sábado, 14 de abril de 2012

Breakfast Club, The (1985)


Depois do excelente texto sobre o mítico "Água na Boca", o  Paulo Neto enviou para a "Enciclopédia" mais uma contribuição, sobre um filme também mítico (que confesso, ainda não vi) : 


"Existem alguns filmes que, mesmo gritando “Anos 80” por todos os poros, são intemporais. No sub-género dos filmes para adolescentes, um desses casos é o “The Breakfast Club”, ou no título português, simplesmente “O Clube”.

A permissa deste filme de 1985 de John Hughes é bastante simples: cinco adolescentes que mal se conhecem são obrigados, pelos mais variados motivos, a passar um sábado de castigo na escola. São eles Bender (Judd Hirsch), o marginal que nunca recua perante uma transgressão e não se faz rogado em enfrentar Dick Vernon (Paul Gleason), o enfastiado professor que os tem de vigiar nesse sábado; Claire (Molly Ringwald,  esse ícone eighties),  a menina popular e fútil; Brian (Anthony Michael Hall), o geek estudioso; Andrew (Emilio Estevez), o desportista; e Allison (Ally Sheedy), a miúda esquisitóide, que ao início nem sequer fala durante a primeira meia-hora do filme.
Ao princípio, como é óbvio, eles não se dão bem. Mas à medida que o dia avança, após muita conversa, alguma dança, uma corrida pelos corredores da escola e uns quantos charros, os cinco chegam à conclusão que têm muito mais em comum do que poderiam pensar e tornam-se amigos. E descobrem que por detrás de cada um dos estereótipos que eles tentam manter na vida escolar, estão as inseguranças e as pressões a que estão sujeitos. Claire sofre por ser utilizada como joguete na separação dos pais e tem problemas de intimidade; Brian acha que a sua vida ficou arruinada por ter tirado uma nota medíocre a Trabalhos Manuais que lhe estraga a média perfeita; Andrew é constantemente pressionado pelo pai para ser o melhor e pelos colegas para praticar bullying e assim não dar parte de fraco; Allison é ignorada por toda a gente, incluindo os pais, por isso age de forma errática para chamar a atenção; e Bender é vítima de maus-tratos por parte do pai. Pois é, ser adolescente é sempre lixado! No final, até surgem dois casalinhos improváveis: Claire com Bender e Andrew com Allison.
Mesmo com a forte hipótese que na segunda-feira seguinte, todos os eles voltem às suas máscaras e finjam que nunca se conheceram, o plano final de Bender de punho erguido, enquanto toca “Don’t you forget about me” dos Simple Minds, fica a ideia que aquele sábado foi um dia importante para todos.

Com outras roupas e outra banda sonora, não será difícil imaginar uma história como esta nos dias de hoje. E aí reside a intemporalidade de “The Breakfast Club”, porque o tema permanece actual: a dificuldade de ser adolescente. As pressões, as inseguranças, os estereótipos e a necessidade de projetar uma imagem (que muitas vezes não corresponde à realidade) continuam a ser as mesmas, com a agravante das novas tecnologias serem agora usadas como arma. Tudo isso pode ser bem sufocante para um adolescente. E no fundo, todos nós temos um pouco de marginal, marrão, princesa, desportista e caso perdido.

O impacto de “The Breakfast Club” tem sido vasto, influenciando outros filmes e peças e uma inevitável dose de paródias. Por exemplo, o videoclip de “Dancing Queen” dos A Teens, que até conta com a participação de Paul Gleason a reprisar o seu papel (não seria a única vez). Mas nem todas as adaptações têm sido pacíficas. Há uns anos, a peça “(O)Pressão” da autoria do actor Diogo Morgado suscitou polémica por causa das várias semelhanças com “The Breakfast Club”.  E em 2005, por altura do 20.º aniversário do filme, a MTV atribuiu um prémio de excelência.

E por onde anda este Clube hoje em dia? Todos continuam activos na representação, mas longe do fulgor dos outros tempos. Ally Sheedy venceu a sua adição a comprimidos (que ajudou a compôr um dos seus papéis mais aclamados nos anos 90 como uma fotógrafa toxicodependente no filme “High Art”) e participou em séries como “CSI” e “Kyle XY”. Judd Nelson fez de patrão (e objecto de desejo) de Brooke Shields em “Suddenly Susan”. Anthony Michael Hall deixou de tentar afastar-se da imagem de geek que representou em vários filmes e fez de Bill Gates num telefilme e também entrou em “O Cavaleiro das Trevas”. Emilio Estevez optou por uma carreira mais discreta enquanto viu o seu irmão Charlie Sheen tornar-se mais famoso (e sobretudo mais infame). Molly Ringwald, no auge da sua fama, deu-se ao luxo de recusar os papéis principais em “Ghost – Espírito do Amor” e “Pretty Woman”, e a sua carreira acabou por tomar rumos mais discretos. Num acto de auto-paródia, fez um cameo no “Oh, Não! Outro Filme de Adolescentes!”. Onde Paul Gleason volta a fazer de Mr. Vernon."

O meu grande obrigado ao  Paulo Neto por mais esta bela adição à Enciclopédia!

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