sábado, 11 de fevereiro de 2017

"Especially For You" Jason Donovan & Kylie Minogue (1988)

por Paulo Neto

Quis o destino que, fazendo jus ao velho ditado, eu fosse bafejado com (esporádica) sorte ao jogo e (constante) azar ao amor. Como tal existem algumas coisas que, pelo menos até agora, nunca tive oportunidade de fazer com uma pessoa amada, como por exemplo cantar em dueto com a minha eventual cara-metade. Com muita ou pouca afinação, num karaoke ou noutro sítio, de forma planeada ou num momento espontâneo, já imaginei muitas vezes em criar harmonia vocal com a pessoa amada, fosse lá ela quem fosse. E como concordo com os Da Weasel quando diziam que um amor de verdade deve ter o seu quê de piroso e lamechas, uma das canções que eu gostava de executar nesses hipotéticos duetos românticos é "Especially For You", tema editado no final do de 1988 epicamente chilreado por aqueles que era então os namoradinhos da Austrália e popstars em fase ascendente, Jason Donovan e Kylie Minogue. É uma balada que não se aguenta de tão doce e fofa. Se "Especially For You" fosse comestível, seria uma molotofe profusamente banhada em caramelo líquido.



Mas vamos por partes. Como a maioria dos países anglo-saxónicos, a Austrália segue o conceito de soap-opera, inicialmente desenvolvido pelas rádios americanas e assim chamado porque esses espaços eram tipicamente patrocinados por marcas de sabões e detergentes, (ao contrário do conceito de telenovela como foi desenvolvido sobretudo na América Latina e como conhecemos cá em Portugal), com a acção a passar-se quase sempre na mesma zona e com uma duração indeterminada. Se nós por cá achámos que telenovelas portuguesas como "Anjo Selvagem" ou "A Única Mulher" duraram imenso tempo, as soap-operas em países como os Estados Unidos, o Reino Unido ou a Austrália atravessam décadas. Por exemplo, a britânica "Coronation Street" está no ar no canal ITV desde 1960!
Na Austrália, uma das soap-operas mais duradouras é "Neighbours", que estreou em 1985 (embora só em 1986, quando o projecto foi reciclado por outro canal, é que começou a ter sucesso) e desde então que as intrigas entre famílias vizinhas num aprazível subúrbio de Melbourne faz as delícias de vários telespectadores nos Antípodas e não só. (Em Portugal, a RTP chegou a exibir "Neighbours", com o óbvio título "Vizinhos", nos anos 90 a seguir ao Jornal da Tarde.) Um dos atractivos da fase inicial dessa soap-opera foi o par romântico Scott Robinson e Charlene Mitchell, interpretados por Donovan e Minogue, ele um rapaz certinho, ela uma desembaraçada mecânica, que se apaixonam apesar de pertencerem a famílias rivais. O episódio onde os dois se casaram foi um dos programas mais vistos de sempre na Austrália.



Entretanto, uma actuação do elenco de "Neighbours" para um evento de caridade onde Kylie Minogue cantou uma versão de "Locomotion" em 1987 foi o primeiro passo para ela deixasse a telenovela e rumasse a Londres para iniciar um carreira musical. Pela mão do célebre trio de produtores Stock, Aitken & Waterman, Minogue não tardou a alcançar sucesso internacional em 1988 com hits como "I Should Be So Lucky", "Got To Be Certain" e "Je Ne Sais Pas Pourquoi". Quando souberam que Jason Donovan também pretendia deixar "Neighbours" e enveredar pelas cantigas, a troika de produtores sabia que não podiam desperdiçar a oportunidade de ter os dois namoradinhos da Austrália a dar voz às suas composições. E que melhor ideia para um do que ter Jason Donovan a cantar uma balada em dueto com aquela com quem ele teve um romance dentro e também (não muito) secretamente fora do ecrã? E se bem o pensaram, melhor o fizeram.



Particularmente mítica foi a actuação de ambos no programa "Top Of The Pops", ele de blusão de cabedal, ela com uns brincos com cachos de uva, numa coreografia sincronizada que culminava na parte instrumental, com Jason a pegar Kylie ao colo num rodopio.



Claro que o sucesso estava garantido, e o dueto foi n.º 1 no Reino Unido (onde vendeu um milhão de cópias), Irlanda, Bélgica e Grécia no início de 1989. Kylie Minogue, que entretanto trocara Jason por Michael Hutchence dos INXS, continuou a somar sucessos até tornar-se o ícone pop que é hoje, sobretudo depois do ressurgimento da carreira no início deste século graças a hits como "Can't Get You Out Of My Head". Jason Donovan somou alguns sucessos no início da sua carreira como "Too Many Broken Hearts", "Sealed With A Kiss" e "Any Dream Will Do". Mas à medida que o sucesso foi diminuindo, envolveu-se em algumas batalhas pessoais e problemas com drogas. Felizmente a partir de 2000, graças ao apoio da sua companheira Angela Malloch de quem tem três filhos e com quem casou em 2008, Donovan deixou a dependência e mesmo sem o êxito dos outros tempos, continua bastante activo, quer na música, quer na representação e algumas incursões em reality shows, quer na Austrália, quer no Reino Unido onde reside há vários anos.



Quer Jason quer Kylie já cantaram "Especially For You" com outros parceiros (e até voltaram a cantá-lo juntos num concerto em 2012), e dentro dessas novas parcerias, há que destacar o momento em 2001 quando Kylie cantou o tema com...o sapo Cocas!



Enquanto isso "Neighbours" continua em exibição em vários países e ao longo dos anos, outros actores do elenco tiveram também mais tarde carreiras musicais de grande sucesso, nomeadamente Natalie Imbruglia e Delta Goodrem. 


Extras:

"Got To Be Certain" Kylie Minogue


"Too Many Broken Hearts" Jason Donovan







terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Roswell (1999-2002)

por Paulo Neto

Nas voltas da vida, eu sou por vezes algo contra-corrente. Agora que está na moda acompanhar séries de televisão, eu não sigo nenhuma em particular, vejo um ou outro episódio desta ou daquela série quando calha. Não tenho Netflix nem quejandos nem nunca fiz binge-watching de séries (a não ser que conte para tal ficar a ver quando no AXN, MOV ou Fox Life passam uns três ou quatro episódios antigos de enfiada). Aliás, eu seguia mais séries nos anos 90 e na década passada que agora, e mesmo aí, era habitual que começasse a vê-las já num ponto adiantado. Foi o caso da série da qual vou falar hoje.



