segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Drop Dead Fred (1991)

Caros leitores, hoje trago-vos um texto especial (sobre um filme que nunca vi ) da autoria de Sofia Santos, a minha querida sócia do CINE31, que também anda a solo no Girl On Film. Mas já chega de conversa, passo a palavra à Sofia:



por Sofia Santos


Sabiam que estão a pensar fazer um remake de Drop Dead Fred e que Russell Brant deverá ser Fred? A autora destas palavras, preferia não saber, acreditem!
Anos 90. Tinha eu uns 13 anos. Rebelde, irreverente e sem leis, uma das manipuladoras da turma, aquela que falsificava as assinaturas dos encarregados de educação e que seguia o carteiro para apanhar as cartas da escola primeiro que os pais. A sujeita que passava dias inteiros no café e não nas aulas. E, nos dias em que ia às aulas fazia de tudo para cansar os professores e vir para a rua – a “minha especialidade” era mesmo vir para a rua, sem falta. Ohhhhh que tempos gloriosos (ou não - depende dos dias e da disposição com que faço esta avaliação retrospectiva). 
Falamos de uma época – fim dos anos 80 inicio dos 90 – dominados por “comédias light”. Comédias com“C” grande – aquelas que têm um espaço privilegiado na “gaveta” dos guilty pleasures de culto -  Beetle Juice, Ferris Bueller's Day Off, Can't Buy Me Love, Don't Tell Mom the Babysitter's Dead, Honey, I Shrunk the Kids,  The Money Pit e Look Who's Talking entre tantas outras,. Comédias que nos maravilharam com humor simples, fácil e eficiente. Falo de filmes que não nos esquecemos e que mesmo envelhecidos ainda nos fazem soltar umas belas e eternas gargalhadas. 

São especiais não só pela sua simplicidade, mas também porque sempre que os vimos relembramos a nossa própria história e ressuscitamos alguns dos momentos que vivemos naquela época. Mas acredito sinceramente que a algumas pessoas, estes filmes/recordações, em vez de fazerem soltar gargalhadas, despertem as lágrimas do passado – penso, por exemplo, na minha professora de alemão. Coitada!
Mas no topo da lista cinematográfica da minha fase rebelde não podia estar outro filme que não Drop Dead Fred. O reflexo em tela daquilo que eu era e pretendia ser de forma esmerada. Fred era a versão melhorada de mim própria. Fred é o amigo imaginário mais cool de sempre. 



Antes de me sentar a escrever estas singelas palavras, fiz uma leve pesquisa na internet e reparei - com alguma tristeza - que este deve ser um dos filmes mais odiados de sempre. Existem pessoas que acham ofensivo o comportamento tresloucado de Fred e fazem comparações absurdas, metáforas e dissabores em torno das doenças do foro psicológico. Na minha humilde opinião, acho que esta análise crítica, é mais ofensiva para as pessoas portadoras de doenças mentais do que propriamente para o filme, que é simplesmente e só, uma crítica à infância solitária e àquela fase em que brincamos com amigos imaginários ou simplesmente falamos sozinhos a brincar.

Porra... O gajo dizia asneiras, fingia vómitos chamava mega bitches  a toda a gente. Tinha um penteado híper estranho e vestia um fato verde totalmente pop. 
Símbolo da rebeldia e do inconsciente. 

Realizado por Ate de Jong, Drop Dead Fred (1991) conta a história de Fred (interpretado por Rik Mayall) que vivia na mente infantil de Elizabeth (Phoebe Cates), uma criança cujos pais dedicavam pouca atenção - uma mãe manipuladora e um padrasto mulherengo. Fred era o seu melhor e quase único amigo. 
Elizabeth, já adulta, recém-divorciada e sem trabalho, vê-se obrigada a regressar a casa dos pais. E com este “regresso ao passado”, também Fred regressa para a atormentar ou divertir. Assim o seu amigo imaginário de infância leva-a a cometer loucuras, chegando mesmo a ser catalogada como louca pelos outros. 

Drop Dead Fred faz-me rir sempre. É idiotamente divertido. É a ver sem qualquer tipo de preconceito ou ideias pré-definidas. Aqueles que pretendem vê-lo uma primeira vez e que não percebam o conceito intrínseco e acharem que o filme é sobre possíveis problemas psiquiátricos de Elizabeth, é sintomático. Significa que talvez precisem de uma consulta na especialidade. 

