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quinta-feira, 3 de maio de 2012

Colecção Azul - Círculo de Leitores



Colecção de livros de capa dura, omnipresente em bibliotecas e prateleiras de casa: Colecção Azul, do Círculo de Leitores [1]. Os livros retratados nas fotos deste artigo fazem parte da colecção da Ana Trindade, e apesar de não estar completa, inclui vários dos chamados "clássicos" da literatura direccionada - creio - ao publico juvenil. Por exemplo: "Viagens de Tom Sawyer" de Mark Twain; "Cântico de Natal" de Charles Dickens; "Mulherzinhas" de Louisa May Alcott, "As Meninas Exemplares" da
Condessa de Ségur, etc.
Vejam algumas das capas:


 Mais livros e informação depois do "link":

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

Mulherzinhas (1994)

por Paulo Neto

Publicado pela primeira vez em 1868, "Mulherzinhas" de Louisa May Alcott tornou-se um clássico da literatura juvenil e já há várias gerações que leitores em todo o mundo se encantaram com a história de quatro irmãs adolescentes que vão passando pelas diversas dores de crescimento enquanto o pai de ambas está ausente na Guerra Civil Americana (a história é baseada em experiências reais da autora). Este livro tem um lugar especial na minha vida como leitor pois foi o primeiro livro não-lá-muito infantil que eu li, tinha para aí uns oito ou nove anos, numa edição da Série Azul do Círculo Leitores, famosa por editar os livros da Condessa de Ségur mas também outros clássicos da literatura juvenil, da autores como Júlio Verne, Anne Bronte ou Charles Dickens.



"Mulherzinhas" também já foi adaptada várias vezes em cinema e televisão. Ao todo existem seis adaptações cinematográficas: duas no período do cinema mudo em 1917 e 1918, uma de 1933 protagonizada por Katharine Hepburn, uma de 1949 com umas bem jovens Elizabeth Taylor e Janet Leigh, a de 1994, da qual eu vou falar neste texto, e uma a estrear ainda este ano de 2019, realizada por Greta Gerwig e com Saoirse Ronan, Emma Watson, Timothée Chalamet e Meryl Streep. (Existe também uma versão de 2018 recontada na actualidade.) Tenho ainda de referir a adaptação em série anime de 1987 que passou na TVI nos anos 90.


Cartaz da adaptação de 1933

Elizabeth Taylor como Amy na versão de 1949


Uma cena da versão de 1949, que inspirou a capa
de uma edição do Círculo de Leitores.


Aliás o meu primeiro contacto com a história foi com a versão de 1949, que passou na RTP uns tempos antes de eu ter o livro, que aliás tinham a ilustração de uma cena desse filme na capa. No entanto ao ler constatei que essa versão fez uma alteração importante à trama ao reverter a ordem de nascimento das duas irmãs mais novas: no livro Amy é a mais nova e nesse filme, a irmã caçula é Beth, uma alteração que se deveu ao casting de Elizabeth Taylor como Amy (numa das raras vezes em que fez de loura) e a estrela infantil, Margaret O'Brien como Beth. (Meg e Jo foram respectivamente interpretadas pelas não menos célebres Janet Leigh e June Allyson.) 

Foi preciso esperar quase mais cinquenta anos para que Hollywood revisitasse a história até chegar a versão de 1994, realizada por Gillian Armstrong com Winona Ryder, Susan Sarandon, Claire Daines, Kirsten Dunst, Christian Bale, Eric Stolz, Trini Alvarado, Samantha Mathis e Gabriel Byrne. Tal como noutras adaptações, o filme condensa a história de "Mulherzinhas" e da sua sequela "Boas Esposas". (Existem ainda mais dois livros da série: "Homenzinhos", que eu também li, e "Os Rapazes de Jo".) 




No estado de Massachusetts, as quatro irmãs March tentam viver com os seus parcos recursos e o pai a combater na Guerra Civil. Margaret ou Meg (Alvarado) é a mais velha, e considerada a mais bonita, esforça-se para ser uma moça prendada mas de vez em quando deixa-se tentar pela vaidade; Josephine ou Jo (Ryder) é a maria-rapaz, de temperamento forte e decidido, que sonha em ser escritora e que desespera nas suas funções de dama de companhia à sua rabugenta tia-avó (Mary Wickes), a única pessoa endinheirada da família; Elizabeth ou Beth (Daines) é doce, tímida e frágil contentando-se em ficar em casa e em tocar piano; Amy (Dunst e mais tarde Mathis) é mimada, empertigada e apaixonada pelas artes. Por entre os altos e baixos das quatro irmãs, está o apoio firme e terno da mãe delas, Abigail (Sarandon) que as filhas tratam por Marmee bem como a da dedicada empregada Hanna (Florence Patterson). 