"Roswell" (também conhecida como "Roswell High") foi uma série juvenil de ficção científica exibida nos Estados Unidos entre 1999 e 2002 em três temporadas e que passou na RTP 2 entre 2001 e 2004. Da autoria de Jason Katims e inspirada na série de livros de Melinda Metz, a série passava-se na cidade americana de Roswell, no estado do Novo México, onde em 1947 um balão de vigilância da força aérea americana se despenhou, provocando especulações sobre se teria sido uma nave extraterrestre.


Liz Parker (Shiri Appleby) é uma adolescente que trabalha no café dos seus pais de temática extraterrestre que um dia é atingida por uma bala perdida durante uma discussão entre dois clientes. No entanto é salva miraculosamente da morte certa por Max Evans (Jason Behr), um rapaz da sua escola. Intrigada pelo que aconteceu, Liz vai descobrindo juntamente com os seus amigos Alex Whitman (Colin Hanks) e Maria De Luca (Majandra Delfino) que Max, assim como a sua irmã Isabel (Katherine Heigl) e o rebelde Michael Guerin (Brendan Fehr) não têm DNA normal e que poderão ser alienígenas. Os seis acabam por formar um grupo de amigos bastante unido, tentando ao máximo manter-se fora da atenção das forças da autoridade e o romance desperta entre eles: entre Liz e Max, entre Maria e Michael e Alex também se apaixona por Isabel, que hesita em lhe corresponder.
Entretanto surgem mais dois alienígenas: Nasedo (Jim Ortlieb), um perigoso shapeshifter e Tess Harding (Emilie de Ravin), uma adolescente criada por Nasedo que possui estranhos em efeitos em Max. Após a morte de Nasedo, Tess é acolhida pelo xerife Jim Valenti (William Sadler) e pelo seu filho Kyle (Nick Wechsler), o ex-namorado de Liz, que entretanto também já sabem da natureza dos quatro extraterrestres.



Afinal vem-se a saber que Max, Tess, Isabel e Michael são os clones de quatro extraterrestres do planeta Antar, respectivamente Zan, o rei do planeta, Ava, a sua esposa, Vilandra, a irmã do rei e Rath, o líder do exército. Os quatro fugiram de Antar para escapar aos ataques de Kivar, o inimigo do rei. A nave onde seguiam despenhou-se na Terra em Roswell em 1947 e viveram incubados até despertarem na forma de clones híbridos de humanos e alienígenas, surgindo em Roswell na forma de crianças de seis anos. Max e Isabel foram adoptados pelo casal Evans (Garrett Brown e Mary Ellen Trainor) e Michael por um homem violento, entretanto falecido, enquanto Tess foi levada por Nasedo. Isabel também descobre que a sua versão extraterrestre Vilandra tinha sido seduzida por Kivar e traído o irmão. Os quatro possuem poderes especiais como telequinesia, controlo da mente, criação de combustão e de campos de forças ou, no caso de Max, reanimação de mortos.



Na segunda temporada, os amigos lutam contra várias ameaças, como os Peles, um conjunto de alienígenas com forma humana designados para os encontrar e entregar a Kivar e outros quatro clones de Max, Michael, Isabel e Tess que cresceram nos esgotos de Nova Iorque. Mas a principal ameaça acaba por estar mesmo entre eles. Avisada por um Max do futuro para as consequências fatais do relacionamento de ambos, Liz desiste de Max e incita-o a ficar com Tess. Max e Tess acabam por se envolver e Tess engravida, dando à luz apenas um mês depois o filho de ambos, Zan.


Mas a misteriosa morte de Alex, quando Isabel finalmente lhe correspondia e que nem Max consegue salvar, vai levar à conclusão de que Tess foi sempre uma inimiga. Ela tinha controlado Alex para que ele descobrisse uma maneira de levar Max, Michael e Isabel consigo de volta a Antar para os entregar a Kivar. Tess acaba por partir com Zan, que mais tarde vem-se a descobrir ser 100% humano.



Na terceira e última temporada, Isabel apaixona-se e casa-se com Jesse Ramirez (Adam Rodriguez), um jovem advogado, sem lhe revelar que é uma alienígena. Max e Liz continuam a enfrentar imensos obstáculos ao amor entre ambos, Maria e Michael continuam entre beijos e turras e Tess regressa para uma redenção. Liz descobre que por ter sido curada por Max desenvolveu um poder de premonição. Quando ela tem a premonição de que Max, Michael e Isabel vão ser mortos pelo FBI, a série termina com grupo a fugir da cerimónia da formatura do liceu onde o FBI tinha montado a emboscada.


Eu só comecei a acompanhar "Roswell" a meio da segunda temporada, precisamente quando aparece o Max do futuro e quando os episódios começavam com Maria a fazer um resumo do episódio anterior num cenário com um quadro escolar. Talvez por ter apanhado a série a partir desses episódios onde a personagem estabelecia esta ligação com o telespectador, Maria era a personagem que me chamava mais a atenção (o facto de Majandra Delfino ser bastante bonita de se ver também ajudava). Embora eu gostasse das várias tramas de temática alienígena e as batalhas que os protagonistas travavam contra os seus opositores, achava particularmente interessantes as cenas em que se exploravam as relações de amor e amizade entre os extraterrestres e os humanos do grupo. Também apreciava alguns toques de humor, como por exemplo Isabel ser tão obcecada em organizar as celebrações natalícias que era conhecida em toda a cidade como "a nazi do Natal", ou o episódio da terceira temporada com cenas que recriavam a série "Casei Com Uma Feiticeira", mas no caso de Jesse e Isabel, "casei com uma extraterrestre".

