sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Os nomes mais populares em 1980

por Paulo Neto


Se há algo que desde muito cedo sentimos como parte integrante daquilo que somos é o nosso nome. Gostemos ou não dele, o nosso nome é parte crucial da nossa identidade. Neste texto, resolvi analisar quais eram os nomes mais populares de 1980, o ano em que nasci. Este exercício é particularmente interessante pois nesse ano ainda estava em força uma revolução onomástica, uma das diversas revoluções causadas pelo 25 de Abril no nosso país. Pois foi a partir daí que se verificou uma divergência significativa em relação aos nomes da geração anterior, com o surgimento de nomes até então inéditos em Portugal e a ascensão de outros até aí raros entre os portugueses. Nunca antes se verificou uma disparidade entre os nomes  dos pais e os dos seus filhos. Na altura, alguns desses nomes indicavam logo que só se podia tratar de uma criança. E mesmo hoje em dia, quando se fala de pessoas chamadas Cátia, Ruben, Vanessa ou Márcio, ninguém imagina alguém com mais de quarenta anos e muito menos idosos. Por outro lado, embora certamente ainda existam portugueses com menos de trinta anos chamado Alzira, Ermelinda, Hermínio ou Juvenal, à menção desses nomes, muita gente pensará certamente tratar-se de gente de cinquenta anos para cima.     

Em 2012, o blogue "Nomes e Mais Nomes" publicou uma lista com os 10 nomes mais registados no ano de 1980 em Portugal para cada sexo, de acordo com o  Instituto de Registos e Notariado do Ministério da Justiça. Anteriormente a própria autora do blogue, Filipa Lopes, tinha elaborado um top 100 de nomes masculinos e femininos de 1980 a partir de dados de outra fonte, o SPIE. Como existem algumas divergências entre uns e outros dados decidi analisar vinte nomes de cada sexo da seguinte forma: os 10 da lista do Instituto de Registos e Notariado, que pressupõe-se ser uma fonte mais fidedigna, e os primeiros dez nomes do top 100 que a autora elaborou conforme dados do SPIE que não surgem na lista anterior, com a respectiva posição indicada a parêntesis. Eu arriscaria dizer que nenhuma turma com alunos nascidos em 1980 teria menos de 80% dos nomes aqui referidos.

De referir ainda que esta lista refere-se apenas a primeiros nomes.

