sexta-feira, 4 de março de 2016

Novidades da Programação da RTP1 para 1992/93

Por Paulo Neto

A nova grelha de programação para a rentrée 1992/93 era um grande desafio para a programação da RTP, pois foi o período em que surgiria a concorrência das estações privadas, a SIC já em Outubro de 1992 e a TVI cinco meses depois. Por isso, o anúncio das novidades na sua programação para a rentrée de 1992 foi aguardado com expectativa, com uma nova grelha a começar no dia 14 de Setembro desse ano. Uma das principais mudanças foi a nova designação da RTP 2, que passava a ser designada por TV2 (recordo-me até de um anúncio de uma mulher grávida que à medida que a câmara de aproximava da barriga, surgia na mesma as formas de uma televisão com o slogan "Dia 14, nasce uma nova TV"). E claro está, a RTP1 - então designada como Canal 1 - apostava fortemente em vários conteúdos em todos os géneros.  

Entretanto, descobri o blogue Citizen Grave, da autoria de Francisco Grave, que fez parte da direcção de programas da SIC no arranque das suas emissões, onde foi o responsável pelo sector do cinema e dos programas estrangeiros. Francisco Grave faleceu em 2013 mas o seu blogue continua online e inclui vários textos sobre o seu trabalho na SIC e como foi o início da estação em 1992, quebrando por fim o monopólio da RTP. Alguns desses textos contêm recortes da imprensa sobre esse período que agora já se podem considerar documentos históricos.

Por entre esses recortes, descobri nesse blogue o de um anúncio de dupla página da RTP onde apresentava todas as novidades para a rentrée de 1992/93 para RTP 1, uma nova grelha com a qual pretendia enfrentar a iminente concorrência da SIC e da TVI.   




Informação:
- O Telejornal tinha uma nova roupagem, com José Rodrigues dos Santos e Manuela Moura Guedes a conduzirem alternadamente as emissões daquele que na altura ainda era o principal bloco noticiário televisivo em Portugal. E sim, foi nesta altura que MMG popularizou o seu famoso bordão "Boa noite, eu sou a Manuela Moura Guedes."


José Rodrigues dos Santos e Manuela Moura Guedes alternavam-se na apresentação do Telejornal.

- Por seu turno, o marido de MMG e então director de programação da RTP José Eduardo Moniz teve direito ao seu próprio programa, "De Caras", um espaço de debate em directo onde a cada semana uma personalidade pública tinha de enfrentar uma assistência de cem convidados, que podiam intervir e fazer as perguntas que quisessem ao entrevistado.  
- Artur Albarran, que em 1991 tornara-se conhecido do grande público como o enviado especial da RTP para a cobertura da Guerra do Golfo, conduzia o programa "Repórteres", dedicado ao jornalismo de investigação com três reportagens por programa. Se não me falha a memória, "De Caras" e "Repórteres" alternavam em cada semana nas noites de terça-feira.  
- O "Domingo Desportivo", o espaço de informação desportiva das noites de domingo, passava-se a chamar "Grande Área", com Mário Zambujal a comandar as hostes. Neste espaço era eleito por votação pública o melhor golo de cada jornada do Campeonato Nacional.

Mário Zambujal apresentava o espaço desportivo "Grande Área"


- Mas um dos novos programas que mais frisson causou foi "Sexualidades", o primeiro programa de sempre da televisão portuguesa sobre educação sexual, apresentado pelo psiquiatra Júlio Machado Vaz. Segundo o artigo, ia para o ar às quintas-feiras às 22:30.  




Júlio Machado Vaz apresentava "Sexualidades"

O cinema continuava a ser uma forte aposta da RTP com vários espaços dedicados à sétima arte como a "Lotação Esgotada", a "Sessão Da Noite" e a "Última Sessão". Para 1992, apresentavam-se as estreias em televisão de grandes filmes como "E.T.", "Pretty Woman", "Passagem Para A Índia", "Gémeos""Dick Tracy", "Apocalypse Now" e "Um Peixe Chamado Wanda".


"Dick Tracy", "Apocalypse Now" e "Um Peixe Chamado Wanda" eram alguns dos filmes 
a serem exibidos na RTP1 em 1992

Quanto a programas recreativos: 
- "Isto Só Video": muito antes dos vídeos de fails no YouTube, foi o espaço em que Portugal podia rir com as desventuras captadas em câmara em Portugal e no estrangeiro. Já existe cromo sobre este programa que ia para o ar às terças-feiras, apresentado por Virgílio Castelo.