Por altura do Natal, Jo trava amizade com o jovem Theodore Laurence ou Laurie (Bale), o vizinho do lado, e os dois depressa se tornam grandes amigos, uma amizade que rapidamente se estende ao resto da família March. James Laurence (John Neville), o avô de Laurie, também acolhe as irmãs March como se fossem suas netas, em especial Beth, cujo talento para tocar piano lhe faz recordar uma filha falecida. Enquanto isso, Meg apaixona-se por John Brooke (Stolz), o tutor de Laurie.      
Meses mais tarde, uma série de acontecimentos infelizes se sucedem: o Sr. March (Matthew Walker) é ferido na guerra e Jo vende o seu cabelo para que Marmee possa viajar até Washington e tratar do marido. Enquanto Marmee está ausente, Beth contrai escarlatina durante uma visita a uma família pobre que era ajudada pela sua mãe e fica gravemente doente, e Amy é levada para casa da Tia March para evitar risco de contágio. O fim desses dias penosos só chega no Natal com Beth recuperada e o pai March de regresso a casa.




Quatro anos depois, Meg e John casam-se (é aqui começa a história do livro seguinte "Boas Esposas") e pouco depois têm um casal de gémeos, Demi e Daisy. Laurie declara-se a Jo mas esta recusa, sentindo que só gosta dele como amigo, para grande frustração do rapaz. Jo fica ainda mais destroçada quando descobre que a Tia March decidiu levar Amy numa viagem pela Europa, que era o grande sonho de Jo. Esta então muda-se para Nova Iorque para tentar ganhar a vida como escritora e lá encontra Friedrich Bhaer (Byrne), um professor alemão que a introduz à ópera e à filosofia e a encoraja a melhorar a sua escrita. 
Entretanto, Beth, cuja saúde ficou irremediavelmente deteriorada, sente que tem pouco tempo de vida e aguarda serenamente pela morte. Jo regressa a casa para velar Beth nos seus últimos dias e decide escrever sobre a vida dela e das irmãs. Na Europa, Laurie e Amy encontram-se e acabam por se apaixonar, regressando à América já casados.  
Após a morte da Tia March, Jo herda a sua propriedade que ela decide transformar numa escola, vê o seu livro publicado, e após alguns mal-entendidos, ela e Bhaer descobrem que estão apaixonados e ela aceita casar-se com ele.  

Esta adaptação de "Mulherzinhas" foi extremamente competente, apresentando a obra a toda uma nova geração e recebendo elogios do público e da crítica. Todavia, quem tenha lido o livro como eu não pôde deixar de achar que ficaram de fora várias cenas marcantes da obra (como a cena do piquenique ou aquela em que Meg enfrenta a Tia que se opõe ao seu noivado com John). Todo o elenco está muito bem mas sem dúvida que Winona Ryder é quem brilha mais como Jo, ao ponto de ter sido nomeada para o Óscar de Melhor Actriz (curiosamente, Susan Sarandon foi nomeada nesse ano por outro filme, "O Cliente"). O filme foi também nomeado para Melhor Guarda-Roupa e Melhor Banda Sonora Original da autoria de Thomas Newman.  

Trailer:




   

terça-feira, 29 de março de 2016

Top 5: Livros da Colecção "Uma Aventura" (Paulo Neto)

O David Martins já falou aqui sobre esta mítica colecção de livros da autoria de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada que conquista jovens leitores desde 1982. E eu não fui excepção, tendo sido proprietário de vários volumes da colecção "Uma Aventura" quer nas edições originais, quer em edição dupla com dois volumes, comercializada pelo Círculo de Leitores.



Claro está que houve uma altura em que considerava Teresa, Luísa, Pedro, Chico e João como meus grandes amigos fictícios e em que eu imaginava ser o sexto membro humano (e oitavo no geral) do grupo. E como é óbvio para aqueles que me conhecem, aquele com quem mais me identificava era com o Pedro, o cérebro do grupo, apesar de na altura eu ainda não ser caixa-de óculos.
Também li alguns livros de "Os Cinco" e "Os Sete", mas sempre achei que os livros de "Uma Aventura" que não ficavam nada a dever aos de Enid Blyton. Aliás, se esta colecção tivesse sido de um país anglo-saxónico, quase que imagino estes livros a serem vendidos à escala mundial, traduzidos em inúmeras línguas e adaptados para séries e filmes com um budget bem maior do que aquele que teve a adaptação nacional na primeira década do século XXI (que apesar das várias mudanças de elenco e outras vicissitudes, até estava bem conseguida).

