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terça-feira, 12 de junho de 2012
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Iodo "Malta à porta" (1981)
por Paulo Neto
Ao entrar na década de 80, Portugal tinha por fim ultrapassado a ressaca cultural do 25 de Abril de 1974, feita de canções de intervenção, e estava agora receptivo a abraçar novas sonoridades. Se é certo que já nos anos 70 já se fazia rock interessante em Portugal, é corrente afirmar que foi na voz e guitarra de Rui Veloso, com o seu álbum "Ar de Rock" de 1980, que o rock português finalmente se massificou. O "Chico Fininho" que gingava pela rua ao som de Lou Reed andava na boca de toda a gente, mesmo se o conteúdo da algibeira ainda chocava ouvidos mais incautos.
Ao entrar na década de 80, Portugal tinha por fim ultrapassado a ressaca cultural do 25 de Abril de 1974, feita de canções de intervenção, e estava agora receptivo a abraçar novas sonoridades. Se é certo que já nos anos 70 já se fazia rock interessante em Portugal, é corrente afirmar que foi na voz e guitarra de Rui Veloso, com o seu álbum "Ar de Rock" de 1980, que o rock português finalmente se massificou. O "Chico Fininho" que gingava pela rua ao som de Lou Reed andava na boca de toda a gente, mesmo se o conteúdo da algibeira ainda chocava ouvidos mais incautos.
A partir daí, ao longo de dois anos, dá-se o boom do rock português que domina as ondas hertzianas, as tabelas de vendas e os programas de televisão. Durante esse período, parecia que toda e qualquer banda rock podia aparecer do nada e obter o seu lugar ao sol. Multiplicavam-se as editoras independentes, floresciam as publicações musicais, ampliava-se o mercado discográfico, sobretudo os singles. As novidades sucediam-se quase todas as semanas. Até que em 1982, tão depressa como o fenómeno eclodiu, perdeu-se o vapor e assiste-se a um virar da página, onde só os mais fortes sobreviveriam.
Um dos principais sintomas desse período foram as one hit wonders que surgiram. Aquelas bandas que tiveram uma canção que os levou às luzes da ribalta para logo caírem no esquecimento. O mais famoso caso é o "Patchouly" dos Grupo de Baile, mas também contaram-se nomes como os CTT, os Street Kids e os Iodo.
Foi em 2004, ao ouvir o segundo volume da colectânea "O Melhor do Rock Português" que ouvi pela primeira vez "Malta à porta", o único hit dos Iodo. Trata-se de um mini-épico de três minutos e picos que consegue ser simultaneamente pop orelhudo, rock psicadélico, punk, new wave e alternativo. Prima também para a originalidade de ter um loop de sintetizador no lugar de um refrão e de a meio da canção interromper o andamento inicial para se transformar num delírio instrumental que vai acelerando para terminar como começou, num coro de "oh oh oh". Nota-se que a banda queria encaixar todas as suas ideias individuais numa amálgama comum, mas o resultado acaba por ser interessante e desprovido da confusão assalganhada em que facilmente poderia ter caído.
E como se não bastasse a catadupa de influências, a letra era assumidamente inspirada por Sérgio Godinho. Aliás, o guitarrista Jorge Trindade afirma que o verso "não queiras assinar documentos em papel molhado" era um decalque descarado da poética godinhiana. E tal como os resquícios da censura passaram um apito sobre o pentelho do "Patchouly", também os pudores de então levaram a que a banda aceitasse a sugestão do produtor do single a trocarem "lixado" por "cansado".
Os Iodo eram compostos por Rui Madeira (voz), Jorge Trindade (guitarras), António "Topé" Pedro (baixo), Alfredo Antunes (bateria) e Luís Cabral (teclas). O quinteto da Margem Sul formou-se em 1979 e estreou-se no obrigatório estaleiro do Rock Rendez Vous a 3 de Fevereiro de 1980. Para financiarem o projecto, tinha um grupo de baile em paralelo, Os Eléctrico. Abriram vários concertos dos UHF e chegaram a fazer a primeira parte de um concerto de Iggy Pop em Cascais. Até que em 1981, "Malta à porta" torna-se um hit nas rádios. Na Rádio Comercial, chega ao n.º 1 do "Rock em Stock" e passa quatro meses nos primeiros lugares do "TNT - Todos no top". Porém, não conseguiram repetir a glória com o single seguinte, "A Canção" nem com o único álbum "Manicómio", já em 1982, e nesse ano, o grupo termina. Só Jorge Trindade continuou ligado à música. Por exemplo, Rui Madeira foi dirigir a oficina de reparações automóveis do seu pai em Cacilhas.
