sábado, 10 de outubro de 2015

Futebol 84 (1983) Caderneta de Cromos


Mais uma das omnipresentes cadernetas de cromos da nossa infância, com talvez o tema mais popular nesse meio: os cromos do futebol. Este "Futebol 84", editado pela Disvenda, era dedicada aos plantéis do campeonato da época 83/84, "já com a última transferência". A colecção consistia em 192 cromos, que nesta altura ainda teriam que ser colados com ... cola.
A capa que protagoniza este anúncio é quase uma réplica a 100% da capa da própria caderneta:
Foto: Colagem de imagens recolhidas na Internet.


Publicidade retirada da revista Pato Donald Nº 65, de 1983. 

Uploader original desconhecido. Imagem Editada e Recuperada por Enciclopédia de Cromos.

Caro leitor, pode falar connosco nos comentários do artigo, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos"Visite-nos também no "Tumblr - Enciclopédia de Cromos".

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Saúl Ricardo "O Bacalhau Quer Alho" (1996)

por Paulo Neto

Agora que é presença regular na televisão devido à sua participação em "A Quinta", nada como recordar os tempos em que o pequeno Saúl Ricardo era a estrela infantil mais badalada em Portugal depois da Maria Armanda.



Saúl Ricardo dos Santos Noronha nasceu a 18 de Agosto de 1987 na Figueira de Foz. Em 1995, quando ainda não completara oito anos, participou no "Big Show SIC", surgindo como um mini Quim Barreiros a cantar "O Mestre da Culinária", deixando toda a gente em estúdio espantada com a actuação. Inês Santos, a vencedora do Chuva de Estrelas que nesse programa era a júri convidada, definiu na perfeição o que todos acharam: "O Quim Barreiros encolheu, foi à máquina de lavar."





Tal foi impacto causado por aquele micro-talento que rapidamente surgiram propostas para um contrato discográfico. E em 1996, surgia o seu primeiro álbum cuja faixa-título seria o seu grande hit, "O Bacalhau Quer Alho".





O sucesso do disco não se fez esperar e pouco depois já não havia quem neste país não tivesse trauteado o refrão: "O bacalhau quer alho / É o melhor tempo / Quem comer alho / Fica rijo como um pêro". E sabem quem é que escreveu este magnífico opus? Os irmãos António e Filipa Lemos que mais tarde ganhariam notoriedade como parte dos Santamaria. Antes dos Santamaria, os irmãos Lemos ganhavam a vida actuando como o duo Tony Lemos & Marlene, mas sobretudo compondo canções para os artistas da facção pimba da editora Vidisco (algo que após o sucesso dos Santamaria, eles compreensivelmente quiseram manter em discrição). Eu sei disso porque certa vez, acho que na festa de anos de alguém, vi a cassete do primeiro álbum do Saúl e a maioria dos temas eram da autoria dos dois manos. E, como se impunha, dois temas eram da autoria do Quim Barreiros himself.

"Dona Tila" no Big Show SIC (1997):



Seguiram-se três anos de grande sucesso e uma carregadíssima agenda de espectáculos por todo o Portugal e também no estrangeiro. E foram-se somando hits como "Cozinhar É Comigo" (mais conhecido como "cozinho eu p'ra mim"), "Os Pitos", "Dona Tila", "Espeto Um Prego" ou "As Bolas De Snooker". Em 2000, tentou-se uma ligeira mudança de repertório com "Gosto De Ti À Brava" mas o disco não teve tanto sucesso. Foi a partir daí que começou a circular o boato de que Saúl teria morrido num acidente de viação, ou algo assim. Mas não só continuava vivinho da Silva como continuou a lançar um álbum por ano entre 2002 e 2005. 

Foi então que quando completou 18 anos, Saúl descobriu que os seus pais desbarataram todo o dinheiro que havia ganho desde criança. Foram tempos conturbados em que fez de tudo para sobreviver e onde o próprio admitiu ter tido pensamentos suicidas. Mas quando tudo parecia perdido, surgiram dois apoios que o fizeram persistir na adversidade: a namorada Marisa (actualmente sua esposa) e o público que afinal nunca o esquecera e que gradualmente foi acorrendo de novo aos seus concertos. Talvez porque se há coisa que o povo gosta mais do que cantigas sobre bacalhau, são histórias de ídolos caídos que voltam erguer-se.





