sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Os nomes mais populares em 1980

por Paulo Neto


Se há algo que desde muito cedo sentimos como parte integrante daquilo que somos é o nosso nome. Gostemos ou não dele, o nosso nome é parte crucial da nossa identidade. Neste texto, resolvi analisar quais eram os nomes mais populares de 1980, o ano em que nasci. Este exercício é particularmente interessante pois nesse ano ainda estava em força uma revolução onomástica, uma das diversas revoluções causadas pelo 25 de Abril no nosso país. Pois foi a partir daí que se verificou uma divergência significativa em relação aos nomes da geração anterior, com o surgimento de nomes até então inéditos em Portugal e a ascensão de outros até aí raros entre os portugueses. Nunca antes se verificou uma disparidade entre os nomes  dos pais e os dos seus filhos. Na altura, alguns desses nomes indicavam logo que só se podia tratar de uma criança. E mesmo hoje em dia, quando se fala de pessoas chamadas Cátia, Ruben, Vanessa ou Márcio, ninguém imagina alguém com mais de quarenta anos e muito menos idosos. Por outro lado, embora certamente ainda existam portugueses com menos de trinta anos chamado Alzira, Ermelinda, Hermínio ou Juvenal, à menção desses nomes, muita gente pensará certamente tratar-se de gente de cinquenta anos para cima.     

Em 2012, o blogue "Nomes e Mais Nomes" publicou uma lista com os 10 nomes mais registados no ano de 1980 em Portugal para cada sexo, de acordo com o  Instituto de Registos e Notariado do Ministério da Justiça. Anteriormente a própria autora do blogue, Filipa Lopes, tinha elaborado um top 100 de nomes masculinos e femininos de 1980 a partir de dados de outra fonte, o SPIE. Como existem algumas divergências entre uns e outros dados decidi analisar vinte nomes de cada sexo da seguinte forma: os 10 da lista do Instituto de Registos e Notariado, que pressupõe-se ser uma fonte mais fidedigna, e os primeiros dez nomes do top 100 que a autora elaborou conforme dados do SPIE que não surgem na lista anterior, com a respectiva posição indicada a parêntesis. Eu arriscaria dizer que nenhuma turma com alunos nascidos em 1980 teria menos de 80% dos nomes aqui referidos.

De referir ainda que esta lista refere-se apenas a primeiros nomes.

