terça-feira, 24 de julho de 2012

Riscos (1997-1998)

por Paulo Neto

Existem três grandes marcos na teledramaturgia adolescente nacional: o primeiro passo dado com "Os Melhores Anos", essa instituição que dá pelo nome de "Morangos com Açúcar" e, entre essas duas, "Riscos"


Produzida e exibida na RTP entre 1997 e 1998, "Riscos" teve mais de cinquenta episódios, divididos em duas partes que iam para o ar ao sábado e ao domingo ao fim da tarde. Como na altura eu tinha a mesma idade das personagens (17/18 anos), foi uma série que eu e os meus colegas acompanhávamos com curiosidade. Frequentemente nós ríamo-nos do facto da nossa escola não passar nada enquanto na escola da série acontecia tudo e mais alguma coisa. Isto porque a série fez por abordar quase todos os problemas dos adolescentes dos anos 90: sexo, drogas, racismo, anorexia, sexo, skinheads, doenças sexualmente transmissíveis,  alcoolismo, sexo, gravidez, pedofilia, suicídio, sexo, prostituição, homossexualidade, cultos religiosos, sexo, vício no jogo, ecologia, conflitos de gerações e sexo. (Sim, havia muito sexo.) O slogan promocional era "A série que fala a tua língua".



A série passava-se num colégio e seguia as aventuras e desventuras de seis jovens protagonistas, todos eles interpretados por estreantes nestas andanças. Mariana (Ana Rocha) é a marrona da turma que se esforça para manter as aparências e por isso faz vista grossa às infidelidades mal disfarçadas do namorado; Diogo (Fernando Martins) é o rapaz mais cobiçado da escola, pouco preocupado com assuntos sérios e em ser fiel à namorada, embora com o avançar da série ele acabe por se tornar mais responsável e se esforçar para manter o namoro com Mariana; Bruno (Edmundo Rosa), é o mais novo do grupo, ainda no 11.º ano mas com uma rodagem igual à dos amigos; Rita (Sara Gonçalves) é a rebelde da escola mas por detrás da sua imagem de motoqueira intrépida e promíscua, está alguém de grande coração, maturidade e lealdade para com os amigos; André (Frederico Ferreira) partilha a faceta conquistadora de Diogo, mas é mais sério e responsável; Maria João (Paula Neves) é tímida (e virgem) mas acaba por desabrochar graças à amizade improvável com Rita e um curto mas significativo namoro com André.


Sara Gonçalves no papel de Rita



Paula Neves e Alexandra Lencastre, mãe e filha em "Riscos"

No núcleo dos professores estão Margarida (Ana Zanatti), a directora da escola e professora de Inglês, mulher inteligente, firme mas justa; Abel (José Wallenstein), o marido de Margarida e professor de Matemática, que secretamente tenta seduzir as alunas (sendo particularmente obcecado por Rita) e Lídia (Alexandra Lencastre), professora de Português e mãe de Maria João, que tenta refazer a vida em Lisboa depois de um passado conturbado. A meio da série, junta-se também Pedro (Diogo Infante), o professor de Filosofia, que após muitos contratempos, acaba com Lídia.

Além disso, a série teve várias participações especiais de nomes conhecidos, alguns até sem ser da área da representação. Só para nomear alguns: Julie Sargent, Cristina Carvalhal, Bárbara Elias, Margarida Marinho, João Pedro Pais, Maria Elisa, António Feio, Vítor Norte e o actor brasileiro Luigi Palhares, que os portugueses conheciam da telenovela "A Próxima Vítima". Também alguns jovens actores conhecidos do público tiveram aqui um dos seus primeiros trabalhos televisivos, desempenhando papéis secundários como Hugo Sequeira, Susana Arrais, Alda Gomes, Ivo Canelas, Nuno Lopes, Márcia Leal, Nuno Távora e Paulo Rocha.
Queria destacar também duas personagens secundárias recorrentes. Ulisses, uma das primeiras personagens homossexuais da ficção nacional, interpretada por Pedro Cunha, que recentemente fez-se notar em "Rosa Fogo". A outra é Daniela, uma personagem muito atribulada, pois começa na cama com o professor Abel em troca dos enunciados dos exames, envolve-se num culto religioso neo-hippie e chega a fazer Ulisses a duvidar brevemente da sua orientação sexual. Esta personagem foi encarnada por Marta Furtado (irmã de Catarina) naquele que foi o seu mais notado trabalho em televisão, já que tem feito carreira essencialmente no teatro.