"Isto Só Vídeo" com Virgílio Castelo

- "A Feira Da Música": ainda antes do fenómeno pimba que explodiria em meados da década, já havia um espaço dedicado aos cantores da música popular, alguns deles que nunca tinham aparecido antes na televisão, embora vários deles vendessem muitos discos por esse Portugal fora. Foi por exemplo neste programa que ouvi falar pela primeira vez da cantora Chiquita. "A Feira Da Música" dava aos sábados à tarde e era apresentada por Júlio César.
- "Apanhados": depois de conduzir alguns programas (como aquele que tinha o seu nome) com segmentos de apanhados onde um grupo de actores envolvia incautos portugueses em situações caricatas, Joaquim Letria dava a cara por este programa de apanhados, exibido nas noites de segunda-feira, em que apresentava algumas dessas situações, muitas delas protagonizadas por um ainda não muito conhecido Guilherme Leite.

"Apanhados" com Joaquim Letria

- "Entre Famílias": também à segunda-feira, um concurso apresentado por Fialho Gouveia, onde equipas compostas por cinco membros de uma família disputavam vários prémios, através de jogos onde tentavam adivinhar quais as respostas mais dadas a certas perguntas feitas por questionário a cem portugueses. Recordo-me de uma família, de apelido Salvado, que dominou na primeira temporada, ganhando três vezes o prémio monetário final. "Entre Famílias" foi descontinuado ao fim de duas temporadas, mas teve um breve ressurgimento em 2006, sob o nome "Em Família" com apresentação de Fernando Mendes. O original americano "Family Feud" continua no ar nos States desde 1976 e é actualmente apresentado por Steve Harvey, que fez notícia há tempos pela sua gaffe na última edição da Miss Universo.

Fialho Gouveia apresentando "Entre Famílias"



- "Sons Do Sol": depois de "E.T, - Entretenimento Total", Júlio Isidro tinha novo programa para as tardes de domingo, onde se divulgava a música portuguesa passada e presente. Recordo-me que foi neste programa que teve lugar a fase pré-eliminatória do Festival da Canção de 1993, onde foram escolhidas oito canções para o evento final de entre um grupo de vinte.


Anabela interpretando "A Cidade (Até Ser Dia)" na fase pré-eliminatória 
do Festival da Canção de 1993 no programa "Sons Do Sol" (Vídeo)

Curiosamente o último programa de "Sons Do Sol" foi transmitido directamente do Aquaparque a 27 de Junho de 1993, precisamente um mês antes da tragédia que se abateu sobre aquele local com a morte de duas crianças sugadas pelas tubagens.




- "Olha Que Dois!!": Sim, foi neste programa que se criou a ideia de que Teresa Guilherme e Manuel Luís Goucha eram um casal. Nas tardes de domingo, os dois conduziam este magazine com um convidado especial em cada semana, uma plateia interventiva e pequenas rábulas. Foi também neste programa que apareceu a Agente Isabel Silva, protagonista de um dos mais famosos "Tesourinhos Deprimentes" dos Gato Fedorento com o seu "Toma, bandido!". E foi ainda aqui que Manuel Luís Goucha previu que Pedro Passos Coelho seria primeiro-ministro.

O "casal" Teresa e Goucha apresentava "Olha Que Dois!!"

- "Clube Disney": o espaço infantil com toda a magia do universo Disney, na altura conduzido por Vítor Emanuel, Anabela Brígida e Pedro Gabriel passava das manhãs de domingo para as tarde de sábado.

- "Parabéns": Mas a grande aposta do entretenimento da RTP era para as noites de sábado, com Herman José a apresentar este concurso onde a cada semana dois concorrentes que faziam anos nessa altura habilitavam-se a ganhar bastantes prémios de presente, além de uma grande entrevista a um convidado semanal, vários momentos de música e de humor como as rábulas "Dora & Dário", "Entrevista Histórica" e "Boião Da Cultura". O programa durou até 1996 e foi um dos últimos bastiões da RTP a nível de audiências.