Nomes femininos:
1) Ana - Sim, foi por esta altura que Ana destronou definitivamente Maria como o mais popular nome feminino. Ana era quase o equivalente onomástico de uma bengala pois servia para apoiar com qualquer outro nome. Rara era a turma que não tivesse pelo menos três Anas.  Entre as Anas havia duas facções: aquelas que gostavam mais de serem chamadas de Ana e aquelas que, dada a abundância de homónimas, preferiam ser tratadas pelo segundo nome. Entre as combinações mais comuns estavam Ana Filipa, Ana Isabel, Ana Margarida, Ana Rita e Ana Sofia. Era tão comum alguns segundos nomes serem precedidos por Ana que quando não era o caso, gerava-se alguma surpresa. Por exemplo, uma amiga minha de infância tinha de volta e meia esclarecer que era simplesmente Rita e não tinha Ana atrelado.  
2) Maria - Maria podia ter visto a sua primazia destronada e os tempos em que se alguém chamasse por uma Maria quase todas as mulheres presentes virar-se-iam já eram águas passadas, mas continuava a ser bastante comum. Quer por que continuava a ser um nome muito transmitido de geração em geração como também combinava com qualquer nome, fosse como primeiro ou segundo nome. Mas ao contrário do seu ressurgimento actual onde recuperou a liderança e o seu valor como nome isolado, no meu tempo de estudante as poucas Marias que conheci preferiam ser tratadas pelo segundo nome.
3) Joana - Joana foi um dos nomes que teve um boom nos anos 80 e nos anos 90 terá mesmo ultrapassado Maria para o segundo lugar do ranking. Lembro-me que quando nasciam filhas a conhecidos da nossa família, Joana era o nome mais frequentemente escolhido. Nem mesmo a provável hipótese de lhes ser cantado em jeito de troça o clássico "Joana Come A Papa" era um motivo dissuasor. Ainda hoje é um dos nomes desta lista que vão mantendo ainda a sua popularidade. 
4) Carla - Carla foi um dos nomes que "explodiram" nos anos 70, pelo que em 1980 ainda estava em força mas que entrou em declínio no final da década. Mas no meu tempo, havia muitas Carlas. As combinações mais populares eram Carla Alexandra, Carla Patrícia e Carla Sofia.
5) Andreia - Andreia foi mais um nome que se popularizou após o 25 de Abril, com a sua sonoridade e o seu estatuto de novidade a cativar muitos pais portugueses desde então. Cheguei a conhecer duas Andreas sem "i", e uma delas até preferia que o seu nome fosse pronunciado "ândria".
6) Sandra - Um derivado do nome Alexandra que ganhou vida própria, Sandra foi muito popular em Portugal nos anos 70 e inícios dos anos 80, (a cantora alemã Sandra também ajudou à associação do nome a essa década)  mas depois entrou em declínio. Mas no meu tempo de escola, ainda conheci várias, sobretudo nos binónimos Sandra Cristina e Sandra Sofia. Entre as filhas de emigrantes, era particularmente popular a variante Sandrina ou Sandrine, como pude constatar durante o meu curso de línguas na Universidade.
7) Susana - As Susanas dos anos 80 tiveram a sua canção tributo no tema dos The Art Company (do qual já falámos neste blogue) ou a respectiva versão nacional dos Queijinhos Frescos, e também foram muitas as Susanas que eu conheci dos meus tempos de escola. Embora muitas tivessem um segundo nome atrelado, este era também um dos nomes em que era mais comum vir isolado.
8) Tânia - Este é sem dúvida um dos nomes que mais associo aos meus tempos de escola, porque na minha turma do 6.º ano havia quatro Tânias: Tânia Alexandra, Tânia Marina, Tânia Raquel e Tânia Sofia. Mas tal como Sandra, é um dos nomes que rapidamente entraram em declínio com o avançar da década de 80 e que ganharam (não sem alguma injustiça) a conotação chunga.
9) Patrícia - Este é provavelmente o nome que eu teria se eu fosse rapariga e foi também um dos nomes considerados para o meu irmão antes de lhe conhecermos o sexo, pois foi sempre um dos nomes preferidos da minha mãe e se tivesse dado à luz uma filha, Patrícia seria a escolha mais evidente. Confesso que fiquei surpreendido de ver Patrícia no top 10 dos primeiros nomes pois recordo-o como um dos segundos nomes mais usuais entre as minhas colegas de escola, mas também conhecei algumas Patrícias de primeiro nome. E ainda hoje é um nome que eu gosto muito, até porque tenho grandes amigas com esse nome.
10) Cátia - Outro nome tipicamente anos 80 e tido como paradigma dos nomes que a certa altura foram considerados, com alguma injustiça, nomes "brega" e sem estilo. Por exemplo, o nome Cátia Vanessa foi frequentemente utilizado pela teledramaturgia nacional para nomear uma personagem pirosa e/ou loura burra. Pessoalmente nunca conheci nenhuma Cátia Vanessa, deparei-me sobretudo com a combinação Cátia Alexandra. Entre as Cátias, havia a prática comum de grafar o seu nome com K. E havia mesmo as Kátias com um legítimo K no nome, sobretudo filhas de ex-emigrantes.
