Mónica Alexandra Correia Cachopo nasceu a 10 de Junho de 1978 em Lisboa, tendo adoptado como stagename o nome da cidade onde cresceu, Sintra. Embora inserida na gaveta da música pimba, muito por culpa da temática dos dois temas que analisamos hoje, Mónica Sintra foi sempre um caso atípico dentro do género, já que raramente foi vista a usar roupas demasiado reveladoras ou em bamboleios frenéticos em palco, preferindo fazer-se notar pelas suas interpretações vocais e pelo seu repertório. E ainda bem porque, para ser sincero, até acho que Mónica Sintra não é de todo má cantora. No entanto, o momento mais decisivo da sua carreira e que a tornou um nome conhecido junto do grande público é indubitavelmente também o mais cromo. Se como já vimos, ainda hoje o repertório de Ágata é sobretudo lembrado através da sua histórica trilogia trágico-conjugal, os dois grandes hits de Mónica Sintra compõem uma dilogia trágico-amorosa: "Afinal Havia Outra" e "Na Minha Cama Com Ela", as faixas-título dos seus álbuns de 1998 e 1999 respectivamente. Isto apesar de ter outros êxitos ao longo de uma carreira que se mantém solida até aos dias de hoje.
Além de ter integrado em 1992 o grupo Jovens Cantores de Lisboa dirigido por Ana Faria e de já ter dois álbuns em nome próprio - "Tu És O Meu Herói" de 1995 e "Bola de Cristal" de 1997 - a afirmação de Mónica Sintra deu-se em 1998 com o seu terceiro álbum e a faixa que dava nome ao disco, "Afinal Havia Outra". Mas cá para mim, a canção devia chamar-se "Afinal Eu Era A Outra", pois nela Mónica Sintra cantava a sua desilusão ao descobrir, ao fim de ignorar os vários alertas que a preveniram de tal, que o seu amado era um aparentemente respeitável marido e pai de família e que a relação entre ambos era um part-time afectivo extra-conjugal.
Não consegui encontrar o videoclip no YouTube mas recordo-me de uma cena em que Mónica observava escondida o seu amásio a sair do carro com a sua legítima a dar-lhe o braço e duas crianças a brincarem com uma bola. O povo logo trauteava o refrão: "Afinal havia outra/ E eu sem nada saber, sorria/ E por ele andava louca/ P'ra ser sua mulher um dia/ Afinal havia outra/ Uma família, um lar, uma casa/ E eu era no fim de contas/O amor das horas vagas." e o disco vendeu-se que nem pãezinhos quentes, chegando à dupla platina. Eu até me lembro de ouvir uma personagem a cantar esse refrão na dobragem portuguesa da série animada "Life With Louie" que passava na altura na SIC.
Em 2006, o tema voltou a ganhar destaque no programa dos Gato Fedorento "Diz Que É Uma Espécie de Magazine", quando David Fonseca cantou uma versão com tradução literal em inglês, provando como cantavam os Clã, "a língua inglesa fica sempre bem". Meses mais tarde, num concerto do David Fonseca na minha cidade, este confessou que teve um sonho em que ao cantar num concerto essa versão, Mónica Sintra surgia de surpresa em palco e os dois terminavam a canção em dueto - pelo que tinha evitado fazê-lo desde então.
Tal sonho nunca se materializou, mas em 2009, no programa "5 Para A Meia-Noite", Mónica Sintra devolveu o favor a David Fonseca cantando-lhe uma versão em português de um dos seus temas.
Após o sucesso de "Afinal Havia Outra", o disco seguinte não se fez esperar e em 1999 o dito foi editado de seu título "Na Minha Cama Com Ela". Lembro-me de pensar, antes de ouvir a canção e julgando apenas pelo título, que seria sobre alguma experiência de Mónica Sintra nos prazeres sáficos, quiçá derivada da desilusão narrada no anterior opus musical. Mas na verdade, tratava-se de mais outro devastador conto de traição e desilusão amorosa, onde ela se via agora do outro lado da barricada: desta vez ela era a mulher legítima que se deparava com o seu cônjuge no leito conjugal com outra flausina, apanhando um trauma para toda a vida.
O videoclip era bem ilustrativo mostrando Mónica Sintra numa sessão de psicoterapia recordando em flashback imagens desse fatídico momento e de ela a conduzir desnorteada sem destino. No papel do macho adúltero estava João Lourenço, que viria mais tarde a participar na terceira edição do Big Brother. E uma vez mais, repetiu-se o sucesso de vendas e o refrão que ficaria na memória: "Na minha cama com ela/ Tu e ela no meu quarto/ Perdido nos braços dela/ Mesmo em frente ao meu retrato/Na minha cama com ela/ Tu e ela na loucura/ Perdido nos braços dela/ E muito mais que uma aventura/O teu corpo junto ao dela/Na minha cama com ela".