Podem ler mais escritos da Sofia Santos no Girl On Film e no CINE31. Obrigado Sócia, por esta viagem aos anos 90 :)

J&B (1988)

Do tempo em que as revistas estavam cheias de reclames a bebida: anúncio ao scotch whisky "J&B" da companhia Justerini & Brooks.

Publicidade retirada da revista Selecções do Reader's Digest Nº 207 (Tomo XXXV) de Julho de 1988.

Caro leitor, pode falar connosco nos comentários do artigo, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos"Visite-nos também no "Tumblr - Enciclopédia de Cromos".

domingo, 20 de janeiro de 2013

Lubritex (1988)

Depois das publicidades da Crónica Feminina, regressamos às Selecções do Reader's Digest. 
Hoje, temos outro anúncio "Lubritex" (veja o primeiro aqui). "Um Serviço Experiente, um Serviço Inteligente".



Publicidade retirada da revista Selecções do Reader's Digest Nº 207 (Tomo XXXV) de Julho de 1988.

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Hana no Ko Lunlun (1979-1980)



Hana no Ko Lunlun (花の子ルンルン Hana no Ko Runrun) - literalmente "Lunlun, a Rapariga das Flores" - com os títulos internacionais The Flower Child Lunlun /Lulu, The Flower Angel é a adaptação à televisão (1979-1980) do manga homónimo de Shiro Jinbo. Esta adaptação foi levada a cabo pelos míticos estúdios Toei Animation, que nos deram clássicos do calibre de Candy-Candy, Calimero, Dragon Ball, etc.


No Brasil teve o nome “Angel e a flor de 7 cores”, e na Espanha “Lulu , la chica de las flores” / “En busca de la flor magica”. Não consegui descobrir se foi exibida em Portugal, mas o tema musical do genérico não me é estranho! Talvez tenha visto na TV espanhola...



Pareceu familiar a mais alguém? Se souberem mais detalhes partilhem nos comentários ou no Facebook!
A série, dirigida ao público feminino, teve 50 episódios e foi uma das pioneiras em trazer para o Ocidente o género de animes com raparigas mágicas.A protagonista descobre aos 15 anos que é descendente de um antigo povo místico, e parte em viagem pelo mundo em busca de uma flor que pode salvar o seu povo ao legitimar o herdeiro do trono. Nessas aventuras, em que é perseguida pelos obrigatórios vilões, conta com o auxilio de um cão e um gato falantes, além de uma artefacto místico e um príncipe.

O genérico final, com o tema "Onna No Kotte":

Algumas imagens:







Texto original no Minicromo: "Enciclopédia de Cromos - Tumblr - Hana no Ko LunLun"

Como sempre, o leitor pode partilhar experiências, corrigir informações, ou deixar sugestões aqui nos comentários, ou no Facebook da Enciclopédia: "Enciclopédia de Cromos"

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Geração Tartarugas Ninja





Como prometido, publico hoje o texto que eu tinha escrito em resposta aos textos do tópico anterior, o dos textos da Geração Pokémon e Geração Heidi. Como sentia que havia uma geração intermédia, daqueles que na altura (2002) tinham à volta de 20 anos como eu, decidi escrever sobra aquela que chamei de Geração Tartarugas Ninja.

Os nomes
Os rapazes chamavam-se Bruno, Nuno, Tiago, Pedro ou Ricardo. As raparigas chamavam-se Ana "qualquer coisa" (sobretudo Margarida, Rita e Sofia), Vera, Rute, Liliana, Tânia ou Marisa. 

As mães
A maioria das mães trabalhava e já não tinham pachorra para fazer a marmita dos filhos, pelo que ou se almoçava na cantina ou quem morava perto ia a casa almoçar as sobras do dia anterior.

Principal preocupação dos pais
Que os filhos dessem em doutores e não em drogados (ou em doutores drogados).

Pequeno-almoço
Chocapic ou Estrelitas, pão com manteiga, leite com Cola Cao ou Suchard Express.

Lanche
Iogurte líquido, pão com Tulicreme, Coca-Cola, bolos de pastelaria

Comida da cantina
Carne com massa, empadão com arroz.


