sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Aeroplano! (1980)



por Paulo Neto

Nos anos 70, houve um boom de disaster movies em Hollywood que devem ter deixado muito boa gente com medo de andar de avião, de barco, de arranha-céus e de terramotos. O início desta moda é atribuída ao filme "Aeroporto" de 1970 cujo sucesso produziu mais três sequelas ao longo da década. Mas em 1980, uma paródia a esses filmes de desastres aéreos tornar-se-ia uma das mais famosas comédias de sempre, ainda hoje capaz de arrancar muitas gargalhadas a novas gerações. 



Falo, é claro, de "Aeroplano!", filme realizado a seis mãos por Jim Abrahams e os irmãos David e Jerry Zucker e cujo elenco incluía Robert Hays, Julie Hagerty, Leslie Nielsen, Peter Graves, Lloyd Bridges, Lorna Patterson, o basquetebolista Kareem Abdul Jabbar e Jill Whelan. Apesar de incluir alguns elementos da saga Aeroporto, sobretudo do segundo filme "Aeroporto 75", a história do filme era sobretudo baseada no filme de 1957 "A Hora Zero".  

Ted Stryker (Hays) é um ex-piloto militar cujos traumas de guerra deixaram-no com medo de voar e com um bizarro problema de bebida. A trabalhar como taxista em Los Angeles, Stryker decide entrar num voo até Chicago para tentar reconquistar Elaine Dickinson (Hagerty), o amor da sua vida, que trabalha como hospedeira nessa voo. 
Durante o voo, o piloto Clarence Oveur (Graves), o co-piloto Roger Murdock (Jabbar) e vários passageiros começam subitamente a adoecer devido a uma intoxicação alimentar. E de repente, a salvação de todos está nas mãos de Stryker que tem de superar os seus tramas e aterrar o avião em segurança, com a ajuda de Elaine, do Dr. Rumack (Nielsen), de Randy (Patterson), a outra hospedeira, e em Chicago, do controlador Steve McCroskey (Bridges) e do seu ex-comandante na guerra Rex Kramer (Robert Stack), com o qual Stryker teve sempre uma relação difícil.




Além disso, há muitos trocadilhos, muitos gags nonsense, uma menina (Whelan) em necessidade de um transplante que quase vai desta para melhor durante um momento musical, uma freira práfrentex (Maureen McGovern, a cantora dos disaster movies "A Torre Do Inferno" e "A Aventura do Poseidon"), uma mulher histérica (Lee Bryant) a quem todos fazem fila para lhe acalmar à chapada, uma senhora que se escandaliza com um homem que lhe oferece uísque para depois ela snifar uma linha de coca, outra senhora (Charlotte Zucker, mãe dos irmãos Zucker) que escolhe a pior altura para se maquilhar, um piloto-automático insuflável chamado Otto e Johnny Jacobs (Stephen Stucker), o extravagante ajudante de McCroskey.





"Joey, have you ever seen a grown man naked?"


"Looks like I've picked the wrong week to stop sniffing glue"






"Aeroplano!" foi um dos filmes de maior sucesso de 1980. Promoveu o género de paródia non-sense a um popular sub-género do cinema de comédia, influenciando outras obras como "Ases Pelos Ares" e a série "Scary Movie", revelou o lado cómico de actores mais conhecidos por papéis sérios de acção como Robert Stack, Peter Graves, Lloyd Brigdes e Leslie Nielsen (este tornar-se-ia mais famoso depois pelos seus papéis cómicos sobretudo na série "Aonde É Que Para A Polícia?"), elevou Abrahams e os Zucker a nomes de topo entre os autores e produtores de comédia, influenciou outros nomes do género como os irmãos Farrelly, tem figurado invariavelmente nos lugares cimeiros de diversas listas das melhores comédias de sempre e sobretudo, continua a arrancar risos a todos os que vêem ou revêem o filme. "Aeroplano!" e a sua sequela de 1982 "Aeroplano 2" foi mais um dos filmes que descobri na "Sessão Da Noite", o mítico espaço de cinema das noites de sexta-feira da RTP 1 no início dos anos 90.    