De entre as versões do tema, há que destacar a paródia "Na Minha Marquesa Com Ela", interpretado por Maria Rueff no sketch "Carnaval dos Hospitais" do "Herman SIC" e uma versão de Bruno Nogueira para o seu aclamado projecto musical "Deixem O Pimba Em Paz" (que recomendo vivamente ser visto em concerto).
Embora sem repetir tais picos de sucesso, a carreira de Mónica Sintra continua bem activa. A cantora tem também dado a cara para apoiar algumas causas como a dos bombeiros, ocupação que exerceu paralelamente aos inícios da sua carreira musical, e a luta contra os distúrbios alimentares, tendo assumido ter sofrido de episódios de anorexia e bulimia desde a adolescência, que relatou no livro "A Um Passo Do Abismo".
A figura de destaque neste anúncio impresso em 1981 imediatamente me fez recordar o genérico de abertura de "Os Amigos do Gaspar (1986)" [vídeo], com a banda a tocar e desfilar. Mas, esta publicidade é bem mais antiga, de 1981 e o tema são os famosos "Sugus".
A letra da canção: "...Sugus de fruta são os melhores...".
"SUGUS é caramelo natural, produzido segundo fórmula e processo original da Suchard - a conhecida marca Suíça."
Publicidade retirada da revista Pato Donald Nº 24, de 1981.
Uploader original desconhecido. Imagem Editada e Recuperada por Enciclopédia de Cromos.
A sinopse é simples, como seria de esperar da adaptação ao cinema de um videojogo de luta:
Grupo de humanos praticantes de artes-marciais tem que ultrapassar as suas diferenças e trabalhar em equipa para sobrevir ao terrível torneio interdimensional em que o destino do planeta Terra está em jogo.
Recordo bem a alegria de quando soube da existência do filme ao ver este poster, numa revista*:
Fui ver este filme no cinema aos 17 anos recém feitos, na época perfeita: nos anos antes tinha jogado até fartar o primeiro Mortal Kombat para Master System e depois o MK3 para Mega Drive (provavelmente na mesma época da estreia). Nunca fui um grande jogador de videojogos, se fiz alguma fatality** foi por acaso, mas além de jogar comprava revistas da especialidade (essas não, videojogos mesmo) e sabia bem as potencialidades ( e alguns truques) da saga, famosa pela violência dos combates. Foi portanto uma alegria rever tantos movimentos, cenários, personagens e frases mas no grande ecrã. Sinceramente, com todos os defeitos (algumas actuações e personagens desnecessários, e menos violência do que seria de esperar, tendo em conta o polémico material de origem), é a melhor adaptação de um jogo que assisti até hoje (principalmente depois das desilusões dos anteriores “Super Mario Bros” (1993) e “Street Fighter” (1994) e nem vamos recordar o aborto que foi a sequela, ou as séries de TV), que conseguiu casar bem os conceitos mais fantasistas do jogo com a realidade quotidiana, sem perder o sentido de diversão e piscadelas de olho aos fãs e uma realização dinâmica (de Paul W. S. Anderson, que veio a especializar-se em adaptar videojogos à sétima arte).
Tenho o filme aqui na prateleira de DVDs….e sempre que o apanho na TV sento-me a ver. É um filme honesto, entrega o que promete.
O Trailer:
E aquele tema da banda sonora!!!
Das poucas músicas do género que aprecio: "Techno Syndrome (Mortal Kombat", do grupo belga "The Immortals".
Nos EUA o filme estreou em plena temporada de blockbusters de Verão, a 18 de Agosto de 1995; mas o trio de heróis Liu Kang (Robin Shou, de "O Ninja de Beverly Hills"), Sonya (Bridgette Wilson, que se estreou no "O Último Grande Herói"), Johnny Cage (Linden Ashby, de "Melrose Place") e companhia só desembarcaram em Portugal no inicio do ano seguinte: 9 de Fevereiro de 1996, com o título "Combate Mortal". O meu personagem favorito da saga Mortal Combat sempre foi o Sub-Zero, e no filme, bem, podia ter sido pior... Na fita, o meu preferido foi o Raiden como foi interpretado pelo imortal Christopher Lambert (Highlander, Renault 19).Lembro-me que perto do final da fita, o clímax da luta de Liu Kang contra o metamorfo Shang Tsung (Cary-Hiroyuki Tagawa, que se especializou em... vilão asiático) foi ao mesmo tempo competente e frustrante. Queria ter visto uma maior demonstração do golpe especial de Liu Kang. Mas, a cena final - a remeter para a sequela - fez-me sair do cinema com um sorriso parvo que só foi esmagado em 1997 (1998 em Portugal) pela chegada da sequela "Mortal Kombat: Annihilation", que destruiu tudo o que o primeiro filme tinha acertado. Que desilusão... ao menos acho que só a vi numa cassete do clube de vídeo...