Nomes femininos:
1) Ana - Sim, foi por esta altura que Ana destronou definitivamente Maria como o mais popular nome feminino. Ana era quase o equivalente onomástico de uma bengala pois servia para apoiar com qualquer outro nome. Rara era a turma que não tivesse pelo menos três Anas.  Entre as Anas havia duas facções: aquelas que gostavam mais de serem chamadas de Ana e aquelas que, dada a abundância de homónimas, preferiam ser tratadas pelo segundo nome. Entre as combinações mais comuns estavam Ana Filipa, Ana Isabel, Ana Margarida, Ana Rita e Ana Sofia. Era tão comum alguns segundos nomes serem precedidos por Ana que quando não era o caso, gerava-se alguma surpresa. Por exemplo, uma amiga minha de infância tinha de volta e meia esclarecer que era simplesmente Rita e não tinha Ana atrelado.  
2) Maria - Maria podia ter visto a sua primazia destronada e os tempos em que se alguém chamasse por uma Maria quase todas as mulheres presentes virar-se-iam já eram águas passadas, mas continuava a ser bastante comum. Quer por que continuava a ser um nome muito transmitido de geração em geração como também combinava com qualquer nome, fosse como primeiro ou segundo nome. Mas ao contrário do seu ressurgimento actual onde recuperou a liderança e o seu valor como nome isolado, no meu tempo de estudante as poucas Marias que conheci preferiam ser tratadas pelo segundo nome.
3) Joana - Joana foi um dos nomes que teve um boom nos anos 80 e nos anos 90 terá mesmo ultrapassado Maria para o segundo lugar do ranking. Lembro-me que quando nasciam filhas a conhecidos da nossa família, Joana era o nome mais frequentemente escolhido. Nem mesmo a provável hipótese de lhes ser cantado em jeito de troça o clássico "Joana Come A Papa" era um motivo dissuasor. Ainda hoje é um dos nomes desta lista que vão mantendo ainda a sua popularidade. 
4) Carla - Carla foi um dos nomes que "explodiram" nos anos 70, pelo que em 1980 ainda estava em força mas que entrou em declínio no final da década. Mas no meu tempo, havia muitas Carlas. As combinações mais populares eram Carla Alexandra, Carla Patrícia e Carla Sofia.
5) Andreia - Andreia foi mais um nome que se popularizou após o 25 de Abril, com a sua sonoridade e o seu estatuto de novidade a cativar muitos pais portugueses desde então. Cheguei a conhecer duas Andreas sem "i", e uma delas até preferia que o seu nome fosse pronunciado "ândria".
6) Sandra - Um derivado do nome Alexandra que ganhou vida própria, Sandra foi muito popular em Portugal nos anos 70 e inícios dos anos 80, (a cantora alemã Sandra também ajudou à associação do nome a essa década)  mas depois entrou em declínio. Mas no meu tempo de escola, ainda conheci várias, sobretudo nos binónimos Sandra Cristina e Sandra Sofia. Entre as filhas de emigrantes, era particularmente popular a variante Sandrina ou Sandrine, como pude constatar durante o meu curso de línguas na Universidade.
7) Susana - As Susanas dos anos 80 tiveram a sua canção tributo no tema dos The Art Company (do qual já falámos neste blogue) ou a respectiva versão nacional dos Queijinhos Frescos, e também foram muitas as Susanas que eu conheci dos meus tempos de escola. Embora muitas tivessem um segundo nome atrelado, este era também um dos nomes em que era mais comum vir isolado.
8) Tânia - Este é sem dúvida um dos nomes que mais associo aos meus tempos de escola, porque na minha turma do 6.º ano havia quatro Tânias: Tânia Alexandra, Tânia Marina, Tânia Raquel e Tânia Sofia. Mas tal como Sandra, é um dos nomes que rapidamente entraram em declínio com o avançar da década de 80 e que ganharam (não sem alguma injustiça) a conotação chunga.
9) Patrícia - Este é provavelmente o nome que eu teria se eu fosse rapariga e foi também um dos nomes considerados para o meu irmão antes de lhe conhecermos o sexo, pois foi sempre um dos nomes preferidos da minha mãe e se tivesse dado à luz uma filha, Patrícia seria a escolha mais evidente. Confesso que fiquei surpreendido de ver Patrícia no top 10 dos primeiros nomes pois recordo-o como um dos segundos nomes mais usuais entre as minhas colegas de escola, mas também conhecei algumas Patrícias de primeiro nome. E ainda hoje é um nome que eu gosto muito, até porque tenho grandes amigas com esse nome.
10) Cátia - Outro nome tipicamente anos 80 e tido como paradigma dos nomes que a certa altura foram considerados, com alguma injustiça, nomes "brega" e sem estilo. Por exemplo, o nome Cátia Vanessa foi frequentemente utilizado pela teledramaturgia nacional para nomear uma personagem pirosa e/ou loura burra. Pessoalmente nunca conheci nenhuma Cátia Vanessa, deparei-me sobretudo com a combinação Cátia Alexandra. Entre as Cátias, havia a prática comum de grafar o seu nome com K. E havia mesmo as Kátias com um legítimo K no nome, sobretudo filhas de ex-emigrantes.
Vera (3) - Outro nome muito comum por esta altura, ao ponto de ser inevitável de haver quase sempre pelo menos uma Vera em cada turma. As combinações mais frequentes eram, de longe, Vera Lúcia e Vera Mónica. Vera é outro nome que entrou em declínio após o final dos anos 80. Lembro-me que era comum as Veras do meu tempo queixarem-se de serem as últimas na lista de alunos da turma. Por exemplo, era hábito recebermos as notas dos testes por ordem alfabética e as Veras e quem mais tivesse nomes começados por V ficavam por isso mais tempo na expectativa do que a maioria dos colegas. (Se até eu achava que demoravam muito até chegarem ao meu nome...)
Sónia (5) - Versão eslava do nome Sofia, Sónia foi um nome bastante popular nos anos 70 e 80 mas a partir dos anos 90, entrou em declínio, quiçá preterido pela sonoridade mais suave de Sofia. Mas não sei bem porquê foi sempre um nome que eu gostei. Notei uma particularmente vasta variedade de segundos nomes nas Sónias que eu conheci, com uma ligeira predominância para Sónia Cristina.
Cláudia (8) - Este é outro dos nomes que a minha mãe equacionaria caso tivesse tido uma filha. Não há dúvida que os nomes femininos começados por C estavam em alta em 1980, e este apesar do significado ("coxo"), é um nome com uma sonoridade bonita e feminina, pelo que não admira que tenha sido a opção para muitos pais. Aliás, a top model Claudia Schiffer e a minha vizinha de infância Cláudia Teixeira, que foi primeira dama de honor de Miss Portugal fazem-me pensar em Cláudia como sendo nome de rapariga bonita. Mesmo aquém da popularidade dos anos 80, não se pode dizer que seja um nome datado. Cláudia Patrícia e Cláudia Sofia eram os binónimos mais frequentes com que me deparei.
Liliana (9) - Se a minha turma do 6.º ano tinha um quarteto de Tânias, a do meu 8.º ano contava com uma trindade de Lilianas: Liliana João (!), Liliana Margarida e Liliana Patrícia. Liliana (com o inevitável diminutivo Lili, quando ainda não era associado a Maria Alice Caneças) foi sem dúvida um hit dos anos 70 e 80, e é mais um daqueles que infelizmente se encontram actualmente em desuso, apesar de ser um nome algo habitual entre as celebridades da nossa praça.  
Marta (10) - Marta é um dos poucos nomes que têm mantido o nível popularidade semelhante dos anos 80 para cá. Também um dos poucos em que nunca verifiquei uma combinação predominante. Apesar de também ser nome do animal com o qual lamentavelmente se faziam casacos de pele, é outro nome que eu gosto devido a associação a amigas minhas com esse nome.
Sílvia (14) - Pode não ser dos nomes mais óbvios quando se pensa nos nomes mais populares desta altura, mas a verdade é que também me recordo de várias Sílvias ao longo da minha vida de estudante. Tal como Susana, era também daqueles nomes que mais dispensavam o segundo nome.
Paula (15) - À semelhança da variante masculina, Paula popularizou-se nos anos 60 e continuou em alta nos anos 70 e 80. As combinações mais frequentes eram Paula Alexandra e Paula Cristina. Sem a herança histórica de Paulo, as Paulas hoje em dia são escassas.    
Sara (16) - Não sei porquê, sempre gostei muito dos nomes começados por S e este é mais um deles. Pelo significado ("princesa"), pela sonoridade curta e feminina e por ser facilmente identificável em várias línguas, Sara continua tão popular como era nos anos 80 (embora sendo cada vez mais aqueles que preferem a grafia com H no fim, já permitida). E sim, também me lembro de algumas Saras no meu tempo de escola.
Mónica (17) - Mais do que a uma das minhas turmas de escola, é à turma da Mónica e as suas histórias aos quadradinhos a quem mais associo este nome. Foi um dos nomes que se popularizaram em Portugal após o 25 de Abril. É outro nome que pessoalmente gosto bastante.
Marisa (18) - Outro nome que associo bastante a beleza feminina, não só pela sua sonoridade ultra-feminina mas também devido a uma colega minha que tanto na primária como no secundário deixava muito rapaz impressionado pela sua beleza. E depois há a Marisa Cruz e as vozes de Mariza e Marisa Liz para perpetuarem essa associação. No entanto, o nome também suscitava uma questão fracturante: havia aqueles que pronunciavam Marisa e outros "Márisa". Também era uma popular escolha para segundo nome.
Catarina (20) - Eu bem que queria limitar a lista a vinte nomes, mas não consegui deixar este de fora, já que foram também muitas as Catarinas que conheci ao longo da vida e é daqueles nomes que tem estatuto de clássico, devidos a figuras desde Catarina, A Grande a Catarina Furtado. Tal como às Cátias, era costume ser atribuído às Catarinas o diminutivo Cáti.