Se pensas em andar pela rua à procura do amanhã
Podes ficar bem contigo, mas não és só tu
Não podes ficar preso a uma ilusão
Tens de ter amigos a quem dar a mão
Não queiras assinar documentos em papel molhado
Pois ao fim e ao cabo sais sempre lixado/cansado
Tens de fazer força pelo que há-de vir
Abre a tua mente e deixa-te ir
Deixa-te ir
Vejo malta à porta, vejo malta à porta
Há malta à porta, há malta à porta
Jorge Trindade tem um blogue sobre a banda: http://ruijorgetrindademusico.blogspot.pt/2007/05/o-iodo.html
ACTUALIZAÇÃO: O nono episódio do excelente podcast "Brandos Costumes" é uma entrevista a Jorge Trindade onde fala do começo da banda, da sua rápida ascensão e ainda mais fulgurante queda e das loucura do baixista Topê.
quinta-feira, 7 de junho de 2012
Sarilhos com Elas (1985-1992)
por Paulo Neto
Por muito que se diga que "a idade é um posto" e "velhos são os trapos", a verdade é que vivemos numa sociedade obcecada pela juventude. E, por exemplo na televisão, raramente tem sido abordada a vida na terceira idade, a não ser nas diversas variantes dos papéis dos avôzinhos e avózinhas e/ou algo dentro do estereótipo do velho rabugento. Quase sempre em personagens assexuadas, pouco activas fora do ambiente doméstico e saudosistas.
Por muito que se diga que "a idade é um posto" e "velhos são os trapos", a verdade é que vivemos numa sociedade obcecada pela juventude. E, por exemplo na televisão, raramente tem sido abordada a vida na terceira idade, a não ser nas diversas variantes dos papéis dos avôzinhos e avózinhas e/ou algo dentro do estereótipo do velho rabugento. Quase sempre em personagens assexuadas, pouco activas fora do ambiente doméstico e saudosistas.
Daí que a série "Sarilhos com Elas" ("The Golden Girls" no original) tenha sido bastante revolucionária na abordagem a um grupo de personagens de idade avançada, tendo contribuindo para quebrar alguns estereótipos quanto a terceira idade, sobretudo o de que nesta idade, já não se pensa nem se pratica sexo, especialmente as mulheres.
A série foi exibida nos Estados Unidos entre 1985 e 1992, ao longo de sete temporadas. Em Portugal, foi exibida na RTP em diversos horários (lembro-me de ter visto sobretudo à hora de almoço nos finais dos anos 80) sem nenhum regularidade específica. A série foi criada por Susan Harris (Soap- Tudo em Família, Benson).
A série contava as vivências de quatro mulheres, todas acima dos cinquenta, que vivem juntas numa casa em Miami. Apesar de terem as quatro personalidades muito diferentes e de várias vezes envolverem-se em picardias verbais ou até em acesas discussões, entre elas desenvolve-se uma profunda amizade e uma forte coesão que as vão ajudando ao longo dos desafios que enfrentam. Elas recordam o passado mas sem saudosismo, pois ainda sentem que tem muito para viver. Por isso, nenhuma delas vê na idade um entrave aos seus objectivos, nomeadamente no que toca a vida amorosa. Um dos hábitos recorrentes do grupo é de conversarem na cozinha enquanto comem um cheesecake.
Dorothy Zbornak (Bea Arthur) é a mais inteligente e racional do grupo. Divorciada após o marido a trocar por uma mulher mais jovem, Dorothy tem por isso um temperamento um pouco difícil, e por vezes passa por intimidadora e antipática. Também nunca resiste a um bom sarcasmo. Mas no fundo, é sensível, humilde e, apesar de às vezes se irritar bastante com as companheiras, está sempre pronta a ajudá-las. A sua vida amorosa também é muito atribulada: o seu ex-marido Stanley tenta várias vezes a reconciliação mas em vão, e muitos dos homens por quem ela se interessa revelam-se não muito virtuosos. É professora pré-reformada e a maioria dos seus trabalhos ao longo da série são relacionados com o ensino.
Blanche Deveraux (Rue McClanahan) é um antiga beleza sulista de Atlanta que mudou-se para Miami depois de enviuvar. É a dona da casa em que as quatro amigas vivem e trabalha num museu de arte. Depois de vários anos fielmente casada, com a viuvez tornou-se louca por homens, roçando a promiscuidade, nunca se negando a um engate e coleccionando namorados e aventuras ocasionais. A sua preenchida vida amorosa (e sexual) é alvo de frequente troça por parte das amigas.
Rose Nylund (Betty White) é a mais ingénua e pacífica, quase a pateta alegre do grupo. Trabalha sobretudo como conselheira de pessoas em luto e faz muito voluntariado. Está sempre a falar das suas ascendências suecas e de histórias estranhas (e muitas vezes, pouco relevantes para a situação) da sua terra natal, St. Olaf, no Minnesota. Ao contrário de Dorothy e Blanche, não tem muito interesse em namoros, até porque o seu marido e um namorado posterior morreram durante o acto sexual. Ao longo da série, debate-se com vários problemas de saúde, onde o apoio das amigas é crucial.