*Uma revista de cinema ou videojogos provavelmente.
** Os golpes de execução do adversário derrotado, nesse tempo, de uma brutalidade sem ímpar.
"Activator" foi o nome do invulgar periférico da Sega que pretendia substituir os comandos com botões - utilizando emissores e detectores de luz infravermelha (como os comandos de TV) - uma espécie de avô dos modernos jogos comandados por movimentos do corpo através de aparelhos como o Kinect ou Wiimote. O Sega Activator fracassou nas vendas, devido à combinação de imprecisão na utilização dos comandos e o preço elevado. Apesar de ser publicitado como um aparelho revolucionário que libertava os movimentos, funcionava melhor no papel que na realidade, porque apenas se limitava a reproduzir as acções pré-definidas pelo jogador, associadas a cada botão do comando. Segundo o site GiantBomb, apenas 3 jogos foram concebidos para aproveitar ao máximo o Activator: Eternal Champions, Mortal Kombat, e Comix Zone (estes dois últimos são dos meus favoritos de todos os tempos). O aparelhómetro foi desenvolvido a partir do Light Harp [vídeo], basicamente um órgão sem botões, criado por Assaf Gurner.
Foto: Revista "MegaForce #1" (Junho 1993). Digitalização por Quaddamage. Editada por Enciclopédia de Cromos.
A revista portuguesa de videojogos, "MegaForce", na sua edição Nº 1 (de Junho de 1993) na reportagem sobre o Salão de Los Angeles (C.E.S. Los Angeles; o Consumer Electronics Show) descreve de forma bastante entusiasmada o novo periférico, como podem verificar nestes recortes:
Foto: Revista "MegaForce #1" (Junho 1993). Digitalização por Quaddamage. Editada por Enciclopédia de Cromos.
Também um programa americano da ABC se deliciava com esta novidade:
Uma das "comentadeiras" de serviço diz que prefere ver os míudos libertarem assim a violência, do que a baterem uns sobre os outros, ao que a apresentadora acrescenta que pode ser uma ferramenta melhor que conselheiros matrimoniais.
Mais interessante é este vídeo sobre como configurar e utilizar o Sega activator:
Se não me engano, cheguei a ver um em acção em casa de um amigo, lá nos finais dos 90/inicio do século XXI, quando ele já tinha dado o salto para a Playstation (e eu já me tinha desfeito da minha Mega Drive II), e não me impressionou por ai além, visto que a "bruxaria" da tecnologia dos fios já não era tão espantosa tão perto do "futurístico" ano 2000. Como ponto positivo, o jogador dentro do hexágono parecia um bizarro praticante de dança moderna.
Vejam bem o tamanho da caixa:
Nota: "Genesis" era adesignação norte-americana da Mega Drive.
Existiu também uma versão para as arcadas, com sensores extra e mais precisa, para ser usada com o jogo "Dragon Ball Z R.V.S.".
Conforme atestado pela publicidade acima, chegou a Portugal em 1981, mas este álbum foi lançado "lá fora" em 1979. Segundo a Wikipédia, o álbum incluía dois tipos de temas: Versões disco de temas clássicos da Disney, e versões "disneyficadas" de temas clássicos do género disco.
A capa frontal do disco de disco:
Um ano depois foi exibido na TV e nos cinemas o videoclip de promoção:
E eis que estamos em mais um verão português com tudo o que de bom e de mau (sobretudo os malditos incêndios) acontece em cada Verão em neste país. Em tempos idos, a época estival também significava uma alteração nas grelhas das estações televisivos, exibindo séries que pareciam ser feitas para serem transmitidas naquela altura. Uma delas foi a série canadiana "Calor Tropical" que foi transmitida na RTP algures na primeira metade dos anos 90. Recordo-me que houve um ano que deu à noite à razão de um episódio por semana e outro em que deu de segunda a sexta-feira à tarde, sempre no Verão.
