Este anúncio ás pastilhas elásticas "Narigudos", publicita os brindes de emblemas autocolantes, dos quais podemos ver alguns exemplos no canto superior esquerdo, nos emblemas dos clubes de futebol. A acompanhar o cartoon dos dois narigudos que davam nome ás pastilhas e um cão - também possuidor de um apendice nasal avantajado; a "lista de prémios: apitos, balões, colecção de soldados, gipes, galhardetes, carros e autocolantes de equipas portuguesas e estrangeiras".
Curiosamente, a única outra referência que encontrei online a estas pastilhas, foi outro exemplar do mesmo anúncio, colocado no Facebook da Caderneta de Cromos pela Ana Trindade. [aqui]
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retirada da revista Almanaque do Patinhas Nº 19 , de 1981. Uploader
original desconhecido. Imagem reparada e editada por Enciclopédia de
Cromos.
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Por esta altura no ano passado, fui pescar algumas memórias dos meus Carnavais de infância [aqui]. Uma componente importante das festividades é o disfarce envergado pelo folião. Os meus resumiram-se a cowboy, zorro e punk (juro que foi só uma vez). Em finais de 80 (ou inicios de 90) quis inovar a indumentária e pedi o disfarce de Super-Homem (o meu herói favorito até hoje). Recordo de vê-lo pendurado nos cabides da casa da senhora que vendia/alugava, mas para meu grande desgosto, não me servia...
No mesmo artigo, incluí um vídeo do Carnaval de 1977 na minha terra natal, Olhão. Lembrei-me de ir olhar ao vídeo com mais atenção em busca dos disfarces mais comuns e os mais invulgares. E se no incio estava apenas preocupado em conseguir imagens dos fatos, entreti-me também a olhar aos carros alegóricos e afins.
Carnaval em Olhão (1977):
Entretanto fui procurar uma fonte com a imagem de melhor qualidade (aqui) e tirei cerca de uma centena de imagens, para analisar algumas delas.
Carnaval em Olhão (1977) Video mais longo, não editado, melhor qualidade de imagem:
Os obrigatórios Zorros, espanholas e princesas faziam companhia aos trajes regionais, soldadinho, e outros mais dificeis de identificar.
Na juventude dos meus pais, creio que o disfarce mais comum era os chamados "entronchos" (disfarces improvisados, homens mascarados de mulher e vice-versa) de que curiosamente pouco vi neste vídeo; apesar de ter ouvido contar histórias de disfarces e partidas em grupo mais elaboradas do tempo dos meus avós.
O vídeo - da autoria de António do Ó Aleluia - é de 1977 - dois anos antes de eu nascer - e reparei na forte influência rural e tradicional nas indumentárias e carros alegórico.
E falando nas viaturas decoradas ou atrelados puxados por tractores, vários deles exibiam proeminente publicidade (a marcas e lojas locais principalmente) e sátiras ou críticas sociais. Destaco a invulgaridade de um eléctrico que sobre rodas de borracha passeou os foliões pela principal avenida da cidade.
Carro alegórico com as obras d' "O Desejado" Gimnodesportivo do S.C.Olhanense, com inaugaração prevista para 30 de Fevereiro de 1977*:
(O Gimnodesportivo do S.C.Olhanense que conheço foi inaugurado há poucos anos, desconheço se realmente algum foi concluido na altura.)
"Cena Eventualmente Chocante" para alertar para a elevada sinistralidade nas estradas portuguesas:
Caixão carregado por cabeçudos, com a inscrição "Este homem foi vítima do cabaz das compras".
Foi no ano de 1987 que eu descobri o universo do faroeste americano segundo Lucky Luke, o cowboy que dispara mais rápido que a sua sombra criado pelo belga Morris (Maurice de Bevere) e René Goscinny. Primeiro porque recebi de presente um dos livros de BD e depois que porque a série animada passava na RTP aos sábados à tarde.
Inspirado livremente no xerife italo-americano Luciano Locarno, Lucky Luke é um cowboy errante que passa a vida a reparar injustiças, quer sob contracto da polícia, quer por envolvimento das circunstâncias. Através da sua coragem, das suas proezas a disparar (embora não mate ninguém) e da sua inteligência, Luke salva sempre o dia para no fim de cada livro e episódio, voltar à sua eterna e solitária caminhada com o seu cavalo ao pôr-do-sol cantando "I'm a poor lonesome cowboy". Outra sua imagem de marca é o cigarro sempre suspenso na sua boca, mas em 1988, Morris aderiu a uma campanha antitabagista onde substituiu o cigarro por uma palha.
