terça-feira, 12 de maio de 2015

Nove Semanas e Meia (1986)

por Paulo Neto

Quer goste-se ou não, não há como negar o actual sucesso do filme "50 Sombras de Grey". Mas a pólvora do erotismo para o cinema de grande público não foi descoberta nesta saga. Aliás, apesar de ser um género que só esporadicamente gera grande impacto, verifica-se que cada década parece ter a sua obra de referência: por exemplo, "Emmanuelle" e "O Último Tango Em Paris" nos anos 70 ou "Instinto Fatal" nos anos 90. E nos anos 80, não há como não referir "Nove Semanas e Meia", o filme de Adrian Lyne (senhor habituado a filmar a esta temática, ou não fosse ele também o realizador de "Atracção Fatal", "Lolita" e "Infiel") protagonizado por Kim Basinger e Mickey Rourke.



O filme era a adaptação de um romance autobiográfico de 1978 de Elizabeth McNeill, pseudónimo da autora austríaco-americana Ingeborg Day (cuja identidade só foi revelada após a morte desta em 2011). Mas se o livro era dos anos 70, o filme gritava "ANOS 80!" por todos os poros. Embora tivesse sido rodado em 1984, só foi distribuído em 1986 e apesar de ter sido um fracasso na América, foi um êxito internacional e no mercado de vídeo, deixando para a memória colectiva várias cenas de antologia. De tal modo que é daqueles filmes que muita gente (incluindo eu) pode não ter visto de ponta a ponta mas está bem familiarizada com a história e a maioria das cenas.



O filme narra a história de uma curta mas bastante intensa relação entre Elizabeth McGrath (Basinger), uma mulher divorciada que trabalha numa galeria de arte no SoHo em Nova Iorque e John Gray (Rourke), um corretor de Wall Street, ao longo de nove semanas e meia. Os dois vão se encontrando algumas vezes por acaso e não tardam a consumar a atracção mútua. A princípio, Elizabeth experimenta novos e excitantes prazeres nas pouco convencionais práticas sexuais em que John a inicia. Mas à medida que as experiências vão se tornando cada vez mais bizarras e violentas, Elizabeth cai numa espiral de decadência e colapso mental, vendo-se obrigada a fugir da relação para salvar a sua sanidade mental.



Entre as cenas mais antológicas de "Nove Semanas e Meia" estão por exemplo a cena de sexo à chuva num beco escuro e outra em que Mickey Rourke alimenta uma Kim Basinger vendada com toda a espécie de géneros alimentícios. Duas cenas que no cinema tiveram o seu impacto mas que na vida real não só não teriam tanto glamour, como acabariam com consequências nefastas, como uma pneumonia ou uma maratona de vómitos na casa de banho.



Outra cena icónica é a do strip-tease de Basinger atrás de umas persianas ao som de "You Can Leave Your Hat On" de Joe Cocker, que a partir daí tirou-se a canção quintessencial para ilustrar cenas de strip-tease quer no audiovisual ou na vida real. O filme também incluiu músicas dos Eurythmics, Bryan Ferry, John Taylor (Duran Duran), Stewart Copeland (Police), Corey Hart, Brian Eno e Jean-Michel Jarre. Entre os outros actores, destaque para Margaret Whitton ("O Segredo Do Meu Sucesso", "Um Romance À Medida") e Christine Baranski ("The Good Wife", "Mamma Mia", "Grinch").


"Nove Semanas e Meia" serviu para firmar Kim Basinger como sex-symbol dos anos 80 (no departamento das louras, só Michelle Pfeiffer fez-lhe sombra) e se hoje a sua cara está severamente brutalizada pela prática em part-time de boxe e por cirurgias plásticas pouco felizes, na altura Mickey Rourke era um homem atraente ao ponto de muitas mulheres compreenderem porque é que a personagem de Basinger se submetia a todas as suas taras. 

Nos anos 90, surgiram uma sequela "Outras Nove Semanas e Meia" (com Mickey Rourke a recuperar a sua personagem ao lado de Angie Everhart) e uma prequela "The First Nine and Half Weeks".