Sophia Petrillo (Estelle Getty) é a mãe de Dorothy. Nascida na Sicília, emigrou para Nova Iorque para escapar a um casamento arranjado. Passou a viver com a filha e as companheiras desta quando o lar onde vivia ardeu num incêndio. Apesar da sua aparência frágil e típica de uma senhora idosa, a sua mente ainda é bastante lúcida e sobretudo, Sophia é bastante desbocada. Sempre que pode, adora soltar um comentário incisivo sobre as atrapalhações de Dorothy, a promiscuidade de Blanche e a ingenuidade de Rose. Tal como Rose, gosta de contar histórias da sua juventude na Sicília. Mas apesar de tudo, não só Sophia e Dorothy têm geralmente uma boa relação, como Blanche e Rose a vêem com uma figura maternal e gostam de lhe pedir conselhos, que embora algo bizarros, costumam ser certeiros.
A série termina quando Dorothy casa com o tio de Blanche (Leslie Nielsen) e muda-se para Atlanta. Sophia decide ficar em Miami com Rose e Blanche. As três tornam-se donas de um hotel durante uma breve spin-off da série, "The Golden Palace". Entre os nomes sonantes que fizeram participações especiais na série estão George Clooney, Bob Hope, Julio Iglesias, Sonny Bono, Debbie Reynolds, Mickey Rooney e até Quentin Tarantino (como um imitador de Elvis).
"Sarilhos com Elas" recebeu duas vezes o Emmy e três vezes o Globo de Ouro para Melhor Série de Comédia e cada uma das quatro actrizes protagonistas ganhou pelo menos um Emmy. Algumas curiosidades: Estelle Getty era um ano mais nova que Bea Arthur, de quem fazia de mãe; Rue McClanahan estava para fazer de Rose e Betty White de Blanche, mas como essas personagens eram parecidas com as que desempenharam em séries anteriores, optou-se por trocarem os papéis; na sinopse original, Dorothy era descrita como uma personagem tipo "Bea Arthur" e mal a própria soube disso, ficou em interessada no papel e os produtores prontamente acederam.
Infelizmente, actualmente apenas Betty White, encontra-se viva, mas ainda bastante activa (vimo-la recentemente nos filmes "A Proposta" e "Outra vez tu?" e na série "Boston Legal"). As outras três faleceram em anos consecutivos: Getty em 2008, Arthur em 2009 e McClanahan em 2010.
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| As actrizes da adaptação portuguesa "Queridas e Maduras" |
Importa também referir que "Sarilhos com Elas" foi uma das poucas séries americanas a ter uma adaptação portuguesa. Foi em 1995, para a RTP, com o título "Queridas e Maduras", com um igualmente ilustre quarteto protagonista: Catarina Avelar, Lia Gama, Amélia Videira e Luísa Barbosa. A série também foi adaptada em Inglaterra, Grécia, Espanha (duas vezes) e Rússia.
O tema do genérico é "Thank you for being a friend", interpretado por Cynthia Fee.
quarta-feira, 6 de junho de 2012
Flintstones, Os (1960-1966)
A premissa da sitcom animada "Os Flintstones" é simples: retratava o quotidiano de uma família da classe média, ambientada numa Idade da Pedra alternativa, em que homens conviviam com dinossauros domesticados e outros animais pré-históricos, enquanto usam tecnologias ou costumes modernos, mas adaptados a esse passado alterado. Um dos exemplos mais recordados é o gira-discos tocado pelo bico de uma ave, os jornais em placas de pedra, os carros que funcionam com os pés dos condutores, etc.
A inspiração directa para "Os Flintstones" foram a sitcom The Honeymooners (1955-1956) e a animação Stone Age Cartoons (1940). O estúdio que produzir foi o clássico Hanna-Barbera ( responsável pelos sucessos Tom e Jerry, The Jetsons, Jonny Quest, Scooby Doo, etc). O nome original da série era "The Flagstones", mas foi mudado para evitar confusão com os personagens de uma banda desenhada.
A família Flintstone, a encarnação de uma típica família norte-americana de classe média, era chefiada pelo Fred Flintstone, operário, casado com Wilma e pai da jovem Pedrita (Pebbles), personagem que nasceu mais tarde quando a série mudou o foco do público exclusivamente adulto (patrocinada pelos tabacos Winston, que incluia anúncios dos personagens a fumar cigarros da marca. Veja aqui.) para o publico mais jovem (fase patrocinada pelos sumos Welsh's).