Ao longo dos vários volumes da série, Lucky Luke encontra várias personagens reais que se tornaram mitos do século XIX como Billy The Kid, Calamity Jane, o juíz Roy Bean, a quadrilha de Jesse James e Sarah Bernhardt e participa em vários acontecimentos da história da América de então como a construção da primeira linha de telégrafo transcontinental.
O cavalo Jolly Jumper é o fiel companheiro de Lucky Luke e tão inteligente quanto o seu dono, sempre pronto a partilhar um comentário sarcástico sobre cada situação com o leitor/espectador. Ao contrário do dono, prefere quando não há sarilhos, mas se os houver, está sempre fielmente a seu lado. O outro animal, digamos, ajudante de Lucky Luke é Rantanplan, "o cão mais estúpido do Oeste", um cão polícia que é uma espécie de antítese do Rintintim, tal a sua inaptidão para as suas funções e o seu constante alheamento de tudo (Lucky Luke é a única pessoa que ele reconhece de forma constante). Mas apesar de tudo, Rantanplan tem bom fundo e costuma acompanhar Lucky Luke e Jolly Jumper nas suas aventuras e às vezes, sempre por obra do acaso, revela-se essencial para o desenlace da acção.
Mas uma vez que o primeiro livro da série que eu li era "Os Dalton no Canadá", foi mais ou menos óbvio que as minhas personagens preferidas acabaram por ser os quatro irmãos Dalton, Joe, William, Jack e Averell, de aspecto semelhante mas de alturas diferentes. Este quarteto de bandidos estava sempre a fugir da cadeia e uma das missões mais recorrentes de Lucky Luke era capturá-los. Os Dalton eram inspirados por uma verdadeira quadrilha de irmãos chamados Dalton e que aliás, foi retratada num dos primeiros volumes da série "Os Fora da Lei", que terminava com a morte deles, numa situação semelhante àquela em que dois deles perderam a vida. Porém, notando o potencial cómico desses irmãos para antagonistas recorrentes, Morris decidiu inventar quatro primos fictícios e idênticos. Joe, o mais baixo, é o cabecilha que faz os planos, constantemente em fúria devida ao seu ódio por Lucky Luke e Rantamplan (que confunde Joe por um suposto querido dono) e pela imbecilidade do irmão Averell. Este, o mais alto, é o elo mais fraco da quadrilha, uma espécie de Rantamplan humano, sempre com dificuldade em perceber tudo aquilo que se passa em seu redor, mais interessado em comer do que em participar nas actividades criminosas, onde só toma parte por arrasto. Já os dois outros irmãos, William e Jack, não têm muitas características particulares, ao ponto de nunca ser muito claro qual deles é que é o mais segundo mais alto ou o segundo mais baixo dos quatro, funcionando sobretudo para apaziguar as fúrias de Joe e repreender Averell.
A BD de Lucky Luke já foi traduzida em 23 línguas e até ao momento, conta com 81 volumes. Após a morte de Morris em 2001, outros artistas continuaram as histórias do cowboy. Existe também um série spin-off com Rantamplan como protagonista, iniciada em 1987.
Além do inevitável e extensa gama de merchandising, as histórias de Lucky Luke foram convertidas para a animação. Além de três longas-metragens, lançadas entre 1971 e 1983, houve também uma série de 26 episódios, co-produzida pela Hanna-Barbera em 1983, e que a RTP passou em 1987 na versão francesa legendada em português aos sábados à tarde (uma das raras séries animadas até então a serem transmitidas fora dos tradicionais blocos de programação infantil) e que eu nunca perdia, mesmo que para tal tivesse que aturar programas secantes para um petiz de sete anos como "Parlamento" que dava imediatamente antes. Mais episódios da série foram produzidos em 1991.
Além disso, já por algumas vezes as histórias tiveram adaptações com actores de carne e osso, em que actores como Terence Hill, Till Schweiger e Jean Dujardin encarnaram o cowboy mais famoso da BD.
Na Enciclopédia de Cromos, por motivos óbvios, os meus post de livros são geralmente de temáticas que tradicionalmente se associam aos rapazes: ficção científica, aventura, etc. Para hoje trazer algo diferente, recorri ao baú disponibilizado pela Ana Trindade e escolhi este pequeno livro recortado: "Maria Inês e a sua boneca", de 1971.