Trailer:


Cena da comida:

Cena do striptease:


     

Topo Gigio - O Boneco (1982)

A voz do Topo Gigio sempre me irritou (desculpe António Semedo), mas isso não impediu que algum do imenso merchandising gerado à volta desta criatura - criada na Itália em 1959 por Maria Perego (mas que explodiu em Portugal a partir do final dos anos 70, quando Rui Guedes apresentou o Topo Gigio no seu próprio programa, com canções de Guedes e José Cid) - viesse parar cá a casa. Lembro-me de ter um grande (pelo menos na altura parecia) peluche do rato Gigio. 

Pela foto é difícil saber ao certo a escala do boneco, que aparentemente não tinha articulações, mas para compensar incluía uma farfalhuda cabeleira, bigode e uns expressivos olhos com pestanas e tudo! As orelhas também são de um material distinto do corpo. O anúncio indica que JSG (J. Sousa Guimarães) era o distribuidor exclusivo deste brinquedo.

Encontrei no blog "Brinquedos Antigos Bonecos PVC" várias fotos e uma descrição detalhada da figura:
Brinquedos Antigos Bonecos PVC
Segundo o blog, o boneco feito na fábrica Brintói tem 21 cm de altura, o corpo em borracha, orelhas em espuma e olhos móveis.
O meu peluche acho que só tinha daqueles olhos fixos que dão um ar sinistro...
O mesmo blog tem mais algumas imagens de outros brinquedos do Topo Gigio, alguns destes PVC consegui a pouco tempo, tenho que tirar fotos para postar por aqui:
Brinquedos Antigos Bonecos PVC


Publicidade retirada da revista Pato Donald Nº 26, de 1982. 
Uploader original desconhecido. Imagem Editada e Recuperada por Enciclopédia de Cromos.


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sábado, 9 de maio de 2015

Por que gostamos tanto dos anos 80? - Artigo do Observador

 Por que gostamos tanto dos anos 80? David Martins, da Enciclopédia de Cromos, foi entrevistado para este artigo do Observador.

Recentemente fui entrevistado por Tiago Tavares para um artigo sob o tema "Por que gostamos tanto dos anos 80?" destinado ao jornal online Observador. Não foi a minha primeira entrevista - momento humilde - mas foi muito recompensador ver o meu nome e palavras na mesma página do inspirador da Enciclopédia, Nuno Markl e de outros colegas do ramo da nostalgia online, o Hugo Silva do Ainda Sou do Tempo,  os responsáveis dos veteranos Mistério Juvenil ou Brinca Brincando.
Se querem saber os motivos por detrás da criação da Enciclopédia de Cromos e o que acho importante no panorama da tv e música nacional dos anos 80, é só encaminharem-se ao especial:

"Por que gostamos tanto dos anos 80?" | Tiago Tavares | Observador


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quarta-feira, 6 de maio de 2015

Festival da Eurovisão de 1990


por Paulo Neto

Os anos 90 veriam profundas mudanças na Europa, que a queda do Muro de Berlim em 1989 já prenunciava. E o primeiro Festival da Eurovisão da década parecia reflectir isso, pois muitas das canções abordavam de uma maneira ou de outra os ventos de mudança que sopravam no Velho Continente.



Na virtude do grupo croata Riva ter vencido a edição do ano anterior, o 35.º Festival da Eurovisão realizou-se no Vatroslav Lisinski Concert Hall em Zagreb, capital da então república jugoslava da Croácia, a 5 de Maio de 1990. (Este foi portanto um dos últimos fogachos da Jugoslávia idealizada pelo Marechal Tito antes da sua sangrenta fragmentação nos anos seguintes.) Os apresentadores foram Helga Vlahovic-Brnobic e Oliver Mlakar. Curiosamente, os 22 países países participantes eram exactamente os mesmos que tinham participado no ano transacto em Lausanne.