No original "Tropical Heat" (nos Estados Unidos teve o bizarro título de "Sweating Bullets"), a série era uma agradável mescla de acção, humor e alguma sensualidade num cenário paradisíaco. O protagonista da série era Nick Slaughter (Rob Stewart), um antigo agente da brigada de anti-narcotráfico que assenta arraiais na fictícia Key Mariah na Florida onde estabelece a sua agência de detectives. Com a ajuda do Tenente Carrillo (Pedro Armendariz jr.), da polícia local e da elegante Sylvie Girard (Carolyn Dunn), uma ex-agente turística que se torna o seu braço-direito nas investigações, Slaughter dedica-se a investigar os casos dos seus clientes e outros mistérios que se escondem sob tão idílica localidade, e pelo caminho vai fazendo os seus engates com o charme da sua lábia, das suas camisolas floridas e do seu rabo de cavalo. Nick e Sylvie mantêm a relação estritamente profissional e amistosa mas o espectador notava que não eram totalmente indiferentes aos encantos um do outro. Para os momentos de engate e de relax, Nick conta com a cumplicidade dos donos do bar da praia, Ian Stewart (John David Bland) e a partir de meio da segunda temporada, Spider Garvin (Ian Treacy).
A série teve 66 episódios repartidos por três temporadas, curiosamente cada qual filmada em sítios diferentes: a primeira no México (onde Rob Stewart conheceu a sua esposa), a segunda em Israel e a terceira na África do Sul e nas Ilhas Maurícias. Recordo-me desta série até hoje essencialmente por dois motivos: o tema reggae que alegrava o genérico e uma certa vez em que estava muita gente da minha família reunida em minha casa quando na televisão começou um episódio da série que começava justamente com uma tórrida cena de sexo, algo que foi tratado com galhofa e descontração por toda a gente mas mesmo assim eu não pude deixar de sentir um certo embaraço.
Um dos países onde a série fez mais sucesso foi a actual Sérvia, na altura ainda sob a denominação de Jugoslávia. Num período conturbadíssimo, com a guerra nos Balcãs e o embargo das Nações Unidas, as aventuras numa atmosfera tropical proporcionadas pela série eram um dos poucos escapes para os sérvios se abstraírem do cenário deprimente em que viviam. Deste modo, Nick Slaughter tornou-se um herói televisivo tão venerado no país como MacGyver ou Michael Knight. Por exemplo, um graffiti em Zarkovo, um subúrbio de Belgrado, em honra da personagem tornou-se um ponto turístico, vários bares e esplanadas no país adoptaram nomes relacionados com a série e Nick Slaughter foi mesmo utilizado em frases de propaganda em 1996-97 quando a população se revoltou contra uma fraude eleitoral promovida pelo regime de Slobodan Milosevic.
Quando Rob Stewart descobriu a sua popularidade na Sérvia, visitou o país em 2009 onde foi recebido com todas as honras. O périplo foi tema de um documentário estreado em 2013.
Stewart continua a fazer trabalhos ocasionais em televisão. O seu último trabalho mais notório foi na série "Nikita".
Como nem de só de altas referências culturais vive o homem, eu não tenho grandes pudores em admitir os meus gostos mais xaroposos ou azeiteiros. Por exemplo, venho por este meio confessar que sou fã do filme "Coyote Bar", o primeiro chick-flick do novo milénio. E não apenas por este ser protagonizado por uma mão-cheia de beldades.
Estreado em 2000, "Coyote Bar" foi realizado por David McNally e produzido pelo renomeado Jerry Bruckheimer. A ideia para o filme surgiu a partir de um artigo de 1997 para a revista GQ, escrito por Elizabeth Gilbert (a autora de "Comer Orar Amar") sobre um bar no East Village de Nova Iorque, o Coyote Ugly Saloon, que começava a tornar-se bastante popular devido à sensualidade das trabalhadoras e todo o tipo de proezas que por lá se passavam. Tal como é explicado no filme, o termo "coyote ugly" significa acordar junto a alguém tão feio ao ponto de ser preferível cortar um braço e ir-se embora em silêncio do que acordar essa pessoa. (Os coiotes por vezes cortam à dentada as suas patas presas nas armadilhas para fugirem).
Violet Sanford (Piper Perabo) é uma jovem que ruma de uma pequena cidade de Nova Jérsia até Nova Iorque para realizar o seu sonho de ser uma compositora de sucesso. Mas cedo percebe que as coisas estão longe de serem fáceis, com as portas das editoras a serem-lhe fechadas sem cerimónia e sendo alvo de um assalto ao seu apartamento. Um dia, ela ouve três jovens a falarem do muito dinheiro que ganham em gorjetas no seu trabalho no bar Coyote Ugly e que uma delas, Zoe (Tyra Banks), vai deixar o bar para ir estudar Direito.