Actualmente com 28 anos, Saúl Ricardo vive actualmente um renascimento da sua carreira, reconstruída pelo seu próprio pulso. Mesmo sem o fulgor dos outros tempos tal como sucede com outros artistas (a perfect storm da música pimba dos anos 90 é irrepetível), continua a actuar por todo o país, cantando os temas brejeiros com trocadilhos que são a sua marca (cada um é para o que nasce) como o hit-single de 2011 "A Fábrica Da Chouriça" e a marcar presença na televisão, não só nos típicos programas 760 de fim-de-semana das estações generalistas, mas também em "Som de Cristal" e agora em "A Quinta". Saúl pode continuar pequeno mas fez-se um homem.

Excerto do Perdidos & Achados sobre Saúl Ricardo (2011):

     

terça-feira, 6 de outubro de 2015

O DOT (2000)

por Paulo Neto

Um dos principais acontecimentos televisivos do ano 2000 não se deveu a nenhum programa mas sim a uma engenhosa estratégia na guerra das audiências, envolvendo um objecto autocolante, uma personagem fofinha e aldrabice q.b. Falo, é claro do DOT, com o qual a SIC tentava impor-se na guerra das audiências nesse ano. Não me recordo em que altura do ano 2000 é que a DOTmania teve lugar, pela informação que consegui apurar terá havido uma primeira fase durante o primeiro semestre do ano, e depois uma segunda fase lá mais para o final do ano para tentar contrariar o boom do primeiro Big Brother português que ditaria o princípio do fim do domínio da estação de Carnaxide.





Mas o que era afinal o DOT? Era uma rodela de cartão com uma película no centro com uma superfície autocolante que podia ser obtido na compra de um Menu no McDonald's, no abastecimento nos postos da BP, em compras no Modelo e na Worten e na aquisição da revista TVMais e que se destinava a ser-se colado no canto direito do televisor no início de alguns programas da SIC, surgindo no ecrã uma silhueta a indicar o sítio certo, e que assim deveria permanecer até ao final do programa, mesmo nos intervalos, pelo que durante esse tempo não se podia mudar de canal ou desligar o televisor, sob pena de quebrar o quer que fosse o trabalho que a coisa fazia. Depois era juntar o cupão em anexo, enviar pelo correio ou deixar em algum dos recipientes nos McDonald's, na BP, no Continente ou na Worten que lá haviam para o efeito para se habilitar a ganhar um de entre um variado conjunto de prémios.



Segundo este artigo do "Público", esta iniciativa foi patenteada por uma empresa holandesa e começou, alegadamente com enorme sucesso, na Hungria, e Portugal era o segundo país a implementá-la. Supostamente o DOT gravava um "código a cores" durante a emissão do programa e só aqueles correctamente activados é que seriam elegíveis para ganhar os prémios (automóveis, televisores, aparelhagens, scooters, consolas de jogos, viagens à Disneyland Paris, vales de 50 contos/250 euros em combustível grátis...). A apresentação da extracção dos prémios principais esteve a cargo de Ana Marques no segmento "A Família DOT".

Em Portugal, o DOT teve uma inesquecível campanha na SIC protagonizada por um boneco animado com a forma do aparelho e voz de José Carlos Malato e que tinha o slogan "Adopte um DOT".







Eu admito: colei um DOT duas vezes na nossa televisão da cozinha durante a emissão de "Negócio Fechado", um concurso efémero apresentado por Henrique Mendes, que creio ter depois depositado num recipiente no McDonald's da Praça da República em Coimbra, onde eu estudava na altura. E não, não pensei muito em por que raio aquilo saberia se eu tinha visto o programa até ao fim sem nunca ter mudado de canal. Era mais novo e ingénuo. Don't judge me! E o certo é que ainda houve muitos portugueses a concorrer. 

No entanto, com o passar do tempo, começaram a surgir as suspeitas de que a alegada tecnologia do DOT era uma fraude. Na internet, descobri alguns relatos de quem decidiu abrir os DOTs após o fim da campanha e descobriu que eram apenas feitos de cartão e não tinham nenhum dispositivo lá dentro. Encontrei também no YouTube um testemunho que afirma ter mudado de canal com o DOT colado e mesmo assim acabou por ganhar uma aparelhagem. 

