terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

"Children" Robert Miles (1995)

por Paulo Neto

Nem sempre a música precisa de palavras para nos tocar e em 1996, um tema instrumental de música electrónica acabou por tocar muita gente dentro e fora das pistas de dança.

Algo pouco habitual na altura, o ano de 1996 viu três temas instrumentais serem campeões de vendas um pouco por todo o mundo. Dois deles já eram bem conhecidos: o tema da série "Ficheiros Secretos" de Mark Snow, que foi finalmente editado em single nesse ano e uma versão do tema de "Missão: Impossível" por parte de Adam Clayton e Larry Mullen Jr. dos U2 para o primeiro filme da saga cinematográfica protagonizada por Tom Cruise que adaptava a célebre série de televisão. E o terceiro foi "Children" do DJ/compositor italiano de origem suíça Robert Miles, originalmente editado em Novembro de 1995 mas que nos meses seguintes foi subindo pelos tops europeus acima até ser o single mais vendido na Europa no ano de 1996.



Robert Miles, de seu verdadeiro nome Roberto Concina, nasceu a 3 de Novembro de 1969 em Fleurier na Suíça francófona, onde os seus pais estavam emigrados, tendo-se mudado aos 10 anos para Itália com a família, onde cedo aprendeu a tocar piano, iniciando-se na actividade musical como compositor, DJ e animador de rádio.

Uma versão inicial de "Children" de 1994 era uma simples composição de sintetizador e guitarra acústica. Porém a faixa viria a ser convertida num tema de "dream house" com uma inconfundível melodia de piano. Miles apontou duas inspirações para o tema: fotos de crianças vítimas da guerra na Bósnia (daí o título) e a intenção de criar algo para acalmar os ânimos dos frequentadores de raves no final das festas, de forma a evitar acidentes de viação no regresso a casa. A imprensa italiana tinha na altura dado destaque ao elevado índice de sinistralidade rodoviária relacionado com a cultura rave, já que se verificava semanalmente um preocupante número de acidentes, um pouco por todo o país, entre pessoas vindas das raves, por adormecimento ao volante ou por efeitos do consumo de álcool ou drogas, num fenómeno que os media italianos rotularam de "strage de sabbato sera" (matança de sábado a noite). Para evitar esse tipo de acidentes, Robert Miles e outros DJ's passaram a incluir temas de "dream house" no seu repertório para diminuir a adrenalina dos ravers ao fim da noite, uma iniciativa bem recebida pelas autoridades.



"Children" foi originalmente editada numa compilação do célebre DJ Joe T. Vanelli, que promoveu o tema nas discotecas de Miami e de Ibiza e cujo sucesso requereu uma edição oficial em single. Gradualmente, o tema tornou-se um sucesso comercial, tendo chegado ao top 5 em praticamente todos os países da Europa, atingindo o primeiro lugar do top em Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, França, Itália, Noruega, Suécia e Suíça. Também foi top 30 nos Estados Unidos. 

"Children" teve dois videoclips: um deles a cores, que juntava imagens de crianças a brincar e pessoas a dançar (as duas inspirações do tema), mas o mais famoso é aquele a preto e branco, filmando uma viagem de carro pelos olhos de uma menina que vai no banco de trás.







Após o sucesso de "Children", repetiu a fórmula no single seguinte "Fable", que era algo semelhante. A principal diferença é que apesar da versão principal ser instrumental, havia também uma versão cantada (a "Message Version"), com voz de Fiorella Quinn. Depois foi lançado o álbum "Dreamland", que chegou a ser n.º 1 em Portugal.



O terceiro single contou com a presença da cantora inglesa Maria Nayler. "One & One" foi escrito pelos célebres compositores Billy Steinberg e Rick Nowels em parceria com a cantora argentina Marie-Claire D'Ubaldo. A cantora polaca Edyta Gorniak foi a primeira a gravar a canção mas a sua versão só foi editada posteriormente. A versão de Miles e Nayler foi mais outro sucesso europeu. Em 1997, Robert Miles recebeu o prémio BRIT para Melhor Revelação Internacional.


Em 1997, Robert Miles editou o segundo álbum "23 am" do qual se destaca o belíssimo tema "Freedom", interpretado por Kathy Sledge das Sister Sledge.


