terça-feira, 3 de julho de 2012

Os Filhos da Droga (1979)

por Paulo Neto

Os anos 70 e 80 assistiram a uma colossal proliferação do consumo de droga, ao ponto de se tornar um flagelo transversal a vários sexos, idades, classes sociais e meios urbanos e rurais. Infelizmente, todos nós conhecemos alguém que tenha caído na armadilha de droga e a grande maioria conhecerá alguém que tenha encontrado aí um destino fatal. Por vários motivos, muitas pessoas, sobretudo jovens, procuraram refúgio nas sensações fortes do consumo de estupefacientes para gradualmente verem a sua vida degradada em todos os aspectos.

Exemplificando na perfeição todo o drama e horror causado pela droga, um relato de alguém que viveu esse mundo seria imortalizado em livro. Falo de "Os Filhos de Droga", um daqueles livros que marcou uma geração, ao ponto de ser quase um rito de passagem ler esse livro na adolescência.
O livro foi escrito por dois jornalistas da revista alemã Stern, Kai Herrmann e Horst Rieck, mas é creditado a Christiane Felscherinow, mais conhecida como Christiane F., a jovem de então 15 anos cujo relato como consumidora de droga na adolescência é amplamente descrito no livro. Tudo começou com o julgamento de um homem que pagava com heroína por sexo com jovens menores de idade, onde Christiane foi testemunha.
Os jornalistas que pretendiam abordar o flagelo da droga entre os jovens berlinenses combinaram uma entrevista de duas horas com Christiane. Mas essas duas horas acabaram por ser dois meses já que a jovem relatou abertamente toda a sua experiência como membro de um grupo de jovens toxicodependentes de Berlim Ocidente, que recorriam à prostituição para sustentar o vício, sobretudo perto da estação do Zoo de Berlim. Impressionados com o depoimento, Herrmann e Rieck decidiram converter numa série de artigos da revista naquela que foi considerada uma das primeiras abordagens aprofundadas nos media ao consumo de droga, um assunto então camuflado por vários tabus. Por fim, os jornalistas editaram o relato em livro em 1979, Christiane F. – Wir Kinder vom Bahnhof Zoo ("Os jovens da Estação de Zoo") no original. 

O livro conta a experiência de Christiane na comunidade de jovens toxicodependentes de Berlim. Nascida em Hamburgo, a sua família mudou-se para um subúrbio de Berlim quando ainda era criança. Crescendo num quadro familiar desequilibrado, onde o seu pai maltratava a esposa e as filhas e chegava ao ponto de, quando recebia visitas, de as obrigar a passarem por sua irmã e sua sobrinhas, a jovem sentia-se alienada e nem o divórcio dos pais e o fim dos maus tratos lhe trouxeram estabilidade. Aos 12 anos, Christiane experimentou haxixe com um grupo de amigos mais velhos, passando posteriormente como muitos outros para o LSD e vários comprimidos e acabando por consumir heroína, primeiro inalada, depois injectada.
Aos 14 anos, Christiane já sofria enorme dependência e prostituía-se na Estação do Zoo, quer sozinha, quer com Detlef, o seu namorado. Após ser presa, passa por algumas tentativas de reabilitação mas acaba por voltar ao vício antigo. Ao longo desse ciclo, vai vendo alguns dos seus amigos falecer de overdose, como Atze, o seu primeiro amor, e Babsi, cuja morte aos 14 anos, fora amplamente noticiada na imprensa.
O livro contém também depoimentos da mãe de Christiane e de outras pessoas que testemunharam de perto a proliferação do flagelo, como o padre dono do centro juvenil onde Christiane tem as suas primeiras experiências com drogas. 

O livro tornou-se um sucesso internacional, elevando Christiane F. ao estatuto de celebridade. No início dos anos 80, fez parte de uma banda punk, Sentimental Jugend, e entrou num filme. Em 1981, o livro foi adaptado num filme, "Christiane F." com a participação especial de David Bowie, que na obra é o cantor preferido do grupo de Christiane e foi durante um concerto de Bowie que ela inalou heroína pela primeira vez.


O livro tem um final aberto, com Christiane a deixar Berlim para tentar mais uma reabilitação. Mas, com cinquenta anos completados em 20 de Maio último, ainda hoje debate-se com a sua dependência, tendo alternado entre recuperações e recaídas ao longo da vida. Viveu em vários países como Estados Unidos, Holanda e Grécia e os rendimentos provenientes do livro têm permitido sustentar-se a si própria. Ainda hoje recebe cartas de fãs e é acompanhada pelos media alemães.

Eu lembro-me que a leitura do livro foi particularmente impressionante para mim porque tinha na altura 14 anos, ou seja, era da idade daqueles jovens. Por vezes eu até tinha a sensação que estava lá no meio daquele caos e que se olhasse para o lado ia ver seringas no chão, de tão nítidas que eram as descrições. Em Portugal, o livro foi um best-seller sobretudo em encomendas do Círculo de Leitores. A mais recente edição no nosso país data de 2010, que inclui fotografias inéditas dos amigos de Christiane e do meio onde se moviam.