Reunião do elenco e do autor em 2014


Depois de "Roswell", Katherine Heigl obteve ainda mais sucesso ao fazer de outra Isabel, a Izzie Stevens de "Anatomia de Grey". Shiri Appleby protagonizou as séries "Life Unexpected" e "UnReal" e Emilie De Ravin esteve em destaque em "Lost" e no filme "Lembra-te De Mim" ao lado de Robert Pattison. Nick Wechsler, Adam Rodriguez e Brendan Fehr entraram em respectivamente "Revenge", "CSI Miami" e "Bones". Apenas Jason Behr e Majandra Delfino, apesar de ainda bastante activos em televisão e cinema ainda não superaram o sucesso dos seus papéis em "Roswell". E claro, foi com esta série e o filme "Orange County" que Colin Hanks começou a seguir as pisadas do seu pai Tom, tendo entrado por exemplo nos filmes "King Kong" (2005) e "W." e nas séries "Dexter" e "Fargo".      

O tema do genérico de "Roswell" era "Here With Me" de Dido, que foi editado como single em 2001, tendo sido um dos grandes hits desse ano.

Genéricos das três temporadas:


Episódio "Casei Com Uma Extraterrestre" (Temporada 3, Episódio 11)


"Here With Me" Dido




quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Publicidade RTP (Julho e Novembro 1988)

por Paulo Neto




Geralmente quando analisamos aqui blocos publicitários de outros tempos, gostamos de coincidir com a altura em que foram exibidos. No entanto, desta vez não resisti em esmiuçar já quatro blocos de publicidade de 1988, recentemente disponibilizados no YouTube pelo incansável canal LusitaniaTV, porque continham vários anúncios que eu recordo da minha infância e que nunca mais revi desde então, e estou certo que muitos de vós vão sentir o mesmo que eu quando revirem.

Os dois primeiros blocos são do dia 11 de Julho de 1988 (segunda-feira), exibidos durante os intervalos do último programa do concurso "Com Pés & Cabeça" que revia os melhores momentos de todas as sessões:


0:00 Vinheta RTC
0:03 Um divertido anúncio ao Miluvit Chocolate, onde uma rapariga e dois rapazes, um mais novo e outro mais crescido, saboreiam uma boa dose do dito cujo à beira de uma piscina. O anúncio termina com o rapaz mais velho e a rapariga a atirarem o rapaz mais novo para a piscina quando este ainda tem o prato e colher na mão. Quando via este anúncio em petiz, ficava com a inexplicável preocupação de que piscina ficasse suja com os restos de Miluvit que ainda haveria no prato do miúdo quando ele caía na água.
0:43 Um anúncio clássico. Numa praia, uma voz off vai comentando consoante a elegância (ou falta dela) dos demais banhistas: "Ela deve tomar Fibrovital, ele não deve tomar Fibrovital, este não toma mas aquela sim" Fibrovital, explica a voz, eram comprimidos dietéticos à base de fibra, cereais e citrinos. Recordo-me na minha escola de ouvir algum bullying verbal aos rapazes e raparigas mais gorduchos da escola em que se exclamava quando um deles passava: "Ó Fibrovital!"
1:14 Um Seat Ibiza que circula por entre uma paisagem urbana.
1:35 Catorze anos antes do escândalo de pedofilia que abalou a instituição, e embora esses crimes já alegadamente ocorressem na altura, a Casa Pia ainda mantinha uma reputação como instituição pedagógica e reabilitadora, justificando a frase dita no anúncio da Lotaria dos 208 anos da Casa Pia: "Na Casa Pia, um ganso voa sempre mais alto para se fazer um homem."
1:43 Whitney Houston já nos deixou há quase cinco anos. Em 1988, já era uma das maiores estrelas da música e co-protagonizava este anúncio da Coca-Cola, onde durante um concerto um miúdo é ordenado por outros para ir buscar Coca-Cola. Mas por entre enganos e confusões no caminho de volta, o rapazinho vai parar ao backstage onde Whitney serve-se de um dos copos que ele tem na bandeja e convida-o a subir com ela  para o palco, a cantar "The Greatest Love Of All".
2:12 Divertido anúncio à Maionese Hellman's com uma cara feita com um hamburger e seus acompanhamentos.
2:23 O álbum homónimo de 1988 de Marco Paulo que continha o grande êxito "Joana".
2:29 Anúncio ao livro "Espelho Secreto", uma obra autobiográfica da actriz Shirley MacLaine (no original "Out On A Limb"), uma das primeiras celebridades que aderiram à corrente de espiritualidade new age e como tal o livro abordava temas como reencarnação, meditação e até extra-terrestres, bem como um alegado caso que a actriz teve com um político britânico. O livro foi publicado em 1983 e gerou em 1987 uma série de televisão com a própria Shirley MacLaine a fazer de si mesma, que este anúncio refere.
2:43 Vinheta RTP1
2:49 O Casino Estoril Sol comemorava em 30 anos em 1988 e celebrava a efeméride com concertos com grandes nomes como Ray Charles, Julio Iglesias e The Platters. Como não podia deixar de ser, a voz do anúncio é o actor Júlio César, há já largos anos ligado ao local.

 

0:00 Vinheta RTC
0:11 Outro anúncio que recordo bem e que já há muito tempo não via: numa praia, ao repararem que acaba de abrir uma barraquinha que vende Pepsi fresquinha, vários veraneantes vão saltitando pela areia escaldante para chegarem àquele sítio. Óbvio destaque para um cão que faz o percurso em duas patas.
0:42 Um novo anúncio aos vários salões da mogul capilar Isabel Queiroz do Vale em Lisboa, Porto, Aveiro, Cascais e Montechoro.
0:52 Um apetitoso anúncios aos Iogurtes batidos Vigor com polpa de fruta.
1:11 Um glutão do Presto Máquina com voz de António Feio anuncia que em cada embalagem do dito detergente havia a oferta de um relógio de pulso. Beat that, Juá!
1:27 Nos anos 80, os insecticidas tinham nomes espectaculares como Mafu e Banzé. Mais concretamente neste anúncio, Banzé Casa e Plantas
1:42 Foi em 1988 que a Gelati Motta chegou em Portugal para fazer concorrência à eterna líder Olá e a outras marcas da altura como a Globo e a Avidesa. Neste anúncio passado num jogo de futebol americano, destacavam-se os três principais gelados da gama: Maxicup, Maxistecco e Maxicone. Este último persiste até hoje nos gelados da Nestlé (ex-Camy). 
2:02 Ferbar...na arte de cozinhar.
2:11 Adoro visões do anos 80 do que seria o futuro. Neste anúncio ao óleo de Soja Campo D'Ouro, vemos uma mulher do futuro (quiçá do distante ano de 2017!) com um look futurista, a entrar numa cozinha futurista para fazer uma salada futurista.
2:31 Uma família que faz jogging com fatos de treinos a condizer com sumos de tomate, cenoura e mação ilustra este anúncio às centrifugadoras Moulinex
2:53 Já falámos aqui deste lendário anúncio à Tartaruga da Robbialac. Cantemos todos mais uma vez: "Amigo, Tartaurga é a tinta!"
3:22 A famosa vinheta da RTP1 de inspiração geométrica.