Robert Miles em 2014


Robert Miles continua no activo, dividindo-se actualmente entre Londres e Ibiza, mas foi-se gradualmente afastando da ribalta, preferindo enveredar por sonoridades mais experimentais nos seus três álbuns seguintes (o mais recente é de 2011). Tem também a sua label discográfica e uma estação de rádio que transmite a partir de Ibiza. Miles também tem composto música para filmes documentários e publicidade.
Enquanto isso "Children" continua a ser objecto de várias versões, samples, remisturas e a ser utilizado no cinema, televisão e publicidade, sendo apontado como o tema responsável por trazer o sub-género do trance para o grande público. E muitos, incluindo eu, incluem-no na banda sonora pessoal dos seus momentos mais felizes dos anos 90.  

ACTUALIZAÇÃO (Maio 2017): Robert Miles faleceu no dia 9 de Maio de 2017. 
   

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Romeu + Julieta (1996)

por Paulo Neto

Vistas bem as coisas, é estranho que a mais popular história de amor da literatura mundial seja um insta-love entre uma pita de 13 anos e um rapaz de 15 anos que até momentos antes dizia-se perdida e completamente apaixonado por outra. Mas a verdade que "Romeu e Julieta" de William Shakespeare tem persistido ao longo dos séculos como uma das maiores histórias de amor alguma vez contadas. E a história dos dois apaixonados de Verona que vêem o seu amor contrariado pelo ódio das respectivas famílias e por uma série de acontecimentos infelizes e mal-entendidos que resulta no fim trágico de ambos já foi por diversas vezes contada, recontada, reconvertida e adaptada ao cinema.
Acredita-se que a primeira adaptação da peça para o cinema seja uma curta-metragem de 1908, nos tempos do cinema mudo. Entre as versões mais famosas estão a de 1936 realizada por George Cukor e sobretudo a de 1968 por Franco Zefirelli e a adaptação directa mais recente da peça é de 2013. Isto para não falar nas diversas variações, como "West Side Story".




Mas para quem cresceu nos anos 90, a adaptação cinematográfica mais marcante é sem dúvida a de 1996 realizada por Baz Luhrmann (com o título estilizado como "Romeu + Julieta") com Leonardo Di Caprio e Claire Daines como protagonistas. Embora muito do texto original fosse mantido, tratava-se de uma modernização da peça, com a acção a decorrer nos anos 90 numa fictícia Verona Beach. Com as espadas substituídas por pistolas, perseguições automóveis, um Mercúcio drag queen e os Capulets e Montagues como famílias mafiosas, não seria de espantar se William Shakespeare desse algumas voltas no túmulo. 
Além de Di Caprio e Daines, do elenco também faziam parte Paul Sorvino (Capulet), Brian Dennehy (Montague), Christina Pickles (Lady Montague), Diane Venora (Lady Capulet), Pete Postelthwaite (Father Lawrence), Harold Perrineau (Mercúcio), John Leguizamo (Tebaldo), Miriam Margoyles (Ama), Paul Rudd (Paris) e Vondie Curtis Hall (Captain Prince, o equivalente do Príncipe de Verona).




Apesar de todas as modernices, lembro-me de ter apreciado bastante esta adaptação nineties da peça e de gostar de alguns detalhes como o coro introdutório da peça lido por uma pivot de telejornal. Algo me dizia que se Shakespeare fosse realizador de cinema em 1996, criaria algo semelhante. Leonardo Di Caprio, que desde muito cedo tinha dado provas do grande actor que era em filmes como "A Vida Deste Rapaz" ou "Gilbert Grape" (que lhe valeu a sua primeira nomeação para um Óscar aos 19 anos), foi muito elogiado pelo seu desempenho tenho ganho o Urso de Prata no Festival de Cinema de Berlim e este papel foi uma espécie de antecâmara para a sua ascensão a superestrela de Hollywood com "Titanic" (onde Claire Daines também chegou a ser considerada para a protagonista feminina).


