sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Miquel Brown e Sinitta

por Paulo Neto

Os casos de mães e filhas com sucesso na música não são assim muitos, pelo menos comparados com os casos de pai e filhos/filhas musicais. Os exemplos mais conhecidos são os de Whitney e Cissy Houston e de Elis Regina e Maria Rita, e em Portugal, tivemos a fadista Helena Tavares e a sua "Doce" filha Lena Coelho.
Mas a dupla mãe e filha com o legado mais cromo é sem dúvida Miquel Brown e Sinitta

Nascida em Montreal, no Canadá, com somente catorze anos, Miquel (pronuncia-se como "Michael" Brown) deu à luz duas filhas gémeas, Greta e Sinitta, tendo a primeira sido adoptada por outros familiares. Além de ter uma vasta carreira na representação, sobretudo no teatro musical e no cinema (teve pequenos papéis em "Rollerball" e "Super Homem"), Brown teve uma breve carreira como cantora de disco e Hi-NRG, da qual o seu momento mais alto foi "So Many Men, So Little Time" (1983), que pela letra, parece um hino às ninfomaníacas. E graças ao vídeo, também tornou-se um hino gay.




Três anos depois, foi a vez da filha Sinitta alcançar o sucesso. Nascida em Seattle mas radicada desde muito cedo em Londres, foi a primeira artista lançada pelo célebre produtor musical Simon Cowell, que viria a ficar famoso como o terrível júri desbocado de "American Idol", com quem Sinitta tinha namorado intermitentemente. Depois de algumas tentativas falhadas, incluindo uma candidatura a ser a representante do Reino Unido no Festival da Eurovisão de 1984, o sucesso finalmente chegou em 1986 com o single "So Macho", que chegou ao n.º 2 do top britânico. Tanto a canção como o vídeo dispensam quaisquer palavras.




Sinitta continuou a somar alguns hits até 1993, alguns deles com a assinatura da lendária troika Stock /Aitken / Waterman. No final dos anos 80, namorou com Brad Pitt. 


Apesar do ocaso da carreira, Sinitta continua a ser presença regular na televisão britânica, sobretudo em reality shows, quer como participante quer como júri. 








segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Ghost - Espírito do Amor (1990)

por Paulo Neto

No cinema, é assaz difícil dar uma no cravo e outra na ferradura. Quando um filme quer ser muita coisa ao mesmo tempo, frequentemente acaba por não ser nada. Porém, há também casos de sucessos e um deles foi "Ghost - Espírito do Amor" de 1990. Com uma história que tinha tudo para ser assustadora e sombria, acabou por se tornar um conceito inovador: um thriller sobrenatural com doses proeminentes de comédia e romance.


Sam Wheat (Patrick Swayze) e Molly Jensen (Demi Moore) são um casal belo e apaixonado. Ela é ceramista, ele é bancário. Uma noite, os dois são atacados por um meliante, Willy Lopez (Rick Aviles) que acaba por matar Sam durante o confronto. 
Agora sobre a forma de um fantasma, Sam acaba por descobrir que a sua morte não resultou de aleatório assalto de rua mas sim de uma conspiração. O seu melhor amigo Carl Bruner (Tony Goldwyn) era afinal um amigo da onça: foi ele que contratou Lopez para assassinar Sam, porque Carl estava por detrás de um esquema de branqueamento de dinheiro que Sam estava a investigar.
Com Molly em perigo, Sam descobre que a (aparentemente falsa) médium Oda Mae Brown (Whoopi Goldberg) consegue ouvi-lo. Esta acaba por se tornar sua relutante aliada para proteger Molly e interceptar o esquema de Carl. Após uma frenética perseguição, Carl e Willy sofrem o castigo divino: ao morrerem, os seus fantasmas são levados para o Inferno por demónios tenebrosos e Sam, resolvidos os seus problemas, parte para o Céu, simbolizado por uma luz branca, não sem antes se despedir de Molly. 


Apesar de o suspense e temática sobrenatural serem o fio condutor da trama, não há dúvida que o sucesso de "Ghost" deve-se essencialmente aos alívios cómicos e às cenas mais românticas. Quanto à comédia, Whoopi Goldberg é exímia ao providenciar humor e humanidade à sua personagem, que facilmente poderia cair na caricatura, num desempenho que lhe valeu o Óscar de Melhor Actriz Secundária (Óscar também para o argumento original de Bruce Joel Rubin). E com a realização a cargo de Jerry Zucker que, com o seu irmão David e com Jim Abrams, esteve ao leme de várias sagas de comédia como "Aeroplano", "Aonde é que Pára a Polícia?" e "Ases Pelos Ares", era certo que o humor não faltaria.


Quanto ao romance, a química entre Swayze e Moore fez com que a mais mítica cena do filme seja  aquela que envolve preliminares numa roda de oleiro a moldar um vaso em barro ao som de "Unchained Melody". Aliás, a versão usada no filme, gravada pelos Righteous Brothers em 1964, triunfou nos tops desse ano e fez com que se tornasse a versão definitiva desta famosa balada, que já conheceu milhentas versões. Desde então essa cena tem sido várias vezes imitada e parodiada. E em 2010, houve uma remake japonesa, intitulada "Ghost: In Your Arms Again"!