Trailer: 




Cenas clássicas:


Aeroplano! 2 (1982)

por Paulo Neto

E já agora, porque não também um cromo sobre a sequela de "Aeroplano!"? Estreada nos Estados Unidos em Dezembro de 1982, "Aeroplano! 2" foi realizado por Ken Finkleman. Os autores e realizadores do primeiro filme (Jim Abrahams, David Zucker e Jerry Zucker) não estiveram envolvidos nesta sequela mas grande parte do elenco regressou, retomando os seus papéis: Robert Hays (Ted Stryker), Julie Hagerty (Elaine Dickinson), Lloyd Bridges (McCroskey), Peter Graves (Clarence Oveur), Lee Bryant (Mrs. Hammen) e Stephen Stucker (Johnny). Desta vez, além da paródia aos disaster movies, havia um piscar de olho aos filmes de ficção científica como a trilogia "A Guerra Das Estrelas" e de temática espacial.



Alguns anos depois do primeiro filme, a Lua foi colonizada e a nave espacial Mayflower I prepara-se para uma viagem a partir de Houston rumo a uma estação especial lunar, comandada pelo capitão Clarence Oveur. Ted Stryker, o herói do primeiro filme, está de novo em maus lençóis: foi declarado mentalmente incapaz e internado num asilo psiquiátrico após ter fracassado um voo-teste a uma nave espacial, voltou a ser atacado por traumas da guerra e a sua amada Elaine deixou-o novamente, tendo ficado noiva de Simon Kurtz (Chad Everett). Para voltar a reconquistar Elaine, que tal como Simon faz parte da tripulação do Mayflower I, e por desconfiar que algo de errado se passa com o aparelho (sendo essa a verdadeira razão por que foi afastado), Stryker embarca na nave espacial.
Um curto-circuito deixa ROK, o computador de inteligência artificial que comanda a nave, totalmente descontrolado, direccionando a nave até ao sol e neutralizando os membros da tripulação. Desiludida com a cobardia de Simon, Elaine volta de novo a recorrer a Stryker para salvarem todos a bordo. Stryker usa a bomba que Joe Seluchi (Sonny Bono), um dos passageiros, levou a bordo da nave, para fazer explodir ROK e voltar a pôr a nave no rumo certo. Para a aterrar em segurança na Lua, terá de colaborar com o Comandante Buck Murdock (William Shatner), outro companheiro de guerra de Stryker que lhe guarda grandes rancores.




Pelo meio, há uma jovem (Monique Gabrielle) que aproveita a situação para seduzir vários passageiros dizendo que nunca esteve com um homem antes (embora a certa altura já os homens façam fila e até um burro é abordado por ela), um homem que escolhe a pior altura para fazer a barba e uma senhora de peito muito avantajado com uma T-shirt a dizer "Moral Majority", que no momento da aterragem essa dita cuja parte do corpo balança tanto como a gelatina que tem à sua frente.







Após os créditos surge no ecrã de que um terceiro filme estaria para breve, mas a voz de Murdock reclama: "É exactamente isso que esperam que façamos!". E o certo é que não houve terceiro filme, pelo que esta fica como uma das mais famosas dilogias cinematográficas de sempre.  

Tal como é hábito com as sequelas, "Aeroplano! 2" sofreu com a comparação com o primeiro filme, mas pessoalmente acho que é igualmente divertido e não fica a dever muito ao filme original.

Trailer:



Seleccão de algumas das melhores cenas:




                     

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Everything But The Girl "Missing (Todd Terry Club Mix)" (1995)

por Paulo Neto

Em 1995, a música de dança nas suas variadas vertentes (house, techno, jungle, etc.) já era um mercado vital na indústria musical e por esta altura, era quase que imprescindível que os grandes sucessos musicais nos mais variados géneros viessem acompanhados de um punhado de remisturas feitos à medida das pistas de dança. No entanto, foi nesse ano que surgiu uma canção que ficaria bem mais conhecida pela remistura de dança do que pela versão original e o resultado foi não só um grande sucesso, dentro e fora das pistas de dança, como revolucionou as carreiras de ambas as partes envolvidas.