"Riscos" foi criticada pela inverosimilhança das histórias (como já disse, naquela escola acontecia de tudo), pela montagem cheia de mudanças aceleradas de plano, pela realização por vezes desnorteada, pelo alegado amadorismo das interpretações e sobretudo, pelo excesso de sexo. De facto, dava a sensação que quase todas as personagens, adultas ou adolescentes, tinham ido para a cama umas com as outras. Por exemplo, Maria João começou a série virgem mas acabou com um currículo sexual assinalável. E o facto de logo numa das primeiras cenas do primeiro episódio, termos logo Rita a mostrar os seios, adivinhava-se logo que a série iria primar pelo tom badalhoco.
As críticas têm o seu fundamento mas tal não incomodou o público, sobretudo adolescente, que soube acompanhar a série como puro entretenimento e minimizar os excessos. Ou então, como refere Hugo Silva, autor do blogue "Ainda Sou do Tempo", era mais um daqueles casos de "tão mau que dá a volta e fica bom". E tal como acontece com várias séries e filmes filhos do seu tempo, a série acabou por beneficiar do célebre efeito cápsula onde muito do espírito dos anos 90 foi capturado. 

Após a série, as protagonistas femininas tiveram carreiras bem mais significativas que os masculinos. Paula Neves foi de longe a mais bem-sucedida tendo desde então entrado em diversas telenovelas e algumas séries e filmes, destacando-se obviamente o mítico papel da Mariana "Trinca-espinhas" em "Anjo Selvagem". Ana Rocha foi também presença assídua em séries e telenovelas mas desde "Jura" que anda afastada da televisão, dedicando-se mais a estar do outro lado da câmara: realizou um documentário sobre Adriano Correia de Oliveira e diversos showcases musicais. Sara Gonçalves tem apostado mais no teatro mas tem feito esporadicamente alguns trabalhos em televisão, sendo o mais notado o papel da falsa cega em "Floribella".
Já dos três rapazes pouco se tem visto ou falado deles. Frederico Ferreira acabou por não enveredar por uma carreira de actor. Só voltei a rever Edmundo Rosa nos "Malucos do Riso" e na telenovela "Baía das Mulheres". E Fernando Martins, cuja pinta de galã in the making fazia-me vaticinar que podia ser o Ricardo Carriço da sua geração, só apareceu de novo no pequeno ecrã como apresentador do "Hugo" (substituindo Pedro Pinto) e na série "Alves do Reis".



Um álbum com a banda sonora da série foi também editado, contendo temas de artistas portugueses como Pedro Abrunhosa, Raul Marques & Os Amigos da Salsa, Primitive Reason, Black Out ou Cool Hipnoise e outros internacionais como James, Texas, The Cardigans e Brand New Heavies. O tema da série era interpretado por duas vozes da cena musical nacional dos anos 90: Kika Santos, na altura nos Black Out e Sam, que cantou no tema "Black Magic Woman" e numa conhecida versão dance de "Estou além" de António Variações. Ambos apareceram a cantar o tema no último episódio.

Genérico da série:








Excertos de episódios:



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Em memória de Pedro Cunha (1980-2014)

Bota Botilde


Uma das mascotes mais famosas da televisão, presente também numa infinidade de merchandising, desde brinquedos a porta-chaves. A Bota Botilde foi, nos anos 80, a mascote do concurso "Uno, dos, Tres", e claro, da sua contra-parte portuguesa "Um, Dois, Três", apresentado por Carlos Cruz entre 1984 e 1988. Na Espanha, a Botilde veio substituir a abóbora Ruperta. O site "Un, Dos, Tres Web" refere que no pais de nuestros hermanos a Botilde só durou um ano e não teve tanto sucesso como em Portugal. A bota foi criada em 1983 por Jaime Agulló, e no genérico animado do concurso (reciclado em Portugal) cantava com a voz de Ibáñez Serrador e música de Adolfo Waitzman.