Actualmente a opinião geral é que o DOT não passou de uma manobra de fidelização de audiências televisivas e das marcas envolvidas, cuja eficácia foi possível num tempo onde a televisão generalista ainda era o principal meio de comunicação e a internet ainda não estava muito disseminada em Portugal. 

Além da inesquecível campanha, o DOT também proporcionou vários e divertidos sketches em "O Programa Da Maria", sendo que o mais famoso era aquele em que Nuno Lopes encarnava o Marco do Big Brother a dar pontapés no DOT que estava ao seu lado. (Aos 11:18)






Eis aqui outro sktech, com a participação de Fernanda Serrano.



Entretanto o leitor do blogue Guilherme Fontes publicou na página do Facebook da Enciclopédia de Cromos um anúncio australiano da campanha do DOT naquele país também no ano 2000, utilizada por um canal para fazer frente à estação que transmitia os Jogos Olímpicos de Sydney. 





sábado, 3 de outubro de 2015

José Vilhena [1927-2015]


Faleceu a 3 de Outubro de 2015 - com 88 anos (7 de Julho de 1927 - José Vilhena (José Alfredo Vilhena Rodrigues) o cartoonista , escritor e pintor português que conseguiu incomodar muita gente, satirizando as figuras da  sociedade, antes e depois da revolução de Abril, sendo preso 3 vezes pela PIDE e alvo de vários processos em tribunal já em democracia. Tantas décadas depois, o seu estilo característico permite que um breve olhar do mais leigo identifique qualquer peça da sua vasta obra de livros, revistas e cartoons.

Um site com mais informação sobre o artista: “O Incorrigível e Manhoso Vilhena”.

Uma entrevista de 1996 no programa "Acontece" de Carlos Pinto Coelho, uma conversa de José Vilhena com Rui Zink: Entrevista a José Vilhena .

 
Notícias sobre o falecimento:

Caderneta de Cromos Nº 1038 - Dedicado a José Vilhena e sua obra [Download/Ouvir Mp3]



Publicado originalmente: Enciclopédia de Cromos - Tumblr "José Vilhena [1927-2015]".

Sonho Meu (1993-94)

por Paulo Neto


É uma espécie de tradição aqui no blogue falar de programas da SIC em cada mês de Outubro e este ano não vai ser excepção.



Em 1994, já dominando o primetime onde pontificavam as novelas da rede Globo, como "Mulheres De Areia" e "A Viagem", a estação de Carnaxide virava agora as agulhas para o horário do fim da tarde e a primeira telenovela exibida na SIC nesse horário foi "Sonho Meu", estreada em 1993 no Brasil. A telenovela, da autoria de Marcílio Moraes, tinha a particularidade de ser das raras telenovelas urbanas cuja acção se passava numa cidade que não Rio de Janeiro ou São Paulo, mas sim em Curitiba. Mas o seu maior apelo é que era protagonizada por uma criança, Carolina Pavanelli, que com seis anos comoveu brasilseiros e portugueses no papel de Maria Carolina.


A novela também era uma espécie de remake mash-up de duas telenovelas da década de 60 e 70: "A Pequena Orfã" sobre a amizade entre uma menina orfã e um bondoso velhote e "Ídolo de Pano" onde dois irmãos disputavam a mesma mulher, prestando homenagem ao autor de ambas, Teixeira Filho.

Carolina e Tiozé

Maria Carolina é uma menina que se vê no meio de um terrível drama familiar: a sua mãe Cláudia (Patrícia França) foge do Rio de Janeiro para Curitiba para fugir ao violento marido Geraldo (José de Abreu) que reaparece depois de algum tempo desaparecido. Entretanto Carolina fica à guarda da sua tia Elisa (Nívea Maria), uma mulher pérfida e interesseira, que a deixa num orfanato. Mas à primeira oportunidade, Carolina foge e acaba por ir parar à vila Jardim De Flores onde é acolhida pelo Sr. Mazgursky, conhecido como Tiozé (Elias Gleiser) um bondoso velhote, imigrante polaco, que lhe dá a alcunha de Lalesca. E é com esse nome que Carolina passa a ser conhecida no bairro, onde acaba por conquistar os corações de toda a gente. Mas apesar deste novo lar, Carolina guarda sempre o sonho de um dia se reencontrar com a mãe.