Ana Bola e Vítor de Sousa como "Dora e Dário"


A ficção também era uma forte aposta, das tradicionais telenovelas a séries marcantes:
- "Cinzas" marcava o regresso da RTP às telenovelas portuguesas, três anos depois de "Passerelle". Escrita por Francisco Nicholson, a trama passava-se entre Lisboa e o Ribatejo e narrava a saga da abastada família Veiga, a braços com uma misteriosa onda de incêndios nas suas propriedades que desenterram segredos do passado. Entre o elenco estava nomes como Nicolau Breyner, Armando Cortez, André Gago, Fernando Mendes, Helena Isabel, Helena Laureano, Julie Sargent, Maria João Luís, Ricardo Carriço, Rosa do Canto, Rui Mendes e Sofia Sá da Bandeira. Aliás "Cinzas" acabaria por ser a primeira de uma série quase ininterrupta de telenovelas exibidas pela RTP ao longo do resto da década.

André Gago e Ricardo Carriço num momento tenso da telenovela "Cinzas"


- "Marina, Marina": já falámos aqui desta adaptação nacional da mítica sitcom "I Love Lucy", onde Marina Mota brilhou como a esposa de um famoso cançonetista (Carlos Cunha) que pretende por todos os meios alcançar também um pouco dessa fama, arrastando o marido e os vizinhos (Raquel Maria e Henrique Viana) para todo o tipo de sarilhos.

Marina Mota protagonizou "Marina, Marina"


- "Mico Preto" era a nova telenovela para a hora do almoço, protagonizada por Luiz Gustavo no papel de Firmino, um simples e humilde funcionário que sempre teve pouca sorte na vida  mas que de repente se vê a gerir a fortuna de uma milionária desaparecida, lutando contra os planos dos três filhos interesseiros da milionária. Do elenco também fizeram parte José Wilker, Glória Pires, Tato Gabus Mendes, Marcos Frota, Louise Cardoso, Elias Gleizer, Miguel Falabella e Marcelo Picchi. Estes dois últimos formavam um divertido casal homossexual. Esta também foi a primeira telenovela de Deborah Secco, então com apenas dez anos.

Glória Pires fez parte do elenco de "Mico Preto"

- Mas a grande aposta era sem dúvida "Pedra Sobre Pedra", uma co-produção da Globo e da RTP. Já falámos aqui sobre esta inesquecível telenovela, da autoria de Aguinaldo Silva, sobre o amor proibido de dois jovens oriundos das duas famílias rivais da cidade de Resplendor, por entre intrigas que envolvem fantasmas, ciganos, diamantes, acontecimentos sobrenaturais. Além do luxuoso elenco brasileiro, também por lá estiveram os actores portugueses Carlos Daniel e Suzana Borges.

As inesquecíveis personagens de "Pedra Sobre Pedra"

- E como bom filho à casa torna, o regresso de "Os Simpsons" aos ecrãs nacionais era aguardado por miúdos e graúdos. Depois de terem chegado a Portugal no ano anterior e ter logo conquistado tudo e todos, eu e muitos outros queriam ver mais aventuras e desventuras de Homer, Marge, Bart, Lisa e Maggie. Curiosamente, nos primórdios da SIC, foi também exibido o "Tracy Ullman Show", o programa onde os Simpsons tinham surgido pela primeira vez na televisão americana, em pequenos segmentos animados, (Dan Castellaneta e Julie Kavner, as vozes de Homer e Marge, também faziam parte do elenco fixo de "Tracy Ullman Show), pelo que na altura foi possível ver a família amarela tanto na RTP como na SIC.

Os Simpsons regressavam aos ecrãs nacionais

Ao recordar todos estes programas, não há como mais uma vez sentir a nostalgia de que a programação televisiva de então, mesmo que ainda temporariamente restringida à RTP, era bem mais variada e de maior qualidade. Mas isso são outros tempos... 

quinta-feira, 3 de março de 2016

O Fantasma - Figuras PVC Yolanda (1993)

"O Fantasma" ("The Pantom") ao longo da sua carreira foi gerando variado merchandising, como esta colecção de 2 figuras em PVC fabricados em 1993 pela marca Yolanda.
Clique sobre as fotos para as ver em tamanho maior:






Sobre o aspecto diferente do uniforme destas figuras suspeito que seja inspirado na versão "sem cuecas por cima das calças" vista nos desenhos animados "Defensores da Terra", com o Fantasma na sua 27ª encarnação.

Recorde o artigo que escrevi por altura do 80º Aniversário deste clássico super-herói: "O Fantasma" | Enciclopédia de Cromos.


Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos"Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr".

terça-feira, 1 de março de 2016

Diana Pereira - Super Model Of The World 1997

por Paulo Neto

Dizer que a indústria da moda em Portugal sofreu um enorme boom nos anos 90 é dizer pouco. Nesta década, a moda nacional e internacional deixou de ser um nicho que só interessava a uma certa elite para ser algo de interesse do grande público. A par dos estilistas consagrados surgiram novos nomes e os passos das modelos portuguesas mais conhecidas, como Sofia Aparício, Nayma, Fernanda Serrano e Luísa Beirão, eram tão acompanhados pela imprensa nacional quanto a imprensa mundial seguia aqueles das top models internacionais. Na televisão, destacavam-se programas dedicados à moda como "86-60-86", "Moda Roma" e a cobertura da SIC das semanas da moda em Paris. A ModaLisboa afirmou-se como o grande evento da moda nacional e o Portugal Fashion no Porto trouxe ao nosso país top models famosíssimas como Claudia Schiffer, Elle McPherson, Karen Mulder, Helena Christiansen e Linda Evangelista.
E se bem que a eleição da Miss Portugal ainda fosse então um acontecimento, nos anos 90 também os concursos de manequins reuniam a mesma atenção. Um deles era o Supermodel Of The World, o evento em que se elegia a representante portuguesa no concurso internacional do mesmo nome, promovido pela reputada agência de modelos Ford.

A edição do ano 1997, transmitida pela SIC, foi um grande acontecimento. O certame teve lugar no Museu da Electricidade, com apresentação de Catarina Furtado e actuações das maiores bandas nacionais da altura como GNR, Delfins, Ritual Tejo e Pólo Norte. A produção esteve a cargo de Teresa Guilherme
Numa passadeira em forma de S, doze candidatas desfilaram várias vezes em vários trajes, cada uma esperando ser aquela eleita para viajar até Los Angeles para representar Portugal na final internacional do "Super Model Of The World". Pelo menos quatro delas tornaram-se sobejamente conhecidas posteriormente, e não só apenas no domínio da moda: a candidata n.º 1 era Anabela Moreira, hoje uma das melhores actrizes da nossa praça, presença regular na televisão e no cinema (vimo-la por exemplo na nova versão de "O Pátio Das Cantigas" no papel de Susana), a n.º 4 era a luso-sueca Anna Westerlund, casada há já vários anos com o actor Pedro Lima e a n.º 7 era Liliana Aguiar (na altura concorrendo simplesmente como Liliana), que viria a ser concorrente na terceira edição do Big Brother e presença regular na imprensa cor-de-rosa desde então. Mas a candidata n.º 2 era um diamante em bruto que faria Portugal resplandecer de orgulho, pois não era outra senão Diana Pereira, então uma adolescente de 14 anos, que frequentava as aulas do 9.º ano e as actividades dos escuteiros em Coimbra, antes de ver o seu sonho de se tornar manequim cumprir-se da forma mais espectacular. Isto porque algum tempo depois, Diana Pereira viria a vencer a final internacional do Supermodel Of The World, provando que no nosso país havia beldades capazes de ombrear com as manequins de outros países nas passerelles internacionais.



Por causa disso, é fácil pensar que a vitória de Diana Pereira na final nacional de Super Model Of The World foi por demais evidente. Porém, segundo Teresa Guilherme, o triunfo da muito jovem conimbricense foi bastante inesperado para muitos. No seu livro "Isso Agora Não Interessa Nada", Teresa Guilherme escreve que a equipa de produção do programa era da opinião geral que seria outra candidata, "uma lindinha de 18 anos, com um bonito palminho de cara, despachadinha" (quem seria?) seria a representante ideal de Portugal para a final mundial do concurso. Porém a decisão estava a cargo de um painel de especialistas de vários países, liderado por um italiano habituado a correr o mundo em busca dos futuros talentos que irão brilhar nas passerelles internacionais. 
Por isso, quando foi necessário divulgar de antemão o resultado à equipa de produção, a surpresa foi geral para TG e a sua equipa. Conta Teresa Guilherme:
"Para que tudo fosse perfeito, combinei com o tal especialista italiano que, cinco minutinhos antes de a apresentadora revelar quem era a vencedora, eu ficaria a saber a notícia em primeira mão. Era a única forma de assegurar que todas as câmaras estariam prontas para mostrar ao mundo a carinha de surpresa e as primeiras lágrimas da vencedora.
Quando ele me comunicou o número da eleita, tive de ir verificar quem era a felizarda, porque não me lembrava sequer da sua cara. O mesmo aconteceu com os meus colegas depois de eu ter dito através do intercomunicador; «Quem ganha é a número 2.» A confusão foi mais que muita: «Ganhou quem? Qual é a número 2? Têm a certeza? Importas-te de repetir?» Foi um verdadeiro sururu. Tive mesmo de ir ao carro de exteriores confirmar a informação, ao vivo e a cores, de quem é que realmente tinha ganho, porque ninguém queria acreditar."