Levava-se para a escola
Dossiers com folhas A4 que serviam para várias disciplinas. Cadernos pretos forrados com fotografias dos Take That (as raparigas), carros de Rali e Fórmula 1 (os rapazes), bandas de heavy metal (os mais afoitos). 

No início das aulas
Os livros variavam de escola para escola: havia os que eram mesmos anos a fio e outros que mudavam todos os anos. Era suposto os marcadores e os lápis durarem o ano inteiro, mas a meio do 2.º período geralmente já estavam gastos e tinham de se comprar uns novos.



Em Educação Física
As raparigas usavam t-shirts garridas, calções de lycra pretos e sapatilhas brancas. Os rapazes usavam um simulacro do equipamento do Benfica, do Sporting ou do clube da terra. 

Nas aulas
Jogava-se à batalha naval e ao jogo do galo. Passavam-se bilhetinhos: "Queres namorar comigo? Sim / Não / Vou pensar"

Nas férias
Ia-se 15 dias para o Algarve ou Litoral Centro. Os mais endinheirados iam para Espanha. Podia-se brincar na rua até à uma da manhã.


Roupas
Já havia alguma preocupação com as marcas (ai de quem não tivesse pelo menos uns ténis de marca Adidas, Reebok ou Nike). As raparigas usavam saias plissadas, kispos até ao joelho, bandeletes de camurça e sabrinas pretas. Os rapazes usavam blusões de ganga, pullovers com losangos, pólos Lacoste ou a imitar e camisas aos quadrados. Ambos usavam calças de ganga, sweatshirts e fatos de treino largueirões em tencido enrugado (cor-de-rosa para elas, verde ou azul-escuro para eles). Os metaleiros exibiam orgulhosamente as suas T-shirts que reproduziam as capas dos discos dos Metallica e dos Iron Maiden.

Tempos livres
As raparigas na dança jazz, os rapazes no futebol ou no karaté ou tanto eles como elas na natação. Ainda assim, havia tempo para as brincadeiras de rua, sobretudo nas férias escolares.


Em casa
Brincava-se na Sega Mega Drive ou no Super Nintendo, ou no MS-DOS do computador, e ao Tetris. Jogava-se ao Stop e ao Quem É Quem. E claro, batia-se no irmãos.

Na rua
Brincava-se às escondidas, à apanhada e à sirumba. As raparigas faziam ladainhas com as mãos e jogavam ao elástico e os rapazes jogavam invariavelmente à bola ou alinhavam em jogos viris como o corredor da morte.


Lia-se
As colecções de "Uma Aventura", "Aventuras Fantásticas" e "O Clube das Chaves". Banda desenhada do Tio Patinhas, do Lucky Luke e do Pimentinha. 


Televisão
"Beverly Hills 90210", "Já Tocou", "Parker Lewis", "Os Simpsons" e o "Isto Só Vídeo". O Lecas era o herói da pequenada e acordava-se bem cedo ao fim de semana para ver desenhos animados como as "Fábulas da Floresta Verde", o "Tom Sawyer" e as "Tartarugas Ninja". Importantes eram também as telenovelas brasileiras com destaque para a "Tieta", o "Roque Santeiro" e o "Sassaricando". Por vezes nos recreios recriavam-se cenas das novelas. Apesar do apelo, já não se consideravam miúdos para se irem deitar depois do Vitinho.


No cinema
"Sozinho em Casa", "Tartarugas Ninja", "Quem Tramou Roger Rabbit", "Parque Jurássico", filmes do Schwarznegger e do Van Damme. As meninas não perdiam nenhum filme do Tom Cruise ou do Johnny Depp.

Ídolos do futebol
Como o Sporting não ganhava nada da altura, quase todos eram do Benfica e do FC Porto (foi nesta geração que surgiram os primeiros portistas fora do Norte).  Os benfiquistas idolatravam o Rui Águas e os suecos Magnusson, Thern e Schwarz, os portistas o Madjer e o Vítor Baía e os sportinguistas o Cadete e o Balakov.


Ídolos da música
Nirvana, Guns'N'Roses, Take That, Bryan Adams, Technotronic, Snap!, Roxette, Dr. Alban, Vanilla Ice, MC Hammer, 4 Non Blondes.