Neste texto pretendo falar sobre os cinco livros da colecção "Uma Aventura" preferidos. Confesso que já há largos anos não leio nenhum livro da colecção, que já está quase no 60.º volume, mas recordo-me de muitas das histórias. Como acontece com quase todas os top 5 que faço, tenho de mencionar alguns que estiveram quase, quase para entrar na lista mas falharam por pouco: "Uma Aventura nas Férias de Natal" (n.º 2), onde o grupo lança-se numa caça ao tesouro numa aldeia de Trás-Os-Montes, "Uma Aventura Entre Douro e Minho" (n.º 6) com o grupo perseguir uma quadrilha de ladrões que efectuam vários roubos no Minho e que culmina num emocionante e hilariante final na Ilha dos Amores, "Uma Aventura no Estádio" (n.º 14) onde eles investigam o desaparecimento de um famoso futebolista, "Uma Aventura nas Férias da Páscoa" (n.º 19) que começa com um inesperado nevão em Lisboa e "Uma Aventura no Palácio da Pena" (n.º 26) onde além de se envolverem numa intriga que envolve roubos e monstros, havia uma ninfeta intrujona chamada Magda que causa tensões que ameaçam a união do grupo. Mas eis então o meu top 5:



#5: "Uma Aventura na Cidade" (n.º 1)
E começamos com o livro que começou tudo, onde se conta como se formou o grupo. E afinal tudo começou de forma não muito amistosa, já que a primeira cena era precisamente de pancadaria entre o Chico e o Pedro, que ao princípio não podiam um com o outro. Porém tudo muda quando as gémeas recorrem aos dois para investigar os acontecimentos que passam numa garagem perto do prédio onde elas vivem, que poderão estar relacionados com o roubo de automóveis. Perante a necessidade de alguém mais pequeno para entrar na garagem, acabam por ter o candidato ideal no João, que surge pela primeira vez quando o Faial segue-o até à escola e causa aflição no bar.
O clímax acontece quando os cinco armam grande alarido para apanhar a quadrilha de ladrões de automóveis em flagrante, com a ajuda dos dois cães e de um papagaio.



#4: "Uma Aventura no Ribatejo" (n.º 9)
Este volume destaca-se para mim por dois motivos: passava-se na minha região, o Ribatejo, (embora não haja referência à minha cidade) e algures no meu 4.º ano, a professora tinha o hábito todos os dias antes das aulas de ler um capítulo deste volume. Mais uma vez a trama é emocionante: o grupo vai passar uns dias ao Ribatejo onde têm sido noticiadas alegadas aparições de OVNIs e eles esperam secretamente ter um desses encontros imediatos. Mas a Tia Estefânia, uma tia das gémeas que vive em Santarém, acredita que isso não passa de um engodo para distrair a população de ocorrências de roubo de gado. Intrigados, os cinco amigos decidem investigar essa história, seguidos por um misterioso homem de sobretudo que não sabem se é aliado ou inimigo. Onde também se fala dos bolos celestes da pastelaria Abidis, dos anões da Branca de Neve e onde a Luísa quase vai desta para melhor ao tentar montar um cavalo. Além disso, também há uma participação especial na trama dos actores Tareka e Tozé Martinho, mãe e irmão na vida real da co-autora Ana Maria Magalhães.



#3: "Uma Aventura no Algarve" (n.º 12)
De um livro que se passa na minha região, para um que decorre na região natural do David, ainda que numa praia fictícia. Os cinco amigos e os dois cães vão passar o início das férias grandes à pensão do tia do Chico e o que parecia serem umas férias sossegadas numa praia de sonho algures num recanto algarvio ainda pouco explorado pelo capitalismo turístico acaba por se complicar quando suspeitam que a zona seja o centro de uma rede de contrabando. Pelo meio, há uma excêntrica actriz americana, um misterioso jardineiro contador de histórias, um enorme incêndio e um mordomo com aparente dupla personalidade. 
Mas a minha parte preferida é a descrição da primeira ida à praia dos amigos, que dava-me sempre vontade de entrar no livro e juntar-me a eles. Mas é claro que em 1985 (ano da 1.ª edição deste volume) ainda era possível imaginar o Algarve sem exploração turística desenfreada.



#2: "Uma Aventura nas Ilhas de Cabo Verde" (n.º 25)
Um dos livros mais épicos da colecção, com a aventura ser um grande périplo por quase todo o arquipélago cabo-verdiano. Como prémio por terem vencido um concurso de televisão, os cinco amigos ganham uma viagem a Cabo Verde. Só que mais uma vez, aquilo que seriam umas férias pacíficas de dolce far niente acabam por se tornar mais uma grande aventura logo no voo de partida quando o grupo suspeita que Mário, um rapaz cabo-verdiano, foi raptado por dois italianos mal encarados que o acompanham. Mais tarde descobrem que os indivíduos andam atrás de um tesouro escondido algures numa das ilhas e os cinco amigos seguem no seu encalço, esperando antecipá-los na descoberta do tesouro e libertar Mário do domínio dos italianos. Pelo caminho, há um concerto rock na Baía das Gatas, um ciclone na ilha de São Nicolau e um inesperado aliado na pessoa de um pescador de lagostas surdo-mudo.  