E de facto, o tal olheiro italiano tinha mesmo olho para a moda, uma vez que Diana venceria a final mundial de entre 50 candidatas de todo o mundo. Porém, apoiada pelos pais, Diana decidiu ficar em Portugal e recusar o prémio monetário do concurso que implicava a obrigação de viver dois anos em Nova Iorque. Ainda assim, não só desde logo Portugal elevou-a a nova princesa da moda nacional como foi requisitada para vários trabalhos além fronteiras. Nos anos que se seguiram, a carreira de Diana foi seguida bem de perto pela comunicação social nacional e até os seus pais e o irmão mais novo eram reconhecidos na rua. Devido à sua parca idade, também gerou-se algum discussão sobre se seria prejudicial uma jovem iniciar uma tão activa carreira de manequim desde tão cedo. Recordo-me que Herman José uma vez fez uma piada sobre isso, dizendo que Diana Pereira era a única manequim que podia "desfilar com lingerie de Ana Salazar e fraldas de José António Tenente."

O triunfo de Diana Pereira, aliado à qualidade da produção da final nacional, fez com que no ano seguinte, fosse Portugal o país organizador da final internacional do Super Model Of The World 1998 que teve lugar no Coliseu dos Recreios e cuja vitória sorriu à britânica Katie Burrell.



No próximo dia 1 de Abril, Diana Pereira fará 33 anos. Embora ainda faça algum trabalho ocasional como manequim, está hoje por hoje mais dedicada à família e aos seus negócios pessoais. Uma eventual paixão pelo automobilismo, tendo participado em provas de todo o terreno e ralis, juntou-a ao seu marido, o às do volante Tiago Monteiro, de quem tem dois filhos. Publicou três livros infantis, lançou uma linha de jóias e outra de roupa fitness e em 2015, estreou-se como apresentadora na RTP Internacional.


Quando eu fui para Coimbra estudar na universidade no final dos anos 90, confesso que tive uma certa esperança de encontrar Diana Pereira na sua cidade natal. Acabei por vê-la certa vez, ainda no meu primeiro ano de faculdade, na baixa de Coimbra, por entre um grupo de pessoas que conversava em círculo no meio da Rua Ferreira Borges, não sei se amigos, se gente envolvida em algum trabalho de moda. Não fosse o seu inconfundível rosto, e mal daria por ela. Vestida com um kispo largueirão e fato de treino, sem maquilhagem evidente e longe do glamour com que aparecia na televisão e nas revistas, Diana parecia uma adolescente de quinze anos como tantas outras. Mesmo assim, e embora não tivesse sequer abrandasse o passo ao passar por ela, foi um dos meus primeiros momentos starstruck da minha vida, pois se no meu exterior não houvesse senão um ligeiro sorriso, por dentro eu gritava "VI A DIANA PEREIRA!".        

Vídeo com todos os desfiles e actuações musicais do "Super Model Of The World 1997 Portugal" (muito obrigado ao canal de Marco Lopes)


  
        

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Super Pai (2000-2002)

por Paulo Neto

Nem só de telenovelas foi feita a avalanche de ficção nacional que a TVI levou a cabo no início deste século. Nesse rol estiveram também incluídas algumas séries como "Criança SOS" e sobretudo "Super Pai", uma sitcom que gozou de tanto sucesso como as telenovelas que a estação de Queluz ia exibindo na altura. A premissa da série era bastante simples: a história de um viúvo que se vê a criar sozinho três filhas.






