domingo, 10 de maio de 2020

A Rede (1995)

por Paulo Neto


Em 1995, a internet dava ainda os primeiros passos para a sua massificação (aliás, acho que foi nesse ano que eu ouvi pela primeira vez a palavra "internet") mas foi nesse ano que Hollywood abordou pela primeira vez o ciberterrorismo e os perigos dessa nova forma de comunicação. E quem melhor para protagonizar um filme desses do que Sandra Bullock, que então vivia os seus primeiros anos de estrelato e que dera provas em filmes de acção como "Homem Demolidor" e sobretudo "Speed - Perigo Em Alta Velocidade"? Esse filme foi "A Rede" ("The Net") realizador por Irwin Winkler, que há dias apanhei por acaso numa noite de zapping televisivo e fiquei a ver.



Em "A Rede", Bullock é Angela Bennett, uma especialista em analisar sistemas informáticos, que vive em Venice, na Califórnia, trabalhando a partir de casa para a empresa Cathedral em São Francisco. Angela vive uma vida solitária e dedicada ao trabalho e as suas interacções com outros são quase exclusivamente via online ou por telefone, excepto algumas visitas à sua mãe (Diane Baker), internada por sofrer de Alzheimer. Um dos seus colegas envia-lhe uma disquete cujo link com o símbolo de "pi" dá acesso a informações sobre um novo sistema informático de segurança, "The Gatekeeper" (o "Guardião") mas antes de saber mais, o colega morre misteriosamente num acidente de avião.


De férias no México, Angela conhece um atraente inglês chamado Jack Devlin (Jeremy Northam), mas o que começa por ser um romance de férias toma um rumo perigoso quando ela descobre que Jack quer matá-la por causa dessa disquete. Após alguns dias inconsciente devido ao acidente de barco resultante desse confronto, Angela fica estupefacta ao saber que a sua identidade foi completamente roubada: foi dada como tendo feito o check-out do hotel e do carro alugado, os seus cartões de crédito foram invalidados e ao regressar aos Estados Unidos, descobre que alguém fez-se passar por ela para vender a sua casa e todos os seus pertences e devido às suas poucas interacções pessoais, nenhum dos vizinhos pode confirmar que ela é a verdadeira Angela. Em troca disso, a sua identidade agora é de alguém chamada Ruth Marx, que consta dos dados da polícia como procurada por ter hackeado os seus sistemas de segurança. Sem mais ninguém para a ajudar, Angela recorre a um ex-namorado Alan Champion (Dennis Miller) que a instala num hotel e promete contactar um amigo no FBI para a ajudar. 




Através de uma password que roubou da carteira de Devlin, Angela descobre que este trabalha para uma sociedade secreta, os Pretorianos, que pretendem controlar o espaço cibernético através do "Guardião", acedendo a dados secretos de bancos, de instituições públicas e até do governo americano, e que estiveram por trás da morte do Secretário de Defesa americano Michael Bergstrom (Ken Howard), um opositor desse sistema, que se suicidou por pensar que contraiu o vírus da SIDA, uma falsa informação que foi manipulada. Depois de sobreviver a mais uma perseguição de Devlin, Angela descobre que ele também provocou a morte de Alan, ao trocar os seus dados no hospital onde estava internado, recebendo uma dose letal de insulina.  
Com Devlin e a polícia no seu encalço, Angela ruma a São Francisco numa corrida contra o tempo para descobrir a verdadeira Ruth Marx (Wendy Gazelle) que ocupou o seu lugar, denunciar Jeff Gregg, o CEO da empresa do "Guardião" e líder dos Pretorianos, e provar a sua inocência.



Apesar de já parecer extremamente datado aos olhos de 2020, sobretudo na parte da tecnologia (quando uma disquete era o suprasumo do armazenamento de informação), "A Rede" ainda é um filme que se vê bem e beneficia do efeito "cápsula do tempo" de nostalgia dos anos 90. Sandra Bullock é uma vez mais competente como protagonista, embora seja pouco verosímil que alguém como ela vivesse uma vida tão solitária. No entanto, as suas mensagens sobre os perigos da internet e aquilo que expomos nela, bem como a capacidade das grandes empresas para aceder a informações pessoais e controlar muita coisa com isso, permanece bem actual vinte e cinco anos depois. 
O filme gerou também uma série em 1998 e uma sequela directa para o mercado de vídeo de 2006.

Trailer:



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