#1: "Uma Aventura no Deserto" (n.º 21)
Mas o número 1 vai precisamente para o primeiro livro da colecção que eu li, emprestado pela minha prima. Segundo as autoras, a ideia para uma aventura no deserto do Sahara foi sugerida por uma leitora de São Tomé e Príncipe. Se nos outros livros, os cinco amigos lutavam contra ladrões, bandidos e traficantes, aqui eles lutam contra a própria Natureza numa das suas formas mais hostis.
Tudo começa quando o Chico, desejoso de reviver alguns momentos vividos em "Uma Aventura na Terra e no Mar", desafia os amigos a viajarem a bordo de um barco pesqueiro ao largo da costa marroquina. Mas a tragédia acontece quando o navio naufraga e os cinco mais o Faial vêem-se abandonados à sua própria sorte no Sahara, numa terra agreste e totalmente diferente de tudo o que eles conhecem. Após algumas aflições, são acolhidos por uma tribo de tuaregues onde travam novas amizades, em especial com Mahmoun, um rapaz que fala português, e aprendem os seus costumes. Mas antes de chegarem ao oásis mais próximo, o Chico e a Teresa são raptados e aprisionados numa kasbah por uma tribo rival, que talvez também tenha matado o Faial. Apanhados no meio da contenda entre as duas tribos, Pedro, João e Luísa lançam-se numa luta contra o tempo para resgatar os amigos. Mas é claro, tudo acaba bem e a aventura não podia terminar de melhor forma com um mergulho numa piscina de um hotel no oásis de Tamegroute.

Como vêem através deste livros, eu e muitos outros jovens leitores pudemos viajar para imensos sítios e viver todo o tipo de emoções. E é bom ver que ainda hoje as novas gerações se deixem encantar por estas aventuras imaginadas por Magalhães e Alçada, e com isso descobrem o prazer de ler.

   

terça-feira, 10 de abril de 2018

Festival da Eurovisão 1993

por Paulo Neto

No ano em que Portugal recebe pela primeira vez o Festival da Eurovisão, continuamos a recordar edições passadas e desta vez recuamos 25 anos até ao Festival de 1993.



O 38.º Festival da Eurovisão realizou-se a 15 de Maio de 1993. A Irlanda recebeu pela quarta vez o evento em virtude da sua vitória no ano anterior, mas ao contrário das outras três edições que tiveram lugar na capital Dublin, desta vez o certame realizou-se na pequena vila de Millstreet, que com apenas 1500 habitantes é até hoje a localidade mais pequena de sempre a acolher o Festival. Mas porquê a realização de tão grande evento numa pequena e remota vila irlandesa? Porque na mesma noite que a Irlanda venceu a edição de 1992, Noel C. Duggan, proprietário de um centro equestre nessa vila (Green Glens Arena) contactou a televisão irlandesa RTE, oferecendo a infraestrutura para a realização do Festival no ano seguinte. Satisfeita com o grande e bem-equipado centro hípico e por poupar imenso dinheiro por não ter de alugar a propriedade, a RTE aceitou o repto de Duggan. Com grande apoio das autoridade locais e nacionais e das empresas da região, Millstreet equipou-se com as infraestraturas necessárias para receber um evento desta escala e engalanou-se com as suas ruas decoradas com flores, as 25 lojas locais a apoiarem cada uma um dos países concorrentes e foi erguido um mural com as bandeiras dos 25 países participantes, que ainda hoje pode ser visitado, criando uma atmosfera única para todos aqueles envolvidos no projecto, sobretudo os cantores e os visitantes. Pessoalmente, esta também é uma das minhas edições preferidas, repleto de excelentes canções e sem nenhuma que eu desgoste particularmente.



Alguma semanas antes do evento principal, e atendendo ao interesse dos países do Leste da Europa em participarem no Festival da Eurovisão, realizou-se a 3 de Abril de 1993 em Ljubljana, capital da Eslovénia, uma pré-eliminatória onde sete países disputaram as três vagas disponíveis para a competição na Irlanda, juntando-se aos países que participaram no ano anterior, excepto a Jugoslávia - então já reduzida apenas à Sérvia e ao Montenegro, e impedida de participar devido ao embargo internacional. Ironicamente, foram precisamente três antigas repúblicas jugoslavas recém-independentes - Eslovénia, Croácia e Bósnia-Herzegovina - que conseguiram os três primeiros lugares na pré-eliminatória no fim de um votação bem renhida, deixando de fora as canções da Eslováquia, Estónia, Hungria e Roménia.

A apresentadora Fionnuala Sweeney

Foram portanto 25 países - o maior número de participantes até então - que competiram no Festival da Eurovisão em Millstreet, apresentado por Fionnuala Sweeney. O espectáculo arrancou com a recriação de uma lenda celta, enquanto o intervalo teve a actuação de dois dos vencedores irlandeses do Festival da Eurovisão, Johnny Logan (1980 e 1987) e Linda Martin (1992). Antes da actuação de cada país, foi mostrado um pequeno filme em que o respectivo intérprete descobria um sítio ou uma actividade da Irlanda rural: por exemplo, a nossa Anabela visitou a Universiade de Cork onde teve algumas lições de irlandês gaélico e descobriu um café chamado...The Old Lisbon. Isabel Bahia fez os comentários para a RTP e Margarida Mercês de Melo foi a porta-voz dos votos do júri português, no último ano em que os mesmos foram revelados por telefone. (A partir do ano seguinte, passaram a ser dados por videoconferência). 