Estes blocos são do dia 25 de Novembro de 1988, emitidos durante o intervalo da emissão da peça "Uma Bomba Chamada Etelvina", e como não podia deixar de ser, contêm já algumas referências natalícias e anúncios a produtos que poderiam ser ofertados no Natal de 1988.




0:00 Vinheta RTC
0:06 Foi por esta altura, pré-Windows e em dias de glória do MS-DOS, que os computadores pessoais começaram a paulatinamente a fazer parte das casas portuguesas. Este anúncio promovia o PC1 da Olivetti por apenas 99600 escudos (498 euros) mais IVA, com oferta do monitor. 
0:26 Vinheta RTC
0:32 Um anúncio ao Denim onde uma figura feminina assalta uma montra para roubar os produtos Denim e o respectivo estojo enquanto entoa a melodia do Jingle Bells. Uma interessante alternativa a outros anúncios da marca que terminavam com uma mão feminina a intrometer-se por entre um torso masculino. 
1:00 Um fofíssimo anúncio do leite Mimosa dedicado às melhores mães do mundo (todas!) com crianças a vivenciarem profissões de adultos.
1:46 Em duplo disco "As Mais Belas Canções Napolitanas" na voz inconfundível de Luciano Pavarotti, onde era possível ouvir o mítico tenor a interpretar clássicos temas da música italiana como "Volare" e "O Sole Mio".
2:08 Outro anúncio clássico, o do teste Planta. Mas não, não é o anúncio da senhora que se auto-intitulava uma "lambona", Neste caso específico, na zona de Boavista no Porto, uma jovem mãe com a respectiva filha ao colo, acerta no pedaço de pão barrado com Planta. (Pessoalmente, eu sempre fui Team Flora). Embora não se veja a sua cara, a voz que questiona a jovem mulher é a de Rui Mendes.
2:37 Um clássico das prendas de Natal, o mini-aspirador Black & Decker. Que não tem fio!
2:47 Em 1988, o Ministério das Finanças comemorava 200 anos de existência e como tal, emitiu uma série de empréstimos bancários com condições excepcionais. Além de um anúncio vistoso com metal incandescente a ser forjado.
3:19 Uma mulher numa sala em que uma das paredes mais parece a Estufa Fria, um homem de enxada ao ombro e um produtor vinícola usam o fertilizante Humais
3:39 Para ter um Ford, nada como aderir ao Crédito Ford. Ou não fosse por esta altura que Portugal começava a deixar-se definitivamente conquistar pelo admirável mundo dos pagamentos a crédito.
3:48 Outro anúncio clássico: enquanto espera pelo autocarro, uma senhora solta um espirro, mas felizmente um homem ao seu lado estende-lhe uma embalagem de Melhoral. Por fim, diz também ela o célebre slogan: "Eu dou-me bem com Melhoral!"
3:57 O Diário: o jornal que não brinca aos jornais. 
4:07 Para o Portugal de 1988, uma linha de produtos de higiene masculina ainda era algo inédito, mas a Insignia tentou cativar os portugueses a irem para além da água e do sabão e experimentar outros produtos. A marca oferecia toda uma gama de produtos (champôs, after shaves, desodorizantes...) e era ilustrada por este divertido anúncio ao som de uma música country em que um homem cuja higiene deixa muito a desejar dá a volta por cima ao usar os produtos Insignia, ao ponto de virar cabeças no escritório e pôr todas as colegas a fazer o famoso gesto sedutor de soltar o cabelo. 
4:47 Um clássico dos anos 80: a colectânea Jackpot reunindo alguns dos principais êxitos de 1988. No anúncio vemos e ouvimos "Im Nin' Alu" de Ofra Haza, "Alphabet Street" de Prince, "You Came" de Kim Wilde, "A Groovy Kind Of Love" de Phil Collins e duas canções das quais já falámos aqui em pormenor: "Gimme Hope Jo'anna" de Eddy Grant e "Love Changes Everything" dos Climie Fisher. (Ver o alinhamento completo da compilação AQUI)
5:17 Num texto anterior, eu tinha dito que a célebre revista Eva de Natal, que oferecia todos os anos vários prémios por essa altura, teria desaparecido no final dos anos 80, mas pelo vistos em 1988 ainda foi editada. 
5:28 Um curto mas inteligente anúncio às malhas Sydney com um cabide vazio. 
5:35 Promoção a um concerto de Shirley Bassey a ser transmitido na RTP, com imagens da diva galesa a interpretar "This Is My Life", a sua canção-assinatura.