"Romeu + Julieta" foi a primeira vez que Portugal reparou em Claire Daines, até porque só depois da estreia do filme é que passou por cá a série "Que Vida Esta!" que a tinha revelado nos Estados Unidos, pelo que antes só a conhecíamos como uma das "Mulherzinhas" da adaptação cinematográfica de 1994. Lembro-me de na altura, antes de ver o filme, eu achar que Daines não era suficientemente bonita para ser uma Julieta mas a cena do baile em que surge numa indumentária literalmente angelical fez-me mudar de opinião. Mesmo sem nunca ter tido grandes píncaros de fama, Claire Daines continuou bastante activa em Hollywood e voltou a ter papel marcante em televisão em "Homeland - Segurança Nacional". (Inicialmente, o papel de Julieta foi atribuído a uma Natalie Portman de 14 anos, mas foi substituída por parecer demasiado nova até para um Di Caprio de 21 anos).

"Romeu + Juliet" foi nomeado para o Óscar de Melhor Direcção Artística e ganhou prémios BAFTA para Melhor Realizador, Melhor Argumento Adaptado e Melhor Banda Sonora.

Banda sonora essa que aliás foi outro dos grandes trunfos do filme. O álbum, editado antes da estreia do filme, continha canções de Radiohead, Garbage, Everclear, The Wannadies, Kym Mazzelle e Stina Nordenstam, além do conhecido "Lovefool" dos Cardigans.


Porém a canção mais marcante do filme é sem dúvida o tema romântico do filme, "Kissing You" interpretado por Des'Ree que aparece no filme a cantar essa canção durante a cena mais famosa do filme quando Romeu e Julieta vêem-se pela primeira vez através de um aquário. 
Destaque também para duas versões gospel interpretadas por Quindon Traver de "When Doves Cry" de Prince e "Everybody's Free To Feel Good" de Rozalla. 
Esta última foi a base para o tema "Everybody's Free (To Wear Sunscreen)" de 1999, composto por Baz Luhrmann inspirado num artigo de jornal de Mary Schmich e declamado pelo actor Lee Perry, que se tornou um inesperado hit nesse ano, tendo sido n.º 1 do top britânico e alvo de uma versão parodiada de Chris Rock.

Trailer:



Quindon Traver "Everybody's Free (To Feel Good)" (versão curta)


Baz Luhrmann "Everybody's Free (To Wear Sunscreen)" (versão longa)




   


sábado, 6 de fevereiro de 2016

Duelos da Patinagem Artística (Jogos Olímpicos de 1988)

por Paulo Neto

A cidade canadiana Calgary recebeu os Jogos Olímpicos de Inverno de 1988, no pitoresco cenário das Montanhas Rochosas. Vários atletas brilharam nos seus respectivos desportos como o italiano Alberto Tomba e a suíça Vreni Schneider no esqui alpino, a holandesa Yvonne van Gennip na patinagem de velocidade ou finlandês Matti Nykanen nos saltos de esqui. No bobsled participaram equipas de países improváveis como o Mónaco (liderada pelo Príncipe Alberto na primeira das suas quatro participações olímpicas), a Jamaica (que inspirou o filme "Jamaica Abaixo De Zero") e... Portugal, com uma equipa de emigrantes no Canadá.



Porém, apesar do esqui alpino ser considerado o desporto-rei dos desportos de inverno, sem dúvida que a modalidade invernal mais mediática é a patinagem artística. Por exemplo, até meados dos anos 90, a RTP costumava transmitir os campeonatos europeus e mundiais da modalidade (creio eu que até mesmo com as mesmas comentadoras que agora desempenham essa função na Eurosport). Como já se falou anteriormente, a atenção dos media na patinagem artística ganhou proporções desmesuradas nos Jogos Olímpicos de Inverno de 1994, devido ao caso Kerrigan vs. Harding.
Mas no Jogos de 1988, as provas de patinagem artística suscitaram grande atenção dos media porque tanto nos homens como nas senhoras, adivinhavam-se dois duelos promissores para a vitória, felizmente numa rivalidade puramente desportiva. Nos homens, teve lugar a "Batalha dos Brians" e nas senhoras, a "Batalha das Carmens".