Nomes masculinos: 
1) João - Ao contrário dos nomes femininos, os nomes masculinos têm maior perenidade e muitos deles atravessam gerações sempre em alta. Por isso não é de admirar que João fosse o nome mais popular de 1980 e houvesse pelo menos um João em cada turma. Na minha geração, as combinações mais populares eram João Carlos, João Manuel e João Pedro, mas tal como Ana, era um nome que se atrelava bem a qualquer outro. Mas não sei porquê, até porque tenho diversos amigos e familiares de nome João, nunca foi um nome que eu gostasse. Um dos motivos será porventura porque no passado algumas pessoas faziam confusão com o meu nome e chamavam-me João Paulo.  
2) Pedro - Pedro é outro nome intemporal e o único que em 1980 conseguia rivalizar com João. Aliás foram mais os Pedros do que os Joões que tive como colegas de turma. Embora também fosse um nome que se prestasse a várias combinações, de entre os Pedros que conheci os binónimos Pedro Miguel e Pedro Tiago eram os mais frequentes. 
3) Bruno - Não deixa de ser para mim uma surpresa ver o nome Bruno no pódio dos nomes mais populares de 1980, mas não há dúvida que é um nome típico dos anos 70 e 80. Era um nome que valia muito por si só mas a combinação Bruno Miguel era muito usual.  
4) Ricardo - Embora já houvesse Ricardos antes e continuaram a ver depois, não há dúvida que é um dos nomes que marcaram esta geração: não só tenho um primo com este nome como era raro não haver pelo menos um Ricardo em cada turma. Recordo-me que no 7.º ano, um colega meu descobriu que havia um aluno do 5.º ano com exactamente o mesmo nome completo que ele: Ricardo Manuel e os dois apelidos.   
5) José - Não é dos nomes que mais associo à minha geração, até porque nunca tive nenhum José na minha turma, pelo menos como primeiro nome. Mas não custa a crer ver José como 5.º nome mais popular de 1980, dada a intemporalidade do nome e ser dos mais herdados de pais para filhos.
6) Luís - Outro nome clássico que continuava em força em 1980, isto apesar de rimas pouco abonatórias como "Luís, tira o dedo do nariz". Entre as diversas combinações, imperavam Luís Filipe e Luís Miguel.
7) Nuno - Mais uma vez um nome histórico (basta lembrar D. Nuno Álvares Pereira) que teve um grande apogeu por esta altura. Em quase todas as turmas em que estive, o meu nome vinha a seguir a um Nuno. Como tal fui mais que uma vez emparelhado com um Nuno as aulas em que os professores insistiam em que a turma se sentasse por ordem alfabética. Nuno Miguel era a combinação mais frequente mas era um dos nomes que se emparelhavam bem com qualquer nome.  
8) Carlos - Tal como José, era um nome que se fazia valer da temporalidade e da herança familiar mais do que as modas para continuar a impor-se nos rankings. Carlos Manuel (como o futebolista da década de 80) e Carlos Miguel (como o eterno Fininho) eram as combinações que prevaleciam nesta época. 
9) Tiago - Um nome também muito associado aos anos pós-25 de Abril e que continuou a ter alguma popularidade até hoje, ainda que actualmente ultrapassado por Santiago. Aliás, acredita-se que o nome surgiu por derivação corrompida de Santiago, que no fundo é uma contracção de Santo Iago. E sim, conheço muitos Tiagos desta geração.  
10 Rui - Outro nome intemporal (o actor Ruy de Carvalho ainda é do tempo em que se escrevia com Y no fim), Rui era um nome que continuava em alta por estas alturas, em particular nas combinações Rui Filipe, Rui Miguel e Rui Pedro.
Paulo (6) - E eis-nos chegados ao meu nome que em 1980 apanhava os resquícios do boom de popularidade iniciado em finais dos anos 50. Entre as diversas combinações, os binómios Paulo Alexandre e Paulo Jorge eram de longe os mais populares. Mas apesar disso, só no 5.º ano é que não fui o único Paulo da minha turma. Havia outro Paulo no meu curso universitário, mas todos o tratavam pelo segundo nome (Micael), pelo que era efectivamente o único Paulo do curso.  
Apesar de gozar de alguma intemporalidade, devida à sua carga histórica e religiosa, nascem cada vez menos homónimos meus (ou como dizem os brasileiros, meus xarás) e a maioria dos Paulos que nascem actualmente (foram 93 em 2014) recebem o nome mais por herança familiar do que por gosto.
António (11) - Tal como outros nomes aqui, António continuava em alta nesta geração e é sem dúvida daqueles nomes que parecem sempre adaptar-se aos passar dos tempos. Na minha infância conheci um António José (inevitavelmente tratado por Tozé) e o meu irmão, nascido em 1988, tinha um colega na primária de nome António Pedro.  
Hugo (12) - Não consigo pensar no nome Hugo sem pensar no meu primo, nascido em 1989. Este foi mais um daqueles nomes que já tinham alguma frequência em Portugal mas que se massificaram nos anos pós 25 de Abril. E além do meu primo, conheci vários Hugos. Apesar da associação à famosa personagem do programa da RTP de jogos interactivos dos anos 90 e de ser visto hoje em dia como um nome algo datado, a verdade é que Hugo ainda goza de alguma popularidade.  
Sérgio (13) - Sérgio foi sempre um dos meus nomes preferidos (uma vez mais por motivos inexplicáveis) e se eu tivesse que escolher outro nome para mim que não o meu, provavelmente escolheria Sérgio. Foi mais um dos nomes que se massificaram nos anos 70 e continuaram a dar cartas até meados dos anos 90. 
Marco (14) - Outro clássico desta altura, sobretudo nas combinações imperiais Marco António e Marco Aurélio e na mais musical Marco Paulo, e como tal, foram diversos os Marco's que fui encontrando ao longo da minha vida de estudante. A série animada "Marco Polo" ajudou a prolongar a popularidade pelos anos 80 adentro. Hoje em dia é tido como um nome caído em desuso, pelo fiquei espantado ao descobrir que hoje em dia continua a ser mais comum que o supostamente mais trendy Marcos.  
Jorge (16) - Ao contrário de Paulo, o meu segundo nome teve sempre um pouco mais de status e adaptabilidade ao passar dos tempos, pelo que tenho vezes em que gosto mais de Jorge do que de Paulo. Sempre conheci Jorge mais como segundo nome, mas também conheci na minha infância um Jorge de primeiro nome.       
Filipe (17) - Tal como Jorge, também encontrei Filipe mais vezes como segundo nome do que como primeiro, mas sem dúvida que havia muitos Filipes de primeiro nome e tive um na minha turma no 8.º ano. Tal como Marisa, Filipe era daqueles nomes onde sempre rivalizavam duas pronúncias: os que diziam os Is todos e os que preferiam dizer "flip".   
Hélder (18) - Sim, este era dos nomes em grande ascensão nos anos 70 e 80 mas é um nome que não me traz as melhores memórias: desde o palhaço da turma da primária que tinha esse nome, aos evangelizadores de camisa branca com chapinha que se designam por Elder, à sonoridade que não me entra bem nos ouvidos, é um nome com o qual nunca fui à baila. Nem mesmo depois de ter tido um colega de trabalho chamado Hélder com quem até simpatizava.  
Vítor (19) - Este é dos outros nomes perenes que me espanta um pouco estarem nesta lista, pois embora não duvidasse que continuassem a nascer muitos Vítores nos idos de 1980, era definitivamente um nome que eu associava à geração anterior, até porque tenho um tio Vítor. Hoje em dia, a grafia Victor (com ou sem a pronúncia do C) parece ser mais atraente. E para mim, vem-me também à baila os anúncios dos anos 80 às camisas Victor Emanuel.      
Miguel (20) - Miguel é sem dúvida um nome bastante intemporal. Na minha infância, conheci com esse nome tanto miúdos mais novos que eu como um velhote que morava na minha rua, tendo brincado na rua com as suas netas. Na minha geração, Miguel era a massa de vidraceiro dos segundos nomes, dava para aplicar a seguir a qualquer nome. Por isso, conheci bem mais Miguéis de segundo nome (geralmente sufixado a Luís ou Pedro). Entre os binónimos que tinham Miguel como primeiro nome, destacava-se o artístico Miguel Ângelo.  