Genérico Português:

Genérico Espanhol:

Um mealheiro.
Foto: Viver80
 A Boti-Bota, o brinquedo mais famosa com a bota Botilde:
Foto: Crescer Em Movimento

Foto: Un, Dos, Tres
Foto: Aquella Maravillosa Infancia

Boti-Bota com a indicação "RTP - 84":
Foto: AnaKelme
Uma BotiBota actualmente, bastante degradada:
A Boti-Bota era simples de brincar, bastava enfiar um dos pés no aro amarelo e fazer girar a bota e saltar com o outro pé para evitar bater na bota. Horas de diversão garantida!

Foto: O Brinquedo Antigo
 Não sei se houve destes jogos à venda em Portugal:


Mais merchandising espanhol da Bota Botilde: "Un Dos Tres" Web

A mascote seguinte foi o "Zé Sempre em Pé", criado apenas para o "Um, Dois, Três" de Portugal. Mas isso fica para outro dia :)


Contem nos comentários ou no Facebook da Enciclopédia as vossas memórias da Bota Botilde!
Bota Botilde que desenhei para o "Cromo nº 1000".

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Canções dos Jogos Olímpicos

por Paulo Neto

Um evento da grandiosidade dos Jogos Olímpicos pede sempre uma banda sonora à altura e nos anos 80 e 90, foram vários os tema épicos que capturaram o imaginário do maior evento desportivo do planeta. Nos Jogos de 1984 em Los Angeles, os primeiros que me recordo de ter visto, ficou na memória a partitura "Olympic Fanfare" de John Williams que era ouvida mal começava uma transmissão em directo da RTP em Los Angeles. Desde então foi utilizada em diversos eventos, desportivos e não só, como uma das primeiras vezes em que fui ao circo e ouvi a banda a tocar isto.


  
Mas foi em 1988, nos Jogos Olímpicos de Seul, que uma canção marcou pela primeira vez uns jogos da olimpíada. Apesar da K-Pop ser actualmente um fenómeno de culto a nível global, o primeiro grande êxito musical internacional oriundo da Coreia do Sul foi este "Hand In Hand" dos Koreana (acho que só apenas superado mesmo pelo "Gangnam Style"). O grupo foi fundado em 1962 mas só editou o primeiro disco em 1979 já com a formação definitiva composta por Hwa Ja "Marie" Hong, Ae Sook "Cathy" Lee, Seung Kyu "Tom" Lee e Yong Kyu "Jerry" Lee, que durou até à dissolução em 2003. Com a produção a cargo do lendário Giorgio Moroder, "Hand in hand" foi um êxito à escala global, tendo sido n.º1 na Alemanha, Suécia, Japão e Hong Kong.

 


Como se isso não bastasse, a compilação oficial dos Jogos Olímpicos de 1988 continha uma das mais épicas baladas de Whitney Houston, "One Moment In Time", cujo videoclip tinha imagens da nossa Rosa Mota! Recorde-se que também foi com esta canção que Sara Tavares ganhou o "Chuva de Estrelas".




Como é que se poderia dar seguimento a dois épicos destes? Com um dueto épico para os Jogos de 1992 em Barcelona. De um lado, José Carreras, membro de Santíssima Trindade dos tenores superstars, em conjunto com Luciano Pavarotti e Placido Domingo, que tinham conseguido conquistar público além dos amantes de ópera e tornarem-se campeões de vendas. Do outro Sarah Brightman, a beleza britânica com voz de anjo, que começara ainda adolescente em temas disco kitsch (como este que ainda costuma passar amiúde no VH1) para depois brilhar no teatro musical, pela mão de Andrew Lloyd Webber com quem viria a casar. Juntos cantaram esse épico arrebatador que é "Amigos para siempre". O tema acabou a única memória positiva para Portugal dos Jogos de 1992, já que saímos da Catalunha de mãos a abanar, sem nenhuma medalha (nem sequer no hóquei em patins, que fora modalidade de demonstração!). E claro está, cinco anos mais tarde, Sarah Brightman voltaria a gravar outro dueto esmagador com outro cantor lírico.
Curiosamente,  o tema  era originalmente interpretado em ritmo de rumba, popularizado sobretudo na versão dos Los Manolos.
 

 E como se já não fosse suficiente, outro dueto épico foi reeditado, por razões óbvias, na mesma altura. Falo obviamente de "Barcelona" de Freddy Mercury e Montserrat Caballé, originalmente editado em 1987. 
 