Como é habitual, vamos recordar as canções concorrentes por ordem inversa à classificação final.

Barbara Dex (Bélgica)

Alguém tem sempre de ficar em último e neste ano, foi a Bélgica, que ficou-se pelos 3 pontos atribuídos pela Alemanha. Pessoalmente, achei este resultado injusto para a terna balada "Iemand als jij" ("alguém como tu"), interpretada por Barbara Dex, então com 19 anos. Mas como se não bastasse ter sido última, Barbara foi criticada pelo vestido com que actuou (feito por ela própria) ao ponto de inspirar o site House Of Eurovision a criar o Prémio Barbara Dex que desde 1997 premeia através de votos no site o intérprete mais mal vestido de cada edição do Festival da Eurovisão (Portugal foi o "vencedor" desse prémio em 2006 graças às vestimentas de inspiração Moulin Rouge com que  Non Stop se apresentaram esse ano em Atenas). Apesar disso, Barbara Dex continua com a sua carreira musical até aos dias de hoje. Em 2004 e 2006 tentou voltar a representar a Bélgica na Eurovisão.

Lahakat Shiru (Israel)

Israel não conseguiu muito melhor, somando apenas quatro pontos (3 de Portugal), ao ser representado pelo grupo Lahakat Shiru com o tema..."Shiru" ("canta"), palavra essa que era largamente repetida ao longo do refrão. O grupo era liderado por Sarah Le Sharon que começava sentada ao piano mas que depois se juntava aos outros quatro vocalistas. Mas nem mesmo com um excerto cantado em inglês a actuação israelita convenceu os júris europeus, ficando-se assim pelo 24.º e penúltimo lugar. Pessoalmente, também acho que Israel não merecia tão parco resultado.

1XBand (Eslovénia)

E o mesmo se aplica aos países que ficaram em empatados em 22.º lugar, a Eslovénia e sobretudo a Dinamarca. Embora alguns cantores eslovenos já tivessem representado a Jugoslávia anteriormente, era a primeira vez que a Eslovénia se apresentava na Eurovisão como país independente. E apesar da independência recente (Junho de 1991) e da guerra nas Balcãs, a delegação eslovena fez questão de afirmar à imprensa que o país tinha condições para acolher um Festival de Eurovisão (algo que ainda não aconteceu). O país foi representado pela 1X Band, liderada pelo vocalista Cole Moretti, com a canção "Tih dezeven dan" ("um calmo dia de chuva") mas quem se destacou foram as cantoras de coro com as suas vestes, duas delas com vestidos curtos e a do meio com umas grandes calças à boca de sino. Mas apesar de a Eslovénia ter sido o país mais votado na pré-eliminatória, foi o pior classificado de entre os três seleccionados, com o 22.º lugar e nove pontos.

Tommy Seebach (Dinamarca)

A mesma posição e pontos foi a que teve a canção da Dinamarca, "Under stjernerne pa himlen" "sob as estrelas do céu", interpretada pela Tommy Seebach Band. Seebach participava assim pela terceira vez, tendo anteriormente representado a Dinamarca em 1979 e 1981. A actuação dinamarquesa teve a particularidade de ter Seebach, os membros da banda  e as duas cantoras do coro a formarem um círculo no palco, com a câmara a rodar por entre eles ao longo da canção. Devo dizer que gosto muito da canção e foi pena ter ficado numa posição tão baixa (apesar deste ser um ano muito competitivo). O fraco resultado foi bastante criticado pela imprensa dinamarquesa, o que, aliado a um declínio na sua carreira, terá levado Seebach a piorar os seus problemas de alcoolismo. Tommy Seebach faleceu em 2003, e esta canção foi tocada durante o seu funeral. O seu filho Rasmus é actualmente um dos cantores mais populares na Dinamarca.

Burak Aydos (Turquia)

A canção que menos gosto deste ano será a da Turquia, e mesmo assim está longe de ser do pior que já passou pelo Festival da Eurovisão, o que só prova a qualidade da edição de 1993. A canção turca chamava-se "Esmer yarim" ("minha querida morena"), escrita e interpretada por Burak Aydos, da qual se destaca sobretudo o solo de saxofone. A Turquia obteve 10 pontos, ficando no 21.º lugar.