Em 2013, Christiane F. lançou a sua autobiografia "A Minha Segunda Vida" onde conta como foi a sua vida após a publicação do livro. 

   
 
Christiane F. em 2013

Anedotas de Alentejanos


Desconheço quando se começou a contar anedotas sobre alentejanos, mas o facto é que foram muito populares na era croma, como demonstram estas fotocópias, que circulavam pelo país numa era pré-Internet. Obrigado ao Carlos Silvério, que disponibilizou estas cópia - e outro material - on-line.

Os Dez Mandamentos do Alentejano:

Um exemplar com 78 anedotas de alentejanos:

Para ser mais fácil a leitura, dividi em 4 partes, pode clicar em cima das imagens para as aumentar:

Consultório Thaber (1969)

Clique na foto para aumentar.
"Consultório Thaber", publicidade em forma de consultório que responde aos problemas das leitoras com sugestões de produtos de beleza "Thaber" para resolver borbulhas, pele seca, maquilhagem, rugas e aplicações de cabelo postiço.


Anúncio retirado da revista "Modas e Bordados - Vida Feminina" nº 2992, de 11/06/1969.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Ulisses 31 - Banda Sonora Original

"Ulisses 31" Banda Sonora Original da Série da TV
Uma Produção SABAN RECORDS - 1981
Epic - EPC A 4824

Uma das minhas mais recentes aquisições, este disco de vinil de 45 rotações, da banda sonora do desenho animado Ulisses 31. Está em excelente estado de conservação, apesar de ainda não o ter experimentado num gira-discos.
Este disco inclui no Lado 1 a versão portuguesa da música que se ouve no genérico inicial da série. Quando foi exibida em Portugal, apenas o genérico era em português, já que a série foi transmitida em francês com legendas. 
Ulisses 31 foi uma série franco-nipónica, criada em 1981, conhecida internacionalmente por Ulysses 31, no Japão por 宇宙伝説ユリシーズ (31 Uchū Densetsu Yurishīzu Sātīwan) e Ulysse 31 na França. basicamente, adaptou a épica história "Odisseia" de Homero sobre as aventuras de  Odysseus/Ulysses ao século XXI, num ambiente de space opera.
Pode clicar nas fotos para as aumentar:




Clique no link para ver mais fotos, videos e informação sobre o disco e a série:

O Cinema, arte e indústria (1979)

"O Cinema, arte e indústria"
Colecção: Biblioteca Salvat de Grandes Temas
Personalidade entrevistada: Marco Ferreri
Texto: Carlos Barbáchano
ISBN 84-401-0209-7 (obra completa)
ISBN 84-401-0214-3
1979
Edição: Salvat
143 páginas.


Uma aquisição recente, em 2ª mão num alfarrabista:



 Clique no link para continuar a ver o resto das fotos:

Tampax (1969)



Reclame aos tampões Tampax, "protecção higiénica para uso interno". Confesso que não fazia ideia que já havia tampões há tantos anos. "Nem cintos, nem alfinetes, nem chumaços, nem cheiro". "São totalmente indetectáveis quando em uso e ... são tão delicados e femininos. As mãos nunca precisam de tocar no próprio tampão." Curiosamente, o desenho da embalagem está em inglês, como podem ver no detalhe da imagem do topo.

Anúncio retirado da revista "Modas e Bordados - Vida Feminina" nº 2992, de 11/06/1969.

domingo, 1 de julho de 2012

Cromos da Animação - volume 1


O primeiro dos meus vídeos de compilação de séries animadas dos anos cromos. Reconhecem todas as séries?

Cromos da Animação - volume 1 [Youtube]


Cromos da Animação - volume 1 [Vimeo]


Do He-Man, ás Tartarugas Ninja até à Abelha Maia. Demorou cerca de cinco horas a editar. Editado no Ulead Video Editor 8. 

A música utilizada é "The Touch", de  Stan Bush, para a banda sonora do filme dos Transformers (1986):

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Documentário 68 (1969)


Ora cá está algo deveras invulgar, com o título "Documentário 68" e a frase de promoção "Um retrato flagrante e vivo do ano de 1968!" primeiro julguei tratar-se de um documentário à venda em cassete, e depois lembrei-me que ainda faltava uns anitos para os leitores de VHS chegaram às casas dos comuns mortais: este "Documentário 68" era um compêndio de "mais de 150 páginas de legendas e fotografias", lançado pela Editorial 'O Século' ao preço de 20$00, para recordar os acontecimentos de 1968. Como diz no anúncio: "Um ano cheio - a exploração espacial, a morte de Kennedy, a invasão da Checoslováquia, a guerra do Vietname..e do Biafra..., O casamento de Jacqueline...". Se alguém ainda tem esta relíquia em casa, digam-se se incluía alguma coisa sobre o "Maio de 68", e greves, e assim... ou se se notava muito os traços do lápis azul.


Anúncio retirado da revista "Modas e Bordados - Vida Feminina" nº 2992, de 11/06/1969.

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