0:00 Vinheta RTC
0:02 Lídia Franco dá a voz a este anúncio ao Chocolate Belleville da Favorita, no meio de uma apetitosa paisagem de chocolate.
0:14 Outro anúncio clássico: o da máquina de lavar roupa Margherita da Ariston protagonizado pela Ritinha, uma menina reguila com dois totós que faz todo o tipo de diabruras, como aplicar pó-de-arroz, enfiar uma moeda na gaveta do detergente ou enfiar uma enorme girafa de peluche na máquina enquanto a mãe dela exclama em off: "Ritinha, deixa a Margherita" ou "Ritinha, é económica mas não é mealheiro". Mas esta será uma versão editada do anúncio, pois falta a cena em que a Ritinha balança-se em cima da porta da máquina enquanto a mãe diz: "Ritinha, sai de cima da Margherita", que creio que terá inspirado um dos famosos bordões de Herman José na "Roda da Sorte": "Sinupe, sai de cima do Teijo!"
0:34 Foi por esta altura que a Swatch chegou a Portugal com os seus relógios ultracoloridos e pouco convencionais. A ilustrar o anúncio, imagens de uma saltadora de parapente. Os padrinhos do meu irmão estiveram uns anos emigrados na Suíça e certa vez, ofereceram ao meu irmão um relógio de parede da Swatch com uma enorme bracelete de plástico para o nosso quarto. 
1:06 Livro que reunia as obras de mais 70 anos de pintura de Henrique Medina (1901-1988), um dos maiores pintores retratistas portugueses. Medina faleceria apenas cinco dias após a exibição deste anúncio a 30 de Novembro de 1988.  
1:21 Dois homens bebem uma cerveja, mas um deles leva a mão à garganta. O outro pergunta o óbvio: "Dói-te a garganta?". Felizmente para essas dores, havia (ainda haverá?) Septoral. Outro anúncio com voz off de Júlio César.
1:30 Um Artur Albarran pré-fama anuncia uma nova equipa de redacção para uma nova reencarnação do jornal "O Século"
1:45 Ainda no âmbito do bicentenário do Ministério das Finanças, um anúncio ao Tesouro Familiar com muitas chaves. 
2:16 Versão muito abreviada do anúncio de Insignia.
2:24 A série de colectâneas de êxitos Hit Parade da editora Polygram veio substituir em 1987 a série Polystar e durou até meados dos anos 90 (eu tive o volume de 1995 em cassete). No anúncio desta edição de 1988, pode-se ouvir "Hand In Hand" dos Koreana, "A Long And Lasting Love" de Glenn Medeiros, "Angel Eyes" dos Wet Wet Wet, "Barcelona" de Freddie Mercury e Monsterrat Caballé, "I Don't Wanna Go On With You Like That" de Elton John e "Yeke Yeke" de Mory Konté. (Ver AQUI o alinhamento total da compilação)  
2:46 Hoje difícil é achar pastilhas com açúcar, mas em 1988, pastilhas sem açúcar ainda era coisas rara ou nunca vista. As pastilhas Trex foram das primeiras a trazer essa novidade que é a ausência de açúcar.
3:01 E mais um mítico anúncio da Ariston. Numa altura onde os frigoríficos de duas portas ainda não tinham proliferado, os frigoríficos Supermarket da Ariston tinham três portas. Quais supermercados, tinham a porta do congelador, a porta para os alimentos frescos e uma terceira porta para os vegetais. Tudo isto protagonizado por um miúdo traquinas de cabelo à tigela, que mais parece irmão da Ritinha da Margherita.
3:32 Anúncio ao primeiro livro da série "Lisboa Desaparecida" de Marina Tavares Dias, a mais famosa olisipógrafa, que reunia várias crónicas da sua autoria sobre a história da capital. Até agora, a série já teve nove livros, o último publicado em 2007.
3:47 Um bastante colorido e animado anúncio ao Seat Marbella. Para quem não sabe SEAT quer dizer "Sociedad Española de Automóviles de Turismo", fundada em 1950 para incentivar a venda de carros nos país vizinho após a guerra civil e actualmente pertence ao Grupo Volkswagen. A partir de 1986, começaram a surgir os modelos com nomes de cidades espanholas, sobretudo do sul do país e das Ilhas Baleares: além dos já referidos Ibiza e Marbella, lembro-me dos SEAT Almeria, Alhambra, Córdoba e Toledo, por exemplo. 
4:19 O serrote eléctrico Bosch, que serra tudo onde põe os dentes!
4:28 Uma colecção em fascículos das Histórias Ilustradas da Bíblia, onde não faltam as histórias de como Moisés dividiu o Mar Vermelho, como o Sansão foi tramado pela Dalila ou como David derrotou Golias, que tinha como oferta um disco com músicas de Natal. 
4:43 Agora é que as saudades bateram forte cá dentro! À magnífica trilogia dos Cereais da Nestlé (Chocapic, Crépitas, Estrelitas) que surgiu no mercado no ano anterior, juntavam-se em 1988 os Sportis, uns cereais de arroz, aveia e cacau em forma de argola cuja mascote era uma bola de futebol. Por isso mesmo, o anúncio a estes cereais era um jogo de futebol onde uma equipa reverte o marcador de 4-0 na 1.ª parte para 5-4 ao apito final, depois de um pratada de Sportis degustada ao intervalo. Lembro-me de comer estes cereais e gostar muito, mas infelizmente ao contrário do Chocapic e das Estrelitas que ainda hoje perduram e à semelhança das suas parentas Crépitas, os Sportis já há muito que deixaram de ser produzidos. Se houver alguma petição para o regresso dos Sportis, eu assino logo!  
5:14 Uma versão instrumental do standard de jazz "The Look Of Love" ilustrava este anúncio onde se alertava para o pagamento das taxas da RTP nas estações dos Correios. Esta taxa viria a ser abolida em 1991, mas neste século reencarnou na taxa de audiovisual incluída nas facturas da electricidade.

Extras:

Outro anúncio da Margherita, sem a Ritinha mas com um rinoceronte animado




Anúncio Insignia:




Anúncio Chocolate Belleville




Trailer da série "Out On A Limb" adaptada do livro "Espelho Secreto" de Shirley MacLaine




terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Programação RTP 31 de Janeiro de 1979



No dia que eu vim ao Mundo, 31 de Janeiro de 1979, não se comemora nada (1) tão épico como a Revolução dos Cravos como no caso do meu colega Paulo Neto, que há uns anos dedicou um cromo à programação televisiva do dia em que nasceu ["Programação RTP 25 Abril 1980"], mas vale a pena dar uma olhadela aos primeiros programas a que poderia ter assistido, recém-nascido, se houvesse televisores na maternidade do antigo Hospital de Faro.

Vamos então consultar o "Diário de Lisboa" de 31 de Janeiro de 1979, uma quarta-feira.



Como a programação do próprio dia só estava indicada a partir do final da tarde, tive que me socorrer do resumo da programação do jornal do dia anterior.
Portanto, na RTP-1 - o "I Programa" a emissão começou ás 09:15, sensivelmente a hora do meu nascimento. O programa, um palavrão chamado "Ano Propedêutico", que foi a primeira experiência nacional com ensino superior à distância, o antepassado da "Universidade Aberta".