Modern Times (Luxemburgo)

Uma posição acima, com mais um ponto ficou o Luxemburgo, que nesse ano se fez representar pelo grupo Modern Times, composto por Jimmy Martin e Simone Weis, com o tema "Donne-moi une chance" ("dá-me uma oportunidade"), interpretado em francês com uma estrofe em luxemburguês. Além do look de Jimmy e do baterista que parecia saídos de um banda rock dos anos 80 e do casaco de borboletas de Simone, recordo a cantora de coro de vestido vermelho e que também tocava uma guitarra. Esta veio a ser última participação até agora do grão-ducado do Luxemburgo na Eurovisão, que venceu por cinco vezes. 

Zymboulakis & Van Beke (Chipre)

Com 17 pontos (10 dos quais da pátria-irmã Grécia), Chipre ficou em 19.º lugar com a canção "Mi Stamatas" ("não pares") interpretada pelo duo composto por Kyriacos Zymboulakis e Demos Van Beke. Os dois regressaram ao Festival no ano seguinte fazendo coro na canção cipriota.

Münchener Freiheit (Alemanha)

As canções da Alemanha entre 1990 e 1993 foram de certa forma inspiradas pela queda do Muro de Berlim e a reunificação da Alemanha Ocidental e da RDA. O tema "Viel zu weit" ("longe demais") aludia aos sonhos de liberdade e prosperidade dos habitantes da Alemanha Oriental que antes da queda do Muro pareciam tão distantes. O grupo Münchener Freiheit, que como o nome indica é originário de Munique, já gozava de algum sucesso além-fronteiras, nomeadamente com o tema de 1988 "Keeping The Dream Alive" e segue no activo até aos dias de hoje, mesmo com saída do vocalista Stefan Zauner em 2012. Em Millstreet, a Alemanha ficou em 18.º lugar com 18 pontos.

Katri Helena (Finlândia)

Os 20 pontos conquistados pela Finlândia valeram-lhe o décimo sétimo lugar. Katri Helena já tinha representado este país em 1979 onde tinha conseguido um melhor resultado (14.º). Uma das maiores estrelas da música finlandesa desde os anos 60, a sua segunda participação na Eurovisão marcava o regresso ao activo de Katri Helena depois de alguns anos fora da vida pública após a morte do seu marido. Em Millstreet, cantou o tema folk "Tule luo" ("vem ter comigo"). 

Fazla (Bósnia-Herzegovina)

A estreia da Bósnia-Herzegovina na Eurovisão fez-se ainda no auge da guerra que assolou o país na primeira metade dos anos 90. A comitiva bósnia partiu do avião rumo à Irlanda literalmente debaixo de balas, já que na altura aconteciam tiroteios. Inclusivamente, o orquestrador acabou por não poder viajar e foi o maestro irlandês Noel Kelehan que acabou a dirigir a orquestra durante a actuação da canção da Bósnia, defendida pelo cantor Muhamed Fazlagic, simplesmente conhecido como Fazla. E como era inevitável, a sua canção "Sva bol svijeta" ("toda a dor do mundo") falava da guerra e da dor do povo bósnio. Claro que a actuação da Bósnia-Herzegovina foi das mais aplaudidas em Millstreet, bem como o momento em que o porta-voz dos votos do país disse "Hello Millstreet, Sarajevo calling." No final das votações, a Bósnia-Herzegovina somou 27 pontos (incluindo um 12 da Turquia) e ficou em 16.º lugar.

Put (Croácia)
A Croácia foi o país estreante que conseguiu o melhor resultado, obtendo 31 pontos e o 15.º lugar. Este país também fora atingido pela guerra nos Balcãs e como tal a sua canção falava na guerra, mencionando a morte de um jovem de 18 anos (presumivelmente um soldado) chamado Ivan. O tema "Don't Ever Cry" foi cantado em croata com refrão em inglês a seis vozes pelo grupo Put.

Tony Wegas (Áustria)

Tony Wegas tinha sido o representante a Áustria no ano anterior e voltava a fazê-lo pelo segundo ano consecutivo. Em vez da romântica balada que cantou em 1992, desta vez interpretou um tema mais animado "Maria Magdalena", que como o nome indica, era uma alusão à mítica personagem bíblica. No entanto, a Áustria ficou aquém do top 10 do ano transacto, quedando-se pelo 14.º lugar com 32 pontos (12 da Bósnia-Herzegovina). A vida de Tony Wegas sofreria duros reveses nos anos seguintes, devido à sua dependência do álcool e das drogas, pela qual até chegou a ir parar à prisão. Mas felizmente conseguiu recuperar e regressar à vida artística.

Inga (Islândia)
Ingibjörg Stefansdóttir ou simplesmente Inga, então com 20 anos, foi a beldade que representou a Islândia, com a canção "Pa veistu svarid" ("então saberás a resposta"). A balada de recorte jazz (mais uma com um saxofone proeminente) ficou em 13.º lugar com 42 pontos.