Reza a história que os Everything But The Girl tiveram a ideia para o seu nome ao verem um slogan de uma loja de móveis que dizia: "Para as suas necessidades no quarto, vendemos tudo menos a rapariga". Foi assim que em 1982 Ben Watt e Tracey Thorne resolveram denominar o projecto musical em conjunto, paralelamente à relação pessoal que iniciaram um ano antes quando frequentavam a Universidade de Hull. Durante mais de uma década lançaram seis álbuns de originais, marcados por sonoridades que iam do pop-rock ao smooth jazz, que receberam elogios da crítica e algum sucesso comercial. O seu maior hit foi uma versão de 1989 de "I Don't Want To Talk About It", um original de 1971 de Danny Whitten e famosamente versionada por Rod Stewart em 1977. Pessoalmente, a minha canção preferida dos Everything But The Girl desta fase é "Old Friends" do álbum "Worldwide" de 1991, com um adorável videoclip.



O álbum de 1994, "Amplified Heart", marcava o regresso do duo britânico aos discos após os problemas de saúde de Ben Watt, a quem foi diagnosticado o síndroma de Churg-Strauss, uma doença que lhe afectou o sistema gastro-intestinal, pelo que Watt estava visivelmente mais magro aquando do lançamento deste álbum. O segundo single do álbum era "Missing", um tema melancólico onde Tracey Thorne cantava as saudades de um antigo amante que partiu. A versão original foi editada sem grande furor, atingido somente o n.º 69 do top britânico. Nesse mesmo ano, Tracey Thorne colaborou no álbum "Protection" dos Massive Attack tendo interpretado a faixa-título, entrando também no célebre videoclip da canção, realizado por Michel Gondry.




Foi então que o DJ nova-iorquino Todd Terry converteu o tema numa remistura de dança e aos poucos foi-se percebendo que a canção ganhava um maior impacto quando se ouvia Thorne cantar que sentia falta do amado como o deserto sente falta da chuva ao som das batidas house criadas por Terry. O mesmo se sucedia com o videoclip onde Thorne e Watt faziam de amantes separados pela distância, errando cada um na sua casa a tentar mitigar a saudade. 






Em meados de 1995, a remistura de "Missing" amontoava o seu sucesso nas pistas de dança, pelo que se impunha uma edição comercial que rapidamente escalou pelos tops mundo fora entre 1995 e 1996, tendo sido n.º 1 na Alemanha, Canadá, Dinamarca e Itália. Nos Estados Unidos, onde os EBTG eram virtualmente desconhecidos, "Missing" chegou ao n.º 2 e tornou-se o primeiro single de sempre a passar um ano ininterruptamente dentro do top 100 americano. Ainda hoje é a 11.ª canção com a carreira mais duradoura no top americano, num total de 55 semanas.



Convencidos que a voz melancólica de Tracey Thorne casava bem com ritmos mais dançáveis, os Everything But The Girl acolheu essas sonoridades tanto para o álbum seguinte de 1996, "Walking Wounded", em que um dos singles, "Wrong", também foi remisturado por Todd Terry e para o disco de 1999 "Temperamental", até ao momento o último disco de originais do duo.




Quem também aproveitou o sucesso da canção foi o famigerado produtor alemão Frank Farian (o homem por detrás dos sucessos de Boney M e Milli Vanilli) que para o seu novo projecto na altura, a boyband No Mercy. Como já referi antes, estes não só gravaram uma versão de "Missing" como a batida do original foi usada como sample para o seu maior hit "Where Do You Go".




Devido à sua remistura, Todd Terry foi elevado à superliga dos DJs remixers, a par de nomes como David Morales ou Armand Van Halden, e nos anos que se seguiram não havia quem não quisesse um remix seu, tendo remisturado temas para Michael Jackson, Rolling Stones, Kylie Minogue, Garbage, Duran Duran, The Cardigans e The Corrs. A par disso, somou alguns hits em nome próprio entre 1996 e 1998, como "Keep On Jumping" e "Something Going On", com a ajuda das poderosas vozes de Martha Wash e Jocelyn Brown.