Quatro anos depois, para o Jogos de Atlanta, mais dois temas oficiais bem olímpicos, na voz de duas divas. Em 1996, Céline Dion reinava suprema nas tabelas de vendas e na ondas hertzianas de todo o mundo, daí que não fosse de admirar a presença dela para actuar na cerimónia de abertura em Atlanta, apesar de ser canadiana. Interpretou "The Power of a Dream", escrita por David Foster, Linda Thompson e Babyface. A canção foi posteriormente incluída no lado B do single "It's all coming back to me now" de Dion.




Mas o maior hit dos Jogos de Atlanta, que consagraram Fernanda Ribeiro, foi "Reach" de Gloria Estefan. O tema, escrito pela própria e por Diane Warren, permanece como um dos melhores momentos do repertório a solo da ex-vocalista dos Miami Sound Machine. Também recordo de ser amplamente requisitado por participantes do "Chuva de Estrelas" e do "Cantigas da Rua" e o vídeo, realizado pelo já falecido fotógrafo Herb Ritts.

 

Estefan interpretou o tema na cerimónia de encerramento. Além disso, gravou uma versão espanhola "Puedes Llegar", com tudo o que era estrela da música latina na altura: Julio Iglesias, Roberto Carlos, Ricky Martin, Jon Secada, Placido Domingo, só para nomear os mais conhecidos.





Entretanto este post foi abordado na Caderneta de Cromos de Nuno Markl! Ouçam aqui:







domingo, 22 de julho de 2012

Eles São Notícia - Fevereiro 1991

As seguintes páginas foram retiradas da revista "Maria" nº 640, da semana de  13 a 19 de Fevereiro de 1991.
A rubrica chamava-se "Eles São Noticia":
As noticias em destaque são, nesta primeira página:
  • "Tom Jones põe termo a rumores" sobre uma cirurgia plástica.
  • "007 em qautro gerações", relata a tentativa de reunir os quatro James Bond, Sean Connery, Roger Moore, George Lazemby e Timothy Dalton, supostamente todos agentes que já tiveram o código 007. Tem piada que ainda hoje em dia se fala desta teoria de o 007 ser um código "herdado" por vários agentes em diferentes épocas. Até ao momento este filme não foi desenvolvido ("007 - Aventura no Centro de Dia"?).
  • "Desfile de Crianças Mascaradas", o Carnaval do TIL (Teatro Infantil de Lisboa), com a representação da peça "O Sabor dos Sonhos".

Como curiosidade, na coluna do lado esquerdo da página, uma listagem das histórias da revista "Nova Gente" dessa semana: além das noticias dos artistas e realeza, uma reportagem sobre o possível fim do Mundo: "Guerra do Golfo: Humanidade vai acabar onde começou?". E além do "Vampiros e monstros: bela história do cinema fantástico", decerto um apurado trabalho jornalistico intitulado "Elvis Presley: o rei do rock está vivo?".
Na segunda página da rubrica:
  • "Donald Trump: Feliz aos amores, infeliz nos negócios!" O título refere-se à felicidade que demonstrava desde que se separou da mulher e enquanto preparava o casamento com a amante Marla Maples. Os "negócios" são as fracas vendas do seu livro "How to Survive At The Top". Nota: Trump casou-se em 1993 com Marla Maples, e divorciaram-se em 1999. Voltou a casar em 2005 com uma modelo.
  • "Carmen Dolores: 50 Anos de Carreira!" A conhecida actriz Carmen Dolores comemorou em 1991, 50 anos de carreira no teatro e cinema.
  • "Paula Guedes Non Dixit". A revista corrige um erro de uma noticia anterior e acrescenta que a actriz Paula Guedes estava a ensaiar para a peça "Amigos", no Teatro Maria Matos.

A página ainda inclui no topo, um Aditamento ao Governo Civil de Lisboa, que esclarece que apesar do concurso "Maria dá Automóveis" a revista não ia aumentar de preço.

