidas por três pessoas com trajes exóticos.  
1:00 Nesse mês, uma curiosa exposição estava patente no Convento dos Cardais, com obras de escultura para invisuais da autoria de Sérgio Taborda. E como tal, grande parte do anúncio é exibida em ecrã negro. Seria decerto uma exposição onde as esculturas poderiam ser apreciadas pelo tacto, e para estimular o sentido da audição, havia música ao vivo. 
1:33 Um dos famosos anúncios às pizzas Marco Bellini que se passavam num típico restaurante italiano, onde todas as personagens falam em "portugaliano": os cozinheiros que discutem sobre qual é o segredo do Marco Bellini, a morena que serve às mesas e toca impacientemente à campainha e a "mamma" que diz que tudo está "multo buono".
2:05 Três donas de casa acérrimas defensoras do Skip aceitam relutantemente lavar a roupa com um detergente mistério que obtém ainda melhor resultados. Mas eis que se trata de um novo Skip com uma nova fórmula, confiantemente rotulado de "o melhor de sempre" (e uma vez mais, se é um homem de bata de laboratório que o diz, é porque dever ser). 
2:49 Promo ao magazine de artes do espectáculo da SIC, Grandes Planos, onde se pode ouvir dois temas que fizeram sucesso nesse ano de 1993, "Cats In The Cradle" dos Ugly Kid Joe e "Two Princes" dos Spin Doctors e imagens de filmes como "Instinto Fatal", "O Meu Primeiro Beijo" e "Os Commitments". 
3:18 E por fim, eis uma cena do "Extreminador Implacável" com o "terminator" himself, Arnold Schwarzenegger.

Além destes blocos, o mesmo canal disponibilizou alguns vídeos isolados de alguns anúncios com a mesma data. Eis três deles que vale a pena destacar:





Em mais um sinal de que em Portugal, as coisas tardam mas não faltam em chegar cá, foi já nos anos 90 que houve uma adaptação tuga da campanha do Pepsi Challenge, uma manobra de marketing levada à cabo pela Pepsi desde 1975, na qual consumidores, nomeadamente alguns apreciadores de Coca-Cola uma marca concorrente, provam ao acaso duas bebidas e maioria escolhia Pepsi. (Há relatos de alguma batota nesses desafios, como servir o copo com Pepsi fresca e o da marca concorrente à temperatura ambiente. )
Neste anúncio, o jogador de râguebi João Jonet (cunhado de Isabel Jonet e futuro pai do comentador político João Maria Jonet) tem uma reacção incrédula quando descobre que preferiu Pepsi. 





Outro anúncio inesquecível, este ao Game Boy da Nintendo, sobre o slogan "Onde jogas com o teu?" e um desfile de várias imagens onde é visto alguém a jogar ou a pegar num Game Boy, a pioneira das consolas portáteis, nas mais inusitadas situações.


Para terminar, um animado anúncio à marca de roupa interior Sloggi que na altura oferecia prémios aos seus compradores.   




quinta-feira, 26 de maio de 2016

Vitinho - 30 Grandes Êxitos

Há uns meses comemorávamos aqui na Enciclopédia de Cromos o 30º Aniversário do querido Vitinho, criado por José Maria Pimentel no inicio de 1986. Estava prometida uma surpresa para assinalar o ano da terceira década de Vitinho, e eis que finalmente ela é revelada: uma compilação de música que marcou a "Geração Vitinho", criados nos anos 80 e 90.



"Vitinho – 30 Grandes Êxitos" é o nome do disco e "é uma dupla colectânea que inclui os maiores êxitos de vários intérpretes e grupos musicais da chamada «Geração Vitinho». Este disco marca também o regresso ao universo infantil do mais famoso personagem de desenhos animados da televisão portuguesa – o Vitinho – e apresenta às novas gerações os grandes sucessos infanto-juvenis da década de 1980 e da década de 1990.
No ano em se celebra o 30º aniversário da primeira transmissão da série "Boa noite, Vitinho!" na RTP, a Sony Music Portugal uniu-se ao Clube Vitinho para recordar os grandes êxitos musicais dos Onda Choc, das Popeline, dos Jovens Cantores de Lisboa, da Ana Faria e dos Queijinhos Frescos, dos Trapalhões, da Ana Malhoa no Super Buéréré, entre muitos outros." como nos conta o texto da FNAC, onde e possível adquiri-lo em pré-venda e com um belo desconto! "Vitinho – 30 Grandes Êxitos" 2CDs FNAC.