Vasco Figueiredo (Luís Esparteiro) é dono de um bem-sucedido negócio de roupa interior feminina que após a morte da sua esposa devido a um cancro fulminante, tem de criar sozinho as suas três filhas: Camila (Madalena Brandão) de 18 anos, a rebelde primogénita, indecisa sobre o que fazer da vida, Carmo (Sofia Arruda) de 13 anos, que vive as típicas crises de início de adolescência e Clarinha (Filipa Maló Franco) de 8 anos, adorável e brincalhona. Como é habitual entre irmãos, as três manas por vezes andam às turras entre elas, mas estão sempre prontas a apoiar umas às outras e ao pai delas. Apesar da sua dedicação para cuidar das filhas e do apoio do seu amigo de infância Joca (João Didelet), dono de um ciber-café, e da sua cunhada Dulce (Luzia Paramés), uma professora de piano um pouco neurótica com a condição de quarentona solteira e que por vezes se intromete demais na educação das sobrinhas, Vasco não consegue gerir a casa e o trabalho ao mesmo tempo, pelo que contrata Isabel (Sandra Faleiro), uma jovem humilde e simpática natural da Serra da Estrela para ser a governanta da casa. Isabel não tarda a cativar Vasco e as filhas e vai-se tornando como que um novo membro da família. E como se não bastasse tanta mulher lá em casa, existe ainda Nina, a cadela da família, de quem Clarinha é inseparável.




Apesar de fiel enquanto casado, Vasco sempre teve uma veia namoradeira e após a sua viuvez, não faltam mulheres que se interessam por ele, como a atraente modelo Mafalda (Sofia Aparício) e a elegante e altiva Cristina Prata (Sónia Brazão), dona de uma cadeia de lojas, para não falar em Luísa (Sofia Marques), a eficiente secretária de Vasco que nutre uma paixão secreta pelo patrão. Mas os telespectadores cedo se aperceberam que mais cedo ou mais tarde seria Isabel a conquistar Vasco, o que aconteceu no final da série, com o casamento de ambos.




Entre outras personagens contam-se Rui (Rodrigo Saraiva), o estafeta estróina e preguiçoso da empresa de Vasco que este nunca despede apenas por ser filho de um grande amigo e porque aos poucos, acaba por vê-lo como o filho varão que nunca teve; Nelson (Joaquim Guerreiro), um electricista apaixonado por Isabel, que tal como esta também veio do Interior; João (Pedro Górgia) e Manuel (Pedro Granger), namorados de Camila respectivamente na primeira e na segunda temporada; Hugo (Márcio Ferreira), namorado de Carmo; Carolina (Soraia Robalo) sobrinha de Vasco que passa a viver com o tio e as primas depois da morte da sua mãe; e Dinis (Rogério Samora), outro grande amigo de Vasco. A série contou também com participações especiais de Ana Bustorff, Ana Nave, António Rocha, Carla Chambel, Cláudia Cadima, Guida Maria, José Pedro Vasconcelos, Julie Sargent, Inês Castel-Branco, Lurdes Norberto, Maria Emília Correia, Pêpê Rapazote e Sílvia Rizzo entre outros.




"Super Pai" teve duas temporadas, exibidas entre 2000 e 2002, a primeira com 74 episódios e a segunda com 100. A série era sobretudo exibida aos fins de semana mas recordo-me que houve alturas em que também dava durante a semana.
Tal como certas telenovelas, a série também foi prejudicada pela sua prolongação excessiva ao longo de dois anos e 174 episódios, esticando a trama para além do necessário. Mas apesar da trama muito vista, a série valia pelos momentos de humor e pela química entre Luís Esparteiro e as três jovens actrizes que faziam das suas filhas. Aliás Sofia Arruda afirma que entre os quatro criou-se um elo quase familiar que perdurou e que ainda hoje se reúne com as suas duas "irmãs" da série. Enquanto Sofia Arruda e Madalena Brandão continuaram a ser presença assídua na televisão, enquanto Filipa Maló Franco deixou os seus dias como estrela infantil da representação (estreou-se aos dois anos na sitcom da TVI "Trapos & Companhia") para se dedicar aos seus estudos de medicina dentária (ou não fosse ela uma Maló).




Capa do disco da banda sonora


A parte musical da série esteve a cargo de Rui Fingers, que foi o autor da inesquecível música do genérico interpretada por Ricardo Afonso.

Super Pai, alguém tem
tantas vidas coloridas
sem saber bem por quem
Super Pai, há alguém 
que consiga nesta vida
ser pai e ser mãe.

