segunda-feira, 9 de julho de 2012

Madame Silva - Escola de Corte e Alta Costura (1969)


"<<Madame>> Silva - Escola de Corte e Alta Costura".
Entre o que se aprendia nesta escola, são referidos:
"Bordados à mão e à máquina, rendas, malhas, flores, frutos, chapéus e penas e o mais completo curso de plissados e formas."
Alguma das nossas leitoras frequentou a escola dirigida pela Madame Silva?

Anúncio retirado da revista "Modas e Bordados - Vida Feminina" nº 2992, de 11/06/1969.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

A 36ª Câmara de Shaolin (1978)



Um grande filme de kung-fu, made in Shaw Brothers,que influenciou muitos outros dentro do género. A fascinante  odisseia do monge San Te até alcançar a 36º Câmara do lendário Mosteiro de Shaolin. Uma história de vingança, sacrifico e força de vontade.



Depois das tropas Manchu assassinarem a sua família e amigos, um jovem estudante - San Te (baseado num monge famoso), interpretado por Chia Hui Liu - ingressa no mosteiro de Shaolin com o objectivo se tornar especialista em kung-fu e alcançar a sua vingança, uma tarefa mais dificil do que estava à espera. Chia Hui Liu, mas conhecido por Gordon Liu, interpretou mais tarde o cruel Pai Mei em Kill Bill, de Quentin Tarantino, que é grande fã deste filme de 1978.
"The 36th Chamber of Shaolin" (少林三十六房, Shào Lín sān shí liù fáng), aka "The Master Killer" ou "Shaolin Master Killer". Em 1980 foi lançada a sequela "Return to the 36th Chamber", com uma terceira parte em 1985: "Disciples of the 36th Chamber". Da trilogia, o meu favorito é o primeiro, mas vale a pena ver todos. 

O trailer legendado em inglês:




Os créditos iniciais:





Publicado originalmente no meu blog de cinema CINE31: http://cine31.blogspot.pt/2011/08/cheiro-naftalina-5-36th-chamber-of.html



Renault 19 - Fuerza emergente

Um anúncio maroto do final da década de 80, ao compacto  "Renault 19", protagonizado por Christopher Lambert (ou Christophe Lambert), o famoso "imortal" de "Duelo Imortal" (Highlander, de 1986)!





Uma sombra move-se debaixo de água a grande velocidade, o pânico espalha-se na praia, mães fogem com crianças ao colo, raparigas em topless erguem-se surpreendidas com a algazarra. Um carro salta a da água com mais potência que o K.I.T.T. do "Justiceiro" (publicidade enganosa?), espantando todos os presentes.

Sem perder um segundo, o magnifico bólide arranca a toda a força em direcção a um hotel.
O piloto é nem mais nem menos o galã Christopher Lambert!
O poderoso veículo, agora identificado como o  "Renault 19"  revela a sua "Fuerza emergente" e projecta a sombra de um perigoso tubarão! A audiência entra em delirio e sai de casa para comprar um Renault 19 no stand automóvel mais perto de si. Ou se calhar, ficam só a lembrar-se que o anúncio tinha miúdas em topless!

Há outro anúncio do Renault 19, de 1992, que merece destaque, "a irresitivel tentação", agora mais vestida:


Existem mais anúncios de Lambert para a Renault, aqui até com a fatiota do filme "Duelo Imortal":


E este com participação especial de um amola tesouras:


Mais dois anúncios dele ao Renault 19:


Anúncio de 1988 no jornal espanhol ABC:


Já tinha colocado isto no Facebook da "Enciclopédia" há uns meses e perguntei de os leitores sabiam se tinha passado em Portugal, ou não. Eu lembro-me de ver na TV, mas como na altura eu via muita TV espanhola...eu confesso que já não me recordo se chegámos a alguma conclusão :)

Herpetol (1969)

"Não sofra mais... Milhares de êxitos se devem ao acreditado <<HERPETOL>>. Especialidade líquida, oleosa, para as doenças da pele. Provoca um imediato bem-estar. Inúmeros atestados comprovam a eficácia do precioso <<HERPETOL>> para as doenças de pela, Eczemas (húmido e seco), crostas, chagas, erupções, mordeduras de insectos, etc". Enfim, tudo coisas simpáticas. Terminava com o alerta: " Cuidado com as imitações." Eu só de ler isto, já estou com comichão....


Anúncio retirado da revista "Modas e Bordados - Vida Feminina" nº 2992, de 11/06/1969.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Agora ou Nunca (1996-1998)

por Paulo Neto

Em 1997, com apenas cinco anos de existência, a SIC já dominava o panorama televisivo português. Com uma irreverência raramente vista anteriormente, o canal de Pinto Balsemão conseguiu captar o imaginário de um país em mudança e prosperidade, tendo sido mesmo caso de estudo na Europa. Entre muitos factores do sucesso da SIC, estão os pequenos momentos dos seus programas que entraram para o imaginário nacional e que permanecem gravados no disco rígido dos portugueses. Um dos mais marcantes ocorreu em 1997, durante o programa "Agora ou Nunca", que foi exibido entre 1996 e 1998, em duas temporadas, nas noites de sexta-feira.