A listagem das faixas é a seguinte:

Volume 1
  1.  Ele é o Rei - Onda Choc
  2. Vais Pedir-me p'ra Namorar - Onda Choc
  3. Estou Apaixonada - Onda Choc
  4. A Bamba - Onda Choc
  5. Bikini Pequenino às Bolinhas Amarelas - Onda Choc
  6. Tanto me Dá! - Onda Choc
  7. Cabecinha no Ombro - Onda Choc
  8.  Lambada - Onda Choc
  9. Ela só quer, só Pensa em Namorar - Onda Choc
  10. Ir até Cascais - Onda Choc
  11. Canta! - Onda Choc
  12. Sinto Saúdade - Onda Choc
  13. Confia em Mim - Onda Choc
  14. Comboio sem Volta - Onda Choc
  15. Não te Esqueças da Nossa Voz - Onda Choc

Volume 2
  1. Uni-Duni-Tê - Onda Choc e Os Trapalhões
  2. Anjo Trapalhão - Bárbara Barradas
  3. Começar no A - Ana Malhoa e o Coro Infantil do Super Buéréré
  4. O Amor é Vida - Ana Malhoa e o Coro Infantil do Super Buéréré
  5. A Bailarina - Ana Malhoa e o Coro Infantil do Super Buéréré
  6. Parque de Diversão - Ana Malhoa e o Coro Infantil do Super Buéréré
  7. Madalena - Popeline 
  8. Ob-la-di, Ob-la-dá - Popeline 
  9. Entra na DAnça! - Popeline 
  10. Conquistador - Jovens Cantores de Lisboa
  11. Onde tás, ó Zéi? - Ana Faria e os Queijinhos Frescos
  12. O Luís (já foi a Paris) - Ana Faria e Pedro
  13. Se Fores no meu carro - Ultimatum
  14. Parabéns a Você - António Sala e Miguel Sala
  15. Todos Juntos - Margarida Reis e Popeline

Não inclui as canções do "Boa Noite Vitinho!" que - segundo informação oficial recebida pela Enciclopédia - serão editados brevemente no 2º álbum da colecção! Podem esperá-lo antes do final de 2016, bem como outros dois álbuns posteriormente. Esta colecção de 4 álbuns fará as delícias tanto da pequenada já nos trintas, como da geração actual!



Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos"Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr".

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Anúncio da Calvin Klein com Tom Hintnaus (1982)

por Paulo Neto

Nas suas campanhas publicitárias, a Calvin Klein desde cedo pautava-se pelas suas inovações e transgressões, como por exemplo nos anúncios com uma lindíssima e ainda proibitivamente jovem Brooke Shields em poses sensuais, a ronronar frases como: "Nothing comes between me and my Calvins".

E em 1982, uma fotografia tirada na ilha grega de Santorini pelo fotógrafo Bruce Webber para uma nova campanha mudaria o modo como o mundo veria a roupa interior masculina.
A foto mostrava um modelo encostado a uma chaminé branca, vestindo apenas umas cuecas brancas, de olhos fechados como que a sentir o calor do sol mediterrânico no seu corpanzil bronzeado. Além do bronze do corpo do modelo e do branco da chaminé e das cuecas, a outra cor em destaque é o profundo azul cobalto do céu. 



Dos outdoors gigantes em Times Square, às páginas de revistas e às montras das lojas, essa foto espalhou-se pela América e alterou duas ideias estabelecidas.
Uma delas foi a reinvenção da roupa interior masculina, até então sempre vista como um produto baratusco que se comprava aos packs, num objecto de luxo e status. Nos anos 80, em plena era de consumismo desenfreado, onde mais do que nunca, o status de alguém passava pelos produtos que se tinha e pelas marcas que se usava. E não tardou que um par de cuecas Calvin Klein fosse um desses must-haves para os americanos dos anos 80, ainda que um par custasse tanto ou mais que um pack de meia-dúzia de cuecas normais. 
Por exemplo, em "The 80's: The Decade That Made Us", a excelente série documental da National Geographic sobre os anos 80, Naomi Campbell conta que quando começou a trabalhar como manequim em Nova Iorque, se havia coisa que os seus amigos em Londres pediam que ela lhes trouxesse de lá, eram cuecas Calvin Klein. E as ditas cujas acabariam por ser enraizadas na cultura pop no filme "Regresso Ao Futuro", quando a personagem de Michael J. Fox viaja ao passado e é acolhido pela família da sua mãe enquanto jovem e esta parte do princípio que ele se chama Calvin Klein porque era o que estava escrito nas cuecas que ele usava.