"Yabadabadoo" é o grito "imagem de marca" do trapalhão e comilão Fred Flintstone. Além da sogra de Fred, outra parte importante da família é Dino, o dinossauro de estimação. Além do dinossauro, também têm um tigre dentes-de-sabre, Baby Puss. Os melhores amigos do casal são os seus vizinhos Barney Rubble (companheiro de tropelias de Fred) e Betty Rubble, que mais tarde adoptam Bambam (Bamm-Bamm), deixado à porta da sua casa.
O familiar tema musical, "Meet the Flintstones", só começou a ser utilizado na terceira temporada. A série terá sido a primeira animação americana a mostrar um homem e uma mulher a dormir na mesma cama,e também a primeira a ser nomeada para um Emmy (1961).
Genérico inicial e final:
"Meet the Flintstones" versão B52's:
"Yabadabadoo" é o grito "imagem de marca" do trapalhão e comilão Fred Flintstone. Além da sogra de Fred, outra parte importante da família é Dino, o dinossauro de estimação. Além do dinossauro, também têm um tigre dentes-de-sabre, Baby Puss. Os melhores amigos do casal são os seus vizinhos Barney Rubble (companheiro de tropelias de Fred) e Betty Rubble, que mais tarde adoptam Bambam (Bamm-Bamm), deixado à porta da sua casa.
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| Da esquerda para a direita: Fred Flintstone, Dino, Wilma, Pedrinha, Bambam, Betty e Barney. |
O familiar tema musical, "Meet the Flintstones", só começou a ser utilizado na terceira temporada. A série terá sido a primeira animação americana a mostrar um homem e uma mulher a dormir na mesma cama,e também a primeira a ser nomeada para um Emmy (1961).
Genérico inicial e final:
"Meet the Flintstones" versão B52's:
A série original dos 60, da "família moderna da Idade da Pedra" deu origem a várias outras séries relacionadas, filmes e especiais televisivos [ver lista] e até dois filmes em imagem real: The Flintstones (1994) e a prequela "The Flintstones in Viva Rock Vegas" (2000).
Segundo a Wikipédia está previsto para 2013 a estreia de um remake, uma nova versão da série, agora desenvolvida por Seth MacFarlane, o criador de "Family Guy" e "The Cleveland Show".
A série já foi cromada:
terça-feira, 5 de junho de 2012
A Cor Púrpura (1985)
Olá a todos, chamo-me Paulo Neto.
De alguns tempos para cá, tenho colaborado com esta Enciclopédia e dado o valor positivo dado à minha contribuição, o David (Cine 31) fez-me o obséquio de me elevar a convidado especial do blogue, pelo que doravante posso escrever os meus textos directamente aqui, em vez de enviar por e-mail como o fiz até agora. Posto isto, vamos ao que interessa.
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Convencionou-se dizer que foi com "A Lista de Schindler" (1993) que Steven Spielberg deixou de ser um ET e provou que também era capaz de realizar filmes sérios. Mas creio que tal já tinha sido provado oito anos antes quando chamou a si a realização de "A Cor Púrpura", uma adaptação do romance homónimo de Alice Walker, laureado com o prémio Pulitzer.
Decerto que o nome de Spielberg terá levantado alguns sobrolhos de desconfiança. O homem que andou a brincar aos tubarões e aos extra-terrestres iria transpor para filme um romance que pintava todo um fresco da realidade dos negros norte-americanos no Estados do Sul no início do século XX? Mas quando "A Cor Púrpura" finalmente estreou nos ecrãs, não restaram muitas dúvidas que Steven Spielberg cumprira a missão.
Ao longo de 154 minutos, o filme narra a história de Celie Harris (Whoopi Goldberg), como conseguiu encontrar o seu caminho e a sua voz num mundo onde parecia condenada a ter o seu espírito eternamente vergado. Vemo-la inicialmente em 1909 na Geórgia, com catorze anos, maltratada e abusada por aquele que chama de pai (só muito mais tarde, ela descobre que na verdade era seu padrasto), de quem tem dois filhos que lhe são prontamente retirados. Mais tarde, o padrasto força-lhe a casar com Albert Johnson (Danny Glover) um viúvo com mais posses e igualmente abusivo. Sob o jugo do homem com quem casou mas que a trata sobretudo como criada e escrava (nem sequer pode tratá-lo por outra forma que não por "Mister"), Celie sofre novos maus tratos e agressões que a tornam uma mulher apagada, acanhada e com vergonha até de sorrir. O seu único conforto é a sua irmã mais nova, Nettie (Akosua Busia), o único ser que lhe deu algum afecto ao longo da sua existência e que lhe ensinou a ler. Mas irritado com a cumplicidade das duas irmãs e frustrado por Nettie recusar os seus avanços, Albert força Nettie a ir-se embora e esconde as cartas que esta envia a Celie.