Esta foi a primeira edição do Festival a ter uma mascote oficial, o Eurocat, um gato roxo que surgia num pequeno segmento animado antes de cada actuação. Como 1990 foi declarado como o Ano Europeu do Turismo, cada país mostrou antes da sua actuação um pequeno filme que pretendia mostrar as suas belezas turísticas.

Ketil Stokkan (Noruega)
Beat (Finlândia)

A Noruega e a Finlândia partilharam este ano o sempre indesejado último lugar (de facto estes são os dois países com maior número de últimos lugares no Festival da Eurovisão). 
O norueguês Ketil Stokkan regressava ao Festival depois de em 1986 ter sido o representante do país anfitrião com o tema "Romeo" com uma actuação que só vista. Quatro anos depois, Stokkan regressou num registo bem mais sério. Como o título indiciava, o seu tema "Brandenburger Tor" ("portas de Bradenburgo") era sobre a queda do Muro de Berlim.
A Finlândia fez-se representar pelo quarteto Beat, composto pelos irmãos Kim e Janne Engblom, Tina Krausen e Tina Pettersson. Apesar do look roqueiro dos quatro e da letra subversiva, o seu tema "Fri?" ("Livre?") era um tema pop dançável. Foi a primeira vez que a Finlândia levou uma canção em sueco, que é a outra língua oficial do país, algo que só se repetiu em 2012.
Os dois países nórdicos dividiram o último lugar com oito pontos. Nem a habitual vantagem de terem sido os últimos a actuar resultou com os finlandeses.

Nucha (Portugal)
Christos Callow (Grécia)


Portugal não teve muito melhor sorte já que, como é frequente, a nossa canção foi virtualmente ignorada pelos outros países. Este ano, fomos representados pela cantora Nucha e o tem "Sempre (Há Sempre Alguém)" após vencer um Festival da Canção que teve a participação de nomes como Toy, Jorge Fernando, Os Afonsinhos do Condado e Cristina "Kika" Paço D'Arcos, que na altura pretendia ser a Xuxa portuguesa. Para não fugir à tendência dessa ano, a letra da canção portuguesa falava também da liberdade que os países um pouco por todo o mundo, nomeadamente os da Europa da Leste, lutavam então para alcançar, comparando com aquela que Portugal conquistou no 25 de Abril. A canção foi escrita por Luís Filipe e Jan van Dijk e orquestrada por Carlos Alberto Moniz. Para a história ficou também a genial ideia de enfeitarem o vestido de Nucha com notas musicais em cartolina. Portugal recebeu somente 7 pontos do Luxemburgo e 2 do Reino Unido, ficando-se pelo 20.º lugar. Porém esta participação na Eurovisão tornou definitivamente Nucha num nome conhecido do grande público e continua a ser uma das referências do repertório da cantora natural de Águeda.
Com 11 pontos, a Grécia classificou-se na posição imediatamente acima de Portugal. O representante helénico foi o cantor e actor ateniense Christos Callow, acompanhado do grupo Wave. Em vez dos temas importantes abordados por outros países, a Grécia apostou num tema romântico, "Horis Skopo" ("sem uma razão"). 

Kayahan (Turquia)

Rita (Israel)


Turquia e Israel trouxeram, como era habitual, um toque de exotismo. A israelita Rita Kleinstein fez uma interpretação sensual do tema "Shara Barkhovot" ("cantando nas ruas"), terminando ajoelhada no chão. Apesar disso, ficou-se pelo 18.º lugar com 16 pontos. Rita, que nasceu no Irão, continua a ser uma cantora muito popular em Israel. Foi ela a voz da Pocahontas da Disney na versão hebraica.
Infelizmente, o turco Kayahan Açar faleceu no passado dia 3 de Abril aos 66 anos. Foi ele o representante da Turquia em Zagreb com o solarengo tema "Gözlerinin Hapsindeyim" ("preso no teu olhar"), que foi 17.º com 21 pontos. 