Medalha de prata nos Jogos de 1984 em Sarajevo, o canadiano Brian Orser parecia destinado a ser o grande dominador do desporto nos quatro anos seguintes e a ganhar o ouro em 1988 no seu país. Porém, outro Brian, o americano Brian Boitano, quinto em 1984, tornou-se nesses anos um rival à medida. Boitano foi campeão mundial em 1986 e Orser em 1987 e chegados a Calgary, ambos repartiam de forma igual o favoritismo. Como se veio a provar, a vitória foi decidida por muito pouco. No programa curto, Orser liderava por pouca margem pelo que tudo ainda estava em aberto. Boitano foi o primeiro a patinar e ao som de "Napoleão" fez um programa sólido onde incluiu o seu movimento de marca, o triplo lutz com um braço no ar. Já Orser cometeu dois erros que lhe custariam a vitória, aterrando com os dois pés num salto inicial e fazendo apenas duas voltas num triplo axel. O resultado foi decidido no desempate pela nota técnica, dando a vitória ao americano. A medalha de bronze foi para o ucraniano Viktor Petrenko, que ganharia o ouro nos Jogos de Inverno seguintes.


Mas apesar da rivalidade, os dois Brians eram bastante amigos e Boitano admitiu que não conseguiu saborear devidamente a sua vitória diante da tristeza de Orser, que procurava dar ao seu país uma medalha de ouro (algo que o Canadá não conseguiu nestes Jogos, apesar de ser o país organizador).
Após os Jogos Olímpicos, ambos os patinadores ingressaram no circuito profissional. Nos anos 90, Brian Boitano liderou um grupo de atletas que reivindicavam a participação nos Jogos Olímpicos dos patinadores profissionais. Uma vez conseguido esse objectivo, Boitano voltou a competir nos Jogos Olímpicos de 1994, onde foi sétimo, quando já era um ícone americano. Uma das mais famosas homenagens da cultura pop feitas a Boitano foi no filme "South Park - O Filme" com as personagens a dedicarem-lhe uma canção.
Já Brian Orser tornou-se um muito bem sucedido treinador, tendo conduzido a coreana Kim Yu-Na à conquista do título olímpico em 2010.



A "Batalha das Carmens" na prova de senhoras foi assim chamada porque as duas principais favoritas executaram o seu programa livre ao som de "Carmen" de Georges Bizet. Desde 1984 que a alemã oriental Katarina Witt dominava a cena, tendo ganho o título olímpico desse ano. Além da sua impecável mestria no gelo, Witt também impressionava pela sua beleza e pelo temperamento namoradeiro, que a tornou no primeiro sex-symbol da patinagem artística. Certa vez, Witt revelou que um dos seus truques para combater a ansiedade ao entrar em pista era escolher um homem na assistência e fazer de conta que estava a dançar só para ele. Após a sua vitória em 1984, Katarina Witt recebeu 35 mil cartas de amor de todo o mundo. Porém um dos seus admiradores levou o seu fascínio longe demais: após a queda do muro de Berlim e a reunificação das duas Alemanhas, ficou-se a saber que o líder da RDA, Erich Honecker, tinha mandado a Stasi, a o serviços de espionagem leste-alemães, vigiar todos os passos de Katarina Witt em Berlim Oriental, ao ponto de até haver registos detalhados sobre a sua vida sexual.
Entre 1984 e 1987, a única a quebrar o domínio de Witt foi a americana Debi Thomas, que venceu os Mundiais de 1986 e vista como a única capaz de impedir o segundo título olímpico da alemã. Thomas começou melhor, liderando após o programa curto. Witt foi a primeira a executar o programa livre. Completamente embrenhada na personagem, o seu programa foi bastante forte a nível artístico e de interpretação  mas tecnicamente pouco arriscado pelo que havia margem para Thomas vencer. Porém um erro logo no início da sua prova desmotivou-a, deitando por terra as aspirações da americana. Entretanto, uma intrusa intrometeu-se no duelo. Apesar da sua reputação para ir-se abaixo nos momentos decisivos, a canadiana Elizabeth Manley, encorajada pelo apoio dos seus compatriotas na assistência, superou todas as expectativas e acabou em primeiro no programa livre e em segundo na classificação geral. Katarina Witt ganhou o seu segundo ouro olímpico (a primeira patinadora a consegui-lo desde a lendária Sonja Henie nos anos 30) e Debi Thomas teve de se contentar com o bronze, ainda assim fazendo história como a primeira atleta negra de qualquer género, país ou modalidade a ganhar uma medalha em Jogos Olímpicos de Inverno. Após os Jogos Olímpicos, Thomas deixou a competição para terminar os seus estudos de Medicina, tendo-se tornado cirurgiã ortopédica.