Vera (3) - Outro nome muito comum por esta altura, ao ponto de ser inevitável de haver quase sempre pelo menos uma Vera em cada turma. As combinações mais frequentes eram, de longe, Vera Lúcia e Vera Mónica. Vera é outro nome que entrou em declínio após o final dos anos 80. Lembro-me que era comum as Veras do meu tempo queixarem-se de serem as últimas na lista de alunos da turma. Por exemplo, era hábito recebermos as notas dos testes por ordem alfabética e as Veras e quem mais tivesse nomes começados por V ficavam por isso mais tempo na expectativa do que a maioria dos colegas. (Se até eu achava que demoravam muito até chegarem ao meu nome...)
Sónia (5) - Versão eslava do nome Sofia, Sónia foi um nome bastante popular nos anos 70 e 80 mas a partir dos anos 90, entrou em declínio, quiçá preterido pela sonoridade mais suave de Sofia. Mas não sei bem porquê foi sempre um nome que eu gostei. Notei uma particularmente vasta variedade de segundos nomes nas Sónias que eu conheci, com uma ligeira predominância para Sónia Cristina.
Cláudia (8) - Este é outro dos nomes que a minha mãe equacionaria caso tivesse tido uma filha. Não há dúvida que os nomes femininos começados por C estavam em alta em 1980, e este apesar do significado ("coxo"), é um nome com uma sonoridade bonita e feminina, pelo que não admira que tenha sido a opção para muitos pais. Aliás, a top model Claudia Schiffer e a minha vizinha de infância Cláudia Teixeira, que foi primeira dama de honor de Miss Portugal fazem-me pensar em Cláudia como sendo nome de rapariga bonita. Mesmo aquém da popularidade dos anos 80, não se pode dizer que seja um nome datado. Cláudia Patrícia e Cláudia Sofia eram os binónimos mais frequentes com que me deparei.
Liliana (9) - Se a minha turma do 6.º ano tinha um quarteto de Tânias, a do meu 8.º ano contava com uma trindade de Lilianas: Liliana João (!), Liliana Margarida e Liliana Patrícia. Liliana (com o inevitável diminutivo Lili, quando ainda não era associado a Maria Alice Caneças) foi sem dúvida um hit dos anos 70 e 80, e é mais um daqueles que infelizmente se encontram actualmente em desuso, apesar de ser um nome algo habitual entre as celebridades da nossa praça.  
Marta (10) - Marta é um dos poucos nomes que têm mantido o nível popularidade semelhante dos anos 80 para cá. Também um dos poucos em que nunca verifiquei uma combinação predominante. Apesar de também ser nome do animal com o qual lamentavelmente se faziam casacos de pele, é outro nome que eu gosto devido a associação a amigas minhas com esse nome.
Sílvia (14) - Pode não ser dos nomes mais óbvios quando se pensa nos nomes mais populares desta altura, mas a verdade é que também me recordo de várias Sílvias ao longo da minha vida de estudante. Tal como Susana, era também daqueles nomes que mais dispensavam o segundo nome.
Paula (15) - À semelhança da variante masculina, Paula popularizou-se nos anos 60 e continuou em alta nos anos 70 e 80. As combinações mais frequentes eram Paula Alexandra e Paula Cristina. Sem a herança histórica de Paulo, as Paulas hoje em dia são escassas.    
Sara (16) - Não sei porquê, sempre gostei muito dos nomes começados por S e este é mais um deles. Pelo significado ("princesa"), pela sonoridade curta e feminina e por ser facilmente identificável em várias línguas, Sara continua tão popular como era nos anos 80 (embora sendo cada vez mais aqueles que preferem a grafia com H no fim, já permitida). E sim, também me lembro de algumas Saras no meu tempo de escola.
Mónica (17) - Mais do que a uma das minhas turmas de escola, é à turma da Mónica e as suas histórias aos quadradinhos a quem mais associo este nome. Foi um dos nomes que se popularizaram em Portugal após o 25 de Abril. É outro nome que pessoalmente gosto bastante.
Marisa (18) - Outro nome que associo bastante a beleza feminina, não só pela sua sonoridade ultra-feminina mas também devido a uma colega minha que tanto na primária como no secundário deixava muito rapaz impressionado pela sua beleza. E depois há a Marisa Cruz e as vozes de Mariza e Marisa Liz para perpetuarem essa associação. No entanto, o nome também suscitava uma questão fracturante: havia aqueles que pronunciavam Marisa e outros "Márisa". Também era uma popular escolha para segundo nome.
Catarina (20) - Eu bem que queria limitar a lista a vinte nomes, mas não consegui deixar este de fora, já que foram também muitas as Catarinas que conheci ao longo da vida e é daqueles nomes que tem estatuto de clássico, devidos a figuras desde Catarina, A Grande a Catarina Furtado. Tal como às Cátias, era costume ser atribuído às Catarinas o diminutivo Cáti.