Escolhi este pela ilustração, muito típica dos anos 60 e 70. Foi pesquisar online e além das bibliotecas, só encontrei referência ao livro no blog "O Mundo Em Que Vivi" [Maria Inês e a sua boneca], que tem outras coisas antigas e bem interessantes. Graças ás fotos lá publicadas pude apurar estes detalhes: é o Nº 1 da Colecção Sonho, das Publicações Europa-América. A ilustração da capa é da autoria de F. Gallarda (Francisca Gallarda Garós, podem ver aqui um album com bastantes ilustrações do mesmo estilo característico), enquanto que os desenhos do interior estiveram a cargo de J. Busquets. Os textos são de Enrique de Obregón ("La Conquista del atomo"), e traduzidos para português porZeca Sonso ("Ana Maria e a pequena sereia", ).
E começava assim: "Maria Inês era uma menina que gostava muito de levar a sua boneca a passear. Uma manhã, decidiu ir aos seu sítio preferido, o Jardim das Flores, que ficava pertinho de sua casa". Outros tempo em que uma criança podia ir passear sozinha, dar de comer aos pombos, receber flores do guarda do jardim (que aparenta ser uma criança também. Trabalho infantil?). Podem ver o resto aqui: "O Mundo Em Que Vivi" [Maria Inês e a sua boneca].
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A TVI iniciou a sua ligação à teledramaturgia nacional logo no início das suas emissões em 1993 com a telenovela "Telhados de Vidro". Porém nos anos que seguiram, essa foi uma área pouco explorada pela estação de Queluz de Baixo, com poucas e honrosas excepções como a sitcom "Trapos & Companhia" (1994), até que em 1999 estreou "Todo o Tempo do Mundo", uma série com vários elementos de telenovela e um elenco all-star, que se tornou o prenúncio do que acabaria por se tornar uma das jóias da coroa do canal na viragem do século. Com alguma ajuda do fenómeno Big Brother, mas não só, "Jardins Proibidos" mostrou que as telenovelas nacionais podiam ombrear com as brasileiras da Globo, até então um dos bastiões do primetime da SIC. Mas o domínio chegaria em 2001, com "Olhos de Água", ainda hoje considerada uma das principais referências da produção de telenovelas nacionais.
Da autoria de Tozé Martinho, Cristina Aguiar e Sarah Trigoso, "Olhos de Água" foi emitida entre 20 de Fevereiro e 6 de Outubro de 2001, num total de 180 episódios e contava a história do reencontro entre duas irmãs gémeas, ambas interpretadas por Sofia Alves.
Em 1975, as pequenas Leonor e Luísa vivem felizes em Moçambique, junto dos seus pais Sebastião e Jacinta. Mas durante as revoluções da independência de Moçambique, o casal da família é incendiado e os quatro são tragicamente separados. Resgatada pelo fiel jardineiro Tibane (Daniel Martinho), Luísa é levada para Lisboa onde será criada pela família materna. Por seu turno, Leonor é levada para Portugal por Angelina Serra (Cremilda Gil) e o seu marido, um casal de retornados com dificuldades em ter filhos que a criam como sua filha numa aldeia da Serra da Lousã.
Em 2001, as gémeas têm agora 28 anos e praticamente esqueceram todo o seu passado em África. Luísa é agora a líder das empresas da família Negrão, tendo sido criada pela sua tia solteira Natália (Eunice Muñoz) e o seu tio viúvo Henrique (Sinde Filipe). Como estes lhe contaram que a sua mãe morrera após lhe dar a luz, não sabe que foi adoptada nem que tem uma irmã. Luísa é uma mulher ambiciosa, inteligente, perspicaz e um pouco altiva. No passado, num gesto de rebeldia casou-se com Duarte (António Pedro Cerdeira), um restaurador de arte, de quem teve uma filha, Margarida (Mafalda Luís de Castro). Porém, por influência da família de Luísa que nunca aceitou o casamento, a relação não vingou, deixando ressentimento de ambas as partes que só Margarida consegue apaziguar. Mas no fundo, por detrás da animosidade, Luísa e Duarte continuam apaixonados.
