terça-feira, 16 de outubro de 2012

Sandra Kim "J'aime la vie" (1986)

por Paulo Neto

Querem sentir-se velhos, querem? Pois fiquem a saber que no passado dia 15 de Outubro, Sandra Kim completou quarenta anos de idade! Falo obviamente da pequena intérprete que venceu o Festival da Eurovisão de 1986. Embora na canção dissesse "j'ai quinze ans", na verdade ela nem sequer tinha ainda completado catorze anos, o que a torna na mais jovem vencedora eurovisiva de sempre. Como desde 1990, os intérpretes do Festival da Eurovisão têm que ter a idade mínima de 16 anos (e desde 2003, existe uma Eurovisão para os sub-15), é um recorde que provavelmente manter-se-á para sempre nas mãos desta cantora belga. 


A minha ligação ao Festival da Eurovisão vem desde muito petiz. O primeiro que me recordo ter assistido na televisão foi o de 1984, mas a edição que teve lugar dois anos depois em Bergen, na Noruega, foi a primeira que segui com entusiasmo. E embora quisesse naturalmente que a nossa Dora conseguisse um bom lugar para Portugal com o clássico "Não Sejas Mau P'ra Mim", nesse ano eu torci sobretudo pela Bélgica. 
Isto porque na altura, era costume a RTP apresentar a seguir a seguir ao Telejornal as canções que iriam umas semanas mais tarde competir no Festival da Eurovisão desse ano. Era costume que as canções fossem apresentadas em forma de videoclips, usualmente como uma espécie de postal ilustrado do respectivo país. Por exemplo, foi neste vídeo da canção cipriota de 1987 que descobri que havia montanhas com neve na solarenga ilha de Chipre e para mostrar as belezas dos Açores, a RTP não se fez rogada em pôr a nossa Adelaide Ferreira a fazer playback do "Penso em ti", canção representante de Portugal em 1985, no meio das furnas. 
Pois foi nessas apresentações que num certo dia de 1986, fiquei siderado ao ver o videoclip de "J'aime la vie". Primeiro, a canção, toda ela um festim de sonoridade eighties-pop, era fantástica. Depois, Sandra Kim, na graça dos seus treze anos, tinha um ar muito queriducho e provavelmente, foi o meu primeiro sex-symbol, mesmo se na altura não sabia bem o que era sex (tal como sucedeu com o Nuno Markl quanto à Pipi da Meias-Altas). Por fim, o videoclip mostrava Sandra alegremente pelas ruas de Bruxelas, fazendo coisas como pôr-se a cantar no meio de um jogo de voleibol, numa aula de dança jazz, passear com amigos ou a devorar um gelado gigantesco.

Por tudo isso, quando chegou o dia do Festival, eu não aceitava outro país vencedor que não a Bélgica. E foi isso mesmo que aconteceu: vestida com um fato branco e um laço roxo, Sandra Kim encantou tudo e todos e venceu com relativa facilidade. Só a sofisticada balada da Suíça conseguiu dar-lhe alguma luta, ao passo que Portugal ficou em 14.º lugar com a lendária actuação da Dora, trajada de saia verde-alface e botas Doc Martens. Foi a primeira e até agora única vitória da Bélgica no Festival, em que este país participava desde a edição inaugural em 1956. 
Como ainda era costume na altura, a canção foi um sucesso internacional e passava frequentemente nas rádios portuguesas. 


Sandra Kim nasceu a 15 de Outubro de 1972 em Montegnée, perto de Liége. Filha de pais italianos, o seu apelido é Carcarone. Depois da sua vitória no Festival da Eurovisão, também destacou-se por cantar o tema da série "Era uma vez...a Vida".



Embora nunca tenha repetido o sucesso de "J'aime la vie", Sandra Kim continuou a cantar, tendo editado vários álbuns ao longo dos anos 80 e 90, e em 2011, o álbum "Wake Up" marca o seu regresso aos discos após um interregno de treze anos. Em 2010, eu vi-a a actuar em Setúbal num certame que reúne anualmente vários intérpretes participantes do Festival da Canção e da Eurovisão e regravou o videoclip de "J'aime la vie" cena por cena, no âmbito dos 25 anos da sua vitória no Festival e como promoção de uma companhia de seguros de vida.







Lubritex (1988)

Anúncio comemorativo do 7º Aniversário da empresa "Lubritex". "Um elo entre você e o automóvel".


Publicidade retirada da revista Selecções do Reader's Digest Nº 202 (Tomo XXXIV) de Fevereiro de 1988.