Nomes masculinos: 
1) João - Ao contrário dos nomes femininos, os nomes masculinos têm maior perenidade e muitos deles atravessam gerações sempre em alta. Por isso não é de admirar que João fosse o nome mais popular de 1980 e houvesse pelo menos um João em cada turma. Na minha geração, as combinações mais populares eram João Carlos, João Manuel e João Pedro, mas tal como Ana, era um nome que se atrelava bem a qualquer outro. Mas não sei porquê, até porque tenho diversos amigos e familiares de nome João, nunca foi um nome que eu gostasse. Um dos motivos será porventura porque no passado algumas pessoas faziam confusão com o meu nome e chamavam-me João Paulo.  
2) Pedro - Pedro é outro nome intemporal e o único que em 1980 conseguia rivalizar com João. Aliás foram mais os Pedros do que os Joões que tive como colegas de turma. Embora também fosse um nome que se prestasse a várias combinações, de entre os Pedros que conheci os binónimos Pedro Miguel e Pedro Tiago eram os mais frequentes. 
3) Bruno - Não deixa de ser para mim uma surpresa ver o nome Bruno no pódio dos nomes mais populares de 1980, mas não há dúvida que é um nome típico dos anos 70 e 80. Era um nome que valia muito por si só mas a combinação Bruno Miguel era muito usual.  
4) Ricardo - Embora já houvesse Ricardos antes e continuaram a ver depois, não há dúvida que é um dos nomes que marcaram esta geração: não só tenho um primo com este nome como era raro não haver pelo menos um Ricardo em cada turma. Recordo-me que no 7.º ano, um colega meu descobriu que havia um aluno do 5.º ano com exactamente o mesmo nome completo que ele: Ricardo Manuel e os dois apelidos.   
5) José - Não é dos nomes que mais associo à minha geração, até porque nunca tive nenhum José na minha turma, pelo menos como primeiro nome. Mas não custa a crer ver José como 5.º nome mais popular de 1980, dada a intemporalidade do nome e ser dos mais herdados de pais para filhos.
6) Luís - Outro nome clássico que continuava em força em 1980, isto apesar de rimas pouco abonatórias como "Luís, tira o dedo do nariz". Entre as diversas combinações, imperavam Luís Filipe e Luís Miguel.
7) Nuno - Mais uma vez um nome histórico (basta lembrar D. Nuno Álvares Pereira) que teve um grande apogeu por esta altura. Em quase todas as turmas em que estive, o meu nome vinha a seguir a um Nuno. Como tal fui mais que uma vez emparelhado com um Nuno as aulas em que os professores insistiam em que a turma se sentasse por ordem alfabética. Nuno Miguel era a combinação mais frequente mas era um dos nomes que se emparelhavam bem com qualquer nome.  
8) Carlos - Tal como José, era um nome que se fazia valer da temporalidade e da herança familiar mais do que as modas para continuar a impor-se nos rankings. Carlos Manuel (como o futebolista da década de 80) e Carlos Miguel (como o eterno Fininho) eram as combinações que prevaleciam nesta época. 
9) Tiago - Um nome também muito associado aos anos pós-25 de Abril e que continuou a ter alguma popularidade até hoje, ainda que actualmente ultrapassado por Santiago. Aliás, acredita-se que o nome surgiu por derivação corrompida de Santiago, que no fundo é uma contracção de Santo Iago. E sim, conheço muitos Tiagos desta geração.  
10 Rui - Outro nome intemporal (o actor Ruy de Carvalho ainda é do tempo em que se escrevia com Y no fim), Rui era um nome que continuava em alta por estas alturas, em particular nas combinações Rui Filipe, Rui Miguel e Rui Pedro.
Paulo (6) - E eis-nos chegados ao meu nome que em 1980 apanhava os resquícios do boom de popularidade iniciado em finais dos anos 50. Entre as diversas combinações, os binómios Paulo Alexandre e Paulo Jorge eram de longe os mais populares. Mas apesar disso, só no 5.º ano é que não fui o único Paulo da minha turma. Havia outro Paulo no meu curso universitário, mas todos o tratavam pelo segundo nome (Micael), pelo que era efectivamente o único Paulo do curso.  
Apesar de gozar de alguma intemporalidade, devida à sua carga histórica e religiosa, nascem cada vez menos homónimos meus (ou como dizem os brasileiros, meus xarás) e a maioria dos Paulos que nascem actualmente (foram 93 em 2014) recebem o nome mais por herança familiar do que por gosto.
António (11) - Tal como outros nomes aqui, António continuava em alta nesta geração e é sem dúvida daqueles nomes que parecem sempre adaptar-se aos passar dos tempos. Na minha infância conheci um António José (inevitavelmente tratado por Tozé) e o meu irmão, nascido em 1988, tinha um colega na primária de nome António Pedro.  
Hugo (12) - Não consigo pensar no nome Hugo sem pensar no meu primo, nascido em 1989. Este foi mais um daqueles nomes que já tinham alguma frequência em Portugal mas que se massificaram nos anos pós 25 de Abril. E além do meu primo, conheci vários Hugos. Apesar da associação à famosa personagem do programa da RTP de jogos interactivos dos anos 90 e de ser visto hoje em dia como um nome algo datado, a verdade é que Hugo ainda goza de alguma popularidade.  
Sérgio (13) - Sérgio foi sempre um dos meus nomes preferidos (uma vez mais por motivos inexplicáveis) e se eu tivesse que escolher outro nome para mim que não o meu, provavelmente escolheria Sérgio. Foi mais um dos nomes que se massificaram nos anos 70 e continuaram a dar cartas até meados dos anos 90. 
Marco (14) - Outro clássico desta altura, sobretudo nas combinações imperiais Marco António e Marco Aurélio e na mais musical Marco Paulo, e como tal, foram diversos os Marco's que fui encontrando ao longo da minha vida de estudante. A série animada "Marco Polo" ajudou a prolongar a popularidade pelos anos 80 adentro. Hoje em dia é tido como um nome caído em desuso, pelo fiquei espantado ao descobrir que hoje em dia continua a ser mais comum que o supostamente mais trendy Marcos.  
Jorge (16) - Ao contrário de Paulo, o meu segundo nome teve sempre um pouco mais de status e adaptabilidade ao passar dos tempos, pelo que tenho vezes em que gosto mais de Jorge do que de Paulo. Sempre conheci Jorge mais como segundo nome, mas também conheci na minha infância um Jorge de primeiro nome.       
Filipe (17) - Tal como Jorge, também encontrei Filipe mais vezes como segundo nome do que como primeiro, mas sem dúvida que havia muitos Filipes de primeiro nome e tive um na minha turma no 8.º ano. Tal como Marisa, Filipe era daqueles nomes onde sempre rivalizavam duas pronúncias: os que diziam os Is todos e os que preferiam dizer "flip".   
Hélder (18) - Sim, este era dos nomes em grande ascensão nos anos 70 e 80 mas é um nome que não me traz as melhores memórias: desde o palhaço da turma da primária que tinha esse nome, aos evangelizadores de camisa branca com chapinha que se designam por Elder, à sonoridade que não me entra bem nos ouvidos, é um nome com o qual nunca fui à baila. Nem mesmo depois de ter tido um colega de trabalho chamado Hélder com quem até simpatizava.  
Vítor (19) - Este é dos outros nomes perenes que me espanta um pouco estarem nesta lista, pois embora não duvidasse que continuassem a nascer muitos Vítores nos idos de 1980, era definitivamente um nome que eu associava à geração anterior, até porque tenho um tio Vítor. Hoje em dia, a grafia Victor (com ou sem a pronúncia do C) parece ser mais atraente. E para mim, vem-me também à baila os anúncios dos anos 80 às camisas Victor Emanuel.      
Miguel (20) - Miguel é sem dúvida um nome bastante intemporal. Na minha infância, conheci com esse nome tanto miúdos mais novos que eu como um velhote que morava na minha rua, tendo brincado na rua com as suas netas. Na minha geração, Miguel era a massa de vidraceiro dos segundos nomes, dava para aplicar a seguir a qualquer nome. Por isso, conheci bem mais Miguéis de segundo nome (geralmente sufixado a Luís ou Pedro). Entre os binónimos que tinham Miguel como primeiro nome, destacava-se o artístico Miguel Ângelo.  