E se abri uma excepção na lista das raparigas para falar de Catarina, uso-a também nos rapazes para falar de David, o nome do meu colega da Enciclopédia de Cromos, 27.º na lista do SPIE. Juntamente com Duarte, era o nome masculino começado por D mais popular desta época e a popularidade tem resistido até hoje. Recordo-me que talvez por influência de estrelas internacionais como David Bowie, havia aqueles que gostavam de tratar os Davids pronunciando o nome à inglesa: "deivid".



Para terminar, e uma vez que sou da colheita de 1980, nada como uma auto-reflexão sobre o meu nome. Aqui estou eu nos idos de 1985, quando andava na pré-primária. No meu bibe, está bordado os meus dois nomes próprios: Paulo Jorge. Eram estes os nomes de dois tios meus, irmãos da minha mãe e gémeos entre si, sendo que o meu tio Jorge (de primeiro nome Abílio, mas compreensivelmente tratado por todos pelo segundo nome) é também o meu padrinho de baptismo. Durante a minha infância, praticamente toda a gente - pais, familiares, professores, colegas de escola - tratava-me por Paulo Jorge e foi apenas em plena adolescência que passei a ser tratado primordialmente apenas por Paulo. Por isso, nunca fui daqueles que só ouviam os pais ou outros adultos a chamarem pelos dois nomes quando não estavam em bons lençóis. (Percebia a iminência de perigo apenas pelos tons de voz).
Hoje por hoje, gosto do nome Paulo e até lamento ser cada vez menos popular. Pelo menos, ainda não vi nenhuma lata de Coca-Cola com o meu nome, ao invés das imensas latas que já vi com o nome Enzo - esse nome tipicamente português e popularíssimo há séculos. E como certamente a maioria das pessoas, também passei por uma fase em que não gostava do nome Paulo, em que o achava corriqueiro e sem mística e até tentei em vão que me tratassem apenas por Jorge. Em contrapartida, ouvi n vezes o meu irmão, que se chama Rogério como o nosso pai (e cujo segundo nome é...Paulo!) queixar-se de ser o único Rogério da escola e lamentar-se de não ser mais um entre os muitos Pedros ou Nunos. Mas eu sempre achei que o nome assentava-lhe bem, não só porque era algo que o distinguia daqueles da sua geração como creio que ele herdou muita da personalidade, do melhor ao pior, do nosso pai. E desde que o nosso pai faleceu, tenho a certeza que o meu irmão agora sente sobretudo muito orgulho em ter herdado o nome dele.       