Maywood (Holanda)
Edin-Adahl (Suécia)

Uma das minhas canções preferidas desse ano foi a da Suécia, "Som En Vind" ("como um vento") interpretada pelo quarteto Edin-Adahl. O grupo era composto por dois pares de irmãos, Bertil e Lasse Edin e Frank e Simon Adahl, que actuavam juntos desde 1977. Ficaram em 16.º lugar com 24 pontos.
A Holanda também apostou numa aliança familiar com o duo Maywood, composto por Karen May e Alice Wood, nomes artísticos das irmãs Dorte e Alle De Vries. As Maywood tinham conhecido algum sucesso internacional no início dos anos 80, com hits como "Late At Night". À Eurovisão, levaram a balada "Ik Will Alles Met Je Delen" ("quero partilhar tudo contigo"), que foi tido como uma das canções favoritas. No entanto, os Países Baixos ficar-se-iam pelo 15.º lugar com 25 pontos.

Anastasio (Chipre)
Céline Carzo (Luxemburgo)

Haris Anastasiou participara na actuação cipriota de 1987 como bailarino. Três anos depois, teve a oportunidade de mostrar o que valia como cantor ao representar Chipre com o tema "Milas Poli" ("tu falas demais"), um tema bem mexido que soava a algo feito pelos Stock-Aitken-Waterman. Ficou em 14.º lugar com 36 pontos.
Uma posição acima, com mais dois pontos, ficou o Luxemburgo, nesse ano representado por uma jovem cantora francesa, Céline Carzo, com o tema "Quand Je Te Rêve" ("quando sonho contigo").  

Egon Egemann (Suíça)
Philippe Lafontaine (Bélgica)


Na altura, o cantor belga Philippe Lafontaine gozava de grande popularidade nos países francófonos graças ao seu hit de 1989 "Coeur De Loup". Por isso, não foi de estranhar que a Bélgica lhe tivesse seleccionado como o representante daquele país na Eurovisão. O seu tema era uma balada dedicada à sua esposa, cujo título "Macédomienne" era um jogo de palavras entre "macédoinienne" ("macedónia", a origem da dita esposa) e "mienne" ("minha"). A Bélgica obteve o 12.º lugar com 46 pontos.
Imediatamente acima, com 51 pontos, ficou a Suíça, representada por Egon Egnmann. Além de cantar, Egemann mostrou os seus dotes de violinista no tema "Musik Klingt In Die Welt Winhaus" ("a música ressoa pelo mundo").  
Daniel Kovac e Chris Kempers (Alemanha)

Simone (Áustria)

A Áustria foi outro dos países que levou uma canção sobre a queda do Muro de Berlim e o título "Keine Mauer Mehr" ("muros nunca mais") não deixava dúvidas. A interpretar o tema esteve a jovem Simone Stelzer, então com 20 anos. Originalmente tinha sido outra canção a ganhar a pré-selecção austríaca, mas quando se descobriu que esse tema não era original, Simone teve a oportunidade de ir em Zagreb onde a sua beleza deu nas vistas. A Áustria ficou em 10.º lugar com 58 pontos. Simone continua a ser uma cantora popular no seu país e anos mais tarde, pousou para a Playboy alemã.
E eis-nos chegados ao país do dito muro, a Alemanha que em Outubro desse ano reunificaria as suas duas repúblicas. Os representantes alemães foram Chris Kempers e Daniel Kovac com o tema "Frei Zu Leben" ("livres para viver"). O autor da canção era Ralph Siegel, famoso por compor diversas canções para Eurovisão, nomeadamente a canção vencedora de 1982. Para este ano, Siegel apostara no dueto entre Kempers, que vira num programa de televisão a imitar Jennifer Rush, e Kovac, nascido na Eslovénia sendo portanto jugoslavo, para defenderem a sua canção. Embora não fizesse referências directas, era fácil descobrir na letra uma alusão à liberdade que os alemães de Leste alcançaram com a queda do Muro. A Alemanha ficou em nono lugar com 60 pontos.