Como projecto musical, os Everything But The Girl encontra-se inactivo desde 2000, com Tracey Throne e Ben Watt a dedicarem-se a projectos em separado. Tracey Thorne editou em 2007 o seu primeiro álbum a solo, "Out Of Woods", e Ben Watt mantém-se activo como DJ e produtor. Mas se profissionalmente os dois seguiram caminhos separados, na vida pessoal os dois continuam juntos como sempre, embora mantendo essa parte das suas vidas o menos exposta possível. Sabe-se porém que têm três filhos, entre os 14 e os 17 anos e que se casaram em 2008.

Depois de "Missing", têm sido várias os temas que conheceram o sucesso através de uma remistura de dança, que muitas vezes é bastante diferente do original. O caso mais recente é "Cheerleader" que graças ao remix do DJ alemão Felix Jaehn tornou-se a música do Verão de 2015.                    

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Ferrero Rocher (1989-)

por Paulo Neto

Cada vez mais parece que o mês de Novembro é uma antecâmara para tudo o que acontece no mês de Dezembro. Não fosse o dia de Todos Os Santos (actualmente desprovido do estatuto de feriado) e o São Martinho e dir-se-ia que Novembro era um mês desprovido de identidade própria em Portugal e que os últimos dois meses do ano era como que um mega-mês ininterrupto. Ainda sou do tempo em que só mesmo no início de Dezembro, quando muito nos últimos dias de Novembro, é que começava a overdose de anúncios natalícios da televisão e tudo o mais relacionado com a quadra. Hoje em dia, é certo em sabido que mal começa Novembro, já vamos ter esse bombardeamento.

Este ano, não é excepção, por entre os novos anúncios da Popota e outras prematuras promoções natalícias, temos os anúncios aos chocolates e bombons com que nós alegremente enchemos o bandulho todos os anos por esta quadra. No entanto, foi com alguma admiração que descobri que a chocolateira Ferrero comemora este ano os 25 anos em Portugal daquela que é a sua piéce-de-resistance: os bombons Ferrero Rocher.

Pois foi nos idos de 1990 que o Ferrero Rocher surgiu em Portugal (surgiu originalmente em Itália em 1982). A chocolateira italiana já tinha uns anos antes conquistado o mercado infantil com os ovos Kinder Surpresa e preparava-se para vencer no mercado adulto (que não é nada menos guloso que o infantil). Se não estou em erro, o Mon Chéri já cá andava por estas bandas um ou dois anos antes, mas embora também seja uma marca muito apreciada e cumpra funcionalidades semelhantes, nunca teve a unanimidade do Ferrero Rocher.



Assim que chegou a Portugal, o Ferrero Rocher venceu pela sua combinação magistral de simplicidade, elegância e gulodice. A saborosa bola composta por uma rugosa carapaça de chocolate e avelã e uma fina camada de wafer que esconde uma pasta de chocolate e praliné e uma avelã inteira. Tudo isto envolvido num chamativo papel prata de cor dourada com um pequeno autocolante com o logótipo e uma forma em papel castanho. (Gostava de saber se mais alguém além de mim também gosta volta e meia de comer a carapaça de modo a manter a camada seguinte de wafer mais ou menos intacta e só então comer o resto, ou de arrancar à dentada aquele restinho de cola que fica na forma castanha depois de descolarmos o papel dourado. Não devo ser o único, certo?)



Não tardou portanto a ser uma dos mais recorrentes presentes de Natal, fosse na semítica caixinha com apenas três bombons, fosse nas opulentas caixas maiores, nomeadamente aquela em forma de pirâmide. Até porque uma caixa de Ferrero Rocher, fosse qual fosse, era sempre uma boa solução para prendas de última hora ou para aquelas pessoas a quem não ligamos muito mas que não obstante às quais se quer obsequiar. Tal era o apelo à gula que os bombons inspiravam, que mesmo os recetores das prendas que punham aquele ar ofendido de "Que falta de imaginação! Vê-se mesmo que compraste isto à última da hora" ou "Vê-se logo que não queres saber pêva de mim!" não se chateavam por aí além pois o rancor ficava adoçado ao primeiro bombom degustado. E assim tem sido de há 25 anos para cá.
Para aumentar a mística, existe ainda a política da Ferrero em vários países, Portugal incluído, de só se vender Ferrero Rocher no Inverno, com a explicação de que o tempo mais quente afecta a qualidade do chocolate. Porém, em países como os Estados Unidos e o México, os bombons vendem-se durante todo o ano. 