A série foi reexibida recentemente na TVI Ficção.

Genérico:




Tema completo do genérico:





sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Anjo Selvagem (2001-03)

por Paulo Neto

Hoje em dia, não é invulgar as telenovelas nacionais serem esticadas e prolongadas durante mais de um ano (no caso de "A Única Mulher" até chamam a esses esticões de temporadas), mas durante muito tempo era invulgar uma telenovela, nacional ou estrangeira, ter mais de 200 episódios. Até que em 2001, a TVI estreou uma telenovela que se prolongaria por quase ano e meio, atravessando três anos civis, num total de 366 episódios. 



Após o sucesso de "Jardins Proibidos" e "Olhos De Água", a TVI percebeu que a ficção telenovelesca nacional era um produto a explorar ao máximo e por isso em Setembro de 2001, na sua nova grelha da rentrée, a estação de Queluz estreou nada menos do que três telenovelas: "Filha do Mar" e "Nunca Digas Adeus" no horário nobre (ao qual se encaixava ainda a terceira edição do "Big Brother") e "Anjo Selvagem" para antes do "Jornal Das Oito". Sim, foi a partir daqui que a TVI começou a atafulhar o seu horário nobre  com mãos-cheias de telenovelas, algo que se verifica ainda hoje. 

Embora tivesse sido considerada pela crítica a mais fraca dessas três telenovelas (algo com que devo concordar), "Anjo Selvagem" foi a que obteve mais sucesso junto do público, ao ponto de eventualmente ter passado também a ser exibida no horário nobre e a ser prolongada para além do previsto. Estreada a 3 de Setembro de 2001, só terminou a 21 de Fevereiro de 2003.

Pedro (José Carlos Pereira) e Mariana (Paula Neves)

   
A telenovela era uma adaptação de um original argentino de 1998, "Muñeca Brava". "Anjo Selvagem" era a história de Mariana de Jesus (Paula Neves), uma jovem órfã que foi criada num convento. De dia, Mariana porta-se como uma autêntica maria-rapaz que brinca com os miúdos da aldeia perto do convento, mas de noite gosta de fugir para ir dançar às discotecas com São (Teresa Tavares), a sua melhor amiga.

Álvaro (Alexandre Sousa) e Helena (Manuela Carona)



Mariana (Paula Neves) e Francisco (António Pedro Cerdeira)



Rosa (Luísa Ortigoso) e Casimiro (Carlos Areia)



Quando Mariana completa 18 anos, vê-se obrigada a sair do convento e a arranjar emprego. E é assim que ela vai parar à Quinta da Nossa Senhora do Carmo. Os donos da quinta são Álvaro Salgado (Alexandre de Sousa) e Helena Brandão (Manuela Carona), que há vários anos vivem um casamento de fachada, já que Álvaro aceitou casar-se com Helena para que o pai desta salvasse a sua família da ruína, renunciando assim à sua paixão proibida por Rosário, uma empregada da quinta. Os seus filhos são Pedro (José Carlos Pereira), um jovem boémio e mulherengo, e a presunçosa Marta (Sara Moniz). Infelizes com o rumo das suas vidas, Helena refugia-se no álcool e Álvaro mantém um relacionamento com Andreia (Vera Alves), a sua secretária, que planeia um golpe do baú. 
Na quinta vivem ainda Angélica (Isabel de Castro), mãe de Álvaro, uma idosa saudosista e dois irmãos de Helena, o ambicioso Marcelo (Eduardo Viana) e Francisco (António Pedro Cerdeira), que vive preso a uma cadeira de rodas após um acidente em que perdeu a mãe e a noiva.

Zeca (Pedro Giestas)


Marta (Sara Moniz)