António Pedro Cerdeira (Duarte) e Sofia Alves (Luísa)
Mafalda Luís de Castro (Margarida)
Já Leonor levou uma vida humilde mas feliz no campo. Mesmo contra a vontade de Angelina, que pretende que ela case com Zé Maria (Joaquim Nicolau), um amigo e eterno apaixonado da rapariga, Leonor decide mudar-se para Lisboa, alugando um quarto na Ajuda, em casa da mecânica Anita (Sílvia Rizzo), que torna-se a sua nova melhor amiga.
O primeiro sítio onde Leonor vai procurar emprego é precisamente na sede das empresas dirigidas por Luísa e as duas acabam por se cruzar, ficando estupefactas por encontrarem alguém tão idêntico a elas. A partir daí Luísa dispõe-se a encontrar essa rapariga tão igual a si, mas tal não será fácil até porque Henrique e Natália farão tudo para que a sobrinha não encontre a irmã.
Sílvia Rizzo (Anita), Sofia Alves (Leonor) e Ruy de Carvalho (Joaquim)
Entretanto, Leonor arranja emprego na lavandaria de Araújo (Orlando Costa) que, fascinado por ela, aproveita todas as ocasiões para a assediar, sendo só impedido pela outra empregada Celeste (Anita Guerreiro), que põe o patrão em sentido. Além de Anita e Celeste, Leonor também trava amizade com vários habitantes do bairro, como Joaquim (Ruy de Carvalho), o dono da taberna onde várias personagens se reunem e Ernesto (Henrique Marques), um jovem órfão. Além de Araújo, também Duarte fica interessado em Leonor ao rever nela uma versão mais amável de Luísa, e Zé Maria, por sugestão de Angelina, também vem para Lisboa na tentativa de a convencer a casar com ele. Mas quem acaba por conquistar Leonor é Ricardo (Pedro Lima), um advogado amigo de Duarte. Só que Ricardo é um homem mulherengo e mesmo amando verdadeiramente Leonor, não consegue deixar os seus hábitos de conquistador, para desilusão da rapariga.
As gémeas acabam por se reencontrar numa altura em que ambas estão grávidas, Leonor de Ricardo e Luísa de uma breve reconciliação com Duarte (inicialmente só Leonor é que ficaria grávida, mas os autores tiveram que engravidar as duas porque Sofia Alves engravidou na vida real). Apesar de todas as diferenças, as duas tornam-se bastante unidas e ajudam-se mutuamente, sobretudo quando Luísa sofre uma doença renal e Leonor terá de lhe doar um rim.
Manuel Cavaco (Sebastião "Bicas")
Ricardo (Pedro Lima)
No final, além de ficarem felizes junto de Duarte e Ricardo e respectivos filhos, as duas irmãs reencontram os seus pais. Descobrem que o seu pai é Bicas (Manuel Cavaco), um sem-abrigo atormentado pela perda sua família em África, que é ajudado por Joana (Rita Salema), uma prima de Luísa, e pelo padre Carlos (Tozé Martinho), e que a mãe delas, Jacinta (Guida Maria), tornou-se freira e vive num convento.
Fernando Cabral, concorrente do Big Brother 2, teve um pequeno papel na telenovela
Do elenco também fizeram parte nomes como Estrela Novais, Guilherme Filipe, André Gago, Delfina Cruz, Nuno Távora, Nuno Homem de Sá, Tareka, Pedro Cunha, Adelaide João e Cucha Carvalheiro. De destacar ainda Fernando Cabral, um concorrente da segunda edição do "Big Brother" que tinha mostrado dotes para a representação, ao ponto que logo após a sua eliminação do programa, a TVI atribuiu-lhe um papel secundário na telenovela, o de Samuel, um fiscal das Finanças que vem averiguar as irregularidades de Joaquim mas que acaba por fazer vários amigos na zona. Além de contracenar com Ruy de Carvalho, a TVI terá mesmo pedido aos autores que o jovem tivesse também uma cena com Eunice Muñoz.
Com uma trama tipicamente novelesca mas bem escrita e boas interpretações do elenco, sobretudo de Sofia Alves e Manuel Cavaco, "Olhos de Água" foi um sucesso de audiências, cimentando a TVI como novo líder do horário nobre, mesmo sem a muleta do "Big Brother". A novela foi também exibida no Brasil na Rede Bandeirantes e já foi reposta duas vezes, a mais recente das quais a partir deste mês de Janeiro nas madrugadas da TVI.
Por fim, não há como não lembrar o principal tema da novela, interpretado de forma epicamente ensurdecedora emotiva por Toy.