Mas claro está, outra imagem de marca são os anúncios televisivos protagonizados por uma elegantíssima senhora de chapéu e vestido da cor do invólucro dos bombons e um motorista entradote e bonacheirão de nome Ambrósio. O primeiro deles, que creio que foi exibido pela primeira vez cá em 1992, com as duas personagens numa limusina, é tão mítico e duradouro que não há tuga que o saiba de trás para à frente os diálogos (com as vozes de Canto e Castro e Fernanda Figueiredo).


- Ambrósio, apetecia-me algo.
- Paramos para a senhora comer alguma coisa?
- Não. É que eu queria algo...bom.
- Compreendo, senhora.
- Apetecia-me Ferrero Rocher.
- Tomei a liberdade de pensar nisso, senhora.
(Abre-se uma portinhola na limusina de onde surge uma pirâmide de Ferrero Rocher).
- Oh, bravo, Ambrósio!

O anúncio teve algumas variantes como a da senhora a ter o seu retrato pintado ou no meio de um leilão. O próprio anúncio da limusina (sem dúvida o mais mítico anúncio a chocolates exibido em Portugal desde o lendário anúncio das Fantasias de Natal) teve algumas variações, como um acrescentar na voz da senhora: "Este Natal/Páscoa vou oferecer Ferrero Rocher a todos os meus amigos" ou "Lês sempre o meu pensamento."

E se na versão portuguesa, as mentes mais perversas conseguem apontar alguma marotice na conversa entre a madame e o chauffeur, a versão espanhola, se só se ouvir o áudio, soa a um preâmbulo a um daqueles filmes dobrados em espanhol para o Canal Íntimo. E mesmo sabendo que a palavra "exquisito" quer dizer requintado em espanhol, tal vocábulo não deixa de soar...esquisito neste contexto.



A versão original dos anúncios é a italiana. No YouTube, existe um video que recompila todas as versões gravadas pelos actores, a senhora e o Ambrósio (aliás, Ambrogio), algumas inéditas por cá e que mostram que o Ambrósio/Ambrogio tinha pratadas de Ferrero Rocher nos mais diversos esconderijos prontos a satisfazer a gulodice da patroa.


Descobri entretanto que os actores dos anúncios são Lee Skelton, uma ex-modelo nascida em 1958 em New Jersey radicada há muitos anos em Itália, e Paul Williamson, um actor inglês nascido em 1929, que entrou em filmes como "O Turista Acidental" e "Emma" e em séries como "O Santo" e "A Minha Família".
Lee Skelton, a Madame do Ferrero Rocher na actualidade

Com ou sem Ambrósios na televisão, o certo é que Ferrero Rocher vai continuar a adoçar muitas quadras natalícias, em Portugal e não só.

Entretanto descobri o primeiro anúncio do Ferrero Rocher em Portugal:


NOTA: Em 2015, data original deste texto, as campanhas do Ferrero Rocher assinalavam 25 anos em Portugal (1990-2015), mas a julgar por este anúncio e outros indícios, o produtor terá chegado ao nosso país em 1989. 
    

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Jogo De Cartas (1989-1992)

por Paulo Neto

Um dos grandes nomes da representação nacional, Nicolau Breyner já há muito que era presença habitual nos programas da RTP quer em programas de humor como "Nicolau No País Das Maravilhas" e "Eu Show Nico", quer em telenovelas como "Vila Faia" e "Origens" ou séries como "Os Homens da Segurança". Mas em 1989, Nicolau Breyner conduziu aquele que ainda é hoje é o seu trabalho mais recordado como apresentador. "Jogo De Cartas", uma adaptação do original americano "Card Sharks", estreou na RTP a 18 de Setembro de 1989 no horário antes do Telejornal e esteve um ano no ar, sendo substituído por "A Roda Da Sorte".