Os anos vão penosamente passando para Celie até ao dia em que Albert traz para casa, Shug Avery (Margaret Avery), uma cantora vivida e paixão antiga de Albert. Apesar de um primeiro encontro atribulado, Celie e Shug tornam-se grandes amigas. Shug vai incutindo confiança, afecto e amor-próprio em Celie e esta vai lentamente desabrochando.
Outra mulher que inspira Celie é Sofia (Oprah Winfrey) que se casa com Harpo (Willard Pugh), o filho de Albert. Tal como Celie, Sofia sofreu abusos ao longo de vida por parte dos homens, mas ao contrário da sogra, recusa-se a tolerar os maus tratos e nunca se faz rogada em dizer o que pensa. Esses traços da sua personalidade acabam por virar-se contra Sofia, ao fazer um rude comentário a Miss Millie (Dana Ivey), a mulher do Mayor, acabando envolvida numa cena de pancadaria onde esmurra o próprio Mayor em retaliação, pelo que acaba presa e severamente ferida. A uns anos na prisão, seguem-se outros a trabalhar como criada de Miss Millie, que acabam por envelhecer, desmoralizar e quase quebrar Sofia.
Quando Shug regressa, agora casada, ela ajuda Celie a descobrir as cartas de Nettie que Albert tinha escondido. Ficamos a saber que Nettie tem estado numa missão em África com o casal que adoptou os filhos de Celie, descrevendo nas cartas todas as suas aventuras na selva africana. Encorajada por descobrir que a irmã e os filhos aindam estão vivos, Celie encontra por fim as forças para enfrentar Albert e deixá-lo de vez. Desta vez, é Celie que inspira uma recém-libertada Sofia a voltar ao que era dantes.
Com um negócio de costura e uma casa herdada do seu verdadeiro pai, Celie é finalmente uma mulher feliz e dona do seu destino. E ainda não sabe que o seu reencontro com Nettie será facilitado pela pessoa mais improvável...
Apesar da sua duração, "A Cor Púrpura" é um filme que se vê bem sem se dar pelo tempo. É fácil envolver-se na história e encantar-se com todo o microcosmos retratado no filme (excelente a fotografia de Allen Davieu). Spielberg demonstrou pela primeira vez a sua capacidade de abordar temas sérios, medindo o sentimentalismo na dose certa e imprimindo o humor nos momentos apropriados. A adaptação foi tida como bastante fiel ao livro, com a principal diferença a opção de não tornar tão física a relação entre Celie e Shug (no romance, uma relação sexual entre as duas é abertamente descrita), de forma a ter uma classificação etária menos restringida.
Mas sem dúvida que o grande trunfo do filme são as interpretações. Na altura, seria difícil de imaginar que Whoopi Goldberg notabilizar-se-ia mais pela comédia e que Oprah Winfrey seria a rainha da televisão americana. Idem aspas para Danny Glover, que ainda não sabia que o seu papel mais mítico na saga "Arma Mortífera" ainda estava para vir. Margaret Avery tem aqui o papel da sua vida (originalmente rejeitado por Tina Turner). Como a principal personagem branca, deixando a dúvida sobre será uma mulher apenas ignorante, infantil e caprichosa mas não necessariamente cruel ou alguém que hipocritamente se diz progressiva face a questões raciais, o desempenho de Dana Ivey é igualmente marcante.
De referir também dois nomes conhecidos em papéis menores: Laurence Fishburne como um músico de blues e co-proprietário do speakeasy local e Rae Dawn Chong como Squeak, a namorada de Harpo durante a ausência de Sofia. Para rematar todo o projecto, a direcção musical esteve a cargo de Quincy Jones, sendo pois um dos raros filmes de Spielberg sem partitura de John Williams.
O único grande desaire de "A Cor Púprura" seria nos Óscares ao não conseguir nenhuma estatueta apesar das onze nomeações (incluindo Melhor Filme e para as actuações de Goldberg, Winfrey e Avery), compartilhando com "A Grande Decisão" o pouco invejado recorde de mais nomeações para um filme sem Óscares. Quanto a prémios, ficou-se pelo Globo de Ouro de Melhor Actriz de Drama para Whoopi Goldberg e o primeiro prémio do Sindicato dos Realizadores para Spielberg. Em 2007, "A Cor Púrpura" foi adaptada para uma peça musical, com produção executiva de Oprah Winfrey.
O Elenco de "A Cor Púrpura" em 2010
domingo, 3 de junho de 2012
Os Amigos do Gaspar (1986-1989)
João Paulo Seara Cardoso já tinha conseguido, com "A Árvore dos Patafúrdios" (1984), criar um universo fascinante com apenas um cenário. O seu projecto seguinte, "Os Amigos de Gaspar", que se estreou na RTP em 1986 no espaço infantil das manhãs de domingo, consolidou-o como o maior mestre nacional de animação com marionetas, tendo sido comparado com o lendário Jim Henson (com quem aliás, Seara Cardoso fez uma workshop). Infelizmente, o seguimento do seu trabalho em televisão acabou por ser breve. Mas para sempre ficam estas duas séries, que marcaram o panorama da animação nacional nos anos 80 e que ainda hoje vêem-se com agrado.