Jorge Gabriel começou na SIC recrutado para a programação desportiva e estreou-se no entretenimento com o concurso "Sim ou Não" em 1995. Mas foi com "Agora ou Nunca" (onde trajava uns fatos que o faziam parecer um misto de padre com paquete de hotel) que se afirmou definitivamente como apresentador nessa área. Produzido pela inevitável Endemol e adaptado de um formato original alemão, tratava-se de um concurso em que os concorrentes,  presentes na assistência, teriam de aceitar os desafios, sobretudo enfrentando as suas fobias e medos, para ganhar uma quantia em dinheiro devidamente regateada com o apresentador. Um dos desafios recorrentes consistia em um dos concorrentes passar a emissão do programa a caminhar numa passadeira rolante de uma certa maneira (por exemplo, caminhar de andas, pedalar de triciclo…) Por vezes, alguns desafios tinham lugar fora do estúdio ou até no estrangeiro, como no caso em que uma concorrente com fobia de montanhas russas foi desafiada a enfrentar o seu medo na maior montanha russa do mundo em Inglaterra. Claro está que a grande aliciante para o público era ver as reacções dos concorrentes, que iam do pânico ao desespero e ao mais puro terror, quando tinham de cumprir a prova. 


E, como toda a gente sabe, foi um episódio em 1997, ainda na primeira temporada, que imortalizou o programa. A cena envolveu uma iguana, a careca de um concorrente aterrorizado e uma palavra repetida infinitamente em agonia. Segundo Jorge Gabriel numa entrevista posterior, o concorrente, João Muge, tinha contactado o programa a dizer que a filha queria superar o medo de répteis para ter uma iguana de estimação. Mas entretanto, a produção descobriu que era ele próprio que tinha um medo terrível de répteis e acabou por ser ele o desafiado no programa. Após ter aceitado 225 contos pelo desafio, o país assistiu a um João Muge completamente em pânico, a gritar "Ponha! Ponha! Ponha!", enquanto Jorge Gabriel colocava-lhe uma iguana em cima da cabeça. Eis as imagens que documentam esse momento lendário:


O toque final foi dado por nada menos que Herman José quando, semanas depois na "Herman Enciclopédia", a mítica personagem Diácono Remédios reproduziu o "Ponha! Ponha! Ponha!", garantindo a imortalização do episódio no imaginário tuga. 
João Muge foi convidado de honra no último programa da temporada, onde se recordou o seu famoso momento. Desde então, nunca mais se ouviu falar dele. Espero que um dia a SIC faça um "Perdidos & Achados" com João Muge. Terá perdido o medo de répteis? Ainda terá gente a dizer-lhe "Ponha! Ponha! Ponha!"? Entretanto, aqui está uma aparição dele na SIC em 2014.



Quanto a Jorge Gabriel, como todos sabem, afirmou-se como um dos mais populares apresentadores da sua geração, tendo conduzido vários programas de sucesso na SIC e depois na RTP. E foi o padrinho de duas das minhas aparições televisivas, quando concorri nos concursos "O Cofre" e "Sabe Mais que um Miúdo de 10 Anos?", ambos apresentados por ele.

Para terminar, de referir que a música utilizada amplamente no programa "Agora ou Nunca" era "Move on baby", um tema de 1994 do colectivo italo-dance Capella. 








quarta-feira, 4 de julho de 2012

A Nacional (1969)

"Visite a "A Nacional" (fundada em 1905) onde compra melhor, a preço fixo, malas de senhora, artigos de viagem, lucas, p. moedas, pastas de todo o género, etc."


Anúncio retirado da revista "Modas e Bordados - Vida Feminina" nº 2992, de 11/06/1969.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Os Filhos da Droga (1979)

por Paulo Neto

Os anos 70 e 80 assistiram a uma colossal proliferação do consumo de droga, ao ponto de se tornar um flagelo transversal a vários sexos, idades, classes sociais e meios urbanos e rurais. Infelizmente, todos nós conhecemos alguém que tenha caído na armadilha de droga e a grande maioria conhecerá alguém que tenha encontrado aí um destino fatal. Por vários motivos, muitas pessoas, sobretudo jovens, procuraram refúgio nas sensações fortes do consumo de estupefacientes para gradualmente verem a sua vida degradada em todos os aspectos.