Ás 13:25 continua a escola à distância, com o "Ciclo Preparatório TV". No grupo de Facebook "Ciclo Preparatório TV" é referido que um dos temas de abertura da disciplina de Matemática era o tema "The Robots", dos Kraftwerk. Um programa "Perdidos e Achados" recorda os tempos da Tele Escola. Sempre me fez espécie existir aulas na TV, que para mim eram (seria mais tarde, claro) desenhos animados e os meus adorados "mécamos".

Ás 18:30, o serviço noticioso em versão rapidinha: "Sumário" que se sumariava da seguinte forma: "Títulos da actualidade nacional e internacional".

18:35 era hora de ouvir o hino da Eurovisão a anteceder a transmissão em directo de Zagreb do "Campeonato de Patinagem Artística". (foto acima) Os vencedores da edição de 1979 foram: Individual masculino: Jan Hoffmann (RDA, a Alemanha de Leste); Individual feminino: Anett Pötzsch (RDA); Duplas: Marina Cherkasova / Sergei Shakhrai (União Soviética); Dança no gelo: Natalia Linichuk / Gennadi Karponosov (União Soviética).

Depois das piruetas e acrobacias, ás 20:00 a realidade portuguesa e estrangeira no "Jornal RTP-1" o novo nome do "Telejornal". e claro, o "Boletim Meteorológico". Aqui em casa, e imagino que no resto do país, quando dava O Tempo era momento sagrado de aguardar as previsões para os próximos dias. Hoje em dia, até o Facebook nos avisa quando vai chover na nossa zona.

Chegados ás 20:30, o episódio 78 da telenovela brasileira "O Astro", de que ainda ouvi falar vários anos depois de ser exibida.




Ás 21:20, "Literatura Sem Gravata", "um programa cultural com autoria de Álvaro Manuel Machado, (...) que procurava divulgar sobretudo a literatura portuguesa. Constava de duas partes. Na primeira intitulada dia - a - dia do escritor, falava-se de um autor em particular: da sua obra, dos seus métodos de trabalho, da sua vida... A segunda parte constituía uma miscelânea de temas ligados à literatura, como crítica de livros, vendas, conselhos de leitura, etc.", segundo o site da RTP. Literatura, em horário nobre! Só nos anos cromos!

Finalmente, ás 22:15, a série norte-americana "O Planeta dos Macacos" de 1974 - inspirada no filme homónimo ("O Homem Que Veio Do Futuro" em Portugal) de 1968 e as suas sequelas - com o episódio  Nº 3 da única temporada de 14 episódios: "A Ratoeira" ("The Trap"). O tema do genérico - de Lalo Schifrin ("Missão Impossível") é bastante perturbador:



É possível ver o episódio na integra no Dailymotion "Planet Of The Apes [1974] Ep 03". Na época, os portugueses viram tudo a preto-e-branco obviamente (ainda faltavam alguns meses para a primeira emissão a cores, os "Jogos Sem Fronteiras"; e mais de um ano para o começo das emissões regulares em cor).

Ás 23:10 chegava o último serviço informativo do dia, o "24 Horas".
Dez minutos depois, era o "Fecho" da emissão, hora de desligar o televisor.


Voltando as nossas atenções para a RTP-2, aliás, "II Programa", a emissão iniciava apenas ás 18:45 com - adivinharam - o "Ano Propedêutico" (a programação acima tem a hora errada). Depois das aulas, ás 20:32, continuação do directo de Zagreb via Eurovisão: "Campeonato de Patinagem Artística". O programa seguinte, "Directíssimo" estava divido em duas partes, a primeira ás 21:00 e a segunda às 22:30, separados pelo "Informação-2", o noticiário nocturno do "II Programa". Uma nota chama a atenção do espectador para a possibilidade da transmissão do "Directíssimo" poder ser atrasada 30 minutos por algum eventual prolongamento dos Campeonatos de Patinagem Artística. No 2º canal a hora do "Fecho" ainda era mais cedo: 23:30.

Desconheço o conteúdo do "Directíssimo", mas - excluindo o "Planeta dos Macacos" - parece-me que se viajasse no tempo a esse dia eu iria passar um dia aborrecido em frente à televisão.

(1) Para ser justo, a 31 de Janeiro assinala-se a efeméride da primeira revolta republicana contra a Monarquia, a 31 de Janeiro de 1891.


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quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

A Senhora Pimentinha (1983-84)

por Paulo Neto

Eis mais uma das séries de animação que todos aqueles que cresceram nos anos 80 recordam com saudades. No entanto, e ao contrário de várias outras séries, inexplicavelmente esta nunca foi reposta pela RTP nem teve edição em VHS e/ou DVD pelo menos cá em Portugal.



"A Senhora Pimentinha" ("Spoon Obasan" no original) foi uma série japonesa de animação produzida pelos estúdios Pierrot entre 1983 e 1984, tendo sido exibida na RTP entre 1986 e 1987, no célebre espaço infanto-juvenil "Juventude e Família". A série continha 130 episódios de cerca de sete minutos que por cá foram exibidos em blocos de três episódios. 

A série era baseadas nas histórias escritas nos anos 50 pelo autor norueguês Alf Proysen, com o título original "Teskjekjerringa" ("a senhora da colher de chá"), mas mais conhecidas internacionalmente pelo título inglês "Mrs. Pepperpot". A Senhora Pimentinha é uma simpática senhora já entradota que vive numa aldeia algures na Escandinávia rural que traz sempre ao pescoço uma colher de chá como pendente, com uma paciência infinita para os azeites do marido, o temperamental Senhor Pimenta, que é pintor de paredes.


Por motivos insondáveis, a Senhora Pimentinha de vez em quando diminui de tamanho, ficando do tamanho da colher durante um determinado período de tempo. Se por vezes essa situação é bastante inconveniente para Pimentinha, sobretudo quando está a fazer algo como lavar a roupa ou pintar uma cerca, tarefas fáceis no seu tamanho normal mas quase impossíveis quando está pequenina. No entanto, Pimentinha acaba por descobrir vantagens em ficar pequena, como a possibilidade de falar com os animais e viver aventuras no reino animal além de resolver situações problemáticas com a coragem e o bom humor que a caracterizam.