A primeira temporada de 10 episódios foi exibida em 1986 e a segunda, com 25 episódios, foi exibida em duas parte entre 1987 e 1989.
Ao contrário da "Árvore dos Patafúrdios", aqui reinam as figuras humanas. Numa pequena cidade algures em Portugal, Gaspar é o líder de um animado grupo de amigos pré-adolescentes. Sendo o mais maduro e responsável do grupo, é ele que assume o papel de líder. Enquanto os seus amigos entretêm com as tropelias próprias da idade, Gaspar interroga-se muito sobre o seu futuro e com questões mais adultas, e por vezes até se queixa da infantilidade dos comparsas. Mas mesmo assim, nunca recusa uma boa brincadeira com eles. Quem está sempre ao lado de Gaspar, é o animal de estimação deste, o Manjerico. Trata-se de uma estranha espécie de ouriço verde, muito espevitado e brincalhão. Embora todas as personagens parecem perceber tudo o que ele diz, nós só o ouvimos a repetir o célebre "Taio vaio saio" e a chamar "Gaspaio" ao dono.
Os seus amigos formam um grupo bastante unido, apesar de terem personalidades bem diferentes. Romão, que sonha em ser um músico famoso, é extrovertido e cheio de energia, ao passo que Farturas é introvertido, humilde e até um pouco taciturno. Clarinha é sensível e conciliadora enquanto Marta é temperamental e amua com facilidade. Existe ainda o Balú, o bicho de estimação de Clarinha, que tal como o Manjerico, é um animal de espécie indecifrável e com um discurso que só as personagens entendem.
Na primeira série, apenas entram dois adultos. Um é o Professor Fidebeque, o típico inventor chanfrado cujas invenções fazem as delícias de Gaspar e dos seus amigos. O outro é o mítico Guarda Serôdio, um beirão que trocou a enxada pelo apito de polícia e que é o desmancha prazeres do grupo de Gaspar. De bigode farfalhudo e voz cómica mas ríspida ("Ixto axim nã pode xer"), Serôdio está sempre a impor proibições, algumas bem ridículas, no parque onde os amigos brincam, tendo criado o CCPP (Código de Coisas Proibidas no Parque). Porém, Gaspar e os seus amigos arranjam sempre maneira de lhe passar a perna.
Como o Nuno Markl bem apontou no cromo que dedicou à série, apesar de já estarmos bem na década de 80, a personagem do Guarda Serôdio ainda era um resquício de crítica PREC. É fácil de ver na figura pacóvia mas autoritária de Serôdio uma caricatura do Estado Novo e nos amigos uma metáfora da liberdade recém adquirida.
Na segunda série, o elenco sofreu alterações. Clarinha e Balu saíram de cena, Marta ganhou uma marioneta mais bonita e a sua personagem amadureceu um pouco e surgiram cinco novas personagens. Nita, a irmã mais nova de Gaspar, que faz tudo para se integrar no grupo do irmão, se bem que eles a achem ainda muito criança. Pitágoras, o sobrinho e discípulo do Professor, também ele louco por inventar engenhocas. A Tia Felismina, dona da mercearia, que torna-se uma figura maternal para o grupo. O Senhor Pires, o típico velho rezingão, quase sempre com um barrete de pijama na cabeça, mas que não é indiferente à Tia Felismina. E o Neca, o preguiçoso ajudante na mercearia e presa fácil do autoritarismo do Guarda Serôdio.
Tal como nos "Patafúrdios", Sérgio Godinho envolveu-se na parte musical, escrevendo as letras da canções da série, musicadas por Jorge Constante Pereira. Em 1988, foi editado o disco "Sérgio Godinho canta com os Amigos do Gaspar". O tema principal era o famoso "É tão bom uma amizade" e cada episódio continha uma variante dessa canção.
Foram ao todo 35 episódios nas duas séries, tendo conquistado público e crítica. O Jornal "Se7e" referiu uma vez que a série até parecia ser estrangeira. E a pequenada foi conquistada pelas personagens, que se tornaram tão míticas como as da "Rua Sésamo".
João Paulo Seara Cardoso ainda fez mais duas séries para televisão no início da década de 90: "Mópi" e "No Tempo dos Afonsinhos" mas depois a sua obra limitou-se às artes de palco. Permaneceu ligado ao Teatro de Marionetas do Porto, de que foi fundador e director artístico, até ao seu falecimento em Outubro de 2010.
