sexta-feira, 24 de maio de 2013

O Romance da Raposa (1988)

por Paulo Neto

Nos anos 80, a programação de desenhos animados oferecida pela RTP vinha de várias proveniências desde os grandes estúdios americanos e japoneses às conceituadas obras das escolas de animação do Canadá e dos países da Europa de Leste. Já a animação portuguesa era escassa, limitada sobretudo a curtas-metragens. Mas em 1988, surgiu uma série animada que não ficava nada a dever em qualidade quanto ao que se fazia lá fora.


"O Romance da Raposa" era uma adaptação da obra de Aquilino Ribeiro (1885-1963), que escrevera a história em 1924 como prenda de Natal para o seu filho Aníbal. Narra a história da raposa Salta-Pocinhas, bastante matreira e espertalhona (ou não fosse ela raposa), sempre com artimanhas para poder encher a barriga e enganar toda a gente, sobretudo o rei do bosque, o lobo Dom Brutamontes. Salta-Pocinhas faz um breve interregno nessa vida quando conhece um raposo de quem três filhos, mas quando de repente se vê viúva, regressa à vida ardilosa. A série manteve muita da linguagem colorida da obra, cheia de palavras inauditas como "fagueira" e "lambisqueira".


O lobo Brutamontes, alvo preferencial das tramóias de Salta-Pocinhas


O corvo, que servia de narrador à história


A série foi concebida por Artur Correia e Ricardo Neto e produzida pela Telecine e pela Topefilme (responsável, por exemplo, pelas curtas metragens do Ouriço). Os diálogos e as letras foram escritos por Maria Alberta Menéres, uma referência da literatura infantil nacional. As vozes das personagens estavam a cargo de nomes como Fernanda Figueiredo, António Semedo, Joel Branco, Luís Horta, Alina Vaz e Igor Sampaio. Foram 13 episódios de 13 minutos cada que conquistaram miúdos e graúdos (e não só em Portugal, como se vai ver mais adiante).

Ainda hoje recordo-me do tema do genérico que era assim:


Mil famosas aventuras
aqui se vão relatar,

de certa Salta-Pocinhas

que tem muito que contar.

É matreira e embusteira

e um pouco pintalegreta.

Quando calha, ratoeira;
senhora de muita treta.


Mestra de ladinas artes,

sou fagueira e lambisqueira;

em cata de algum biscato
vou passando a vida inteira.


Cá vou eu, póis-catrapós,

raposinha de uma figa!

Corro os bosques, bato o mato,
só para encher a barriga!


A série também produziu alguns produtos de merchandising como bonecos de PVC,  uma colecção de calendários e um disco com as canções da série.

 


Uma das mais recentes edições do livro tem ilustrações de Artur Correia, um dos criadores da série.


Existem alguns episódios no YouTube que relevam uma inesperada surpresa. Aparentemente, a série fez furor na Croácia onde foi exibida sob o título "Lisica Skočibarica" ainda nos tempos da Jugoslávia. Não só também existe no YouTube vídeos dos episódios dobrados em croata (tendo também sido dobrada em língua eslovena), como até nos vídeos em português, existem vários comentários de cidadãos croatas a manifestar a sua nostalgia e a declarar que "O Romance da Raposa" faz parte das suas memórias de infância.

Genérico:



2.º episódio:



Para quem perceber a língua croata, eis um episódio nesse idioma (Lisica skočibarica):

E para quem percebe esloveno:










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