Duas vidas separadas pelo tempo
Dois destinos numa história de amor
Olhos de água, não deixam de sentir
Olhos de água, não podem desistir de procurar
O outro lado p'ra completar o sonho impossível de apagar
A versão cantada por Toy surgia no genérico de abertura, mas no genérico final tocava a versão interpretada a meias pela sua irmã Leonor Ferrão e a cantora Ana Ritta (que também cantava um dos outros temas lacrimejantes da telenovela, aptamente intitulado "Estou Triste e Vou Chorar").
É assaz incontornável falar das Spice Girls quando se fala nos anos 90. Quando o quinteto britânico se estreou em 1996 com o viciante e algo esquizofrénico "Wannabe", foi todo o início de uma explosão e durante os dois anos seguintes, as canções e os rostos de Emma Bunton, Melanie Brown, Melanie Chisholm, Geri Halliwell e Victoria Adams-Beckham estavam em todo o lado.
A receita do sucesso era simples: o preenchimento de uma lacuna na indústria musical para grupos pop femininos (em contraponto à overdose de boybands da altura), uma mão-cheia de canções orelhudas e uma atitude irreverente que apelava a ambos os géneros e a várias idades. Se para um rapaz era desconfortável assumir que se gostava das canções das boybands, havia menos complexos em assumir o gosto pelas Spice Girls. Sempre se podia dizer: "Elas são gajas boas".
O problema com o repertório das Spice Girls é que é demasiado filho do seu tempo, com uma sonoridade tão anos 90 que após o final da década, já soava demasiado datado. O que de certa forma explica que a tournée de reunião em 2007 e o álbum de greatest hits editado nesse ano tenham ficado aquém do esperado.
Entre os temas das raparigas especia(r)i(a)s que melhor envelheceram está o meu preferido, a balada "2 Become 1". Era o terceiro single do grupo e seguia a regra não escrita no marketing da música pop que após dois singles mais mexidos, convém que o terceiro seja uma balada. E assim foi, após "Wannabe" e "Say You'll Be There" (ou como certa vez ouvi uma miudita trautear "sei de um bidé"), surgiu "2 Become 1" um tema calminho e fofucho ideal para a quadra natalícia de 1996.
"2 Become 1" foi escrito pelos cinco membros do grupo com Richard Stannard e Matt Rowe, e foi alegadamente inspirada na ligação amorosa que Rowe e Geri Halliwell tinham na altura. Pelo título, dá para ver que a letra fala sobre o acto de fazer amor, confirmado quando no refrão elas ronronavam "wanna make love to ya, baby". E na recta final, existe mesmo uma referência ao sexo seguro, quando Emma Bunton canta "be a little bit wiser, baby, put it on, put it on", sendo que o "it" é obviamente um preservativo.
Mas apesar das referências ao sexo, o tema não deixa de ser bem meloso e fofinho como uma balada pop deve ser, perfeito para casais dançarem agarradinhos e/ou levarem a cabo uma sessão de curte.
Quem comprou o álbum "Spice", notará que a versão de "2 Become 1" aí incluída é diferente da versão de single e do videoclip. No álbum, uma parte da segunda estrofe é cantada por Geri Halliwell e soa assim: "Any deal that we endeavour, boys and girls feel good together" e na versão single, essa parte é cantada por Victoria que diz: "Once again if we endeavour, love will bring us back together". Alegadamente, a mudança deu-se por duas razões: porque Geri não conseguia cantar num tom mais agudo e para confirmar que Victoria cantava qualquer coisa, ela que foi sempre apontada como aquela que tinha menos contribuição vocal.
Além disso, o respectivo videoclip da canção é também sobejamente recordado, com as cinco Spice no meio de imagens aceleradas de Nova Iorque. Na verdade, elas foram filmadas num estúdio em Londres diante de um ecrã verde de croma e só depois as imagens de Nova Iorque foram sobrepostas.
Como não podia deixar de ser, "2 Become 1" foi mais um grande hit para as Spice Girls, sendo o n.º 1 do top britânico no Natal de 1996 e vendendo mais de um milhão de cópias só no Reino Unido. Foi também n.º 1 em Espanha e na Irlanda.
Apesar dos seus dias gloriosos já terem passados, o legado das Spice Girls permanece bastante vivo e as cinco moçoilas continuam bastante activas, entre a televisão, a moda, a representação e os ocasionais discos a solo.