O que se vai recordar
O vídeo VHS e as câmaras de filmar ainda eram objectos de luxo. As consolas que eram só de 8 e 16 bits. Os Pega-Monstros que vinham nas batatas-fritas.







terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Geração Heidi vs. Geração Pokémon

por Paulo Neto

 


Ao remexer em papéis antigos numa gaveta, redescobri uma fotocópia com dois recortes do jornal do Fórum Estudante dos meus tempos de universitário em Coimbra, creio que datados de 2002. Segundo uma nota da edição do jornal, tinham recebido os dois textos por e-mail anónimo. Um dos textos resumia a Geração Heidi, correspondente àqueles que na altura tinham à volta de 30 anos, e o outro sintetizava por contraponto a Geração Pokémon a quem pertenciam aqueles então com cerca de 10 anos. Na altura os textos inspiraram-me a escrever um texto semelhante sobre a geração intermédia, a dos que tinham então cerca de 20 anos, à qual eu pertencia e que apelidei de "Geração Tartarugas de Ninja". Neste artigo, pretendo fazer uma transcrição dos textos pondo cada tópico em modo comparativo. O mais engraçado é que agora a Geração Pokémon está na casa dos vintes e já carrega a sua bagagem de nostalgia croma.

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Os nomes
Geração Heidi: Chamavam-se Anas "qualquer coisa..." (especialmente Cristina, Filipa, Rita ou Sofia): As outras eram Carla, Sandra ou Sónia. Os rapazes eram João "qualquer coisa" (geralmente Pedro, Paulo ou Nuno) ou Luís Miguel.
Geração Pokémon: Chamam-se Joana, Inês ou Filipa. Ou então Marta, Mariana, Madalena, Mafalda ou Rita. Os rapazes são André, Tiago, Diogo ou Bernardo.

As mães
GH: Muitas eram domésticas e levantavam-se mais cedo para enfiarem almôndegas à força nos termos da escola. As que não eram andavam muito ocupadas nas manifestações e davam dinheiro para comer na cantina.
GP: As mães trabalham até às 8 da noite, passam duas horas paradas no tabuleiro da Ponte a ouvir a Rádio Nostalgia ou a pensar na vida e sabem que descongelar é uma arte.

Principal preocupação dos pais
GH: Que os filhos dessem em doutores.
GP: Que os filhos não dêem em drogados. 


Pequeno-almoço
GH: Papa de qualquer coisa, se possível com leite gordo e muito açúcar, ou então café com leite.
GP: Qualquer coisa que tenha crocante, chocolate e brinde escrito no mesmo pacote.

Lanche
GH: Uma carcaça mole ensopada de doce de morango ou marmelada.
GP: Donuts, batatas fritas, tiras de milho ou snacks de chocolate.

Comida da cantina
GH: Carne assada com massa, bife com massa ou jardineira.
GP: Carne assada com massa, frango com massa, bife com massa.



Levava-se para a escola
GH: Uma mochila verde tipo tropa com fechos de cabedal que encaracolavam ao segundo dia e com inscrições do grupos preferidos. Havia uma régua espetada nos dias de aulas de desenho. Pesavam toneladas.
GP: Uma mochila de rodinhas ou então mochilas impermeáveis de marca, pretas ou azul-escuras. Continuam a pesar toneladas.


Para o início das aulas
GH: Não se conseguia encontra logo os livros escolares. Estavam frequentemente esgotados porque eram os mesmos para toda a gente. Havia quem os forrasse para passarem ao irmão mais novo no ano seguinte. Na papelaria da esquina comprava-se uma embalagem de marcadores, um afia, uma borracha, um esquadro e era suposto que desse para todo o ano.
GP: Vão ao corredor do hipermercado que diz "Regresso às Aulas" e compram milhares de canetas, aguarelas e lápis de cera. Têm coisas sofisticadíssimas dentro dos estojos, principalmente as meninas: borrachas com cheiro a tangerina, elásticos e fitas do cabelo, autocolantes minúsculos e pulseiras.



Em Educação Física
GH: Usava-se sapatilhas brancas e fatos treino azul-escuros, encarnados ou verdes com uma risca branca e uns fechos desconfortáveis que faziam uma marreca à frente. E andava-se todo o dia com aquilo.
GP: As meninas vestem tops e calças de lycra, os rapazes calções. Ambos usam ténis com sola fluorescente e que não digam "Made in Indonesia".


