segunda-feira, 11 de março de 2013

Xica da Silva (1996-97)

por Paulo Neto

Conforme o David vaticinou no artigo que ele escreveu sobre os 20 anos da TVI, a Enciclopédia aborda hoje a telenovela "Xica da Silva", que foi como o primeiro sinal que a estação de Queluz de Baixo estava decidida a deixar para trás o epíteto de "Canal de Igreja" dos seus primórdios.



Produzida pela extinta Rede Manchete, a telenovela foi exibida tanto no Brasil como em Portugal entre 1996 e 1997. A telenovela ficou na memória pelas cenas de erotismo e violência frequentemente exibidas ao longo dos 231 episódios da trama. Também fez história por ser a primeira telenovela brasileira a ter uma protagonista negra, Taís Araújo.


Inspirada em factos verídicos, a novela narrava a vida de Xica da Silva (Taís Araújo) uma bela e ousada escrava do século XVIII. A jovem sofre às mãos do seu dono, Cabral (Carlos Alberto) e da filha deste, Violante (Drica Moraes). A sua sorte muda quando o novo contratador real das minas de diamantes, o garboso João Fernandes (Victor Wagner) chega à cidade e fica fascinado pela escrava, apesar de estar noivo de Violante. Para provar o seu amor, assim que consegue comprar Xica, João dá-lhe a carta de alforria. Livre, Xica começa a viver vida de rainha ao lado do contratador e torna-se a mulher mais influente da região. Apesar da população não se conformar em ver uma ex-escrava com tanto poder, muitas personagens acabavam por recorrer a Xica quando têm algum problema. Xica vai ajudando aqueles que ela julga merecerem o seu auxílio e castigando cruelmente aqueles que ousam afrontá-la. A sua principal opositora é Violante que, inconformada por ter perdido o seu noivo para Xica, fará tudo para destruí-la.



De entre as restantes personagens há a destacar:


- Zé Maria (Guilherme Piva), que mal disfarça a sua homossexualidade, daí ser conhecido como "Zé Mulher". Bondoso e simpático, torna-se um dos melhores amigos de Xica e vive um confuso e divertido triângulo amoroso com Olívia (Giovanna Antonelli) com quem é forçado a casar e o escravo Paulo (Déo Garcez).
- Ursúla (Rita Ribeiro), sobrinha do padre Aguiar (José Steinberg), tida como uma moça virtuosa, conhecida até como a "Santinha", mas que na verdade é obcecada por sexo, falando frequentemente da "serpente" dos homens. Sem nunca manchar a reputação, vive um tórrido romance com Xavier (Matheus Petinatti).


- Martim (Murilo Rosa) e Das Dores (Carla Regina) formaram um dos principais pares românticos, como dois apaixonados de famílias rivais.
- Outro par romântico era vivido entre Micaela (Teresa Sequerra) e Luiz Felipe (Fernando Eiras), que viviam um amor proibido pois eram madrasta e enteado.




- Havia também uma família portuguesa, os Pereira, composta por actores portugueses. Teodoro (António Marques) era o patriarca, Guiomar (Lídia Franco) era a sua mulher (que tinha chiliques quando via um escravo em tronco nú) e Joaquina (Rosa Castro André) e Graça (Anabela Teixeira) as suas filhas. Ambas eram apaixonadas por Felix (Jayme Periard) que apesar de amar Graça, vê-se obrigado por tradição a casar com Joaquina. Mais tarde, descobre-se que os Pereira eram judeus que tinham fugido para o Brasil para escapar à Inquisição, dando a oportunidade de Félix e Graça fugirem juntos. 
- O português Gonçalo Dinis também entrou na telenovela, como o soldado Macário.
- Do elenco ainda fizeram parte nomes como Adriane Galisteu, Myriam Pires, Ângela Leal, Dalton Vigh e Alexandre Lipiani (que viria a falecer num acidente de viação duas semanas antes do fim das filmagens). Zézé Motta, que tinha feito de Xica numa adaptação cinematográfica em 1976, fez de Maria da Silva, mãe de Xica.

Como foi dito, a novela não se poupou em cenas de violência e sexo. Houve várias cenas de tortura, violação e assassinato. Também houve várias cenas ousadas que ficaram na retina, como uma bruxa que gostava de deixar cair cera quente em cima dos seios ou um grupo de noviças possessas que atacam sexualmente os homens da região, e muitas actrizes do elenco surgiram de maminhas ao léu. Curiosamente, Taís Araújo só o pode fazer assim que completou 18 anos de idade, quando já tinham sido gravados cinquenta capítulos. Ah! E até houve espaço para uma participação especial de Cicciolina herself, no papel de uma charlatã que se fazia passar por princesa genovesa.




O último episódio teve cenas filmadas em Lisboa, onde João Fernandes casa com Violante (abandonando-a logo de seguida) para salvar Xica.

A telenovela tornou Taís de Araújo uma estrela, tendo sido prontamente requisitada para os quadros da poderosa Rede Globo, onde também seria a primeira protagonista negra de algumas novelas da estação, como "Da Cor do Pecado" e "Viver a Vida". 

Genérico:


Cena com as actrizes portuguesas:






    

Revendedora Avon (1988)

Esta é a ultima publicidade das Selecções de Julho de 1988. Terminamos esta fase com um anúncio a um tipo de emprego que ainda é comum ver nos dias de hoje, o recrutamento de revendedoras "Avon".


