Cinema Paraíso (1988)
Título Original: Nuovo Cinema Paradiso
Realizador: Giuseppe Tornatore
Actores: Philippe Noiret, Jacques Perrin, Salvatore Cascio, Marco Leonardi, Agnese Nano, Leopoldo Trieste, Enzo Cannavale .Antonella Attili, Enzo Cannavale, Isa Danieli.

Um dos meus filmes favoritos. A versão que conheço do filme é a versão mais curta. Apesar de possuir em DVD a versão original, o "Director's Cut" com cerca de mais uma hora de cenas "novas", tenho evitado conscientemente ver essa versão, com receio de "estragar" (na minha mente) a experiência de assistir e emocionar com um filme quase perfeito, uma ode de amor à sétima arte, à sua paixão e maldição. Além disso, a quase totalidade das críticas que li online afirmam que as cenas extra mudam muito o sentido do filme, retirando-lhe algum do encanto. O filme de Tornatore tem uma carga nostálgica imensa, um misto de inocência e tragédia. Fascinante como o modo de ver cinema mudou desde as épocas retratadas, quando ir a uma sala era um acto social, tanto para as classes mais educadas como para as mais pobres. Segundo relatos e documentos[1], na minha cidade ( na mesma altura, uma pequena vila de pescadores pobres e indústria conserveira) a relação do público com os filmes era em tudo semelhante, uma forma de escapismo ao duro dia-a-dia. Pormenores deliciosos, como os casais que namoravam no escurinho, o homem que pagava bilhete para ir dormir, o rico que cuspia para os pobres nos lugares abaixo, o padre da terra que censurava previamente os beijos e outras indecências, etc. Também de destaque é a reprodução histórica e social da pequena cidade de Giancaldo, e as suas mudanças desde os anos 50 até aos anos 80 do século XX. A minha experiência com este filme é bem pessoal, porque alguns dias depois de ter visto o filme pela primeira vez - numa esplanada ao ar livre - frequentei no mesmo local, um curso de projeccionista de 16 e 35mm, organizado pelo CineClube de Olhão e ministrado pelo projeccionista do Cinalgarve. Uma experiência inesquecível!

Além da relação paternal do jovem Totó (Salvatore Cascio) e o velho projeccionista Alfredo (Philippe Noiret), que admite Totó nos bastidores da magia da cabina de projecção, o filme lida com o modo como o cinema consome a vida de Alfredo e de Totó. Paralelamente, quando Salvatore (o verdadeiro nome de Toto) já é um jovem adulto (Marco Leonardi) vive uma paixão pela bela Helena (Agnese Nano) - filha do banqueiro - um romance que tem muito de cinematográfico, pela excepção da falta do final feliz à moda de Hollywood.