Quanto a Katarina Witt, conseguiu a autorização do regime da RDA para integrar circuito profissional nos Estados Unidos, onde fez digressão com Brian Boitano. Em 1994, beneficiando da autorização da participação de patinadores profissionais nos Jogos Olímpicos, voltou para uma terceira participação olímpica em Lillehammer. Só que desde então o desporto tinha evoluído muito desde os seus dias de glória com as patinadoras de topo a fazerem imensos triplos e combinações e a alemã não foi além do sétimo lugar. No seu programa livre, prestou homenagem às vítimas da guerra na Bósnia Herzegovina, uma vez que ela conquistara o seu primeiro título olímpico em Sarajevo dez anos antes. Em 1998, pousou para a Playboy sendo um dos exemplares mais vendidos de sempre da revista. Katarina Witt também participou em filmes como "Jerry Maguire" e "Ronin".

Excerto de uma reportagem sobre a "Batalha dos Brians"


Katarina Witt e Debi Thomas recordam a "Batalha das Carmens"



"What Would Brian Boitano Do" (South Park - O Filme) 





terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Vitinho conta ... a História dos Cereais [1987]

Como forma de assinalar o 30º Aniversário da criação do Vitinho [2 de Fevereiro de 1986] publico estas imagens para os nossos leitores se regalarem com este livrinho da querida personagem presente nos nossos ecrãs durante mais de uma década, tanto a enviar os mais novos para a cama como a publicitar o Miluvit da Milupa Portuguesa, que foi afinal a génese do Vitinho pela mão de José Maria Pimentel.

Segundo a indicação no interior da "Vitinho conta ... a História dos Cereais" tem texto de Maria Alberta Meneres e ilustrações de Artur Correia (cineasta, ilustrador que podem reconhecer de "O Romance da Raposa" ou muitos trabalhos em livros e publicidade).
O livro em si começa até na Pré-História, na Idade da Pedra com a descoberta das sementes pela Humanidade.
Note-se ao fundo da primeira página um dinossauro. Parece historicamente correcto.
Logo na segunda página, a embalagem de Miluvit. De seguida a os diferentes cereais discutem a sua importância na alimentação.
E o ciclo do grão até ao Miluvit no prato dos pequenos:
Note-se como esse ciclo serve como metáfora da vida dos seres humanos:




Pode fazer download do livrinho com maior qualidade de imagem no link: "Vitinho conta ... a História dos Cereais [1987]" [Download Ficheiro CBR] .

Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos"Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr".

Crónica Do Crime (1986-1988)

por Paulo Neto

Confesso que vai ser algo complicado escrever este texto, pois embora eu me lembre de ver e de gostar desta série (apesar de algumas cenas bem violentas), eu esqueci-me de quase tudo sobre ela. No entanto, é uma série que merece ser recordada, até porque influenciou outras como "Os Sopranos". 

Da autoria do conhecido realizador Michael Mann, "Crónica Do Crime" ("Crime Story" no original) foi uma série policial exibida nos Estados Unidos entre 1986 e 1988, ao longo de duas temporadas num total de 44 episódios. Em Portugal, foi exibida na RTP às terças-feiras à noite entre 1989 e 1990, e se não me engano, onde todos os episódios foram exibidos continuamente.



A série passava-se no início dos anos 60 e focava-se no constante conflito entre Ray Luca (Anthony Dennison), um gangster em fulgurante ascensão na máfia de Chicago, e o Tenente Mike Torello (Dennis Farina), um polícia líder de uma força espacial e em como cada um pretende acabar com o outro.



A equipa liderada por Torello é composta pelo sargento Danny Karchek (Bill Smitrovich) e pelos agentes Walter Clemmons (Paul Butler), Nate Grossman (Steve Ryan) e Joey Indelli (Bill Campbell). Ao serviço de Luca estão os seus capangas Pauly Taglia (John Santucci) e Frank Holman (Ted Levine). Luca acaba por atrair a atenção do chefe da máfia local, Manny Weisbord (Joseph Wiseman) que vê nele o homem ideal para coordenar os negócios, legítimos e não só, em Las Vegas.