Lucas, Cláudia e Jorge


Paula e Jorge


Entretanto, Cláudia vê-se no meio de um centro de um conflito familiar quando é disputada por irmãos, Lucas (Leonardo Vieira) e Jorge (Fábio Assunção). Os dois são netos de Paula Candeias de Sá (Beatriz Segall), uma senhora autoritária mas generosa, dona de uma empresa produtora de brinquedos que vê em Lucas o seu herdeiro do negócio e que se orgulha da carreira de Jorge como médico. A disputa dos irmãos por Cláudia que desestabiliza a aparente harmonia familiar faz com que Paula sinta animosidade por Cláudia. Com o tempo e por causa da jovem, os irmãos revelam as suas verdadeiras faces: o irresponsável e imaturo Lucas torna-se um homem justo e corajoso e o aparentemente sensato Jorge revela-se um malvado da pior espécie. E como se não se bastassem as perseguições de Jorge e Geraldo, numa fuga para a frente Cláudia casa-se com Lucas, incorrendo em bigamia. Porém, e como não podia deixar de ser, no fim o amor triunfa com Cláudia feliz com Carolina, Lucas e o filho que ela espera dele.

Além daqueles já citados "Sonho Meu" contava ainda no elenco com nomes como Eri Johnson, Isabela Garcia, Daniela Camargo, Françoise Forton, Yoná Magalhães, Valmor Chagas, Miriam Pires e Ângelo Paes Leme. A actriz Cláudia Magno, que fazia o papel de Josefina, uma enfermeira e ocasional cúmplice de Jorge, faleceu durante as gravações da telenovela devido a paragem cardíaca relacionada com SIDA. 

Cláudia Magno (1958-1994)


Com a sua história comovente, "Sonho Meu" cativou os portugueses e alicerçou o espaço na SIC para uma telenovela antes do Jornal da Noite. Patrícia França e Leonardo Vieira recuperaram a química que já traziam da primeira fase da telenovela "Renascer", também exibida na SIC, Fábio Assunção surpreendeu no seu primeiro papel de vilão e Carolina Pavanelli foi todo um talento infantil como a pequena Lalesca. Vimo-la em outras novelas como "Quem É Você" e "Meu Bem Querer". Hoje aos 28 anos, embora ainda fazendo algum trabalho ocasional na representação, Carolina Pavanelli dedica-se sobretudo ao ensino e à escrita.

Carolina Pavanelli em 2011 com um dos seus livros



Reencontro de "mãe" Patrícia França e
da "filha" Carolina Pavanelli em 2015


Por entre a banda sonora, que como era hábito, continha vários temas brasileiros e hits internacionais, destacou-se o tema do genérico, "Querer É Poder", interpretado por José Augusto e Xuxa, também conhecido -obviamente- por "Sonho Meu".


Genérico:





José Augusto e Xuxa "Querer É Poder":




   



terça-feira, 29 de setembro de 2015

Bia, A Pequena Feiticeira (1974-75)

por Paulo Neto

"b-a b-e ba be, b-i ba be bi, b-o ba be bi bo, b-u ba be bi bo bu". Não, não estava a escrever em código. É assim que soava o tema da série animada japonesa "Bia, A Pequena Feitceira", que foi exibida pela primeira vez em Portugal em 1990, na RTP 2 no famoso espaço infantil da altura "Recreio do 2". De título original "Majokko Megu-Chan", era uma série anime dos conhecidos estúdios Toei de 1974, sendo por isso uma das séries animes mais antigas exibidas em Portugal.




Reza assim a história da série: Bia e Nádia são duas jovens feiticeiras que disputam o título de Rainha dos Feitiços. Como parte do seu treino e do processo de competição, as duas terão de passar algum tempo na Terra antes da disputa final.