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segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Boomy - Gelado da Olá


Acho bastante inteligente promover um produto numa revista de banda desenhada, com uma banda desenhada do produto! Neste caso, "Boomy", o gelado com três sabores diferentes. Tal como no reclame de TV, um grupo de jovens aventura-se numa terra fantástica (Boomylândia na TV, Ilha dos SuperBoomys na BD) em que os gelados crescem nas árvores. Mas não podem ser apanhados à mão, mas sim com pauzinhos de gelado! é assim que os jovens fazem, só para terem o gelado de três sabores roubado pela criatura azul que dá nome ao produto, vendido no inicio dos anos 90. O que chamava mais a atenção no Boomy eram as três frutas com sabores diferentes espetadas no pau: laranja, limão e morango.

Reclame português ao gelado:


Actualização: o mesmo video, mas no canal Mistério Juvenil: "Gelado Boomy da Olá".
Podem ver também a versão espanhola: "Boomy - Frigo".
O blog "Desenhos Animados" tem outra banda desenhada do Boomy: "Reclames Olá".

O Boomy num catálogo da HB Ice Cream, a 'versão'  britânica da Olá:


O anúncio faz parte da grande colecção croma que a Ana Trindade  tem em exposição no Facebook.

Mais cromos da Ana Trindade: "Enciclopédia de Cromos - Ana Trindade"

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domingo, 14 de outubro de 2012

Popsi - Gelado da Olá




Metade chocolate, metade banana, imagino que este "Popsi" seria uma delicia! digo "imagino" porque não me recordo de ter provado este gelado da "Olá". Consultei a minha enciclopédia caseira (a minha mãe) que me confirmou o mesmo. Este anúncio foi retirado de uma revista de banda desenhada dos anos 80.
A mascote do gelado era um palhaço, e a slogan: "É de Ficar Abananado!".

E cá está o "Popsy", novidade em 1984, no Catálogo dos Gelados Olá, com o preço de 17$00:
Catálogo: "Viagens Ao Passado"

No ano seguinte, no fundo do Catálogo dos Gelados Olá de 1985, já com o preço de 25$00:
Catálogo: "Viagens Ao Passado"

O anúncio faz parte da grande colecção croma que a Ana Trindade  tem em exposição no Facebook.
Actualização: Nova imagem no topo, retirada da revista Pato Donald Nº 111, de 1985. 
Uploader original desconhecido. Imagem Editada e Recuperada por Enciclopédia de Cromos.

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Linguaphone (1988)


Anúncio aos cursos de línguas "Linguaphone" em cassete audio ou disco. Além dos tradicionais Inglês, Francês e Alemão incluia outas linguas menos vulgares: Gaulês, Zulo, Hindi, Gronelandês, etc.

Publicidade retirada da revista Selecções do Reader's Digest Nº 202 (Tomo XXXIV) de Fevereiro de 1988.

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Glassex - Multi Usos (1988)

Outro produto Glassex, desta vez o Multi Usos Glassex Perfumado, à venda com "bisnaga" e recargas com aplicador. "Limpeza brilhante. Super economia" era o slogan.



Publicidade retirada da revista Selecções do Reader's Digest Nº 202 (Tomo XXXIV) de Fevereiro de 1988.

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sábado, 13 de outubro de 2012

Glassex - Tira Gorduras (1988)


Anúncio ao tira gorduras "Glassex", para tirar todas as gorduras da cozinha.
No pormenor, mais detalhes da embalagem e a informação da existência de recargas com aplicador.



Publicidade retirada da revista Selecções do Reader's Digest Nº 202 (Tomo XXXIV) de Fevereiro de 1988.

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sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Hits de "world music/new age" dos anos 90

por Paulo Neto

Em meados dos anos 80, houve um interesse sem precedentes na música étnica que se fazia um pouco por todo o mundo, criando um movimento daquilo a que se convencionou chamar world music ou new age. Um dos factores para o crescimento desse movimento residia numa resposta à constante uniformização e industrialização da música popular, buscando sonoridades mais genuínas. Porém, foi ainda nos anos 80 que se descobriu que, com a produção certa e um travo de pop, uma canção cantada numa língua obscura poderia ser um êxito global. Os casos mais marcantes foram "Yeke Yeke" do malinês Mory Konté e "Im Nin' Alu" da israelita (já tragicamente falecida) Ofra Haza.
Chegados à década seguinte, vimos vários casos de hits internacionais que misturavam pop com sonoridades invulgares, por vezes cantados em línguas pouco conhecidas. Analisemos seis exemplos marcantes.