Hoje muitos dos que nasceram em 1980 já têm filhos, as modas em termos de nomes são outras e não foram muitos os nomes desta lista, sobretudo os femininos, que conseguiram manter-se em alta. Será que no meio de tantas voltas que o mundo dá, alguns destes nomes, hoje tidos como datados e a evitar, recuperarão algures no futuro a popularidade que tinham em 1980?  
  

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Bontempi System 5 (1991) Orgãos Electrónicos



No inicio dos 90 os órgãos electrónicos musicais estavam na moda e numa enxurrada passaram dos palcos para o conforto do lar. Quantos ouvidos não foram torturados enquanto a irmã mais nova aprendia a tocar no teclado do órgão novinho em folha? Confesso que também me rendi à curiosidade e tentei executar o hit "Dó-ré-mi-fá-sol-lá-si-dó-si-lá-sol-fá-mi-ré-dó", sem grande sucesso...
Mas esta publicidade de 1991, apresenta dois modelos Bontempi com o "novíssimo método" System 5: o KS 4600 e KS 5600 ("teclado profissional"), distribuídos por AUFERMA.
O site Weltenschule classifica o Bontempi KS 4600 como um dos piores órgãos do mundo, com um som péssimo. Queremos saber a opinião dos nossos leitores: era assim tão mau? Quais os vossos favoritos, desta ou outras marcas?

Publicidade retirada da revista Pato Donald Nº 279, de 1991. 

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terça-feira, 13 de outubro de 2015

All You Need Is Love (1994-1997?)

por Paulo Neto

O amor é fogo que arde sem se ver, mas em 1994, a SIC estreou um programa que pretendia deixar esse fogo bem visível no pequeno ecrã. "All You Need Is Love" foi uma das principais novidades da SIC para a nova grelha de 1994. Produzido pela Endemol a partir de um formato original holandês (dah!), o programa já fazia sucesso em diversos países europeus até chegar a Portugal. Segundo a Wikipedia, o programa teve três temporadas exibidas entre 1994 e 1997, mas eu tenho ideia que chegou a haver mais pelo menos mais uma em anos seguintes. A primeira temporada foi apresentada por Lídia Franco e as restantes por Fátima Lopes.







"All You Need Is Love" convidava os portugueses a expressarem os seus sentimentos amorosos das mais diversas formas. As comparações com "Perdoa-me", outro produto made in Endemol estreado cá uns meses anos, eram inevitáveis mas ao contrário deste, "All You Need Is Love" distinguia-se sobretudo por ter conteúdos muito diversificados. Eis alguns deles:

- Alguém desimpedido e disponível para conhecer uma pessoa para uma possível relação, gravava um vídeo, a ser exibido no programa. Os interessados em conhecer essa pessoa contactariam a produção. No programa seguinte à exibição do vídeo, a pessoa que gravou o vídeo (e foram pessoas de ambos os sexos e de várias idades a fazê-lo) conversava os possíveis candidatos a namorado ou namorada no bar do "All You Need Is Love", revelando a sua escolha no final do programa. Geralmente o número de candidatos não ia além da dezena, mas lembro-me de um caso na primeira temporada, onde uma jovem chamada Dina impressionou tanta rapaziada que surgiram para aí uns trinta rapazes no programa para a conhecerem!



- Com a ajuda do programa, vários portugueses e portuguesas faziam uma surpresa para confessarem o seu amor àquele ou àquela por quem estavam apaixonados. Por exemplo, no primeiro programa, um rapaz confessou o seu amor por uma amiga chamada Sofia através de um avião que sobrevoou a praia onde estava a dita Sofia com a mensagem: "Sofia, estou apaixonado por ti".

- Havia igualmente alguns segmentos a fazer lembrar o "Perdoa-Me", onde alguém tentava pedir perdão à pessoa amada, através de uma mensagem em vídeo. 

- E também havia segmentos tipo "Ponto De Encontro", onde se reuniam casais separados pela distância. No primeiro programa, uma senhora presente na assistência teve a oportunidade de falar por telefone com o marido, que supostamente estava na Austrália a trabalhar num navio de cruzeiro. Mas a meio da conversa, surgiu o marido em estúdio inesperadamente, dando-se um emotivo reencontro. Recordo-me também de um episódio em  que, durante uma suposta ligação ao estúdio do programa na Holanda, um holandês de olhos azuis chamado Guus declarava-se ainda apaixonado por uma portuguesa de olhos castanhos chamada Fernanda, com quem vivera um intenso romance em Amesterdão, ao longo do qual os dois se tratavam carinhosamente por "brown eyes" e "blue eyes". E nem por acaso, a Fernanda "brown eyes" estava presente na assistência do programa e enquanto esta gravava uma mensagem de resposta ao Guus "blue eyes", surgiu o holandês no estúdio em Portugal, pronto a restabelecer o romance em solo português.      

- Outra forma de alguém fazer uma surpresa à pessoa amada, era cantando-lhe uma canção conhecida com uma nova letra que espelhava a história de ambos. Recordo-me de um caso em que um homem cantou à sua esposa uma versão de "Hello" de Lionel Ritchie, que terminou com a esposa lavada em lágrimas e o homem lavado em suor que escorria em bica na sua cara não só com o calor do estúdio mas também do fato smoking que envergava.