Bia é alegre e bem-disposta e integra-se facilmente no mundo dos humanos. É acolhida por Ana, uma antiga feiticeira que renunciou à hipótese de ser Rainha dos Feitiços por amor a Paulo, com quem casou e teve dois filhos Zeca e Lena. Ana enfeitiça a sua família para que eles encarem Bia como parte da família e apesar de algumas tropelias, Bia fica perfeitamente integrada no seio da família Cardoso e comporta-se como uma típica humana adolescente de 15 anos (com tudo de positivo e negativo que isso significa). Bia também integra-se na sua escola onde faz duas grandes amigas, a caixa-de-óculos Rita e Ema, com dois novelos na cabeça e que no primeiro episódio onde aparece, sofre de uma maldição que leva inexplicavelmente as pessoas a agredirem-na, isto apesar dos maus bocados que Mário, o bully local, lhe faz passar.





Por seu turno, Nádia é uma rapariga fria e distante que despreza os humanos. É acolhida na Terra por Olga, que tal como Ana, também renunciou a ser feiticeira para se casar. No entanto, Olga arrepende-se do casamento com o pacato artista Gil e vê em Nádia uma hipótese de conseguir através dela a sua oportunidade perdida de ser a Rainha dos Feitiços.



Para complicar ainda mais a situação, existe Choné, um feiticeiro encarregado de monitorizar o treino das jovens feiticeiras. Só que Choné não esconde a sua preferência por Nádia e faz tudo para prejudicar Bia com a ajuda dos suas mascotes, o corvo Crácrá e a gata Frufru. Mas apesar da sua ambição, Nádia quer vencer a rival de forma justa, pelo que recusa os incentivos de Olga e os estratagemas de Choné para fazer jogo sujo. Inclusivamente por vezes, Bia e Nádia unem esforços para enfrentar certas ameaças mais poderosas.

Com o tempo, Bia vai se tornando mais madura e tomando consciências dos seus poderes e da responsabilidade que eles acarretam, e Nádia vai se sentindo cada vez mais à vontade entre os humanos e percebendo que parte do seu dever como feiticeira é protegê-los. Também são reveladas as intenções secretas de Choné: ele encontra-se ao serviço de Satúrnia, uma feiticeira malvada que pretende ser Rainha dos Feitiços e que vê as duas jovens, sobretudo Bia, como os principais obstáculos aos seus intentos. 


Com doses equilibradas de humor, drama e fantasia e uma pitada de sensualidade - havia muitas cenas em que Bia surgia de roupa interior ou de roupão transparente - "Bia, A Pequena Feiticeira" tornou-se uma série marcante que ainda hoje muitos recordam. Outro factor para o sucesso da série foi o excelente trabalho de dobragem que contou com nomes como Cláudia Cadima (Bia), Helena Isabel (Nádia), Fernanda Montemor (Ana), Ermelinda Duarte (Zeca e Olga), Adriano Luz (Choné e Gil), António Semedo (Paulo), Henriqueta Maia (Rita e Ema), Joel Constantino (Mário e Crácrá) e Margarida Rosa Rodrigues (Lena e Frufru). A RTP adquiriu a versão italiana com 65 episódios dos 72 originais. Os sete episódios em falta foram censurados em Itália por abordarem temáticas demasiado sensíveis como o suicídio ou algum conteúdo mais tétrico. O site Brinca Brincando faz uma análise mais detalhada sobre esses episódios censurados. 

Em certos países, além da respectiva colecção de manga, foi editada em certos países uma revista de banda desenhada ao estilo ocidental com novas histórias e uma colecção de cromos. "Bia, A Pequena Feiticeira" é aponta como tendo influenciado outras séries anime como "A Navegante Da Lua".

Genérico:



sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Flashdance (1983)

por Paulo Neto

Há os filmes em que se vê à légua que foram feitos nos anos 80. Depois, há os filmes que gritam "ANOS 80!" por todos os poros. E depois há "Flashdance".


Tal é o legado visual e sonoro deste filme de 1983 que mais parece uma cápsula de todo o espírito da década. O filme foi a primeiro união de esforços dos super-produtores Jerry Bruckheimer e Don Simpson e foi realizado por Adrian Lyne, notando-se já aqui alguns laivos de erotismo que iriam marcar a sua obra ("Nove Semanas E Meia", "Atracção Fatal", "Proposta Indecente", "Lolita", "Infiel").