Exemplificando na perfeição todo o drama e horror causado pela droga, um relato de alguém que viveu esse mundo seria imortalizado em livro. Falo de "Os Filhos de Droga", um daqueles livros que marcou uma geração, ao ponto de ser quase um rito de passagem ler esse livro na adolescência.
O livro foi escrito por dois jornalistas da revista alemã Stern, Kai Herrmann e Horst Rieck, mas é creditado a Christiane Felscherinow, mais conhecida como Christiane F., a jovem de então 15 anos cujo relato como consumidora de droga na adolescência é amplamente descrito no livro. Tudo começou com o julgamento de um homem que pagava com heroína por sexo com jovens menores de idade, onde Christiane foi testemunha.
Os jornalistas que pretendiam abordar o flagelo da droga entre os jovens berlinenses combinaram uma entrevista de duas horas com Christiane. Mas essas duas horas acabaram por ser dois meses já que a jovem relatou abertamente toda a sua experiência como membro de um grupo de jovens toxicodependentes de Berlim Ocidente, que recorriam à prostituição para sustentar o vício, sobretudo perto da estação do Zoo de Berlim. Impressionados com o depoimento, Herrmann e Rieck decidiram converter numa série de artigos da revista naquela que foi considerada uma das primeiras abordagens aprofundadas nos media ao consumo de droga, um assunto então camuflado por vários tabus. Por fim, os jornalistas editaram o relato em livro em 1979, Christiane F. – Wir Kinder vom Bahnhof Zoo ("Os jovens da Estação de Zoo") no original. 

O livro conta a experiência de Christiane na comunidade de jovens toxicodependentes de Berlim. Nascida em Hamburgo, a sua família mudou-se para um subúrbio de Berlim quando ainda era criança. Crescendo num quadro familiar desequilibrado, onde o seu pai maltratava a esposa e as filhas e chegava ao ponto de, quando recebia visitas, de as obrigar a passarem por sua irmã e sua sobrinhas, a jovem sentia-se alienada e nem o divórcio dos pais e o fim dos maus tratos lhe trouxeram estabilidade. Aos 12 anos, Christiane experimentou haxixe com um grupo de amigos mais velhos, passando posteriormente como muitos outros para o LSD e vários comprimidos e acabando por consumir heroína, primeiro inalada, depois injectada.
Aos 14 anos, Christiane já sofria enorme dependência e prostituía-se na Estação do Zoo, quer sozinha, quer com Detlef, o seu namorado. Após ser presa, passa por algumas tentativas de reabilitação mas acaba por voltar ao vício antigo. Ao longo desse ciclo, vai vendo alguns dos seus amigos falecer de overdose, como Atze, o seu primeiro amor, e Babsi, cuja morte aos 14 anos, fora amplamente noticiada na imprensa.
O livro contém também depoimentos da mãe de Christiane e de outras pessoas que testemunharam de perto a proliferação do flagelo, como o padre dono do centro juvenil onde Christiane tem as suas primeiras experiências com drogas. 

O livro tornou-se um sucesso internacional, elevando Christiane F. ao estatuto de celebridade. No início dos anos 80, fez parte de uma banda punk, Sentimental Jugend, e entrou num filme. Em 1981, o livro foi adaptado num filme, "Christiane F." com a participação especial de David Bowie, que na obra é o cantor preferido do grupo de Christiane e foi durante um concerto de Bowie que ela inalou heroína pela primeira vez.


O livro tem um final aberto, com Christiane a deixar Berlim para tentar mais uma reabilitação. Mas, com cinquenta anos completados em 20 de Maio último, ainda hoje debate-se com a sua dependência, tendo alternado entre recuperações e recaídas ao longo da vida. Viveu em vários países como Estados Unidos, Holanda e Grécia e os rendimentos provenientes do livro têm permitido sustentar-se a si própria. Ainda hoje recebe cartas de fãs e é acompanhada pelos media alemães.

Eu lembro-me que a leitura do livro foi particularmente impressionante para mim porque tinha na altura 14 anos, ou seja, era da idade daqueles jovens. Por vezes eu até tinha a sensação que estava lá no meio daquele caos e que se olhasse para o lado ia ver seringas no chão, de tão nítidas que eram as descrições. Em Portugal, o livro foi um best-seller sobretudo em encomendas do Círculo de Leitores. A mais recente edição no nosso país data de 2010, que inclui fotografias inéditas dos amigos de Christiane e do meio onde se moviam.

Em 2013, Christiane F. lançou a sua autobiografia "A Minha Segunda Vida" onde conta como foi a sua vida após a publicação do livro. 

   
 
Christiane F. em 2013

Anedotas de Alentejanos


Desconheço quando se começou a contar anedotas sobre alentejanos, mas o facto é que foram muito populares na era croma, como demonstram estas fotocópias, que circulavam pelo país numa era pré-Internet. Obrigado ao Carlos Silvério, que disponibilizou estas cópia - e outro material - on-line.

Os Dez Mandamentos do Alentejano:

Um exemplar com 78 anedotas de alentejanos:

Para ser mais fácil a leitura, dividi em 4 partes, pode clicar em cima das imagens para as aumentar:

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