Violet apresenta-se junto da dona do bar, Lil (Maria Bello), para se candidatar à vaga e esta propõe-lhe uma audição no bar. Apesar de alguns lapsos e das rasteiras da insolente Rachel (Bridget Moynahan), Violet acaba por conseguir o emprego e deixa-se contagiar pelo ambiente frenético do bar, onde as trabalhadoras passam mais tempo em cima do balcão do que atrás dele. Além de Lil e Rachel, no bar também trabalha a sensual Cammie (Izabella Miko) de quem Violet se torna amiga.
Entretanto, Violet apaixona-se por Kevin O'Donnell (Adam Garcia), um garboso australiano que a ajuda a superar o stagefright que aparentemente ela herdou da sua falecida mãe. Mas quando o louco estilo de vida do trabalho no bar começa a prejudicar as relações de Violet tanto com Kevin como com o seu pai Bill (John Goodman), a jovem vê-se numa encruzilhada que pode deitar tudo a perder. Mas no fim, acaba por realizar os seus sonhos quando uma das suas canções é gravada pela estrela country LeAnn Rimes e a boa notícia é celebrada por todos no Coyote Ugly.
Além de Rimes, o filme conta com cameos de Johnny Knoxville e do realizador Michael Bay. No filme também pode ser vista a banda The Calling a interpretar "Wherever You Will Go", que se tornaria um hit dois anos mais tarde.
Apesar das críticas negativas, "Coyote Bar" foi um sucesso de bilheteira e ganhou desde então lugar de destaque na categoria de "chick-flicks". Apesar de não ser brilhante, acho que é um filme que entretém bastante bem, com a sua estrutura de conto de fadas moderno e quando o apanho a ser transmitido na televisão, geralmente fico a vê-lo. O filme não só gerou um franchising do bar original (que actualmente conta com vinte e dois bares, nos Estados Unidos, Alemanha, Rússia e Roménia), como à criação de vários bares semelhantes um pouco por todo o mundo.
Onde também "Coyote Bar" venceu foi na música, com o tema "Can't Fight The Moonlight" interpretado por LeAnn Rimes a ser um hit global, tendo sido n.º 1 em oito países. (Foi o single mais vendido de 2001 na Austrália e o 18.º mais vendido de sempre na Irlanda!) O CD da banda sonora (que eu comprei) continha mais três temas de LeAnn Rimes e clássicos dançáveis como "The Power" dos Snap!, "Unbelievable" dos EMF e "Need You Tonight" dos INXS. Um segundo álbum com mais canções do filme foi editado em 2003.
Entre os "Jackpots" e "Polystars" dos anos 80 e a actual série NOW, nos anos 90 a principal série de colectâneas de êxitos musicais em Portugal foi sem dúvida a série "Número 1" que durou entre 1991 e 1996 e que reunia grande parte dos hits da altura num só disco, daí que fossem sempre campeãs de vendas. Em termos de compilações, só mesmo as inúmeras colectâneas de dance-music da Vidisco faziam-lhes frente. A série também era popularmente conhecida como "Fido Dido" porque era hábito que a simpática mascote da 7Up ilustrasse a capa de muitos dos volumes da série, se bem que não de todos. Inclusivamente, recordo-me que a edição do Natal de 1994 tinha antes o célebre Sonic na capa. A série, que constituía uma pareceria entre algumas das maiores editoras discográficas da altura (Sony Music, BMG, EMI-Valentim de Carvalho), editava dois volumes por ano, um no Verão e outro no sempre apetecível período natalício.
Eu tive alguns volumes dessa série. Um dos mais populares foi aquele editado no Verão de 1995, um daqueles em que Fido Dido abrilhantou a capa e que recebi de presente dos meus pais por ter concluído o 9.º ano.
Este volume continha dois CD, cada qual com catorze faixas e reunia muitos daqueles que tinham sido os maiores hits desse ano de 1995. Quantas dessas músicas ainda se recordam.
CD 1
1. Back For Good - Take That: O CD 1 começava com um dos maiores hits da pioneira boyband britânica Take That, o seu único grande êxito nos Estados Unidos e um dos marcos na baladaria dos anos 90. Mas a partir daí as coisas entraram em curva descendente, com a saída de Robbie Williams do grupo e os restantes membros a prolongarem as actividades do grupo até ao ínicio de 1996. Como é sabido, Robbie Williams viria a ter uma fulgurante carreira a solo e os outros membros concretizaram um inesperadamente bem-sucedido regresso em 2006 que se prolonga até hoje, que até incluíu a participação de Williams num dos álbuns.