Deep Forest é um projecto de dois produtores franceses, Michael Sanchez e Eric Mouquet. O tema mais conhecido do colectivo, "Sweet Lullaby", data de 1992. A parte vocal é um cântico Baegu intitulado "Rorogwela", oriundo das Ilhas Salomão. Esse registo foi gravado em 1970 por um etnomusicólogo alemão e a voz que se ouve é atribuído a Afunakwa, oriunda da ilha de Malaita, que terá falecido em 1997 ou 1998. 
 Mas julgando pela letra, esta canção de embalar é tudo menos doce, já que é sobre um pequeno órfão a ser confortado pelo irmão mais velho após a morte dos pais deles. Ainda assim, o tom encantatório da parte vocal aliado ao som de panpipes provou ser uma combinação eficaz, e o tema conquistou os tops um pouco por todo o mundo. Existem dois videoclips: um com uma mãe africana e o seu filho a caminharem por um extenso areal de dunas e outro realizado por Tarsem Singh, mostra uma menina a passear pelo mundo no seu triciclo para acabar embalada nos braços da sua mãe.
   

Os Deep Forest continuam no activo, com o último álbum editado de 2008. A sua música foi utilizada por filmes como "Prêt-A-Porter" e "Estranhos Prazeres" e colaboraram com artistas como Peter Gabriel, Jon Anderson, Cesária Évora, Youssou N'Dour, Ana Torroja e Josh Groban. Em 1995, venceram o Grammy para Melhor Álbum de World Music com o álbum "Bohéme". 


Os Enigma são um dos projectos mais conhecidos deste tipo de música. Mentorizado pelo romeno-germânico Michael Cretu (durante longos anos casado com a popstar Sandra), já em 1991, tinham tido um êxito à escala mundial com "Sadness Part 1" que misturava batidas dançáveis com cânticos monacais. (Aliás,  foi também nos anos 90 que coros de monges gregorianos tornaram-se campeões de vendas!) No álbum seguinte dos Enigma em 1994, o grande destaque foi para o tema "Return to Innocence". O célebre cântico que domina a canção é um sample de "Jubilant Drinking Song", um cântico aborígene da ilha de Taiwan. Igualmente célebre é o videoclip onde se vê a vida de um homem a andar para trás.

Michael Cretu utilizou o sample, acreditando que se tratava de um cântico de origem popular, e por isso sem direitos de autor. Só que afinal o trecho estava atribuído a dois músicos taiwaneses aborígenes, Kuo Ying-Nan e Kuo Hsiu-Chu, que processaram Cretu em 1998. Acabaram por chegar a um acordo pecuniário fora do tribunal e os dois Kuo desde então são creditados pelo tema e têm direito a uma parte dos royalties. E como é sabido, os Enigma ainda seguem no activo.

Também de 1994, o álbum "In Existence" do projecto Beautiful World, liderado pelo inglês Phil Sawyer, músico e produtor envolvido em vários grupos rock nos anos 60, que desde os anos 80 produzia música para documentários e anúncios publicitários. Portugal foi um dos países onde o álbum teve mais sucesso, chegando a disco de ouro, destacando-se a faixa-título, cantada em swahili.


O projecto Beautiful World editou mais três álbuns, o mais recente em 2007.


Com tantos cânticos vindos de sítios recônditos a tornarem-se hits internacionais, era uma questão de tempo até haver algum êxito com cantares índios nativo-americanos. E lá surgiu em 1995, pelo comando do colectivo alemão Sacred Spirit. "Yeha-Noha" era cantado no idioma Navajo pelo ancião Jake Kee Chee. A letra fala sobre uma lenda em que os animais diurnos e nocturnos disputavam um jogo em que quem encontrasse uma bola, ganharia o direito a haver dia ou noite permanente. O single foi n.º 1 em França.

O projecto Sacred Spirit também continua no activo mas desde 2003 que trocou os cantos índios pelas remisturas e adaptações de temas jazz e blues.

O hino do Natal de 1995 foi "Nirvana" do projecto espanhol Elbosco. O vídeo foi filmado na Índia, embora o tema seja cantado em inglês e latim, sendo o refrão cantado pelo jovem coro da Escolanía del Real Monasterio of San Lorenzo, por rapazes de 9 a 14 anos. O álbum "Angelus" foi n.º 1 em Espanha e Portugal. 



O projecto produziu mais um álbum "Virginal", de 1997.

A nossa viagem termina em 1998 (se bem que a edição original seja de 1996), com o colectivo francês Era, comandado pelo Eric Levi, e o famoso "Ameno" a fazer furor no nosso país. O álbum chegou ao n.º 1 do top e foi disco de platina. Mais uma vez, o público deixou-se seduzir por cantos pseudo-monacais em pseudo-latim. Este remix dançável também ajudou ao sucesso.

 


O projecto Era continua bem activo, tendo editado em 2010 o seu oitavo álbum. 












  





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