Tajci (Jugoslávia)
Lonnie Davantier (Dinamarca)

A Dinamarca foi outro país a apostar numa jovem voz, Lonnie Devantier de 17 anos. Acompanhada por três bailarinos em frenética coreografia, Lonnie cantou o bem-disposto tema "Hallo Hallo" e alcançou o 8.º lugar com 64 pontos. Actualmente continua activa na música, sob o nome de Lonnie Kjer. 
Igualmente animada foi a canção da Jugoslávia que ficou em sétimo lugar com 81 pontos. A representante do país da casa foi a croata Tatjana Matejas, conhecida como Tajci. Com um visual a lembrar Marilyn Monroe, interpretou "Hajde Da Ludujemo" ("vamos ser loucos"), que eu na altura retive a parte em que ela dizia "cho-co-la-ta". Alguns anos mais tarde, Tajci mudou-se para o Estados Unidos onde reside actualmente, tendo adquirido nacionalidade americana.

Emma (Reino Unido)

Stjornin (Islândia)


Foi em 1990 que foi estabelecida a regra que fixou em 16 anos a idade mínima dos cantores participantes no Festival da Eurovisão (quiçá porque no ano anterior os representantes de França e Israel tinham apenas 11 e 12 anos). Apesar disso, a galesa Emma Booth de quinze anos foi autorizada a participar como representante do Reino Unido com o tema "Give A Little Love Back To The World". O tema falava sobre a preocupação pelo futuro e como a humanidade estava a esgotar os recursos do planeta. Emma foi acompanhada com um coro de cinco vozes, que incluía Miriam Stockley, cantora conhecida pela sua colaboração no projecto Adiemus e na banda sonora do filme "O Senhor dos Anéis: A Irmandade do Anel". A canção britânica ficou em sexto lugar com 87 pontos.
No ano anterior, a Islândia tinha ficado em último lugar com zero pontos mas em 1990, este país nórdico conseguiu o seu melhor resultado até então ficando em quarto lugar (124 pontos), graças ao tema "Eitt Lag Enn" ("mais uma canção") interpretado pelo duo Stjórnin. O duo era formado por Gretar Orvarsson e Sigridur Beinteinsdottir, mais conhecida como Sigga. Gretar e Sigga tiveram uma interpretação animada e descontraída da canção que convenceu a Europa, nomeadamente Portugal que deu 12 pontos à Islândia. Sigga e Grétar regressariam mais vezes à Eurovisão pela Islândia: em 1992, os dois integraram o quarteto Heart2Heart, em 1994 Sigga participou com um tema a solo e Gretar fez parte do coro da canção islandesa de 2008.

Azúcar Moreno (Espanha)

No quinto lugar, entre Reino Unido e Islândia, com 96 pontos, ficou a Espanha que nesse ano foi representado pelo conhecido duo flamenco Azúcar Moreno, das irmãs Toñi e Encarna Salazar. Foram precisamente a elas que coube abrir o desfile das canções, actuando em primeiro lugar, mas antes disso protagonizaram um dos mais famosos fails da história do Festival. Devido a um erro de sonoplastia, a faixa pré-gravada da canção, embora se ouvisse na transmissão televisiva, não se ouvia em palco pelo que as irmãs Salazar, a sua banda e a orquestra passaram por algum tempo parados em palco sem saber o que se passava, terminando com Toñi e Encarna a saírem do palco entre confusas e irritadas. Mas após essa falsa partida, a segunda tentativa decorreu sem problemas e as Azúcar Moreno defenderam com bastante salero o tema "Bandido". As duas continuariam a sua carreira de sucesso nos anos vindouros, nomeadamente em 1996 com o álbum "Esclava De Tu Piel" e o seu maior hit em Portugal "Solo Se Vive Una Vez". Em 2007, foi anunciada uma paragem na actividade musical do duo para que Encarna pudesse tratar de um cancro da mama, tendo regressado em 2014.