Outras curiosidades:
- Molly Ringwald e Nicole Kidman fizeram audições para o papel de Molly.
- O realizador Jerry Zucker não queria Patrick Swayze, a escolha do argumentista, para protagonista. Nomes como  Kevin Costner, Kevin Bacon, Nicolas Cage, Alec Baldwin, Mickey Rourke e Bruce Willis (então casado com Demi Moore) foram considerados mas todos recusaram. Uma audição de Swayze acabou por convencer o realizador.
- O som tenebroso dos demónios que levam os vilões é o som de bebés em velocidade lenta. 
- A primeira cena a ser filmada foi a da esquadra de polícia.
- Patrick Swayze referiu que durante anos, mulheres diziam-lhe "Ditto" ("idem") na rua, que é o que a sua personagem responde quando Molly dizia "Amo-te".
- Nas cenas no metropolitano, as viaturas circulam no sentido oposto ao que correriam se estivessem a funcionar.
- Num cinema no México, as mulheres que fossem ver o filme recebiam um envelope com a inscrição "Solo para mujeres" com lenços de papel.

Trailer:




domingo, 11 de novembro de 2012

As Crianças da Montanha de Fogo (1979)


Esta série será a principal responsável pelos meus frequentes pesadelos com vulcões em erupção, que tive ao longo da infância. Isso e talvez o facto que perto da minha terra existir um monte com um formato de vulcão (pelo menos para a minha mente juvenil). Durante anos de pesquisa pela Internet, pouco consegui saber, também, a minha única lembrança é que envolvia um vulcão na Nova Zelândia e jovens! 
Mais concretamente, foi assim que em 2006 pedi ajuda no "Fórum do Mistério Juvenil":
"Alguém se lembra de uma série que - julgo - passou na RTP 1 ou RTP 2 (acho foi anterior às TVs privadas) passada numa aldeia perto de um vulcão na Nova Zelândia, numa área altamente florestada e creio k até havia um lago. Uns quantos miúdos andavam sempre em aventuras. Ando há anos pela Net a tentar descobrir o nome desta série ou mini-série (talvez seja Australiana...)"

Desde essa altura, não tinha descoberto nada, até que por acaso encontrei este artigo no excelente site espanhol: "Somos Ochenteros" - "Los Niños de La Montaña de Fuego". Que me conduziu a este artigo "Clubpoopmobile" e ao nome original da série: "Children of Fire Mountain", literalmente "As Crianças da Montanha de Fogo". Apesar de não encontrar informação em português sobre a série, creio que foi exibida na RTP, porque passou na TVE em 1980, e nessa altura tinha apenas 1 ano de idade,e  não me iria lembrar dela. Ou talvez tivessem usado um título diferente da tradução do original. Algum dos nossos leitores tem uma memória mais clara que a minha?

Os créditos iniciais e excerto de um episódio:




Esta mini-série de época (inicio do séc. XX), made in Nova Zelândia, teve uma temporada, constituída por 13 episódios, realizados por Peter Sharp. No começo da série, Sir Charles Pemberton (Terence Cooper, que por este papel venceu o Feltex Television Awards para Melhor Actor), um aristocrata inglês, viaja para a Nova Zelândia por motivos de saúde. Consigo viaja também a sua neta  Sarah Jane (Rachel Weston). Sir Pemberton decide aproveitar as águas medicinais e construir um hotel/spa em terra indígena, contra o desejo dos Maori, que têm uma cultura muito ligada à natureza e um ancião maori, Te Pourini (Tamahina Tinirau) adverte que o vulcão irá explodir em retaliação. Para aumentar os conflitos entre os colonos brancos e os Maori, Doomey Dwyer (Martyn Sanderson), o vilão da série, que tem uma destilaria ilegal, vende bebida aos Maori. O grupo de "heróis" era constituído pelos jovens Tom (Paul Airey), Davie (Ian Narev), Hema (Ross Duzevich) e Kir (Melissa-Aroha Baker), que tentam trazer Dwyer à justiça. Depois da hesitação inicial, Sarah Jane pode juntar-se ao grupo e torna-se amiga de Tom. O vulcão, a "montanha de fogo" do título, só entra em actividade perto do final. Encontrei os episódios no Youtube, mas não sei se vou rever, não me apetece voltar a ter pesadelos com vulcões... talvez seja melhor ficar no passado!

Actualização: Entretanto, as minhas investigações levaram-me a uma série com o título "As crianças da montanha", exibida aos Domingos de manhã, entre 6 de Janeiro e  7 de Abril de 1992, totalizando no entanto 16 episódios, contrariando todas as fontes em inglês da série, que referem apenas 13 partes. Repetição de episódios, engano da programação? Foi substituida por uma série australiana, "Adventures on Kythera".

Alguns screenshots de episódios da série [Fonte: The Wild Boys]:





No Youtube é possível ver os episódios: Youtube: Children of Fire Mountain.