Enquanto está pequena, a Senhora Pimentinha consegue falar não só com os seus animais de estimação como o Pantufa, um cão muito preguiçoso, Hipólito, um gato matreiro e Cristina, uma galinha sempre insatisfeita, mas também com os Haiken, uma família de ratos que mora debaixo do soalho da sua casa, ou ainda outros animais que se tornam seus amigos como a Senhora Corvelo, uma fêmea de corvo que a transporta para a floresta quando está pequena, Zum-Zum, um moscardo que lhe fornece várias informações, Ranina, uma rã que a ajuda quando a situação mete água (literalmente) e o morcego Nicolau, que a ajuda nas aventuras nocturnas.





Ao princípio, ninguém sabe desta particularidade da Senhora Pimentinha, nem sequer o próprio marido. A primeira é descobrir é Lili, uma misteriosa menina que vive no bosque e que traz sempre o seu vison Tico à volta do pescoço como se fosse uma estola, que a partir daí torna-se a grande amiga de Pimentinha. Esta também acaba sempre por se envolver nas diabruras de três meninos da vizinhança: Zezé, o aventureiro, Neca, o engenhocas e Chico, o típico cabeça no ar. 

Como é habitual, a série teve uma excelente dobragem portuguesa, dirigida por António Montez e que incluiu nomes como Luísa Salgueiro (que fez a voz da protagonista), António Feio, Argentina Rocha, Leonor Poeira (não confundir com a Leonor que tem o apelido no plural) e Margarida Rosa Rodrigues.





Como também não podia deixar de ser, "A Senhora Pimentinha" também teve honras de edição de uma caderneta de cromos e de bonecos em PVC fabricados pela Maia & Borges. Também foram editados livros de histórias e de colorir. Eu lembro-me de me oferecerem dois livros de colorir de "A Senhora Pimentinha" num aniversário.

No canal de YouTube de Mónica Albuquerque, uma seguidora da "Enciclopédia de Cromos", existe uma playlist com 25 episódios da série:


Starman (1986-87)



Não são de agora as séries que re-imaginam ou desenvolvem filmes que foram êxito no cinema ("Buffy - A Caçadora de Vampiros", "Rambo - The Force Of Freedom", "The Real GhostBusters", "RoboCop", etc). "Starman" (1986-87) é outro exemplo, uma série de TV que continuava a história do filme homónimo de 1984, realizado por John Carpenter (”Veio do Outro Mundo”, etc) e protagonizado por Jeff Bridges (”Tron”). 

Poster de "Starman" (1984)
No pequeno ecrã o extraterrestre pacífico que vive entre os humanos foi interpretado por Robert Hays (o piloto Ted Striker de “Aeroplano”). 



 O genérico inicial:





O plot de cada episódio funcionava como o do "Cão Vagabundo" ou "Um Anjo na Terra": a dupla protagonista andava de terra em terra a ajudar os necessitados.



A diferença é que a dupla era um extraterrestre num corpo clonado de um fotógrafo falecido - Paul Forrester (Hays) - e o seu filho de 15 anos, (Scott Hayden Júnior, o actor Christopher Daniel Barnes, que podem conhecer como a voz do Homem-Aranha da animação de 1994) concebido no filme original, um híbrido humano e extraterrestre que ainda não controla bem os seus poderes alienígenas.



Além disso, pai e filho tentam descobrir o paradeiro de Jenny (Ering Gray, de "Buck Rogers no Século XXV") - a mãe do Júnior - enquanto fogem de um fundamentalista agente do governo americano obcecado em capturar os extraterrestres, apesar de todas as boas acções que praticam.


A recepção de público e crítica não foi entusiasmante, e ao fim de uma temporada de 22 episódios foi cancelada.


Texto original publicado no Tumblr da Enciclopédia de Cromos: "StarMan (1986-87).



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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

O Clone (2001-02)


por Paulo Neto

No início do século XXI, mesmo com a fábrica de telenovelas nacionais da TVI em plena marcha, algumas telenovelas brasileiras da Rede Globo exibidas na SIC ainda obtiveram bastante sucesso, como foi o caso de "O Clone", estreada no Brasil a 1 de Outubro de 2001 e em Portugal já em 2002. Por coincidência, a telenovela estreou no Brasil durante um período onde dois dos principais temas - a cultura muçulmana e a clonagem - estavam na ordem do dia já que a novela estreou poucas semanas após os ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001 em Nova Iorque e Washington, e em Novembro do mesmo ano, o médico italiano Severino Antinori anunciou que estava a trabalhar na primeira clonagem de um ser humano.



A telenovela era da autoria de Glória Perez e direcção de Jayme Monjardim. Além de características habituais como a abordagem a temas fracturantes e/ou preocupantes da sociedade actual e a divulgação dos costumes de um povo ou comunidade, com "O Clone", Glória Perez iniciou mais uma característica típica que continuaria nas suas telenovelas seguintes: a de uma realidade internacional alternativa onde em qualquer país todos falam português do Brasil fluentemente. Neste caso, em Marrocos, todos eram versados no idioma de Vinícius de Moraes.

Lucas e Jade


A trama de "O Clone" inicia-se em 1983 e estende-se até à então actualidade e passava-se entre o Rio de Janeiro e a cidade marroquina de Fez. Os protagonistas eram Giovanna Antonelli e Murilo Benício, que se desdobrou entre três papéis: os gémeos Diogo e Lucas, e Léo, o clone do título.
Jade (Antonelli) é uma bela muçulmana nascida e criada no Brasil que se muda para Fez após a morte da sua mãe, ficando à guarda do seu tio Ali (Stênio Garcia). Jade tem dificuldades em se adaptar às regras rigorosas do tio, que defende os costumes e tradições muçulmanas contra a influência ocidental, mas acaba por ficar muito amiga da sua prima Latiffa (Letícia Sabatella) e da governanta Zoraide (Jandira Martini).

Os irmãos gémeos Diogo e Lucas (Benício), filhos do abastado empresário Leônidas (Reginaldo Faria), chegam à cidade marroquina, onde ficam fascinados com o misticismo do local e as paixões que ele desperta. Diogo, o gémeo dominante que está prestes a suceder ao pai nos negócios, envolve-se com madura e sensual Ivete (Vera Fischer) enquanto Lucas se apaixona por Jade. O amor de ambos não é aceite pela família da jovem, que está noiva de Said (Dalton Vigh), e depois de muitas tentativas de fuga falhadas, os dois acreditam que não estão destinados a ficar juntos e desistem de lutar.