- Nas temporadas mais adiantadas, havia um segmento onde se homenageavam as histórias de amor de alguns casais através de curta-metragens onde actores recriavam a respectiva história. Alguns desses mini-filmes eram mesmo muito elaborados, como por exemplo um que recriava a história entre um soldado português e uma angolana em plena Guerra Colonial, que parecia que tinha algumas cenas filmadas em Angola. 

- Também havia um momento musical onde as pessoas presentes na assistência formavam pares para dançar enquanto o cantor convidado cantava uma famosa balada.

Chegaram mesmo a marcar presença no programa alguns convidados internacionais como a italiana Laura Pausini, cantando o seu grande hit "La Solitudine".



Ao longo da sua emissão, deve ter havido portanto imenso casalinhos formados pelo programa. Apesar das críticas à exploração do desejo dos portugueses aparecerem na televisão, à exposição dos sentimentos da vida privada das pessoas e à veracidade dos casos apresentados, "All You Need Is Love" foi outro programa marcante da televisão portuguesa nos anos 90. 

Foram ainda editados dois CD oficiais do programa que continha várias baladas conhecidas, sendo que o primeiro continha a versão interpretada por Pedro Miguéis do tema dos Beatles que dava nome ao programa, versão essa que era usada no genérico.


Excerto do 2.º programa (18-09-1994)
(aos 12:13, o vídeo da Dina que teve mais 30 pretendentes no programa seguinte)








sábado, 10 de outubro de 2015

Futebol 84 (1983) Caderneta de Cromos


Mais uma das omnipresentes cadernetas de cromos da nossa infância, com talvez o tema mais popular nesse meio: os cromos do futebol. Este "Futebol 84", editado pela Disvenda, era dedicada aos plantéis do campeonato da época 83/84, "já com a última transferência". A colecção consistia em 192 cromos, que nesta altura ainda teriam que ser colados com ... cola.
A capa que protagoniza este anúncio é quase uma réplica a 100% da capa da própria caderneta:
Foto: Colagem de imagens recolhidas na Internet.


Publicidade retirada da revista Pato Donald Nº 65, de 1983. 

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sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Saúl Ricardo "O Bacalhau Quer Alho" (1996)

por Paulo Neto

Agora que é presença regular na televisão devido à sua participação em "A Quinta", nada como recordar os tempos em que o pequeno Saúl Ricardo era a estrela infantil mais badalada em Portugal depois da Maria Armanda.



Saúl Ricardo dos Santos Noronha nasceu a 18 de Agosto de 1987 na Figueira de Foz. Em 1995, quando ainda não completara oito anos, participou no "Big Show SIC", surgindo como um mini Quim Barreiros a cantar "O Mestre da Culinária", deixando toda a gente em estúdio espantada com a actuação. Inês Santos, a vencedora do Chuva de Estrelas que nesse programa era a júri convidada, definiu na perfeição o que todos acharam: "O Quim Barreiros encolheu, foi à máquina de lavar."





Tal foi impacto causado por aquele micro-talento que rapidamente surgiram propostas para um contrato discográfico. E em 1996, surgia o seu primeiro álbum cuja faixa-título seria o seu grande hit, "O Bacalhau Quer Alho".





O sucesso do disco não se fez esperar e pouco depois já não havia quem neste país não tivesse trauteado o refrão: "O bacalhau quer alho / É o melhor tempo / Quem comer alho / Fica rijo como um pêro". E sabem quem é que escreveu este magnífico opus? Os irmãos António e Filipa Lemos que mais tarde ganhariam notoriedade como parte dos Santamaria. Antes dos Santamaria, os irmãos Lemos ganhavam a vida actuando como o duo Tony Lemos & Marlene, mas sobretudo compondo canções para os artistas da facção pimba da editora Vidisco (algo que após o sucesso dos Santamaria, eles compreensivelmente quiseram manter em discrição). Eu sei disso porque certa vez, acho que na festa de anos de alguém, vi a cassete do primeiro álbum do Saúl e a maioria dos temas eram da autoria dos dois manos. E, como se impunha, dois temas eram da autoria do Quim Barreiros himself.

"Dona Tila" no Big Show SIC (1997):



Seguiram-se três anos de grande sucesso e uma carregadíssima agenda de espectáculos por todo o Portugal e também no estrangeiro. E foram-se somando hits como "Cozinhar É Comigo" (mais conhecido como "cozinho eu p'ra mim"), "Os Pitos", "Dona Tila", "Espeto Um Prego" ou "As Bolas De Snooker". Em 2000, tentou-se uma ligeira mudança de repertório com "Gosto De Ti À Brava" mas o disco não teve tanto sucesso. Foi a partir daí que começou a circular o boato de que Saúl teria morrido num acidente de viação, ou algo assim. Mas não só continuava vivinho da Silva como continuou a lançar um álbum por ano entre 2002 e 2005. 

Foi então que quando completou 18 anos, Saúl descobriu que os seus pais desbarataram todo o dinheiro que havia ganho desde criança. Foram tempos conturbados em que fez de tudo para sobreviver e onde o próprio admitiu ter tido pensamentos suicidas. Mas quando tudo parecia perdido, surgiram dois apoios que o fizeram persistir na adversidade: a namorada Marisa (actualmente sua esposa) e o público que afinal nunca o esquecera e que gradualmente foi acorrendo de novo aos seus concertos. Talvez porque se há coisa que o povo gosta mais do que cantigas sobre bacalhau, são histórias de ídolos caídos que voltam erguer-se.