A RTP Memória tem permitido matar-nos saudades de Gaspar, Manjerico, Marta, Farturas, Serôdio e companhia, e apresentá-los a novas gerações, mas há muito que se impunha uma edição de DVD e Blue Ray da série.
Gostava de convidá-los a visitar o blog do Paulo Neto, um grande contribuidor para a "Enciclopédia de Cromos". Vão lá, comentem e digam que vão da minha parte: "Estou-me Nas Tintas": http://estoume-nastintas.blogspot.pt
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A série já foi cromada na Caderneta de Cromos:
O canal do Youtube "Amigos do Gaspar Blog" tem episódios: "AmigosdoGasparblog"
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Mais um belo texto do Paulo Neto!Gostava de convidá-los a visitar o blog do Paulo Neto, um grande contribuidor para a "Enciclopédia de Cromos". Vão lá, comentem e digam que vão da minha parte: "Estou-me Nas Tintas": http://estoume-nastintas.blogspot.pt
sábado, 2 de junho de 2012
Quatro Casamentos e Um Funeral (1994)
Na transição para dos anos 80 para os anos 90, parecia que o cinema britânico estava entalado entre os filmes de época e os kitchen sink dramas e que já não havia lugar para o humor britânico. Os anos gloriosos dos filmes do Monty Python já pareciam distantes e desde "A Educação de Rita" em 1984 que nenhuma comédia britânica tinha tido notoriedade a nível global. Até a vizinha Irlanda já contava na altura com alguns sucessos nesse sector, em especial com os "The Commitments" em 1991.
Mas em 1994, um filme bem divertido e bem british, conquistou tudo e todos. Falo, é claro, de "Quatro Casamentos e Um Funeral", realizado por Mike Newell e escrito por Richard Curtis, um homem responsável por uma boa parte da renovação do humor britânico nos anos 90. Ou não fosse ele o argumentista de "Mr. Bean" e "Black Adder" (e nesse mesmo ano de 1994, criador de "A Vigária de Dibley").
O filme segue a história de Charles (Hugh Grant), um desajeitado mas adorável jovem e do seu grupo de amigos, que estão sempre a ser convidado para casamentos. São eles: Tom (James Fleet), cuja timidez impede-o de ser, apesar da sua imensa fortuna, um solteiro cobiçado; Fiona (Kristin Scott-Thomas), sempre super chique e elegante, e secretamente apaixonada por Charles; Scarlett, (Charlotte Coleman), a "flatmate" de Charles e ainda mais desastrada que ele; Gareth (Simon Callow), o mais velho do grupo, sempre com um comentário sarcástico na ponta da língua e Matthew (John Hannah) com quem Gareth está discretamente envolvido. A estes ainda se pode juntar David (David Bower), o irmão mais novo de Charles, que apesar de surdo, é muito mais eloquente que ele. Entre entediados com o constante aparato das cerimónias e secretamente frustrados por não terem a sua vida amorosa resolvida, estes amigos adoptaram um postura algo cínica face aos casamentos. Mas ao longo de quatro casamentos e um funeral, a vida deles vai inesperadamente mudar.
O primeiro casamento começa desastrosamente para Charles, que chega atrasado e descura das suas funções de padrinho. Mas é então que Charles conhece Carrie (Andie MacDowell), uma bonita e elegante americana, por quem ele fica logo encantado. A atracção e o entendimento são mútuos e imediatos, e os dois acabam por dormir juntos. Embora ela parta para a América no dia seguinte, Charles não consegue esquecê-la.
O segundo casamento acaba por ser um pesadelo para Charles. Primeiro desilude-se com Carrie, que chega acompanhada pelo seu noivo Hamish (Corin Redgrave). Depois, em vez de ficar na mesma mesa que os amigos, é obrigado a sentar com as suas ex-namoradas, em especial a temperamental Henrietta (Anna Chancelor), com quem teve uma relação particularmente difícil e a quem os seus amigos chamam de Cara de Pato. Porém, depois de outros desaires (como ver-se obrigado a assistir a uma rapidinha dos noivos!), Charles acaba por dormir de novo com Carrie. Os dois acabam-se por encontrar mais tarde quando Carrie anda às compras para o casamento, mas o reencontro, que termina com uma declaração tardia de Charles, acaba por acentuar a impossibilidade de que algum dia possa haver algo entre os dois.
Durante o terceiro casamento, o de Carrie e Hamish na Escócia, Charles deprime-se ao ver a mulher que ama casar com o outro. Os seus amigos compartilham do seu pesar e concluem que chegou à altura de porem o orgulho de lado e arranjarem alguém para casar. Mas é só durante o funeral de um deles que eles finalmente ganham coragem para seguir em frente.