Liam Reilly (Irlanda)

Joelle Ursul (França)

A França e a Irlanda empataram no segundo lugar com 132 pontos. Liam Reilly foi o representante irlandês com o tema "Somewhere In Europe". Não, não era sobre o muro de Berlim, como seria de esperar, mas simplesmente sobre um romance durante uma viagem na Europa. Liam Reilly regressaria ao Festival no ano seguinte como compositor da canção irlandesa.
Oriunda da ilha de Guadalupe, Joelle Ursul foi a representante francesa com o tema "White & Black Blues", da autoria do célebre Serge Gainsbourg (que viria a falecer no ano seguinte). Como o título deixa adivinhar, era um tema com mensagem anti-racista. Acompanhada por bailarinos e percussionistas que tocavam em bidons, Joelle trouxe as sonoridades caribenhas para Zagreb. Joelle Ursul continua bastante activa na cena musical de Guadalupe.   

Toto Cutugno (Itália)

No final das votações, a vitória acabou por sorrir à Itália que somou 149 pontos. Vinte e seis anos depois do triunfo com o célebre "No Ho L'Etá" na voz de Gigliola Cinquetti, a Itália voltava a vencer o Festival da Eurovisão. O cantor toscano Toto Cutugno era já um nome firmado da música italiana, com uma carreira que vinha desde 1976 e que teve em 1983 o seu momento mais sonante com o hit "L'Italiano" (também conhecido como "Lasciate mi cantare"). Para não fugir à temática mais predominante neste ano, também o tema italiano "Insieme: 1992" falava das transformações que a Europa iria ter nos anos vindouros, nomeadamente a abolição das fronteiras entre os países membros da União Europeia, apelando a uma união dos diversos povos europeus. (Nobres ideais infelizmente postos em causa na Europa pelas razões que se conhecem). Cutugno foi acompanhado no coro pelos membros do grupo esloveno Pepel I Kri, que em 1975 tinham sido os representantes jugoslavos no Festival. Durante as votações, foi bem visível o nervosismo de Toto Cutugno, que suava de tal forma que estragou o casaco branco com que actuara em palco, tendo-o substituído por um casaco preto quando regressou ao palco para o momento de consagração. Outro acontecimento inédito foi o facto de Toto Cutugno, durante a reprise da canção vencedora, ter descido do palco e cantado a sua canção no meio da assistência. Toto Cutugno viria a apresentar o Festival da Eurovisão do ano seguinte em Roma com Gigliola Cinquetti.  



Festival da Eurovisão de 1990 (transmissão da RTP):




   
   

segunda-feira, 4 de maio de 2015

A Guerra das Estrelas e O Regresso de Jedi - Capas VHS TV Guia (1989 e 1991)


Acessório indispensável para quem gostava de gravar em cassetes VHS os seus programas e filmes favoritos para mais tarde rever ou apenas ampliar a colecção, as capas que eram oferecidas com diversas revistas televisivas não eram sempre das mais bonitas, mas ainda hoje enfeitam muitas prateleiras de casa em Portugal, pelo menos das casas que ainda não se desfizeram delas. Recentemente, veio-me parar às mãos as capas que vieram na TV Guia para as exibições na RTP de filmes da saga "Guerra das Estrelas", na época ainda pré-edições especiais.

"O Regresso De Jedi" [17 de Maio de 1989] Lotação Esgotada, RTP-1


Os nossos leitores atentos da Página do Facebook imediatamente repararam nos erros presentes na capa que tem indicação "Guerra das Estrelas" e a própria ficha técnica indica o título original "Star Wars" e a data de 1977, quando o filme emitido foi o "Regresso de Jedi" de 1983, cujas fotos ilustram a capa.
Apesar da sinopse ao corresponder ao filme gravado, acrescenta um parágrafo que reproduzo a seguir:
"A Guerra das Estrelas é um título que já pertence à mitologia do Cinema, apesar de ter surgido apenas já pouco mais de uma dezena de anos. De facto, ele foi um dos filmes que, ao longo da década de 70, devolveram ao Cinema a sua mais genuína dimensão espectacular."
 Também no jornal "Diário de Notícias" do dia está a indicação do filme errado, e a mesma sinopse:
"Numa galáxia distante, uma princesa rebelde escapa às forças que ameaçam a estabilidade do seu reino. Com a ajuda de um jovem herói e dos seus "robots" empreende um combate contra os terríveis exércitos do Mal comandados pelo implacável Darth Vader."