Quando Mariana chega à quinta para trabalhar como empregada, reconhece Pedro de uma das suas saídas nocturnas no qual se gerou uma atracção mútua. Após algumas picardias, em que ele lhe chama de "trinca-espinhas" e ela de "bacalhau seco", Pedro e Mariana acabam por se apaixonar. Mas os obstáculos são muitos, desde a legião de mulheres interessadas em Pedro e dispostas a tudo para o seduzir, além de que Mariana também não é indiferente a Francisco, passando pela diferença de classes sociais. Mas a principal barreira será a possibilidade dos dois serem irmãos, quando Álvaro desconfia que Mariana possa ser a filha que teve com Rosário. Essa situação esclarece-se a certo ponto, quando Helena revela que Pedro não é filho de Álvaro, mas sim fruto de um caso extraconjugal, e Mariana confirma que não só é mesmo filha de Álvaro e Rosário como também tem um irmão gémeo, João (Hugo Sequeira). No final, depois de se livrarem de Pilar (Sofia de Portugal), uma das ex-namoradas de Pedro que se revela uma psicopata e que toma medidas tresloucadas para os separar, Pedro e Mariana casam-se e têm uma filha. Na última cena, vê-se a filha de ambos responder a um miúdo que lhe chama trinca-espinhas: "Trinca-espinha, o caraças.", tal como dizia Mariana.  
Outro par romântico da telenovela era formado por Marta e Zeca (Pedro Giestas), o motorista dos Salgado. A princípio ela faz troça dele e das suas desajeitadas declarações de amor, ao ponto de nem sequer tratá-lo pelo nome verdadeiro mas sim por Leonel, um nome que ela acha mais chique para um motorista. Mas aos poucos Marta vai perdendo a pose de menina queque e acaba por ceder à paixão do motorista.

Bruno Nogueira numa participação especial


Do elenco principal fizeram ainda parte Maria Dulce (Madre Superiora), Cristina Cavalinhos (Irmã Bochechas), Manuel Cavaco (Luciano), Luísa Ortigoso (Rosa), Canto E Castro (Padre Manuel), Paula Luís (Anabela) e Madalena Bobone (Lina), além de participações ao longo da telenovela de nomes como Carlos Areia (Casimiro), Frederico Moreno (Ruca), Dina Félix da Costa (Rita) Margarida Vila Nova (Bárbara), Márcia Leal (Inês), Joaquim Nicolau (Amílcar), Sofia Grilo (Carolina), Vítor Norte (Pierre), Pedro Lima (Paulo), Rui Santos (Alex) e de um então desconhecido Bruno Nogueira (Joca).  

Para ser sincero, "Anjo Selvagem" não foi uma telenovela que gostei por aí além e nunca percebi bem o porquê de todo o sucesso que alcançou, e muito menos porque foi prolongada durante tanto tempo, até porque praticamente não havia nenhuma trama além da principal e era mais que certo que o casalinho principal iria terminar junto. Muitos também apontaram o double standard de Mariana manter-se casta até ao fim da telenovela, enquanto Pedro volta e meia acabava na cama com as suas outras pretendentes. 

Mas reconheço que o grande trunfo da novela foi sem dúvida o desempenho de Paula Neves como protagonista, de tal modo carismático que ainda hoje ela é recordada como a Mariana de "Anjo Selvagem", revelando o potencial que demonstrava desde "Riscos".
Mas salvo algumas excepções como Pedro Giestas, Sara Moniz, Luísa Ortigoso, Eduardo Viana, Teresa Tavares ou Rui Santos, no geral a prestação do elenco tivesse foi algo fraco, em grande parte devido à excessiva caricaturização das personagens e da fragilidade do guião. E claro está, foi "Anjo Selvagem" com que José Carlos Pereira passou de estudante de Medicina a galã de telenovelas e ícone da imprensa cor-de-rosa, já que a sua vida real tem-se mostrado mais atribulada do que os seus papéis nas novelas.

"Anjo Selvagem" foi também a primeira telenovela portuguesa a ter um episódio filmado em directo, exibido a 20 de Fevereiro de 2002, para as comemorações do 9.º aniversário da TVI. Em 2006, a TVI adaptou outra célebre telenovela dos mesmos autores originais de "Anjo Selvagem": "Doce Fugitiva."

O tema do genérico inicial da novela era interpretado pelos Maxi, uma boyband de Leiria, que à custa desse tema ainda continua no activo e pode de vez e quando ser vista num dos programas de Domingo à tarde. Ainda se lembram como era o refrão?

Só a ti vou-me entregar
Só a ti eu vou-me dar
Meu anjo selvagem!
Só a ti vou amar
Pede a Lua, pede o Sol
Pede o mundo se quiseres
Nada eu te vou negar
Meu anjo selvagem!


"Anjo Selvagem" foi reexibida em 2012 na TVI Ficção numa versão mais condensada.

Genérico:




Excerto do episódio em directo (20/2/2002):




Participação de Bruno Nogueira:




Maxi "Anjo Selvagem": 











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