Publicidade retirada da revista Selecções do Reader's Digest Nº 207 (Tomo XXXV) de Julho de 1988.

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domingo, 10 de março de 2013

CIE (1988) # 2

Já tínhamos visto um publicidade da "CIE" ( "uma marca portuguesa de projecção mundial") na Enciclopédia (ver aqui), mas o anúncio acima precede-a por um mês. Curiosamente, ambas as publicidades têm pernas femininas em grande destaque.

Publicidade retirada da revista Selecções do Reader's Digest Nº 207 (Tomo XXXV) de Julho de 1988.

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sábado, 9 de março de 2013

Micro Ondas Moulinex (1988)

O produto mais marcante da Moulinex - para mim - foi o famosa picadora 1,2,3, adorava ver aquilo picar carne e outros alimentos. Mas como o anúncio acima ilustra também tinham por exemplo, micro ondas, o que na altura devia parecer algo da ficção cientifica.


Publicidade retirada da revista Selecções do Reader's Digest Nº 207 (Tomo XXXV) de Julho de 1988.

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sexta-feira, 8 de março de 2013

8x4 (1988)

Um produto omni-presente na publicidade dos ano cromos, o deo-cologne "8x4". Na foto uma rapariga vestida com o que parece ser um repolho.



Publicidade retirada da revista Selecções do Reader's Digest Nº 207 (Tomo XXXV) de Julho de 1988.

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quinta-feira, 7 de março de 2013

Royal Air Maroc (1988)

Interessante o modo como a silhueta do logótipo da RAM ( Royal Air Maroc ) é usada para ilustrar as atracções de Marrocos, o destino dos voos desta companhia aérea.


Publicidade retirada da revista Selecções do Reader's Digest Nº 207 (Tomo XXXV) de Julho de 1988.

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quarta-feira, 6 de março de 2013

Monroe - Amortecedores (1988)

Um clássico da publicidade, esta imagem dos amortecedores "Monroe" que transforma o amortecedor em punho para agarrar o carro à estrada.


Publicidade retirada da revista Selecções do Reader's Digest Nº 207 (Tomo XXXV) de Julho de 1988.

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terça-feira, 5 de março de 2013

Glenn Medeiros "Nothing's gonna change my love for you" (1987)

por Paulo Neto

Os anos 80 providenciaram uma dose cavalar de baladas, mas poucas atingiram o nível de glucose xaroposa  como a rendição de "Nothing's Gonna Change My Love For You" do havaiano Glenn Medeiros. E sim, tal como o apelido indica, tem ascendência portuguesa. Aliás, é seguro afirmar que Medeiros tinha uma cara de fisionomia bem portuguesa, bem podia ser aquele rapaz que conhecíamos lá da escola que tinha sempre miúdas atrás dele.



A canção fora originalmente gravada em 1984 por George Benson, mas foi a versão de Medeiros que ficaria para a história e que se tornaria um must dos programas de discos pedidos e dos espaços baladeiros de estações de rádio em todo o mundo.

Glenn Medeiros nasceu a 24 de Junho de 1970 em Kaua'i no Hawaii  Começou nas lides da música aos 10 anos a cantar para os turistas que embarcavam no autocarro excursionista do seu pai. Aos 16 anos, ganhou um concurso de talentos de uma rádio local e teve a oportunidade de gravar um disco numa editora independente. Uma das faixas que gravou foi precisamente a sua versão de "Nothing's Change My Love For You". Reza a lenda que o tema chamou a atenção de um conhecido radialista de Phoenix que passava férias no Hawaii e, que de volta a sua cidade, levou o disco consigo. Pouco depois, a canção tornou-se um hit nacional e em 1988, o sucesso tornou-se internacional, tendo chegado ao n.º 1 dos tops britânico, holandês e francês. Em terras francesas, o êxito do disco levou a que Medeiros gravasse um dueto com Elsa Lunghini, uma jovem estrela francesa que fazia furor na altura, intitulado "Un roman d'amitié", que lhe valeu mais um n.º 1 em França. E graças à sua combinação de voz calorosa e de charme juvenil latino-tuga, teve muito poster pendurado nos quartos de várias adolescentes em todo o mundo.

   

Mas voltando à canção que o tornou famoso, estão lá todos os ingredientes da balada xaroposa. Voz juvenil e maviosa? Check! Letra com discurso "não sei viver sem ti"? Check! Solo de saxofone e de guitarra? Check! Videoclip com cenas queriduchas à beira-mar? Check! (Menção especial ao casaco que parecia um misto de kispo com roupão de banho!)



Medeiros também gravou a canção em espanhol, "Nada Cambiará Mi Amor Por Ti", e num caso de passagem de testemunho, a versão do cantor argentino Sergio Denis foi um hit na América Latina.

Além de Elsa Lunghini, Glenn Medeiros gravou duetos com Ray Parker Jr., com o grupo The Jets (para o filme "Momento da Verdade 3"), com Thomas Anders dos Modern Talking e com Bobby Brown. Foi precisamente com este dueto com o futuro ex-marido de Whitney Houston que Glenn conseguiu ver um single n.º 1 no top americano em 1990.




Actualmente, embora ainda edite ocasionalmente alguns discos, Glenn Medeiros divide o seu tempo entre actuações num hotel em Waikiki, a vida académica (é vice-reitor de uma escola primária e prepara um doutoramento) e a vida familiar (é pai de dois filhos com nomes bem musicais, Chord e Lyric). 

Glenn Medeiros em 2007


   
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