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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Aguia (1985)

Este pequeno anúncio no rodapé de uma página da Crónica Feminina fez-me recordar o meu tempo entre linhas, lãs e botões na retrosaria da minha tia. Lembro-me melhor de outros produtos da "Coats & Clark" (parte da multinacional Coats), mas estas linhas "Águia" eram obrigatórias para croché!



Publicidade retirada da revista Crónica Feminina nº 1482, de 18 de Abril de 1985.

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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Atrix (1985)

Já há tempo que não via a familiar garrafinha de Atrix loção, no canto inferior direito do anúncio (creio que em casa nunca tivemos, mas lembro-me de ver à venda). E claro, a latinha com creme, que ainda temos em casa (versão mais recente, obviamente). "Atrix para que te sintas mais perto dos outros". "Atrix creme e loção cuida e protege as tuas mãos" (quase rima!). O blog "Santa Nostalgia" tem mais informação sobre os produtos da marca: "Atrix Creme".

Vale a pena recordar este anúncio de 1983:




Publicidade retirada da revista Crónica Feminina nº 1482, de 18 de Abril de 1985.

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Cabaz do Natal (1985)


Clique sobre a imagem acima para ler os componentes do Cabaz de Natal 1985, em duas variedades, a 8 e a 9 contos. Podia ser pago em várias prestações, e por mais 80 escudos, recebia a revista "Ela". Por 6 contos havia também o cabaz direccionado aos mais pequenos: "Natal dos Meus Filhos", um cabaz de  brinquedos, chocolates, jogos, banda desenhada, etc. O Cabaz de Natal incluia desde bebidas, a bolos, lata de ervilhas, champô, brinquedos a latas de Tody. Algum dos nossos leitores recebeu este cabaz em casa?


Publicidade retirada da revista Crónica Feminina nº 1482, de 18 de Abril de 1985.

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quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Igor Rampa - Mago Africano (1985)


Mais um anúncio a uma das charlatanice que infestavam ( e infestam!) as revistas. Desta vez, um suposto "mago africano": Igor Rampa, que tem no currículo as habilidades de cartomante, quirólogo e astrólogo (quase que aposto que também desentope retretes). Para cúmulo, com "garantia de resultados"!


Publicidade retirada da revista Crónica Feminina nº 1482, de 18 de Abril de 1985.

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terça-feira, 6 de novembro de 2012

Broas de Todos Os Santos

por Paulo Neto

dedicado a Ana José da Cunha (1920-2002)

Graças a uma das várias ideias peregrinas do actual governo, o passado dia de Todos Os Santos será o último como feriado nacional, pelo menos até 2018. Isso levou-me a uma reflexão sobre os meus anos de petiz em que o dia 1 de Novembro era um dos dias mais ansiados por mim em cada ano. O simples facto de ser feriado e não haver escola já seria motivo suficiente para júbilo, mas no meu caso, havia uma maior aliciante. Para mim, a quadra de Todos Os Santos significava encher o bandulho com deliciosas Broas de Todos Os Santos.



Este ilustre manjar da doçaria nacional fabrica-se um pouco por todo o país nas mais diversas variações. Mas na minha região, ainda que se fabriquem e se vendam em várias variedades, quando se chega as alturas dos Todos Os Santos, a preferência vai para estes broas feitas com canela, café, erva doce, miolo de noz, açúcar amarelo e tudo o mais, por vezes com uma amêndoa no topo e obscenamente polvilhadas de açúcar. (Há aqui uma receita neste site, se bem que é a diferente da que é usada na nossa família). Também há quem chame esta variedade de brindeiras. 

Ora, os meus Todos Os Santos eram particularmente afortunados pois a minha Avó Ana era o Stradivarius das broas de Todos Os Santos. Por esta altura, quando chegava a casa da minha avó, geralmente encontrava-a na cozinha de volta de um panelão cheio de massa de broas e com a mesa com várias pirâmides de broas em travessas. Claro está, era uma questão de segundos até eu começar a comer pelo menos uma. E não se pense que era só a petizada da família que se empanturrava com este manjar divino, pois os adultos da família raramente conseguiam a resistir a comer só uma.  



Como a minha avó confeccionava broas essencialmente para a nossa extensa família e só as fazia para fora em casos pontuais e restritos, não há provas certificadas que evidenciem que as broas da minha Avó Ana eram as melhores de Torres Novas, quiçá do mundo. Mas digo sem dúvidas, que tal como nunca mais ninguém conseguiu reproduzir a arte de Antonio Stradivari em fazer violinos, mais ninguém conseguiu igualar a arte da minha avó em fazer broas de Todos Os Santos. Embora haja quem se aproxime razoavelmente, como a minha mãe.



Esta fotografia é uma das minhas preferidas da minha infância, pois é da doce matéria de que são feitas as memórias de infância. Tenho aqui para aí uns cinco anos e estou a ajudar a minha avó a dar forma às broas antes de irem ao forno. E atrás de nós: um quadro preto para escrever a giz com o Rato Mickey.  Um verdadeiro tesourinho em todos os aspectos! 




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