A próxima, e última página da rubrica:
  • "Rainha Noor da Jordânia triste com a guerra" a monarca estava preocupada com a entrada do seu país na Guerra do Golfo.
  • "Miss França tem apenas 15 anos!". Stephanie Schopp, que com 1,75m de altura era "a mais jovem Miss França de todos os tempos". Estranhamente. não encontrei referência alguma a esta jovem em sites relacionados com a Miss France. Outro concurso paralelo de misses? Não faço ideia!
  • "Kim Appleby: Primeiro LP a solo" de Kim Appleby, do duo "Mel & Kim", que lançou o álbum homónimo, promovido em 1990 pelo single "Don't Worry".
  • "Omar Sharif: Feminismo não, obrigado!" O actor egípcio culpava o feminismo por as mulheres já não dependerem dos homens.

Caros leitores, o que acharam destas noticias de 1991? Comentem aqui no blog ou na página de Facebook da Enciclopédia de Cromos!

sexta-feira, 20 de julho de 2012

José Hermano Saraiva


Figura incontornável da televisão, comunicador com um estilo inconfundível, além dos programas que protagonizou, foi historiador e Ministro da Educação e embaixador no tempo da outra senhora. Faleceu aos 92 anos, a 20 de Julho de 2012, na sua casa em Palmela. Nasceu a 3 de Outubro de 1919, em Leiria. Durante décadas esteve presente nos ecrãs portugueses, visitando locais históricos e partilhando essa mesma história com gerações de espectadores, num estilo amado por uns e odiado por outros.

Foto: Público

"Começou a sua carreira como professor, acrescentando depois ao seu currículo a advocacia. Entrada depois na política durante o Estado Novo, tendo em 1957 sido deputado à Assembleia Nacional e procurador às cortes. Ainda antes do 25 de Abril assumiu os cargos de procurador à Câmara Corporativa e ministro da Educação, entre 1968 e 1970, cargo no qual foi substituído por Veiga Simão após a crise académica de 1969. Em 1972 passaria a a ser o embaixador de Portugal em Brasília.

Depois do cargo diplomático, José Hermano Saraiva iniciou uma colaboração com a RTP em 1971 que se manteve até hoje. Primeiro com “Horizontes da Memória”, depois com “Gente de Paz”, “O Tempo e a Alma”, “Histórias que o Tempo Apagou” e “A Alma e a Gente”.

Um dos seus livros mais conhecidos é a “História concisa de Portugal”, já na 25.ª edição, com um total de cerca de 180 mil exemplares vendidos. Editado pela primeira vez em 1978, este título foi já traduzido em espanhol, italiano, alemão, búlgaro e chinês." in Público


O humorista Herman José, numa das suas caricaturas mais famosas, imitou o apresentador, aqui num video recente:



Entretanto, o professor ganhou cromo na Caderneta de Nuno Markl:

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Coussin Electronic (1969)

"Coussin Electronic" e "Electronic Pencil". Já décadas atrás se prometia  cura milagrosa para perder peso, celulite e depilação definitiva. Clique na foto para aumentar e ler os detalhes dos aparelhos.
Supostamente, além do "Coussin Electronic" eliminar "gorduras e celulite ou enrijar carnes flácidas e qualquer parte do corpo. as ondas de vibração electromagnéticas dos <<Cousin Electronic>> têm efeitos sedativos para alívio de dores e mau-estar provocados por: bicos de papagaio; reumático, ciática, lumbago, varizes, cãimbras e cansaço muscular", além disso teria acção terapêutica e activaria a circulação sanguínea. 
Pesquisando na Internet não encontrei nenhuma referência a este aparelho, nem como funcionaria, apesar de "coussin" ser francês para "almofada" ou "amortecer".
Ainda segundo esta publicidade o "Electronic Pencil" eliminaria os pelos para "toda a vida".

Anúncio retirado da revista "Modas e Bordados - Vida Feminina" nº 2992, de 11/06/1969.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Texlene-Trevira (1969)

Reclame aos tecidos Texlene-Trevira, que também vendia junto aos tecidos os moldes para confeccionar modelos, que "são chiques e internacionais". Acho que hoje usa-se pouco a palavra "chique" na publicidade :)


Anúncio retirado da revista "Modas e Bordados - Vida Feminina" nº 2992, de 11/06/1969.

Misha, a mascote dos Jogos Olímpicos de 1980

por Paulo Neto

Um dos meus primeiros peluches foi o urso Misha. Está bem que era na verdade uma imitação tosca comprada na feira mas não era por isso que foi menos adorado ao longo dos meus primeiros anos de vida.