"A Guerra das Estrelas" [8 de Novembro de 1991] Sessão da Noite, RTP-1

Agora sim, mais de dois anos depois, foi emitido o filme "A Guerra das Estrelas" [ mais tarde conhecido por "A Guerra das Estrelas - Episódio IV: Uma Nova Esperança"], logo a seguir à novela "Sassá Mutema".


A sinopse desta capa é uma versão remisturada da da capa de 1989:

"A Guerra das Estrelas, é o primeiro filme de uma trilogia sobre uma princesa rebelde que escapa às forças que ameaçam a estabilidade do seu reino, situado numa galáxia distante. A princesa, de nome Leia, é coadjuvada por um jovem herói e os seus robots que empreendem um gigantesco e espectacular combate contra os terríveis exércitos do Mal, comandados pelo implacável Darth Vader. Esta extraordinária epopeia espacial pertence já à mitologia do Cinema, apesar de ter surgido hà pouco mais de uma dezena de anos.






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sábado, 2 de maio de 2015

Blossom (1990-1995)

por Paulo Neto

Na página do Facebook da Enciclopédia de Cromos, existe uma rubrica promovida pelo David José Martins chamada "Antes e Depois", onde se comparam fotos de estrelas dos anos 70, 80 e 90, no auge da sua fama e na actualidade. Uma delas é dedicada à actriz Mayim Bialik.



Mayim (que quer dizer "água" em hebraico) Bialik nasceu em San Diego a 12 de Dezembro de 1975. Actualmente é conhecida pela sua participação em "A Teoria do Big Bang", interpretando a Dra. Amy Farrah Fowler, uma desconcertante neurocientista (profissão que Bialik também exerce a par da representação), um papel que já lhe valeu três nomeações para os Emmys.





Mas a carreira de actriz de Mayim Bialik vem desde a sua pré-adolescência, onde se revelou um jovem prodígio. Foi revelada em 1988 com o filme "Eternamente Amigas", no qual interpretou a personagem de Bette Midler em jovem. (De referir que este foi neste filme que Bette Midler interpretou o seu maior hit musical "Wind Beneath My Wings"). Fez também participações em série como "A Bela e o Monstro", "O Menino Doutor" e "Murphy Brown", bem como no videoclip "Liberian Girl" de Michael Jackson. Recordo-me sobretudo da sua participação em três episódios de "MacGyver" no papel de Lisa Woodman, a problemática filha de um milionário. 



Mas o maior êxito da carreira júnior de Mayim Bialik foi sem dúvida a sitcom "Blossom", exibida nos Estados Unidos em cinco temporadas entre 1990 e 1995. Em Portugal, a série estreou na RTP em 1993 aos domingos à tarde, onde foram exibidas as duas primeiras temporadas. Posteriormente, as restantes temporadas foram exibidas em diversos horários. 

Mayim Bialik interpretava a personagem-título, Blossom Russo, uma adolescente que se depara com o divórcio dos pais, o abandono do lar por parte da mãe, o facto de ser a única mulher da casa, sozinha com o pai e os dois irmãos, e os problemas com a excessiva autoridade que o pai passa a exercer sobre ela. Uma história que podia ser melodramática, se não fosse contada com humor.


Após a partida da ex-mulher Maddy (Melissa Manchester) que decide perseguir o seu sonho de ser cantora, Nick Russo (Ted Wass) deixa a sua vida como músico sempre em digressão por um emprego mais fixo para tomar conta dos três filhos. O facto de no passado o filho mais velho Anthony (Michael Stoyanov) ter tido problemas com álcool e drogas na adolescência faz com que Nick seja sobreprotector e demasiado conservador na educação dos dois filhos mais novos. No início da série, Anthony refez a sua vida, trabalhando numa loja de donuts e estudando para ser paramédico. 
Ao contrário do resto da família, o filho do meio Joey (Joey Lawrence) não prima muito pela inteligência, fazendo-se valer dos seus talentos desportivos e do seu palmo de cara para conseguir o que quer. Ficou famosa a sua expressão: "Whoa!"