A história é sobejamente conhecida: Alex Owens (Jennifer Beals) é uma jovem que reside em Pittsburgh num armazém abandonado com o seu cão Grunt e que ganha a vida como soldadora de dia e bailarina num bar de noite, enquanto alimenta o sonho de ingressar numa prestigiada escola de bailado. Nick Hurley (Michael Nouri), o seu patrão na metalúrgica interessa-se por Alex e oferece-se para usar a sua influência para concretizar o sonho, algo que a rapariga rejeita pois quer vingar por mérito próprio. Além dos altos e baixos do seu romance com Nick, Alex também vai ter de lidar com  a morte da sua mentora Hanna (Lilia Skala), uma antiga bailarina clássica, o assédio de Johnny C (Lee Ving) que quer que ela trabalhe para o clube de strip local, os sonhos desfeitos dos seus amigos e sobretudo as suas próprias inseguranças. Mas quando tem a oportunidade de uma audição para a escola de bailado, Alex dá tudo por tudo.





Sem dúvida que "Flashdance" é daqueles filmes em que a forma prevalece claramente sobre o conteúdo e que é preciso o espectador não se agarrar a qualquer verosimilhança na história para ser apreciado. Mas deixando isso de lado, é bom entretenimento. Vi o filme quando foi transmitido pela RTP no início dos anos 90, na tarde de um feriado (acho que o de 5 de Outubro) e depois a espaços no Canal Hollywood e afins.
Apesar do seu desempenho acusar a sua inexperiência, a presença de Jennifer Beals é bastante carismática e deixava antever que estávamos perante uma actriz com potencial. Vimo-la por exemplo em "Quatro Quartos", " O Beijo Do Vampiro" e "2000 Malibu Road", mas foi apenas com o seu papel em "A Letra L" que conseguiu desfazer-se do rótulo de "a miúda do Flashdance". 
Foi também o primeiro filme a converter no cinema a estética dos videoclips, algo que se tornaria comum nos filmes dos anos seguintes como "Footloose" ou "Top Gun", com sequências propositadamente filmadas para ilustrar as canções da banda sonora. 



Além das icónicas (e muitas vezes recriadas e parodiadas) sequências de dança como aquela ao som de "Maniac", a da audição final e aquela que culmina com a queda de uma balde de água em cima de Marine Jahan (que era quem na verdade fazia as danças da personagem de Jennifer Beals), existem outras cenas marcantes como a de um jantar com Alex e Nick com uma lagosta sorvida sensualmente e brincadeiras com os pés debaixo da mesa, a da discussão entre ambos num túnel rodoviário, a de Alex a assistir a uma exibição de break-dance e a triste cena onde a sua amiga Jeanie Szabo (Sunny Johnson) fica parada no gelo, morta de vergonha após ter caído duas vezes no seu número de patinagem. 






Mas claro, falar de "Flashdance" é falar da banda sonora que teve um êxito semelhante ao do filme e que produziu dois grandes hits: o esmagador "Flashdance...What A Feeling" interpretado por Irene Cara que venceu o Óscar para Melhor Canção Original (o segundo para uma canção cantada por Irene Cara, depois de "Fame" em 1980) e "Maniac" de Michael Sembello. Os videoclips de ambas as canções eram compostos exclusivamente por cenas de filmes e foi a partir de então que se popularizou a utilização de imagens dos filmes para os videoclips de canções da respectiva banda sonora.
Curiosamente, outra canção fortemente associada ao filme, "Gloria" de Laura Brannigan, não fez parte do disco da banda sonora.