Actualmente com 28 anos, Saúl Ricardo vive actualmente um renascimento da sua carreira, reconstruída pelo seu próprio pulso. Mesmo sem o fulgor dos outros tempos tal como sucede com outros artistas (a perfect storm da música pimba dos anos 90 é irrepetível), continua a actuar por todo o país, cantando os temas brejeiros com trocadilhos que são a sua marca (cada um é para o que nasce) como o hit-single de 2011 "A Fábrica Da Chouriça" e a marcar presença na televisão, não só nos típicos programas 760 de fim-de-semana das estações generalistas, mas também em "Som de Cristal" e agora em "A Quinta". Saúl pode continuar pequeno mas fez-se um homem.

Excerto do Perdidos & Achados sobre Saúl Ricardo (2011):

     

terça-feira, 6 de outubro de 2015

O DOT (2000)

por Paulo Neto

Um dos principais acontecimentos televisivos do ano 2000 não se deveu a nenhum programa mas sim a uma engenhosa estratégia na guerra das audiências, envolvendo um objecto autocolante, uma personagem fofinha e aldrabice q.b. Falo, é claro do DOT, com o qual a SIC tentava impor-se na guerra das audiências nesse ano. Não me recordo em que altura do ano 2000 é que a DOTmania teve lugar, pela informação que consegui apurar terá havido uma primeira fase durante o primeiro semestre do ano, e depois uma segunda fase lá mais para o final do ano para tentar contrariar o boom do primeiro Big Brother português que ditaria o princípio do fim do domínio da estação de Carnaxide.





Mas o que era afinal o DOT? Era uma rodela de cartão com uma película no centro com uma superfície autocolante que podia ser obtido na compra de um Menu no McDonald's, no abastecimento nos postos da BP, em compras no Modelo e na Worten e na aquisição da revista TVMais e que se destinava a ser-se colado no canto direito do televisor no início de alguns programas da SIC, surgindo no ecrã uma silhueta a indicar o sítio certo, e que assim deveria permanecer até ao final do programa, mesmo nos intervalos, pelo que durante esse tempo não se podia mudar de canal ou desligar o televisor, sob pena de quebrar o quer que fosse o trabalho que a coisa fazia. Depois era juntar o cupão em anexo, enviar pelo correio ou deixar em algum dos recipientes nos McDonald's, na BP, no Continente ou na Worten que lá haviam para o efeito para se habilitar a ganhar um de entre um variado conjunto de prémios.



Segundo este artigo do "Público", esta iniciativa foi patenteada por uma empresa holandesa e começou, alegadamente com enorme sucesso, na Hungria, e Portugal era o segundo país a implementá-la. Supostamente o DOT gravava um "código a cores" durante a emissão do programa e só aqueles correctamente activados é que seriam elegíveis para ganhar os prémios (automóveis, televisores, aparelhagens, scooters, consolas de jogos, viagens à Disneyland Paris, vales de 50 contos/250 euros em combustível grátis...). A apresentação da extracção dos prémios principais esteve a cargo de Ana Marques no segmento "A Família DOT".

Em Portugal, o DOT teve uma inesquecível campanha na SIC protagonizada por um boneco animado com a forma do aparelho e voz de José Carlos Malato e que tinha o slogan "Adopte um DOT".







Eu admito: colei um DOT duas vezes na nossa televisão da cozinha durante a emissão de "Negócio Fechado", um concurso efémero apresentado por Henrique Mendes, que creio ter depois depositado num recipiente no McDonald's da Praça da República em Coimbra, onde eu estudava na altura. E não, não pensei muito em por que raio aquilo saberia se eu tinha visto o programa até ao fim sem nunca ter mudado de canal. Era mais novo e ingénuo. Don't judge me! E o certo é que ainda houve muitos portugueses a concorrer. 

No entanto, com o passar do tempo, começaram a surgir as suspeitas de que a alegada tecnologia do DOT era uma fraude. Na internet, descobri alguns relatos de quem decidiu abrir os DOTs após o fim da campanha e descobriu que eram apenas feitos de cartão e não tinham nenhum dispositivo lá dentro. Encontrei também no YouTube um testemunho que afirma ter mudado de canal com o DOT colado e mesmo assim acabou por ganhar uma aparelhagem. 

Actualmente a opinião geral é que o DOT não passou de uma manobra de fidelização de audiências televisivas e das marcas envolvidas, cuja eficácia foi possível num tempo onde a televisão generalista ainda era o principal meio de comunicação e a internet ainda não estava muito disseminada em Portugal. 

Além da inesquecível campanha, o DOT também proporcionou vários e divertidos sketches em "O Programa Da Maria", sendo que o mais famoso era aquele em que Nuno Lopes encarnava o Marco do Big Brother a dar pontapés no DOT que estava ao seu lado. (Aos 11:18)






Eis aqui outro sktech, com a participação de Fernanda Serrano.



Entretanto o leitor do blogue Guilherme Fontes publicou na página do Facebook da Enciclopédia de Cromos um anúncio australiano da campanha do DOT naquele país também no ano 2000, utilizada por um canal para fazer frente à estação que transmitia os Jogos Olímpicos de Sydney. 





sábado, 3 de outubro de 2015

José Vilhena [1927-2015]


Faleceu a 3 de Outubro de 2015 - com 88 anos (7 de Julho de 1927 - José Vilhena (José Alfredo Vilhena Rodrigues) o cartoonista , escritor e pintor português que conseguiu incomodar muita gente, satirizando as figuras da  sociedade, antes e depois da revolução de Abril, sendo preso 3 vezes pela PIDE e alvo de vários processos em tribunal já em democracia. Tantas décadas depois, o seu estilo característico permite que um breve olhar do mais leigo identifique qualquer peça da sua vasta obra de livros, revistas e cartoons.