Em cada programa, dois concorrentes competiam para chegar à fase final. Alternadamente, um dos concorrentes tinha de adivinhar a percentagem das pessoas que respondiam afirmativamente a uma pergunta feita por sondagem telefónica e o outro teria de dizer se achava que o número era maior ou menor. O concorrente que acertasse o palpite avançaria no jogo de cartas propriamente dito que consistia em tentar adivinhar se a carta virada teria um valor maior ou menor do que a carta que estava exposta ao lado, dizendo "para cima" ou "para baixo". 

Nesta fase, era habitual a assistência bradar bem alto "para cima" e "para baixo" para ajudar (ou confundir) o concorrente e quando o palpite estava certo, Nicolau exclamava quase em grito de guerra: "PARA CIMAAAAA!" "PARA BAIXOOOO". Foi aliás um dos primeiros concursos com uma extremamente activa interacção entre apresentador e a assistência (apesar de só no último programa é que os membros dela apareceram filmados). Se o concorrente falhasse o palpite, a oportunidade passava para o adversário e repetia-se o processo. Cada ronda de jogo continuava até que um dos concorrentes conseguisse acertar cinco vezes no valor da carta seguinte ou decidisse parar o jogo, para responder a uma nova pergunta de sondagem e, caso ganhasse, ter a oportunidade de substituir a carta em jogo.
Aqueles que nos primórdios da SIC viram o "Água Na Boca" decerto notaram as semelhanças entre este jogo e um dos jogos desse programa, o "Frio Ou Quente" (ou "Fredo / Caldo") que em vez de cartas de jogar tinham fotos com moçoilas com mais ou menos roupa.

Os concorrentes convertiam os pontos alcançados em contos de escudos, suponho que em compras nas Lojas Singer, então patrocinador de tudo o que era concurso. O concorrente com mais pontos acumulados seguia para a segunda fase onde apostaria o dinheiro alcançado bem como mais algum que Nicolau Breyner lhe adicionava em cada palpite sobre se a carta seguinte fosse "para cima" ou "para baixo", ganhando o dinheiro que restasse ao fim de dez apostas-palpites. No final, teria a oportunidade de ganhar um automóvel se respondesse correctamente a uma pergunta de cultura geral. Caso errasse, transitava para o programa seguinte, podendo participar num máximo de três programas consecutivos.



Outras presenças míticas eram das assistentes eram as assistentes do programa, Felipa Garnel e Maria João Lopes, que Nicolau Breyner tratava por Pipinha e Janeca. Havia um gag recorrente em que Nicolau fingia zangar-se com elas caso as cartas que elas traziam para trocar durante o jogo eram pouco favoráveis. Pelo contrário se Felipa Garnel trazia uma carta mais apetecível, era certo e sabido que Nicolau exclamaria "PIPINHAAA!". Se este foi o único momento de notoriedade de Maria João "Janeca" Lopes, os mais atentos já tinham visto Felipa Garnel em "Os Homens Da Segurança", tendo depois colaborado de novo com Nicolau Breyner em "Euronico" (onde por exemplo representou a Dinamarca nos sketches do Mercado Comum) e posteriormente apresentado programas na SIC como "Mundo VIP" e "Confiança Cega".  

O site Brinca Brincando (de onde provêm todas as imagens deste texto) recorda alguns momentos insólitos do programa: uma concorrente que delirou com um berbequim por ser, segundo ela, um electrodoméstico que muito apreciava; outra concorrente que implorou a Nicolau Breyner por mais pontos, certa de que assim receberia mais do que aqueles que Nico atribuía a todos os concorrentes na segunda fase; e um programa em Nicolau Breyner apresentou sempre de óculos escuros, após o aval da assistência no início do programa.