Enrico Ruggeri (Itália)

A Itália fez-se representar pelo cantor milanês Enrico Ruggeri, que começara nos anos 70 na banda punk Decibel, mas que desde 1981 tinha uma carreira a solo que dura até hoje. Na Irlanda, defendeu a balada rock "Sole D'Europa", ficando em 12.º lugar com 45 pontos (Portugal foi o país que mais pontuou a canção italiana, com 10). Depois desta participação, a Itália só voltaria ao Festival da Eurovisão quatro anos mais tarde e depois ficaria mais 14 anos de fora, só regressando em definitivo em 2011.
Eva Santamaria (Espanha)

A vizinha Espanha levou sem dúvida uma das propostas mais arrojadas. Andaluza de gema, Eva Santamaria começou nas coplas e no flamenco, mas na altura aventurava-se na música pop, com a ajuda de Carlos Toro, gravando um álbum em Los Angeles. Reza a lenda que foi nessa cidade, durante uma discussão entre Eva e Carlos Toro sobre os defeitos-clichés do sexo masculino, que surgiu a ideia para "Hombres", a canção que levou à Eurovisão. Além da letra mordaz, o tema destacava-se por ter algumas partes cantadas em rap e por ter sido a primeira canção da Eurovisão a mencionar a palavra "sexo" em qualquer língua. Eva Santamaria actuou acompanhada por três bailarinos e dois cantores de coro americanos. A Espanha ficou em 11.º lugar com 58 pontos.

Anabela (Portugal)

60 pontos foram suficientes para que Portugal obtivesse o seu (apenas) sétimo resultado no top 10. Aos 16 anos, Anabela era a intérprete mais jovem em Millstreet mas desde muito nova que estava activa nas lides artísticas, do fado ao pop, e tendo inclusivamente uma incursão como actriz na telenovela "Cinzas". "A Cidade (Até Ser Dia)", composta por Pedro Abrantes, Marco Quelhas e Paulo Dacosta (na verdade, Paulo de Carvalho), é uma das nossas melhores canções eurovisivas, devidamente impressa no disco rígido do povo tuga. Mas não foi só por cá que a canção fez furor, já que pela primeira vez desde 1976, ouviu-se a frase "Portugal, 12 points!", primeiro por parte do júri holandês e depois do espanhol. Nas redes sociais, tenho volta e meia descoberto testemunhos de fãs eurovisivos holandeses que dizem ainda hoje gostar muito desta canção e que acham que Portugal devia ter ganho nesse ano. Anabela prosseguiu a sua bem activa carreira, por entre discos, concertos, musicais de Filipe La Feria e participações em televisão. Neste ano de 2018, Anabela regressou ao Festival da Canção, com "Para Te Dar Abrigo" apurando-se para a final onde ficou em sexto lugar. 

Katerina Garbi (Grécia)

A Grécia levou uma proposta bem patriota com o tema "Ellada, hora tou photos" ("Grécia, terra de luz") e embora a letra refira a este país como "uma terra escolhida por Deus", "o vinho do mundo" e invoque Platão e Aristóteles, também menciona que a Grécia contemporânea está algo apática e que é tempo de fazer face aos tempos difíceis (algo que soa premonitório dada a situação da Grécia nos últimos dez anos). No entanto, Katerina Garbi interpretou a canção com garra e sensualidade, com o seu vestido azul com grandes aberturas lateriais a não deixar ninguém indiferente, e a Grécia obteve o nono lugar com 64 pontos.

William Mangion (Malta)
O arquipélago de Malta ficou em oitavo lugar, com a canção "This time", interpretada por William Mangion, cuja voz fazia lembrar a de Joe Cocker, obtendo 69 pontos. Duas das cantoras do coro seriam também elas representantes maltesas em edições vindouras, Moira Starface em 1994 e Debbie Scerri em 1997. William Mangion reside actualmente nos Estados Unidos.

Arvingarna (Suécia)

A Suécia foi representada pelos Arvingarna, banda de Gotemburgo formada em 1989, composta por Casper Jannebrink, Lars Larsson e os irmãos Kim e Tommy Larsson. Na Irlanda, interpretaram o tema "Eloise", que ficou em sétimo lugar com 89 pontos. Os Arvingarna (em português, "os herdeiros") continuam no activo apesar do seu mais recente disco ser já de 2009. 

Ruth Jacott (Holanda)

Uma das canções que eu mais gosto deste ano é a da Holanda, intitulada "Vrede" ("paz"). Natural do Suriname, Ruth Jacott começou no teatro musical e tinha recentemente enveredado por uma carreira na música pop. Jacott teve uma relação até 2011 com Humphrey Campbell, o representante holandês no ano anterior (tendo ambos feito coro nas respectivas canções defendidas pelo parceiro). Apesar do animado ritmo pop/r&b, "Vrede" falava de temas sérios, como a preocupação pelo futuro, já que a tecnologia criou tanta coisa mas a paz continua por ser alcançada. A canção holandesa era uma das principais favoritas, mas ficou em sexto lugar com 92 pontos.