E agora para aqueles que gostam de movie trivia, tomem lá estas notas:
- O filme foi baseado na história da bailarina canadiana Maureen Marder, a quem foi pago 2300 dólares pela cedência da sua história. Marder tentou várias vezes sem sucesso processar os produtores por não receber mais capital pelo êxito do filme. E ao contrário do filme, Marder não conseguiu entrar na escola de bailado. 
- Além de Marine Jahan, mais dois duplos foram utilizados na cena de dança final ao som de "What A Feeling": a ginasta Sharon Shapiro no plano em que Alex se lança no ar e o breakdancer Richard "Crazy Legs" Colón na parte do headspin. (Inclusivamente, Crazy Legs nem sequer fez a barba para tal, limitou-se a usar uma peruca e as roupas da personagem). Outro duplo foi também utilizado para as cenas em Alex anda de bicicleta. 
- O elenco contava ainda com a actriz e bailarina Cynthia Rhodes, no papel de Tina Tech, uma bailarina colega de Alex, que viria a ser o par de John Travolta no filme "Stayin' Alive - A Febre Continua" (estreado no mesmo ano) e que é casada desde 1989 com o cantor Richard Marx.
- Além de Jennifer Beals, Demi Moore e Leslie Wing foram as outras finalistas para o papel principal. Entre as várias histórias sobre como foi feita a escolha da protagonista, há uma de que fotos das três actrizes foram distribuídas a trabalhadores dos estúdios, a quem foi perguntado com qual das três é que gostaria mais de ter sexo. Um então pouco conhecido Kevin Costner esteve quase a ser escolhido para o protagonista masculino, antes de ser preterido por Michael Nouri.
- Sunny Johnson faleceu um ano após a estreia do filme aos 30 anos devido a um aneurisma, Laura Brannigan, que cantou o tema ao som do qual a sua personagem patinava, morreu em 2004 da mesma causa.
- A famosa camisola com o decote cortado usada por Jennifer Beals no cartaz do filme e que viria a tornar-se moda foi fruto de um acidente de lavagem. A camisola encolheu tanto que só assim é que Beals conseguiu enfiá-la na cabeça.   
- Havia a percepção que a música "Maniac" de Michael Sembello fora originalmente escrita para o filme slasher de 1980 "Maniac", alterando depois a letra para ser usada em "Flashdance". No entanto, os extras do DVD revelam que a canção tinha sido escrita propositadamente para este filme. Michael Sembello é visto como uma das mais célebres "one hit wonders" de sempre, mas viria a fazer música para outros filmes de sucesso como "Cocoon", "Gremlins" e "O Dia Da Independencia". 
- O ringue de patinagem é o mesmo que foi utilizado no filme "Dawn Of The Dead". 
  


Em 2003, Jennifer Lopez recriou várias cenas de "Flashdance" para o videoclip de "I'm Glad". Mas essa homenagem saiu-lhe cara, tendo sido processada por uso não autorizado do conteúdo do filme.

Trailer:



"Flashdance...What A Feeling" Irene Cara



"Maniac" Michael Sembello



  

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Feira de S. Miguel - Olhão - Anos 70



"A Feira de São Miguel realiza-se anualmente no concelho de Olhão há cerca de 127 anos. As primeiras referências ao nome de São Miguel surgem por volta do ano de 1968(1). Quanto ao espaço ocupado pela Feira, temos conhecimento que em 1924 a mesma tivera lugar no Largo das Prainhas e que em 1928 estava localizada no largo anexo à litografia velha e Avenida de Bernardino da Silva. Em 1983 esteve localizada junto ao estaleiro de Olhão. Posteriormente tem sido mudada para outros locais, devido às condições do terreno não serem as melhores para o seu estabelecimento, como também devido à grande afluência de feirantes e visitantes que à Feira acorrem anualmente." in Preâmbulo do "Regulamento da Feira de São Miguel | 2003".

No canto inferior esquerdo: O Circo Brasil. 

"Em 1752 já ali se efectuava, não se sabe desde quando, uma feira anual nos dias 28, 29 e 30 de Setembro (então, como hoje ainda, chamada Feira de S. Miguel)(2), que um alvará régio daquele mesmo ano autorizava que passasse a ser feira franca, tal a importância que ela, e a povoação, vinham ganhando(...)"
"Ao construir o Passeio Público nos terrenos que até aí constituíam o Campo da Feira, a Câmara Municipal decidiu que as feiras anuais passassem a realizar-se nas Praínhas, que então eram ainda quasi só alagadiços, mas que para o efeito começou logo a aterrar e sanear. Enquanto este aterro não foi concluído, o que demorou ainda não poucos anos, as feiras efectuaram-se nos adros anterior e laterais da Igreja Matriz (o primeiro que já então se chamava Largo da Igreja) e nas ruas adjacentes. Actualmente (1984) as feiras efectuam-se em terrenos da antiga Horta de Martins de Brito, a Sul do Hospital, para onde passaram quando, em 1982, foi construído nas Praínhas, um bairro de 120 casas pré-fabricadas." in "História Breve da Vila de Olhão da Restauração" (Antero Nobre, 1984)

Carrosséis e os carrinhos de choque.

