quarta-feira, 15 de julho de 2020

A Cinderela (1996)

por Paulo Neto

A história da "Cinderela" a.k.a. "A Gata Borralheira" é universalmente conhecida e contada há várias gerações: a história de uma bela jovem escravizada pela sua madrasta enquanto as suas meias-irmãs divertem-se com todos os luxos que certa noite chega toda transformada e deslumbrante ao baile onde o príncipe das redondezas se apaixona por ela, para ao bater da meia-noite fugir deixando para trás um sapato de cristal que servirá como comprovativo da sua identidade. Existem duas versões conhecidas deste conto a de Charles Perrault e a dos irmãos Grimm, em que a principal diferença é que em Perrault, a fada madrinha converte os trapos de Cinderela num luxuoso outfit para ir ao baile e na versão dos Grimm, Cinderela obtém o vestido e os sapatos quando caem de uma árvore junto à sepultura da sua falecida mãe.



Tal como basicamente todas as histórias infantis, impunha-se que o conto tivesse o seu tratamento de série anime e em 1996 surgiu "Cinderella Monogatari" (literalmente "A História da Cinderela"), uma produção italo-japonesa (Italia1 e NHK) de 26 episódios que nesse mesmo ano foi exibida na TVI com um simples "A Cinderela", tendo sido resposta pelo menos mais duas vezes nos anos seguintes.

Embora mantendo fielmente a essência narrativa original, o facto de haver tantos episódios deu para aprofundar mais a trama e fazer algumas alterações. Por exemplo, aqui o pai da Cinderela não está morto, a fada madrinha costumava aparecer sempre que Cinderela estava em apuros (o que faz mais sentido do que na história original onde sempre achei muito estranho que a Fada Madrinha nunca tivesse aparecido antes, tipo: "A minha afilhada a sofrer maus-tratos por parte da crápula da madrasta? Tudo bem. Mas ela ficar sem roupa para ir ao baile? Isso é que nem pensar."), a Cinderela e o Príncipe já se conhecem antes do baile e sobretudo, existe um vilão ainda mais perigoso que a Madrasta.

Mas vamos então à sinopse da série. No Reino de Esmeralda, vivia uma bela jovem chamada Cinderela, filha do Duque de Biel, que perdeu a sua mãe ainda criança. O seu pai, procurando colmatar a ausência de uma figura materna, casou com uma viúva que tinha duas filhas, Catherine e Jeanne. Assim que o pai de Cinderela se ausenta numa longa viagem de negócios, a madrasta revela a sua verdadeira face, obrigando a jovem a fazer os trabalhos pesados da lida da casa, a vestir velhos trapos e a dormir no sótão, enquanto ela e as suas filhas usufruem de vários luxos. Para a ajudar a suportar esse calvário, Madame Paulette, amiga da sua mãe e uma fada com poderes mágicos, auxilia-a nas situações mais complicadas e dá aos animais da casa, o cão Polly, o passarinho Pappy e os ratos Chuchu e Bingo o poder de comunicarem com Cinderela.





Durante as suas idas ao mercado da cidade, Cinderela encontra-se várias vezes com um rapaz impetuoso chamado Charles, muito parecido com o Príncipe herdeiro do mesmo nome. Cinderela não acredita nas histórias que ele conta, como a de ser parceiro de esgrima do Príncipe, e costuma chamá-lo de mentiroso mas aos poucos vão ficando amigos. Na verdade, trata-se do verdadeiro Príncipe Charles, que costuma escapulir-se do castelo e passear por entre os seus súbditos, pois acredita que assim aprenderá a ser um melhor governante.




Mas existe uma forte ameaça: o pérfido Duque Zara, conselheiro do Rei, pretende tomar o poder. Zara espera casar a sua filha Isabelle com Charles para assim continuar a controlar os destinos do reino. Mas não só Charles não demonstra nenhum interesse por Isabelle, como vem-se a saber que esta está na verdade apaixonada por Florent, um jovem amigo do Duque de Biel a quem a Madrasta tentou fazer com que ficasse noivo da enteada. Para fúria do pai, Florent e Isabelle fogem e Zara planeia então uma emboscada para matar Charles, na qual Cinderela fica a conhecer a sua identidade.



O baile da história original acontece na recta final da série. Cinderela apresenta-se com o vestido da sua mãe, mas uma vez mais a madrasta e as meias-irmãs demonstram a sua crueldade, insultando-a e rasgando o seu convite para o baile. É então que Madame Paulette intervém novamente, transformando o vestido de Cinderela, que surge tão esplendorosa no baile que nem a madrasta nem as meias-irmãs a reconhecem. O Príncipe também não reconhece nela a amiga com quem viveu várias aventuras mas sente-se mesmo assim atraído por ela. Quando Cinderela tem de fugir ao bater da meia-noite deixa nas escadarias do palácio um dos seus sapatos de cristal que, como se sabe, será crucial para identificar Cinderela como a apaixonada do Príncipe. Mas antes do casamento e do "felizes para sempre", Cinderela e Charles terão de enfrentar Zara num perigoso confronto final.


  
"A Cinderela" teve o mérito de pegar numa história por demais conhecida e dar-lhe um novo fôlego. Uma vez mais, a dobragem portuguesa esteve exemplar, sob direcção de Jorge Paupério, com destaque para Zélia Santos na voz de Cinderela, Raúl Constante Pereira nas vozes de Charles e do cão Polly e Jorge Sanches na voz do Duque Zara. E quem viu a série não esqueceu o tema instrumental do genérico de abertura.

Genérico: 


Existem vários episódios no YouTube. Eis alguns deles:












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