Leônidas e Ivete

Entretanto Diogo morre num acidente de avião após uma discussão com o pai ao descobrir que este namora com Ivete. Motivado pela tristeza de Leônidas pela sua perda, o cientista Augusto Albieri (Juca de Oliveira) decide criar um clone com o ADN de Lucas. A experiência é bem sucedida, através de uma inseminação artificial em Deusa (Adriana Lessa), uma mulher que pretende engravidar e que dá à luz um rapaz chamado Leandro, mais conhecido como Léo, que cresce sem saber que é o primeiro clone humano.

Léo e Albieri
Deusa



Os anos passam e Jade e Lucas viveram infelizes longe um do outro. Jade teve uma filha de Said, Khadija (Carla Diaz) e sofre com a dureza de Said, que mesmo apaixonado pela esposa, nunca se conformou por ela amar outro e trata-a com severidade, e nem quando Said arranja uma segunda esposa, Ranya (Nívea Stelmann), ou com a mudança da família para o Brasil a situação se altera.
Já Latiffa casou com Mohamed (António Calloni), irmão de Said e teve dois filhos, Samira (Stephany Brito) e Adim (Thiago de Oliveira) e é feliz no seu papel de esposa e mãe muçulmana. Só fica fora do sério quando o marido ou a cunhada solteirona Nazira (Eliane Giardini) falam na ideia de uma segunda esposa.
Jade, Khadija e Said
Samira, Mohamed, Latiffa e Amin


Lucas assumiu contrariado o lugar do irmão casando mesmo com a namorada deste, Maysa (Daniela Escobar) de quem teve uma filha Mel (Débora Fallabella). Reflexo do casamento infeliz dos pais, Mel é uma jovem problemática que acaba por cair na droga, que a arrastará para uma espiral dolorosa, mesmo depois de se apaixonar por Xande (Marcelo Novaes), que tinha sido contratado como seu guarda-costas. O problema da toxicodependência foi vivido por outras personagens: Nando (Thiago Fragoso), um jovem com uma carreira promissora de advogado a quem a droga deita quase tudo a perder, Regininha (Viviane Victorette), amiga de Mel que acaba por falecer, e Lobato (Osmar Prado) que luta há vários anos contra a dependência ao álcool e cocaína.

Maysa


Xande e Mel

Ao fim de muitos anos, Jade e Lucas reencontram-se e o amor que ambos julgavam extinto reacende-se, ainda que as dificuldades sejam maiores que nunca. Além disso, além de Said, existem mais outros dois apaixonados por Jade: o garboso Zein (Luciano Szafir) e o clone Léo, ou não tivesse ele o  ADN de Lucas.

Zein

Karla

Odete

Alicinha



Entre outras personagens contam-se Edna (Nívea Maria), a amargurada esposa de Albieri; Alicinha (Cristiana de Oliveira) uma mulher pérfida e dissimulada; Miro (Raúl Gazolla), namorado de Alicinha e objecto de desejo de Nazira; Karla (Juliana Paes), jovem sensual e oportunista que planeia um golpe de maternidade em Tavinho (Victor Fasano); Abdul (Sebastião de Vasconcellos), um muçulmano ultraconservador que abomina as mulheres "espetaculosas"; Odete (Mara Manzan), uma excêntrica comedora de fogo com o seu bordão "cada mergulho é um flash" e Dona Jura (Solange Couto), mãe de criação de Xande e dona do bar no bairro de São Cristóvão, também ela com um bordão popular: "Não é brinquedo, não!".


Dona Jura

Nazira


"O Clone" contou ainda com a participação da actriz portuguesa Maria João Bastos no papel de Amália, uma jovem e elegante jornalista que a certa altura disputa Leônidas com Yvete, mas que acaba com Cecéu (Sérgio Marone). Além disso muitas personalidades da cultura e do desporto apareceram na telenovela, sobretudo no Bar da Jura, como o rei Pelé, Roger (que na altura jogava no Benfica), Ronaldinho Gaúcho, Dunga, Jairzinho, o basquetebolista Óscar Schmidt, os cantores Alcione e Martinho da Vila e a apresentadora Ana Maria Braga. E até mesmo estrelas internacionais da música como o italiano Alessandro Safina e o americano Michael Bolton, que tinham músicas suas na banda sonora da telenovela.

Amália e Leônidas
Pelé e Roger


Com os acontecimentos do 11 de Setembro, temeu-se que a telenovela não fosse bem aceite pelo público, já que um dos núcleos principais era com personagens muçulmanas. No entanto, tal não veio acontecer e pelo contrário, não só "O Clone" foi um sucesso como aumentou interesse sobre a cultura muçulmana em vários países onde foi exibida. Por exemplo, no Brasil, popularizaram-se algumas expressões árabes como Inshalah e Maktub, bem como instrumentos típicos árabes. Em Portugal, a telenovela suscitou uma grande procura por aulas de dança do ventre e viu-se nas feiras e nas lojas de roupas alguns adereços de inspiração árabe como túnicas e faixas com berloques de atar à cintura.



Outro grande factor do sucesso da telenovela foi par protagonista e tal foi a química entre Murilo Benício e Giovanna Antonelli que se tornou mais um caso de uma química que extravasou para fora das câmaras, para uma relação que durou quatro anos e que gerou um filho em comum. (Curiosamente, a anos mais tarde Benício namorou com Débora Fallabella, que fazia de sua filha em "O Clone" e cujo romance começou em "Avenida Brasil".)   

Capa da banda sonora internacional
Capa do álbum com músicas de dança do ventre

"O Clone" também notabilizou-se por produzir oito (!) álbuns de bandas sonoras: além dos dois habituais volumes com os temas nacionais e internacionais da telenovela, também foi editado um álbum com músicas de dança do ventre, dois álbuns com temas instrumentais da autoria de Marcus Vianna, um álbum com a música tocada no bar da Dona Jura, outro com a música lounge da discoteca Nefertiti e um com temas utilizados na versão transmitida em Espanha e na América Latina.    

Genérico do abertura:











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