O clássico chocolate em pó "Toddy" lançava este "Toddy Pronto" numa nova embalagem em 1982, "p'rá pequenada que p'rá escola vai lançada como o Toddynho não há.". Uns anos mais tarde, na minha escola primária tinhamos direito a um pacotinho de leite com chocolate para o lanche, mas não me recordo a marca que nos era oferecida. Por volta da mesma altura, pelo menos no Brasil, o "Toddy Pronto" era vendido numa latinha ["Propagandas Históricas"]. A ilustrar o anúncio, a criançada diverte-se em corridas de patins, abastecida de Toddy Pronto, claro.
Publicidade retirada da revista Almanaque do Patinhas Nº 28 , de 1982. Uploader original desconhecido. Imagem reparada e editada por Enciclopédia de Cromos.
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Basicamente quando se fala da sexualidade em Portugal, existem duas formas preponderantes: ou com demasiada vergonha e cerimónia, ou à laia da ordinarice e da piada bacoca. Mas no ano 2000, um programa ousou falar dos diversos matizes da sexualidade optando por um meio-termo, de forma informal, esclarecida e sem fazer didactismos ou juízos de valor.
Já havia anteriormente programas anteriores, nomeadamente os de Júlio Machado Vaz nos anos 90 na RTP como "Sexualidades" e mais tarde aqueles conduzidos por Marta Crawford, mas em "Sex Appeal" a voz principal era mesmo a dos portugueses.
Da autoria e produção de Felícia Cabrita e Júlia Pinheiro, "Sex Appeal" teve duas temporadas de vinte episódios cada, exibidas na SIC às sextas-feiras à noite entre 2000 e 2002. Além da temática, o programa ajudou a celebrizar Elsa Raposo. Uma das mais requisitadas modelos nacionais nos anos 80, Elsa Raposo foi (re)descoberta pelo grande público aos 36 anos com este programa, apresentando-se ainda então como uma mulher deslumbrante.
Cada programa tinha um tema específico. O do primeiro programa foi, como não podia deixar de ser, a primeira vez. Como podem ver neste vídeo, o programa inquiriu famosos e anónimos quanto à sua primeira vez.
Conforme o tema, variavam as perguntas. (O que é um orgasmo? Para que lado "arruma" o seu pénis? Já teve uma erecção na praia?)
Também recordo que algumas pessoas na rua eram inquiridas sobre o significado de certos termos onde se ficou a saber, em pleno 2000, que muitos portugueses ainda não sabiam o que queria dizer heterossexual (a resposta de um senhor "não sei, não ligo a esses desvios") e que achavam que a posição de missionário era de joelhos.
Também houve aqueles que davam os seus depoimentos sobre o tema em discussão na tranquilidade de um estúdio. Alguns dos quais se despiam tanto de roupas como de preconceitos, como foi o caso de um concorrente do reality-show "O Bar da TV" cujo nome não me recordo.
Outra rubrica que eu me recordo era de um segmento em que duas figuras públicas conversavam sobre sexo e outras experiências não menos ibidem enquanto viajavam num carro. Entre esses duetos imprevistos contavam-se dois elementos dos Excesso, Melão e Duck, emparelhados respectivamente com a actriz Rita Ribeiro e a poetisa Adília Lopes, Fátima Lopes (a estilista) com Olavo Bilac e Helena Sacadura Cabral com Virgílio Castelo.
O segmento mais polémico era o do videoclip erótico semanal, geralmente realizado por Diamantino Ferreira (que também dirigiu, por exemplo, o telefilme "O Lampião da Estrela"), que mais não eram que curtas-metragens eróticas (mas não explícitas). Uma delas acabou por causar grande polémica: isto porque era sobre o tema do 25 de Abril e que mostrou Otelo Saraiva de Carvalho (vestido) a rebolar no chão repleto de cravos com a actriz Julie Sargeant (nua).
Reportagem do Público sobre o programa e os testemunhos das autoras. Ler aqui.
Seja como for, "Sex Appeal" revelou que apesar de haver ainda muita relutância em Portugal de se falar abertamente de sexo, já se verificava o desaparecimento de alguns tabus e de que entre passos à frente e atrás, os portugueses em geral já abordavam o tema muito mais abertamente do que noutros tempos.
Quanto a Elsa Raposo, a sua imagem de mulher fatal que cultivou na condução do programa ajudou-a tornar-se conhecida do grande público mas nos anos que se seguiram, acabou por ser notícia sobretudo na imprensa cor-de-rosa pela sua atribulada vida amorosa.