Nunca antes como jamais depois, um evento desportivo foi tão marcado pela sua mascote oficial. (Creio que apenas o Gil da Expo 98, já saindo do âmbito desportivo, é o único exemplo mais próximo.) Mas quando o ilustrador Viktor Chizikov desenhou o simpático urso castanho com um cinto com os anéis olímpicos, vencendo em 1977 o concurso para a mascote oficial dos Jogos Olímpicos de 1980 em Moscovo, estaria decerto longe de imaginar o impacto que a sua criação iria ter na cultura popular e no coração da criançada dos anos 80. Eu iria mais longe ao afirmar que o sucesso da figura do Misha conseguiu atenuar a pálida imagem desses Jogos Olímpicos, que foram marcados irremediavelmente pelo boicote de vários países. 

A invasão da União Soviética ao Afeganistão em 1979 levou a que o presidente americano Jimmy Carter ameaçasse com um boicote aos Jogos de Moscovo. Perante a recusa soviética de retirar as tropas de território afegão, os Estados Unidos não marcaram presença na capital soviética, tendo sido acompanhados no protesto por mais de sessenta países, incluindo Canadá, Japão, Noruega, República Federal da Alemanha, Argentina, Coreia do Sul, Tailândia, Quénia, Marrocos, Egipto e Filipinas. Alguns destes países competiram mais tarde no Liberty Bell Classic em Filadélfia, uma competição alternativa que teve lugar uns dias antes dos Jogos oficiais.


Além disso, vários países competiram com delegações desfalcadas e sob a bandeira olímpica em vez da bandeira nacional. Foi o caso de Portugal, que teve uma delegação de 18 elementos, que passou por Moscovo muito discretamente. Como tal, as nações da Europa de Leste e os seus aliados como Cuba, dominaram a seu bel-prazer. Por exemplo, mais de metade de todas medalhas de ouro em disputas foram ganhas pela União Soviética e pela Alemanha de Leste. E apesar de vários resultados marcantes, como o de Vladimir Salnikov ter-se tornado o primeiro homem a nadar os 1500m livres em menos de quinze minutos ou a surpreendente vitória do Zimbabwe no primeiro torneio olímpico de hóquei em campo feminino, a opinião geral era de um duro golpe quer no valor das competições devido à ausência dos países que boicotaram quer no conceito globalizante e conciliador dos Jogos Olímpicos. 

Porém, a simpática figura do Misha e o sucesso do seu merchandising conseguiram deixar uma memória positiva duradoura aos Jogos de Moscovo, ao ponto de hoje em dia serem tão ou mais lembrados pela mascote do que pelo boicote e os outros problemas. Desde então, a mascote oficial passou a ter um lugar muito mais importante em grandes eventos, desportivos e não só. Posteriormente, surgiram outras mascotes míticas como o Naranjito (Mundial de Futebol de 1982 em Espanha), Sam (Jogos Olímpicos de 1984 em Los Angeles),  Pique (Mundial de Futebol de 1986 no México), Cobi (Jogos Olímpicos de 1992 em Barcelona) e, evidentemente, os nossos Gil da Expo 98 e Kinas do Euro 2004. O toque final foi dado na cerimónia de encerramento quando surgiu uma lágrima no rosto do Misha, naquela que se tornaria a imagem mais icónica desses jogos.


Os produtos com a figura do Misha foram dos bonecos de peluche e PVC às canecas e pins. Houve também em Portugal uma colecção de cadernos editada pela Ambar que tinham na capa o Misha a executar cada um dos desportos que faziam parte do programa olímpico. Descobri e adquiri alguns exemplares dessa colecção numa papelaria em Coimbra e hoje arrependo-me não ter comprado toda a colecção. E na Festa do Avante ainda se vendem T-shirts do Misha.



Misha também teve uma série animada, produzida pela Nippon Animation (apesar do Japão ter boicotado os jogos), que eu recordo-me de ter visto na RTP no início dos anos 90 às quartas-feiras à tarde. (Desconheço se já tinha sido exibida antes). Nela, acompanhámos as aventuras de Misha, da sua amiga Natasha, dos seus pais e de toda a sua pandilha num aprazível cenário montanhoso, crê-se que algures na Rússia.    

Genérico de abertura:


Genérico final (canção da Natasha):



Cromo de Nuno Markl sobre o Misha: Cromo n.º 383 (20.10.2010)

  
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