Na "Sin City", as ambições de Luca crescem e acabam por chocar com as do gerente de casino Steve Kordo (Jay O. Sanders) e de Max Goldman (Andrew Dice Clay), designado para ser o intermediário entre Luca e Weisbord. Enquanto isso além de seguir o encalço de Luca, Torello, vê-se a braços com a investigação do promotor Harry Breitel (Ray Sharkey), sob o falso testemunho de um entretanto capturado Holman que fornece informações sobre a máfia em troco de imunidade e acusou Torello de corrupção. Do lado do tenente está o advogado David Abrams (Stephen Lang) que pretende vingar-se de Luca por este ter ordenado um ataque para o matar no qual acabou por falecer o pai de Abrams.

As duas temporadas terminaram ambas com um cliffhanger. Na primeira, Luca e Taglia fogem de Las Vegas e refugiam-se numa cabana no deserto numa área de testes para bombas atómicas, com uma bomba a explodir perto deles. No início da segunda temporada, descobriu-se que não só os dois criminosos escaparam ilesos à explosão como estão protegidos pelo exército americano devido a um acordo secreto. Já no último episódio, Torello e os seus homens que perseguiam Luca, Taglia e Goldman num país da América Central onde se tinham refugiado e invadem o avião pelo qual os gangsters pretendiam fugir, e no meio da luta o piloto do avião é acidentalmente atingido fazendo com que o engenho caia no mar. Como a série foi descontinuada ficou-se sem saber do destino dos polícias e dos criminosos.

O único episódio da série de que acabei por guardar alguma recordação pessoal foi um na segunda temporada em que Weisbord tem um ataque cardíaco e está à beira da morte, e Luca faz tudo para que um médico sul-africano faça um transplante de coração - uma operação que na altura nunca tinha sido feita em humanos. 



Além do elenco fixo, "Crónica Do Crime" contou com várias participações especiais de actores já então conhecidos ou que mais tarde viriam a sê-lo como David CarusoKevin Spacey, Julia Roberts, Debbie Harry, Gary Sinise, Christian Slater, Pam Grier, Miles Davis, Stanley Tucci e David Hyde Pearce.




A única coisa que eu recordo perfeitamente da série era a música do genérico, com Del Shannon a cantar uma nova versão do seu hit de 1961, "Runaway". Devido a isso, esse clássico dos anos 60 foi redescoberto por toda uma geração em vários países, Portugal incluído, tendo até direito a uma versão dos Onda Choc. Infelizmente Del Shannon cometeu suicídio em Fevereiro de 1990, quando a série estava passar por cá.



  

domingo, 31 de janeiro de 2016

Willy Fog No País das Fantasias - Concurso (1984)

 Anúncio ao "Concurso Willy Fog No País das Fantasias" que decorreu em 1984 e 1985, com dois sorteios: 21 Dezembro 1984 e 19 Abril 1985. As fantasias em questão - como se depreende da deliciosa  ilustração, são as Fantasias de chocolate da Imperial. As mesma das "Fantasias de Natal", que também estão presentes no desenho.
Digitalizado e Editado por Enciclopédia de Cromos


Este anúncio adornou bastantes revistas, cadernetas de cromos, e prometia a quem completasse a caderneta "A Volta Ao Mundo Com Willy Fog" muitos e "valiosos prémios".

Detalhe da ilustração, com maior qualidade:

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sábado, 30 de janeiro de 2016

"Wonderful Life" Black (1986)

por Paulo Neto

Janeiro de 2016 tem sido uma enorme ceifa em termos de óbitos de nomes conhecidos, em Portugal e no estrangeiro, em várias áreas. Neste mês já nos despedimos de David Bowie, António Almeida Santos, Alan Rickman e René Angelil, bem como dos actores Abe Vigoda e José Boavida, dos músicos Glenn Frey (Eagles) e Paul Kantner (Jefferson Airplane), do realizador Ettore Scola, do esquiador campeão olímpico Bill Johnson e da fundadora da Associação SOL Teresa Almeida

Neste mês faleceu também o cantor inglês Colin Vearncombe que não resistiu aos danos cerebrais de um acidente de viação e faleceu no passado dia 26 aos 53 anos. Por este nome talvez ninguém o conheça e até o seu nome artístico Black pode não parecer familiar, mas certamente que todos conhecem a sua canção mais conhecida, "Wonderful Life", que se tornaria uma canção intemporal. 