2. Think Twice - Céline Dion: A diva canadiana era até então conhecida sobretudo por ter vencido o Festival da Eurovisão de 1988 pela Suíça e por ter cantado o tema do filme da Disney "A Bela e O Monstro", mas foi em 1995 que Céline Dion seria definitivamente catapultada para estrelato global com "Think Twice", que fez disparar as vendas do álbum "The Colour Of My Love", editado originalmente em 1993. Além de ter sido amplamente utilizado nos programas de cantorias da altura, o videoclip onde Dion, enrolada apenas num lençol, tentava resolver os seus problemas amorosos com um artista de esculturas de gelo ficou na memória.
3. The Conquest Of Paradise - Vangelis: Este tema composto pelo compositor de "Momentos de Glória" e "Blade Runner" para o filme "1492 - A Conquista", um dos dois filmes sobre a descoberta da América por Cristóvão Colombo que saíram no ano de 1992, teve um inesperado ressurgimento anos mais tarde. Tudo começou na Alemanha, quando o pugilista germânico Henry Maske passou a utilizar o tema para a sua entrada na arena antes dos seus combates. O renovado interesse do público pelo tema espalhou-se da Alemanha para outros países europeus, Portugal incluído. Aliás, seria também utilizado na campanha do PS para as eleições legislativas de 1995 e ainda há quem se refira à faixa como "a música do Guterres".
4. Non C'é - Laura Pausini:Como já escrevi há alguns anos, em meados dos anos 90, assistia-se em Portugal a um renovado interesse pela música italiana que coroou Eros Ramazzotti e Laura Pausini como o rei e a rainha do top nacional. Editado no seu país em 1993, o álbum de estreia da italiana só chegaria a Portugal no final de 1994, mas não se perdeu nada pela demora, com canções como o avassalador "La Solitudine" e este "Non C'é" a dominarem as rádios nacionais.
5. Here Comes The Hotstepper - Ini Kamoze: o jamaicano Ini Kamoze viu-se com um inesperado hit global devido à inclusão do seu tema "Here Comes The Hotstepper" ter sido incluído no filme "Prêt-À-Porter" de Robert Altman, que se debruçava sobre os bastidores do mundo da moda e que tinha um elenco luxuosíssimo (Sofia Loren, Marcello Mastroianni, Kim Basinger, Julia Roberts e é so para começar) e vários cameos de conhecidos estilistas e manequins. Não se tardou a que a vida imitasse a arte e este tema também fosse utilizado em desfiles de moda. Os célebres "na na na na" foram originalmente usados no tema de 1963 "Land Of 1000 Dances".
6. No More "I Love You"s - Annie Lennox: Depois do sucesso do seu primeiro álbum a solo "Diva" (1992), a cantora escocesa, famosa por ser a metade feminina dos Eurythmics, lançava um novo álbum a solo "Medusa", constituído por integralmente por covers de canções. O primeiro single foi este "No More «I Love You» 's", originalmente gravado em 1986 pelos The Lover Speaks, mas a versão de Lennox foi bem mais sucedida, tendo mesmo ganho um Grammy. Célebre também é o videoclip em que Lennox se fazia acompanhar por quatro bailarinas travestis.
7. She's A River - Simple Minds:A banda de "Don't You Forget About Me" continuava então bem activa mas este "She's A River", do álbum "Good News From The Next World", acabou por ser o seu último grande hit. No entanto, os Simple Minds continuam a tocar um pouco por todo o mundo e a editar discos, com o seu último álbum, "Big Music" a sair em 2014.
8. Independent Love Song - Scarlet: As Scarlet eram duo pop/rock britânico composto por Cheryl Parker e Jo Youle que em 1995 tiveram direito aos seus quinze minutos de fama onde foram uma "two hit wonder" graças ao fortíssimo refrão deste "Independent Love Song" e o single seguinte "I Wanna Be Free". O duo separar-se-ia em 1996 após o fracasso dos singles subsequentes e do segundo álbum.
9. Whoops Now - Janet Jackson: O álbum de 1993 "janet." foi um marco na carreira de Janet Jackson, não só por ser um dos seus comercialmente mais bem sucedidos, como por marcar a fase onde a irmã de Janet Jackson roumpeu com a imagem conservadora que tinha até então, abordando francamente temáticas sexuais. Este "Whoops Now", um tema alegremente despretensioso com algumas influências Motown, foi a última gota a ser espremida do respectivo opus.
10. I've Got A Little Something For You - MN8: Outro grupo britânico que em 1995 viveu os seus minutos de glória. Misto de boyband e grupo hip hop/r&b, os MN8 gozaram de algum sucesso na Europa nesse ano, sobretudo com este mesmíssimo tema. Porém nos anos seguintes, o sucesso não teve continuidade e o grupo dissolveu-se em 1999.