Após um ano de interregno, "Jogo De Cartas" voltaria à RTP na rentrée de 1991, desta vez no horário da manhã, com gravações nos estúdios do Porto e apresentação de Serenella Andrade. As assistentes eram Marta Leal, Patrícia Pereira e Patrícia Bonneville, sendo que uma das Patrícias era tratada por Paty. Mesmo sem o sucesso da edição apresentada por Nicolau Breyner, também esta edição conseguiu um público cativo e manteve o hábito de interacção com a animada assistência. Esta reedição esteve no ar entre Setembro de 1991 e Julho de 1992. 

Apesar da sua simplicidade, "Jogo De Cartas", sobretudo na era Nicolau Breyner, foi um concurso que teve bastante sucesso, com também os telespectadores de todas as idades a quererem dar o seu palpite nas suas casas e a exclamar "Para cima!" ou "Para baixo!". Como o concurso também era perfeitamente fácil de reproduzir em casa com cartas normais, lembro-me de fazer algumas recriações com os meus primos. Inclusivamente, essas brincadeiras tinham direito a uma Janeca residente, já que uma das minhas primas chama-se Maria João. (Curiosamente também tenho uma prima chamada Filipa mas na altura era pequena demais para fazer de Pipinha.)
Até então, tinham sido raros os concursos estrangeiros adaptados para Portugal, pelo que certamente o sucesso de "Jogo de Cartas" foi um dos factores do boom de concursos na programação da RTP nos anos seguintes, como "A Roda Da Sorte", "Casa Cheia", " O Preço Certo", "Palavra Puxa Palavra", "O Trevo Da Sorte" e "Entre Famílias", a maioria deles também adaptados de originais americanos. Infelizmente não existem imagens do programa no YouTube.

Em 2007, no programa da RTP "Superconcurso", dedicado aos concursos exibidos na história da RTP, uma das emissões foi dedicado ao "Jogo De Cartas" com depoimentos de Nicolau Breyner, Serenella Andrade, Felipa Garnel e Maria João Lopes.


       

Capri-Sonne - Anos 80

A imagem de marca dos sumos Capri-Sonne é a invulgar embalagem em que é vendido, uma bolsa de alumínio laminado ou "embalagens ergonómicas flexíveis" por oposição aos tradicionais sumos em lata e garrafa. Segundo a pesquisa que fiz, terá surgido em Portugal nos anos 80, apesar de já existir desde o final dos anos 60. O nome Capri-Sonne foi escolhido - segundo o site da companhia - porque nos anos 60 a ilha italiana de Capri era o símbolo máximo de férias, Mediterrâneo e fruta maturada ao Sol; e dai a combinação "Capri" e "Sonne" ("Sol" em alemão). Esteve ausente - ou pouco presente - do mercado português durante alguns anos, mas este sumo sem gás voltou a ver-se frequentemente nas prateleiras. "Lá fora" usa-se também o nome Capri-Sun.

Um reclame de 1988: "Capri-Sonne", "a festa da fruta".
Publicidade retirada da revista Pato Donald Nº 190, de 1988. 
Uploader original desconhecido. Imagem Editada e Recuperada por Enciclopédia de Cromos.
Nesse reclame de 1988 os sabores apresentados são: Exotic, Limão, Laranja, Maça e Ananás. Actualmente existem sabores com nomes mais invulgares, gosto bastante do de Cola Mix (Cola tipo Coca-Cola genérica, não Cola Cisne).

O famoso anúncio com Eusébio, recuperado pelo Mistério Juvenil, "os futuros campeões bebem Capri-Sonne":


Actualização: 
Um anúncio de 1987 da associação do Capri-Sonne com o Pantera Negra: Capri-Sonne "Dábolas". Bastava recortar "de 3 sacos a palavra Capri-Sonne com o nome do espectivo sabor" e enviar para participar no sorteio de "300 bolas de futebol autografadas por Eusébio!".

Actualização. Imagem digitalizada e Recuperada por Enciclopédia de Cromos.


Publicidade retirada da revista Pato Donald Nº 162, de 1987. 
Uploader original desconhecido. Imagem Editada e Recuperada por Enciclopédia de Cromos.