É precisamente nesse ultimo local que recordo a maioria das Feiras da minha infância e juventude, num terreno junto à doca e zona industrial. Entretanto, nos últimos anos passou por vários locais, desde  um descampado no extremo oposto da terra por detrás do "Ciclo" ao regresso à zona das Praínhas. Depois de algum tempo sem se realizar, renasceu em 2014 - organizada por uma empresa privada - num parque de estacionamento dezenas de metros do local onde a conheci. 
Das minhas recordações da Feira de São Miguel, lembro-me de lá comprar vários dos meus brinquedos favoritos, os Transformers piratas, metralhadora barulhenta - que se não me engano foi rapidamente destruída pelos meus pais, para evitarem ouvir os ruídos estridentes (NOTA: disseram-me que essa compra foi noutra altura), uma espingarda a ar que disparava um rolha presa a um cordel, uma besta de plástico, etc.
Tenho pena de ter feito anualmente os meus pais sofrerem com a indecisão em que brinquedo comprar. Geralmente só me decidia quase na saída da Feira, e toca a voltar para trás para encontrar a barraca que vendia o objecto desejado.

No canto superior esquerdo "O Poço da Morte".
Nunca fui muito fã de carrosséis que se movem a alta velocidade ou a alturas pouco recomendáveis. Gosto de ver, mas não contém comigo para montanhas russas (que não recordo de ver nesta Feira), rodas gigantes ou carrinhos de choque. Na infância os meus favoritos eram os pequenos carroceis em forma de foguetes ou barcos (com água por baixo e tudo) que se limitavam a girar num eixo horizontal. Actualmente a Feira já não tem a importância de outros tempos, em que era uma das únicas alturas do ano (junto com a extinta Feira de Maio) em que os olhanenses tinham acesso a certos produtos e entretenimentos. Tradicionalmente, a Feira acontece em época de chuvas que até pouco tempo transformavam o terreno num lamaçal (actualmente, há asfalto por todo o lado). Mas em compensação, havia todo o tipo de distracções, desde a casa assombrada, barraquinhas de tiros (coisas que nunca experimentei);  a gulodices vendidas nos carrinhos ou roulotes de algodão doce, farturas, pipocas, etc. Elemento que sempre odiei nas Feiras desse nosso Portugal: a música aos berros dos variados carrosséis e vendedores. Ainda hoje classifico aquelas aberrações musicais electrónicas que as crianças dançam nas discotecas como "música de feira". Também sempre me deu pena  - mas algum fascínio - ver os animais exóticos que iriam actuar no Circo e que por vezes estavam em "exposição" ao lado da tenda.

Há uns anos consegui uma cópia das filmagens que António do Ó Aleluia efectuou pela terra a longo dos anos 70 e 80, em Super 8 colorido; e coloquei alguns excertos online:



Uma versão "melhorada", pelo menos com cores melhores e o som mais alto. Peço desculpa, mas esta gravação foi obtida através de uma velha cópia em VHS que por sua vez era uma gravação de Super-8 amador:



Foi deste vídeo que retirei as imagens para ilustrar o artigo. A certa altura do vídeo surge a data de Outubro de 1989, que terá sido quando o filme foi copiado para VHS. Não tenho a data concreta da Feira filmada, mas pelas vestimentas arriscaria final dos anos 70. No vídeo é possível identificar o Circo Brasil (aos 45 segundos). Os meus pais já me têm falado da época em que chegou a haver 3 circos em simultâneo.(3)


NOTAS:
(1) (2)- A contradição do nome da Feira ("Feira de S. Miguel" ou "Feira de Olhão") é evidente. Recorrendo a uma fonte mais antiga, o "Monografia do Concelho de Olhão" (Ataíde Oliveira, 1906), o autor menciona-a somente como "feira de Olhão":
"Monografia do Concelho de Olhão" (Ataíde Oliveira, 1906, página 165, 3ª Edição)
(3) - Facto confirmado por Ana Isabel Vieira no Grupo Olhão: "Ainda me lembro da feira com 3 circos e de ir ver artistas famosos a actuar no circo. Havia o dia da dama e cavalheiro onde as senhoras não pagavam. Isso é que eram feiras normalmente fazia-se um mealheiro durante o ano que só era partido no dia da feira para se comprar os brinquedos. Bonecas (...)".


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