E se abri uma excepção na lista das raparigas para falar de Catarina, uso-a também nos rapazes para falar de David, o nome do meu colega da Enciclopédia de Cromos, 27.º na lista do SPIE. Juntamente com Duarte, era o nome masculino começado por D mais popular desta época e a popularidade tem resistido até hoje. Recordo-me que talvez por influência de estrelas internacionais como David Bowie, havia aqueles que gostavam de tratar os Davids pronunciando o nome à inglesa: "deivid".



Para terminar, e uma vez que sou da colheita de 1980, nada como uma auto-reflexão sobre o meu nome. Aqui estou eu nos idos de 1985, quando andava na pré-primária. No meu bibe, está bordado os meus dois nomes próprios: Paulo Jorge. Eram estes os nomes de dois tios meus, irmãos da minha mãe e gémeos entre si, sendo que o meu tio Jorge (de primeiro nome Abílio, mas compreensivelmente tratado por todos pelo segundo nome) é também o meu padrinho de baptismo. Durante a minha infância, praticamente toda a gente - pais, familiares, professores, colegas de escola - tratava-me por Paulo Jorge e foi apenas em plena adolescência que passei a ser tratado primordialmente apenas por Paulo. Por isso, nunca fui daqueles que só ouviam os pais ou outros adultos a chamarem pelos dois nomes quando não estavam em bons lençóis. (Percebia a iminência de perigo apenas pelos tons de voz).
Hoje por hoje, gosto do nome Paulo e até lamento ser cada vez menos popular. Pelo menos, ainda não vi nenhuma lata de Coca-Cola com o meu nome, ao invés das imensas latas que já vi com o nome Enzo - esse nome tipicamente português e popularíssimo há séculos. E como certamente a maioria das pessoas, também passei por uma fase em que não gostava do nome Paulo, em que o achava corriqueiro e sem mística e até tentei em vão que me tratassem apenas por Jorge. Em contrapartida, ouvi n vezes o meu irmão, que se chama Rogério como o nosso pai (e cujo segundo nome é...Paulo!) queixar-se de ser o único Rogério da escola e lamentar-se de não ser mais um entre os muitos Pedros ou Nunos. Mas eu sempre achei que o nome assentava-lhe bem, não só porque era algo que o distinguia daqueles da sua geração como creio que ele herdou muita da personalidade, do melhor ao pior, do nosso pai. E desde que o nosso pai faleceu, tenho a certeza que o meu irmão agora sente sobretudo muito orgulho em ter herdado o nome dele.       