Nas aulas
GH: Faziam-se cadernos de autógrafos onde se escrevia coisas como "Quando fores ao quadro/ não penses no teu amor/ porque podes te enganar/ e beijar o professor." Passavam-se papelinhos.
GP: Jogam Gameboy e mandam SMS pelo telemóvel.

Nas férias
GH: Iam para casa dos avós ou eram deixados à balda.
GP: Vão para campos de férias moer o juízo aos animadores. Os mais sortudos vão para casa de uma migo ou passam 15 dias em Inglaterra a estudar Inglês.



Vestimentas
GH: Vestia-se aquilo que viesse à mão. Blusas verde-eléctrico com golas de bico, calças de bombazine com joelheiras. As meninas podiam ter aplicações de malmequeres de pano, vestiam saias de pregas sem nenhuma forma e sapatos rasos com lacinhos. Ambos usavam pullovers às riscas, camisolas tricotadas pelas mães dois números acima, kispos (que deviam durar no mínimo quatro anos). Não havia Zara. Era normal ser-se muito feio com 10 anos.
GP: Ambos vestem calças e sweatshirts com t-shirts por baixo e ténis em camurça. As meninas usam brincos, pulseiras, molas, ganchos, malinhas, gel fluorescente. Há calças especiais para meninas, mais justas em cima. Tanto eles como elas têm todos os anos roupa nova (alguns todas as semanas). Não é suposto andarem andrajosos, nem no recreio  Conhecem as tendências internacionais. Há marcas que usam e outras só por cima do seu cadáver. Dois anos depois, tornam-se dread.


Trocavam-se
GH: Cromos das Maravilhas da Natureza, da Kate Greenaway ou da caderneta do Benfica.
GP: Trocam-se cartas do Pokémon e brindes dos pacotes das batatas fritas.


Em casa
GH: Brincava-se às bonecas, aos carrinhos e com os bonecos dos Estrunfes. Jogava-se ao Jogo da Glória e ao Monopólio. Batia-se nos irmãos. Com os amigos, jogava-se ao elástico, ao bate-pé e ao quarto escuro. Alguns ficavam a tarde toda a jogar à bola e a andar de bicicleta.
GP: Quem pode, joga computador e fala num chat da Internet até às 4 da manhã. Vê-se televisão  Bate-se nos irmãos. (É bom ver que há coisas que nunca mudam!). Nunca se brinca na rua porque se pode ser raptado por pedófilo. O tempo que não se está na escola, está-se no Inglês, no kickboxing, na natação, na dança, ou então em casa a olhar para o ar. 


Lia-se
GH: A Condessa de Ségur, "Os Cinco", "As Gémeas do Colégio de Santa Clara" e a "Patrícia", a "Turma da Mónica", a "Mafalda" e o "Astérix". Os rapazes liam o "Michel Vaillant". 
GP: A colecção "Uma Aventura", os "Arrepios", o "Clube das Amigas". Os mais intelectuais já se atiraram ao "Harry Potter".


Na televisão
GH: A "Abelha Maia", o "Espaço 1999" (em reposição contínua) e a telenovela "Água Viva". O Vasco Granja e seus desenhos animados checoslovacos, a "Pantera Cor-de-Rosa" e o "Professor Baltazar". Aos domingos, o Júlio Isidro, o "Sítio do Picapau Amarelo", "Dallas", "O Homem da Atlântida", os Marretas, o "Verão Azul" e "Os Anjos de Charlie".
GP: Tudo o que os adultos vêem. Filmes de terror e desenhos animados (às vezes são a mesma coisa). O "Ranger do Texas", o "Zip Zap", programas de videoclips e o "Big Brother". Há quem veja o "Batatoon" por saudades, mas não o confesse. Quem tem TV Cabo, vê o Panda e  o Cartoon Network. Muitos têm toneladas de cassetes com filmes da Disney.