Inicialmente Black era de facto o nome de um grupo, fundado em 1981 por Vearncombe. Entre 1982 e 1984, o grupo também integrou Dave Dickie e Jimmy Sangster, tendo editado os singles "More Than The Sun" e "Hey Presto", que apesar dos elogios da crítica e de alguma atenção na Austrália, não tiveram sucesso comercial. Em 1985, com a saída oficiosa dos outros elementos, Black passaria a tornar-se efectivamente um stagename para Vearncombe.



"Wonderful Life" foi originalmente editado em 1986, tendo chegado ao n.º 72 do top britânico e o single seguinte, "Everything's Coming Up Roses" ainda ficou mais abaixo. Porém, o terceiro single "Sweetest Smile" foi um inesperado sucesso tendo chegado ao n.º 8. Foi então que "Wonderful Life" foi re-editado e não só igualou a posição do single anterior no Reino Unido como tornou-se um sucesso internacional, tendo sido n.º 1 na Áustria e n.º 2 na Alemanha, França e Suíça.

Em "Wonderful Life", Vearncombe canta a sua solidão onde até parece que o sol que brilha parece fazer troça disso, mas ainda assim constata no refrão que não vale a pena fugir, rir ou chorar porque no fundo, a vida é maravilhosa. A música encaixa-se perfeitamente no tom agridoce e melancólico da letra e da melodia e talvez por isso, a canção soe tão transcendente ao seu tempo: é uma canção dos anos 80 mas que também podia ser feita nos anos 70 ou 90. 




O respectivo videoclip a preto e branco, filmado na estância de Southport, é igualmente belíssimo e não fossem as roupas claramente anos 80 de alguns dos figurantes, quase que também era difícil de adivinhar em que altura é que teria sido feito. Realizado por Gerard De Thame, o vídeo ganhou um prémio no Festival de Cinema de Nova Iorque.

Na altura Black foi comparado a Bryan Ferry e a Morrissey. Apesar de nunca mais ter igualado o sucesso de "Wonderful Life", Black continuou a actuar e a editar música até ao abrupto fim da sua vida, com apenas um interregno em meados dos anos 90. Regressou ao activo em 1999, quando fundou editora independente Nero Schwarz (nome super-apropriado já que são as palavras em italiano e alemão para a cor preta), onde editou o seu material quer sob o nome Black, quer pelo nome verdadeiro. O último álbum foi "Blind Faith" de 2015.
Entre o repertório posterior a "Wonderful Life", destacam-se "Paradise" (1988), "The Big One" (1988), "Now You're Gone" (1989) e "Feel Like Change" (1991). 

Mas ao longo destes anos "Wonderful Life" tem continuado o seu sucesso intemporal, tendo sido utilizado em vários anúncios e séries de televisão e até mesmo numa campanha das Nações Unidas contra o tráfico humano. O tema também foi versionado por nomes como Lara Fabian, Tina Cousins, Katie Melua, Ace Of Base e Zucchero.



Apesar de curta e tragicamente findada, pode-se dizer que a vida de Black foi maravilhosa, já que viveu a fazer a música nos seus próprios termos, preferindo a sua liberdade criativa ao sucesso imposto pela indústria musical. E deixou-nos uma canção que haverá de tornar a vida de muitos outros mais maravilhosa, pelo menos durante quatro minutos e meio.

"Sweetest Smile"




"Everything's Coming Up Roses"


   

   
  

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Batman: The Animated Series - Figuras da série animada (1995)


A série animada de culto do "Batman" [1992-95] teve direito a várias figuras de acção, e as do anúncio foram mais algumas das que chegaram ás costas lusitanas. O slogan deste reclame ás figuras da Hasbro: "Batman. Um herói fora de série!"


As figuras desta série da linha incluíam os vilões Poison Ivy, Killer Croc, Clayface, Scarecrow, Bane e Mr. Freeze.
 A vilã/heróina Catwoman foi colocada na mesma fileira de uma das variações dos uniformes do Batman e do Robin.

Leitores, quem brincou com estes?

Publicidade fotografada e editada por Enciclopédia de Cromos, retirada da revista que adaptou o filme em banda desenhada "Batman Para Sempre" (1995), da Editora Abril.

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