Um site com mais informação sobre o artista: “O Incorrigível e Manhoso Vilhena”.

Uma entrevista de 1996 no programa "Acontece" de Carlos Pinto Coelho, uma conversa de José Vilhena com Rui Zink: Entrevista a José Vilhena .

 
Notícias sobre o falecimento:

Caderneta de Cromos Nº 1038 - Dedicado a José Vilhena e sua obra [Download/Ouvir Mp3]



Publicado originalmente: Enciclopédia de Cromos - Tumblr "José Vilhena [1927-2015]".

Sonho Meu (1993-94)

por Paulo Neto


É uma espécie de tradição aqui no blogue falar de programas da SIC em cada mês de Outubro e este ano não vai ser excepção.



Em 1994, já dominando o primetime onde pontificavam as novelas da rede Globo, como "Mulheres De Areia" e "A Viagem", a estação de Carnaxide virava agora as agulhas para o horário do fim da tarde e a primeira telenovela exibida na SIC nesse horário foi "Sonho Meu", estreada em 1993 no Brasil. A telenovela, da autoria de Marcílio Moraes, tinha a particularidade de ser das raras telenovelas urbanas cuja acção se passava numa cidade que não Rio de Janeiro ou São Paulo, mas sim em Curitiba. Mas o seu maior apelo é que era protagonizada por uma criança, Carolina Pavanelli, que com seis anos comoveu brasilseiros e portugueses no papel de Maria Carolina.


A novela também era uma espécie de remake mash-up de duas telenovelas da década de 60 e 70: "A Pequena Orfã" sobre a amizade entre uma menina orfã e um bondoso velhote e "Ídolo de Pano" onde dois irmãos disputavam a mesma mulher, prestando homenagem ao autor de ambas, Teixeira Filho.

Carolina e Tiozé

Maria Carolina é uma menina que se vê no meio de um terrível drama familiar: a sua mãe Cláudia (Patrícia França) foge do Rio de Janeiro para Curitiba para fugir ao violento marido Geraldo (José de Abreu) que reaparece depois de algum tempo desaparecido. Entretanto Carolina fica à guarda da sua tia Elisa (Nívea Maria), uma mulher pérfida e interesseira, que a deixa num orfanato. Mas à primeira oportunidade, Carolina foge e acaba por ir parar à vila Jardim De Flores onde é acolhida pelo Sr. Mazgursky, conhecido como Tiozé (Elias Gleiser) um bondoso velhote, imigrante polaco, que lhe dá a alcunha de Lalesca. E é com esse nome que Carolina passa a ser conhecida no bairro, onde acaba por conquistar os corações de toda a gente. Mas apesar deste novo lar, Carolina guarda sempre o sonho de um dia se reencontrar com a mãe.

Lucas, Cláudia e Jorge


Paula e Jorge


Entretanto, Cláudia vê-se no meio de um centro de um conflito familiar quando é disputada por irmãos, Lucas (Leonardo Vieira) e Jorge (Fábio Assunção). Os dois são netos de Paula Candeias de Sá (Beatriz Segall), uma senhora autoritária mas generosa, dona de uma empresa produtora de brinquedos que vê em Lucas o seu herdeiro do negócio e que se orgulha da carreira de Jorge como médico. A disputa dos irmãos por Cláudia que desestabiliza a aparente harmonia familiar faz com que Paula sinta animosidade por Cláudia. Com o tempo e por causa da jovem, os irmãos revelam as suas verdadeiras faces: o irresponsável e imaturo Lucas torna-se um homem justo e corajoso e o aparentemente sensato Jorge revela-se um malvado da pior espécie. E como se não se bastassem as perseguições de Jorge e Geraldo, numa fuga para a frente Cláudia casa-se com Lucas, incorrendo em bigamia. Porém, e como não podia deixar de ser, no fim o amor triunfa com Cláudia feliz com Carolina, Lucas e o filho que ela espera dele.

Além daqueles já citados "Sonho Meu" contava ainda no elenco com nomes como Eri Johnson, Isabela Garcia, Daniela Camargo, Françoise Forton, Yoná Magalhães, Valmor Chagas, Miriam Pires e Ângelo Paes Leme. A actriz Cláudia Magno, que fazia o papel de Josefina, uma enfermeira e ocasional cúmplice de Jorge, faleceu durante as gravações da telenovela devido a paragem cardíaca relacionada com SIDA. 

Cláudia Magno (1958-1994)


Com a sua história comovente, "Sonho Meu" cativou os portugueses e alicerçou o espaço na SIC para uma telenovela antes do Jornal da Noite. Patrícia França e Leonardo Vieira recuperaram a química que já traziam da primeira fase da telenovela "Renascer", também exibida na SIC, Fábio Assunção surpreendeu no seu primeiro papel de vilão e Carolina Pavanelli foi todo um talento infantil como a pequena Lalesca. Vimo-la em outras novelas como "Quem É Você" e "Meu Bem Querer". Hoje aos 28 anos, embora ainda fazendo algum trabalho ocasional na representação, Carolina Pavanelli dedica-se sobretudo ao ensino e à escrita.

Carolina Pavanelli em 2011 com um dos seus livros



Reencontro de "mãe" Patrícia França e
da "filha" Carolina Pavanelli em 2015


Por entre a banda sonora, que como era hábito, continha vários temas brasileiros e hits internacionais, destacou-se o tema do genérico, "Querer É Poder", interpretado por José Augusto e Xuxa, também conhecido -obviamente- por "Sonho Meu".


Genérico:





José Augusto e Xuxa "Querer É Poder":




   



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