No cinema
GH: "Sete Noivas Para Sete Irmãos", "Sissi", "ET" e a "Música No Coração" pela 2934484.ª vez e "Os Malucos" em outras fases da sua existência.
GP: "O Professor Chanfrado", "Missão Impossível", tudo o que tenha um carro a perseguir um camião (os rapazes), o Brad Pitt ou o Leonardo Di Caprio a perseguir quem quer que seja (as meninas).Ofendem-se quando os querem levar aos desenhos animados, mesmo que depois gostem. 


Ídolos
GH: O Chalana, os Queen, Duran Duran, Bruce Springsteen, Madonna e Bryan Adams.
GP: O Figo, os Anjos, o Miguel e o André, Britney Spears, Jennifer Lopez e os Backstreet Boys. Qualquer banda rock em que pareçam agricultores suecos do século XVIII.


O que se vai recordar
GH: Esfregar a sola dos sapatos novos no passeio. A bola da comida de termo no prato. Verdade ou Consequência. Os "Porcos no Espaço". A tiara de lata da Supermulher, as barbatanas entre os dedos do Patrick Duffy. Os pacotes de Belinhas. 
GP: Ainda não se sabia. Embora alguns falem do cheiro dos ténis do irmão.   

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Amanhã publico aqui o texto que escrevi sobre a geração intermédia entre estas duas, a Geração Tartaurgas Ninja, à qual eu pertencia. Já agora, lanço o desafio: como se poderá chamar e sintetizar a geração daqueles que hoje têm à volta de 10 anos?


segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

O Justiceiro (1982-1986)

Knight Rider / O Justiceiro (1982-1986)


Uma das mais míticas séries que já passaram pelas televisões portuguesas: ‘O Justiceiro’ (‘Super-Máquina’ no Brasil, 'Knight Rider' no original) fez recentemente 30 anos desde a sua primeira emissão nos EUA, a 26 de Setembro de 1982, no canal NBC. Michael Knight (David Hasselhoff ), um homem numa guerra contra o crime e a injustiça, com a ajuda de uma pequena equipa e do seu fantástico carro K.I.T.T. (acrónimo de Knight Industries Two Thousand), uma máquina sofisticada com inteligência artificial e a voz do actor William Daniels.


A série foi um sucesso mundial e ainda é das mais recordadas hoje em dia. Michael Long era um policia que apesar de sobreviver a um tiroteio fica desfigurado. Salvo pelo milionário Wilton Knight (Richard Basehart, que também narrava o genérico) e com um novo rosto, Long assume a sua nova identidade de Michael Knight e tenta lutar contra o crime e realizar o sonho de Wilton Knight de que "um homem pode fazer a diferença". Mas apesar de o herói solitário trabalhar no campo com o seu "cavalo mecânico", contava também com o apoio da FLAG - Foundation for Law And Governement e de uma equipa liderada por Devon Miles (Edward Mulhare). A Dr. Bonnie Barstow (Patricia McPherson), além da chefe técnica de K.I.T.T., era um interesse amoroso de Michael. Na segunda temporada Bonnie foi substituída por April (Rebecca Holden), mas a pedido dos fãs e dos colegas, regressou às suas funções na terceira e quarta temporadas.



Era obrigatório assistir aos episódios, que reunia toda a família em redor do televisor para ver na RTP1 as aventuras do engatatão Michael Knight, quase secundário perante o grande trunfo da série: a personagem K.I.T.T., o fascinante carro falante,  o Pontiac Firebird Trans Am modificado mais veloz da TV e capaz de grande acrobacias com direito a replay. Muitos dos pontos altos eram precisamente o momento em que era activado o Turbo Boost que permitia ao K.I.T.T. saltar muito alto. (Veja aqui um video de quase 10 minutos com a maioria dos Turbo Boost durante a série: "Turbo Boost Tribute")

Tal como no tempo do MacGyver, lembro-me da ansiedade que sentia ao voltar da praia ao Domingo à tarde, aflito para chegar a tempo do inicio do episódio da semana.
Como eu adorava ver o K.I.T.T. "transformar-se" para usar a principal novidade da ultima temporada: o Super Pursuit Mode:



Não me recordo de ter merchandising oficial do Justiceiro, decerto tive cromos e outras coisas do género, mas um dos meus brinquedos favoritos de sempre foi um grande K.I.T.T. a pilhas (creio que não oficial) oferecido no Natal, que se transformava num robot, uma fantástica combinação do Knight Rider e dos Transformers! Há anos que procuro na Internet por fotos ou informação sobre este brinquedo, mas sem sucesso. Ainda nos anos 80, aconteceu na minha terra uma exposição com uma réplica de um K.I.T.T.. Lembro-me que fui ver um dia depois de sair das aulas na escola primária, atravessando um descampado até ao local (uma casa que vende mobiliário), com bastante afluência de visitantes e acho que torci o nariz ao deparar-me com algumas diferenças entre o carro à minha frente e o "carro verdadeiro" que via na TV. Raios partam os putos, nunca estão satisfeitos! Infelizmente, não tirei nenhuma foto com o carro, como vi várias pessoas fazer: a posarem para a foto ao volante do K.I.T.T. e sentindo-se um pouco como o Michael Knight.

Anos mais tarde, "O Justiceiro" passou na TVI, em versão "dublada" no Brasil. Fui incapaz de rever muitos episódios com as vozes substituídas, mas ficou para a história da TV a frase que Michael Knight gritava para o comunicador no relógio: "Kitchi, vem mi buscá!".


Além da série original concebida por Glen A. Larson (Battlestar Galactica, Manimal), e que durou 4 temporadas, num total de 90 episódios; foram desenvolvidos mais tarde três tele-filmes [Knight Rider 2000 (1991), Knight Rider 2010 (1994) e Knight Rider (2008)] e duas séries que duraram pouco tempo: Team Knight Rider (1997) e Knight Rider ( 2008 - com o filho do Michael Knight a tomar as rédeas o volante do carismático automóvel falante, que nesta versão do século XXI está mais artilhado que nunca).

Algo que vem logo à cabeça quando se fala no K.I.T.T. é o scanner vermelho na frente da viatura, herança directa dos Cylons da série Galactica, também criada por  Glen A. Larson. Outro dos mais icónicos elementos da série é o tema inicial (ouvir), de Stu Phillips. Como curiosidade, reparem na semelhança entre os acordes do tema de Knight Rider com os de "March and Procession of Bacchus ", do século XIX.


Genéricos:

Genérico inicial da Primeira Temporada:
Genérico inicial da Segunda Temporada:
[ou aqui]
Genérico inicial da Terceira Temporada:
Genérico inicial da Quarta Temporada:

Ou aqui, reunidos com melhor qualidade de imagem: " Knight Rider Intros Collection".

Comparem aqui com esta pérola, a malta do Leste diverte-se. E os franceses também.
Um dos grandes momentos da série foi a aparição do gémeo malvado do K.I.T.T., ou melhor  o seu protótipo defeituoso: K.A.R.R., no episódio 9 da 1ª temporada, com a voz de Peter Cullen (o Optimus Prime dos Transformers). Depois da aparente destruição da viatura maligna, este volta noutro episódio da 3ª temporada, com aspecto e voz diferente (Paul Frees). K.A.R.R. volta a surgir apenas na série de 2008, novamente com a voz de Peter Cullen, e ainda mais letal.

Capa de um jogo para NES, de 1989:

Claro que no tempo da Caderneta de Cromos, Nuno Markl dedicou um dos seus cromos à serie:
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domingo, 13 de janeiro de 2013

Café Nicola (1985)

Sempre que ouço a palavra Nicola, lembro-me sempre daquela famosa história do poeta Bocage:
 “Eu sou Bocage
Venho do Café Nicola
Vou p’ro outro mundo
Se disparas a pistola”.
Pois é precisamente Bocage que ilustra esta embalagens de café em grão "Nicola", acima representada em duas variedades: "Lote Especial" e "Lote Bocage". O anúncio apregoa ainda que estas novas ( em 1985) embalagens vinham com uma "válvula de garantia de aroma".
E com este reclame encerro as publicidades extraídas da Crónica Feminina de Abril de 1985. Mas ainda tenho mais algumas revistas para por no scanner, por isso, esperem por mais material brevemente!

Actualização: agradeço ao leitor Helder, por nos comentários ter colocado um link que me possibilitou conseguir o video do mítico reclame do Café Nicola, com o actor Manuel Cavaco a incorporar o famoso poeta Bocage. Veja o video:



Publicidade retirada da revista Crónica Feminina nº 1482, de 18 de Abril de 1985.

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