Vivendo no meio de três homens, Blossom encontra conforto feminino sobretudo na melhor amiga Six Lemeure (Jenna van Öy).  Oriunda de uma família desestruturada, Six vê os Russo como a sua verdadeira família e é costume Nick tratá-la como se fosse sua filha. Six tem um recorrente fraquinho por Joey e destaca-se por falar demasiado rápido em momentos de stress. 


Ao longo de toda a série, Blossom vai enfrentando os problemas típicos da adolescência, aprendendo importantes lições de vida através das suas vivências e as da sua família e amigos. Também mantém um namoro intermitente com Vinnie Bonitardi (David Lascher).

De entre outras personagens da série há a destacar Buzz (Barnard Hughes), o desbocado avô de Blossom e sogro de Nick, que vive com os Russo durante algum tempo, Rhonda (Portia Dawson) uma coelhinha da Playboy que namora com Anthony, antes deste se casar com Shelly (Samaria Graham) de quem tem um filho, Carol (Finola Hughes) que se casa com Nick e por quem Blossom leva algum tempo a aceitar como madrasta e Sharon (Gail Edwards), a mãe de Six que tem bastante semelhanças com a filha. 

A série também tinha uma manobra recorrente em que, em sequências imaginárias, Blossom recebe conselhos de figuras públicas como Mr. T, ALF, Will Smith e Hugh Hefner. O estilo da personagem principal também ajudaram ao estatuto de culto da série, com muitas adolescentes americanas a imitarem o estilo de Blossom, sobretudo os chapéus que ela usava amiúde.



O sucesso da série também transformou Joey Lawrence num ídolo adolescente. Lawrence tentou capitalizar a fama para uma tentativa de carreira como actor tendo lançado uns quantos singles em 1993. Mais recentemente protagonizou a série "Melissa & Joey", com Melissa Joan Hart (a quem originalmente foi oferecido o papel de Six em "Blossom"). Já Michael Stoyanov foi um dos esbirros do Joker em "O Cavaleiro das Trevas" (2008).

Genérico 1.ª temporada:




Genérico 2.ª temporada:


Genérico 3.ª e 4.ª temporada:



Joey Lawrence "I Can't Help Myself"



sexta-feira, 1 de maio de 2015

EuroSubbuteo 80 (1980)


Algum dia hei-de de fazer um cromo sobre o "Subbuteo", mas, primeiro tenho que perceber bem como se joga. Futebol nunca foi o meu forte, mesmo nas versões para jogar com os dedos e uma espécie de caricas com jogadores em cima. Se os meus olhos não me falham, o membro sénior da ilustração é o lendário Eusébio*, entretido a a jogar com dois petizes, num pequeno estádio que tem até postes de iluminação. Ainda hoje existem campeonatos de futebol de mesa, e este anúncio dizia "treina-te para o próximo campeonato". 
"Depois de realizado o Campeonato Nacional os nossos três representantes no campeonato de Europa de Subbuteo jogam o futebol de mesa como os campeões de futebol a sério em Roma. Sê como eles compra as tuas equipas nacionais ou europeias e <> o campeonato de Europa para a tua casa."


* Podem ver mais duas imagens de Eusébio e Subbuteo no blog Red Pass: [aqui] e [aqui]


Publicidade retirada da revista Almanaque do Patinhas Nº 3, de 1980. 
Uploader original desconhecido. Imagem Editada e Recuperada por Enciclopédia de Cromos.


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segunda-feira, 27 de abril de 2015

Custódio Cardoso Pereira - Guitarras clássicas Keller


Percebo nicles de instrumentos musicais, mas gosto do aspecto tradicional destas guitarras clássicas Keller fabricadas pela firma Custódio Cardoso Pereira, nas variantes Infante e Almeria.

Publicidade retirada da revista Almanaque do Patinhas Nº 28, de 1982. 
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