E eis-nos chegados ao quarto casamento. Charles, por desespero, aceitou casar com Henrietta. Mas eis que mais uma vez aparece Carrie. E está separada do marido...
O sucesso do filme, no box office e na crítica (nomeação para o Óscar de Melhor Filme), adveio sobretudo de dois factores. Primeiro o argumento e a realização, cheios de humor de ponta a ponta, sensível e refinado mas sem recusar uma pitada de brejeirice (a f-word é largamente repetida no início do filme) mas também hábeis nos momentos mais trágicos. Depois o excelente elenco, todo ele magistral, dos actores principais aos mais efémeros (como por exemplo o velho senil do primeiro casamento) a construir personagens irresistíveis e que o espectador acompanha com delícia.
Mas é claro que quem mais brilha é Hugh Grant que com este filme foi catapultado para uma carreira estrelar entre Hollywood e a Velha Albion, que nem o escândalo Divine Brown em 1995 beliscou. Grant constrói aqui um novo arquétipo de galã, até então pouco visto no cinema e que perpetuou em vários dos seus outros trabalhos: desastrado, vulnerável e até um bocadinho cobarde, mas apesar disso (ou por causa disso), cheio de charme.
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Com Pés e Cabeça (1988)
"Com Pés e Cabeça", concurso de finais dos anos 80, apresentado por José Fialho Gouveia e Ana Paula Reis. O programa das segundas-feiras à noite, por volta das 21 horas, começou as emissões a 11 de Janeiro de 1988 e findou-as em Julho do mesmo ano. Curiosamente, na programação do Diário de Lisboa, há indicação que a ultima sessão foi a 4 de Julho ("Centro e Sul, representados pelas suas capitais, Coimbra e Faro respectivamente são os dois finalistas deste concurso."), e no entanto, na semana seguinte, está novamente a indicação de "última edição deste programa que apresenta para despedida um brinde a todos os concorrentes que passaram pelo estúdio do Europa e pelo Pavilhão do Sacavenense durante as semanas em que decorreu o concurso". Provavelmente um apanhado das emissões anteriores.
| "Diário de Lisboa [1988/05/02]" |
O redondo mascote que adorna o genérico é o Sabichão. O "Diário de Lisboa" descreve o programa assim: "Jogos de movimento, provas de criatividade e jogos de conhecimento e memória são a base deste concurso que terá 28 sessões."
| "Diário de Lisboa [1988/01/11]" |
| "Diário de Lisboa [1988/02/01]" |
O seguinte video foi colocado no Youtube pelo fã da Caderneta de Cromos, Orlando Santos Silva, que assistiu ao vivo ao programa [20/01/1988], e gravou em cassete VHS O video tem quase 1 hora e 23 minutos de duração:
Mais vídeos no canal: http://www.youtube.com/user/OrlandoSantosSilvaDescrição do video: "Concurso em que se defrontam equipas representando 2 cidades (nesta terceira sessão do concurso: Faro e Horta) apresentado por Fialho Gouveia (no cinema Europa) e Ana Paula Reis (no pavilhão do Sacavenense). Juri: Cândido Mota, Magda Cardoso e Carlos Paião. Direcção musical: Carlos Alberto Moniz. Comentários dos jogos: Fernando Correia. Árbitro: Rui Pinheiro.Tem muito dos anos 80, os Heróis do Mar, a dinâmica dos jogos e passatempos, os concorrentes, a assistência."
Orlando Santos Silva também guardou o seu bilhete para assistir à gravação do concurso no pavilhão do Sacavenense.
Consegui apurar os participantes de algumas das sessões do "Com Pés e Cabeça":
- 1988/02/22 - Viana do Castelo e Braga
- 1988/02/29 - Aveiro e Bragança
- 1988/03/07 - Santarém e Porto
- 1988/03/14 - Coimbra e Évora
- 1988/03/21 - Lisboa e Setúbal
- 1988/04/04 - Funchal e Leiria
- 1988/04/11 - Porto e Portalegre
- 1988/04/18 - Horta e Angra do Heroismo
- 1988/05/02 - Viseu e Guarda
- 1988/05/09 - Coimbra e Vila Real
- 1988/05/16 - Beja e Faro
- 1988/05/23 - Porto e Coimbra
- 1988/05/30 - Horta e Vila Real
- 1988/06/06 - Leiria e Setúbal
- 1988/06/20 - Horta e Coimbra
- 1988/06/27 - Porto e Faro
- 1988/07/04 - Coimbra e Faro [Final]
Uma curiosidade da sexta sessão (1988/02/15): "... inclui um diálogo inédito entre os viúvos Porcina e Sinhôzinho Malta. trata-se de uma cena de ciúmes, com texto especialemtne criado para o programa e enterpretado (sic) por Regina Duarte e Lima Duarte.
Mais informação no IMDB: "Com Pés e Cabeça"
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