Hoje muitos dos que nasceram em 1980 já têm filhos, as modas em termos de nomes são outras e não foram muitos os nomes desta lista, sobretudo os femininos, que conseguiram manter-se em alta. Será que no meio de tantas voltas que o mundo dá, alguns destes nomes, hoje tidos como datados e a evitar, recuperarão algures no futuro a popularidade que tinham em 1980?  
  

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5 comentários:

  1. Eu sou Patrícia Isabel e nasci em 80... Yupiiii, estou nos 10+ :-)

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  2. Eu sou Patrícia Isabel e nasci em 80... Yupiiii, estou nos 10+ :-)

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  3. Os meus agradecimentos ao sócio Paulo por ter incluído o meu nome (David) na lista. Aproveito para partilhar uns detalhes que sempre ouvi contar cá em casa:
    Dias depois de nascer (31 Janeiro 1979), na altura de me registar o nome, quando a minha mãe indica à funcionária o nome para substituir "recém-nascido", uma outra funcionária saiu do gabinete para indicar que na altura já era possível registar "David" em vez de "Davide", o padrão até ai. Pouco depois numa visita ao Centro de Saúde, ao preencher a ficha a enfermeira estranhou a falta do "e" visto que cerca de 15 dias antes um sobrinho dela tinha sido
    registado "Davide" por não terem dado autorização para "David".
    Portanto, na minha zona, sou dos primeiros (ou quiçá, o primeiro) "David" sem "e" no final.

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  4. Que boa reflexao Paulo ;) Eu era uma das Paula Cristina do 7ano ;) e tens razao, ja nao ha mais nenhuma.

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