Muito mais giro é este reclame de 1989 - colocado online pela grande LUSITANIATV - com que qualquer criança - pelo menos do litoral - se podia identificar, os dias de brincadeira na praia:

Esse reclame deve ter sido o mais perto de que estivemos de um "Verão Azul" português. Obviamente, nem os putos são portugueses, como se vê nesta versão em inglês: "80's Ads: Capri Sun" ou esta de 1983.

No estrangeiro a bebida foi popularizada no final dos anos 70 devido a uma grande campanha publicitária pelo lendário Muhammad Ali. O Museu virtual do Capri-Sonne: "The Capri-Sonne Museum".
Não me recordo de cá por casa - fiéis ao Sumol e Tang - sermos grandes consumidores de Capri-Sonne, pessoalmente associo estes sumos a lanches fora de casa, na escola, festas de aniversário, passeios em família ou piqueniques.
Qual o vosso sabor predilecto?


O Cromo de Nuno Markl sobre o Capri-Sonne, que vem com uma advertência:"Não se deve beber num copo.": 


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segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Tous - Bollycao - Anos 90


Em conversas com os nostálgicos na Internet, uma das colecção de brindes que é recordada com mais saudades é a dos "Tou", "Tous" ou "Bolly-Tous", pequenos cromos autocolantes que saiam nos pacotes dos bolos recheados de chocolate Bollycaos.

Todos os "Tous" são protagonizados por uma criaturinha verde de ar simpático que ao longo de dezenas de cromos diferentes ilustrava o seu estado de espírito, e ao mesmo tempo contribuiu para a disseminação do uso de "tou" em vez de "estou". (No site Ciberdúvidas um utilizador indica que se deve escrever tou e não 'tou , visto não ser uma "uma contracção, mas, sim, de uma forma que perdeu a sílaba inicial. Este fenómeno chama-se aférese")

A colecção da Ana Trindade obviamente inclui umas boas dezenas de "Tous":



Eis um exemplar da 2ª série que adquiri recentemente numa feira de velharias:




Este anúncio ao Bollycao - disponibilizado online pelo Mistério Juvenil - inclui a apresentação da colecção "Tou":



Segundo informação do Fórum de Numismática, os "Tou" tiveram 2 séries, a primeira com 50 cromos e a segunda com 65. Foram ainda lançados uns "Tou" de tamanho maior e desdobráveis, com 20 para coleccionar.

1º Série:
Fonte: Fórum de Numismática
Da primeira série lembro-me melhor do "Nã Tou", "Tou Invisível", "Tou C'a Mosca", "Tou nas lonas" ou "Tou de rastos".

2º Série:
Fonte: Fórum de Numismática
Recordo-me bem de ver os "Tou Giro", "Tou Astronómico" e o "Tou Glorioso".

"Tou" desdobráveis:
Fonte: Fórum de Numismática
Dos desdobráveis creio que tive o "Tou a dar música", "Tou numa de Hóquei" e "Tou numa de filósofo".

Como habitual, os brindes da Panrico chegavam a Portugal depois de serem comercializados no pais de nuestros hermanos, e os "Tous" não foram excepção, consta que andaram nos Bollycaos espanhóis desde final dos anos 80, com o nome "Tois" ou "Bolly-Tois". Mais detalhes no blog "Por el poder de Grayskull: Los TOIS de Bollycao".



Recentemente ainda foram colocados à venda uma colecção de "Tous" adaptados ao século XXI: "Tou Twitando" por exemplo. Desses não coleccionei nenhuns. Agora os dos anos 90, um sucesso gigantesco que deve ter aumentado em muito as vendas dos Bollycao e o colesterol dos jovens, estavam destinados a decorar um pouco de tudo, desde as capas dos cadernos e livros escolares, portas do frigorífico, guarda-fatos ou janelas dos quartos.
Caros leitores: Quais eram os vossos favoritos, ou que se lembram melhor?


A colecção tinha já sido recordada no "Caderneta de Cromos 221 - Bollycao" [Ouvir/Download do Podcast].
Deixo ficar o link de outra colecção saudosa do Bollycao dos anos 90: "Cromos Videojogos Sega" protagonizados pelo carismático Sonic.

Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos"Visite também o Tumblr: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr".

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