11. Vulnerable - Roxette: os suecos Roxette sempre tiveram queda para a baladaria e esta, incluída no álbum "Crash! Boom! Bang!", tem a particularidade ser das poucas cantadas pela parcela masculina do duo, Per Gessle, em vez dos habituais chilreios de Marie Fredriksson.
12. Be My Lover - La Bouche: os La Bouche, duo americano radicado na Alemanha composto por Melanie Thornton e Lane McCray, já tinham tido um hit em 1994 com "Sweet Dreams" mas seria o single seguinte "Be My Lover" que se tornaria um clássico dance-pop da década de 90 (quem nunca trauteou o "la la la ri la la la..." inicial?). O duo conheceu sucesso por mais algum tempo na Alemanha. Melanie Thornton iniciou depois uma carreira a solo em terras alemãs bruscamente interrompida quando morreu num desastre aéreo em 2001. Lane McCray ainda actua ocasionalmente sob o nome La Bouche com outras parceiras.
13. Mariana - Diva: O grupo de Natália Casanova já tinha deixado a sua marca com o clássico de 1989 "Amor Errante". O segundo álbum finalmente surgiu em 1995 e o tema principal foi este "Mariana", dedicado à filha de Natália Casanova.
1. Scatman (New Radio Edit) - Scatman John: Um dos êxitos que marcaram o ano de 1995 veio da proveniência mais inesperada. O épico euro-dance composto dos contorcionismos vocais de um músico jazz de 50 anos, cuja letra falava de como lidava com a sua gaguez, foi um êxito mundial e o Scatman John Larkin chegou a actuar em Portugal no programa da RTP "Zona Mais", apresentado por Carlos Cruz. O single seguinte "Scatman's World" e o álbum do mesmo nome ainda tiveram algum sucesso mas o disco seguinte passou quase despercebido. Infelizmente Larkin faleceu em 1999. A versão do tema incluída na compilação não era aquela que é a mais conhecida, mas uma nova remistura.
3. Cotton-Eye Joe - Rednex: Outro clássico do ano de 1995. Os suecos Rednex descobriram a pólvora ao misturar country com euro-dance. O resultado era um pouco como misturar vinho com Coca-Cola, mas inesperadamente entranhava-se mais do que se estranhava. Seguiram-se alguns hits de sonoridade semelhante mas em Portugal, além deste "Cotton Eye Joe", o grupo é mais lembrado também pela balada "Wish You Were Here". Os Rednex continuam ainda no activo e são particularmente populares na Roménia, onde até já tentaram ir ao Festival da Eurovisão por aquele país.
4. Holding On To You - Terence Trent D'Arby:Como se pode ver no alinhamento desta compilação, existiam na altura várias estrelas dos anos 80 em busca de mais alguns fogachos de fama em meados da década seguinte. Era o caso de Terence Trent D'Arby (ou como dizia o meu tio, o Terence da Arábia), autor de hits como "Sign Your Name" e "Wishing Well". Para o seu álbum de 1995 "Vibrator", D'Arby surpreendeu com uma radical mudança de look, trocando as suas famosas tranças por um corte a pente 2 regado com água oxigenada. Já a sua voz continuava em grande forma. Embora longe da glória de outrora, Terence Trent D'Arby continua activo na música e até tem as suas tranças de volta, mas desde 2001 que responde pelo nome de Sananda Maitreya.
5. Unchained Melody - Robson & Jerome:"Unchained Melody" é uma das canções mais gravadas de sempre com mais de 500 versões em diferentes línguas. Foi originalmente gravada em 1955 por Todd Duncan para "Unchained", um filme pouco conhecido de temática prisional. A versão mais famosa é sem dúvida aquela gravada em 1965 pelos Righteous Brothers, popularizada pelo filme "Ghost- Espírito do Amor". Em 1995, o célebre produtor Simon Cowell, ainda longe de se imaginar o rei dos júris de talent shows, convenceu dois actores ingleses Robson Greene e Jerome Flynn a gravarem uma versão do tema. A versão acabou por ser o single mais vendido de 1995 no Reino Unido e permanece como um dos mais vendidos de sempre naquele país. Robson e Jerome iniciaram então uma breve carreira como popstars interpretando clássicos dos anos 50 e 60 até voltarem à representação. Jerome Flynn é actualmente conhecido pelo seu papel de Bronn em "Game Of Thrones".