Silje Vige (Noruega)

Nesse ano, a Noruega foi o último país a actuar e tirou partido disso para causar boa impressão. Depois da nossa Anabela, Silje Vige era intérprete mais jovem, estando então prestes a completar 17 anos. "Alle mine tankar" ("todos os meus pensamentos") era um tema étnico bastante melancólico e durante a actuação, quando Vige cantava o refrão, alguns membros na assistência (presumivelmente todos os noruegueses presentes) batiam palmas dentro do ritmo. No final das votações, a Noruega obteve um honroso quinto lugar com 120 pontos.

Patrick Fiori (França)

Com mais um ponto e uma posição acima ficou a canção da França, "Mama Corsica" interpretada por Patrick Fiori, a quem o júri de Portugal atribuiu os seus 12 pontos. Como o título deixa adivinhar, o tema era uma homenagem à bela ilha da Córsega, da qual a mãe de Fiori era natural, cantada em francês mas com alguns versos em dialecto corso. Patrick Fiori continuou a ter uma bem-sucedida carreira no seu país, destacando-se o seu papel de Febo no musical "Notre Dame de Paris".   

Annie Cotton (Suíça)

Cinco anos antes, a Suíça tinha vencido o Festival na Irlanda com uma cantora canadiana (uma tal de Céline Dion). Em 1993, a nação helvética quis repetir a fórmula fazendo-se representar por outra jovem cantora canadiana, Annie Cotton, então com 17 anos com a canção "Moi, tout simplement". Porém desta vez, a Suíça teve de se contentar com o terceiro lugar num total de 148 pontos. Este acabou por ser o maior momento de destaque de Annie Cotton como cantora, tendo depois trabalhado mais como actriz.

Sonia (Reino Unido)

E pelo segundo ano consecutivo, a luta pela liderança foi disputada pelo Reino Unido e a Irlanda, com a vitória a ir parar à nação esmeralda. Os 23 pontos de diferença podem induzir que a vitória irlandesa foi evidente mas na verdade que foi só durante a última votação, a do júri de Malta (que não pôde dar os seus votos durante a sua vez devido a problema técnicos), é que o triunfo foi confirmado. 
Pelo Reino Unido esteve a cantora Sonia Evans, natural de Liverpool, que tinha obtido assinalável sucesso no seu país, sobretudo com o single de 1989 "You'll Never Stop Me From Loving You", produzido pelos famosos Stock, Aitken & Waterman, que chegou ao primeiro lugar do top britânico. Em Millstreet, interpretou "Better The Devil You Know" (nada a ver com a canção do mesmo título de Kylie Minogue), ficando em segundo lugar com 164 pontos. Este foi o último fogacho de grande popularidade de Sonia como estrela pop, tendo-se dedicado desde 1994 mais à representação, quer no teatro, quer na televisão.

Niamh Kavanagh (Irlanda)

Mas uma vez mais, a Irlanda assegurou a vitória (e não ficaria por aqui ao longo da década de 90), a quinta na sua história, e tornou-se o quarto país (e até agora último) a vencer em dois anos consecutivos depois de Espanha (1968-1969), Luxemburgo (1972-1973) e Israel (1978-1979).

Niamh Kavanagh e os seus cantores do coro
celebram a vitória

Desta vez o triunfo surgiu na voz de Niamh Kavanagh com a balada "In Your Eyes". Niahm (pronuncia-se "niv") era uma vocalista bastante versátil, cantando em vários estilos desde música tradicional irlandesa ao jazz e soul. Apesar de não entrar no filme, foi uma das vocalistas na banda sonora do filme de 1991 "The Commitments" de Alan Parker. "In Your Eyes" chegou ao n.º 1 do top irlandês e em 2005, ganhou uma votação dos fãs eurovisivos irlandeses como a melhor canção da Irlanda. 

Niamh Kavanagh fez uma pausa na carreira para de dedicar à maternidade mas regressou em 2010 para representar novamente a Irlanda no Festival da Eurovisão desse ano com "It's For You", onde apesar de ter conseguido o primeiro apuramento do país para a final desde 2006, ficou-se pelo 23.º e antepenúltimo lugar. Eu próprio já a vi cantar ao vivo em Setúbal, no Eurovision Live Concert de 2011. Em 2017, venceu o Masterchef Celebridades irlandês.
Em 2013, quando convidada a reflectir sobre as memórias da sua vitória vinte anos antes, Kavanagh referiu a atmosfera mágica em Millstreet, onde se vivia e respirava a Eurovisão, como decerto não aconteceria se o certame tivesse sido realizado numa grande cidade como Dublin e que adorou o facto de, mesmo dentro do seu país, ter tido hipótese de viajar e descobrir um lugar que não conhecia, tal como os outros intérpretes. 

Festival da Eurovisão 1993 (transmissão RTP):




Pré-eliminatória (comentários em esloveno)




"A Cidade (Até Ser Dia)" Anabela (videoclip):





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