A outra subversão provocada por essa fotografia foi a forma como pela primeira vez, pelo menos de forma tão mainstream, uma publicidade apresentava um homem como objecto de desejo sexual. O mundo da publicidade já há muito sabia da máxima "sex sells" e já era habitual haver campanhas que apostavam fortemente na sexualização das manequins intervenientes para vender fosse o que fosse. Mas essa campanha da Calvin Klein provou que a máxima também se aplicava revertendo os papéis, colocando um manequim masculino no lugar central, causando desejo nas mulheres e inveja nos homens. E escusado será dizer, além do status, havia também o factor sexual envolvido no objectivo de incitar a vontade de se ter umas cuecas Calvin Klein. Além disso, com o boom dos ginásios e do culto do corpo a ocorrer na mesma altura, ficou claro que para os homens, o sucesso já não passava somente pelo campo profissional mas também na manutenção de um bom aspecto físico.
A partir daí, o tabu da sexualização do homem na publicidade ruiu de vez e surgiram cada vez mais campanhas e anúncio publicitários onde a fasquia da masculinidade era elevada a alturas inacessíveis. Além de que a estética da fotografia foi alvo de várias reinterpretações para outras campanhas e produtos, como por exemplo nos anúncios aos bronzeadores Piz Buin. 

Mas quem era afinal o Adónis bronzeado da fotografia? O seu nome é Tom Hintnaus. E a sua história de vida não podia ser mais interessante.
Hintnaus era filho de dois cidadãos checos que decidiram escapar à opressão que começava fazer-se notar cada vez mais no sistema comunista, sobretudo pela rédea curta da União Soviética sobre as suas nações-satélite. Aproveitando o facto de ainda não haver muro de Berlim, Lubomir e Marianne Hintnaus conseguiram chegar à Alemanha Ocidental, pretendendo emigrar para os Estados Unidos. Mas na impossibilidade de viajarem directamente para os States, acabaram por ir para o Brasil. E foi aí que nasceu o seu filho Tomás Valdemar, a 15 de Fevereiro de 1958. Dois anos mais tarde, a família mudou-se finalmente para a América, assentando arraiais na Califórnia. 
Foi aí que Tom Hintnaus desenvolveu aptidão para o desporto, acabando por se especializar no salto à vara. Em 1980, o seu progresso era tal que com 22 anos, parecia ter lugar indiscutível na equipa dos Estados Unidos nos Jogos Olímpicos de Moscovo. Só que ele seria um dos muitos atletas que viram os seus sonhos olímpicos destruídos pelo boicote liderado pelos Estados Unidos aos Jogos da capital soviética, em protesto contra à invasão de tropas da URSS no Afeganistão. Não obstante, Hintnaus prosperou nesse ano, sagrando-se campeão nacional do salto à vara e vencendo a mesma prova no Liberty Bell Classic, uma competição de atletismo para atletas dos países que boicotaram os Jogos Olímpicos de Moscovo que teve lugar em Filadélfia. 



Os sonhos olímpicos de Tom Hintnaus tiveram de ser adiados por mais quatro anos, mas para financiar a sua preparação, foi aceitando alguns trabalhos como manequim. E foi um desses trabalhos que o levou até à Grécia e à fotografia que lhe trouxe mais fama do que uma medalha olímpica provavelmente traria. 

Se na foto, parecia ser o homem mais confiante do mundo, no já referido documentário da National Geographic, Hintnaus admitiu que não podia estar mais nervoso na altura. Ele confessou que quando viu um modelo sueco de longo cabelo louro com aquelas cuecas vestidas, o seu primeiro pensamento foi "Ainda bem que não sou eu!". Mas logo no instante seguinte, Bruce Webber decidiu que a foto resultaria melhor com um manequim moreno e ordenou que fosse Tom Hintnaus a vestir as ditas cuecas. Webber deitou-se todo no chão para conseguir o ângulo contrapicado da fotografia e o resto foi história.     

Mas apesar de todo o furor causado pela foto que protagonizou, Tom Hintnaus deu prioridade à sua carreira como atleta. Em 1983, optou por representar o Brasil, seu país de nascença, e foi de verde e amarelo que nesse ano foi quinto nos campeonatos do Mundo e ganhou a medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos. E foi pelo Brasil que por fim competiu nos Jogos Olímpicos de Los Angeles em 1984, onde teve a infelicidade de não conseguir nenhum salto válido na final. No ano seguinte, em Zurique, Hintnaus fez a sua melhor marca pessoal, 5,76m, que permaneceu durante 22 anos como recorde sul-americano. 

Tom Hintnaus em 2007

Actualmente Hintnaus reside no Hawaii, onde está ligado à direcção desportiva e ainda compete no circuito de veteranos. Participou também num episódio da série "Hawaii Five-0". 



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