6. Stay - Eternal: Formadas em 1993, as Eternal foram um resposta britânica aos grupos r&b americanos da altura como as En Vogue e as SWV. Este "Stay" foi o seu primeiro single mas só em 1995 é que chegou ao éter nacional, quando até uma delas, Louise Nurding, já tinha deixado o grupo com uma carreira a solo fisgada. Os restantes membros (Kelle Bryan e as irmãs Easther e Vernie Bennett) continuaram mais uns anos como trio, tendo em 1997 conseguido o seu maior hit com "I Wanna Be The Only One". O grupo terminou em 2000, quando já só integrava as irmãs Bennett, mas estas e Kelle Bryan têm feito algumas actuações esporádicas desde 2013.
7. Whatever - Oasis:1995 foi o ano do surgimento da britpop, com várias bandas rock britânicas a florescerem que nem cogumelos, criando novas sonoridades. A liderar o movimento estavam os Oasis que deixaram a sua marca logo no primeiro álbum "Definitely Maybe" de 1994. Antes de oficialmente lançarem o segundo álbum, "(What's The Story) Morning Glory", que seria um dos álbuns que marcaram a década de 90, os irmãos Gallagher e companhia editaram o tema inédito "Whatever", que com seis minutos e vinte segundos, era o tema mais longo da compilação. O tema foi utilizado em 2012 para a campanha dos 125 anos da Coca-Cola.
8. Perfume - Entre-Aspas: A banda algarvia tinha-se feito notar com o seu álbum de estreia de 1992 "Entre S.F.F.", nomeadamente com os temas "Visita" que foi o tema da série da RTP "A Esfera Ki" e sobretudo o contagiante "Criatura Da Noite". Agora para os Entre Aspas, era tempo para promoverem o segundo álbum "Lollipop" do qual este "Perfume" foi o tema que se destacou. Mal sabiam que anos depois, iriam colher uma pequena flor.
9. Undecided (Deep Radio Mix) - Youssou N'Dour: O David Martins já falou aqui do esplendoroso "7 Seconds", dueto entre Youssou N'Dour e Neneh Cherry. Na onda do sucesso do tema, o álbum de N'Dour "The Guide" mereceu alguma atenção junto do público, destacando-se este "Undecided". A versão mais conhecida é aquela produzida pelos Deep Forest, conhecido projecto de world-music, e como em equipa que ganha não se mexe, também contava a participação de Neneh Cherry a fazer coro.
10. Open Your Heart - M-People: Desde 1991 que os M-People vinham assinando vários temas bem-dispostos, numa mescla de pop, dance, soul e jazz, tudo polvilhado pela poderosa voz de Heather Small. Este tema não será dos maiores hits da banda, como "Moving On Up" e "Search For The Hero" mas é bem ilustrativo do seu repertório. Apesar de não terem editado mais nenhum álbum de originais desde 1997 e de uma carreira a solo de Heather Small desde 2000, os M-People ainda continuam semi-activos e ainda actuam esporadicamente.
11. Bubbling Hot - Pato Banton: Nascido em Birmingham sob o nome Patrick Murray, o artista reaggae Pato Banton iniciou a sua carreira em 1982 mas o seu ponto alto foi em 1994 quando a sua versão de "Baby Come Back" dos Equals chegou ao 1.º lugar do top britânico. Este "Bubbling Hot" foi um dos singles subsequentes.
12. The First The Last Eternity (Till The End) - Snap feat. Summer: Ao terceiro álbum "Welcome To Tomorrow", já ficava claro que os tempos de hits esmagadores como "The Power" e "Rhythm Is A Dancer" já estavam para trás, mas o colectivo alemão Snap! ainda conseguiu fazer-se notar com este novo disco, sobretudo devido à faixa-título e este tema. Os Snap! ainda continuam activos mas só têm conseguido alguma notoriedade com novas versões dos seus antigos hits. (Por exemplo três versões de "Rhythm Is A Dancer" editadas em 1996, 2003 e 2008).
13. Gente Comme Noi - Spagna:a cantora italiana Ivana Spagna conheceu algum sucesso internacional em 1987 com os hits "Easy Lady" e "Call Me", em cujos videoclips passeava a sua estratosférica cabeleira loura. Mas desde então que a sua carreira tem-se restringido ao seu país natal. Porém em 1995, o seu tema "Gente Comme Noi" com o qual conseguiu o terceiro lugar no Festival da San Remo desse ano, teve alguma rodagem nas rádios portuguesas.
14. Tell Me When - Human League: Para terminar mais uma banda dos anos 80 que ainda procurava queimar alguns cartuchos na década seguinte. A saber, os Human League, autores de clássicos eighties como "Don't You Want Me", "Human" ou "(Keep Feeling) Fascination". Os Human League tiveram um breve regresso à forma com o álbum "Octopus", do qual este "Tell Me When" foi o single principal, que até inspirou a redescoberta dos seus hits anteriores num subsequente álbum best of e uma nova versão de "Don't You Want Me".